artista visual Katia Wille investiga conexões entre a natureza-morta, o corpo feminino e a memória em exposição no Centro Cultural Municipal Laurinda Santos Lobo, Santa Teresa, Rio de Janeiro, RJ, sob curadoria de Fernanda Terra.
A ideia de suspensão encontra uma tensão particular na pesquisa elaborada pela artista Katia Wille sobre a flor como corpo e matéria. Partindo dessa investigação que permeia sua trajetória desde 2013, Fernanda Terra selecionou cerca de 20 pinturas em acrílica sobre tela produzidas recentemente e que serão apresentadas em sua mostra individual “À Carne da Flor”, que inaugura dia 17 de outubro, sábado, às 15h. Completam o conjunto objetos em matelassê e cadernos de desenho e pesquisa da artista.
“Existe uma tentativa desse corpo de sair da forma que o abriga, porque ela já o oprime. A louça se parte, o vaso racha e seus fragmentos passam a integrar a própria composição das obras. A ruptura também aparece na madeira, nos dípticos e nos mosaicos, fazendo da fragmentação uma parte constitutiva das imagens”, afirma Fernanda Terra.
A relação entre corpo feminino, forma e contenção, pontos fundamentais nessa mostra, encontra uma camada histórica particular no próprio espaço onde será apresentada, o Centro Cultural Municipal Laurinda Santos Lobo. O lugar leva o nome de uma mulher que desempenhou um importante papel na vida cultural do Rio de Janeiro e na circulação de artistas e intelectuais em seu tempo. A presença de Laurinda Santos Lobo estabelece uma conexão direta com um dos temas que atravessam a exposição: a experiência das mulheres em diferentes momentos históricos e as formas pelas quais suas vozes, corpos e produções encontram espaço de existência e reconhecimento.
Sobre a artista.
Katia Wille é artista visual e pesquisadora. Sua pesquisa estende-se a trabalhos têxteis, instalações e processos colaborativos, incorporando resíduos, bordado e práticas de reutilização como modos de investigar memória, materialidade e construção simbólica. Projetos como Tota Machina (2018-2026), dedicado às relações entre arte e inteligência artificial, e O Avesso do Vestir, desenvolvido no Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea (2023-2024), ampliam essa investigação para contextos tecnológicos e coletivos. Realizou exposições individuais no Brasil e no exterior, entre elas Tudo é Corpo (Centro Cultural Correios, Rio de Janeiro, 2025), I Wear My Insides Out (the Blanc Gallery, Nova York, 2024) e Pilotis (Casa Fiat de Cultura, Belo Horizonte, MG, 2022).
Até 03 de janeiro de 2027.
































