Individual de Dino Pazzanese

28/jan

A Galeria Vilanova, Vila Nova Conceição, São Paulo, SP, exibe “Taste Wild Water”, exposição individual do artista plástico Dino Pazzanese, com curadoria de Bianca Boeckel. As 6 telas que compõem a exposição mostram figuras femininas com histórias nada óbvias e traços marcantes, ora em cenários claros, ora escuros, secundários à profundidade dos olhares e sofrimentos retratados.

 

A inspiração de Dino Pazzanese para esta série encontra-se em diversas fontes: desde a natureza e nossa relação com ela, até conflitos entre anseios e necessidades com os nossos instintos; a loucura que a sociedade impõe e subtrai das nossas verdadeiras inclinações e sonhos. Com estilo que acredita ser inerente à individualidade de sua própria alma, em “Taste Wild Water”, o artista pinta mulheres com contornos retilíneos e traços fortes, transmitindo mais que meros sentimentos em suas feições, envolvidas em atmosferas que denotam paz, aprisionamento, melancolia ou até mesmo sensualidade. Caracterizada por suas figuras e histórias de inclinação mitológica, a pintura de Dino Pazzanese pode também representar situações políticas, emocionais e românticas, enquanto persegue a história do mundo. Sobre seu trabalho, o artista comenta: “Em relação às cores, são representações também de elementos geralmente naturais, com bastante vontade de buscar as cores do sol ou da luz da lua, da terra ou das plantas, e as forças e exuberância do corpo e os lampejos da alma.”.

 

Por opção e propositadamente, Dino Pazzanese se desvincula da arte contemporânea, por acreditar e apostar sempre em sua verdade pessoal. Conceitos à parte, eis uma oportunidade única de conhecer este mundo peculiar do artista. Nas palavras de Bianca Boeckel: “Com esta mostra, oferecemos um mergulho em novas sensações visuais e percepções. Um passo ousado para a Galeria Vilanova, que visa sempre surpreender com novas temáticas.”.

 

 

De 07 de fevereiro a 05 de março.

Maria Lynch em Salvador

01/dez


A Roberto Alban Galeria, Ondina, Salvador, Bahia, apresenta a exposição “Maria Lynch – Roda Viva”, com obras inéditas da artista carioca nascida em 1981, um dos nomes de destaque de sua geração. A mostra reúne 12 pinturas em grande formato feitas pela artista entre 2013 e este ano, e uma escultura de parede, em tinta e tecidos, produzida em 2014. Morando em Nova York desde 2013 para uma residência artística na Residence Unlimited, ela também tem exposição agendada na Store Front for Art and Architeture.

 
Os trabalhos apresentados na Roberto Alban Galeria são desenvolvimento de uma série iniciada no ano passado, com “mulheres ausentes, ou projeções de mulheres idealizadas, em meio ou em contradição com um mundo onírico e lúdico”, explica a artista. Ela conta que uma parte das obras foi produzida em Nova York, as pinturas com fundo preto, em que “também procurava essa ambiguidades da representação através das cores, e uma ausência completa de vestígios humanos, como se fosse a cena abandonada por alguém”. A exposição é acompanhada de um catálogo, com texto crítico de Mario Gioia, curador independente, formado pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.

 
Ele observa que “…a produção de Maria Lynch é um corpo estranho na complexa tessitura da arte contemporânea brasileira, nesse começo de século 21, e isso é bom. Para a individual que fica em cartaz na Roberto Alban Galeria, em Salvador, a artista carioca parece desdobrar questões já rascunhadas na história da arte do país. Nessa linha, podemos eleger a percebida em ‘Baile à Fantasia’ (1913), de Rodolfo Chambelland (1879-1967), trabalho-chave da nossa modernidade, quando forma e conteúdo se unem de modo intrincado e salientam esse espírito de tempo (na época, virada do Novecentos para o século 20) que carrega, de modo mais latente ou explícito, a melancolia e o pessimismo. São sentimentos que irão denotar que, sim, o festejo carnavalesco retratado tem data para acabar. Mais o peso de uma Quarta-feira de Cinzas do que a embriaguez dos dias comemorativos. É como se as figuras esvaziadas e em branco das novas pinturas de Lynch fossem reedições contemporâneas desses antigos personagens, só que agora estrelando uma dança desritmada, em ambientes fragmentados, incompletos e não preenchíveis, mesmo que envoltas num colorido sedutor”.

 
O universo feminino é o tema central da pesquisa da artista, que comenta: “a partir do excesso em torno do feminino e do universo lúdico, extermino qualquer traço do mundo masculino, que é uma maneira de evidenciar sua presença perante tal ausência”. “A angústia e a ansiedade nunca são resolvidas, essas são as áreas onde o meu trabalho são instauradas, há uma repulsa à realidade. Recrio uma ficção, uma alegoria, um excesso junto a fragmentos do imaginário. O apagamento da identidade do feminino é mais que a vontade de não estar presente no mundo, e sim o de escondê-lo. Assim restituo um certo mundo, sublimando o real numa lógica particular. Abstrato e erótico, entre o gozo e a culpa, nesses paradoxos, vou encontrando liberdade para a imanência, para a celebração do delírio, da catarse onírica e a diferença imagética.”

 

 
Sobre a artista

 
Maria Lynch nasceu no Rio de Janeiro, Brasil, em 1981 onde vive e trabalha. Formada pela Chelsea College of Art and Design, Londres, onde concluiu pós- graduação e mestrado em 2008. Entre suas principais exposições estão “The Jerwood Drawing Prize”, em 2008, com itinerância a partir de Londres para outras cidades da Inglaterra. No mesmo ano participou de “Nova Arte Nova”, no CCBB, Rio e São Paulo. Em 2010, ganhou o Prêmio Funarte de Artes Plásticas Marcantônio Vilaça, participou da exposição “Performance Presente Futuro Vol III”, Oi Futuro, RJ. Em 2011, integrou a 6º Bienal de Curitiba VentoSul, e em 2012 foi convidada para expor no Paço Imperial, Rio, e para a residência artística Bordalo Pinheiro, em Lisboa, Portugal. Foi também convidada para expor durante as Olimpíadas de Londres, 2012, no Barbican Centre. Em 2013 fez exposição individual na Galeria Anita Schwartz e foi convidada pelo Itamaraty a fazer residência em Lima. Maria Lynch está presente em importantes coleções públicas como Museu de Arte Contemporânea de Niterói, Centro Cultural Candido Mendes,  Coleção Gilberto Chateubriand, Brasil/MAM Rio, Ministério das Relações Exteriores, Palácio do Itamaraty, e Committee for Olympic Fine Arts, em Londres.

 

 

De 11 de dezembro a 12 de janeiro de 2015.

Gonçalo Ivo em Paris

30/nov

A Galerie Boulakia, Paris, apresenta 15 pinturas em grande formato produzidas nos últimos três anos pelo pintor Gonçalo Ivo. Nesta segunda exposição na Galerie Boulakia, a primeira data de 2012, e sua sétima exposição individual em Paris, Gonçalo Ivo, fiel a ele mesmo e à pintura, atividade que desenvolve desde jovem, continua aprofundando questões plásticas que lhe são caras como a cor como forma autônoma de linguagem, uma geometria mais próxima da poesia do que do rigor e uma latente espiritualidade gerada pela sua proximidade e admiração aos grandes mestres do passado.

 

Aos 56 anos, instalado há quinze anos com sua família e seu ateliê em Paris, o artista que conviveu em sua juventude com Iberê Camargo, Aluisio Carvão e que tinha nas paredes da casa paterna Lygia Clark, Volpi, Eliseu Visconti e muitos outros mestres modernos e antigos, apresenta agora para o publico francês séries inéditas de trabalhos.

 

 

Sobre o artista

 

Arquiteto de formação, filho do poeta Lêdo Ivo, desde pequeno convive com artistas e escritores como João Cabral de Mello Neto. Artista internacional com obras no Museu de Arte Geométrica de Dallas, de Long Beach, California e nos principais museus brasileiros como Museu Nacional de Belas Artes, Pinacoteca do Estado de São Paulo, Museu de Arte Contemporânea de São Paulo e Museu do Mar, no Rio de Janeiro entre outros. Possui diversos livros publicados sobre sua obra com textos dos mais relevantes críticos de arte como o francês Marcelin Pleynet e os brasileiros Frederico Morais, Fernando Cocchiarale e Roberto Pontual.

 

 

Sobre a Galerie Boulakia

 

Fundada em 1971, a Galerie Boulakia representa os grandes nomes da historia da arte, dos impressionistas a Jean-Michel Basquiat passando por Picasso, Fernand Leger, Damien Hirst, e Chagall. Sustentou no inicio da carreira obras de artistas então desconhecidos como Sam Francis, Alechinsky, Jorn e Appel. Instalada na Avenue Matignon n° 10, a Galerie Boulakia é das mais prestigiosas galerias francesas.

 

 

De 02 de dezembro a 05 de janeiro de 2015.

Em São Paulo e Ribeirão Preto

06/nov

Desde que inaugurou a unidade de São Paulo em março deste ano – a Galeria Marcelo Guarnieri encerra a programação de 2014 com a coletiva “Contínuo”, unindo, simultaneamente, uma  exposição nas duas unidades, em São Paulo e Ribeirão Preto. A partir do dia 08 de novembro (sábado), no espaço da Alameda Lorena, o público pode conferir as recentes pesquisas de 27 artistas da geração contemporânea, em diversas linguagens como vídeo, instalação, pintura, fotografia e escultura. Destaques para a instalação de Amélia Toledo, para o ensaio sobre a Amazônia do fotógrafo Edu Simões, e para as obras de artistas como Deborah Paiva, Ana Paula Oliveira, Pedro Urpia, Marcus Vinicius, Luiz Paulo Baravelli, Flávia Ribeiro, Gabriela Machado e Rogério Degaki.

 

Dando continuidade em suas pesquisas acerca da pintura tridimensional, Amélia Toledo apresenta a instalação “Sem Título”, como um dos destaques inéditos da exposição. Cordas que pendem do teto ao chão, pintadas na cor azul, verbalizam um convite à relação entre o espaço, a obra e a percepção do público. “Horizonte”, instiga pelo inusitado uso de acrílico com o linho em grande dimensão.

 

Integrante do novo elenco que a galeria exibiu na edição da SP-Arte/Foto deste ano, Edu Simões propõe a série dos anos 80 com 12 imagens intituladas “Amazônia”. Na poética visual do artista, salta aos olhos o uso da linguagem P&B, como contraponto ao imaginário recorrente quando se aborda uma das regiões mais ricas em natureza do país. Há espaço nas fotografias para os nativos e trabalhadores, como para a vegetação e a paisagem com as suas texturas, dobras que criam outras figuras e refletem o papel que o jogo de luzes possui em sua fotografia autoral.

 

Na pintura, o trabalho de Deborah Paiva sugere temas do cotidiano, as relações sociais pensadas a partir das distâncias espaciais e temporais, a impossibilidade dialógica na solidão, como inevitáveis da condição humana. Suas imagens trabalham estes temas, contrapondo-os com o uso da técnica de guache sobre papel. Utilizando uma técnica diversa, a de óleo sobre papel, a artista possibilita outro olhar de seu trabalho em obras como “Dança”, “Sem Título”, “Sem Título” e “Vernissage”, todas de 2014, nas quais os tons de preto e branco prevalecem. Por seu turno, Marcus Vinicius, mostra um desdobramento de sua individual realizada na unidade de São Paulo neste ano.  Em seu universo de pesquisa, manifesta-se sua investigação a partir da materialidade das obras, de um elemento central desenvolvido em quinze anos de carreira, a Estrutura Quadro. O conceito deve ser compreendido como uma estrutura com dimensões pré-estabelecidas, que ligada à parede preserva seus caracteres bidimensionais, cujos elementos podem ser estudados separadamente e repropostos segundo uma ordem estabelecida pelo artista.

 

Ana Paula Oliveira repensa as dimensões das obras na sua pesquisa em “Harbour View”,  ao propor esculturas em pequeno formato. Criando uma espécie de sobreposições de telas de vidros transparentes colocadas assimetricamente lado a lado, os objetos sugerem espaços e perspectivas de olhares em relação com o ambiente. Pedro Urpia mostra o seu “Arquivo à deriva”, um objeto em formato de arquivo, no qual mini portas laterais guardam seis pinturas diferentes. Apresentadas na década de 80 no MAM-SP as icônicas estruturas de metal de Luiz Paulo Baravelli integram-se à exposição com mais uma série de pinturas inéditas. As esculturas vazadas podem ser compreendidas, a partir de suas interações com pontos de apoios, como a parede. Ainda nesta linguagem, duas esculturas de parede em preto e dourado de Flávia Ribeiro. Conhecido pelo seu universo com forte apelo do imaginário lúdico, Rogério Degaki – artista falecido em 2013 – terá duas peças esculturas apresentadas.

 

Num total de mais de 70 obras, o conceito curatorial de “Contínuo”, além da aproximação de diversas linguagens e artistas de vários períodos, insere a possibilidade de conhecer desdobramentos das recentes pesquisas dos 27 nomes que integram a coletiva. “Trata-se de um panorama dos artistas representados pela Galeria”, explica Marcelo Guarnieri. Em março, durante a ocasião de abertura da unidade de São Paulo, o galerista afirmou, ainda, o desejo em propor um intercâmbio entre as duas unidades.

 

“Contínuo” encerra o ano de 2014 na esteira desta proposta, trazendo a mais recente produção artística contemporânea, com nomes como Alice Shintani, Amelia Toledo, Ana Paula Oliveira, Ana Sario, Cristiano Mascaro, Deborah Paiva, Edu Simões, Flávia Ribeiro, Gabriela Machado, Gerty Saruê, Guilherme Ginane, Guto Lacaz, Ivan Serpa, João Paulo Farkas, José Carlos Machado, Liuba, Luciana Ohira e Sergio Bonilha, Luiz Paulo Baravelli, Marcello Grassmann, Marcus Vinicius, Mariannita Luzzati, Masao Yamamoto, Paola Junqueira, Pedro Hurpia, Renata Siqueira Bueno, Rogerio Degaki e Silvia Velludo.

 

 

Abertura em São Paulo: 08 de novembro (sábado), das 10 as 19 horas.

 

Abertura em Ribeirão Preto: 28 de novembro (Sexta-feira), das 19 as 22 horas.

San Poggio na Galeria Oscar Cruz

05/nov

 

O artista argentino San Poggio, inaugura sua primeira exposição individual no Brasil: “A Leitura Submissa”, cujo título tem origem em uma pintura de Magritte chamada “A Leitora Submissa”, e do qual, o artista alterou apenas uma letra.

 

San Poggio vem trabalhando no campo pictórico, desenvolvendo uma série de pinturas em grandes formatos nas quais se desenrolam inúmeras cenas interconectadas. A confecção de sistemas de relações entre elementos e personagens é uma constante em sua obra, que envolvem o espectador em um processo de complexo estudo.

 

Tal complexidade na obra de San Poggio é com frequência interpretada como narrativa. No entanto, o processo de criar pinturas em sistema de “loop” parece contradizer o dispositivo quadro, como recorte ou janela, para um mundo imaginado. A imagem como sistema fechado, cujo espaço retorna sobre si mesmo, como um relato que se reinicia constantemente, reforçando desta forma, a sensação de confinamento e de repetição infinita; provocando uma desorientação no espectador, que não consegue compreender o significado, que parece manifestar-se claramente.

 

Na exposição que apresenta nesta ocasião na Galeria Oscar Cruz, Itaim-Bibi, São Paulo, SP, alguns objetos e elementos extraídos das pinturas surgem no espaço da galeria, em uma série de instalações que ampliam o campo de indagação e de suas possíveis leituras. As pinturas também excedem o campo pictórico, pois o exploram questionando-o sobre sua condição de dispositivo de leitura. O quadro como sistema, revela seu funcionamento quando a repetição, as variações, derivações ou disfunções, contradizem constantemente nossa tentativa de ler nas imagens um discurso articulado.

 

 

 

Sobre o artista

 

Santiago Poggio, La Plata, Argentina, 1979. Vive e trabalha entre Buenos Aires e La Plata.

Anos 2000 – Principais exposições individuais

 

2014 – A Leitura Submissa, Galeria Oscar Cruz, São Paulo, Brasil; 2013 – No one can write a book, Mohs Exhibit, Copenhague, Dinamarca; Alguna Edad de Oro, Museo Emilio Caraffa, Córdoba, Argentina; Moloch, Artis Galeria, Córdoba, Argentina; El tiempo perdido buscando, 2ª Bienal de Arte y Cultura,La Plata, Argentina; Los primeros fríos, Centro Cultural Recoleta, Buenos Aires, Argentina; Madrigales, motosierras y otras cosas, Jardin Oculto Galería, Buenos Aires, Argentina; Recital (Nº2), performance con Lucia Savloff, Jardin Oculto Galería (Buenos Aires, Argentina; 2009 – Recital (Nº1), performance con Lucia Savloff, Museo de Arte Emilio Petorutti, La Plata, Argentina; It’s alive!, Jardín Oculto Arte Museo Contemporáneo, Buenos Aires,  Argentina; San Poggio, Residencia Corazón, La Plata, Argentina; 2008 – La nube rara, Museo Provincial de Corrientes, Argentina; Pinturas, Sudaca Tienda de Arte, La Plata; Caprichos, Paseo de la Imagen 1, Auditorium Centro de las Artes, Mar del Plata, Argentina; 2007 – El vergel de los niños, Cordón Plateado Espacio de Arte, Rosario, Argentina; 2006 – San Poggio, Galería Isidro Miranda, Buenos Aires, Argentina; Obras, Museo de Arte Contemporáneo; Latinoamericano, La Plata, Argentina; 2005 – Noosfera, Centro Cultural Borges, Buenos Aires, Argentina; 2004 – Noosfera, Centro Cultural Islas Malvinas, La Plata, Argentina; 2003 – Noo, Biblioteca Pública de la   Universidad Nacional de La Plata, Argentina; 2002 – Industria Hargentina, Galería Tempesta, La Plata, Argentina; – ARTeMAIl, serie de imagens digitais enviadas periódicamente por correio eletrônico; Espejo, ação em espaço público, Centro de Arte Moderno, Quilmes, Argentina; – Industria Hargentina, Centro de Arte Moderno, Quilmes, Argentina; 2000 – El Gran Asco, Centro Cultural Islas Malvinas, La Plata, Argentina.

 

 

De 18 de novembro a 20 de dezembro.

Gonçalo Ivo em Paris

A Galerie Boulakia, Paris, apresenta 15 pinturas em grande formato produzidas nos últimos três anos pelo pintor Gonçalo Ivo. Nesta segunda exposição na Galerie Boulakia, a primeira data de 2012, e sua sétima exposição individual em Paris, Gonçalo Ivo, fiel a ele mesmo e à pintura, atividade que desenvolve desde jovem, continua aprofundando questões plásticas que lhe são caras como a cor como forma autônoma de linguagem, uma geometria mais próxima da poesia do que do rigor e uma latente espiritualidade gerada pela sua proximidade e admiração aos grandes mestres do passado.

 

Aos 56 anos, instalado há quinze anos com sua família e seu ateliê em Paris, o artista que conviveu em sua juventude com Iberê Camargo, Aluisio Carvão e que tinha nas paredes da casa paterna Lygia Clark, Volpi, Eliseu Visconti e muitos outros mestres modernos e antigos, apresenta agora para o publico francês séries inéditas de trabalhos.

 

 

Sobre o artista

 

Arquiteto de formação, filho do poeta Lêdo Ivo, desde pequeno convive com artistas e escritores como João Cabral de Mello Neto. Artista internacional com obras no Museu de Arte Geométrica de Dallas, de Long Beach, California e nos principais museus brasileiros como Museu Nacional de Belas Artes, Pinacoteca do Estado de São Paulo, Museu de Arte Contemporânea de São Paulo e Museu do Mar, no Rio de Janeiro entre outros. Possui diversos livros publicados sobre sua obra com textos dos mais relevantes críticos de arte como o francês Marcelin Pleynet e os brasileiros Frederico Morais, Fernando Cocchiarale e Roberto Pontual.

 

 

Sobre a Galerie Boulakia

 

Fundada em 1971, a Galerie Boulakia representa os grandes nomes da historia da arte, dos impressionistas a Jean-Michel Basquiat passando por Picasso, Fernand Leger, Damien Hirst, e Chagall. Sustentou no inicio da carreira obras de artistas então desconhecidos como Sam Francis, Alechinsky, Jorn e Appel. Instalada na Avenue Matignon n° 10, a Galerie Boulakia é das mais prestigiosas galerias francesas.

 

 

De 02 de dezembro a 05 de janeiro de 2015.

Frida Kahlo – As suas fotografias

12/ago

O Museu Oscar Niemeyer (MON), Sala 3, Curitiba, PR, recebe, pela primeira vez, “Frida Kahlo – as suas fotografias”. A exposição, inédita, reúne 240 fotos do acervo pessoal da artista através de retratos da artista, família e amigos e será exibida no Brasil unicamente no MON.

 

São registros fotográficos da artista desde a infância, tiradas por dois fotógrafos profissionais de sua família: seu pai e seu avô materno. Há também momentos eternizados pela alemã Gisèle Freund e pelo húngaro Nickolas Muray, dois fotógrafos que conviveram com Frida por anos, além de fotografias tiradas pela própria Frida e por outras pessoas, imagens que a pintora gostava de guardar, olhar e se inspirar.

 

Para o curador da exposição, Pablo Ortiz Monasterio, “o acervo reflete de maneira clara os interesses que a pintora teve ao longo da sua tormentosa vida: a família, o seu fascínio por Diego e os seus outros amores, o corpo acidentado e a ciência médica, os amigos e alguns inimigos, a luta política e a arte, os índios e o passado pré-hispânico, tudo isto revestido da grande paixão que teve pelo México e pelos mexicanos”, conta.

 

A mostra é dividida em seis seções: A primeira retrata os pais da artista. Foram as numerosas imagens de seu pai, que fotografava a si mesmo em diferentes ocasiões que deixaram uma marca permanente na pintora: o autorretrato. A segunda destaca a Casa Azul, as primeiras poses de Frida para seu pai e as diversas reuniões que lá aconteceram. A Casa Azul é a residência que foi dos pais da pintora, no bairro de Cocoyacán, na Cidade do México, e que atualmente abriga o Museu Frida Kahlo, de onde vieram as obras desta exposição. A terceira revela o lado íntimo de Frida Kahlo. Há imagens feitas, e estilizadas por ela, recortes fotográficos mutilados, dos quais a artista elimina ou elege alguns dos protagonistas. Na quarta concentra-se os amores. São fotografias de seus amigos mais próximos, familiares, alguns dos seus amantes e, principalmente, Diego Rivera. A quinta traz um numeroso arquivo reunido por Frida, tanto pela qualidade visual, no caso das anônimas, como pelo seu valor, no caso das assinadas por grandes artistas. Nesta seção há desde cartões de visita do século 19 até retratos realizados por autores de destaque da história da fotografia e amigos pessoais. A sexta e última seção é dedicada às imagens relacionadas com as questões políticas.

 

A diretora cultural do Museu Oscar Niemeyer, Estela Sandrini, diz que é uma honra o MON ser o único espaço no Brasil a receber esta mostra. “O público poderá conferir de perto a intimidade de Frida, o olhar da artista sob outros olhares e sob seu próprio ponto de vista”, pontua.

 

 

 

Sobre a artista

 

Magdalena Carmen Frida Kahlo y Calderon, conhecida como Frida Kahlo, nasceu no dia 06 de julho de 1907 em Coyoacan, no México. Em 1925, aos 18, enquanto estudava medicina, sua vida mudou de forma trágica. Frida e o seu noivo Alejandro Gómez Arias estavam em um ônibus que chocou-se com um trem. Ela sofreu múltiplas fraturas, fez várias cirurgias (35 ao todo) e ficou muito tempo presa em uma cama. Foi nessa época que ela começou a pintar freneticamente. Frida sempre se autorretratou – suas angústias, suas vivências, seus medos e principalmente seu amor pelo marido, o pintor e muralista mexicano mais importante do século 20 Diego Rivera, com quem se casou em 1929, e que ajudou Frida a revelar-se como artista.

 

Em 1939 fez sua primeira exposição individual, na galeria de Julien Levy, em Nova York, e foi sucesso de crítica. Em seguida, seguiu para Paris. Lá conheceu Picasso, Kandinsky,  Duchamp, Paul Éluard e Max Ernst. O Museu do Louvre adquiriu um de seus autorretratos. Em 1942 Frida e o marido começaram a dar aulas de arte em uma escola recém-aberta na Cidade do México. Após muitos altos e baixos, como os três abortos e a relação amorosa rodeada por casos extraconjugais dos dois, seu estado de saúde piorou. Em 1950 os médicos diagnosticaram a amputação da perna e ela entrou em depressão. Pintou suas últimas obras, como Natureza Morta (Viva a Vida).

 

Na madrugada de 13 de julho de 1954, Frida, com 47 anos, foi encontrada morta em seu leito. No diário, deixou as últimas palavras: Espero alegre a minha partida – e espero não retornar nunca mais. As obras de Frida Kahlo possuem uma estética muito próxima ao surrealismo com influência da arte folclórica indígena mexicana, cultura asteca, tradição artística europeia, marxismo e movimentos artísticos de vanguarda. Destacou-se ainda pelo uso de cores fortes e vivas. Entre suas principais obras estão: “Autorretrato em vestido de veludo” (1926), “O ônibus” (1929), “Frida Kahlo e Diego Rivera” (1931), “Autorretrato com colar” (1933), “Autorretrato como tehuana” (1943), “Diego em meu pensamento” (1943) e “O marxismo dará saúde aos doentes” (1954).

 

 

Até 21 de novembro.

Diálogos, mostra de artistas representados

08/ago

Com o objetivo de mostrar ao público as produções mais recentes de seus principais artistas representados, Filipe Masini, à frente da Galeria Athena Contemporânea, Copacabana, Shopping Cassino Atlântico, Rio de janeiro, RJ, abre, dia 12 de agosto, a exposição “Diálogos”. A coletiva apresenta 12 trabalhos de artistas que vem chamando a atenção no cenário da arte contemporânea como o irreverente Alexandre Mury e suas produções, Yuri Firmeza, Joana Cesar e seu dialeto, Eduardo Masini, André Griffo e o artista urbano Zezão, um dos expoentes da urban art brasileira, distribuídos nas técnicas de fotografia, pintura, escultura e instalação.

 

 

De 12 de agosto a 05 de setembro.

Kyriakakis/Michalany na Raquel Arnaud

28/jul

A Galeria Raquel Arnaud, Vila Madalena, São Paulo, SP, apresenta simultaneamente as exposições individuais de Geórgia Kyriakakis e Cassio Michalany. “Tectônicas” é o título da exposição que Geórgia Kyriakakis realiza no primeiro piso da Galeria Raquel Arnaud. As seis séries de trabalhos que compõem a mostra são resultado de uma recente viagem da artista à Patagônia, cujas paisagens e condições climáticas serviram como fio condutor para a produção das obras reunidas. São fotografias, esculturas, desenhos e instalações que revelam a recorrente influência das questões geográficas na obra de Kyriakakis, das quais ela se apropria para evidenciar frágeis relações de equilíbrio, instabilidade e transitoriedade em seu trabalho e no mundo.

 

Segundo Paula Braga, que assina o texto da exposição, Geórgia Kyriakakis escolheu como tema de investigação um fenômeno básico e regulador de todos os ciclos do que é criação artística ou natural: as forças de desequilíbrio e equilíbrio. “A exposição Tectônicas é um tratado sobre forças invisíveis: a força criadora, a gravitacional, e acima de tudo forças vitais de resistência”, completa.

 

Entre os trabalhos, a série “Equador” evidencia os elementos geográficos, além de trazer a noção de força que tanto interessa à artista. Como explica Braga, “valendo-se de elementos gráficos de representação da superfície da Terra – mapas, legendas, pontos, palavras – este trabalho cartografa o equilíbrio”. Nesta obra é preciso distribuir o peso dos imãs na superfície de placas de ferro para magneticamente manter a linha do Equador na posição que tradicionalmente a conhecemos, passando por três cidades do planeta: Macapá no Brasil, Macowa no Congo e Pontianak na Indonésia.

 

Na série “Vidros”, duas placas de vidro são presas na parede por furos localizados no meio delas, de modo que sua posição final se dá pelo equilíbrio das mesmas após girarem naturalmente no ponto fixo. Após essa etapa, a artista aplica sobre os vidros tortos fotografia com paisagens da Patagônia, tomando o cuidado de manter a linha do horizonte paralela ao chão. “Nesta obra está a síntese da relação conflituosa entre desmoronamento e equilíbrio:  aprumar-se requer adaptação ao ângulo de inclinação do plano de apoio, e exige uma certa movimentação tectônica, invisível, interna, tanto na arte quanto na natureza e portanto na vida”, explica Braga.

 

Ao mesmo tempo  em que a obra de Geórgia Kyriakakis parece sentir atração pelo risco, pelo desequilíbrio, sempre oferece uma possibilidade de estabilidade. “A obra constitui-se no processo de conciliar a atração pelo caos do desmoronamento com a satisfação da necessidade de sentir que tudo está no eixo”.

 

 

Sobre a artista

 

Geórgia Kyriakakis, nasceu em Ilhéus, BA, 1961. Vive e trabalha em São Paulo. Geórgia é formada em Artes Plásticas pela FAAP, mestre e doutora em Artes pela USP. Leciona desde 1997 na Faculdade de Artes Plásticas da FAAP e no Centro Universitário Belas Artes, onde também atua na pós-graduação. Dentre as exposições, vale mencionar “Espelhos e Sombras”, no Museu de Arte Moderna de São Paulo e no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro (1994 e 1995 respectivamente); a 23ª Bienal Internacional de São Paulo (1996); as exposições “Beelden uit Brazilie”, no Stedelijk Museum de Schiedam, e “De Huit Van Witte Dame” (ambas na Holanda, 1996); a terceira edição do projeto “Arte/Cidade” (São Paulo, 1997); a exposição “Caminhos do Contemporâneo”, no Paço Imperial (Rio de Janeiro, 2001); e as mostras “São Paulo – 450 Anos – Paris”, no Instituto Tomie Ohtake (São Paulo), e “Heterodoxia”, na Galeria Artco (Lima, Peru), ambas em 2004. Em 2008, participou da mostra “Parangolé – Fragmentos desde los 90”, no Museo Pateo Herreriano, em Valladolid, na Espanha. No mesmo ano, a editora espanhola Dardo/DS lançou, em parceria com a Galeria Raquel Arnaud, uma monografia trilíngue sobre seu trabalho. Em 2009 realizou a individual “Outros Continentes” na Galeria Raquel Arnaud, que a representa desde 2001.

 

 

 

Pintura/Objeto de Cassio Michalany

 

Um dos pintores mais reverenciados de sua geração, Cassio Michalany apresenta no segundo piso da galeria a sua mais recente produção. Famoso por suas pinturas em superfícies planas, o artista concebeu para a mostra “Pintura/Objeto” 15 trabalhos inéditos que exploram a tridimensionalidade. Segundo Cauê Alves, que assina o texto da exposição, não se trata de ruptura em seu percurso, mas de um processo de maturação que reencontra na caixa a possibilidade de reorganizar o espaço tridimensional a partir de cores, luzes e formas.

 

O interesse pela variação entre cores e o estudo do espaço permanecem presentes. Cassio Michalany continua a trabalhar a justaposição e o diálogo de planos coloridos homogêneos, principais marcas de sua obra. As caixas, na sua maioria em pequenas dimensões, foram manufaturadas pelo próprio artista em seu ateliê utilizando pedaços retangulares de madeiras com tamanhos diferentes, sendo cada parte pintada com uma única cor. Para Cauê Alves, o que sobressai no todo são as formas coloridas e a relação harmônica que elas estabelecem entre si a partir de uma proporção sensível. “Mesmo quando há certo desequilíbrio, em que a composição pende mais para um lado ou outro, o conjunto possui uma espécie de circularidade que se fecha e se completa com a permutação das formas na caixa”. Mas o crítico ressalta não ser uma lei matemática que regula o trabalho e sim um espaço gerado pelas relações entre cores e formas.

 

Sobre o uso das cores, Michalany continua a trabalhar uma paleta restrita formada por tons sóbrios. Em “Pintura/objeto” as cores não se repetem numa mesma obra ou mesmo posição do objeto, o que, segundo Cauê Alves, “dá um aspecto mais dispersivo ao todo, cada tom apontando numa direção”.

 

 

Sobre o artista

 

Cássio Michalany, nasceu em São Paulo, 1949, vive e trabalha na capital paulista. Arquiteto da FAU-USP de formação, o artista há quarenta anos se dedica à pintura. O interesse pela arte começou na década de 60, quando foi aluno de Luiz Paulo Baravelli e Frederico Nasser, passando, de 1969 a 1985, à condição de professor de desenho no Curso Universitário, na Faculdade Farias Brito, no Iadê e no MAM/SP. Desde 1980, passa a pintar quadros feitos com telas justapostas. Entre suas principais exposições, destaque para a participação na XIX Bienal Internacional de São Paulo (1987); O que faz você, geração 60? No MAC-USP (1991); Bienal Brasil do século XX, (1994); 20 artistas/20 anos, no CCSP (2002); Cassio Michalany, no Instituto Tomie Ohtake, (2003); Pintura sobre parede, Centro Universitário Maria Antônia, (2004) e Pinturas – Permutações de cor, na Estação Pinacoteca, (2010).

 

 

Exposição: Geórgia Kyriakakis – Tectonicas

 

Até 29 de agosto.

 

 

Exposição: Cássio Michalany – Pintura/objeto

 

Até 20 de setembro.

Mira Schendel – Retrospectiva

A Pinacoteca do Estado de São Paulo, Praça da Luz, São Paulo, SP, instituição da Secretaria de Estado da Cultura, apresenta a exposição retrospectiva da artista suíça, naturalizada brasileira, Mira Schendel que ao lado de seus contemporâneos Lygia Clark e Helio Oiticica, reinventou a linguagem do Modernismo Europeu no Brasil. Com patrocínio do banco Credit Suisse, a mostra é organizada pela Pinacoteca de São Paulo e a Tate Modern, Londres, em associação com a Fundação de Serralves – Museu de Arte Contemporânea, Porto.

 
Com curadoria de Tanya Barson da Tate Modern e Taisa Palhares da Pinacoteca, a exposição já foi apresentada na Tate onde foi um grande sucesso de público, depois foi para a Fundação de Serralves, Porto, Portugal, e agora completa a última parte da itinerância na Pinacoteca. Mais uma vez, o público brasileiro será privilegiado. Além das obras expostas nas mostras anteriores, no Brasil serão incluídas maior número de trabalhos das séries “Bordados” e “Naturezas-mortas” (década de 1960) e “Mandalas” (década de 1970), bem como a série “Papéis Japoneses” (década de 1980) e um conjunto significativo de trabalhos do acervo do Museu de Arte Contemporânea da USP, que foram doados pelo crítico de arte e amigo da artista, o colecionador Theon Spanudis.

 

Apresentada em ordem cronológica a exposição, que ocupa o primeiro e segundo andar do museu, reúne cerca de 300 obras, entre pinturas, desenhos, esculturas e instalações, todas realizadas entre os anos 1950 e 1987, incluindo a última série produzida em vida pela artista, as pinturas conhecidas como “Sarrafos”. O grande destaque da mostra fica por conta da produção de obras em papel de arroz dos anos 1960: a série “Monotipias”, “Trenzinho”, “Droguinhas”, todas de 1965; a sala de “Objetos gráficos”, 1967, os “Cadernos”, 1970, as instalações “Ondas Paradas de Probabilidade”, 1969, e “Variantes 1977”; além da série “O retorno de Aquiles”, 1964, em que pela primeira vez Mira Schendel utiliza o texto como elemento visual da composição. “Esta é a primeira grande mostra da Mira Schendel desde 1996. De lá para cá, a artista tornou-se muito mais reconhecida no contexto internacional, o que se reflete na exposição pelo grande número de obras de coleções e museus internacionais como o Museum of Modern Art – NY, o Houston Museum, a Tate Modern – Londres entre outros. Neste sentido, é uma oportunidade única para o público brasileiro apreciar essas obras que dificilmente serão expostas novamente no Brasil tão cedo.” Afirma Taisa Palhares.

 

A exposição é acompanhada por um catálogo ilustrado, editado pela Pinacoteca de São Paulo e a Tate Publishing. Com textos inéditos de Tanya Barson, Taisa Palhares, Cauê Alves, Isobel Whitelegg, John Rajchman e Lisette Lagnado, o catálogo é uma versão ampliada da edição inglesa.

 

 

 

Até 19 de outubro.