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AGENDA CULTURAL

Um caminho de cultura, história e diversão.

17/jul

A edição de férias de inverno 2026 do Caminhos da Matriz está chegando e com novidades. O roteiro cultural que percorre mensalmente alguns dos prédios históricos ao redor da Praça da Matriz, Porto Alegre, RS, e que já faz parte da tradição porto-alegrense traz, pela primeira vez, a Pinacoteca Ruben Berta para o percurso.

Nesta edição, as senhas serão limitadas a 105. Elas devem ser retiradas a partir das 13h30 do dia 25 na entrada do Palácio da Justiça. O percurso tem início às 14h, com a visita ao Memorial do Judiciário, ao Memorial do Ministério Público e à Pinacoteca Ruben Berta. Um programa de visitas mediadas gratuitas, que apresenta mensalmente uma combinação diferente de três dos prédios históricos no entorno da Praça da Matriz.

Então já programe-se, no Palácio da Justiça, às 13h30 do dia 25 de julho, para garantir seu lugar. Venha conhecer mais sobre esses espaços que são parte importante da história de Porto Alegre em um caminho de cultura, história e diversão.

A Pinacoteca Ruben Berta é constituída por uma coleção criada por Assis Chateaubriand – mais conhecido como Chatô (1892-1968), a figura mais influente do rádio, imprensa e televisão brasileira no século XX. A coleção de 125 obras foi doada pelos Diários Associados de Chatô à Prefeitura de Porto Alegre em 1971 e está conservada no casarão localizado na Rua Duque de Caxias, 973, restaurado e reinaugurado para esta finalidade em 2013. 

Em cartaz está a exposição “Para mostrar o mundo: objetos do cotidiano”, realizada sob curadoria de Katia Prates. A curadora – que também é artista e professora do Departamento de Artes Visuais e do Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da Ufrgs – selecionou um conjunto de pinturas, gravuras e desenhos pertencentes aos acervos da Pinacoteca Ruben Berta e da Pinacoteca Aldo Locatelli que apresentam a clássica temática da Natureza-morta. Na mostra, estão obras de artistas como Portinari, Di Cavalcanti, Carlos Scliar e Eliseu Visconti.  

Bate-papo gratuito e aberto ao público.

No dia 25 de julho, às 14h, será realizada uma conversa gratuita e aberta ao público com o artista Ricardo Siri e a curadora Fernanda Lopes, na exposição PRO-POLIS, em cartaz no Museu Histórico da Cidade, de terça a domingo, das 9h às 16h. A conversa será uma oportunidade para o público conhecer a fundo o trabalho do artista e as obras feitas com cera, mel e própolis, vindos do Meliponário do artista.

Investigação contínua e diligente da pintura.

A Almeida & Dale anuncia a representação de André Ricardo. Em agosto, a chegada do artista à galeria será celebrada com Mensageiro da Manhã, primeira individual de André Ricardo na Almeida & Dale, com uma série de trabalhos inéditos e texto crítico assinado pelo curador Renato Menezes.

A prática de André Ricardo é ancorada em uma investigação contínua e diligente da pintura a têmpera, técnica que o artista conduz em todas as suas etapas: da preparação da tela e manipulação de pigmentos e aglutinantes até a execução de cada pintura. Nesse processo, o artista constrói meticulosamente a transparência e a luminosidade de cada cor, conferindo às superfícies um caráter ora acetinado, ora aquoso. Ao operar no cruzamento entre o cânone da história da arte ocidental e a matriz cultural brasileira, sua obra mobiliza formas de caráter atemporal, abrindo um universo imagético a novas associações diante do olhar.

“A pintura é o modelo de pensamento que guia minha relação com o mundo. É no espaço do ateliê, através do fazer, que amalgamo tudo que me norteia, seja o estudo da história da arte ou minha experiência enquanto sujeito no mundo”, diz o artista.

André Ricardo foi indicado ao prêmio PIPA em 2017 e completou a residência Residency Unlimited, em Nova York, em 2022. Realizou exposições individuais em instituições nacionais como Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre e Centro Cultural São Paulo, e em galerias internacionais como Lamb Gallery, Londres e Hutchinson Modern & Contemporary, Nova York, além de ter integrado importantes mostras coletivas como a 37ª Panorama da Arte Brasileira, MAM, São Paulo. Suas obras são abrigadas pelas coleções do Instituto Inhotim, MAC-USP, MAM São Paulo e Pinacoteca de São Paulo, entre outras.

Universalismo construtivo.

O Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte recebe a exposição “Joaquín Torres García – 150 anos”, considerada a mais abrangente já realizada no Brasil sobre um dos principais nomes da arte moderna latino-americana. A mostra fica em cartaz até 12 de outubro.

Idealizada pelo curador Saulo di Tarso, com a colaboração do Museo Torres García, a mostra reúne mais de 400 obras, entre pinturas, desenhos, objetos, manuscritos e documentos históricos. Também integra a exposição a produção de mais de uma centena de artistas brasileiros e estrangeiros que estabelecem diálogos com o legado do artista uruguaio.

Em Belo Horizonte, a montagem incorpora obras inéditas de artistas como Advânio Lessa e Randolpho Lamonier, reforçando a relação entre a produção regional e o pensamento de Torres García. “Cada cidade transforma a exposição em uma experiência diferente. Em Belo Horizonte, buscamos evidenciar as conexões entre o pensamento de Torres García, a arte popular e a cultura mineira, mostrando como sua obra continua dialogando com questões de identidade, pertencimento e criação coletiva. O Sul, para ele, nunca foi apenas um lugar no mapa, mas uma forma de compreender o mundo”, afirma. A etapa mineira também apresenta um percurso curatorial voltado às relações entre o pensamento do artista, a arte popular e a cultura de Minas Gerais. Entre as novidades estão mapas históricos dos séculos XVII e XVIII de Pieter Goos e Jodocus Hondius, inseridos para ampliar os debates sobre identidade cultural e perspectivas decoloniais.

O percurso também destaca a contribuição de Torres García para aproximar as vanguardas europeias das culturas latino-americanas e evidencia o Universalismo construtivo, escola artística criada por ele e desenvolvida pelo grupo Taller Torres García, cuja influência permanece presente nos debates sobre identidade, pertencimento e autonomia cultural.

Entre as obras em destaque está “América Invertida”, considerada uma das imagens mais emblemáticas da história da arte latino-americana. Raramente exibida fora do Museo Torres García, em Montevidéu, a obra propõe uma mudança de perspectiva sobre o lugar da América Latina no mundo.

Matéria disponível à transformação.

16/jul

Chama-se “Vertido” a exposição individual de pinturas de Pedro Varela apresentada na Galeria Murilo Castro, Belo Horizonte, MG. A curadoria e o texto de apresentação traz a assinatura de Shannon Botelho.

Vertido

A água não conserva as coisas, ela as transforma. Abaixo da superfície, o tempo adquire outra espessura. Os contornos se deslocam, as cores se alteram, as distâncias já não obedecem à mesma medida. Nada permanece exatamente como era, mas tampouco desaparece. Em Vertido, Pedro Varela faz da pintura um ambiente de imersão, onde as imagens atravessam diferentes tempos e reaparecem continuamente, como se a própria matéria da tinta preservasse o movimento incessante das águas.

Vertido marca a primeira exposição individual do artista na galeria e reúne um conjunto de trabalhos que evidencia uma nova inflexão em sua pesquisa. Sem assumir o caráter de retrospectiva, dado que os trabalhos são recentes e realizados para estarem aqui, o que vemos remonta visualmente diferentes momentos de sua trajetória e faz coexistirem signos, procedimentos e materiais que atravessam mais de vinte anos de carreira. Trata-se de uma exposição que nos convida tanto ao reconhecimento quanto à descoberta, uma vez que as recorrências plásticas permanecem, como se fossem lentamente transformadas pela própria experiência da imersão.

Nas pinturas, a tinta diluída estabelece o ritmo da exposição. Ora ela se espalha em transparências que se aproximam da aquarela, ora concentra-se em espessura, tornando visível o tempo e o gesto do exercício contínuo da pintura. Em outras superfícies, papéis recortados compõem imagens que reafirmam este deslocamento temporal na trajetória de Pedro. As colagens, elas não interrompem a pintura do artista, antes prolongam seu fluxo, fazendo com que matéria e imagem compartilhem valores e desejos criativos. A escala dos trabalhos, por sua vez, amplia a experiência de imersão, pois convida o observador, como em um mergulho, a percorrer uma paisagem em que corpos, flores, arquiteturas, recifes de coral parecem emergir de uma mesma corrente.

Em Vertido, nada retorna exatamente ao lugar de onde partiu. A água, signo aqui tão presente, altera as formas. A memória, força que move e determina o desejo, reinventa as paisagens. E a pintura, linguagem central da pesquisa do artista, faz do tempo uma matéria sempre disponível à transformação. Em um lugar localizado entre o silêncio das profundezas e a pulsação do sangue que faz florescer a vida, Pedro Varela delimita um recorte de universo onde recordar não significa repetir, já que cada imagem é sempre uma possibilidade de reinvenção.

Shannon Botelho.

Sobre o artista.

Pedro Varela nasceu em Niterói, RJ, 1981. Vive e trabalha em Petrópolis, Rio de Janeiro. Atualmente o artista vem desenvolvendo séries de pinturas monocromáticas e desenhos multicoloridos. Tem trabalhos nas seguintes coleções: Coleção SESC (São Paulo-SP); Gilberto Chateaubriand/Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-RJ); Montblanc México (Cidade do México); Sprint Nextel Art Collection, Overland Park. Entre suas principais exposições destacam-se: “Enredado”, exposição com Carolina Ponte no Kunsthal de Viborg, Dinamarca; “Trail with no end in sight”, Galeria Enrique Guerrero, México, 2019; “Tender Constructions”, (com Carolina Ponte), Cité Internationale des Arts, Gallery 4 and 5. Paris, França; “Crônicas tropicais”, MDM Gallery, Paris, 2015; “Tropical”, Galeria Enrique Guerrero, Mexico DF, 2014; “Dusk to dawn… Threads of infinity (com Carolina Ponte)”, Anima Gallery, Doha, Catar, 2014; “Pedro Varela”, Centre Culturel Jean-Cocteau, Les Lilas, 2014; “Pedro Varela”, Xippas, Montevidéu, 2013; “Le Brésil Rive Gauche”, Le Bon Marché Rive Gauche, Paris, 2013.

Até 29 de agosto.

Influência das matrizes culturais africanas.

A Danielian RJ, Gávea, apresenta “Izô” – exposição coletiva que reúne nove artistas brasileiros de diferentes gerações e origens para provocar uma percepção sensível sobre a influência das várias matrizes culturais africanas na produção artística brasileira contemporânea.

Com curadoria de Rafael Peixoto e Marcus Lontra, a mostra parte do vocábulo de origem bantu, izô, que representa a força essencial do fogo, como inspiração para colocar em diálogo obras de Ayrson Heráclito, Artur Barrio, Cipriano, Dionísio del Santo, Gonçalo Ivo, Jayme Figura, Lidia Lisbôa, Luiz Hermano, Mario Cravo Jr. além de um importante conjunto de ex-votos brasileiros.

A exposição conta ainda com comentários críticos complementares de Heitor Reis, importante curador e gestor cultural que esteve a frente do MAM da Bahia por mais de uma década e de Cipriano, artista e teórico no desenvolvimento de um pensamento brasileiro afro-referenciado.

Segundo os curadores, “O Brasil das misturas, das violências, dos encontros e dos embates possui estas histórias em suas raízes mais profundas. Em cidades como Salvador e Rio de Janeiro, esta presença é vivida no cotidiano das ruas, no falar, no vestir e no modo de estar em comunidade. Não à toa, essa ideia de África Mãe, que aparece como fonte de inspiração para vários tipos de expressão, esconde por debaixo dos véus da amálgama social brasileira o apagamento de origens e tradições, que sobrevivem subliminarmente metamorfoseadas principalmente nas manifestações de origem popular. Pensar a riqueza de visualidades africanas é tão complexo quanto pensar a multiplicidade de manifestações criativas no Brasil. Longe desta intenção, esta mostra mergulha na percepção de uma força que emerge no gesto e na ação humana de expressar-se através da arte. Fogo que arde de dentro pra fora”.

Até 19 de setembro. 

Extratos dos arquivos de Cérès Franco.

15/jul

Em 1966, Corneille e Cérès Franco ajoelharam-se no chão de uma galeria parisiense para observar os guaches de Chaïbia. Corneille murmurou: 

“Tal como CoBrA, tal como CoBrA”. 

Esta cena revela algo essencial sobre estas três figuras: o pintor holandês, a camponesa marroquina que se tornou pintora e a galerista brasileira que os reuniu. Cada um deles era também, secreta ou publicamente, poeta. Este livro apresenta os seus escritos, na sua maioria inéditos, extraídos dos arquivos de Cérès Franco.

As transformações da paisagem nacional.

14/jul

Trabalhos de Di Cavalcanti, Tarsila do Amaral, Carybé, Alfredo Volpi e Cândido Portinari estão entre as mais de 200 obras de “Coleção Ingá: Brasil plural”, que chega ao Centro Cultural da Justiça Federal, Cinelândia, Rio de Janeiro, RJ. Parte do acervo do Museu do Ingá, de Niterói, a seleção reúne pinturas, esculturas, gravuras e objetos dos séculos XIX e XX.

Os curadores Marcus Lontra e Rafael Peixoto organizaram a seleção em seis núcleos, que perpassam temas como religião, identidade e pertencimento, as transformações da paisagem nacional, e a arte popular. Dentre as obras principais, estão o painel monumental de “Brasil em quatro fases”, de de 3 x 8 metros, no qual  Di Cavalcanti conta a história do Brasil desde a chegada dos portugueses, e o conjunto de quadros “Embarcações com índios”, de Carybé.

Até 27 de setembro.

A obra monumental de Carlos Tenius.

A Coordenação de Artes Visuais – SMC informa a prorrogação do período de visitação da exposição “Carlos Tenius – Voo Livre”, com curadoria de Eduardo Veras e Paula Ramos, até dia 31 de julho, na sala Aldo Locatelli do Museu de Arte do Paço (MAPA). 

Esculturas 

A mostra apresenta algumas das primeiras esculturas do artista, produzidas em seu período formativo no antigo Instituto de Belas Artes, além de diversos desenhos preparatórios para o monumento, até então inéditos. Exibe, ainda, recortes de jornal, fotografias e cadernos privados. A seleção também inclui a primeira maquete em aço dos Açorianos, que Carlos Tenius preserva em casa, em sua sala de estar, e a segunda maquete, ainda maior, também em aço, com quase três metros de extensão. A peça, que faz parte do acervo artístico municipal, subiu do porão da Prefeitura de Porto Alegre para figurar na exposição.

Açoriano

O visitante tem a chance de conferir um açoriano, de quase dois metros de altura. Previsto nos desenhos e até nas maquetes do monumento, ele não entrou na montagem final. Na hora da fixação, em 1974, a intuição de Carlos Tenius sugeriu que o personagem era desnecessário, que ele estava, por assim dizer, sobrando. Esta é sua primeira aparição pública. A exposição inclui uma seleção de fotografias históricas, que registram etapas do processo que tornou a obra possível: fundição, montagem e festa de inauguração do Monumento aos Açorianos, há cinco décadas.

As relações entre Arte e Arquitetura.

A Galeria Eduardo Fernandes, Vila Madalena, São Paulo, SP, anuncia a abertura da exposição “Falemos de Arquitetura”, com curadoria e texto de Agnaldo Farias, no próximo sábado, 19 de julho, das 11h às 16h. 

A mostra reúne artistas representados pela galeria como Ana Amélia Genioli, Daisy Xavier, Edgar Racy, Guilherme Dable, Gustavo Prata, Heloísa Crocco, Jacqueline Duncan e Roberto Mícoli, em diálogo com os artistas convidados Artur Lescher (Galeria Nara Roesler), José Carlos Vilar e Penna Prearo. A exposição propõe uma reflexão sobre as relações entre Arte e Arquitetura, aproximando diferentes pesquisas em torno do espaço, da matéria, da forma e da percepção.

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