Artista recupera saberes e narrativas indígenas.

21/set

Nos últimos anos, o Instituto Caldeira, Porto Alegre, RS, vem ampliando seu olhar para a arte, a cultura e as diferentes formas de ocupar e transformar a cidade. Desse movimento nasceram duas iniciativas: Horizontes Urbanos e, em parceria com a Fundação Bienal do Mercosul, surgiu a iniciativa do Espaço Bienal, com o lançamento da primeira grande exposição com a mostra “Fogo de Pátio”, do artista indígena de origem guarani, Xadalu Tupã Jekupé – que também pintou um dos murais do projeto Horizontes Urba

A pesquisa de Xadalu atravessa espiritualidade, memória e história e aborda processos de apagamento cultural no território do Pampa. Em sua produção, o artista recupera saberes e narrativas indígenas para colocá-los em circulação no presente. 

Agora, o fogo volta a ocupar o centro da narrativa dentro da galeria. Mais do que representar uma lembrança ancestral, ele é apresentado como um conhecimento vivo, capaz de produzir relações e imaginar futuros. A proposta dialoga com o projeto Horizontes Urbanos, do Instituto Caldeira, voltado à transformação do 4º Distrito de Porto Alegre e à criação de conexões entre arte, cidade, cultura e inovação.

Antes da inauguração da mostra, Xadalu participa do talk “Inovar a história: tecnologia, memória e outros modos de produzir conhecimento”, ao lado do curador, artista e escritor Aldones Nino. A realização de “Tatá Rupa – Fogo de Pátio” é uma iniciativa apresentada pelo Instituto Caldeira, Fundação Bienal do Mercosul e Ministério da Cultura, em parceria institucional com a Galeria Ecarta.

Até janeiro de 2027.

Exposição Projeto Acervo.

A Casa de Cultura Laura Alvim, Ipanema, Rio de Janeiro, RJ, convida para mergulhar na arte brasileira das décadas de 1980 e 1990 com a reabertura da exposição “Projeto Acervo – Coleção Casa de Cultura Laura Alvim”.

Preservando o legado cultural da anfitriã, Laura Alvim, a mostra reúne um recorte expressivo do acervo da casa, celebrando a riqueza e a liberdade de expressão plástica da época através de obras figurativas, geométricas e abstratas.

Nesta edição, focaliza o trabalho de artistas consagrados como Rubens Gerchman, Leonílson e Luiz Aquila, além de grandes nomes da arte nacional como Daniel Senise e João Câmara. A exposição também exibe talentos que marcaram a icônica mostra “Como vai você, Geração 80?” e continuaram explorando novas direções artísticas.

A curadoria da exposição é assinada pelas museólogas: Éricka Madeira e Thereza Khunert, 

Até 18 de outubro. 

Exposição Afromayores abriu em setembro.

18/set

Primeira atividade do Instituto Cervantes em parceria com Instituto Pretos Novos, projeto audiovisual, fotográfico e de memória retorna ao Brasil em setembro.

Dedicada às histórias de pessoas negras e afrodescendentes com mais de 65 anos vinculadas à Espanha, a exposição itinerante “Afromayores” retorna ao Brasil em exibição na nova Galeria do Centro Cultural Pretos Novos, Gamboa, Rio de Janeiro, RJ. O projeto audiovisual, fotográfico e de memória foi criado pela jornalista e escritora Lucía Mbomío e pelo fotógrafo e documentarista Laurent Leger Adame e reúne retratos, entrevistas e arquivos pessoais para construir uma memória plural da presença negra na sociedade espanhola.

Para essa itinerância, o Instituto Cervantes do Rio de Janeiro está trazendo ao Brasil o músico brasileiro Batata. Residente há décadas na Espanha, ele é o único carioca/brasileiro retratado na exposição. Na ocasião, haverá um sarau de música e um coquetel de gastronomia afro-brasileira. O CEDINE-PIR e a Embaixada da Espanha no Brasil também apoiam a mostra. 

Sobre o projeto “Afromayores”.

O lema do projeto, “Somos porque foram”, resume a importância dessa transmissão intergeracional: compreender o presente exige reconhecer as pessoas e experiências que o tornaram possível. Ao chegar ao Brasil, a exposição estabelece um diálogo particularmente significativo com um território profundamente marcado pela história da diáspora africana. A circulação do projeto permite colocar em relação experiências negras construídas em contextos distintos e refletir sobre memória, pertencimento, deslocamento, envelhecimento e legado.

Sobre os criadores

Lucía Mbomío é jornalista atuante na televisão, escritora, diretora e roteirista de documentários. A sua trajetória profissional e literária tem abordado questões relacionadas à identidade, à memória, às diásporas africanas e às experiências afrodescendentes na Espanha.

Laurent Leger-Adame é fotógrafo e documentarista especializado em retrato e narrativa visual. Seu trabalho explora identidade, memória, dignidade e representação, combinando prática artística, documental e audiovisual.

Até 28 de novembro.

A trajetória artística de Fernando Lemos.

17/set

“Quanto mais desejo, mais invento o que vejo, Fernando Lemos” é a exposição que o Instituto Moreira Salles, Avenida Paulista, São Paulo, SP, exibe e celebra o centenário de nascimento do artista luso-brasileiro Fernando Lemos (1926-2019) apresentando ao público seu arquivo de fotografias, desenhos, obra política, poesia, projetos de design gráfico e moda adquirido pelo Instituto Moreira Salles em 2019, logo antes de sua morte. O estudo desse arquivo, em associação com o material preservado pela família, permite acompanhar a trajetória artística de 70 anos de produção de Fernando Lemos através de aproximadamente 400 objetos.

A exposição “Quanto mais desejo, mais invento o que vejo” é um projeto de parceria entre a Fundação Cupertino Miranda (Porto), a Fundação Calouste Gulbenkian (Lisboa) e o Instituto Moreira Salles.

Até 07 de fevereiro de 2027.

Exposição no MAM Rio e conversa na ArtRio.

Vencedores do Prêmio PIPA no ano passado, um dos mais importantes prêmios de arte contemporânea do país, os carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora participam, neste sábado, dia 19 de setembro, da exposição “Carnaval como método”, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio). No domingo, dia 20 de setembro, às 16h, eles estarão na ArtRio para a conversa “Carnaval e arte contemporânea”, ao lado de Milton Cunha e Leandro Vieira, com mediação de Alicia Cesário. Além disso, Haddad e Bora também integram a exposição “De Olhos d’Água ao Rio-Mar: Olímpia abraça o Rio de Janeiro”, em cartaz na Estação Cultural de Olímpia (ECO), em São Paulo, até março de 2027.

No MAM Rio, a exposição “Carnaval como método” leva para o espaço museológico os processos de criação desenvolvidos no Carnaval das escolas de samba do Rio de Janeiro. A mostra reúne obras inéditas comissionadas a seis carnavalescos em atividade – entre eles, Gabriel Haddad e Leonardo Bora, que, no contexto fabril da Cidade do Samba, desenvolvem o enredo “Torto arado – sobre a terra há de viver sempre o mais forte”, baseado na obra de Itamar Vieira Junior, para a Unidos de Vila Isabel. A mostra também reúne trabalhos dos carnavalescos Joãosinho Trinta (1933-2011), Rosa Magalhães (1947-2024) e Maria Augusta Rodrigues (1942-2025), além de pinturas de artistas ligados ao universo do samba e do Carnaval, como Heitor dos Prazeres e Nelson Sargento. A exposição ocupará o Salão Monumental e o mezanino, com curadoria de Raquel Barreto, Pablo Lafuente e Phelipe Rezende, além da colaboração de Debora Moraes e Edu Gonçalves.

Gabriel Haddad e Leonardo Bora apresentarão quatro trabalhos inéditos no MAM Rio, pensados de forma a mapear as suas próprias memórias afetivas e referências artísticas originárias do universo das escolas de samba. Cada obra assimila e deglute signos, materiais e técnicas que se referem aos trabalhos de quatro artistas do carnaval que já deixaram a vida. 

Pesquisa sobre o brega e o tecnobrega.

A artista Nazas, participante do 39º Panorama da Arte Brasileira: Depois que tudo foi dito, realiza a ativação da obra “Fiz uma ráfia pra você”, parte da programação pública da exposição e do Ateliê Aberto, programa do MAM Educativo, 17 de setembro. A ação acontece no contexto da residência artística que Nazas realiza na YBYTU, em parceria com o MAM São Paulo. A residência aproxima sua pesquisa sobre o brega e o tecnobrega por meio de ações que articulam leitura, produção manual, performance e encontros de celebração. 

Nesta atividade, com apoio do Educativo do MAM, Nazas propõe uma escuta coletiva de músicas de brega e tecnobrega, seguida da produção manual de pequenas faixas de ráfia. Cada participante poderá transformar um trecho de canção ou uma memória afetiva em uma espécie de mensagem íntima. A faixa produzida pela artista durante a residência na YBYTU também estará presente na atividade, conectando o processo desenvolvido na residência à programação pública do Panorama. Para maiores de 18 anos.

Sobre a artista.

Nazas (Thays Chaves) nasceu em Ourém, PA, Brasil (1997). É artista visual, pesquisadora e arte-educadora, desenvolvendo uma prática multidisciplinar que, desde 2017, estuda as aspirações românticas, as estéticas visuais e as tecnologias culturais do tecnobrega – uma cultura musical e visual popular na região Norte do Brasil. A artista reinterpreta os códigos e símbolos expressivos desse universo, seus excessos, sua sentimentalidade e sua linguagem visual luminosa, transformando-os em reflexões sobre identidade, afeto e pertencimento. Seu trabalho frequentemente expressa um romantismo intensificado, em que linguagem, memória e emoção se entrelaçam por meio de formas e textos experimentais. Em 2025, foi indicada ao Prêmio PIPA. Entre as exposições recentes, destacam-se as coletivas Complexo Brasil, em Lisboa (2025), e Insurgências e o Contraponto do longe, no Centro Cultural Bienal das Amazônias, Belém, (2024)

Pedro Escosteguy na Fundação Iberê Camargo.

16/set

A Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre, RS, inaugura, no dia 26 de setembro, “Pedro Escosteguy – poesia, vanguarda e opinião”, a maior exposição já dedicada à trajetória do artista.

Poeta, artista visual e ensaísta, Pedro Escosteguy foi um dos expoentes da Arte Experimental Brasileira, construindo uma produção marcada pelo diálogo entre palavra, imagem, objeto e participação.

Com curadoria de Gustavo Possamai, da Fundação Iberê, e Gustavo Nóbrega, da Galeria Superfície, a exposição reúne obras históricas, documentos, fotografias, publicações e registros audiovisuais produzidos entre as décadas de 1960 e 1970, revelando a diversidade e a força de uma trajetória fundamental para a compreensão da vanguarda artística brasileira.

Sobre a exposição e o artista.

Aos 47 anos, depois de mais de duas décadas dedicado à gastroenterologia, Pedro Geraldo Escosteguy (Santana do Livramento, 1916 – Porto Alegre, 1989) aprendeu a manusear ferramentas de marcenaria. Nunca havia desenhado, pintado ou esculpido. Dali nasceu sua primeira obra e, com ela, o núcleo de um conjunto de trabalhos que o próprio artista chamaria de construções semânticas. “Meio pomposo o título”, diria, “mas eram construções que tinham capacidade de dizer alguma coisa”.

Antes disso, porém, Escosteguy já construía uma trajetória singular como poeta. Na Porto Alegre dos anos 1950, integrou o Grupo Quixote e tornou-se um dos principais articuladores da expansão da poesia para além do livro: poemas ilustrados, poemas projetados e ações públicas sob o lema “O povo tem direito à poesia”. Palavra, imagem, objeto e participação deixariam de constituir campos independentes para integrar um mesmo projeto de experimentação estética e reflexão crítica.

A mudança para o Rio de Janeiro, o contato com Antonio Dias e a efervescência artística em torno de Hélio Oiticica o levaram, já maduro, a desenvolver, paralelamente à carreira médica, uma produção que conjugava poesia, objeto e participação, orientada pela ideia de arte pública.

Seus objetos recusavam a contemplação passiva. Tinham forte dimensão política e convocavam o espectador ao contato físico e à participação. Insistia em permanecer “totalmente desligado do mercantilismo do mercado de arte” e compreendia a passagem da poesia ao objeto como um processo contínuo: “o poema se enriquece quando se integra em suportes adequados”, escreveu, e “o objeto se levanta a partir desse núcleo conceitual”.

Embora reconhecido em algumas das exposições decisivas da arte brasileira dos anos 1960, como a VIII Bienal de São Paulo (1965), Opinião 65, a IX Bienal de São Paulo (1967) e Nova Objetividade Brasileira (1967), grande parte de sua produção permaneceu pouco conhecida ou acessível apenas por meio de registros fragmentários.

Escosteguy dedicou-se às artes visuais por pouco mais de uma década, entre o início dos anos 1960 e o fim dos anos 1970. Esta exposição reúne a maior parte de sua produção plástica hoje conhecida, proveniente de diferentes coleções do Brasil, ao lado de publicações, registros audiovisuais e documentos preservados no Delfos – Espaço de Documentação e Memória Cultural da PUCRS, que salvaguarda o arquivo doado pela viúva do artista, Marilia Escosteguy.

Reunidas pela primeira vez, estas obras revelam que a passagem da poesia ao objeto nunca foi uma ruptura, mas o desdobramento de um mesmo pensamento artístico. Escosteguy mudou de linguagem sem abandonar suas questões fundamentais – liberdade, comunicação e participação. Talvez seja dessa coerência rara, entre poesia, objeto e vida, que sua obra continue a retirar sua força.

Gustavo Nóbrega e Gustavo Possamai, curadores.

Até 28 de março de 2027.

Exposição investiga modos de narrar.

14/set

A artista Rose Afefé participa do 39º Panorama da Arte Brasileira: Depois que tudo foi dito, no MAM São Paulo, com curadoria de Diane Lima. Reunindo 33 artistas de 11 territórios e diferentes gerações e perspectivas, a exposição investiga modos de narrar, imaginar e construir a arte brasileira contemporânea, a partir de uma questão formulada pela filósofa Denise Ferreira da Silva sobre aquilo que pode existir para além do que já foi dito e feito sobre a violência colonial e racial.

A pesquisa de Rose Afefé parte do resgate de memórias e da relação com os territórios, articulando pertencimento, ocupação, convivência e fabulação. Desde 2018, esse percurso se materializa em “Terra Afefé”, uma microcidade em escala humana construída com terra e adobe na zona rural de Ibicoara, na Chapada Diamantina. Pensada como espaço de encontro, a obra articula arte e vida e mobiliza saberes locais, natureza e formas de organização coletiva, investigação que a artista desloca e reelabora em diferentes contextos.

No Panorama, essa pesquisa se desdobra em “Posse Simbólica”, série de 21 pinturas realizada em 2025 a partir da coleta de terra em um canteiro de obras da Grande Paris. As pinturas refletem sobre posse, pertencimento e fabulação de territórios, transformando fachadas em espaços simbólicos para tensionar fronteiras e criar formas de redistribuição e vínculo. A série também incorpora uma carta escrita por uma criança após uma conversa com a artista no Solar dos Abacaxis, na qual pede para viajar à África e conhecer seus ancestrais. A carta passa a integrar o trabalho como parte de um gesto que busca transformar a obra em meio para a realização desse desejo.

O 39º Panorama da Arte Brasileira: “Depois que tudo foi dito” permanece aberto ao público até 24 de janeiro de 2027, no MAM São Paulo.

Fotografias feitas por Agnès Varda.

A Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre, RS, em parceria com o Instituto Moreira Salles, exibe a exposição “Fotografia Agnès Varda Cinema”. A mostra reúne cerca de 200 fotografias feitas por Agnès Varda, principalmente entre as décadas de 1950 e 1960. O conjunto traz imagens registradas durante viagens, incluindo fotografias inéditas feitas na China, em 1957, registros em Cuba, no contexto pós-revolução, e nos Estados Unidos, onde a artista documentou os Panteras Negras. 

A exposição apresenta ao público uma faceta menos conhecida da obra de Agnès Varda (1928-2019). Nome central da História do Cinema, com filmes que marcaram gerações, a artista também é autora de uma extensa produção fotográfica, tendo inclusive começado sua carreira como fotógrafa. Ao longo dos anos, consolidou-se como cineasta, mas a fotografia continuou presente em sua trajetória.

Concebida e realizada pelo Instituto Moreira Salles, pelo Institut Pour La Photographie e pelo Cine Tamaris, a exposição foi apresentada pela primeira vez em 2025, no IMS Paulista. A curadoria é assinada por Rosalie Varda, diretora do Ciné-Tamaris e filha da cineasta, e João Fernandes, diretor artístico do IMS, com assistência de Horrana de Kássia Santoz, curadora vinculada à diretoria artística do IMS.

Grande parte da exposição é dedicada às viagens da artista. De acordo com os curadores, Agnès Varda acompanhou grandes mudanças da segunda metade do século XX, com um olhar atento ao contexto político, mas também às sutilezas e aos detalhes, com interesse especial pelas mulheres e crianças. Nesse núcleo, um dos principais destaques é a série que Agnès Varda produziu na China, em 1957, quando viajou ao país como parte de uma delegação francesa. As fotografias foram tiradas após a Revolução Maoísta e antes da Revolução Cultural. Para a curadoria, as imagens feitas na China “são registros essenciais de um encontro entre política, cultura e subjetividade, atravessados por contingências históricas. Elas não capturaram uma grande narrativa de uma revolução, mas elaboraram uma modernidade em construção: fragmentos de vidas comuns, expressões de resistência cultural”.

Além da produção das décadas de 1950 e 1960, a exposição apresenta uma obra mais recente, a instalação Instants arrêtés (Instantes parados) (2012), na qual a artista investiga o movimento inverso de sua prática habitual, partindo do cinema para a fotografia. Segundo a curadora Rosalie Varda, a obra é “uma espécie de síntese, a prova de que, até os últimos anos de sua carreira, Agnès Varda permaneceu inquieta, sempre em busca de novas formas de olhar, de pensar e de compartilhar as imagens”.

Em cartaz até 28 de fevereiro de 2027.

O Mar de Rosas de Paulo von Poser.

11/set

“Mar de Rosas” celebra os trinta anos da exposição que, em 1996, reuniu pela primeira vez um conjunto de obras dedicado exclusivamente à rosa. Desde então, essa flor tornou-se presença constante na arte e na vida de Paulo von Poser, acompanhando sua produção em desenhos, pinturas, aquarelas, gravuras, esculturas, instalações e performances. A rosa surgiu discretamente nos desenhos realizados entre 1980 e 1985 e apareceu como protagonista em uma série desenvolvida em 1988, publicada no calendário do Museu de Arte Contemporânea no ano seguinte. A partir daí, atravessou inúmeras exposições, ora como elemento central, ora integrada às paisagens, às cidades e às reflexões sobre memória, natureza e espaço urbano.

A exposição “Mar de Rosas”, apresentada em 1996 no Espaço Ox, com curadoria de André Millan e Mariângela Bordon, representou um ponto de inflexão nessa pesquisa. Dela nasceu um universo que se expandiu muito além da pintura, dando origem a uma rara coleção de obras, objetos, fotografias, livros, poemas e referências dedicadas à presença e a história da rosa na cultura brasileira e internacional.

Nas décadas seguintes, esse percurso desdobrou-se em projetos realizados no Brasil e no exterior. As rosas dialogaram com as cidades em “Rosas no Ar” e “Rosas na Terra” (1999), transformaram-se em esculturas transparentes na exposição “Horizontes” (2001), participaram de exposições em Paris e Lima, sobrevoaram São Paulo em um dirigível na mostra “Você Está Aqui” (2006), ganharam escala monumental na escultura “Rosé au Calvaire”, instalada em Saint-Flour, na França (2007), permaneceram presentes em séries dedicadas à paisagem, à arquitetura e à cidade e, em 2012, na exposição “Floração”, apresentada no Museu de Arte Sacra de São Paulo, inspiraram desenhos das rosas barrocas presentes no acervo do Museu, e uma série de “Rosas relicários contemporâneos”. Em 2023, essa longa investigação encontrou uma nova dimensão na exposição “Rosas Brasileiras”, apresentada no Farol Santander, que reuniu a coleção construída pelo artista ao longo de décadas e obras de mais de uma centena de artistas brasileiros, provenientes de acervos públicos e privados, unidos pela presença da rosa.

A atual exposição não pretende ser uma retrospectiva. É uma celebração. Reúne obras de diferentes momentos, escolhidas por Paulo von Poser e pela curadora Flávia Daud, revelando a permanência e a transformação de um mesmo tema ao longo de três décadas. Mais do que uma flor, a rosa tornou-se uma linguagem da alma do artista. Presente nas mais diversas culturas e tradições espirituais, símbolo de beleza, regeneração e mistério, ela permanece como um enigma humano inesgotável. Cada nova obra representa uma tentativa de aproximar-se desse centro simbólico, onde natureza, memória e imaginação se encontram.

Celebrar os trinta anos de “Mar de Rosas” no Clube Atlético Monte Líbano é celebrar um percurso artístico que continua em pleno florescimento.