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AGENDA CULTURAL

Luzia Simons na Pinacoteca

18/dez

A Pinacoteca do Estado de São Paulo, Estação Luz, São Paulo, SP, apresenta a exposição “Segmentos”,  individual de Luzia Simons. Realizada especialmente para o” Projeto Octógono Arte Contemporânea”, a instalação é composta de quatro obras, quatro ampliações fotográficas moduladas, recortadas em 12 partes que são posicionadas no espaço com suas costas voltadas para cada uma das entradas. Incomuns em seu efeito claro-escuro, de concepção barroca, os scannogramas de Luzia Simons têm uma sonoridade trazida do silêncio para o rumor barulhento da metrópole, voltando depois ao silêncio.

 

Segundo Luzia Simons, a instalação faz uma alusão aos jardins fechados, tradicionalmente encerrados com tramas metálicas ou cercas de madeira. Alude, ainda, ao próprio Jardim do Éden. Este ambiente, no entanto, não se propõe acolhedor, mas sacramental como os ostensivos jardins ou mesmo os museus. A tulipa é o motivo central da série “Stockage”. Suas inúmeras espécies e criações deixam claro para Luzia Simons o que ela chama de “tingimento” e “transferência de cor” ou seja, o processo de adaptação e transformação. As flores brilham em meio a um escuro difuso, o que pode ser entendido como uma releitura das naturezas-mortas holandesas, mas que também trata do aspecto da fugacidade. Afinal, a tulipa tornou-se um dos motivos centrais da vanitas após o colapso do mercado holandês em fevereiro de 1637. Com isso, a artista construiu uma ponte – do século XVII até os tempos atuais, com os aspectos típicos da nossa época, como globalização, nomadismo cultural e marcas multiculturais. A quantidade de referências metafóricas que explicitamente se debruçam sobre temas atuais de nossa sociedade transformou o conteúdo aparentemente „adorável” da peça floral em uma mídia discursiva surpreendente.  Com fotografias, filmes, performances e instalações a artista, residente em Berlim, vem desenvolvendo um corpo de trabalho, desde os anos 1990, em torno de questões como identidade, memória e globalização. Ela desenvolveu sua linguagem no captar e registrar imagens, que denominou “scannograma”. Feito para a digitalização de documentos, o scanner não possui lente nem foco. ao contrário das imagens produzidas, correntemente, com lentes fotográficas. Nesta técnica os objetos são colocados diretamente sobre um scanner, que capta, minuciosamente por um sistema de linhas e pontos, todos seus detalhes formais e variações cromáticas. Os scannogramas reproduzem uma luminosidade dramática e quando ampliados em grande escala ganham teatralidade.

 

 

 

Sobre a artista

 

Luzia Simons nasceu em 1953, em Quixadá, CE. Vive e trabalha em Berlim e já participou de importantes exposições internacionais como:  Flowers and Mushrooms, Museum der Moderne, Salzburg, Áustria, 2013;  Personificação de Identidades, Bienal de Curitiba, Casa Andrade Muricy, 2013; Wenn Wünsche wahr werden, Kunsthalle Emden, Emden, Alemanha, 2013;  Lost Paradise, Mönchehaus Museum Goslar, Goslar, Alemanha, 2012;  Flowers in photography , Tokyo Art Museum, Tóquio, Japão, 2012; Time, death and beauty, FotoKunst Stadtforum, Innsbruck, Áustria, 2011; Wild Things, Kunsthallen Brandts, Odense, Dinamarca,  2010; Nature forte, Kunstverein Wilhelmshöhe, Ettlingen, Alemanha, 2009; e Garden Eden – A representação do jardim na arte desde 1890, Kunsthalle Emden, Emden, Alemanha, 2007. Suas exposições individuais incluem: Jardins Alheios, Kunstverein Bamberg, Bamberg, Alemanha, 2012; Stockage, Centre d’Art de Nature, Château Chaumont-Sur-Loire, França, 2009; Stockage, Künstlerhaus Bethanien, Berlim, Alemanha 2006; Stockage, Städtische Galerie Ostfildern, Alemanha 2005; Face migration: sichtvermerke, Württembergischer Kunstverein Stuttgart, Alemanha 2002 e Transit, SESC Paulista São Paulo, Brasil 2001. Possui trabalhos em coleções públicas como as de Graphisch Sammlung der Staatsgalerie, Stuttgart, Alemanha; Fonds National d’Art Contemporain, Paris, França; Casa de las Américas, Havana, Cuba; University of Colchester, Collection of Latin American Art, Essex, Inglaterra; Museu de Arte de São Paulo Coleção Pirelli, São Paulo, Brasil: Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil, entre outros.

 

 

Até 02 de março de 2014.

Homenagem Monumental

17/dez

Iole de Freitas dedica a Anna Maria Niemeyer escultura que integra o novo prédio da Fundação Getúlio Vargas, Botafogo, Rio de Janeiro, RJ. Iole de Freitas está entre os três artistas plásticos que a Fundação Getúlio Vargas convidou para criar obras especificamente para o novo prédio: um círculo de aço gigante, várias linhas que se agitam em torno e dão a impressão de quase ricochetear, mas se desviam em direções impossíveis e abraçam as igualmente gigantescas lâminas de policarbonato transparente.  A dança que se produz no ar, de impactante beleza, dá o tom de “Sopro” – obra de Iole de Freitas que, com sua impressionante monumentalidade, escala a arquitetura da Torre Oscar Niemeyer, o novíssimo prédio-sede da Fundação Getúlio Vargas, na Praia de Botafogo. Obra e edifício serão inaugurados no dia 16 de dezembro, às 12 horas.

 

“Sopro”, começa a descrever sua trajetória a uma altura de 2,5 m do chão.  A escultura de 9m x 9m está posicionada na entrada da Torre, em frente ao Auditório. Numa placa afixada à obra, a dedicatória a Anna Maria Niemeyer reflete os longos anos de amizade entre a artista e a galerista, recentemente falecida. Um toque de delicadeza que brilha no edifício que leva o nome de seu pai, o arquiteto Oscar Niemeyer, autor do projeto do conjunto arquitetônico. A inauguração da escultura e da Torre Oscar Niemeyer, o novo prédio da Fundação Getúlio Vargas, ocorreu no dia 16 de dezembro.

Na Hebraica

A artista plástica Nair Kremer inaugura “Territórios Afetivos”, uma exposição bastante original na Galeria de Arte “A Hebraica”, Jardim Paulistano, São Paulo, SP, com curadoria de Berta Waldmam. Nair Kremer exibe séries compostas por diferentes suportes e técnicas, como desenhos, pinturas, serigrafias, gravuras e instalações, fazendo uma homenagem à Clarice Lispector.

 

Em “Territórios Afetivos”, Nair Kramer pauta-se em títulos de livros da escritora, redimensionando imagens em diversas composições, conforme os espaços e suportes utilizados. Assim, “A paixão segundo G. H.” é colocada como um quebra-cabeça; “Água-viva”, em serigrafias sobre jornal; “A Descoberta do Mundo”, são serigrafias sobre papel Couchet, trabalhadas com tinta acrílica; “Perto do Coração Selvagem”, tornou-se gravuras; “O Ovo e a Galinha”, foi brindado com estruturas arquitetônicas em madeira; “Laços de Família”, ganhou pinturas a óleo; “A Hora da Estrela”, recebeu composições e fotomontagens.

 

Um paralelo entre a artista e a escritora pode ser traçado a partir do processo de criação em que ambas se baseiam, pois a construção da obra se faz por acréscimo, ou seja, fragmentos migratórios retirados de seu lugar de origem, reinstalam-se na composição de novos objetos textuais e plásticos, os quais esperam ser re-significados. “Esses diálogos em diferentes direções favorecem os efeitos circulares, as vozes em eco, que assombram tanto a ficção de Clarice quanto a obra plástica de Nair.”, comenta entusiasmada a curadora Berta Waldmam.

 

 

De 23 de dezembro a 18 de fevereiro de 2014.

Tomie Ohtake no Rio

13/dez

O Centro Cultural Correios, Centro, Rio de Janeiro, RJ, exibe a exposição “Correspondências”, mostra organizada pelo Instituto Tomie Ohtake, que faz parte das comemorações do centenário da artista e conta com obras de sua produção desde 1956 até 2013, além de trabalhos de artistas contemporâneos. Com curadoria de Agnaldo Farias e Paulo Miyada, a homenagem em forma de mostra aproxima o trabalho de Tomie Ohtake de outros artistas através de interesses em comum, como o gesto, a cor e a textura, e o modo como cada um deles lida com essas características. A partir daí, revelam-se temas e sensações inesperados, tanto na obra de Tomie, como na de seus interlocutores. “Partindo do gesto, por exemplo, somos conduzidos pelas linhas curvas das esculturas de aço pintado de branco de Ohtake, que atravessam o espaço e lhe imprimem movimento, as quais se encontram com a linha inefável dos desenhos Waltercio Caldas e a linha espacial composta pelo acúmulo de notas de dinheiro de Jac Leirner”, ressaltam os curadores.

 

Agnaldo Farias e Paulo Miyada destacam também que a curvatura do gesto das mãos de Tomie anuncia-se nos indícios da circularidade presentes em suas primeiras telas abstratas produzidas na década de 1950 e culmina no círculo completo e na espiral, formas recorrentes nas últimas três décadas de sua produção. Esse percurso é apresentado em companhia de obras que extravasam o interesse construtivo da forma circular, como nas obras de Lia Chaia, Carla Chaim e Cadu. Uma vez que se forma o círculo, discute-se a cor, pele que corporifica toda a produção de Tomie Ohtake e que é fundamental aos artistas que são apresentados nesse grupo. “De contrastes improváveis a variáveis que demonstram a profundidade latente em um simples quadro monocromático, exemplos de pinturas dos anos 1970, figuram lado a lado com obras recentes de Tomie e com telas de especial sutileza na produção de artistas como Paulo Pasta e Dudi Maia Rosa”. Segundo eles, em Tomie, a cor é sempre realizada por meio da textura e da materialidade da imagem, que foi deixada a nu em suas “pinturas cegas” do final da década de 1950 e, desde então, nunca se recolheu, mesmo em telas feitas com delicadas camadas de tinta acrílica.

 

Complementa o pensamento dos curadores a tese de que há uma longa linha de experimentos que desfazem a ilusão da neutralidade do suporte da imagem pictórica, a qual se inicia muito antes das colagens cubistas e possui um momento decisivo nas iniciativas que ousaram liberar-se do verniz em parte de algumas pinturas realizadas no século XIX. “Essa linha de experimentos tem em Tomie uma pesquisadora aplicada, que pode reunir em torno de si figuras tão distintas como Flavio-Shiró, Arcangelo Ianelli, Oscar Niemeyer, Daniel Steegmann Mangrané e Carlos Fajardo”.  A exposição conta com 84 obras, sendo 28 de Tomie Ohtake e mais: Adriano Costa, Angela Detanico & Rafael Lain, Bartolomeu Gelpi, Carmela Gross, Cildo Meireles, Claudia Andujar, Cristiano Mascaro, Fabio Miguez, Israel Pedrosa, Karin Lambrecht,  Kimi Nii, Leda Catunda, Luiz Paulo Baravelli, Maria Laet, Nélson Félix, Nicolas Robbio, Paulo Pasta, Sergio Sister, Tiago Judas e Tony Camargo.

 

 

De 18 de dezembro até 09 de fevereiro de 2014.

Duas mostras de Antonio Henrique Amaral

11/dez

O artista plástico Antonio Henrique Amaral inaugura, aos 78 anos, duas exposições em São Paulo. A primeira acontece na Pinacoteca do Estado, Praça da Luz; e a segunda estará em cartaz na Caixa Cultural, Praça da Sé. Para o jornalista Silas Martí, a obra do artista saiu no início “…do verde ao amarelo e ocre, … frutas que dominaram cerca de 200 pinturas do artista nos anos 1960 e 1970, entraram para a história da arte brasileira como metáfora tropical dos descaminhos da ditadura que começou com o golpe de 1964”.

 

Suas bananas estrearam com um estrondo em 1968, no auge da arte pop e da nova figuração, que dissolviam a austeridade do concretismo e viraram uma espécie de síntese colorida da tropicália de Caetano Veloso e Gilberto Gil. No começo, elas eram verdes, saudáveis, exuberantes. Depois, amadureceram até apodrecer. Foram parar no prato, destroçadas por garfos e enforcadas por cordas até que não sobrasse mais nada Agora, quase três décadas depois do fim da ditadura, Amaral e suas bananas são relembradas nessas duas mostras em São Paulo – uma retrospectiva com 160 obras na Pinacoteca  e a exposição de 100 desenhos e gravuras na Caixa Cultural. A curadoria da mostra da Pinacoteca é de Maria Alice Milliet,  que  vê uma série de elementos nas polêmicas telas. “A banana é o fálico, a latinidade, o luxuriante, o tropicalismo”, afirma. “Elas serviam para tudo.” Também serviram para alçar o artista ao panteão de sua geração no circuito das artes visuais no país.

 

 

A palavra do artista

 

“Queria esculhambar com o governo militar, que estava reduzindo o Brasil a mais uma república das bananas, como eram as republiquetas centro-americanas”.

 

“Meu desafio era pintar e, ao mesmo tempo, refletir sobre a tortura e as prisões numa coisa explosiva, sarcástica, de deboche.”

 

Ele lembra que na ditadura os censores do regime notaram as pencas de ironia plasmadas nas telas. “Mas eles cairiam no ridículo fechando uma exposição de bananas”, afirma. “Esse foi meu jeito de fazer uma sátira sem ser massacrado por eles.”

 

Sou um incoerente confesso”, diz Amaral. “Sempre fui um lobo solitário no meio das tendências.”

 

Na Pinacoteca do Estado de São Paulo,

até 23 de fevereiro de 2014.

 

Na Caixa Cultural,

de 14 de dezembro até 16 de fevereiro de 2014.

 

Fonte: Silas Martí – Ilustrada/Folha de São Paulo.

Iole de Freitas em novo livro

09/dez

No dia 12 de dezembro, às 18h, Iole de Freitas lança o livro “Para que servem as paredes do museu?”, que documenta sua atuação na Casa Daros,  quando participou do“Programa de residência de pesquisa”, entre 2011 e 2013. O lançamento acontece na própria Casa Daros, Botafogo, Rio de Janeiro, RJ.

 

Com essa obra, a artista conclui uma etapa de seu questionamento “Para que servem as paredes do museu?”, que continuará a provocar reflexões e novas obras. A pesquisa envolveu a criação de uma obra gigantesca em meio à instabilidade da restauração da casa, em 2011, quando teve de trabalhar em condições “fugazes e temporárias”, para usar uma expressão da própria artista.

 

– No livro está o cerne de todo o trabalho realizado para a pesquisa na Casa Daros – comemora a artista. Na pesquisa, a ideia central foi acompanhar o processo de transformação do edifício, e projetar “utopias para lugares que estão mudando, junto com as ideias”, aponta Eugenio Valdés Figueroa, diretor de arte e educação da Casa Daros.

 

O livro também traz imagens da grande instalação de 100 metros quadrados criada pela artista para a inauguração da Casa Daros, em 2013, além de desenhos, maquetes, esboços e protótipos que nunca foram exibidos na sua totalidade, embasados por um texto que resume o processo: – Foram seis cadernos com anotações e esboços desse trabalho, conta a artista.

 

Uma entrevista de Iole de Freitas com Eugenio Valdés Figueroa é outro acréscimo importante. Os dois falam sobre as fases do projeto e o relacionam com momentos anteriores da obra da artista.

 

– Quero deixar claro que este não é um livro-catálogo, acrescenta Iole. Ao lado da “invasão” de ondas verdes (de policarbonato) há desenhos super delicados. São verdadeiros esboços de arquiteturas impossíveis, revela.

 

Confeccionado em três tipos de papel, o livro tem 104 páginas.

Curadores & Fotografias

06/dez

A galeria Bergamin, Jardins, São Paulo, SP, promoveu neste sábado, 07 de dezembro, das 12h às 14h, o “ENCONTRO COM CURADORES – O Fascínio do Colecionismo – como começar uma coleção de fotografia”, por Isabel Amado e Iatã Cannabrava.

Miguel Rio Branco, o livro

A Luste Editores lança “Out of Nowhere”, do pintor, fotógrafo, diretor de cinema e artista plástico multimídia Miguel Rio Branco. O livro é um registro da instalação homônima, criada para a 5ª Bienal de La Habana, 1994, e apresenta uma reflexão do artista sobre a obra e suas inspirações. A exposição “Out of Nowhere” passou por diversos países, sendo composta por fotografias, recortes do jornal nova-iorquino Police Gazette (anos 1920), além de stills de filmes antigos e “flashbacks” de suas criações anteriores.

 

As imagens que permeiam o livro foram capturadas na Academia de Boxe Santa Rosa, Lapa, Rio de Janeiro, e mostram figuras do bairro encontradas pelo artista: boxeadores, meninos de rua, jovens prostitutas, marginais. Além deste trabalho, a publicação conta com registros – feitos pelo próprio artista – da instalação, fotografias de outras séries, um texto curatorial de Ligia Canongia, e um depoimento de Miguel Rio Branco. Com uma visão mais atenta, o trabalho surge como uma retrospectiva das imagens e dos assuntos da própria obra de Miguel Rio Branco, uma recuperação geral de seu olhar e das coisas que lhe interessam, ainda que captadas por fragmentos espaciais e memoriais.

 

Nas palavras de Ligia Conongia: “Out of Nowhere coloca de imediato, a partir do próprio título (“Fora de Lugar Nenhum”), a questão da superação dos limites, espaciais e temporais. Funde passado e presente, descentraliza todo e qualquer eixo de percepção (…).”

Artistas internacionais na Fundação Iberê Camargo

A Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre, RS, exibe a exposição “ZERO”, uma compilação de obras originais e reconstituições de uma das mais importantes vanguardas do pós-guerra europeu. Iniciado em Dusseldorf no final da década de 50 pelos alemães Heinz Mack e Otto Piene – a quem posteriormente se juntou Günther Uecker –, o movimento “ZERO” promoveu uma ruptura com o expressionismo abstrato e o tachismo em voga, utilizando em suas obras vibração, luz e sombra, monocromia, movimento mecânico e deslocamentos rítmicos. A mostra busca estabelecer um diálogo entre o trabalho do grupo de Mack, Piene e Uecker e o de artistas de outras partes do mundo, cujas aproximações nem sempre se deram de forma consciente – a exemplo dos quadros Branco/Preto de Hércules Barsotti; de Bicho – Relógio de Sol, de Lygia Clark e de Progressão e Sequência Vertical S-30, de Abraham Palatnik. Almir Mavignier, único brasileiro que participou ativamente do movimento, ganha a reconstrução de seu painel de cartazes Forma. Por outro lado, a exposição traz nomes que influenciaram o pensamento de ZERO, como o de Yves Klein com sua pintura monocromática azul e dos Conceitos Espaciais de Lucio Fontana.

 

O trabalho com a luz de Heinz Mack aparece na réplica da estrutura de espelhos em movimento Interferências – Movimentos integrantes de um espaço virtual e na original Vibração da luz, bem como no óleo sobre tela Estrutura dinâmica branco sobre cinza. Já Otto Piene faz a luz dançar com as instalações Balé de Luz, Sonâmbulo e Cilindro de Luz e duas telas, o óleo Luz em agosto e a pintura de fumaça Pintura a fumaça sobre vermelho / 1 volume. Os pregos, matéria-prima de Uecker, aparecem em Pintura branca, que, junto com o Objeto de cabides 1 e a reconstrução de sua Chuva de luz de 66, dão prova do talento e inventividade do artista da Alemanha Oriental.

 

Destaca-se também Hans Haacke, com a reconstrução de Pequena vela, tecido suspenso sobre ventilador, e com sua Escala grande de água. As pinturas móveis de Jean Tinguely e as grandes esculturas de espelhos de Christian Megert estabelecem um paralelo com a ambientação Espaço Elástico de Gianni Colombo, composta por feixes de elásticos movimentados eletromecanicamente. Já Corpo de ar, conjunto de balão, suporte e máquina pneumática, e Linha – trechos de uma linha infinita traçada pelo artista – são uma pequena amostra do trabalho conceitual de Piero Manzoni.

 

Não apenas uma exposição histórica, ZERO é uma experiência fortemente sensorial, que mostra, no segundo e terceiro andares do espaço expositivo da Fundação Iberê Camargo, a atualidade do pensamento de grandes nomes das décadas de 1950 e 1960. Com curadoria da historiadora de arte Heike van den Valentyn, a exposição é uma realização da Fundação com o Museu Oscar Niemeyer de Curitiba e a Pinacoteca do Estado de São Paulo e conta com a parceria do Goethe-Institut e o apoio do Ministério NRW e Pro Helvetia.

 

 

Até 04 de março de 2014.

 

A arte sonora de Floriano Romano

03/dez

A Galeria Laura Alvim, Ipanema, Rio de Janeiro, RJ, exibe sob a curadoria de Glória Ferreira, “Sonar”, exposição individual do artista carioca Floriano Romano. São oito instalações sonoras, das quais seis inéditas, e 14 desenhos. Floriano Romano é um precursor em obras que combinam instalação, performance e som. Seu programa ‘Oinusitado’, na Rádio Madame Satã, entre 2002 e 2004, na Lapa, RJ, foi considerado excepcional em termos de artes visuais, música e poesia. Ele teve propostas sonoras transmitidas pela Rádio WKCR, Columbia, NY, 2004; Rádio Student, Liubliana, Eslovênia, 2006; Rádio Ressonance FM, Londres, 2008 e Rádio MEC/FM, RJ, entre 2005 e 2007.

 

A exposição “Sonar”, segundo Floriano Romano, é “toda baseada em ruído”. Cabe definir ruído para as artes, com um trecho do texto do folder da mostra, assinado pela curadora: “A palavra ruído, no senso comum, significa barulho, som ou poluição sonora não desejada. Adquire, porém, outros significados em diversas áreas. (…). Para Romano, além do aspecto político, por estar à margem e ser, assim, expressão desordenada, ‘o ruído é a expressão do mundo, é indeterminado, então ele toca direto nos sentidos, fala direto com os sentidos (…)’”.

 

Os trabalhos da exposição estão programados para não soarem ao mesmo tempo. O som de cada um cresce na medida que o do outro decresce. São eles: “O Estrangeiro” é um móvel com vinte gavetas, cada uma emitindo ruídos diferentes de cidades visitadas pelo artista;
“Radionovelas” se compõe de quatro a seis rádios antigos. De cada um sai uma curta história ficcional de autoria de Romano; “Acusmata” batiza uma instalação de parede com uma cavidade, da qual partem ruídos gravados no cruzamento de ruas do centro da cidade do Rio. Acusmata é quem não percebe a origem de um som; “Turbina” ficará na sala que dá para a praia de Ipanema. Tubos de PVC, perpendiculares à parede de 9m2, recobrem a superfície, onde se ouve o som do mar. Paisagem externa e som aqui se fundem; “O Passeio” intitula 29 caixas de papelão que repercutem ruídos de atritos do corpo humano gravados por dois bailarinos dirigidos pelo artista; “Kafka” tem três máquinas de escrever mecânicas, cujas teclas se movem sozinhas, acionadas por motores. O título se refere a uma cena do filme “O processo”, de Orson Wells, sobre o livro homônimo de Franz Kafka; “Polipoesia” são criações em texto veiculados em monitores de TV; Na área externa da galeria, está a instalação “Chuveiros Sonoros” com três duchas de piscina que “despejam” músicas cantadas no chuveiro por anônimos. A torneira regula o volume. Os desenhos abstratos são feitos com fita isolante sobre papel. As linhas dialogam entre o bi e o tridimensional. São realizados como performances, sem projeto anterior, e remetem à trajetória do movimento do encontro de pessoas.

 

 

Sobre o artista

 

Floriano Romano se intitula “artista visual e sonoro”. Seu programa de rádio “Oinusitado” foi ponto de encontro da cena de arte sonora carioca de 2002 a 2004. Ele trabalha com intervenções urbanas e sonoras, abertas à participação e produzidas pelo próprio público. A partir do imáginário da multidão, produz objetos ou ações sonoras voltadas para os passantes. Entre os prêmios e bolsas conquistados pelo artista estão: Prêmio Projéteis de Arte Contemporânea e o Prêmio Marcantonio Vilaça, da FUNARTE, 2012;  Prêmio Interações Estéticas da FUNARTE com o trabalho “Sapatos Sonoros”, 2009 e Prêmio Projéteis de Arte Contemporânea com a performance “S.W.O.L, Sample Way of Life”, 2008. Sua performance com a mochila sonora “Falante” foi premiada no Salão de Abril, Fortaleza, em 2007, e participou da coletiva “Futuro do Presente”, no Itaú Cultural, São Paulo, SP. Em 2000/1 ganhou a bolsa de Artista Residente pela Câmara Municipal do Porto, Portugal, e, em 2008, a Bolsa de Estímulo às Artes Visuais da FUNARTE, com o projeto de intervenção urbana “Lugares e Instantes”. Entre várias outras mostras, realizou, em 2011, o projeto “INTRASOM” no MAM-Rio e participou das coletivas Panorama da Arte Brasileira no MAM-SP e “Voces Diferenciales”, em Havana, Cuba. Em 2009 integrou a 7ª Bienal do Mercosul, com “Grito e Escuta”. Esteve na “Mostra Desenho das Ideias” com a ação sonora “Crude”, de Guilherme Vaz, usando a arquitetura do museu como instrumento para executar a composição, e na “Mostra Absurdo”, com seus “Chuveiros Sonoros”. Participou da coletiva “Desenhos&Diálogos” em 2010, na Anita Schwartz, RJ, através de quem participou também da ArtRio de 2011.

 

 

Até 09 de março de 2014.

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