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AGENDA CULTURAL

“Moradas”, instalação&bordados

10/out

A Galeria Pretos Novos de Arte Contemporânea, Gamboa, Rio de Janeiro, RJ, inaugura dia 13 de outubro, “Moradas”, exposição individual de Angela Camara Correa. A curadoria é de Marco Antonio Teobaldo. Esta é a primeira vez, desde a sua fundação, que a galeria realiza uma exposição cujas principais obras exibidas foram criadas com a participação de seus visitantes. “Moradas” foi concebida com pouco mais de 1.200 rosas, cujos caules foram cortados e reunidos com alfinetes, formando pequenas armações em formatos de casas. Uma parte destes objetos é justaposta na parede e o restante, é pendurada por fios de nylon descendo do teto. De acordo com a artista, este trabalho foi idealizado a partir da sua necessidade de oferecer simbolicamente algum tipo de morada para os Pretos Novos.

 

“Toalha de viagem” é uma obra criada a partir da toalha de mesa herdada de sua família alemã e que viaja com ela para os mais remotos cantos para, junto com os moradores locais, compartilhar momentos de conversas ou até mesmo refeições, enquanto fluem os bordados em linha vermelha. O curador da mostra explica que, a partir deste mesmo princípio, em março deste ano, Angela depositou sobre a mesa de leitura da biblioteca do Instituto Pretos Novos (IPN) uma toalha de mesa que ganhou do hotel onde estava hospedada e deixou novelos de linha vermelha e um conjunto de agulhas para quem quisesse deixar algum registro.

 

A instalação “Sopro” é composta por uma escultura em gesso, feita a partir da técnica de modelagem com a cabeça da artista e enterrada em um grande volume de sal grosso disposto no chão da galeria. Segundo a artista, a obra sugere que a partir da representação do seu corpo deitado, como se tivesse aspirando o ar para cima, impulsionasse uma matéria etérea de suas moradas para o alto.

 

A partir da pergunta “O quê nos une?” um grupo de pessoas convidadas pela artista respondeu individualmente com bordados em linha vermelha em voil. Razão pela qual, muitos deles estão escritos em português e alemão, reunindo mais de 500 participantes, desde a sua concepção, iniciada em 2003.

 

Composições criadas a partir de registros fotográficos encontrados nos álbuns da família da artista, reiteram este delicado tratado de sua ancestralidade com a série “Enlaços”. Bordados que lembram acabamentos de panos de prato, reúnem retratos com as três últimas gerações de mulheres (avó, mãe e ela mesma). Enquanto que em “Entrelaços”, imagens do casal de avós maternos são cobertas por um papel transparente, com impressões de sombras de flores e folhas.

 

O curador Marco Antonio Teobaldo revela que “…os vestígios das memórias da artista se materializam com a sua surpreendente capacidade de preservar e ressignificar objetos pessoais, que são verdadeiras relíquias de seu passado, como o vestido de noiva de sua avó, exibido ao lado de seu pequeno vestido de batizado, na instalação “Ser em ser”. Com as marcas deixadas pelo tempo, estas duas peças de vestuário cerimonial religioso evocam a resistência da matéria frágil e o reencontro de histórias”.

 

Sobre a artista

 

A artista visual Angela Câmara Correa é paulistana e vive há mais de 20 anos na Alemanha, onde trabalha como professora e desenvolve sua pesquisa e boa parte da produção artística, que trata de questões da sua memória afetiva. Fazendo uso de técnicas variadas, como desenho, pintura, escultura, bordado, fotografia e assemblages, a artista cria um repertório que, de uma forma ou de outra, remonta algumas passagens de sua vida ou de seus familiares. Este vínculo com as suas origens a estimula a vir periodicamente ao Brasil, mais precisamente na região Amazônica, para participar de projetos sociais junto às populações ribeirinhas e germinar novas propostas de trabalhos artísticos.

 

 

Abertura: 13 de outubro de 2018 às 12 horas.

 

Visitação: de 16 de outubro a 01 de dezembro.

Jovens artistas cariocas em SP

A Fortes D’Aloia & Gabriel Galeria, Vila Madalena, São Paulo, SP apresenta a exibição coletiva “Crônicas urgentes” na qual reúne três pintores cariocas, Maxwell Alexandre, Marcela Cantuária e Victor Mattina. A produção do trio aproxima-se por meio da escolha da narrativa como elemento central de suas pinturas. A urgência, presente no título, desvela uma relação paradoxal na composição de suas obras: em uma era de produção constante e saturação das imagens, seus traços eternizam na tela narrativas atreladas ao calor do momento, fazendo emergir histórias e personagens antes marginalizados ou de presença pouco frequente no circuito da arte contemporânea.

 

Maxwell Alexandre (Rio de Janeiro, 1990) tece narrativas pictóricas a partir de sua vivência em seu local de nascimento, a comunidade da Rocinha, na capital carioca. Seu vibrante vocabulário visual articula cenas e personagens que, usualmente invisibilizados, ganham corpo e contorno em um momento político de disputa de narrativas e revisões historiográficas.

 

Marcela Cantuária (Rio de Janeiro, 1991) apropria-se de imagens de backgrounds diversos – fotografias de cunho político, frames de documentários, registros pessoais – para tecer histórias que encadeiam e reimaginam narrativas femininas, episódios históricos e o cotidiano social da cidade do Rio, onde vive e trabalha.

 

Victor Mattina (Rio de Janeiro, 1985) aborda a pintura de maneira análoga à de um ficcionista. Utilizando como ponto de partida fotografias de seu acervo pessoal ou retiradas de livros e pesquisas na internet, o artista explora a sobreposição de espaços e personagens de naturezas conflitantes, resultando em uma costura visual autoral de alta voltagem poética.

 

 

De 16 de outubro a 21 de dezembo.

Vídeos de Anna Bella Geiger

09/out

Chama-se “Qualquer direção fora do centro” a exposição de Anna Bella Geiger, atual cartaz no Hall e Galeria subsolo da Escola de Artes Visuais do Parque Lage, Jardim Botânico, Rio de Janeiro, RJ. A curadoria é de Ulisses Carrilho e estende-se até 28 de outubro.

 

 

A palavra do curador

 

Anna Bella Geiger experimentou a passagem do moderno para o contemporâneo no seu processo de trabalho com excelência e fôlego, interpelando as diversas possibilidades de uma arte sempre compromissada com seu tempo, mas não subalterna a ele. Nos anos 1970, a partir de uma inquietação profunda em relação à natureza do objeto de arte, enveredou suas investidas artísticas para uma multiplicidade de mídias como fotomontagem, fotogravura, fotocópia, serigrafia, vídeo, super-8 e diapositivos produzindo trabalhos que exacerbam categorias estanques. Seus trabalhos rasuram as fronteiras do público e do privado, vão da escala espacial ao âmbito doméstico com uma coerência de indagações que dá dimensão pública a questões que poderiam ter ficado restritas à esfera da autoexpressão.

 

Artista que reconfigura os contornos e o pertencimento do Brasil e da América Latina por meio de geografias físicas e humanas, Geiger atesta a impossibilidade de ser o outro e mergulha cartografias num vazio abissal. Os mapas, ao passo que orientam, também são formas apartadas do resto do mundo e resultam num singular uso da cor, que já se anunciava em suas gravuras da série Visceral (anos 1960). A partir das similaridades e possibilidades de articulação formal entre o mapa brasileiro e latino-americano, desvenda esquemas ideológicos sedimentados por meio de comparações antropomórficas. Os meios técnicos apresentam-se como desdobramentos possíveis para uma investigação conceitual e filosófica, o que resta claro para aqueles que têm o privilégio de seguir seus cursos na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. A pulsão gráfica, lida frequentemente nos trabalhos em gravura e serigrafia, por exemplo, revela-se também nos vídeos “Passagens 1” e “Passagens 2”, que pontuam o início desta mostra: a imagem bidimensional do vídeo sugere a escada como linhas, pautas de um caderno em branco, que inscrevem este corpo feminino na narrativa inaugurais da videoarte brasileira e internacional.

 

A produção de Anna Bella Geiger renova o entendimento de circulação das imagens e da formação de memória. Interpela aquilo que dá forma ao contemporâneo e o deforma, convoca os mitos do passado, faz presentes hoje. Neste ano, o Programa de Formação e Deformação da EAV Parque Lage tomou como rota a frase e a insígnia desenhadas por Anna Bella Geiger no vídeo “Centerminal” (1974), filmado um ano antes da fundação da escola livre, na floresta que integra o Parque Lage. Como estratégia curatorial, esta mostra foi pensada propositadamente para três locais de passagem, tema caro à artista – entrada do Palacete, galeria do Salão Nobre e corredor do subsolo – orientando-se para qualquer direção fora do centro. Esta postura crítica em relação à arte, sua natureza e suas possibilidades são marcas de uma produção que renova sua importância histórica a partir da sua pertinência e atualidade.

Ulisses Carrilho

 

 

Sobre a artista

 
Graduada em Letras Anglo-Germânicas pela UFRJ e em Sociologia da Arte pela New York University. Realizou exposições, recebeu prêmios e bolsas no Brasil e no exterior. Seus trabalhos integram coleções como a do MoMA (Nova York) e a do Centre Georges Pompidou (Paris). Publicou, com Fernando Cocchiarale, o livro “Abstracionismo geométrico e informal” (Funarte, 1987).

Individual de Hugo Houayek

O artista Hugo Houayek apresenta a exposição “Cimento manchado de batom” na Simone Cadinelli Arte Contemporânea, Ipanema, Rio de Janeiro, RJ, composta de obras à base de esmalte de unha, cimento e batom.

 

No lugar das tintas a óleo, acrílicas ou aquarelas, pequenas pinceladas de esmalte de unha e muitas camadas de batom. A relação corpo-pintura é abordada através das obras do artista, que ocupam os dois andares da galeria Simone Cadinelli Arte Contemporânea, a partir do dia 10 de outubro, com curadoria de Raphael Fonseca (curador do Museu de Arte Contemporânea de Niterói). “Cimento Manchado de Batom”, sua sexta individual, apresenta trabalhos elaborados nos últimos anos de sua pesquisa como artista visual, a maioria deles desenvolvida durante o seu doutorado em Linguagens Visuais na Escola de Belas-Artes da UFRJ.

As obras selecionadas abrangem tanto pinturas quanto objetos que, de diferentes maneiras, formam uma posição crítica em seu pensamento pictórico. O artista possui uma longa pesquisa sobre o campo da pintura, suas margens e limites, como um corpo que não para de olhar incessantemente.

 

 

A palavra do artista

 

“Sempre existiu o desejo dentro da história da pintura em fazer da tela uma pele e a própria pintura um corpo. É análogo ao desejo de Pigmaleão de dar vida à sua escultura. Então, esses materiais – batom, esmalte -, que são usados para cobrir o corpo humano, de maneira que o corpo vire tela, vira uma pintura. Nesses trabalhos estabeleço uma relação metafórica entre o corpo humano e a pintura.  Toda pintura seria um corpo maquiado”.

 

 

Além das pinturas feitas sobre papel A4 e A5, as esculturas – feitas em cimento pintado, de tamanhos variados, algumas com formas orgânicas – são pintadas com spray de tinta acrílica e também entram na relação metafórica com o corpo humano. Ou seja, a escultura também quer ser corpo.

 

 

A palavra do curador

 

“Os materiais utilizados em algumas dessas obras escapam das matérias tradicionalmente usadas na prática da pintura e ampliam o seu campo. A relação entre a banalidade dessas opções de técnicas e a suposta erudição da prática pictórica é tensionada e revista pelo olhar do artista”.

 

 

Sobre o artista

 

Hugo Houayek desenvolve uma pesquisa artística sobre o campo pictórico, suas margens e limites, entendendo a pintura como um corpo de mil olhos que não para de olhar incessantemente. De maneira que a pintura se comporta como uma linguagem, com todas as suas imperfeições, impossibilidades e fracassos. Doutorando na Linha de Linguagens Visuais no programa de pós-graduação em Artes Visuais da Escola de Belas Artes na UFRJ. Possui Mestrado em Linguagens Visuais (2010) e graduação em Pintura (2006) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Foi professor substituto no curso de Artes Visuais na EBA na UFRJ.

 

 

Sobre o curador

 

Raphael Fonseca é pesquisador nas áreas da Curadoria, História da Arte, Crítica e Educação. Curador do MAC-Niterói e professor do Colégio Pedro II. Doutor em Crítica e História da Arte pela UERJ. Recebeu o Prêmio Marcantonio Vilaça de curadoria (2015) e o prêmio de curadoria do Centro Cultural São Paulo (2017). Curador residente na Manchester School of Art (maio-agosto de 2016).

 

 

Até 10 de novembro.

Wagner Barja na Adrea Rehder

Galeria Andrea Rehder, Jardins, São Paulo, SP, apresenta a partir do dia 20 de outubro a exposição “Experiência Tumulto IV”, um desdobramento da obra de Wagner Barja, com curadoria de Fábio Magalhães. O artista aprofunda e demonstra nessa quarta série o seu interesse pelo simbolismo expresso na instalação “Jonas, o profeta”, exibida em 2015 no CCBB/ DF. Barja traz pela primeira vez sua obra a São Paulo e para essa segunda versão de Jonas, trabalha com três espaços contíguos da galeria onde instala três peças de alumínio e as faz conviver com elementos das tecnologias digitais para criar ambientes imersíveis para os visitantes.

 

 

Sobre a exposição

 

‘’No silêncio do olhar, a obra plástica de Wagner Barja desencadeia processos de reflexão. Para ele, a arte é sobretudo coisa mental. Suas instalações nos levam a transpor o espaço que habitamos (zona de conforto) para vivenciarmos novas experiências frente às provocações de sua plástica. Essas provocações têm como ponto de partida a forma, o material, o espaço, a luz/sombra, ou seja, o impulso de linguagem é eminentemente plástico – e intrigante pelas associações de significados diversos que o artista constrói a partir de objetos híbridos.  O percurso de fruição desta instalação traz um emaranhado de possibilidades interpretativas advinda de símbolos e mitos, ainda assim, somos conduzidos pelas tramas poéticas que o artista urdiu. O título da obra, Tumulto IV, é a porta de entrada para nossa experiência artística, é um tema para nossas reflexões – tumulto é uma irrupção, uma invasão súbita, um transbordamento da ordem que altera e põe em risco o ritmo natural das coisas. Associado ao nome do profeta Jonas, os ossos da baleia nos apontam para o tema bíblico, para a destruição de Nínive, séculos antes da nossa era. Nos faz pensar sobre o poder, a crueldade e a violência.

 

Deus ordena a Jonas: “Levanta-te, vai à grande cidade de Nínive, e clama contra ela, porque a sua malícia subiu até à minha presença.” Jonas 1:2 Em apertada síntese do relato bíblico: Jonas, temendo a truculência dos assírios, foge e descumpre a ordem divina. Na fuga o profeta embarca para Társis, mas Deus provoca uma tempestade que só termina quando Jonas é atirado ao mar. Surge nesse momento um enorme peixe branco que o engole. Jonas sobreviveu por três dias e três noites no ventre do monstro, para ser expelido depois de arrepender-se e clamar por perdão. O profeta cumpre então seu desígnio e ao chegar a Nínive faz com que os cidadãos se arrependam de sua conduta sanguinária. Nesta obra Wagner Barja trabalha conceitos de território, de imersão, de inclusão e de afastamento. Faz referências à noção do sagrado, como espaço protegido e de espaço profano, sujeito às forças da natureza. Há proximidade, inclusive, com mitos de origem da cultura Tupinambá (Monan e o dilúvio). O artista já havia tratado o tema Tumulto na instalação realizada em 2015 no CCBB, em Brasília, na qual, as ossadas de baleia portavam nas suas cavidades imagens em vídeo de águas oceânicas – reminiscências de seu elemento natural, do vasto território das suas origens.

 

Na instalação Tumulto IV realizada para a Galeria Andrea Rehder, Wagner Barja apresenta as vértebras, costelas e respirador da Baleia-jubarte, fundidas em alumínio e acrescenta plumárias vermelhas de guará, ave que habita os mesmos manguezais onde foram encontrados os sambaquis com as ossadas da baleia. As esculturas aladas surgem na obra do artista como objetos híbridos, como coisas ou seres fora do lugar; como animais monstruosos, em outras palavras, maravilhosos – como no texto de seres imaginários de Jorge Luis Borges. Vale sublinhar que a beleza da plumária escarlate do Guará deve-se à ingestão de um tipo de caranguejo. Outro protagonista de Tumulto IV é a força permanente das águas oceânicas que atravessam o espaço das ossadas. Barja trabalhou o tema do Tumulto com a inclusão de símbolos contraditórios; com a arqueologia do tempo, de tempos ancestrais como gênesis do presente. Tumulto IV é uma obra que perturbadora. Wagner Barja estabelece relações poéticas com o texto bíblico. Relato do Antigo Testamento farto de crueldade e violência, como nos tempos atuais.’’

Fábio Magalhães

Primavera 2018

 

 

Sobre o artista

 

Wagner Barja, Rio de Janeiro, é artista plástico e educador. Mestre em arte e tecnologia das imagens, pela Universidade de Brasília (UnB). Notório saber em Teoria e História da Arte, Plástica e Arte-Educação, pelo Conselho Superior de Educação/ME. Suas obras fazem parte das principais coleções privadas e acervos institucionais, como, Museu de Arte do Rio MAR, Museu Nacional de Belas Artes RJ, Museu de Arte de Brasília MAB, Museu ONCE, Madri, Espanha, Coleção Cândido Mendes, Coleção Sérgio Carvalho entre outros.

 

 

Sobre o curador

 

Fábio Luiz Pereira de Magalhães (São Paulo SP 1942). Pintor e desenhista. Cursa história da arte no Masp, com Wolfgang Pfeiffer, e estuda com Nelson Nóbrega na Escola de Arte da Faap. Em 1964, viaja para Paris, França, onde freqüenta o Instituto de Arte e Arqueologia e entra em contato com os integrantes do movimento internacional Phases. Nesse mesmo ano, é selecionado pelo MAC/SP para representar o Brasil, ao lado de outros artistas, no Salon Comparaisons de Paris. Ao longo de sua carreira, exerce várias atividades dentre elas: diretor da Pinacoteca do Estado de São Paulo; membro da Comissão de Arte do MAM/SP (1978 a 1980);  conservador chefe do Masp (1990)  e curador das exposições Coleção Pirelli/Masp. Entre as exposições de que participa, destacam-se: Salão do Trabalho, São Paulo, 1962/1963 (Menção Honrosa, 1963); Salão Paulista de Arte Moderna, São Paulo, 1963/1964 (Menção Honrosa, 1963); Exposição do Jovem Desenho Nacional, Porto Alegre e São Paulo, 1963/1965 (Menção Honrosa,  1963); Propostas 65, na Faap, São Paulo, 1965; Bienal ao Ano 2000, no MAC/USP, São Paulo, 1975; Salão Nacional de Artes Plásticas, Rio de Janeiro, 1981.

 

 

De 22 de outubro até 22 de novembro.

Arte Democracia Utopia

08/out

O Museu de Arte do Rio – MAR, Centro, Rio de Janeiro, RJ, exibe ao público a exposição “ARTE DEMOCRACIA UTOPIA – Quem não luta tá morto”. Assinada por Moacir dos Anjos, um dos mais importantes curadores do país, com passagens pelas Bienais de São Paulo e Veneza, a mostra faz parte do programa de comemoração dos cinco anos da instituição.

 

Sem ter pretensão de apresentar um panorama conclusivo, a exposição traz exemplos do pensamento utópico que marca a arte brasileira recente. Trabalhos artísticos realizados em momentos passados também encontram-se presentes, além de propostas e ações realizadas por grupos comunitários, associações e outras articulações da sociedade civil que visam a construção de estruturas de atuação política e social.

 

“Quem não luta tá morto” é a frase gritada por muitas e muitos dos que teimam em construir, em estado de constante disputa, lugares e tempos mais generosos e inclusivos. É frase dita bem alto, em particular, por aquelas e aqueles que buscam fazer valer, no Brasil, o direito constitucional à terra e à moradia. Frase que sintetiza a certeza vital que move a construção utópica: a impossibilidade de estancar a busca do que se deseja e do que se precisa. Mas se a única alternativa à morte é a luta, é dolorosamente claro que a luta não impede a suspensão da vida, que quem luta também morre – com frequência justo por sua combatividade, por sua gana de inventar um mundo mais largo. Gente que é morta por querer impedir as mortes lentas que a existência precária fabrica, espelho das desigualdades abissais que fundam e estruturam o país. As mortes de quem luta se transformam, por isso, em imperativo ético de resistência para quem fica; de fazer valer, a despeito de tudo, o valor da vida.

 

Se o assassinato de Marielle Franco é tentativa bárbara de sustar a potência da vida imaginada que a movia, o surgimento de mais e mais pessoas dispostas a publicamente sustentar e assumir, para si, as lutas pelas quais ela foi morta, é a tradução concreta da expressão Marielle Vive. Adotar aquela palavra de ordem como título da exposição é, portanto, querer estar junto, é querer fazer multidão. É lembrar que, enquanto houver desigualdades de acesso à condição de vida que para alguns já existe há muito, a história não tem fim”.

 

 

Fórum #MARaberto

 

Em paralelo à exposição, o Museu de Arte do Rio construiu o #MARaberto, um fórum pensado como lugar de encontro, discussão e ocupação, localizado nos pilotis do museu. A ideia é acionar vínculos entre arte, cultura, sociedade e política, gerando experimentos, reuniões, ensaios, oficinas, performances, saraus e o que mais for possível. Além de uma programação promovida pelo museu, com debates entre acadêmicos, artistas, lideranças e outros colaboradores, foi lançada uma convocatória para que coletivos, movimentos sociais ou iniciativas de outros formatos ocupem o fórum com as atividades que já realizam em outros lugares.

 

Universo maranhense

No Dia das Crianças, o Museu Afro Brasil, Parque do Ibirapuera, São Paulo, SP, uma instituição da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo gerida pela Associação Museu Afro Brasil – organização social de cultura, abre as portas para receber duas novas exposições que revelam a pulsante diversidade artística do Maranhão: “Hiorlando” e “Afetos”. As exposições fazem parte da programação em comemoração ao aniversário do Museu Afro Brasil, que celebra catorze anos de existência no próximo dia 23 de outubro.

 

 

 

Sobre Hiorlando

 
Hiorlando é o nome adotado pelo artista João Pereira Marques, que apresenta no Museu Afro Brasil 100 esculturas em madeira da sua fauna lúdica e animada composta por girafas, peixes, sapos, jacarés, cachorros, entre outros bichos fartamente coloridos. “Os bichos de olho vivo e cara sapeca marcam o trabalho de Hiorlando e carregam sua alma”, destaca Paula Porta, curadora da exposição.
Nascido no povoado João Peres, no município de Araioses, no Maranhão, em 1963, Hiorlando começou a esculpir há pouco mais de dez anos, quando um acidente o afastou do trabalho de estivador marítimo e acabou permitindo que seu talento artístico se desenvolvesse. Galhos do cajueiro, tamboril e cedro são os tipos de madeira que edificam as esculturas do artista, que estão divididas em três categorias: bichos da água, do seco e do imaginário. Um deleite ao público infantil.

 

 

Afetos

 
A exposição traz um panorama do trabalho do fotógrafo paulistano Edgar Rocha, estabelecido no Maranhão há mais de 40 anos. São 41 fotografias que passeiam por temas como o patrimônio cultural, os navegantes e as celebrações do povo maranhense.
”O trabalho de Edgar Rocha traz duas características muito marcantes: a luz âmbar, morna, que nos aproxima da imagem capturada. E um fascínio pelos saberes, pelas tradições e pelo jeito de ser dos negros do Maranhão, que registra de maneira intimista e verdadeiramente amorosa”, destaca Paula Porta, que também assina a curadoria da mostra.

 

 

 

De 12 de outubro até dezembro de 2018.

Hildebrando de Castro na Bahia

05/out

O pintor Hildebrando de Castro retorna a Salvador, Bahia, para nova exposição individual na Paulo Darzé Galeria. A mostra tem por título “EDP”, na qual apresenta uma série de pinturas, – projeto que se iniciou no final de 2016 -, após dois anos de trabalho contínuo. ”Decidi tirar férias em Lisboa. Logo após o desembarque, na primeira manhã, resolvi fazer uma caminhada pela borda do rio Tejo, pois o dia estava lindo e ensolarado. Para minha surpresa, me defrontei com o incrível conjunto arquitetônico da EDP ainda em construção. Fiquei fascinado com aqueles dois prédios e comecei imediatamente a fotografar. Esquecendo que tinha prometido a mim mesmo não pensar em trabalho nessa curta temporada, voltei ali, nos nove dias em que lá fiquei, para fotografar os prédios em diferentes horários do dia, aproveitando as variações da luz. Foi com este material em mãos que propus a Paulo e Thais Darzé fazer nossa segunda exposição”.

 

Hildebrando de Castro já se apresentou na Bahia (na Paulo Darzé Galeria) a exposição “Ilusões do real”, pinturas em acrílica sobre tela e mdf. Na trajetória de Hildebrando de Castro temos inicialmente, em grande parte, como tema o corpo humano, intercambiado por suas narrativas, elaborações e o simbólico que expressam, ou partes dele em sua fragmentação, com especial relevo para o coração, mais seres humanos e bonecos para falar de uma infância ou de uma vida perversa, com figuras insólitas, até chegar ao urbano, com as últimas mostras, e a ilusão do real, jogo de formas e cores, por sua incidência da luz e da sombra, da composição e de combinações, chegando a alguns momentos a colocar a pintura na tridimensionalidade, apresentando objetos.

 

A obra de Hildebrando de Castro é uma obra de representação, os trabalhos possuem como base a fotografia. Não uma fotografia tirada a esmo, mas preparada em seu cenário para tal, o que nos leva a estarmos diante de trabalhos, seja figurativo ou geométrico, em não procurar a realidade em si, mas sua estreita vinculação ao real, sendo uma arte com origem essencialmente na pintura, arte que começou crítica, irônica, de beleza estranha ao mostrar a banalização da vida e da morte, do prazer e da dor, com uma visão que colocava em primeiro plano as obsessões, os fetiches, as exceções, percorrendo o simbólico, e com um humor bem preciso ao tratar a tudo isto. Temática que os críticos colocam como procurando representar aspectos eróticos, religiosos, kitsch. Dessa forma, a geometria. o figurativismo, e a luz continuam um elemento importante nas pinturas do artista. Não à toa seus trabalhos não começam com croquis, mas com fotografias.

 

 

Sobre o artista

 

Hildebrando de Castro nasceu em Olinda, PE, em 1957. Passou sua infância e se desenvolveu profissionalmente no Rio de Janeiro. Autodidata, realizou sua primeira exposição individual no Museu Nacional de Belas Artes, ainda nos anos 1980. Viveu onze anos entre Paris e Nova York e desde 2004 vive em São Paulo. Seu trabalho sempre operou no terreno da representação figurativa, valendo-se da estratégia de empregar o enquadramento e a luz da fotografia como referência para a construção da pintura. Os primeiros trabalhos com pastel seco foram ponto de partida para as experimentações pictóricas que o levaram ao domínio do óleo e da acrílica. Em sua nova série, a realidade da “objetiva” traz substrato para unir geometria e representação, e estabelecer vínculos com o construtivismo e suas vertentes. Em 2013 duas obras do artista foram incorporadas ao acervo do MAC USP.

 

 

De 19 de outubro a 17 de novembro.

Novas séries de Kammal João

O artista plástico Kammal João retorna à Galeria IBEU, Jardim Botânico, Rio de Janeiro, RJ, com série de desenhos que, funcionam como extensões do seu processo criativo, em cadernos enfileirados por toda extensão do espaço. Sob curadoria de Cesar Kiraly, foram reunidos cerca de 70 desenhos nesta exibição individual sob o título “encenação menor”, separados em três séries: “Angústia do Umbigo”, “Carta de Navegação” e “Pequena Dança”. Definidas pelo artista como um trabalho processual, elas podem ser distinguidas pela escala de interioridade. A primeira, se mantém entre quatro paredes, e é feita de móveis, cantos em que se pode parar e olhar e nela as interrogações escritas são mais presentes. A segunda, é uma carta de navegação sobre a natureza humana. Conceitualmente é a mais complexa e a mais econômica, para tanto, basta-lhe a fineza do traço e serpentinas brancas que representam dinâmicas orgânicas. Na última série estão os objetos, como panelas e aparelhos de jantar dificilmente removidos dos armários, associados como disparadores existenciais. Kammal se permite algum humor declarado, principalmente nos ruídos entre palavra e figura. O choque entre as linguagens distintas, o que acontece ao serem colocadas juntas no mesmo espaço, gerou curiosidade no próprio artista.

 

 

A palavra do curador

 

Nesta Encenação, Kammal João apresenta três sequências de desenhos, distintos e complementares, em que a delicada combinação de materiais oscila entre a aquarela, traços finos de nanquim e momentos de guache. Se as cores são mais presentes, elas são aguadas, deslizantes. Se não, são dependentes de imensos pedaços de alvura para compor. É importante não deixar de falar da cor, de começar por ela. Ainda mais em situações em que a temporalidade notacional é tão explícita. É pela cor que se pode acompanhar a aliança entre a densidade existencial e a inscrição adequada. As questões existenciais costumam ser acompanhadas de sentimento de urgência. Kammal preserva essa dimensão ao sugerir o deslocamento, nas folhas, nas dobras. Ele usa materiais de quem tem pressa, de quem quer leveza para se mover.

 

 

De 09 de outubro a 1º de novembro.

Geometria na SIM Galeria

A exposição coletiva que a SIM Galeria, Jardins, São Paulo, exibe sob o título “Geometria em Síntese”, traz a assinatura de Felipe Scovino na curadoria.

 

Artistas participantes

 

Amalia Giacomini, Amilcar de Castro, Daniel Feingold , Eduardo Coimbra, Geraldo de Barros , German Lorca, Hélio Oiticica, Hércules Barsotti , José Oiticica Filho, Luiz Sacilotto, Maria Laet, Mira Schendel, Paulo Roberto Leal, Ricardo Alcaide, Ruben Ludolf, Sergio Camargo, Wanda Pimentel e Willys de Castro.

 

 

 

Geometria em síntese

Por Felipe Scovino

 

As experiências construtivas no Brasil têm sido objetos constantes de exposições, livros e ensaios nos últimos tempos. Coloco-as no plural porque são inúmeras as especificidades desses trabalhos que foram desenvolvidos com maior densidade entre os anos 1950 e 1970. Definitivamente não houve um projeto construtivo, mas uma vontade plural em rever os caminhos da arte. Passado o modernismo e o seu desejo de construir e discutir uma identidade nacional pautada no indivíduo antropófago que se voltava simultaneamente às suas origens, ao contágio estrangeiro e ao tempo presente, as experiências construtivas se veem localizadas no bojo de um tempo, que, por um lado, se constituía de forma rápida, dinâmica e desenvolvimentista, e, por outro, era marcado por demandas sociais e políticas, envolvendo especialmente o que poderíamos definir como políticas do corpo –  o movimento hippie, o Flower Power, as Panteras Negras, o maio de 68, movimentos reivindicando o direito das mulheres, etc., se constituem no panorama desse período. É o ambiente para a aparição do neoconcretismo, por excelência.

 

Contudo, no início dos anos 1950, em meio à construção de Brasília, ao plano de Metas de JK, à industrialização e ao desenvolvimento da ciência, no plano das artes, em específico, é o momento em que a institucionalização da arte constrói uma nova ideia de espaço moderno, como pode ser observado na fundação dos museus de arte moderna no Rio e em São Paulo, além da criação do MASP e da Bienal de São Paulo. Havia um desejo de mudança pautado na chegada do abstracionismo no panorama da produção das artes plásticas e de inserir o país dentro de uma projeção internacional, especialmente quando a Bienal foi instituída. Por falar em campo político das artes, nota-se que todas as obras apresentadas foram produzidas após a realização do Salão Preto e Branco, que ocorreu em 1954. Ele foi um protesto contra o descaso do governo frente às necessidades de materiais adequados à nossa produção visual. A insatisfação dos artistas – tendo à frente Djanira, Iberê Camargo e Milton Dacosta – tem origem em 1952, quando a Carteira de Exportação e Importação do Banco do Brasil cassa as licenças de importação de tintas estrangeiras, com a justificativa de se encontrar a indústria local apta a satisfazer as necessidades dos artistas. O resultado foi a realização do Salão Preto e Branco e pouco tempo depois a possibilidade da geração seguinte de artistas – os concretos e neoconcretos – ter as tintas importadas e uma nova tecnologia de produção ao seu dispor.

 

O que essa exposição quer destacar não é só o papel de destaque que o pensamento construtivo exerceu nas artes visuais brasileiras (e o seu prolongamento, com nuances e especificidades próprias, no contemporâneo), mas também uma espécie de contraponto ao aspecto solar do projeto moderno brasileiro. Ao escolher obras produzidas em preto e branco e em sua maioria realizadas entre os anos 1950 e 70, destacam-se a ideia funcional e projetual da arte; a associação cada vez mais substancial, no início dos anos 1950, entre as experiências construtivas nas artes plásticas e o campo da fotografia (em especial, a presença dos olhares sensíveis e potentes de German Lorca, Geraldo de Barros, José Oiticica Filho e dos desenhos construtivos constituídos e observados a partir de ações e percepções singelas do cotidiano); e uma austeridade e complexidade próprias nessa escolha minimalista por parte dos artistas. Em relação a essa característica, cito o caso exemplar e pioneiro das Fotoformas, de Geraldo de Barros. A fotografia deixa de ser “o espelho da realidade” para se tornar espaço de invenção. A linha não é mais uma linha, nem o plano é mais um plano, distorcendo Theo van Doesburg e sua teoria da arte concreta. Barros funde fotografia e pintura, invenção e realidade.

 

Não há uma preocupação imediata com questões de identidade nacional nesses compromissos estéticos, mas um anseio legítimo e autoral de investigar a forma e a função do objeto de arte. Seja experimentando as novas percepções ópticas do objeto, seja investigando e ampliando as fronteiras da pintura e da escultura, esses artistas tinham um interesse em comum: associar de forma ainda mais duradoura a arte e o cotidiano. Portanto, a passagem do plano ao espaço, valorizada por uma crítica mais formalista a respeito dessas produções cinéticas e concretas, pode ser entendida também como uma perspectiva fundamental para se entender a ligação de artistas como Geraldo de Barros, Hércules Barsotti e Willys de Castro com as experiências da cidade, em especial suas produções de cartazes e móveis.

 

A escolha de obras fora desse arco temporal – décadas de 50, 60 e 70 – nos mostra o quanto esses gestos e ideias foram definidores de uma nova forma de pensar e produzir arte. Obras como as de Amalia Giacomini, Daniel Feingold, Maria Laet e Ricardo Alcaide têm as linguagens construtivas como referente, mas, acima de tudo, penso que elas mobilizam um repertório de delicadeza, suavidade e harmonia que leva o entendimento sobre o construtivo para outras fronteiras e percepções. Paulo Roberto Leal alia o silêncio do branco a uma forte tensão e suavidade com a ideia de pintura. Eduardo Coimbra é mais um dos artistas que não realizam uma adequação contemporânea do legado construtivo, mas investigam esse signo a seu modo, aproximando arte, arquitetura e cidade. Suas obras nos parecem uma visão aérea de um aglomerado de elementos cúbicos e planos superpostos que remetem à urbe. As presenças de Mira Schendel, com seus estudos para os Sarrafos, e Wanda Pimentel, artistas com estudos transversais sobre o construtivo, refletem esse estado de invenção que a exposição elabora e a forma como linguagens conceituais se aproximaram das tendências construtivas.

 

 

Até 27 de outubro.

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