Espaço e tempo no contexto urbano.

22/jan

 

 

A exposição “Há quanto tempo não olho para o céu?”, exibição individual da artista Aruane Garzedin, com curadoria de Shannon Botelho, será inaugurada no dia 28 de janeiro no Centro Cultural Correios, Centro, Rio de Janeiro, RJ.

A mostra reúne cerca de 20 pinturas em acrílico sobre tela, além de uma instalação e um trabalho têxtil de grandes dimensões, a partir de uma pesquisa que investiga as relações entre corpo, espaço e tempo no contexto urbano. 

Sobre a artista.

Aruane Garzedin nasceu em 1959, Salvador, BA. Vive e trabalha entre Salvador e o Rio de Janeiro, RJ. Artista visual com exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior. Possui graduação em Arquitetura, mestrado em Arquitetura e Urbanismo e doutorado em Belas Artes. A cidade constitui um laboratório para a observação da relação corpo/espaço/tempo, eixo temático no qual se desenvolve a sua poética visual. A partir de 2016 sua pintura se ampliou aos muros e às intervenções na paisagem, também escritora busca unir essas diferentes linguagens em seu fazer artístico.

Em cartaz até 14 de março.

Beatriz Milhazes no Museu de Arte da Bahia.

20/jan

“Beatriz Milhazes: 100 Sóis” é a primeira exposição individual da artista em Salvador e reúne, no MAB – Museu de Arte da Bahia, uma ampla seleção de obras que percorre 30 anos de sua produção, oferecendo um vislumbre de diferentes fases de sua trajetória e evidenciando elementos recorrentes que estruturam sua poética.

Com curadoria do crítico e historiador de arte Tiago Mesquita, a mostra apresenta pinturas históricas, trabalhos inéditos, colagens recentes e uma instalação nas janelas do museu, revelando como diferentes meios alimentam sua pesquisa, tendo a pintura como eixo central e meio principal de sua prática de ateliê, cuja reverberação atravessa toda a sua obra.Os trabalhos são dispostos em uma espécie de colagem espacial, revelando tanto a amplitude do repertório formal de Beatriz Milhazes quanto a sofisticação de suas estratégias compositivas. Nesse arranjo, torna-se evidente o modo como suas obras dialogam com a arte moderna em diferentes geografias, a tradição construtiva, o design, a moda, o carnaval carioca, a alegoria, o ornamento, a decoração barroca e uma coreografia de formas dançantes, ao mesmo tempo em que incorporam questões estruturais da imagem pop, dimensão que atravessa sua trajetória e reafirma sua posição como uma das vozes centrais da abstração contemporânea.

A artista apresenta um novo vitral concebido para as janelas da instituição, no qual seus padrões característicos são aplicados em filmes translúcidos multicoloridos que filtram a luz solar e projetam feixes caleidoscópicos pelo espaço expositivo. Também em exibição está “A Seda”, obra emblemática de sua produção dos anos 2000, na qual elementos gráficos em cores vibrantes se expandem do centro da tela em movimento centrífugo. No núcleo, um emaranhado de arabescos rendados forma o coração da composição, combinando fluidez e ordem em uma estrutura orgânica em expansão. Já em trabalhos mais recentes, como “Memórias do Futuro II” (2023), a artista sobrepõe grafismos feitos com caneta de tinta acrílica (marcadores Molotow) às formas transferidas por sua técnica de monotransfer, acrescentando uma nova camada de padrões ao intrincado jogo de tramas em rotação e criando estratos que se articulam em uma rede complexa e multidirecional.

Até 26 de abril.

Superfícies veladas e luminosas.

A Galatea apresenta “Gabriel Branco: A luz sem nome”, primeira individual de pinturas do artista paulistano Gabriel Branco (1997, São Paulo), na unidade da galeria em Salvador. A mostra ocupa o espaço expositivo do Cofre na galeria e inaugurou o programa de 2026 na capital soteropolitana junto da coletiva Barracas e fachadas do nordeste, colaboração da Galatea com a Nara Roesler.

A exposição reúne 10 pinturas inéditas, realizadas em 2025, e conta com texto crítico do pintor Paulo Monteiro. Nesta série, Gabriel Branco aprofunda uma pesquisa que parte do corpo, da luz e da cor como elementos estruturantes da composição. Trabalhando com óleo e cera de abelha sobre tela, o artista constrói superfícies veladas e luminosas, nas quais formas orgânicas parecem emergir e se dissolver simultaneamente.

A pintura abstrata surge como complemento à prática fotográfica do artista, que explora temas ligados à vivência urbana nas periferias da cidade de São Paulo. A abstração opera como meio para expressar memórias, afetos e vivências, articulando um diálogo sensorial com a realidade urbana.

Até 30 de maio.

Grande nome do construtivismo latino-americano.

15/jan

Um retrospcto da obra de Joaquín Torres-García ganha exposição com 500 itens no CCBB São Paulo, SP. A mostra celebra a trajetória do artista utuguaio Joaquín Torres García (1874-1949), mundialmente conhecido por sua obra “América Invertida” (1943), que retrata o continente de ponta-cabeça, sendo um símbolo do pensamento do artista, muito relacionado ao conceito de decolonialidade. 

“Joaquín Torres García – 150 anos” apresenta obras e documentos, incluindo pinturas, manuscritos inéditos, maquetes e desenhos. Algumas peças deixam pela primeira vez as reservas técnicas do Museo Torres-García, que colaborou com a curadoria de Saulo di Tarso, revelando ao público aspectos pouco conhecidos da produção do artista.

A mostra aborda sua obra pictórica, gráfica, escrita e pedagógica, que o consagrou como um grande nome do construtivismo latino-americano, e vai além, ao posicioná-lo como pensador global. Destaques incluem noventa volumes manuscritos por Torres-García, além de desenhos autobiográficos e uma carta inédita enviada a ele pela poeta Cecília Meireles. 

O ícone “América Invertida” surge suspenso em forma de móbile no hall de entrada. Artistas influenciados por sua produção, como Anna Bella Geiger, Carlos Zílio, Rubens Gerchman e Montez Magno também estão em cartaz.

Até 09 de março.

Fonte: Veja São Paulo.

Obras inéditas de Julia Kater.

14/jan

A galeria Simões de Assis, Jardins, São Paulo, SP, dá início à sua programação de 2026 com a exposição “Duplo”, exibição individual de Julia Kater. A mostra reúne 14 obras inéditas, entre colagens e fotografias impressas sobre seda, sendo seis delas desenvolvidas em 2025 durante sua residência artística na Cité Internationale des Arts, em Paris.

Artista franco-brasileira Julia Kater trabalha a partir da fotografia, incorporando procedimentos manuais como cortes, colagens, sobreposições e tingimentos manuais, que interferem diretamente na construção da imagem. Em “Duplo”, dois modos de construção da imagem se articulam. Nas colagens, a paisagem é reorganizada por recortes e justaposições fotográficas, com adição de cor; nos trabalhos em tecido, o tingimento manual incide sobre a fotografia.

Sobre a artista.

Julia Kater nasceu em 1980, Paris, França. Formada em Fotografia pela ESPM (2004) e em Pedagogia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2003). Sua prática atravessa a fotografia, a colagem e o vídeo, com foco na elaboração da imagem a partir do recorte e da justaposição. Na fotografia, a artista parte do entendimento de que toda imagem é, por definição, um fragmento – um enquadramento que recorta e isola uma parte da cena. Em sua obra, a imagem não é apenas um registro de um instante, mas resultado de um deslocamento – algo que se desfaz e se recompõe no mesmo gesto. As imagens, muitas vezes próximas, não buscam documentar, mas construir um novo campo de sentido. Em 2025 participou em Paris, da residência Cité Internationale des Arts. Sua obra integra coleções públicas como o Museu de Arte do Rio – MAR, Museu Oscar Niemeyer – MON, Fundação Luis Seoane (Espanha), Fundação PLMJ (Portugal) e o Museu de Arte de Ribeirão Preto – MARP.

Opalescente no Balneário Camboriú.

13/jan

Na mostra “Opalescente”, cuja abertura ocorre em 15 de janeiro, na Galeria Simões de Assis, 3ª Avenida, esquina c/3150, S4, Balneário Camboriú, SC, reúne obras recentes e inéditas de Antonio Malta Campos, nos deparamos com um recorte curatorial de sua produção que emerge de cores, linhas, formas geométricas e construções abstracionais. Essa produção delineia caminhos em que a pintura apresenta paletas de cores mais abertas, alegres, por vezes em tons pastéis e amenos, sugerindo uma leveza e uma atmosfera mais serena, essas obras exploram a cor em sua capacidade de construir espaços e formas com suavidade. Na sobreposição cromática em camadas há certa luminescência perolada, derivada da opala, uma gema que reflete cores multifacetadas, emanando uma aparência leitosa e iridescente em acabamentos azulados, avermelhados e alaranjados que se alteram conforme a mudança do ângulo da luz – a fatura de Malta é opalescente. 

Uma reflexão poética e filosófica.

12/jan

Santo Agostinho, Kant, Sartre, Einstein e Hans Belting, serviram como fonte de inspiração para a mostra coletiva “ATEMPORAL – como se fosse a primeira vez”, que ocupa a Sala Antonio Berni do Consulado Geral da Argentina, Botafogo, Rio de Janeiro, até o dia 28 de fevereiro. Sob curadoria de Osvaldo Carvalho, propõe uma reflexão poética e filosófica sobre a natureza do tempo e sua presença nas artes visuais contemporâneas. No dia 15 de janeiro, quinta-feira, haverá uma visita guiada com a participação do curador e dos artistas Ana Herter, Ana Pose, Carmen Givoni, Chris Jorge, Cris Cabus, Dorys Daher, Edson Landim, Eliana Tavares, Heloisa Alvim, Heloisa Madragoa, Jabim Nunes, Jorge Cupim, Laura Bonfá Burnier, Laura Figueiredo-Brandt, Leila Bokel, Leo Stuckert, Lígia Teixeira, Luís Teixeira, Luiz Badia, Luiz Bhering, Marcelo Rezende, Márcia Clayton, Mario Coutinho, Mario Camargo, Osvaldo Carvalho, Osvaldo Gaia, Priscilla Ramos, Raquel Saliba, Regina Hornung, robson mac3Do, Rosi Baetas, Sandra Gonçalves e Sandra Schechtman.

Os 33 artistas exploram diferentes possibilidades de compreensão de um tempo não linear, mas cíclico – em diálogo com temas como identidade, corpo, território, meio ambiente, ancestralidade, silêncio, deslocamento e pertencimento. As obras refletem sobre singularidades culturais e potencialidades poéticas, evocando “o tempo que não corre debalde, nem passa inutilmente sobre nossos sentidos”, no dizer de Santo Agostinho. 

Os trabalhos selecionados abordam temas como identidade, corpo, território, ancestralidade, meio ambiente, silêncio, deslocamento e pertencimento, estabelecendo um diálogo sensível entre memória e atualidade. São obras que ultrapassam seu contexto histórico, preservando força estética e simbólica ao longo do tempo e comunicando-se com diferentes gerações e sensibilidades.

A potência estética na estamparia afro-brasileira.

 

O Museu de Arte do Rio (MAR) inaugurou “Òkòtó: Espiral da Evolução”, mostra dedicada ao universo visual de Goya Lopes (Maria Auxiliadora dos Santos Goya Lopes – Salvador, Bahia, 1954). Artista, autora, designer têxtil e de moda, com curadoria de Marcelo Campos e do curador convidado Daniel Rangel. A exposição apresenta um conjunto expressivo de pinturas, gravuras, tecidos e a produção indumentária que evidenciam a trajetória, o pensamento e a potência estética de uma das artistas pioneiras na estamparia afro-brasileira no país. Em “Òkòtó: Espiral da Evolução”, o público é convidado a entrar em contato com as linhas de raciocínio que estruturam a obra de Goya Lopes e com a grandiosa construção de seus conceitos. As peças revelam uma artista que traduz, com rara sensibilidade e sofisticação, a riqueza da cultura afro-brasileira e baiana, reinterpretando o que a forma, o que a nutre e o que a inspira. Até 07 de abril.

 

Guilherme Gallé artista representado pela Galatea.

16/dez

A Galatea tem o prazer de anunciar a representação do artista Guilherme Gallé (São Paulo, 1994 – vive e trabalha em São Paulo). Guilherme Gallé é formado em Design Gráfico pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo (2016) e desenvolveu sua prática pictórica em ateliês e grupos de estudo. Entre 2019 e 2023, foi assistente do pintor José Roberto Aguilar. Atualmente integra o curso “Pintura: Prática e Reflexão”, conduzido por Paulo Pasta, e participa do grupo de estudos de história da arte coordenado por Rodrigo Naves.

A pintura de Guilherme Gallé nasce de um processo contínuo de depuração: um quadro aciona o seguinte, num movimento em que cor, forma e espaço se reorganizam respondendo uns aos outros. As cores tonais, construídas em camadas, estruturam o plano pictórico ao mesmo tempo em que instauram atmosferas. Já a geometria recorrente não se impõe como ordem fixa, mas como um sistema instável que articula cheios e vazios, proximidades e distâncias. O vazio, por sua vez, não é experimentado como ausência, mas como elemento ativo da composição: é ele que tensiona as formas e sustenta a dinâmica espacial da pintura.

A sua superfície pictórica se constitui de uma matéria espessa, marcada por incisões, apagamentos e pentimentos, que dão indícios do processo da pintura ao mesmo tempo que o impulsionam. Nesse sentido, Guilherme Gallé empreende uma investigação metalinguística, na qual a obra se autoengendra: a pintura nasce da própria pintura, tensionando polaridades entre micro e macro, conteúdo e continente, gesto e estrutura. Situadas no limiar entre abstração e sugestão figurativa, suas composições convidam à lenta contemplação, dando espaço para que o olhar oscile entre repouso e movimento, entre a atenção ao detalhe e ao conjunto. Aos poucos, Gallé constrói uma partitura silenciosa, uma minuciosa dança à qual os olhos aderem.

Entre as exposições das quais participou, destacam-se: Joaquín Torres García – 150 anos, (Coletiva, Centro Cultural Banco do Brasil – CCBB, São Paulo / Brasília / Belo Horizonte, 2025–2026); Ponto de mutação (Coletiva, Almeida & Dale, São Paulo, 2025); O silêncio da tradição: pinturas contemporâneas (Coletiva, Centro Cultural Maria Antonia, São Paulo, 2025); Para falar de amor (Coletiva, Noviciado Nossa Senhora das Graças Irmãs Salesianas, São Paulo, 2024); 18º Território da Arte de Araraquara (2021); Arte invisível (Coletiva, Oficina Cultural Oswald de Andrade, São Paulo, 2019); e Luiz Sacilotto, o gesto da razão (Coletiva, Centro Cultural do Alumínio, 2018). Sua primeira individual será apresentada na Galatea, em São Paulo, com abertura em 22 de janeiro de 2026.