Arte-veículo

05/jun

O SESC/Santos, São Paulo, SP, apresenta a exibição coletiva com 40 artistas e grupos estudados na pesquisa Arte-veículo, da curadora Ana Maria Maia. Desde a televisão, inaugurada em 1951, e a Internet, difundida no início dos anos 2000, diferentes artistas e grupos figuraram no agendamento midiático para nele experimentar e praticar “inserções em circuitos ideológicos”, como alegou Cildo Meireles em 1970. Ou disseminar “ideias vírus”, conforme Giseli Vasconcelos prescreveu já em 2006, fazendo ressoarem ao longo das décadas os termos de uma relação que se dá entre os veículos de comunicação como hospedeiros e os artistas como parasitas.

 

Para repercutir intervenções midiáticas no contexto de uma instituição cultural, a curadoria pretende misturar diferentes suportes na organização espacial da exposição, de documentos impressos e registros em vídeo a objetos e instalações. O projeto foge de uma narrativa cronológica para priorizar o entendimento de estratégias recorrentes dos artistas e grupos no decorrer desse intervalo histórico. Desse partido, surgem seus seis núcleos, denominados a partir de verbos que denotam um conjunto de ações: duvidar da verdade, perder-se, duelar, “ouviver”, hackear e ficcionalizar. A exposição propõe também um programa público de performances, conversas e laboratórios, e ainda a reinserção de trabalhos em espaços de imprensa e mídias, como jornais, revistas e programas de rádio, e mesmo redes sociais. Destaque para o Grupo Manga Rosa: Carlos Dias, Francisco Zorzette e Jorge Bassani.

 

Até 28 de julho.

50 anos de Realismo

17/maio

O CCBB Rio, exibe 92 obras de 30 artistas para o panorama internacional sobre a representação da realidade na arte contemporânea. Conversa com a curadora Tereza de Arruda e artistas participantes acontece na abertura com entrada franca.

 

A exposição “50 anos de realismo – Do fotorrealismo à realidade virtual” que o Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro inaugura, na quarta, 22 de maio, vai provocar perplexidade no visitante: é pintura ou fotografia? É real ou escultura?

 

A proposta da curadora brasileira Tereza de Arruda, radicada em Berlim, é apresentar um panorama internacional da representação da realidade na arte contemporânea, nos últimos 50 anos, do surgimento do fotorrealismo, o hiper-realismo, até a realidade virtual. A mostra é patrocinada pelo Banco do Brasil, com apoio da Cateno e do Banco Votorantim. A coordenação geral é da Prata Produções, por meio da Lei de Incentivo à Cultura. Tereza de Arruda selecionou 92 trabalhos, datados dos anos 1970 a 2018,   de técnicas diversas de 30 artistas – cinco brasileiros e 25 estrangeiros, de gerações e nacionalidades variadas, radicados na América do Sul, nos Estados Unidos e na Europa.

 

No final da década de 1960, jovens artistas que trabalhavam nos Estados Unidos começaram a fazer pinturas realistas baseadas diretamente em fotografias. Detalhistas minuciosos, eles retratavam objetos, pessoas e lugares que definiam a vida urbana  e rural. Essa produção recebeu rótulos diferentes, entre eles Fotorrealismo.

 

Diferentemente dos artistas pop, os fotorrealistas não ironizavam seus temas – vitrines brilhantes, carros, plásticos de cores berrantes e cenários do campo e da cidade. Posicionavam-se fiéis à reprodução na tela, no papel ou na escultura do que lhes servia como fonte.
A curadora Tereza de Arruda explica:

 

– O surgimento do fotorrealismo, pinturas baseadas na representação de cenas fotografadas, deu-se nos Estados Unidos nas décadas de 1960 e 1970. Sua infiltração na história da arte aconteceu como reação ao abstracionismo vigente na época. O hiper-realismo apareceu como uma tendência da pintura no final da década de 1970, amparada na realidade, ainda mais fiel que a própria fotografia. Sua força de expressão é tão significativa que se dissemina até os dias de hoje.
Mesmo com a reprodução instantânea da realidade pelas câmeras digitais hoje, essas pinturas e esculturas ainda são fascinantes pela precisão cirúrgica e virtuosismo extraordinário. Essa tentativa de “congelar” o momento e apreciá-lo eternamente em sua exatidão é um dos motivos de apreciação e difusão do hiper-realismo. Ali não há os efeitos da passagem do tempo e “a permanência é a condição da grande arte”, avalia o autor inglês Clive Head.

 

 

Circuito

 

A mostra é dividida em segmentos: histórico, representado por Ralph Goings, Richard McLean, John Salt e Ben Schonzeit; contemporâneo, por Javier Banegas, Paul Cadden, Pedro Campos, Rafael Carneiro, Andrés Castellanos, Hildebrando de Castro, François Chartier, Ricardo Cinalli, Simon Hennessey, Ben Johnson, David Kessler, Fábio Magalhães, Tom Martin, Raphaela Spence, Antonis Titakis e Craig Wylie; tridimensionalidade, por John DeAndrea, Peter Land e Giovani Caramello; e novas mídias, por Akihiko Taniguchi, Andreas Nicolas Fischer, Bianca Kennedy, Fiona Valentine Thomann, Sven Drühl, The Swan Collective e Regina Silveira.
No térreo do CCBB estão esculturas/instalações do dinamarquês Peter Land (1966), onde o ser humano é a figura central. Mais três artistas ocupam a área da rotunda: Craig Wylie (Zimbábue, 1973), radicado no Reino Unido, é premiado pela profundidade psicológica de seus retratos; o inglês Simon Hennessey (1976) pinta rostos mais detalhados do que o que a fotografia poderia oferecer ao espectador. No centro da rotunda impera a escultura de uma figura humana, maior do que a real, do jovem paulista Giovani Caramello (1990) feita especialmente para esta exposição. Autodidata, Caramello iniciou a carreira com modelagem 3-D e se tornou o único escultor brasileiro com produção hiper-realista.
O circuito segue para o segundo andar do centro cultural, ocupando mais quatro salas. O conjunto de trabalhos está subdividido em Retrato, Natureza-morta, Paisagem natural, Paisagem urbana e Novas mídias.
Um espaço concentra obras de artistas seminais do fotorrealismo e do hiper-realismo como os norte-americanos Ralph Goings (1928), Richard McClean (1934), Ben Schonzeit (1942), John DeAndrea (1941) e o inglês John Salt (1937). Pinturas ou esculturas, as representações são tão realistas que podem causar um certo desconforto pela proximidade do ser e do parecer. É o caso da obra de DeAndrea, um dos pioneiros da escultura hiper-realista. As figuras humanas extraídas de seu universo particular são despretensiosas e sem ornamentos supérfluos.
Uma das salas reúne o gênero recorrente no fotorrealismo e no hiper-realismo que é o retrato. A maioria dos artistas se baseia em modelos que eles mesmos fotografam. As pessoas costumam ser retratadas sem uso de recursos adicionais para manter sua essência, mas há margem para a subjetividade: um olhar que mira o espectador ou a dor do retratado resignado. As pinturas ou desenhos do zimbábue Craig Wylie (1973), do baiano Fábio Magalhães (1982), do escocês Paul Cadden (1964), do argentino Ricardo Cinalli (1948) e do inglês Simon Hennessey (1976) são exemplos.
Na história da arte do século XX, a pintura realista precisou se impor e se defender da ascensão da fotografia contemporânea. Os pintores passaram a incorporar a fotografia como recurso para tornar seus retratos mais precisos. O fotorrealismo e o hiper-realismo fascinam porque o real demanda fidelidade rigorosa a seu contexto. Um dos segmentos da mostra é o que junta natureza-morta e paisagem naturalista ou urbana. Estes temas são cultivados há 50 anos mundo afora como se pode ver pela diversidade de procedência dos artistas: o canadense François Chartier (1950), os espanhóis Pedro Campos (1966) e Javier Banegas (1974), o inglês Tom Martin (1986), o paulista Rafael Carneiro (1985) e o galês Ben Johnson (1946) exibem naturezas mortas; o espanhol Andres Castellanos (1956), o grego Antonis Titakis (1974), a inglesa Raphaella Spence (1978), o brasileiro Hildebrando de Castro (1957) e o norte-americano David Kessler (1950) mostram paisagens.
As novas mídias trouxeram a expansão da realidade e o visitante é o protagonista da obra. O advento da realidade virtual altera a percepção e a relação com o real. Os ambientes virtuais produzem mundos ilusórios para serem experimentados, usando equipamentos adicionais, como os óculos de RV. Esta exposição traz experiências com realidade mista, realidade expandida e realidade virtual do japonês Akihiko Taniguchi (1983), dos alemães Andreas Nicolas Fischer (1982) e Bianca Kennedy (1989), da francesa Fiona Valentine Thomann (1987), do bahamense Sven Drühl (1968), de The Swan Collective (liderado pelo alemão Felix Kraus, 1986) e da brasileira Regina Silveira (1939).

O Rio de Janeiro é a terceira e última itinerância da mostra, que recebeu mais de 240 mil visitantes nos CCBBs São Paulo e Brasília.

 

Catálogo

 

Acompanha “50 anos de Realismo, do fotorrealismo à realidade virtual” uma publicação bilíngue (portugês e inglês) de 187 páginas, com textos de Tereza de Arruda, Boris Röhrl, Maggie Bollaert e Tina Sauerländer, e reprodução de todas as obras em exibição.

 

Conversa com o público

 

Dia 22 de maio (quarta-feira), às 18h30h, o CCBB Rio promove  um bate-papo sobre realismo na contemporaneidade aberto ao público. Participam a curadora Tereza de Arruda, os artistas Bianca Kennedy, Fiona Valentine Thomann, Hildebrando de Castro, Rafael Carneiro, Regina Silveira, Ricardo Cinalli, The Swan Collective e a consultora Maggie Bollaert.

 

 

A entrada é franca, mediante retirada de senha uma hora antes do início do evento.

 

Sobre a curadora

 

Tereza de Arruda (São Paulo, SP, 1965) é historiadora de arte e curadora independente, que trabalha junto a instituições, museus e bienais. Estudou história da arte na Freie Universität Berlin, onde mora desde 1989. Assinou a curadoria de: Ilya und Emilia Kabakov “Two Times”, Kunsthalle Rostock, em 2018; José de Quadros: A Beleza do Inusitado, Sesc Santo André; Sigmar Polke, Die Editionen, me Collectors Room Berlin, em 2017; Chiharu Shiota – Under the Skin, Kunsthalle Rostock, em 2017; In your heart | In your city, Køs Denmark; Clemens Krauss, Little Emperors, MOCA – Museu de Arte Contemporânea de Chengdu, em 2016; Kuba Libre, Kunsthalle Rostock, em 2016; Bill Viola, Three Women, Bienal Internacional de Curitiba, em 2015; InterAktionen Brasilien in Sacrow, Schloss Sacrow/Potsdam, em 2015; ChinaArte Brasil, Oca Museu da Cidade, São Paulo, em 2014; Wang Qingsong: Follow me!, Køs Museum for Kunst, Copenhague, em 2014; Bienal de Curitiba de 2013; Índia lado a lado, CCBB Rio, São Paulo e Brasília, em 2011|2012; Se não neste período de tempo – Arte Contemporânea Alemã 1989-2010, Masp – Museu de Arte de São Paulo, em 2010. Cocuradora e assessora da Bienal de Havana desde 1997. Cocuradora da Bienal Internacional de Curitiba desde 2009.

 

CCBB 30 anos

 

Inaugurado em 12 de outubro de 1989, o Centro Cultural Banco do Brasil celebra 30 anos de atuação com mais de 50 milhões de visitas. Instalado em um edifício histórico, projetado pelo arquiteto do Império, Francisco Joaquim Bethencourt da Silva, o CCBB é um marco da revitalização do centro histórico do Rio de Janeiro e mantém uma programação plural, regular, acessível e de qualidade. Mais de três mil projetos já foram oferecidos ao público nas áreas de artes visuais, cinema, teatro, dança, música e pensamento.  Desde 2011, o CCBB incluiu o Brasil no ranking anual do jornal britânico The Art Newspaper, projetando o Rio entre as cidades com as mostras de arte mais visitadas do mundo. Agente fomentador da arte e da cultura brasileira segue em compromisso permanente com a formação de plateias, incentivando o público a prestigiar o novo e promovendo, também, nomes da arte mundial.
 

 Até 29 de julho.

Dois na Luciana Caravello

22/mar

No térreo da galeria, estarão obras inéditas de Marcelo Solá, que tratam da história do desenho, com influências que vêm desde os tempos das cavernas, com a pintura rupestre, até os tempos atuais, com o grafite. No terceiro andar, estará uma instalação lúdica, formada por 30 espelhos criados por um dos mais importantes designer brasileiros, Sergio Rodrigues, na década de 1960. Com curadoria de Afonso Luz, haverá, ainda, um exemplar de época exposto, feito em jacarandá.

 

O artista goiano Marcelo Solá ocupará todo o espaço térreo da Luciana Caravello Arte Contemporânea, Ipanema, RJ, a partir do dia 21 de março, com cerca de 20 desenhos inéditos, produzidos este ano. As obras feitas em técnica mista dão continuidade a uma pesquisa que o artista vem desenvolvendo há alguns anos sobre a história do desenho, com influências que vêm desde os tempos das cavernas, com a pintura rupestre, até os tempos atuais, com o grafite.

 

Os trabalhos de Marcelo Solá misturam referências e têm muita influência da rua, não só do grafite, como também dos cartazes de propaganda. “Tem a ver com os muros das grandes cidades, com os cartazes nos muros, que vão se desgastando com o tempo ao serem molhados pela chuva”, diz o artista.

 

Os desenhos, em diversos formatos, com tamanhos que variam entre 2mX2m e 80x100cm, são feitos com aquarela, tinta a óleo, lápis e spray. Além disso, nesses novos trabalhos, a serigrafia, que o artista vinha utilizando de forma mais tímida, está mais evidente e ganha importância inusitada dentro da obra. Primeiro, o artista pensa em um desenho e o transforma em serigrafia. “A serigrafia é usada como base e vou trabalhando em cima dela, que em alguns momentos, quase desaparece, mas continua ali”, conta Marcelo Solá.

 

As frases criadas pelo artista, que também já estavam presentes em trabalhos anteriores, ganham mais destaque nessas obras aos serem feitas com carimbo.

 

 

Sobre o artista

 

Marcelo Solá nasceu em Goiânia, 1971. Vive e trabalha em Goiânia. É um assíduo desenhista e se comunica principalmente através desta linguagem. Com mais de 20 anos de trajetória, já participou de importantes exposições no Instituto Tomie Ohtake, na Funarte, nos Museus de Arte Moderna do Rio de Janeiro e de São Paulo, no Centro Cultural São Paulo, no Festival de Cultura da Bélgica, na 25ª Bienal de São Paulo e no Drawing Center (Nova York). Recebeu diversos prêmios, como a “Bolsa de Apoio a Pesquisa e Criação Artística”, da Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro e duas vezes o “Prêmio Projéteis de Arte Contemporânea”, da Funarte. Além disso, ainda participou de residências artísticas no Brasil e no exterior, como nos Estados Unidos, Canadá e Holanda.

 

 

Até 13 de abril.

 

 

O espelho Dragãozinho

 

No dia 21 de março, Luciana Caravello Arte Contemporânea inaugura a exposição “O espelho Dragãozinho”, com uma série inédita de 30 espelhos do designer Sergio Rodrigues (1927-2014), criados originalmente na década de 1960, para a Oca, loja/galeria que movimentou a cena cultural carioca. As obras serão apresentadas a partir de uma instalação que provoca de forma lúdica a reflexão sobre a construção/desconstrução de uma autoimagem, tema abordado por Sergio Rodrigues em texto de época sobre o trabalho.

 

Os espelhos, que medem 45cm de diâmetro, são confeccionados em seis madeiras nobres: jacarandá, mogno, conduru, peroba do campo, peroba rosa e imbuia, editados pela Sergio Rodrigues Atelier. Cada uma dessas madeiras possui uma tonalidade distinta – avermelhada, castanha e marrom escuro – tornando cada conjunto diferente. Até as obras feitas com a mesma madeira são distintas entre si, pois os veios variam, tornando cada peça única. Um exemplar de época, feito em jacarandá, também estará exposto.

 

O nome da obra remete ao espelho da casa da infância de Sergio Rodrigues, no bairro do Flamengo, um espelho retangular que possuía um dragão entalhado em madeira no topo e que é descrito por ele no texto publicado na edição de número 49 da revista Senhor, em 1963. Diferentemente do espelho de sua infância, o Dragãozinho criado por ele na década de 1960 possui o formato arredondado, com uma moldura em madeira, lembrando os porta-retratos que eram pendurados nas paredes das casas de antigamente, com fotos dos membros da família.

 

O curador Afonso Luz, em texto que acompanha a exposição, faz uma analogia entre o momento atual em que vivemos, das selfies, com os espelhos. “Na nossa sociedade de massas, na sua versão 3.0 do pós-pós-modernismo desse novo milênio, talvez o espelho tenha se tornado apenas um objeto da história da arte, como tantos outros dispositivos de imagem que nos capturavam a existência, como a própria pintura fizera na modernidade. Vivemos todos mergulhados no momento atual, em uma nova revolução sensível, no qual a moldura dos telefones celulares com sua superfície de cristal líquido nos registra em tempo real em microcâmeras, o que gera a revelação imediata de quem somos, onde estamos e como nos vestimos para a vida, a fim de instaurar o espelhamento cotidiano da sociedade numa cultura de selfie”.

 

A exposição contará, ainda, com um conjunto documental pertencente ao Instituto Sergio Rodrigues, que mostrará um pouco do universo do artista para a criação desta obra. Em uma mesa-vitrine criada pelo próprio Sergio estarão o catálogo original da Oca, com o croqui do espelho, a revista Senhor, com o texto “O espelho do Dragãozinho”, escrito por ele, e o próprio dragão em madeira, que compunha o espelho de sua infância.

 

 

Sobre o artista

 

Sergio Rodrigues (1927–2014) é um mestre para produção cultural brasileira de tantas maneiras que até se confunde com o próprio Brasil, com Brasília, com o Rio de Janeiro e com o nosso reconhecimento internacional. Criou mais de 1.200 peças, muitas das quais tornaram-se ícones de nossa maneira de viver, como a poltrona Mole. Durante toda a vida, Sergio Rodrigues seguiu criando e transformando suas inquietações nesse mobiliário que é deliciosamente nosso, sempre de forma bem humorada, dando nomes inusitados aos seus objetos, “Chifruda”, “Vronka”, “Xibô”, quase como se fossem personagens afetivos de nossa história comum nestes trópicos. Essa obra de coerência única é mais do que reveladora de nossa cultura, é a própria cultura traduzida em elementos da mobília e da habitação.

 

 

Sergio Rodrigues Atelier

 

Moveis e objetos inéditos do designer Sergio Rodrigues integram a coleção Sergio Rodrigues Atelier, marca dedicada a resgatar o modo de ver e viver a vida do mestre do design brasileiro e a fabricação de peças singulares do seu acervo. Todo o mobiliário Sergio Rodrigues Atelier é fabricado em madeira maciça a partir de técnicas construtivas da marcenaria tradicional. Formões, spokeshavers e plainas são ferramentas manuais presentes nas bancadas de quem se dedica aos encaixes e aos detalhes originais dos projetos do mestre. Fazer com alma é a essência da marca que tem como propósito inspirar as pessoas a viver experiências, histórias e sensações.

 

 

 

Até 13 de abril.

“Cobra Criada”, mostra na Athena

19/fev

A Galeria Athena, Botafogo, Rio de Janeiro, RJ, inaugurou a exposição “Cobra Criada”, com cerca de 20 obras inéditas de Frederico Filippi, que ocupam todo o espaço expositivo da galeria. Os trabalhos tratam da questão do desmatamento e dos conflitos gerados pelo embate entre o poder econômico e os modos de vida não hegemônicos, em desenhos e uma instalação que enfatizam os materiais utilizados – metal e madeira – e os atritos geradores de fluxos invisíveis, como uma metáfora política. “De alguma forma esse confronto entre materiais enseja choques comuns nas paisagens amazônicas”, afirma o antropólogo, jornalista e curador Fábio Zuker no texto que acompanha a mostra.

 

As obras da exposição são um desdobramento da pesquisa que o artista vem desenvolvendo há alguns anos com temáticas relativas às fricções presentes nas relações invisíveis dos processos civilizatórios. A pesquisa, que antes era focada na América, atualmente tem se concentrado na Amazônia. Os trabalhos surgem a partir da reflexão sobre a constante disputa de território causada pelo desmatamento desenfreado das reservas ambientais, pela industrialização, pela exploração mineral e pelas rotas de contrabando de drogas.

 

“Frederico rejeita o problemático lugar de ‘falar sobre’, para experimentar pensar esses processos de destruição a partir dos próprios materiais; como se as próprias palavras não bastassem, fossem insuficientes, ou mesmo desprovidas de significado”, diz Fábio Zuker.

 

 

Trabalhos em exposição

 

No grande salão da galeria, que tem 140m² e pé direito de 6,5m, estarão trabalhos feitos em metal. Dez grandes chapas de aço da série “Se uma lâmina corta um olho uma selva azul escorre dele” estarão neste espaço, apoiadas na parede. As chapas são pintadas com spray preto e arranhadas com metais, formando desenhos abstratos a partir do atrito dos materiais. “Esses trabalhos têm um caráter abrasivo, de atrito, como uma metáfora da situação atual de conflito”, afirma o artista, que diz, ainda, que a abstração é proposital para enfatizar os materiais.

 

“A escolha dos materiais não é fortuita. Embora ambos sirvam de suporte ao desenho, território em que Frederico se sente à vontade e se identifica, os materiais estão em patente confronto, e tudo se passa como se os trabalhos fossem resultados desses embates. No caso das lâminas pretas, a agressividade do material libera seus próprios fluxos de imagens, quer como desenhos, aleatórios (próprios ao corte e manejo das chapas), quer pela mão do artista”, ressalta Fábio Zuker.

 

Nas paredes desta mesma sala estará a obra “Cobra Criada”, que dá nome à exposição e é feita com correntes de motosserra dispostas como se fossem palavras. Ao olhar de longe, a sensação é de haver uma frase escrita, mas de perto descobre-se que são objetos cortantes. “Trato do discurso das autoridades em relação à questão do desmatamento e dos projetos de infraestrutura que desestabilizam a ordem anterior. Se a motosserra corta, o trator perfura, o discurso vazio dispara esse processo escondido em relações públicas. Os textos são como uma dissolução da gramática e falam sobre uma linguagem não decifrada”, ressalta o artista.

 

“Ao se aproximar daquilo que de longe aparenta ser um conjunto de frases articuladas na parede da primeira sala da exposição, Cobra Criada, o espectador se depara com diferentes níveis alinhados de correntes de motosserra. Diante dessa ferramenta de destruição e construção (destruição de mundos, e construção de outros sobre as ruínas do que antes existia), os discursos articulados e a palavra escrita, se tornam vazios”, diz Fábio Zuker.

 

Na sala menor da galeria estarão os trabalhos em folhas de madeira, feitos com carvão e tinta asfáltica. Diversas lascas de madeira recebem desenhos pretos. “Nesses trabalhos utilizo materiais primários. O carvão é a transformação da madeira e a tinta asfáltica é o subsolo, de onde vem o metal”, conta o artista. “É como se cada fragmento de folhas de madeiras nativas fossem um fragmento de lembrança, uma testemunha viva. Ou, como diz o ditado, ‘a floresta tem mais olhos que folhas’”, ressalta.

 

 

Sobre o artista

 

Frederico Filippi nasceu em São Carlos, SP, 1983. Vive e trabalha em São Paulo). Dentre suas principais exposições individuais destacam-se: “O sol, o jacaré albino e outras mutações” (2016), na Athena Contemporânea, “Fogo na Babilônia”(2015), “Pivô”, em São Paulo e “Próprio Impróprio,” (2016), na Galeria Leme. Dentre as exposições coletivas mais recentes estão: “Com o ar pesado demais para respirar” (2018), na Galeria Athena; “Caixa Preta” (2018), na Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre; “in Memoriam” (2017), na Caixa Cultural Rio de Janeiro; “Cities and Memory – Biennial for photography and film” (2016), na Dinamarca; “Aparição” (2015), na Caixa Cultural Rio de Janeiro, entre outras. Realizou diversas residências na Costa Rica, Bolívia, e da 5a edição da Bolsa Pampulha (2013/2014), no Museu de Arte da Pampulha, em Belo Horizonte; La Ene (2013/2014), em Buenos Aires, Argentina; Ateliê Aberto #6 (2011/2012), na Casa Tomada, em São Paulo.

 

 

Até 06 de abril.

Bate-papo na Carpintaria

18/dez

A Carpintaria, Jardim Botânico, Rio de Janeiro, RJ, promove bate-papo com Luiz Zerbini nesta terça-feira, 18 de dezembro, das 19h às 21h.
Participam da conversa com o artista os convidados Carlito Carvalhosa, Fred Coelho e Alexandre Gabriel.   

Ao Quadrado no MARGS

13/dez

O Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli, Porto Alegre, RS, apresenta a galeria Iberê Camargo, a exposição “Ao Quadrado”, da artista Beth Turkieniez. Beth Turkieniez já soma mais de 40 anos de dedicação diária ao seu trabalho em artes plásticas: experimentando, reciclando e mergulhando em processos ao encontro de novos conceitos e novos olhares. A mostra “Ao Quadrado” compõe-se de 50 pinturas em formato quadrado, dispostas na sala de exposição em dois projetos que se fundem. São obras que apresentam técnicas e suportes diferentes, convidando o expectador, junto com a artista, a propor continuamente um novo significado aos trabalhos expostos. Beth também utiliza pigmentos indianos, com tintas que ela mesma produz. Os tons são trabalhados incansavelmente até se obter a intensidade e a opacidade que cada pintura requer, possibilitando uma série em conversa sem fim, entre as múltiplas composições possíveis, construindo e reconstruindo o grande quadrado.

 

 

A palavra da artista

 

“É importante para mim voltar a expor em Porto Alegre: primeiro, por ter sido o lugar onde nasci, onde construí muito da minha vida profissional, onde estudei com Iberê Camargo, Paulo Porcella, Stockinger, Tenius, Ado Malagoli e muitos outros. Onde cresci e amadureci, onde me tornei mãe, mulher e artista. Ao sair de Porto Alegre, enfrentei desafios: o começar de novo e de novo em uma cidade grande, onde a aspereza é a predominância, lidar com a solidão frequente, com o experimentar constante na arte e na utilização de novas técnicas, fazem realmente crescer… Fiz varias mostras individuais e coletivas, tanto no exterior quanto no Brasil, participei de muitas feiras de arte, ganhei prêmios no exterior e no meu país, mas só agora tenho novamente a oportunidade de mostrar o meu trabalho atual em Porto Alegre.”

 

 

Sobre a artista

 

Nasceu em 1950, em Porto Alegre, RS, vive e trabalha em São Paulo desde 1989. Estudou desenho no Atelier Livre de Porto Alegre com Paulo Peres e xilogravura com Danúbio Gonçalves. Também foi aluna em pintura de Ado Malagoli e Iberê Camargo, e dos escultores Sonia Ebling, Vasco Prado, Xico Stockinger e Carlos Tenius. Graduada em Artes Plásticas e Arquitetura pela UFRGS, onde desenvolveu pesquisas no campo da linguagem visual, bi e tridimensional. Realizou exposições individuais na Galeria Monica Filgueiras (São Paulo), 2017/2018 Ajoelhou tem que rezar (3 artistas), e “2018 200 anos dos direitos Humanos – artigo 30” e em coletivas na Pinacoteca de São Paulo, 2017 “Resistir é preciso”, mostra itinerante; Centro Cultural do Banco do Brasil São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, 2017/ 2018. Possui obras em acervos públicos como o Museu de Arte do Rio Grande do Sul – MARGS (Porto Alegre) Museu Kanagawa (Japão) Pinacoteca Aldo Locatelli (Porto Alegre) Palácio Dos Bandeirantes, “Galeria Dos Direitos Humanos” (São Paulo) Museu da Organização Pan-Americana de Saúde Pública (Washington) Galeria Sincromoart (Paris). Recebeu premiação em 1989 – 1.º Prix Canson d’art sur papier – Prêmio de Viagem | França.

 

 

Até 27 de janeiro de 2019.

Bechara em Lisboa/Pintura e instalação

26/nov

A galeria Carlos Carvalho Arte Contemporânea, Lisboa, Portugal, inaugurou a exposição individual Um raio todos os dias do artista José Bechara. A exposição reúne trabalhos produzidos a partir de 2017 e 2018 e inclui alguns inéditos. O conjunto é formado por cerca de 20 pinturas de grande, médio e pequenos formatos, muitas das quais produzidas com recurso ao processo habitual do artista: a intervenção de acrílico e oxidação de emulsões metálicas sobre lona usada de caminhão.

 

Nesta nova fase de trabalhos, José Bechara alarga o campo de pesquisa sobre o desenho, a pintura, a escultura e a instalação ao construir obras quase imersivas e expansivas que estendem a linha, a superfície, o plano a outras possibilidades, reconfigurando o espaço expositivo da galeria.

 

A exposição apresenta uma instalação inédita de grande escala, produzido a partir da ordenação no espaço arquitetônico de vidros planos e uma variedade de objetos em madeira, papel cartão, outros elementos metálicos e eventualmente mármore. O uso desta multiplicidade de materiais propõe uma discussão sobre fronteiras e gêneros das linguagens visuais fazendo colidir práticas oriundas das experiências escultórica, pictórica e gráfica. Situar o trabalho entre fronteiras, chamar atenção para uma permanente oscilação entregêneros constitui matéria fundamental nas investigações de Bechara. É esta impertinência e transitoriedade do seu trabalho que o artista transpõe para a própria existência.

 

A palavra do artista

 

Tudo é frágil em meu trabalho que contém esforço e dificuldades para emergir, assim como nós, indivíduos humanos. Embora possam parecer nascer de operações brutais os trabalhos podem quebrar-se, despencar de diferentes alturas, desfazer-se por uma perturbação inesperada do espaço ao redor. Minha geometria hesita. Ora aparece, ora desaparece. Falha, portanto, como falhamos. Esforça-se, como nos esforçamos para existir.

 

 

Sobre o artista

 

José Bechara nasceu no Rio de Janeiro em 1957, onde trabalha e reside. Estudou na Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV), localizada na mesma cidade. Participou da 25ª Bienal Internacional de São Paulo; 29ª Panorama da Arte Brasileira; 5ª Bienal Internacional do MERCOSUL; Trienal de Arquitetura de Lisboa de 2011; 1ª Bienalsur – Buenos Aires; 7ª Bienal de Arte Internacional de Beijing e das mostras “Caminhos do Contemporâneo” e “Os 90” no Paço Imperial – RJ. Realizou exposições individuais e coletivas em instituições como MAM Rio de Janeiro – BR; Culturgest – PT; Ludwig Museum (Koblenz) – DE; Instituto Figueiredo Ferraz – BR; Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre, BR; Fundação Calouste Gulbenkian – PT; MEIAC – ES; Instituto Valenciano de Arte Moderna – ES; MAC Paraná – BR; MAM Bahia -BR; MAC Niterói – BR; Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, SP, – BR; Museu Vale – BR; Haus der Kilturen der Welt – DE; Ludwig Forum Fur Intl Kunst – DE; Kunst Museum – DE; Museu Brasileiro da Escultura (MuBE) – BR; Centro Cultural São Paulo – BR; ASU Art Museum – USA; Museo Patio Herreriano (Museo de Arte Contemporáneo Español) – ES; MARCO de Vigo – ES; Es Baluard Museu d’Art Modern i Contemporani de Palma – ES; Carpe Diem Arte e Pesquisa – PT; CAAA – PT; Musee Bozar – BE; Museu Casa das Onze Janelas – BR; Casa de Vidro/Instituto Lina Bo e P.M. Bardi – BR; Museu Oscar Niemeyer – BR; Centro de Arte Contemporáneo de Málaga (CAC Málaga) – ES; Museu Casal Solleric – ES; Fundação Eva Klabin – BR; entre outras. Possui obras integrando coleções públicas e privadas, a exemplo de Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro – BR; Centre Pompidou – FR; Pinacoteca do Estado de São Paulo – BR; Ludwig Museum (Koblenz) – DE; ASU Art Museum USA; Museu Oscar Niemeyer – BR; Es Baluard Museu d’Art Modern i Contemporani de Palma – ES; Coleção Gilberto Chateaubriand/MAM RIO -BR; Coleção Dulce e João Carlos Figueiredo Ferraz/Instituto Figueiredo Ferraz – BR; Coleção João Sattamini/MAC Niterói – BR; Instituto Itaú Cultural -BR; MAM Bahia – BR; MAC Paraná – BR; Culturgest -PT; Benetton Foundation-IT/CAC Málaga – ES; MOLAA – USA; Ella Fontanal Cisneros – USA; Universidade Cândido Mendes – BR; MARCO de Vigo – ES; Brasilea Stiftung – CH; Fundo BGA – BR, entre outras.

 

 

Até 12 de janeiro de 2019.

Fundação Iberê Camargo/jantar e leilão

23/nov

Evento que acontece no dia 27 de novembro, em Porto Alegre, dá início a um programa anual, nos moldes aplicados por grandes instituições internacionais, através de obras doadas por artistas referenciais da arte brasileira e colecionadores que irão a leilão. Os artistas Vik Muniz, Nuno Ramos, José Bechara, Daniel Senise, Artur Lescher, Iole de Freitas, Karin Lambrecht e Maria Tomaselli estarão presentes no jantar. Na ocasião, a instituição lança o Clube Iberê

 

No dia 27 de novembro, terça-feira, a Fundação Iberê Camargo promove o primeiro grande jantar com leilão de obras de arte, dando início a um programa que será realizado anualmente, nos modelos praticados por grandes instituições culturais do mundo. O evento será realizado na Casa NTX. A Fundação espera receber cerca de 800 pessoas, que serão recepcionadas com uma apresentação da Orquestra Jovem do Rio Grande do Sul e menu especialmente preparado pelo Chef Lucio. Os convites ainda podem ser adquiridos telefone 51 3247.8000 ou pelo e-mail contato@iberecamargo.org.br.

 

Além de Vik Muniz e dos membros da Diretoria e Conselho da Instituição, autoridades e convidados, confirmaram presença no jantar os artistas Nuno Ramos, José Bechara, Iole de Freitas, Daniel Senise, Artur Lescher, Karin Lambrecht e Maria Tomaselli. O leilão será comandado pelo empresário Nelson Sirotsky, Vik Muniz e o marchand Jones Bergamin.

 

 

 

O leilão vai oferecer 13 obras de importantes artistas do cenário da arte brasileira, como José Bechara, Daniel Senise, Nuno Ramos, Vik Muniz, Cildo Meireles, Artur Lescher, Iole de Freitas, Siron Franco, Karin Lambrecht e Maria Tomaselli, além de três obras de Iberê Camargo. As obras foram doadas pelos próprios artistas – com exceção das obras de Karin Lambrecht, Siron Franco e de Iberê Camargo, que foram doadas por colecionadores. O valor arrecadado no evento vai contribuir para a realização das atividades da Fundação em 2019. Os interessados em dar lances no leilão e adquirir as obras, poderão conhecer as peças ao vivo, em um preview que será realizado na instituição até 25 de novembro. As visitas devem ser agendadas pelo telefone 51 3247.8000 ou pelo e-mail contato@iberecamargo.org.br.

 

Uma comissão liderada pela Cônsul honorária da Holanda, Ingrid de Kroes, está mobilizando a sociedade gaúcha para o jantar. Juntas, já comercializaram cerca de 600 convites. São elas: Fernanda Maisonnave, Adriane Kiperman, Ana Espíndola, Ana Logemann, Anna Paula Ribeiro, Anik Suzuki, Audrey Randon, Bruna Stern, Bettina Becker, Carol Logemann, Caroline Kreling, Cecilia Schiavon, Claudia Bartelle, Claudia Wolf Ling, Clenir Wengenovicz, Dulce Helene Goettems, Elisabete Brochmann, Giovana Stefanini, Goia Cairoli, Glaucia Stifelman, Jaqueline Testa, Josiane Castro, Karla Johannpeter, Laura Malcon, Laura Ormazabal Moura, Livia Bortoncello, Maria Elena Johannpeter, Marina Sirotsky, Mauren Motta, Nara Sirotsky, Olga Velho, Paula Weber Rosito, Priscilla Nunes, Renata Weisheimer Rohde, Sandra Echeverria, Sandra Ling e Silvana Zanon.

 

Para viabilizar o jantar e o leilão, a Fundação Iberê Camargo contou com o patrocínio das seguintes empresas: Dufrio (patrocinador Master), Meta, Somma Investimentos, Carpena Advogados, Urban Advisors e Pestana Leilões. Estas empresas assumiram todos os custos para a realização do evento.

 

Na ocasião, também será lançado o Clube Iberê – um projeto que tem como objetivo a criação de um sistema de governança sustentável para a FIC, entregando para seus associados uma série de experiências culturais exclusivas. Com o intuito de fortalecer o movimento cultural e criar espaços para reflexão a partir da arte e suas relações, o Clube Iberê possibilitará aos seus associados a oportunidade de fazer parte da história da Fundação, contribuindo para a construção de um ambiente cultural cada vez mais diverso, inclusivo e transformador e potencializando o acesso à programação cultural.

 

Serviço – Jantar Clube Iberê

Dia 27 de novembro, terça-feira, a partir das 20h

Leilão de obras de arte | lançamento do Clube Iberê | apresentação da Orquestra Jovem do Rio Grande do Sul

Local: Casa NTX | Av. das Indústrias, 1395 – Anchieta, Porto Alegre – RS (em frente ao Aeroporto Internacional Salgado Filho). Convites a R$ 500,00 por pessoa. Informações pelo telefone 51 3247.8000 ou pelo e-mail contato@iberecamargo.org.br.

 

 

Até 25 de novembro – Preview das obras leiloadas

Local: Fundação Iberê Camargo – Avenida Padre Cacique, 2000

Agendamento de visitas pelo telefone 51 3247.8000 ou pelo e-mail contato@iberecamargo.org.br.

 

 

Sobre a Fundação Iberê Camargo

 

A Fundação Iberê Camargo é uma instituição privada sem fins lucrativos, criada em 1995, a partir de um desejo do próprio artista e sua esposa, Maria Coussirat Camargo, e com o apoio de amigos e empresários de Porto Alegre.

 

Há 22 anos, a Fundação desenvolve ações culturais e educativas com a missão de preservar o acervo, promover o estudo, a divulgação da obra de Iberê Camargo e estimular a interação de seu público com arte, cultura e educação, por meio de programas interdisciplinares. Seu acervo é formado por um núcleo documental, composto de documentos e imagens relacionadas à vida e à obra do artista, e um núcleo com a coleção Maria Coussirat Camargo, que inclui pinturas, gravuras, guaches, desenhos e estudos de Iberê Camargo, obras que o casal acumulou durante a vida.

 

A Fundação Iberê Camargo tem o patrocínio de  Itaú, Grupo GPS, IBM, Oleoplan, Agibank, BTG Pactual, Banrisul e apoio SLC Agrícola, Sulgás e DLL Group, com realização e financiamento do Ministério da Cultura / Governo Federal. Hotel oficial: Ibis Styles Porto Alegre. Serviços de tradução: Traduzca. Patrocinador do projeto Iberê nas Praças: Corsan – Companhia Riograndense de Saneamento. Apoiador da exposição Subversão da Forma: Unisinos.

 

 

Sobre Iberê Camargo

 

Restinga Seca, 1914 – Porto Alegre, 1994 – Iberê Camargo é um dos grandes nomes da arte brasileira do século 20. Autor de uma extensa obra, que inclui pinturas, desenhos, guaches e gravuras, Iberê nunca se filiou a correntes ou movimentos, mas exerceu forte liderança no meio artístico e intelectual brasileiro. Dentre as diferentes facetas de sua vasta produção, o artista desenvolveu as conhecidas séries Carretéis, Ciclistas e As idiotas, que marcaram sua trajetória. Grande parte de sua produção, estimada em mais de sete mil obras, compõe hoje o acervo da Fundação Iberê Camargo.

 

 

Geometria na SIM Galeria

05/out

A exposição coletiva que a SIM Galeria, Jardins, São Paulo, exibe sob o título “Geometria em Síntese”, traz a assinatura de Felipe Scovino na curadoria.

 

Artistas participantes

 

Amalia Giacomini, Amilcar de Castro, Daniel Feingold , Eduardo Coimbra, Geraldo de Barros , German Lorca, Hélio Oiticica, Hércules Barsotti , José Oiticica Filho, Luiz Sacilotto, Maria Laet, Mira Schendel, Paulo Roberto Leal, Ricardo Alcaide, Ruben Ludolf, Sergio Camargo, Wanda Pimentel e Willys de Castro.

 

 

 

Geometria em síntese

Por Felipe Scovino

 

As experiências construtivas no Brasil têm sido objetos constantes de exposições, livros e ensaios nos últimos tempos. Coloco-as no plural porque são inúmeras as especificidades desses trabalhos que foram desenvolvidos com maior densidade entre os anos 1950 e 1970. Definitivamente não houve um projeto construtivo, mas uma vontade plural em rever os caminhos da arte. Passado o modernismo e o seu desejo de construir e discutir uma identidade nacional pautada no indivíduo antropófago que se voltava simultaneamente às suas origens, ao contágio estrangeiro e ao tempo presente, as experiências construtivas se veem localizadas no bojo de um tempo, que, por um lado, se constituía de forma rápida, dinâmica e desenvolvimentista, e, por outro, era marcado por demandas sociais e políticas, envolvendo especialmente o que poderíamos definir como políticas do corpo –  o movimento hippie, o Flower Power, as Panteras Negras, o maio de 68, movimentos reivindicando o direito das mulheres, etc., se constituem no panorama desse período. É o ambiente para a aparição do neoconcretismo, por excelência.

 

Contudo, no início dos anos 1950, em meio à construção de Brasília, ao plano de Metas de JK, à industrialização e ao desenvolvimento da ciência, no plano das artes, em específico, é o momento em que a institucionalização da arte constrói uma nova ideia de espaço moderno, como pode ser observado na fundação dos museus de arte moderna no Rio e em São Paulo, além da criação do MASP e da Bienal de São Paulo. Havia um desejo de mudança pautado na chegada do abstracionismo no panorama da produção das artes plásticas e de inserir o país dentro de uma projeção internacional, especialmente quando a Bienal foi instituída. Por falar em campo político das artes, nota-se que todas as obras apresentadas foram produzidas após a realização do Salão Preto e Branco, que ocorreu em 1954. Ele foi um protesto contra o descaso do governo frente às necessidades de materiais adequados à nossa produção visual. A insatisfação dos artistas – tendo à frente Djanira, Iberê Camargo e Milton Dacosta – tem origem em 1952, quando a Carteira de Exportação e Importação do Banco do Brasil cassa as licenças de importação de tintas estrangeiras, com a justificativa de se encontrar a indústria local apta a satisfazer as necessidades dos artistas. O resultado foi a realização do Salão Preto e Branco e pouco tempo depois a possibilidade da geração seguinte de artistas – os concretos e neoconcretos – ter as tintas importadas e uma nova tecnologia de produção ao seu dispor.

 

O que essa exposição quer destacar não é só o papel de destaque que o pensamento construtivo exerceu nas artes visuais brasileiras (e o seu prolongamento, com nuances e especificidades próprias, no contemporâneo), mas também uma espécie de contraponto ao aspecto solar do projeto moderno brasileiro. Ao escolher obras produzidas em preto e branco e em sua maioria realizadas entre os anos 1950 e 70, destacam-se a ideia funcional e projetual da arte; a associação cada vez mais substancial, no início dos anos 1950, entre as experiências construtivas nas artes plásticas e o campo da fotografia (em especial, a presença dos olhares sensíveis e potentes de German Lorca, Geraldo de Barros, José Oiticica Filho e dos desenhos construtivos constituídos e observados a partir de ações e percepções singelas do cotidiano); e uma austeridade e complexidade próprias nessa escolha minimalista por parte dos artistas. Em relação a essa característica, cito o caso exemplar e pioneiro das Fotoformas, de Geraldo de Barros. A fotografia deixa de ser “o espelho da realidade” para se tornar espaço de invenção. A linha não é mais uma linha, nem o plano é mais um plano, distorcendo Theo van Doesburg e sua teoria da arte concreta. Barros funde fotografia e pintura, invenção e realidade.

 

Não há uma preocupação imediata com questões de identidade nacional nesses compromissos estéticos, mas um anseio legítimo e autoral de investigar a forma e a função do objeto de arte. Seja experimentando as novas percepções ópticas do objeto, seja investigando e ampliando as fronteiras da pintura e da escultura, esses artistas tinham um interesse em comum: associar de forma ainda mais duradoura a arte e o cotidiano. Portanto, a passagem do plano ao espaço, valorizada por uma crítica mais formalista a respeito dessas produções cinéticas e concretas, pode ser entendida também como uma perspectiva fundamental para se entender a ligação de artistas como Geraldo de Barros, Hércules Barsotti e Willys de Castro com as experiências da cidade, em especial suas produções de cartazes e móveis.

 

A escolha de obras fora desse arco temporal – décadas de 50, 60 e 70 – nos mostra o quanto esses gestos e ideias foram definidores de uma nova forma de pensar e produzir arte. Obras como as de Amalia Giacomini, Daniel Feingold, Maria Laet e Ricardo Alcaide têm as linguagens construtivas como referente, mas, acima de tudo, penso que elas mobilizam um repertório de delicadeza, suavidade e harmonia que leva o entendimento sobre o construtivo para outras fronteiras e percepções. Paulo Roberto Leal alia o silêncio do branco a uma forte tensão e suavidade com a ideia de pintura. Eduardo Coimbra é mais um dos artistas que não realizam uma adequação contemporânea do legado construtivo, mas investigam esse signo a seu modo, aproximando arte, arquitetura e cidade. Suas obras nos parecem uma visão aérea de um aglomerado de elementos cúbicos e planos superpostos que remetem à urbe. As presenças de Mira Schendel, com seus estudos para os Sarrafos, e Wanda Pimentel, artistas com estudos transversais sobre o construtivo, refletem esse estado de invenção que a exposição elabora e a forma como linguagens conceituais se aproximaram das tendências construtivas.

 

 

Até 27 de outubro.