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AGENDA CULTURAL

Adriana Varejão e Rosana Paulino em Veneza.

23/abr

Brasil aposta em força feminina e espiritualidade no Pavilhão de Veneza. O projeto curatorial reúne duas das artistas mais importantes do país em um diálogo inédito sobre memória, fé e colonialidade.

A Fundação Bienal de São Paulo anunciou o projeto curatorial do Pavilhão do Brasil na Biennale Arte 2026, que será ocupado integralmente pelas artistas Adriana Varejão e Rosana Paulino. Intitulada “Comigo ninguém pode”, a exposição tem curadoria de Diane Lima e propõe um encontro inédito entre duas trajetórias fundamentais da arte contemporânea brasileira. Realizada em parceria com o Ministério da Cultura e o Ministério das Relações Exteriores, a participação brasileira conta com patrocínio da Petrobras.

Inspirada na planta popular que dá nome à mostra – símbolo de proteção e resiliência -, a exposição parte de uma dimensão sensível e simbólica para articular questões ligadas à história, espiritualidade e natureza. Em uma abordagem instalativa, o projeto rompe com a linearidade do tempo e coloca em diálogo obras históricas e produções inéditas das artistas, abordando feridas coloniais, processos de transformação e a construção de imaginários no Brasil.

A expografia, assinada por Daniela Thomas, foi concebida em diálogo direto com a arquitetura modernista do Pavilhão do Brasil, projetado em 1964 por Giancarlo Palanti, Henrique Mindlin e Walmyr Lima Amaral. A proposta é ativar o espaço como parte da experiência, com obras que se distribuem de forma não convencional, criando percursos sensoriais e aproximando pintura, escultura e desenho de uma dimensão quase performativa.

Ao reunir mais de três décadas de produção de ambas as artistas, “Comigo ninguém pode” enfatiza tensões e aproximações simbólicas, materiais e cromáticas. Enquanto Rosana Paulino investiga memória, corpo e reconstrução a partir da experiência da mulher negra, Adriana Varejão explora, por meio da pintura, simulações de materiais como carne, azulejo e concreto. O encontro entre as duas artistas constrói uma narrativa potente sobre identidade, história e imaginação, projetando o Brasil no centro do debate contemporâneo internacional.

Fonte: Das Artes.

O vídeo comissionado de Rose Afefé.

A Gentil Carioca noticia que a artista Rose Afefé participa da 61ª edição da Bienal de Veneza como parte de The Message Is in the Pattern, terceira edição do Post-National Digital Pavilion – programa digital desenvolvido pelo Institute of International Visual Arts (iniva) em colaboração com o British Council.

Desenvolvido em diálogo com a comissão do Pavilhão Britânico de Lubaina Himid, o projeto reúne artistas convidados a desenvolver novas obras digitais que exploram práticas sociais e artísticas, engajamento comunitário e processos de tradução cultural.

Nesta edição, Rose Afefé participa com mais duas artistas Anya Paintsil (Reino Unido) e Rajyashri Goody (Índia). Com curadoria de Beatriz Lobo, Rose apresenta um novo trabalho em vídeo comissionado no âmbito do programa.

Para quem não sabe, ela é a mulher que construiu uma cidade sozinha. Luiz Zerbini, 2024.

Rose Afefé nasceu em Varzedo, no interior da Bahia, em 1988. A partir do resgate de memórias da infância, a artista trabalha em várias mídias, incluindo instalação, pintura e fotografia. Iniciou em 2018 a construção da obra Terra Afefé, uma microcidade em escala humana construída com terra, utilizando a técnica do adobe (tijolo de barro cru) e pintada com cal. Situada na zona rural de Ibicoara, Bahia, na região da Chapada Diamantina, Terra Afefé se apresenta como um lugar de encontro e convivência, que relaciona arte e vida e fomenta perspectivas locais a fim de potencializar os saberes do território. A observação e a interação com a natureza são empregadas para conduzir produções de vida mais pulsantes e espontâneas. A poética desse território desdobra-se, por fim, na produção e fabulação imagética que cerca o fazer artístico de Rose Afefé.

Diferentes afetos e percepções.

22/abr

A Flexa, Leblon, Rio de Janeiro, RJ, anuncia sua décima exposição, “Morar na cor”, que integra o programa de 2026 da galeria. A mostra tem curadoria assinada por Luisa Duarte e Daniela Avellar, e é acompanhada de texto crítico de Renato Menezes, curador da Pinacoteca de São Paulo. A coletiva propõe pensar a cor, na arte, para além de sua dimensão estritamente formal.

Partindo da compreensão de que os cromatismos são atravessados pela experiência, pela subjetividade e pelo cotidiano, a exposição coletiva entende toda paleta de cor enquanto um campo ativo, capaz de produzir diferentes afetos e percepções. A cor aparece, nas obras reunidas, como força estruturante dos trabalhos e da experiência proposta ao público, cuja expografia se inspira no trabalho do arquiteto mexicano Luis Barragán, e é assinada por Julio Shalders.

Ao tensionar a tradição ocidental que historicamente relegou a cor a um lugar de excesso ou até mesmo de superficialidade, “Morar na cor” propõe um deslocamento. Saindo do ornamento para ocupar o lugar do pensamento, a cor é capaz tanto de preencher o espaço expositivo como se presentificar nas distintas obras agrupadas, fazendo com que o espectador reflita sobre os sentidos simbólicos contidos na experiência cromática. O título da exposição se inspira no ensaio homônimo publicado por Lygia Pape em 1988. Nele, a artista reflete sobre a relação da cor com as moradias vernaculares cariocas.

Fazem parte da mostra Abraham Palatnik, Adriana Varejão, Alfredo Volpi, Aluísio Carvão, Amadeo Luciano Lorenzato, Amelia Toledo, Ana Claudia Almeida, André Ricardo, Antonio Ballester Moreno, Antonio Bandeira, AVAF, Beatriz Milhazes, Carlos Vergara, Cícero Dias, Dudi Maia Rosa, Frank Stella, Ione Saldanha, Jorge Guinle, Judith Lauand, Lucia Koch, Luiz Braga, Luiz Zerbini, Lygia Pape, Marcone Moreira, Maria Leontina, Mariana Palma, Miguel Rio Branco, Milton Dacosta, Montez Magno, Paulo Pasta, Rafael Kamada, Rodrigo Cass, Rubem Valentim, Sol LeWitt, Tomie Ohtake, entre outros.

Exposição internacional de Dani Cavalier.

A Galatea tem o prazer de apresentar “Dani Cavalier: Tramadas”, primeira exposição internacional de Dani Cavalier, que abre no dia 23 de abril na LLANO, na Cidade do México. Realizada no contexto de um intercâmbio entre a LLANO e a Galatea, galeria que representa a artista, a mostra reúne trabalhos que integram a pesquisa de Dani Cavalier em torno das chamadas “pinturas sólidas”; Nelas, os limites entre pintura, escultura e instalação são tensionados por meio da justaposição de blocos de cor em tecidos reaproveitados.

Ao mesmo tempo em que partem de elementos estruturais da pintura convencional, como tela, chassi, cor e composição, as pinturas sólidas os subvertem. No lugar de tinta e pincel, a artista utiliza retalhos coloridos de Lycra, vindos da coleta de resíduos da produção do período em que esteve à frente de uma marca de moda praia.

Na mostra na LLANO, destacam-se séries que ampliam as possibilidades formais e conceituais de sua prática. Em “As Tensas”, Dani Cavalier trabalha com pedaços maiores de Lycra. As linhas não são recortadas, mas construídas pela força elástica do material ao ser grampeado ao chassi – gesto tradicional do preparo da tela que, aqui, antecede e já constitui a própria pintura. As transições entre cores evocam tanto a fisicalidade investigada pelo neoconcretismo, em diálogo com Lygia Clark, quanto a proximidade com as dobras e inflexões do corpo.

Já a série “Marquinha” parte da observação de que mesmo em materiais industriais, variações sutis de tonalidade podem ocorrer entre as produções dos lotes de lycra. A partir dessa constatação, a artista desenvolve composições que exploram variações de branco sobre branco e preto sobre preto, incorporando no título a referência às marcas deixadas pelo sol na pele.

Um campo de investigação sensível.

A artista Isabella Lemos de Moraes inaugura, no dia 09 de maio, a exposição “Quando a Mente Transborda”, sua primeira mostra individual, no Espaço BB, no Shopping Cassino Atlântico, Rio de Janeiro, RJ. Marcia Marschhausen, que assina a curadoria, selecionou cerca de 15 obras recentes, produzidas entre 2025 e 2026, que revelam diferentes momentos de seu processo criativo.

As obras apresentadas em “Quando a Mente Transborda” tensionam os limites entre controle e espontaneidade, configurando um campo de investigação sensível no qual matéria e emoção se entrelaçam. Cada tela registra um instante, um momento em que o gesto ultrapassa o limite da palavra e encontra, na pintura, sua forma de existência.

A produção abstracionista de Isabella dialoga com tradições da pintura moderna e contemporânea, evocando referências como Jackson Pollock, Gerhard Richter e Mark Rothko, especialmente no que se refere à relação entre abstração, matéria e expressão.

Até 19 de maio. 

A arte como eixo estruturante da linha.

17/abr

Leo Batistelli e Gaitee.

Coleção “Entre Linhas” na exposição “Leo Battistelli: água viva”.

A marca paulistana Gaitee lançou neste ano a coleção “Entre Linhas”, que toma a arte como eixo estruturante da linha. A coleção de inverno nasce do gesto criativo que transforma sentimentos em linguagem e expressão, traduzindo-se em peças que posicionam a arte como território de criação.

Foi nesse contexto que a marca realizou o shooting da coleção na unidade da Galatea na Rua Padre João Manuel, em São Paulo. As imagens foram produzidas durante a exposição “Leo Battistelli: água viva”, individual do artista argentino radicado no Rio de Janeiro. A mostra reuniu, no final de 2025, esculturas e painéis em cerâmica, porcelana, vidro, metais e minerais, explorando a relação entre matéria, luz e espiritualidade.

Obras como “Pôr do Sol” (2025), um painel de sete metros em cerâmica e cobre, “Iemanjá” (2004) e as séries de “Líquens”, em diferentes ligas e escalas, atravessam a maior parte das imagens produzidas, imprimindo às fotografias a materialidade e o imaginário presentes na exposição.

Simone Ronzani estreia no Fuorisalone de Milão.

Orientada pela potência estética e estrutural das fibras e matérias orgânicas, a artista visual Simone Ronzani estreia, em 2026, no Fuorisalone de Milão – um dos mais relevantes eventos de design do mundo – com a luminária-escultura “Musa Tropical”. Integrando a curadoria de Pedro Gallasso, a peça traduz pesquisa recente da artista sobre fibras naturais, luz e brasilidade contemporânea.

Entre arte, design e experimentação material, Simone Ronzani transforma um resíduo natural em paisagem luminosa. A obra celebra a abundância e a inteligência da natureza tropical, onde fibra, estrutura e luz se encontram para anunciar o nascimento de um novo ciclo – quando a matéria outrora viva ressurge sob outra forma e ganha nova presença no mundo.

Sobre a artista.

Após mais de duas décadas de atuação como jornalista, Simone migrou para as artes visuais há apenas três anos, construindo, em curto espaço de tempo, uma trajetória consistente e autoral. Nesse período, participou da Casa Cor 2024 com cinco peças no ambiente Estúdio da Estilista, assinado pela arquiteta Marcela Martins; teve três estampas licenciadas para o Cristo Redentor; assinou a instalação artística Pomar Tropicália, premiada como Hors Concours na mostra Morar Mais Rio 2025; e teve o projeto Jardim Carioca selecionado pelo Programa Novos Talentos Brasileiros 2025. Também em 2025, destacou-se com nove peças exclusivas na Casa Design Niterói. Fundadora do ateliê Casa Auguri!, sua produção transita entre arte, design e fazer manual, com foco em narrativas de brasilidade contemporânea.

O vocabulário singular de Adriano Mangiavacchi.

Sob a curadoria de Vanda Klabin, o artista Adriano Mangiavacchi comemora 85 anos com exibição individual na Galeria Patrícia Costa, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ, .

“Pintar é preciso e viver também”, enfatiza o artista italiano Adriano Mangiavacchi. Prestes a completar 85 anos – mais da metade deles vividos no Brasil -, ele parece personificar essa livre atualização do célebre verso de Fernando Pessoa. Desde 2023, Adriano Mangiavacchi vem se dedicando à aquarela, linguagem que passou a orientar sua produção mais recente. A leveza e a fluidez desse meio serviram de ponto de partida para a série de pinturas realizadas ao longo do último ano, agora apresentadas ao público no dia 12 de maio. Suas raízes, no entanto, permanecem vivas em sua trajetória e obra. Sem abdicar de suas referências, o artista constrói um vocabulário singular. Em seu texto curatorial, Vanda Klabin destaca afinidades entre Adriano Mangiavacchi e o seu conterrâneo Emilio Vedova, expoente da action painting, cujos impulsos gestuais encontram eco em sua pintura.

Sobre o artista

Adriano Mangiavacchi nasceu em Roma, onde iniciou sua formação artística na Escola Artifici, e depois na Academia de Brera, em Milão. Na década de 1970, imigrou para o Brasil e decidiu fixar residência no Rio de Janeiro para trabalhar como engenheiro industrial na fábrica de automóveis italianos Fiat e Alfa Romeo. Conhece Luiz Aquila, quando passa a frequentar o seu curso de pintura, em Petrópolis. Em 1980 assume de fato   a vocação pela arte, ingressando no grupo de Paulo Garcez, com quem aprende a disciplina de trabalho, a procura da linguagem, a postura crítica. Em 1986, véspera de eleições, documentou os restos de propagandas que cobriam os muros da cidade. A dramaticidade e espontaneidade dessas intervenções acabaram por influenciar uma fase marcante de sua carreira, em um momento de grande potencial pictórico. “A cidade é uma fonte de inspiração extraordinária”, afirma.

Até 06 de junho.

A geometria de Rubem Valentim.

16/abr

O MAM Rio, Parque do Flamengo, Rio de Janeiro, RJ,  exibe mostra dedicada a Rubem Valentim.

Rubem Valentim é um dos nomes mais relevantes da arte brasileira no século 20. Ao longo de mais de quatro décadas, desenvolveu uma linguagem plástico-visual-signográfica de vocação universal, construída a partir de composições geométricas em diálogo com matrizes culturais brasileiras, sobretudo africanas e indígenas.

Em 1976, Rubem Valentim relata a busca por uma ordem sensível em seu Manifesto ainda que tardio. “A geometria é um meio. Procuro a claridade, a luz da luz”, diz. Ao refletir sobre seu trabalho, identifica uma organização da experiência: “[…] sou um indivíduo tremendamente inquieto e substancialmente emotivo. Talvez precisamente por isso busco, ávido, na linguagem plástica visual que uso, uma ordem sensível, contida, estruturada”.

A exposição é organizada em seis núcleos que correspondem às cidades que marcaram sua trajetória. O percurso tem início em Salvador, onde desenvolve suas primeiras experiências a partir da observação do cotidiano, da cultura material, dos objetos rituais das religiões de matriz africana e da arte moderna europeia. No Rio de Janeiro, para onde se muda em 1957, sua pesquisa ganha rigor construtivo e densidade simbólica, adotando signos como princípios organizadores. 

Em Roma, Rubem Valentim aprofunda a articulação vertical dos elementos, apontando para uma dimensão totêmica. De volta ao Brasil, fixa-se em Brasília, onde expande sua prática para o campo tridimensional e formula o Alfabeto Kitônico, sistema que sintetiza sua investigação sobre linguagem, cultura e construção. Nos anos finais de sua vida, entre Brasília e São Paulo, amplia seu repertório, desenvolvendo estudos com outros sistemas de crenças, como o I Ching e a ordem esotérica Rosa-Cruz.

A mostra culmina com a apresentação do Templo de Oxalá, instalação criada em 1977. Composto por estruturas totêmicas dispostas no espaço, o trabalho traduz, em escala ambiental, a linguagem desenvolvida por Rubem Valentim ao longo de sua trajetória.

Curadoria de Raquel Barreto e Phelipe Rezende.

Até 02 de agosto.

Diversos temas em perspectiva.

O Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, Parque do Ibirapuera, São Paulo, SP, apresenta exposições que colocam em perspectiva temas como religiosidade, autoria, pertencimento e revisão histórica. Em cartaz, estão “Padê – sentinela à porta da memória”, “Bença! O Quilombo do Jaó pelo olhar das crianças” e “A História Inventada e a Invenção de Histórias”, de Roméo Mivekannin.

Entre os destaques está Padê – sentinela à porta da memória, em cartaz até 26 de julho. Com curadoria de Rosa Couto e Comitê Curatorial formado por Maurício Pestana, Renata Dias e Vera Nunes, a exposição toma Exu como eixo central para discutir comunicação, circulação e transformação. Organizada em três núcleos – “África”, “Travessia” e “Diáspora” -, a mostra articula obras do acervo do museu com produções contemporâneas, reunindo nomes como Emanoel Araujo, Sidney Amaral, Gustavo Nazareno, Carla Désirée, Mario Cravo Neto e Mestre Didi, entre outros. O percurso expositivo combina esculturas, fotografias, objetos do sagrado e instalações, evidenciando a permanência e as reinterpretações de Exu ao longo do tempo.

Em seus últimos dias, “A História Inventada e a Invenção de Histórias”, do artista beninense Roméo Mivekannin, segue em cartaz até 26 de abril. Com curadoria de Claudinei Roberto da Silva, a exposição reúne obras que partem de imagens clássicas da história da arte ocidental para propor deslocamentos de corpos, símbolos e centralidades. 

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