Para atravessar o território do desejo.

05/mar

O Festival Vórtice torna pública a abertura das inscrições para sua 5ª edição, reafirmando seu compromisso como evento anual dedicado à difusão e ao fomento de práticas artísticas visuais que exploram as múltiplas dimensões da sexualidade na arte contemporânea.

A curadoria desta edição é assinada por Leonardo Maciel e Paulo Cibella, idealizadores da iniciativa, e contempla obras em diferentes linguagens, incluindo pintura, fotografia, escultura, audiovisual, performance e publicações independentes. Pessoas maiores de 18 anos, do Brasil e do exterior, poderão se inscrever entre os dias 02 e 29 de março no site do Vórtice Cultural. Serão oferecidos três prêmios em dinheiro aos artistas escolhidos pelo público e pela curadoria. A 5ª edição será realizada entre os dias 29 de maio e 27 de junho, em São Paulo.

O festival propõe-se como um espaço de liberdade e experimentação artística, incentivando produções que investiguem os atravessamentos entre corpo, desejo e identidade, em diálogo crítico com contextos de censura institucional e de mercado. Nas edições anteriores, o Festival Vórtice reuniu mais de 250 artistas de 10 países e recebeu aproximadamente 8 mil visitantes, ampliando progressivamente sua escala e seu alcance internacional.

 

Claudio Dantas apresenta nova série de pinturas.

A Sergio Gonçalves Galeria, Jardim América, São Paulo, SP, exibe “Afinidades do Inconsciente”, mostra individual de Claudio Dantas, que reúne cerca de 22 pinturas inéditas realizadas em 2025, sob curadoria do marchand Sergio Gonçalves, com abertura em 10 de março. A exposição evidencia a maturidade de uma pesquisa pictórica construída ao longo de quase quatro décadas. O conjunto apresentado reafirma o interesse do artista pelos territórios do imaginário, da fabulação e das imagens que emergem em zonas limítrofes entre o real e o onírico, sem se prender a narrativas fechadas ou leituras unívocas.

A pintura de Claudio Dantas parte de uma escuta atenta do inconsciente, entendida menos como método e mais como estado de disponibilidade. Suas imagens operam como campos abertos de projeção, nos quais figuração, memória e imaginação convivem em tensão permanente. Essa liberdade formal e conceitual se manifesta tanto na diversidade temática quanto nas escolhas de escala, suporte e soluções compositivas. “A beleza é subjetiva, mas fundamental”, afirma o artista, sintetizando um princípio que atravessa o conjunto apresentado.

Em “Afinidades do Inconsciente”, os trabalhos dialogam com diferentes momentos de sua trajetória, sem assumir o formato de retrospectiva. Permanências e deslocamentos convivem lado a lado, revelando um processo contínuo de depuração poética e formal. O processo criativo parte sempre da concepção da obra para, em seguida, definir os materiais e técnicas mais adequados – majoritariamente óleo ou acrílico sobre tela ou madeira. “Felizmente as ideias brotam com muita facilidade. O mais trabalhoso é concretizá-las na tela”, comenta Claudio Dantas. O caráter figurativo de sua pintura envolve um longo percurso de elaboração, que inclui desenho, pesquisa de referências visuais e sucessivas camadas de construção pictórica.

A curadoria de Sergio Gonçalves propõe uma leitura que privilegia a liberdade e o risco como valores centrais da exposição. Para o curador, afinidade não é repetição, mas confiança no processo artístico. “Quando existe sintonia, o artista se permite ir mais longe. A galeria precisa ser esse lugar de escuta, onde a obra pode se afirmar sem concessões”, afirma. Para Claudio Dantas, o contexto expositivo é parte fundamental da experiência. “O trabalho ganha muito quando está exposto em um ambiente com peso no mercado. É um aval importante”, afirma o artista.

Mais do que um ponto de chegada, “Afinidades do Inconsciente” confirma a vitalidade de uma pesquisa em permanente movimento. As pinturas reunidas convidam o público a uma experiência aberta, em que a imagem atua como espaço de encontro entre o visível e o invisível – território onde a arte segue operando como exercício de liberdade.

Até 30 de março.

Uma obra com forte senso de liberdade.

Para marcar o início das celebrações de sua primeira década de atuação no mercado de arte contemporânea brasileiro e internacional, a Janaina Torres Galeria apresenta a exposição individual “Deborah Paiva (1950-2022): Uma Antologia”, com curadoria de Tadeu Chiarelli. A mostra tem abertura prevista para 07 de março, das 14h às 18h, e permanecerá em cartaz até 30 de abril, em São Paulo.

A exposição reúne um conjunto inédito de obras que atravessa diferentes momentos da trajetória de Deborah Paiva (Campo Grande, 1950), artista cuja produção se consolidou a partir de uma investigação rigorosa da pintura como linguagem e campo de reflexão. A sul-mato-grossense, radicada em São Paulo, construiu uma obra com forte senso de liberdade, mantendo-se fiel à experimentação e à margem de tendências e modismos do circuito artístico.

Seus primeiros trabalhos surgem tridimensionais, a maioria deles em grandes dimensões e com caráter quase instalativo. Ao longo do tempo, sua pesquisa vai, gradualmente, voltando-se para a linguagem pictórica, passando por investigações fortemente matéricas – com procedimentos próximos à arte povera, utilizando elementos como areia, palha, encáustica e diferentes densidades de tinta – e, posteriormente, se concentra na depuração da pintura, com formatos mais reduzidos e obras menos matéricas, mais silenciosas e introspectivas.

A artista, ao longo de sua trajetória, foi reconhecida por críticos renomados como Tadeu Chiarelli, Lorenzo Mammì, Angélica de Moraes e Alberto Tassinari – construiu um percurso de rigor estético e sensibilidade, mantendo-se fiel à pintura como campo de reflexão e experiência. Sua obra foi apresentada em instituições como o MAM São Paulo, MAC USP, Museu Lasar Segall, Instituto Figueiredo Ferraz, MAC Campinas, Centro Cultural São Paulo, Paço das Artes, Palácio das Artes, Centro Universitário Maria Antônia, além de exposições individuais em galerias de referência. A obra de Deborah Paiva está representada nos acervos do MAM SP e MAC USP. Deborah Paiva também foi colaboradora da Ilustríssima, suplemento da Folha de S.Paulo, publicando suas pinturas durante o período aproximado de 10 anos, com presença marcante entre 2012 e 2022.

Paralelamente à sua produção artística, Deborah Paiva construiu uma trajetória sólida como educadora. Atuou na formação de professores sob a orientação de Stela Barbieri e, por mais de uma década, conduziu o Ateliê Livre de Pintura Contemporânea no Instituto Tomie Ohtake, formando gerações de artistas e mediadores culturais. Em 2010, integrou o setor educativo da 29ª Bienal Internacional de São Paulo, ampliando o diálogo entre arte contemporânea e educação pública.

A ancestralidade e o divino.

A mostra “A Cabeça de Zumbi”, abre nesta quinta-feira, 05 de março, a programação de 2026 da Galeria Estação, Pinheiros, São Paulo, SP, com a segunda exposição individual do artista Rafael Pereira. 

Composta por dois núcleos expositivos, a mostra reúne 22 pinturas no 2º andar da galeria – sendo 20 retratos e duas naturezas-mortas – e, no mezanino, apresenta a série “Nbimda”, formada por 16 pinturas de cabeças de dimensões variáveis. Cada obra representa uma divindade (nkisi) cultuada no candomblé de Angola de matriz Bantu. Ao abordar esse conjunto, o historiador de arte Renato Menezes, autor do texto crítico do catálogo da mostra, destaca a centralidade simbólica da cabeça como elo entre o corpo, a ancestralidade e o divino:

“O que para os europeus se apresentou unicamente como fisionomia, isto é, como emanação da personalidade, revela-se, na pintura de Pereira, como elo com o divino: a cabeça, orí para os Iorubá e mutuê para os Bantu. É na cabeça onde reside a força vital do indivíduo; está ali sua conexão com o nkisi, a energia ancestral e destino individual que cada sujeito traz consigo ao nascer. O tema da cabeça ancestral organiza a série Nbimda”, destaca Renato Menezes.

Ao exaltar e ressignificar a ancestralidade afrodiaspórica que constitui parte majoritária da sociedade e da formação cultural brasileira, Rafael Pereira também explicita sua intenção de dar maior complexidade às discussões sobre racialidade, afastando-se de leituras reducionistas em favor da construção de uma subjetividade negra.

Novo artista representado pela Gomide&Co.

04/mar

Marcel Broodthaers nasceu em Bruxelas em 1924 e morreu em 1976, em Colônia. Atuou principalmente como poeta até 1963, quando, nos últimos doze anos de sua vida, desenvolveu um corpo de trabalho amplo e multifacetado. Reconhecido por explorar as relações entre linguagem, objeto, retórica e imagem, sua produção inclui poesia, filme, fotografia, desenho, pintura, escultura e instalações.

Entre 1968 e 1972, fundou o Musée d’Art Moderne, Département des Aigles, concebido como um museu ficcional e itinerante, inicialmente instalado em sua residência em Bruxelas e posteriormente apresentado em diversos contextos. Nesse âmbito, produziu os Poèmes industriels, placas de plástico termoformadas a vácuo que combinam texto e imagem por meio de uma linguagem visual informada pela sinalização urbana e pela comunicação de massa. Nos últimos anos de sua vida, Broodthaers desenvolveu os Décors – ambientes expositivos imersivos e de grande escala que, em determinados momentos, incorporavam e rearticulavam elementos de trabalhos anteriores.

A obra de Broodthaers foi apresentada em importantes exposições internacionais, incluindo a Documenta (1972, 1982 e 1997), em Kassel, bem como a Venice Biennale (1976, 1978, 1986 e 2015) e a Bienal de São Paulo (1994 e 2006). Em 2016, uma grande retrospectiva foi organizada pelo Museum of Modern Art (MoMA), Nova York, que itinerou para o Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, Madri, e foi concluída na KunstsammlungNordrhein-Westfalen (K21), Düsseldorf, em 2017. Exposições individuais também foram realizadas na Tate Gallery, Londres (1980); no Palais des Beaux-Arts, Bruxelas (2000); no Kunstmuseum Basel (2014); no Fridericianum, Kassel (2015); no M HKA – Museum of Contemporary Art Antwerp (2019); na WIELS, Bruxelas (2021); na Kunsthaus Zürich (2023); e, em 2022, Marcel Broodthaers: Décor, apresentada na Gomide&Co, sua primeira exposição individual na América do Sul.

Sua obra integra importantes coleções públicas, incluindo o MoMA – The Museum of Modern Art, Nova York; a Tate Modern, Londres; o Musée National d’Art Moderne – Centre Georges Pompidou, Paris; a Bourse de Commerce – Pinault Collection, Paris; o Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, Madri; o Glenstone Museum, Potomac, EUA; o Hamburger Bahnhof – Nationalgalerie der Gegenwart, Berlim; a Staatsgalerie Stuttgart, Stuttgart; a K21, Kunstsammlung Nordrhein-Westfalen, Düsseldorf; o Van Abbemuseum, Eindhoven; o S.M.A.K. – Stedelijk Museum voor Actuele Kunst e a Foundation Anton & Annik Herbert, Ghent, Bélgica; os Musées Royaux des Beaux-Arts de Belgique, Bruxelas; a Scottish National Gallery of Modern Art, Edimburgo; o Philadelphia Museum of Art, Filadélfia; a Samsung Collection, Seul; o Museum Voorlinden, Wassenaar, Países Baixos; o GES-2 (VAC Foundation), Moscou; entre muitas outras.

Em torno da obra de José Antônio da Silva.

03/mar

A Fundação Iberê Camargo e o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo promovem rodada de conversa sobre a obra do artista naïf José Antônio da Silva.

Exposição “José Antônio da Silva: Pintar o Brasil”, em cartaz até 15 de março, já recebeu mais de 60 mil visitantes somente no MAC – USP. Encontros, sobre sua obra, coleção e circulação ocorrem dias 07 e 14 de março, às 11h, Auditório Walter Zanini do MAC – USP. 

Neste sábado 07, a Fundação Iberê Camargo e o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo promovem uma conversa sobre a obra de José Antônio da Silva com a galerista Vilma Eid, o colecionador Orandi Momesso e o diretor do Muse de Grenoble (FR), Sébastien Gokalp sobre o colecionismo, a circulação e a recepção crítica da obra do artista. O encontro será mediado por Emilio Kalil, diretor superintendente da Fundação Iberê Camargo.

No dia 14 (sábado), também às 11h, será exibido o filme “Quem não conhece o Silva?” (1979), seguido de conversa com Carlos Augusto Calil, diretor do curta. O encontro será mediado por Fernanda Pitta, curadora do museu e especialista no trabalho do artista.

José Antônio da Silva: Pintar o Brasil, em cartaz até o dia 15 de março, já passou pelo Museu de Grenoble, na França, como parte da Temporada Brasil-França 2025, e pela Fundação Iberê, em Porto Alegre. A exposição apresenta 142 obras, sendo 119 do acervo do MAC-USP, que reúne trabalhos do artista desde sua fundação e abriga o maior acervo do país de sua obra. A doação inaugural do acervo já incluía pinturas de 1942 a 1950, período em que Silva começava a despertar o interesse da crítica, antes mesmo de seu reconhecimento nas primeiras Bienais de São Paulo. Esse momento revela uma inflexão no Modernismo Brasileiro, que então passava a valorizar produções não-acadêmicas, associadas a uma ideia – ainda que controversa – de arte “ingênua” ou “primitiva”, em diálogo com novas compreensões do popular.

Nuno Ramos representado por duas galerias.

02/mar

Almeida & Dale e a Cerrado Galeria anunciam a co-representação do escritor e artista Nuno Ramos. Sua prolífica obra assume a permeabilidade entre pintura, instalação, escultura, texto, peças teatrais e sambas. Seu corpo de trabalho pode ser entendido como um conjunto de tentativas, isoladas ou combinadas, de entranhar o fazer artístico na matéria, de criar arranjos provisórios entre opostos, de concatenar movimentos e de armar cenas conduzidas por atores humanos e não humanos. 

A palavra, o tempo presente e a realidade político-histórica e cultural do Brasil são tópicos recorrentes em sua prática, em diálogo com figuras fundamentais de diferentes áreas da cultura. Suas obras se dirigem aos limites da matéria, da linguagem e do objeto de arte, ora com aspecto vivaz, ora melancólico, colocando em fragilidade a atuação e o controle da própria ação criativa. 

Nuno Ramos iniciou sua trajetória nos anos 1980 e é um dos nomes determinantes da arte contemporânea brasileira. Ele acumula passagens por quatro edições da Bienal de São Paulo, além de participações nas Bienais de Veneza, do Mercosul e de Havana. Foi premiado pelo conjunto de sua obra com o Grant-Award da Barnett and Annalee Newman Foundation e, como autor, recebeu duas vezes o Prêmio Portugal Telecom. Sua obra integra acervos institucionais como os do Instituto Inhotim, Jewish Museum, MAM São Paulo, Pinacoteca de São Paulo, Städtische Galerie Villa Zanders, Tate Modern, Thyssen-Bornemisza e Walker Art Center, entre outros. 

Em 2026, Nuno Ramos estreia no Theatro Municipal de São Paulo como diretor, ao lado de Eduardo Climachauska, na ópera Intolleranza 1960, de Luigi Nono. O artista lança ainda neste ano livro em prosa inédito e um novo título dedicado à sua obra, organizado pela curadora Pollyana Quintella e pelo professor e pesquisador Victor da Rosa.

A pintura em estado de emergência contínua.

27/fev

A Fortes D’Aloia & Gabriel, Jardins, São Paulo, SP, apresenta até 18 de abril, “Maçã Roxa”, a primeira exposição individual de Willa Wasserman no Brasil. A mostra reúne pinturas intimistas de pequena escala sobre linho e latão, além de obras expansivas sobre tecido, produzidas entre Nova York, onde reside, e São Paulo, onde a artista realiza residência na Casa Onze.

Willa Wasserman aborda questões de intimidade, gênero e metamorfose, entrelaçando referências à pintura clássica e à cultura material com expressões contemporâneas da experiência queer. Trabalhando com tecido e metal, a artista trata o suporte como um participante ativo em cada composição. Óleo, ponta de prata – traços desenhados através da fricção da prata sobre uma superfície preparada – e processos químicos são aplicados de maneiras que permitem que oxidações, manchas e alterações tonais aflorem e permaneçam legíveis. Ela aborda a figuração sem enfatizar a clareza corporal ou contornos nitidamente definidos, privilegiando, em vez disso, espaços amorfos nos quais as formas flutuam e se dissolvem. Técnicas históricas são reinventadas para dar origem a corpos e atmosferas mutáveis, simultaneamente luminosos e sombrios, suspensos em um estado de emergência contínua.

Há vários anos, Wasserman trabalha com a natureza-morta como uma forma de pensar visualmente, tratando os objetos como uma forma de composição silenciosa em vez de exibição simbólica. Ela pinta arranjos de flores e cenas de jardim, como em “Do jardim no novo squat” (2026), onde o pigmento parece se fundir com a superfície metálica, conferindo às imagens uma profundidade tranquila e ambiente. Em “Natureza-morta com maçã roxa, tigela vazia, ancinho de fechadura” (2026), o ancinho de fechadura introduz uma nota de acesso transgressor, fazendo referência a experiências vividas de identidade trans e maneiras de navegar por espaços além das estruturas normativas.

Um artista iraquiano-norteamericano.

26/fev

A Almeida & Dale anuncia a representação de Michael Rakowitz. Com uma prática multidisciplinar, o artista iraquiano-norte americano aborda a História, os dispositivos oficiais de construção de memória, bem como os conflitos sociais e geopolíticos permeados em espaços urbanos e em objetos cotidianos. Tópicos como colonialismo, o imperialismo, a repatriação de artefatos e outros modos de responsabilização e compensação são atravessados em suas obras, a partir da revelação de eventos históricos e biográficos, no que nomeia de “etimologia material”. 

Pautado no engajamento com comunidades e no convite à participação, seu trabalho dissolve frequentemente a fronteira entre arte e vida. Embalagens de alimentos e os processos da alimentação, do preparo ao ato de comer, são recorrentes em suas obras mais célebres e servem tanto como veículo para abordar fluxos migratórios, diásporas e despossessão, quanto como testemunhos da preservação de tradições e como resistência cultural. 

Michael Rakowitz soma participações em mostras coletivas como Trienal de Aichi; dOCUMENTA 13; 16ª Bienal de Sidney; 10ª Bienal Internacional de Istanbul; 15ª, 14ª e 8ª edições da Bienal Sharjah; e 3ª Bienal de Tirana. Sua obra é parte de importantes acervos internacionais, entre eles: MoMA, Tate Modern, Castello di Rivoli Museo d’Arte Contemporanea, MCA Chicago, Van Abbemuseum, The British Museum, The Metropolitan Museum of Art, Museu Nacional de Cabul e UNESCO. A partir de 14 de março, o artista integra a 25ª Bienal de Sidney – Rememory.

Em seu trabalho, Michael Rakowitz aborda a História, os dispositivos oficiais de construção de memória, bem como os conflitos sociais e geopolíticos imbuídos em espaços urbanos e em objetos cotidianos. O artista constitui uma certa “etimologia material” ao manter uma metodologia investigativa sobre as contingências específicas de seus projetos, revelando eventos históricos, biográficos e culturais que resultam em imbricamentos complexos de imagens, linguagens e tempos. Mobilizado por sua ascendência iraquiana-judia, sua obra propõe reaparecimentos que aguçam as contradições entre a suposta racionalidade e a violência dos modelos civilizacionais do Ocidente. 

“Na noite de 17 de janeiro de 1991, lembro-me de estar sentado diante da televisão enquanto jantava, assistindo pela primeira vez em nossas vidas a imagens em tempo real do Iraque – de edifícios que meus irmãos e eu jamais chegaríamos a visitar. E então, de repente, percebi que o lugar para onde meus avós haviam fugido estava destruindo o lugar de onde eles fugiram. Foi quando realmente comecei a reconhecer sobre o que seria o trabalho da minha vida.”

Michael Rakowitz, em vídeo para o Nasher Prize Dialogues, 2022.

A imagem em metáfora do ato fotográfico.

Julia Kater exibe “Duplo/Dual” até 14 de março na Galeria Simões de Assis, Jardins, São Paulo, SP. 

Uma pequena fotografia nos guia: na superfície do tecido, duas mãos se aproximam sem se tocar, erguidas em espelho. O sol escorre entre os dedos, desliza pelos pulsos, se deposita sobre a mesa e retorna em sombra, criando uma espessura comum. O que conecta os corpos é essa película dourada, responsável por estabelecer um pacto silencioso, um tipo de encontro que acontece por incidência luminosa, e que transforma a própria imagem em metáfora do ato fotográfico. 

Novos desdobramentos na produção de Julia Kater, especialmente fruto da residência realizada em 2025, na Cité Internationale des Arts, em Paris. Se antes a artista operava sobretudo por adição e sobreposição, através de recortes e colagens de dicção abstrata, dedicados a embaralhar as coordenadas do céu e da paisagem, as novas impressões sobre seda tingida tratam de uma imagem que retorna ao centro da produção, e que parece emergir da trama do tecido. Enquanto o papel fotográfico tende a funcionar como suporte neutro, cuja função histórica é estabilizar a imagem, o tecido vem introduzir porosidade, uma vez que não apenas recebe a imagem, mas a absorve. Sobre essa primeira pele cromática, carregada de tempo e matéria orgânica, a impressão fotográfica vem pousar como aparição.

Na exposição, esses novos trabalhos podem ser vistos em diálogo com uma produção já conhecida do público, marcada pelo uso de recortes fotográficos, sobreposições e montagens que operavam por descontinuidade.