Adriana Varejão em NY

01/abr

A partir de abril, a galeria nova iorquina Lehmann Maupin vai apresentar sua sexta exposição individual da artista brasileira Adriana Varejão. A exposição traz obras de suas duas séries mais recentes: “Kindred Spirits”, formada por 29 retratos da artista usando pinturas de rosto e ornamentações de tribos nativas mescladas com intervenções de artistas minimalistas e contemporâneos; e “Mimbres”, obras que fazem referência à cultura visual dos povos Mimbres, que habitavam o sudoeste americano no século 11. Juntos, estes trabalhos corroboram o interesse de longa data de Adriana Varejão pelos efeitos do colonialismo sobre a estética de identidade.

 

Esta exposição vem como uma continuação da individual da artista em 2015 no Dallas Contemporary, onde a artista voltou-se para a história da arte em busca de inspiração. Agora, reunindo obras destas duas séries, Adriana Varejão mostra como a abordagem dos povos nativos americanos sobre linhas, cores e formas influenciaram a arte do século 20, especialmente o Minimalismo. Ambos os corpos de trabalho tecem historias de tradições artísticas distintas para enfatizar a evolução constante e a troca de influências que moldam a cultura e a identidade.

 

Adriana Varejão e Pedro Alonzo recebem os visitantes na galeria no dia 22 de abril, a partir das 17hs, para um bate-papo com entrada gratuita e aberto ao público em geral. A exposição permanece até 19 de junho. Em seguida, o trabalho de Adriana Varejão terá um destaque especial durante os Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro. A reprodução de sua obra “Celacanto produz maremoto”, que lembra azulejos portugueses e está exposta em Inhotim, MG, vai revestir a fachada do Estádio Aquático, no Parque Olímpico da Barra da Tijuca.

 

Fonte: Touch of class

Artistas internacionais

31/mar

A mostra “O triunfo da cor. O pós-impressionismo: obras-primas do Musée d’Orsay e do Musée de l’Orangerie”, que chega ao CCBB de São Paulo no dia 4 de maio, exibirá telas que sairão direto das paredes do Museu d’Orsay e do Musée de l’Orangerie, ambos em Paris, e ocuparão o CCBB-SP até 07 de julho, seguindo depois para o CCBB-RJ, onde serão exibidas entre 20 de julho e 17 de outubro.

 
Serão reunidas 75 obras-primas, inéditas no Brasil, de uma geração de artistas que sucede aos impressionistas, e que recebe do crítico inglês Roger Fry a designação de pós-impressionista. São obras de artistas como Van Gogh, Gauguin, Toulouse-Lautrec, Cézanne, Seurat e Matisse, grandes mestres da pintura moderna, que promoveram uma verdadeira revolução estética por meio do uso da cor.

 

Considerado o período de transição entre o Impressionismo e o Expressionismo, o Pós-Impressionismo conecta-se ao trabalho de pintores que, entre 1880 e 1890, exploram as possibilidades abertas pelo impressionismo, em direções muito variadas.

 

“O Triunfo da Cor” se organiza em quatro módulos: “A cor científica”; “No núcleo misterioso do pensamento. Gauguin e a Escola de Pont-Aven”; “Os Nabis, profetas de uma nova arte”; e “A cor em liberdade”.

 

A entrada é gratuita e o acesso poderá ser agendado pelo aplicativo do CCBB, com o objetivo de evitar filas e aprimorar a experiência da visita.

 

Fonte: Touch of class

Projetos de Alan Fontes

30/mar

Os trabalhos de Alan Fontes entram em exibição na Sala A do CCBB, Centro, Rio de Janeiro, RJ. O projeto de Alan Fontes, artista mineiro, foi contemplado pelo Prêmio CCBB Contemporâneo tem como tema a paisagem do Rio de Janeiro, contrapondo vistas de satélite com seu olhar da cidade, onde passou dois meses para criar a instalação “Poética de uma Paisagem – Memória em Mutação”, composta por pinturas e objetos.

 

Definida por Alan Fontes como “instalação pictórica”, a exposição parte de uma visão aérea (satélite) do segmento do centro histórico do Rio onde está o CCBB. Panoramas dessa área captadas digitalmente foram reproduzidas em cinco pinturas – óleo e encáustica sobre tela: a maior de  500 x 300cm e a menor, 70 x 90cm.

 

A pintura maior é baseada em uma imagem do Google Earth de 2009 da Praça XV e Candelária. O artista quis reproduzir essa paisagem que hoje já não é mais a mesma para levar o espectador a perceber a velocidade da passagem do tempo. Em outra tela, a Ilha Fiscal aparece distante de forma fictícia do continente, como parte de uma paisagem que se afasta e se perde. O Palácio Monroe, inaugurado em 1906 e demolido em 1976, também no centro do Rio, aparece em outra pintura, como exemplo da administração do planejamento urbano através das décadas. Completando o conjunto, duas pinturas de casas em estágio de demolição foram baseadas em fotos e desenhos feitos por Fontes durante sua residência artística no ateliê temporário na Fábrica Behring em 2015.

 

“Poética de uma Paisagem – Memória em Mutação” tem ainda itens achados e colecionados  durante os dois meses em que o artista andou pela cidade, como um sofá modernista, porta-retratos e molduras vazios, tapetes, um cabideiro, um aparelho de telefone,  azulejos copiados dos modelos hidráulicos da tradicional Confeitaria Colombo e um papel de parede geométrico, todos pintados de cinza, tirando-lhe a vida. “É como se “uma ‘morte’ ocorresse fora do campo pictórico”, define o artista.

 

O espaço expositivo está ocupado com o conjunto da pesquisa plástica realizada, contrastando duas formas de contato com a paisagem: o contato distanciado, possibilitado pelas ferramentas tecnológicas, e o contato vivenciado pelo sujeito estrangeiro que experimenta habitar um novo espaço urbano e criar uma forma particular de entendimento do novo contexto, na sua configuração histórica e nas suas regras cotidianas.

 

Bernardo Mosqueira, autor do texto de apresentação da mostra, resume: “… somos lembrados por Alan Fontes de que é preciso aprender constantemente formas originais de enxergar e de que tudo que há no mundo é capaz de produzir sentido para auxiliar a nos localizar no espaço e no tempo.”

 

 

Sobre o artista

 

Nascido em Belo Horizonte, MG, em 1980, Alan Fontes  vive e trabalha na capital mineira. É graduado em Belas Artes, com habilitação em pintura, pela UFMG e Mestre em Artes Visuais pela mesma instituição. Entre suas principais mostras individuais estão “Sobre Incertas Casas”, na Galeria Emma Thomas, São Paulo, 2015, “Desconstruções”, na Baró Galeria, São Paulo, 2014,  “La foule”, na Galeria Laura Marsiaj, Rio de Janeiro, 2012, “Sweet Lands”, na Galeria de Arte Celma Albuquerque, Belo Horizonte, 2011 e “A Casa”, no Paço das Artes, São Paulo, 2008.

 

Participou de coletivas como Premiados Feira Internacional ArtRio, RJ, 2013, 10a Temporada de Exposições do MARP, Ribeirão Preto, SP, 2012, “Breve Panorama da Pintura Contemporânea em Minas Gerais”, Ouro Preto, 2010 e  “Pictórica”, Palácio das Artes, BH, 2006. Fez residências artísticas em “Pintura Além da Pintura” do CEIA, BH, 2006), 5ª Edição do Programa Bolsa Pampulha, Belo Horizonte, 2013 e Residência Baró, São Paulo, 2014, Recebeu o 1º Prêmio Foco Bradesco/ArtRio 2013, a Bolsa Pampulha 5ª edição em 2014 e o Prêmio CCBB Contemporâneo 2015.

 

Com patrocínio da BB Seguridade, a mostra abre na terça-feira, 5 de abril, às 19h30.

 

 

 De 06 de abril a 09 de maio.

 

 

 

Sobre o Prêmio CCBB Contemporâneo

 

O edital anual do Centro Cultural Banco do Brasil de 2014 inclui, pela primeira vez, um prêmio para as artes visuais. É o Prêmio CCBB Contemporâneo, patrocinado pela BB Seguridade, que contemplou 10 projetos de exposição, entre 1.823 inscritos de todo o país, para ocupar a Sala A do CCBB Rio de Janeiro.

O Prêmio é um desdobramento do projeto Sala A Contemporânea, que surgiu de um desejo da instituição em sedimentar esse espaço para a arte contemporânea brasileira. Idealizado pelo CCBB em parceria com o produtor Mauro Saraiva, o projeto Sala A Contemporânea realizou, entre 2010 e 2013, 15 individuais de artistas ascendentes de várias regiões do país.

 

A série de exposições inéditas, em dez individuais, começou com grupo carioca Chelpa Ferro, seguido das individuais de Fernando Limberger, Vicente de Mello, Jaime Lauriano, Carla Chaim, Ricardo Villa, Flávia Bertinato, Depois de Alan Fontes, virá Ana Hupe e Floriano Romano, até julho de 2016.

 

Entre 2010 e 2013, o projeto que precedeu o Prêmio realizou na Sala A Contemporânea exposições de Mariana Manhães, Matheus Rocha Pitta, Ana Holck, Tatiana Blass, Thiago Rocha Pitta, Marilá Dardot, José Rufino, do coletivo Opavivará, Gisela Motta&Leandro Lima, Fernando Lindote, da dupla Daniel Acosta e Daniel Murgel, Cinthia Marcelle, e a coletiva, sob curadoria de Clarissa Diniz.

Baravelli, Os Sentidos

A Galeria Marcelo Guarnieri, Jardim Paulista, São Paulo, SP, apresenta “Os Sentidos”, exposição individual do artista Luiz Paulo Baravelli. Após exibir em 2015 uma série de exposições retrospectivas – “Objeto versus espaço, abstração versus empatia” no Instituto Figueiredo Ferraz e outras duas individuais nas unidades da galeria de São Paulo e Ribeirão Preto, o artista retorna ao espaço de São Paulo e apresenta uma terceira exposição com trabalhos produzidos nos últimos seis meses. Com esse método, a galeria cria um arco histórico que acompanha a produção do artista por um período mais estendido, tentando entender cada época e contexto. O que ficou perdido e que pode ser encontrado, o que não foi executado e pode ser encenado, o que foi descartado e que pode ser resgatado.

 

Na atual exposição, Baravelli não retoma o que foi produzido no começo da década de 1980 – já que a produção é um parente distante e mais novo das obras produzidas para a Bienal de Veneza de 1984 e para a individual no mesmo ano da Galeria São Paulo. O que se apresenta é um pulo de 31 anos, o que ficou para trás e o que só agora faz sentido.

 

As caras de Baravelli não possuem corpos, são autônomas e vivem dentro de sua lógica. Sem corpo a cabeça pode escolher a perna que bem entender, o pé que achar mais interessante, a vida que quiser seguir. Essa lógica se estende a construção das obras – materiais dos mais diversos usos – tinta acrílica, encáustica, crayon, esmalte e goma-laca. Os materiais são utilizados sobre compensado recortado, as curvas dos trabalhos sugerem as imagens que são completadas pela pintura – uma mão que é cabelo e um cabelo que também é mão.

 

A escala dos trabalhos é algo fundamental, um rosto sem corpo que encara o espectador impondo uma presença intimidadora – a escala é maior que o corpo humano. Tem algo aí que não segue uma lógica linear. São apresentados 8 trabalhos na dimensão de 220 x 160 cm e uma série de desenhos-estudos que serviram de apoio para a construção dos trabalhos da atual mostra.

 

Perguntamos a Baravelli se ele gostaria de fazer o texto de sua própria exposição – já que por muitos anos o artista escreveu de forma disciplinar – ele enviou o seguinte texto:

 

“Perguntei certa vez a um estudante de Filosofia: ‘Como eles tratam da questão da arte na sua faculdade?’

 

A resposta:

 
“Não tratam – na filosofia não há lugar para o sensível.”

Não sei se ele estava certo, mas na hora e desde então, fiquei com uma sensação boa de estar todos os dias funcionando além de um limite.”

Depois disso perguntamos se ele podia nos explicar melhor o contexto e o que queria de fato dizer com esse excerto, ele nos respondeu utilizando-se de uma charada.

Sabemos que o universo de Baravelli é um lugar habitado por muitos outros seres e referências: recortes de jornais, História da Arte, humor, trabalho constante, uniforme, madrugadas etc etc etc. Tudo forma uma grande cena, um mundo vivido à parte e construído pelo próprio artista. As obras atuais funcionam como um resumo desses personagens: uma mulher recém-casada, um Armênio, um rapaz azul, uma jovem senhora, um estrangeiro, um turista, um padeiro e um ser rosado de difícil identificação.

 

Sobre o artista

 

Nascido em 1942 na cidade de São Paulo, SP, onde vive e trabalha, Luiz Paulo Baravelli estudou arquitetura na FAU-USP, desenho e pintura na Fundação Armando Álvares Penteado e mais tarde, com o pintor Wesley Duke Lee, o qual exerceu grande influência em sua carreira. Sempre explorou diversos materiais e técnicas em suas obras as quais frequentemente aparecem em “suportes não-suportes” com formatos irregulares (recortes) e se transfiguram como a própria natureza humana e a natureza das coisas em geral. São imagens-objeto. Aborda um “consciente virtual” que mistura impulsos humanos, espaço, tempo e referências culturais e se torna uma representação que desafia a realidade aparente, uma mise en scène da sociedade contemporânea ao estilo do artista.

 

De 02 de abril a 21 de maio.

Manfredo 40 anos de arte

23/mar

Artista ganha livro publicado pela Réptil Editora e duas exposições em sua homenagem: Paço Imperial e Galeria Patricia Costa

 

 

Nascido na pequena Jacinto, no Vale do Jequitinhonha, o artista Manfredo de Souzanetto ganhou o mundo ainda jovem. Morou em Paris, expôs nos Estados Unidos, em vários países da Europa, e conquistou reconhecimento internacional por seu trabalho. Ao completar 40 anos de carreira, o mineiro recebe merecida homenagem, com livro e duas exposições no Rio de Janeiro.

 

 

No dia 12 de abril será lançado o livro “Manfredo de Souzanetto – Paisagem Ainda Que”, pela Réptil Editora, com 240 páginas, na Galeria Patricia Costa, Shopping Cassino Atlântico, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ, com toda a trajetória do artista que tem o dom de tornar o improvável concebível e de produzir obras ao mesmo tempo simples e complexas, evidentes e enigmáticas.

 

 

O livro conta com textos dos críticos Julio Castañon Guimarães, Anne-Marie Lugan Dardigna e biografia de Clarisse Meireles. A obra, trilingue (português, inglês e francês), reúne mais de 150 imagens de trabalhos do artista.

 

 

Ainda na Galeria Patricia Costa o público poderá conferir, de 12 a 30 de abril, obras mais recentes de Manfredo. Serão expostas sete pinturas inéditas, com dimensões variadas, produzidas entre 2015 e 2016. “O meu método de trabalho passa sempre por um projeto, por um desenho e às vezes por um protótipo a partir do qual construo a obra”, explica o artista.

 

Manfredo também está em cartaz no Paço Imperial, Centro, Rio de Janeriro, RJ, até 29 de maio, com a mostra “Paisagem ainda Que”. A exposição, com curadoria de Luiz Eduardo Meira de Vasconcellos, reúne 32 obras, distribuídas em quatro salas, com trabalhos produzidos pelo artista de 1976 até os dias de hoje. A primeira tem 13 pinturas, feitas em Paris, na década de 70, das quais algumas nunca foram expostas. Na segunda e terceira salas estão obras produzidas de 1980 a 2015 e, na quarta, são apresentadas documentações fotográficas de trabalhos com intervenções pictóricas na natureza. A série Na Mina de Caulim, produzida em Juiz de Fora, após sua volta de Paris recebeu o prêmio de melhor conjunto de obras no IV Salão Nacional da Funarte em 1980.

 

 

Em 1974, Manfredo já denunciava a destruição da paisagem em sua primeira exposição individual, “Memória das Coisas Que Ainda Existem”, em Belo Horizonte. Na época lançou também o adesivo com a inscrição “Olhe Bem As montanhas”. A mostra inspirou uma crônica de Carlos Drummond de Andrade, que mais tarde faria também um poema com este nome.

 

 

É na natureza também que Manfredo busca a matéria-prima para suas obras. O artista produz os pigmentos, tirados de minérios das Minas Gerais, responsáveis por seus únicos e incontestáveis tons de rosas, ocres, vermelhos, amarelos e cinzas. “Comemorar quatro décadas de trabalho tem sido muito interessante para mim. É uma oportunidade de revisitar o meu trabalho e preencher as lacunas deixadas”, diz.

 

 

O projeto “Manfredo de Souzanetto 40 anos de Arte” tem produção de Paulo Branquinho Escritório de Arte e coordenação geral da Galeria Patricia Costa.

 

 

 

Sobre o artista

 

Pintor, desenhista e escultor, Manfredo de Souzanetto começou a estudar desenho aos 16 anos. Em 1967, mudou-se para Belo Horizonte e ingressou na Escola Guignard em 1969. Estudou arquitetura na Universidade Federal de Minas Gerais de 1972 a 1975. Em 1975, expôs no 5° Salão de Arte Universitária, em Belo Horizonte, e recebeu como prêmio uma bolsa para estudar na França. Morou em Paris até 1979, onde frequentou a École Nationale Louis Lumière e a École Nationale Supérieure des Beaux Arts. Retornou ao Brasil em 1980 e reside no Rio de Janeiro. No ano seguinte, ingressou na Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde concluiu o curso de gravura. Em 1985, foi contemplado com o prêmio de viagem ao exterior no 8° Salão Nacional de Artes Plásticas, promovido pela Fundação Nacional de Arte – Funarte, no Rio de Janeiro. Durante seis meses, entre 1999 e 2000, foi artista residente na École Nationale Supérieure d’Art Décoratif de Limoges-Aubusson, na França. Em sua carreira, já participou de mais de 50 exposições, entre elas a 12ª Bienal Internacional de São Paulo, na década de 70, coletivas no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e no Museu de Arte Moderna de São Paulo, na década de 80, e individuais no Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, em 2010 e na Fundação Brasilea em Basel, Suíça, em 2013.

 

 

 

 

Planopinturas na SIM

15/mar

A SIM Galeria, Curitiba, Paraná, realiza exposição individual de nova série de trabalhos assinados por Tony Camargo. O artista recebeu texto de apresentação de Arthur do Carmo e a obras obedecem a titulação geral de “Planopinturas”, o mesmo título da mostra.

 

 

A Arquitetura Originária das Coisas

 

Como se constroem abrigos físicos para as ideias? Como tornar matérias invisíveis em algo palpável, sem se restringir à representação, mantendo suas complexas dinâmicas espaciais e temporais? O trabalho de Tony Camargo sempre envolveu a construção de aparelhos que de alguma maneira desvendam o funcionamento do mundo, apreendendo essas descobertas de real num espaço determinado, entre linhas e planos. O seu laboratório de fenômenos se constitui pelos próprios materiais e conceitos envolvidos. Ao lidar com a pintura, entretanto, surgem problemas incalculáveis, como criar um abrigo físico para a cor, em sua energética ambivalente de onda e partícula.

 

Seu trabalho nos mostra o quanto ainda somos primitivos, mesmo em nossos mais avançados processos tecnológicos. Os poucos elementos formais que temos à disposição são combinados infinitas vezes por projetistas, produzindo todas as coisas de nossa paisagem humana. Olhe ao redor: verá execuções de círculos ovais em maçanetas e sistemas de portas, quadrados, retângulos e suas metades triangulares nas paredes e nos telhados, distâncias formadas por linhas nas ruas, nos mapas e tantas outras formas que estruturam nossa sociedade. Diferentes materiais formando todos os sistemas artificias da vida. Por desbravar os interiores das máquinas, em seus funcionamentos e matérias, como tintas automotivas, conhecidas como laca nitrocelulose, além de verniz poliuretano e outras sobre pesadas chapas de MDF, Tony Camargo alcança um poder de síntese estrutural sobre os recursos que temos disponíveis, assim como já havia alcançado outras sínteses em trabalhos anteriores, reduzindo imagens de massa plenamente virtuais e midiáticas com suas Planopinturas Iconográficas.

 

As suas Novas Planopinturas operam por uma matemática sideral, paisagens formadas por elementos reduzidos a suas formas originárias de conceito – quadrados, retângulos, círculos, semicírculos ovais, indicativos de movimentos, obtendo um cálculo capaz de suspender o fenômeno pintura em pleno acontecimento. Tony faz uma redução do mundo, e põe seu funcionamento em estado de inércia, vibrátil e estático. As atmosferas conquistadas por esses trabalhos mantém um corpo que vibra sem cessar. Como se campos de cor ganhassem um corpo para se presentificar diante do nosso olhar. Ao invés de movimentos efêmeros, a cor tomada por um estado de inércia, permanente em seu movimento.

 

Arthur do Carmo, fev. 2016

 

 

De 16 de março a 30 de abril.

Hill House Residency

14/mar

A artista paulistana Thais Beltrame, desde pequena, desprezava o lápis de cor e rabiscava compulsivamente os livros de sua mãe com uma caneta bic. Hoje, a artista emprega a sutileza meticulosa do nanquim e aquarela para revelar uma atmosfera peculiar e melancólica, questões existenciais universais representadas de forma ácida, porém extremamente delicada, recriando todo o brilho, escuridão e descobrimentos de uma infância, também com temas de ansiedade adulta e memórias.  Seus desenhos, gravuras e instalações, referências de seu trabalho como ilustradora, trazem cenas de florestas, pequenas cidades ou ambientes domésticos, onde animais e pessoas parecem desempenhar um papel no desenrolar de uma história. Mas nos trabalhos da artista não há história precisa; os personagens parecem aguardar, em uma reflexão do que passou e em um momento de espera contemplativa por uma história que está por vir.

 

A ênfase em uma paleta de cores restrita, porém pensada, que permitem uma poesia única e minimalista, característica do trabalho de Thais Beltrame, ganha novas cores e formatos na mostra inédita que a artista apresenta na Galeria Movimento, Shopping Cassino Atlântico, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ, com abertura marcada para o dia 31 de março. Pode-se dizer que a exposição “Primeiro as Florestas,” (assim mesmo, com uma vírgula no final) se coloca como um “antes e depois” na trajetória da artista. O fio condutor da mostra foi inspirado na experiência que Thais Beltrame passou no fim do ano passado na Hill House Residency, onde ela ficou por 15 dias sozinha em uma cabana na floresta, perto de East Jordan, Michigan. Tendo como companhia a natureza e os animais, que segundo a artista só apareceram mesmo no fim da viagem, Thais passou a usar muito mais as cores da aquarela nos trabalhos que estarão na mostra. Entre folhas e pinhos a artista, que levou consigo certas expectativas acerva de estar isolada no meio de uma floresta, teve a destruição desta idealização e percebeu que existe um grande abismo entre humanos e a natureza. O momento de imersão na floresta a levou aos desenhos de observação e experimentação com cores na aquarela. A série “amor fati” foi criada na floresta. Aceitar a vida pelo que ela é. Desenhou aquilo que via e que a rodeava, de certa forma um ambiente inóspito e hostil. Já as obras que contém dobras, sejam elas livros-sanfona, ou assemblages, foram criadas antes da experiência na floresta. São na sua maioria paisagens de montanha ou horizontes com a lua, que ironicamente não faziam parte da paisagem na qual ficou inserida. Tem também a terceira parte, os trabalhos feitos após a volta da floresta. Desenterrar a terra. São desenhos onde o vácuo está presente. Arrancar uma árvore é a única maneira pra se enxergar o céu.

 

A mostra que apresenta 30 trabalhos inéditos divide-se em antes, durante e depois de Hill House (Que tem como spot o papel, alguns sanfonados, ou em formato de livro de artista.  A maioria pequenos, com 60 por 80 cm, alguns mais compridos, de 1m, uma enorme variedade). As sensações como expectativa, romantismo, observação, fragilidade e descobrimento tomam conta das obras que resultaram nesta exposição.

 

Dentro da estrutura de narrativa de cada trabalho, um vasto repertório de temas como amor, beleza, raiva e solitude são sutilmente introduzidos e elaborados, dando peso à aparência exterior de simplicidade. Atrelado às animais como cavalos, corvos e besouros, que preenchem sua paisagem artística, estas âncoras emocionais salientam a densa capacidade de Thais para contar histórias e conectar os personagens e a vida que eles carregam de um trabalho para o outro.

 

 

Sobre a artista

 

Formada em Artes Plásticas no Columbia College Chicago, a artista vive e trabalha em São Paulo, seus trabalhos já foram expostos em galerias e feiras de arte internacionais na Inglaterra, Estados Unidos e Brasil. Foi publicada uma matéria de doze páginas na revista americana Juxtapoz Arts & Culture sobre a artista. Thais foi convidada a criar uma instalação colaborativa na ilha de St. Barths, no Caribe, e teve seu trabalho selecionado pela Canson para representar o Brasil em um concurso para artistas que trabalham em papel, posteriormente exposto no Petit Palais, Paris, França.

 

 

De 31 de março a 30 de abril.

Colorbars de Marcelo Catalano

As obras de Marcelo Catalano são convidativas e propõem um mergulho, uma imersão dentro das cores. Conhecido como grande colorista, e pelas famosas “colorbars”, de cores pensadas e racionalizadas para parecerem aleatórias e reflexivas, o trabalho do artista lembra a cidade que se assemelha ao seu sobrenome, a Catalunha, cenário de alta musicalidade e cor. Após um ano se dedicando à nova série que se destaca pela evolução da técnica e acabamento, além da chegada do prata e das cores fluorescentes, agora a ideia é propor  um mergulho intenso nos seus tons fortes e quentes. Catalano abre a mostra “Superfície” que acontece no dia 31 de março, na Tramas Galeria de Arte, Shopping Cassino Atlântico, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ.

 

As 12 telas (pintura sobre tela) inéditas convidam o público para uma viagem sensorial e estética das barras coloridas, que extravasam e invadem as paredes da galeria como uma linha melódica de suas composições de cores personalizadas, transparecendo ritmicamente como as teclas de um piano como se fosse uma composição real de várias entonações , sendo que de cores ao invés de sons.

 

A exposição ganha também obras que contém a palavra e a figura, recentemente introduzidas para o repertório do pintor/colorista que sempre alimentou o fascínio pela Pop Art e também pelas artes gráficas. A mostra “Superfície” é marcada pelas investigações das possibilidades da pintura na abstração geométrica e o gosto do artista pelas superfícies planas de cores chapadas.

 

Para a curadora Clarisse Tarran, que assina a exposição, “Superfície” nos traz um conjunto de obras que se relacionam como peças em um jogo aberto de vetores. “Marcelo Catalano caminha de suas linhas ritmadas para planos variáveis em volumes inesperados. A partir da marca primordial de sua pintura, as colorbars, com sua vibração ótica do espectro de cores intensas ou até ácidas, o artista vai nos provocando com pinturas-quase-objetos que se projetam, sutilmente, em um desdobramento da segunda para a terceira dimensão, nos remetendo a espaços topológicos. Questões pictóricas que nos levam à pergunta pintada em uma de suas telas: Why not?”, finaliza.

 

 

 

Sobre o artista

 

Jornalista por formação, e músico nas horas vagas (o artista foi guitarrista de uma banda de rock na década de 80 e excursionou pelo Brasil com o Double You na década de 90), neto do grande ator Humberto Catalano, que participou de mais de 60 filmes, começando no início do cinema mudo, Marcelo se inspira em tudo o que tem ritmo e camadas, como a música, a moda e a literatura. Iniciou os estudos de artes em março de 1999 na Escola de Artes Visuais do Parque Lage sob a supervisão de Ronaldo do Rego Macedo, Anna Bella Geiger, Fernando Cocchiarale e Daniel Senise, onde permaneceu até o outono de 2002.  Neste mesmo ano, recebeu o prêmio Heineken Novos Talentos da Pintura no Museu da República, Rio de Janeiro. Realizou exposições individuais em lugares como a Casa de Arte e Cultura Julieta de Serpa e Centro Cultural Cândido Mendes (Rio de Janeiro), Artefacto (Miami), Esfera (São Paulo) e coletiva na Galeria A gentil Carioca, entre outros espaços. Seus trabalhos já estiveram presentes em feiras como a Pinta (NYC) e SP Arte e estão em coleções como a do Heineken Museum (Amsterdam).

 

 

Até 30 de abril.

Luisa Editore na Oscar Cruz

11/mar

A Galeria Oscar Cruz, Vila Nova Conceição, São Paulo, SP, apresenta a segunda exposição individual da artista chilena radicada em São Paulo, Luisa Editore. A mostra traz obras inéditas, incluindo pinturas e colagens, que reafirmam o interesse da artista pelos processos da fatura da pintura e das suas etapas de produção. Luis Editores tem desenvolvido nos últimos anos, uma linguagem baseada na aplicação de fita adesiva para demarcar a pintura, e o seu uso posterior em outros suportes, como cartões. Criando assim, uma espécie de sistema, onde todo material é aproveitado e aplicado.

 

Em “AllaBreve, instalação que dá nome à exposição, onze cartões são alinhados por uma paleta de tons de vermelho encontrados em cada cartão. Nesta operação, ela descreve o trajeto inverso da pintura, como se respondesse a questão: realinhar algo que foi desconstruído e buscar um fio de nexo nas obras.

 

O título da exposição funciona quase que por antítese, referindo-se mais ao campo da música e da matemática, do que ao seu significado literal (“à maneira de” – “com rapidez”) – que sugere um ritmo bastante rápido. Visto que na pintura a óleo, a fatura é lenta, longa, permanente, profunda.

 

Na série de aproximadamente doze pinturas de médio e pequenos formatos, em sua maioria, passa a pensar o espaço por justaposição de grades, com deslocamentos modulados pelas espessuras das fitas adesivas. Nestas telas notamos a clareza da matemática, dada pela repetição do eixo ortogonal, que preenche o campo da pintura. Enquanto em outras telas destaca os cortes e rupturas dos planos das grades, para obter prováveis espaços de aberturas, cantos e frestas de luz. Referências à Arquitetura e ao automatismo dos processos da própria pintura estão lançados.

 

Há de se destacar, que no percurso da exposição duas pinturas contém grandes percentuais de campos negros, chegando a 80% uma delas. Essas obras foram as primeiras que foram criadas para a exposição e demarcam um provável hiato. Nota-se a partir daí, um interesse peculiar no espaço da tela e da pintura. Além da representação de possíveis plantas de arquitetura ou cidades em vista aérea, o olhar estaria mais aproximado do espaço desejado, em direção a um caminho onde a própria linguagem torna-se mais clara. Como se na escuridão,encontrasse o mínimo de clarão para ancorar o exercício da pintura.

 

 

 

Até 29 de abril.

Segunda ocupação artística

09/mar

A artista visual Magrela é a convidada para esta segunda de ocupação artística, realizada pelo Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos (IPN), Gamboa, Rio de Janeiro, RJ, com a curadoria de Marco Antonio Teobaldo, idealizador do projeto.

 

A partir de um vasto repertório que reflete os problemas sociais dos grandes centros urbanos, o trabalho da artista surge como um multifacetado discurso sobre a indiferença a todo tipo de violência, intolerância racial, religiosa e de gênero. Uma denúncia social de alto porte e impacto.

 

Destaque na última ArtRua, Magrela criará uma grande pintura mural diretamente sobre as paredes da galeria. O resultado poderá ser conferido a partir do dia 12 de março na Galeria Pretos Novos, a rua Pedro Ernesto, 32.

 

 

De 12 de março a 14 de maio.