Pinturas a quatro mãos.

31/mar

A Gabriel Wickbold Gallery, Vila Nova Conceição, em São Paulo, SP, apresenta “Código-Mãe”, exposição inédita de Jane e Gabriel Wickbold, mãe e filho, que reúne 22 pinturas desenvolvidas em colaboração direta ao longo de um processo contínuo no ateliê. Realizadas a quatro mãos e em dimensões variadas, as obras partem de um exercício compartilhado de construção pictórica, no qual gesto, repetição e permanência assumem papel central. A abertura acontece no dia 06 de abril.

O projeto se estrutura a partir de um retorno à produção de Jane Wickbold, artista com atuação desde a década de 1990, cuja trajetória foi interrompida no início dos anos 2000 e é agora retomada publicamente. Esse reencontro não se dá sob a lógica de uma revisão retrospectiva, mas como operação prática: ambos passam a trabalhar simultaneamente sobre as mesmas superfícies, estabelecendo um campo comum de ação e linguagem. Com trajetória consolidada desde 2012, Gabriel Wickbold desloca aqui sua prática para a pintura, assumindo o processo como eixo estruturante. Ao lado de Jane, desenvolve uma dinâmica baseada na repetição do gesto, na construção por camadas e na relação direta com o tempo de execução.

As obras não partem de uma imagem prévia, mas da inscrição contínua de marcas sobre a superfície. Cada traço corresponde a um intervalo, a um registro de presença, fazendo com que a pintura opere como campo de acumulação temporal. Mais do que resultado formal, o trabalho se constrói como processo visível, no qual a duração se torna matéria. As pinturas incorporam telas de sombream – materiais utilizados no cultivo de plantas sensíveis à luz direta – que passam a operar como elemento estrutural na construção das obras. Ao mesmo tempo em que sugerem proteção e mediação, essas superfícies introduzem um jogo de presença e apagamento, no qual a imagem se organiza por sobreposição e instabilidade.

“Código-Mãe” não se organiza apenas como colaboração, mas como investigação. Mais do que recuperar uma trajetória interrompida, o projeto coloca em questão a própria noção de ausência, ao sugerir que determinadas presenças continuam a operar na construção de uma linguagem, mesmo quando não ocupam um lugar visível. Ao deslocar a relação para o campo da linguagem, a exposição propõe uma leitura da prática artística como espaço de continuidade, no qual a autoria se constrói menos como afirmação individual e mais como resultado de processos de transmissão, muitas vezes invisíveis.

Até 06 de junho.

Artistas mulheres de diferentes gerações.

30/mar

Em um formato exclusivamente digital, a Almeida & Dale, São Paulo, SP, apresenta uma curadoria de obras de seu acervo. “Traçado do Mundo” reúne artistas mulheres de diferentes gerações e nacionalidades. Com práticas que atravessam pintura, escultura, desenho e têxteis, essas artistas elaboram um campo no qual a materialidade, o gesto e os processos de construção de imagem se articulam a partir de deslocamentos entre linguagens e suportes.

 O conjunto evidencia procedimentos diversos que transitam entre abstração e figuração, fazendo emergir superfícies vibrantes, nas quais memória, tempo e experiência se entrelaçam. A recorrência de paisagens, mapas, corpos e matérias orgânicas aponta para uma compreensão do mundo como um campo instável, no qual territorialidade, natureza e cosmologia são continuamente reconfiguradas. Ao articular dimensões subjetivas e políticas, íntimas e coletivas, o conjunto propõe novos modos de ver, narrar e habitar o mundo.

Com obras de Alice Shintani, Daiara Tukano, Elena Damiani, Eleonore Koch, Guga Szabzon, Lais Myrrha, Lidia Lisbôa, Mariana Palma, Marina Woisky, Marlene Almeida, Maya Weishof, Miriam Inez da Silva, Nino Kapanadze, Rebeca Carapiá e Sara Ramo.

Obras inéditas de Denilson Baniwa.

26/mar

A Gentil Carioca São Paulo, Higienópolis, dá as boas-vindas à exposição solo inédita de Denilson Baniwa Yawara Akanga (cabeça de cachorro, em tradução livre), no dia 07 de abril, a partir das 16h.

A mostra reunirá 15 obras recentes e dá continuidade à pesquisa do artista sobre a presença não indígena na região do Rio Negro e no território amazônico. O texto crítico é assinado por Miguel A. López, curador-chefe do Museo Universitario del Chopo, México.

Esta é a segunda exposição individual do artista na unidade paulista, sucedendo *Moqueca de Maridos* (2023).

Em sua produção, Baniwa revisita o passado por meio da reinterpretação de imagens provenientes de tradições e representações locais, bem como de instituições europeias e norte-americanas – como o Musée du Quai Branly, o Museu Nacional de Etnologia de Lisboa, a Biblioteca da Universidade de Princeton e a Fundação Getty – além de arquivos fotográficos de internatos católicos e missões salesianas em aldeias amazônicas.

Obra singular pautada pelo rigor formal.

24/mar

A Galatea anuncia “Paulo Roberto Leal: maleabilidades construtivas”, exposição dedicada à obra de Paulo Roberto Leal (Rio de Janeiro, 1946 – 1991), com abertura no dia 28 de março, sábado, das 11h às 15h, na unidade da Padre João Manoel, Jardins, São Paulo, SP. A exibição dessa mostra estará em cartaz até 09 de maio e reúne trabalhos de séries emblemáticas como “Armagens”, “Armaduras” e “Entretelas”, além de pinturas realizadas pelo artista ao longo da década de 1980, nos anos finais de seu trabalho antes de sua morte precoce, aos 46 anos.

A mostra conta com texto crítico da curadora Mayara Carvalho, evidencia um período central na produção de Paulo Roberto Leal, no qual a investigação sobre uma “geometria sensível”, vinculada ao neoconcretismo carioca, se consolida como eixo de sua pesquisa, orientando uma prática marcada por procedimentos como costura, sobreposição e modulação.

Iniciando sua trajetória artística no final dos anos 1960, paralelamente ao trabalho como economista no Banco Central, Paulo Roberto Leal desenvolveu uma obra singular pautada pelo rigor formal e pela experimentação com materiais não convencionais. A partir da década de 1970, aprofundou de forma autodidata uma investigação em torno das qualidades plásticas do papel, do tecido e da própria tela, criando objetos e composições que questionam as fronteiras entre pintura, escultura e instalação. Já a série “Vilas” (1986), composta por pinturas realizada sobre papel artesanal, coexiste com uma produção que, no início dos anos 1980, marca a aproximação do artista com a pintura em formatos mais amplos e com blocos de cores vibrantes – fase que se tornaria a sua última, antes de falecer em 1991.

Da construção civil à espiritualidade.

“Pedra de Rumo”, exposição individual de Nelson Felix, foi inaugurada na Almeida & Dale da Rua Fradique Coutinho 1360, São Paulo, SP, e permanerá em cartaz até 02 de maio. Com texto assinado por Keyna Eleison, a exposição emerge de uma cartografia expandida em desenvolvimento pelo artista há cerca de três anos.  

Linhas traçadas entre o espaço expositivo da galeria e o Museu de Arte Contemporânea da USP formam uma cruz quase perfeita; o ponto em que elas se cruzam, em uma praça na zona oeste de São Paulo, abriga Nó a Nó, início do projeto que constitui a nova exposição de Nelson Felix. Sentidos que vão da construção civil à espiritualidade, cabem em pedra de rumo – expressão que nomeia a mostra e a nova série de trabalhos apresentados pelo artista. Esculturas que tecem relação entre mármore, bronze e elementos vegetais, somados às séries “1/2 eu” e “Caymmi”, constituem em conjunto “uma sinfonia à São Paulo”, como pontua o artista.  

“Pedra de Rumo” é também a segunda etapa material do processo em continuidade que iniciou em “Nó a Nó” e que culmina em “Beijo de Língua”, exposição individual de Nelson Felix a ser inaugurada em maio no MAC-USP.

Allan Weber no Instituto Tomie Ohtake.

23/mar

A Galatea compartilha a nova individual de Allan Weber (1992, Rio de Janeiro), “Allan Weber – Existe uma vida inteira que tu não conhece”, com o Instituto Tomie Ohtake, sob a curadoria de Ana Roman e Catalina Berguesno. A exposição reúne cerca de 40 obras produzidas em torno da pesquisa do artista sobre o trabalho com entregas por aplicativo e das conexões estabelecidas dentro das dinâmicas da vida urbana.

Dentre as fotografias, vídeos, objetos e instalações que compõem a mostra, estão algumas nunca antes expostas em São Paulo, como as esculturas da série “Nós que sustenta na raça”. Colunas formadas por caixas-d’água empilhadas trazem para o espaço expositivo a inventividade prática inscrita na vida da cidade, associadas ao manejo de recursos e modos de erguer e adaptar espaços.

Na mesma direção, assentos de moto, mochilas de entrega e capacetes são deslocados para o campo da arte em instalações que ganham uma dimensão poética, em grande parte desenvolvidas durante sua residência artística na Nottingham Contemporary, no Reino Unido, em 2024. Ao se debruçar sobre o universo dos motoboys, o artista transforma esses elementos familiares das ruas em imagens que refletem sobre condições contemporâneas de trabalho.

Artistas franco-coreanas no Brasil.

13/mar

A Galatea anuncia “Park Chae Biole & Dalle: alargar o tempo, tecer a vida”, exposição dupla das artistas franco-coreanas em colaboração com a galeria parisiense Anne-Laure Buffard. A mostra, que marca a primeira ocasião em que Park Chae Dalle e Park Chae Biole expõem seu trabalho no Brasil, será realizada na unidade da galeria na Rua Oscar Freire, Jardins, São Paulo, SP, com abertura no dia 21 de março, sábado, das 11h às 15h.

Na Galatea, as irmãs gêmeas apresentam um projeto conjunto pela quarta vez, após duas exposições realizadas em Seul e uma em Paris. Com cerca de 60 obras, a mostra apresenta tanto trabalhos desenvolvidos individualmente quanto produções realizadas em colaboração. Embora compartilhem um campo de investigação similar, atravessado pelas relações entre pintura, espaço, paisagem e pequenas cenas do cotidiano, cada uma desenvolve sua prática a partir de suportes distintos.

Em muitas das obras de Park Chae Biole, a imagem aparece sobre suportes que também organizam o espaço, como persianas, bolsas ou superfícies têxteis, desdobrando a pintura em objeto e em ambiente. Paisagens e fragmentos de lugares surgem nessas estruturas móveis, instaurando um jogo entre interior e exterior, presença e passagem.

Já na prática de Park Chae Dalle, a pintura se aproxima da escrita e da poesia. A artista produz os próprios tecidos sobre os quais trabalha, frequentemente por meio do tricô – uma prática paciente, construída no ritmo do próprio fazer. Paisagens, sóis, flores, espirais, personagens ou nuvens parecem emergir do tecido. Leves e flexíveis, as obras podem ser enroladas, transportadas e reorganizadas, ajustando-se a cada espaço onde são apresentadas.

Quando trabalham juntas, suas práticas revelam afinidades formais que tornam essa colaboração quase natural. As irmãs compartilham, inclusive, o mesmo ateliê em Paris. Tanto as persianas de Biole como os tecidos de Dalle exploram a transparência, a porosidade e a mobilidade, mas é na produção conjunta dos bojagi que essa proximidade se torna mais evidente. Inspiradas na tradição coreana do tecido utilizado para envolver objetos domésticos e presentes, essas produções unem perfeitamente o repertório estético de cada uma das artistas em composições intimamente conectadas.

Até 09 de maio.

Projeto brasileiro contemplado em Nova York.

11/mar

Artistas brasileiras apresentam exposição inédita em Nova York. Mostra foi o único projeto brasileiro contemplado no edital da Apexart, que teve 658 inscritos de todo o mundo.

Será inaugurada no dia 27 de março a exposição inédita “O útero também é um punho”, na Apexart, instituição educativa e cultural localizada em Nova York, 291 Church St. NYC. Com curadoria de Talita Trizoli e Renata Freitas, a mostra terá cerca de 30 obras de dez artistas brasileiras e de uma argentina radicada no Brasil, feitas em diferentes suportes, como pintura, desenho, escultura, instalação, vídeo e performance, que discutem os direitos reprodutivos das mulheres. Paralelamente à exposição, serão realizadas diversas atividades, como performances, visita guiada, roda de conversa e oficina artística.

A exposição apresentará obras das artistas Guillermina Bustos, Leíner Hoki, Leticia Ranzani, Liane Roditi, Ludmilla Ramalho, Mariana Feitosa, Natali Tubenchlak, Raffaella Yacar, Renata Freitas, Rikia Amaral e Rosa Bunchaft, todas integrantes do coletivo G.A.F. (Grupo de Acompanhamento Feminista). Elas são oriundas de diferentes estados brasileiros, como Pernambuco, Sergipe, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, com realidades diversas, mostrando que as discussões sobre o tema perpassam a localidade, idade e raça. 

Mesmo sendo um tema extremamente importante e que vem ganhando cada vez mais discussões na sociedade, no campo das artes visuais ele ainda é muito restrito. Desta forma, a exposição vem cobrir esta lacuna. 

O nome da exposição é uma referência ao poema da brasileira Angélica Freitas, “O útero é do tamanho de um punho”.

Até 23 de maio.

 

Formas sutis de isolamento.

10/mar

A Caixa Cultural São Paulo, Centro, São Paulo, SP, apresenta a exposição “Solidão Coletiva”, de Júlio Bittencourt. Reunindo oito séries realizadas entre 2016 e 2023, a mostra investiga dinâmicas de convivência nas grandes cidades e as formas sutis de isolamento que atravessam o cotidiano contemporâneo. Com curadoria de Guilherme Wisnik e expografia assinada por Daniela Thomas, a exposição propõe uma leitura crítica da experiência urbana.

Ao tensionar proximidade e distanciamento, trabalho e suspensão, público e privado, o artista constrói uma narrativa visual sobre modos de vida marcados por repetição, contenção e anonimato.

Até 12 de julho. 

Antonio Dias nos anos de exílio em Milão.

09/mar

Lançamento de publicação acompanhado de debates marca a última semana da exposição Antonio Dias/Image +  Mirage na Gomide&Co, Avenida Paulista, até 21 de março. O lançamento acontece no Instituto de Arte Contemporânea (IAC) no dia 14 de março (sábado), das 11h às 17h.

Na ocasião do lançamento, serão realizadas duas rodas de conversa sobre Antonio Dias e a exposição. A primeira acontece às 11h com a participação de Gustavo Motta, Sérgio Martins e Lara Rivetti, com mediação de Deyson Gilbert. A segunda será às 15h com a presença de Paulo Sergio Duarte e Luiz Renato Martins, com mediação de Gustavo Motta. Ambos os debates serão realizadas no auditório do IAC, no espaço do subsolo da instituição.

Resultado da colaboração entre a Gomide&Co e a Sprovieri, a publicação apresenta um conjunto de pinturas realizadas por Antonio Dias durante seus primeiros anos de exílio em Milão, entre 1968 e 1971, além de documentação complementar proveniente do Fundo Antonio Dias do IAC. O volume acompanha e registra as exposições ANTONIO DIAS: THE ILLUSTRATION OF ART, 1969-1971, apresentada pela Sprovieri, em Londres (15 de outubro a 19 de dezembro de 2025), e ANTONIO DIAS / IMAGE + MIRAGE, na Gomide&Co, em São Paulo (10 de fevereiro a 21 de março de 2026).

Entre as obras reproduzidas, destacam-se pinturas exibidas na primeira exposição individual de Antonio Dias no antigo Studio Marconi, em Milão, em 1969. Na sua ampla maioria, trata-se de trabalhos preservados por Gió Marconi, filho de Giorgio Marconi. À frente da Galleria Gió Marconi desde 1990 – após ter trabalhado com o pai no espaço experimental Studio Marconi 17 (1987-1990)-, Gió também é responsável pela Fondazione Marconi, fundada em 2004 com o objetivo de dar continuidade ao legado do pai.