Quando São Francisco encontra Guido Totoli.

11/set

Exposição reúne obras de diferentes décadas e criações recentes em torno de uma referência que acompanha o artista desde a infância.

Guido Totoli apresenta, em 17 de setembro, no Instituto Italiano de Cultura de São Paulo, Higienópolis, a exposição “Guido Totoli e São Francisco – Terra, Transformação, Espírito”, com curadoria de Claudia Totoli. A mostra reúne 22 obras entre desenhos, pinturas, esculturas e cerâmicas, realizadas em diferentes momentos de uma trajetória que atravessa mais de sete décadas, incluindo tanto peças de seu acervo pessoal quanto trabalhos criados especialmente para a ocasião. A partir de sua relação com São Francisco de Assis, o conjunto estabelece um diálogo entre terra, transformação e espírito.

A escolha de São Francisco é proposital e sua presença acompanha a produção de Totoli, ganhando na exposição novas possibilidades de leitura a partir do diálogo entre obras de diferentes períodos. Para a curadora, esse percurso evidencia uma afinidade que ultrapassa a representação do santo e se aproxima de valores presentes na própria produção do artista, como a relação com a natureza, a simplicidade e a atenção ao outro.

“A relação de Guido com São Francisco atravessa sua trajetória. Ao selecionar as obras, fui percebendo como a figura do santo, sua relação com a natureza e sua atenção aos mais necessitados já estavam presentes, de diferentes formas, em sua produção. Parecia que tudo já estava conversando”, define Claudia Totoli.

Essa leitura também orientou a construção do espaço expositivo. O percurso parte da ideia de peregrinação: no centro, as esculturas formam uma cruz grega inscrita em um octógono; ao redor, desenhos, pinturas e painéis cerâmicos apresentam diferentes momentos da vida e da mensagem de São Francisco. Elementos sonoros e uma fragrância inspirada em folhas e capim fresco integram a montagem. 

A exposição integra a programação do Instituto Italiano de Cultura de São Paulo dedicada aos 800 anos da morte de São Francisco de Assis, aproximando diferentes tempos da produção de Totoli em torno de uma referência que permanece ativa em seu trabalho.

A fala do artista.

“Com a minha idade e experiência, pude transitar por vários temas durante minha carreira. Experimentei vários instrumentos, mas foi na pintura, cerâmica, escultura em terracota e desenho que adquiri um conhecimento muito grande. Manusear esses materiais é a minha vida”.

“Hoje, para me inspirar, junto tudo o que aprendi na minha vida e que se completou agora. Onde estou, na rua, no carro, estou tendo ideias. Daí me preparo mentalmente através dessas ideias e coloco em prática.”.

Até 07 de novembro.

 

A presença física das estruturas em Wolfram Ullrich.

10/set

A Galeria Raquel Arnaud, Vila Madalena, São Paulo, SP, exibe a exposição “Ambiguidade construtiva e ativação do espaço”, de Wolfram Ullrich. Com texto crítico de Guilherme Wisnik, a mostra apresenta um conjunto de obras inéditas do artista alemão que tomam partido do ilusionismo como maneira de se compreender a relação entre objeto e ambiente de forma ativa. Wolfram Ullrich trabalha com materiais industriais, lisos, polidos, exatos. O artista atualiza a tradição do abstracionismo geométrico em chave contemporânea, apostando na percepção ativa como instrumento de reflexão e posicionamento dos sujeitos em relação às intrincadas teias de relações que nos envolvem.

A mostra intitulada “Ambiguidade construtiva e ativação do espaço” reúne obras que constroem a ilusão de profundidade e exploram, ativando a relação entre o corpo do espectador, a obra e o espaço. Como observa Guilherme Wisnik, “não há um ponto de vista privilegiado para se observar esses trabalhos, nem, portanto, uma forma estável de reconhecê-los”. A cor desempenha papel fundamental nessa experiência. Recorrentes na produção do artista, os tons vibrantes, entre eles, o vermelho intenso presente em parte dos trabalhos da exposição, não funcionam como gesto expressivo, mas como elementos que acentuam a presença física das estruturas. Para Guilherme Wisnik, o vermelho confere “corporalidade ao conjunto serial”, reforçando a dimensão quase arquitetônica das obras.

Mais do que uma exposição sobre geometria, portanto, a mostra de Wolfram Ullrich coloca em cena uma pergunta bastante contemporânea: até que ponto podemos confiar no nosso próprio olhar? Entre superfície e volume, pintura e escultura, matéria e imagem, suas obras transformam o ato de observar em uma experiência de descoberta.

Sobre a Galeria Raquel Arnaud.

Fundada em 1973, é referência no cenário da arte contemporânea brasileira e internacional. Com foco em arte construtiva, cinética e contemporânea,destaca-se  r promover artistas cuja produção explora a relação entre espaço, forma e luz. Atualmente, sob a direção de Raquel Arnaud e Myra Arnaud Babenco, o espaço entra em um novo momento, estando sempre  em conexão com o mercado e com a arte contemporânea. 

Até 30 de novembro.

Superando os limites do espaço e do tempo.

08/set

A exposição “Ismael Nery: armadilha moderna”, dedicada ao trabalho de Ismael Nery (1900-1934), pintor, desenhista, arquiteto, decorador, cenógrafo e poeta, investiga a trajetória de um dos artistas mais inquietantes do Modernismo Brasileiro. 

Ismael Nery apropriou-se de linguagens como a ilustração, o cubismo e o surrealismo, alterando-as a partir de suas próprias inquietações. Em pinturas, desenhos e poemas, o corpo tornou-se o lugar onde ele investigou a instabilidade da identidade, a fusão entre os gêneros, a corrupção da matéria e o desejo religioso de superar os limites do espaço e do tempo. 

A mostra reúne cerca de 230 obras, entre desenhos, pinturas, retratos, autorretratos e composições com figuras humanas sensuais, muitas vezes andróginas, algumas ameaçadoras, que operam na fronteira entre o afeto e a violência, o desejo carnal e o trauma da finitude. 

Desde sempre compreendido como uma das vozes mais singulares da arte brasileira, Ismael Nery tem sua trajetória revista pela Pinacoteca nessa mostra panorâmica que apresenta suas contradições, sua densidade teórica e a radicalidade de suas invenções.

Em cartaz até 31 de janeiro de 2027.

Sobre o artista.

Ismael Nery (Belém, PA, 1900 – Rio de Janeiro, RJ, 1934) foi pintor, desenhista, arquiteto, cenógrafo, ilustrador e poeta. Ingressou na Escola Nacional de Belas Artes em 1917 e complementou seus estudos na Académie Julian, em Paris, em 1920. Em suas viagens à Europa, entrou em contato com expoentes do surrealismo e do cubismo, como André Breton, Marcel Noll e Marc Chagall, desenvolvendo, contudo, uma poética própria pautada pelo Essencialismo. Autor de uma vasta produção gráfica e pictórica focada na figuração humana, na anatomia, na androginia e na retratística, faleceu precocemente aos 33 anos em decorrência de complicações da tuberculose. 

Sua filosofia fundamentava-se no desprendimento das noções de tempo e espaço, buscando na criação o desdobramento do “eu” e a revelação de uma verdade imutável situada por trás das formas efêmeras da matéria. Essa busca traduziu-se no recorrente tema da androginia e da duplicidade. Em suas telas, corpos desprovidos de gênero definido, figuras calvas e duplos espelhados se fundem em um abraço sensual ou melancólico. Exemplo central desse procedimento é a obra Autorretrato com Adalgisa (sem data), na qual a face do artista e a de sua esposa, a escritora e poeta Adalgisa Nery (1905-1980), aparecem sobrepostas e portadoras dos mesmos traços anatômicos, sugerindo manifestações complementares de um único organismo espiritual. Em outras obras, Ismael Nery desestrutura a anatomia das figuras humanas – expondo suas vísceras para depois reconstituí-las enquanto unidade. Em obras como Visão Interna – Agonia (1931) e Eternidade (1931), o corpo surge aberto, visceral e fragmentado: as entranhas humanas articulam-se com a paisagem e com a terra, convertendo o sofrimento em meditação sobre a mortalidade e a eternidade.

O novo artista representado.

04/set

A Galatea anuncia a co-representação de Anísio O. Couto. A parceria acontece após a exposição individual realizada na galeria entre 2025 e 2026 e dá continuidade ao diálogo construído em torno de sua produção, em colaboração com a Tropigalpão, galeria que o representa no Rio de Janeiro.

Nascido na Bahia e radicado no Rio de Janeiro, Anísio O. Couto desenvolve uma pintura que transforma cenas, objetos e animais do cotidiano em um universo singular, situado entre a figuração e a abstração. Suas obras reinventam referências familiares por meio de uma paleta vibrante e de uma linguagem que aproxima imaginação, memória e uma brasilidade continuamente revisitada pela arte contemporânea.

Borboletas, peixes, tucanos, bules e xícaras de chá povoam as pinturas de Anísio O. Couto, em diálogo com a tradição da natureza-morta. Em suas telas, porém, essas imagens se afastam das paletas opacas historicamente associadas ao gênero e dão lugar a cores solares – amarelos, laranjas, vermelhos e rosas – que reinventam objetos e frutas tropicais.

Entre as suas principais exposições estão: Anísio O. Couto (Individual, Galatea, São Paulo, 2025-2026), la chambre humaine, (Coletiva, Galerie Chantal Crousel, Paris, 2026); Ensaio aberto (Duo, TropiGalpão, Rio de Janeiro, 2025); Em busca do tempo roubado (Coletiva, Flexa, Rio de Janeiro, 2024) e Rio: a medida da terra (Coletiva, Flexa, Rio de Janeiro, 2024).

Reabertura do 39º Panorama da Arte Brasileira.

O MAM São Paulo apresenta a 39ª edição do Panorama da Arte Brasileira, marcando o retorno do museu à sua sede no Ibirapuera após a reforma da Marquise. Com curadoria de Diane Lima, a mostra reúne 33 artistas de 13 estados de todas as regiões do Brasil – entre eles Allan Weber, Amorí, Anti Ribeiro, Arorá, Bárbara Banida, Biarittzzz, Chacha Barja, Darks Miranda, Fykyá Pankararu, Jota Mombaça, Kuenan Mayu, Lia D Castro, Nazas, Oto Ferreira e Rose Afefé. 

Inspirada no pensamento da filósofa Denise Ferreira da Silva, a curadoria parte da pergunta: o que se torna possível quando a obra de arte recusa qualquer coisa que possa ser imediatamente dita sobre ela? Diane Lima examina como a “reviravolta epistemológica” das últimas décadas – impulsionada pelo feminismo negro, pelas políticas afirmativas e pelas transformações raciais na sociedade brasileira – reconfigurou a arte brasileira, identificando nas obras selecionadas o que chama de “formas oceânicas, porosas e monstruosas”: práticas que desestabilizam geografias mentais, recusam classificações rígidas e propõem um exercício radical de imaginação como movimento coletivo de liberação.

Em 12 de setembro.

Um panorama da obra de Tatiana Blass.

28/ago

Ministério da Cultura, Nubank e Instituto Tomie Ohtake apresentam Tatiana Blass – Contrarregra, com curadoria de Ana Roman e Lahayda Mamani Poma. A mostra reúne cerca de 50 obras produzidas entre 2008 e 2026, entre pinturas, esculturas, instalações, vídeos e um conjunto de trabalhos inéditos, oferecendo um panorama da produção da artista e de sua investigação sobre matéria, espaço, luz e tempo.

O título da exposição faz referência à figura do contrarregra, responsável por organizar os bastidores e criar as condições para que a cena aconteça sem ocupar o centro do palco. A partir dessa ideia, a mostra aproxima a prática da artista à lógica teatral ao apresentar obras que deslocam a atenção do resultado para os processos que tornam a imagem possível. Embora tenha a pintura como ponto de partida, sua produção se expande para diferentes linguagens – como esculturas, instalações, vídeos, performances – e materiais, como vidro, bronze, cera, cerâmica, entre outros.

Entre os destaques da exposição estão um núcleo significativo de obras inéditas, desenvolvido especialmente para o Instituto Tomie Ohtake, e trabalhos de diferentes momentos da trajetória da artista. As novas pinturas da série “Contraluz”, realizadas sobre vidro, incorporam a arquitetura, a incidência da luz e o deslocamento do visitante à própria imagem, enquanto obras das séries “Metade da fala no chão”, “Quebra-quebra”, “Nó”, “Noite-dia” e “Contrarregra” evidenciam o diálogo que a artista propõe entre pintura, escultura, som e palavra.

A transformação da matéria ocupa um lugar central na mostra. Em diferentes trabalhos, materiais como cera, vidro, bronze e cerâmica permanecem em constante estado de mudança, incorporando o tempo como parte da própria obra. Em vez de apresentar formas definitivas, Tatiana Blass cria trabalhos que se alteram pela ação da luz, do calor, da gravidade ou da presença do público, fazendo da transformação um elemento constitutivo da experiência expositiva.

Desenvolvida em diálogo com a artista, a expografia transforma as salas expositivas em um espaço de encenação. A montagem incorpora dois palcos, que passam a integrar o percurso do público e estabelecem relações diretas com as obras. Mais do que elementos cenográficos, esses dispositivos evidenciam a ideia de bastidor que atravessa toda a exposição. A mostra traz ainda obras inéditas que resultam do encontro entre Tatiana Blass e o músico Kiko Dinucci. A partir de pinturas recentes da artista, os dois iniciaram um diálogo que resultou na capa do novo álbum do compositor e, posteriormente, em uma série de trabalhos desenvolvidos especialmente para a exposição. 

Conjunto inédito de pinturas.

 

Tania Ximena: No encalço do líquen, individual da artista mexicana Tania Ximena (Hidalgo, México, 1985) segue em cartaz na Galatea Oscar Freire até o dia 17 de outubro. Explore as obras apresentadas e conheça mais sobre a pesquisa da artista em um material especial da exposição.

Da Antártica ao Golfo do México, Tânia Ximena acompanha geleiras, rios, desertos e vulcões diretamente afetados pelas mudanças climáticas – paisagens que ilustram o conjunto inédito de pinturas em grande formato apresentado na individual.

Realizada no contexto de intercâmbio entre a Galatea e a LLANO, galeria que representa a artista na Cidade do México, a mostra dá continuidade à parceria iniciada este ano com a exposição de Dani Cavalier no México. Com texto curatorial de Miguel A. López, curador-chefe do Museo Universitario del Chopo, a exposição amplia esse diálogo entre diferentes agentes da arte latino-americana contemporânea.

O Clube dos Colecionadores.

27/ago

O Museu de Arte Moderna de São Paulo apresenta uma curadoria especial em seu estande na feira Rotas, marcando dois grandes momentos de sua trajetória. 

A edição 2026/2027 do Clube de Colecionadores celebra as quatro décadas do programa com tiragens exclusivas de 70 exemplares de León Ferrari, Mayara Ferrão e Rodrigo Cass. Refletindo a diversidade e a linha curatorial do MAM, a nova edição articula diferentes gerações, linguagens e debates contemporâneos. León Ferrari, figura central da arte latino-americana, cuja produção gráfica e experimental desenvolvida durante seu exílio em São Paulo será tema de uma grande exposição no museu em 2027. A dimensão sensível e metafísica surge na pesquisa de Rodrigo Cass, artista participante do 39º Panorama da Arte Brasileira: Depois que tudo foi dito. Já Mayara Ferrão, a participante mais jovem da edição, articula inteligência artificial e ancestralidade para criar imagens dissidentes que desafiam padrões hegemônicos e resgatam narrativas da tradição afro-brasileira. 

O estande se completa com o lançamento do múltiplo de Carmela Gross, desenvolvido especialmente para comemorar a reinauguração da sede do MAM São Paulo. A edição intitulada Brasil à mão livre é um desdobramento da obra homônima comissionada para o novo restaurante do museu e reinventa o mapa do país valendo-se da liberdade da arte. Nela, o território surge deformado, com estados desfigurados, ausentes ou achatados. Banhada a ouro, a obra exala um brilho sedutor que, em contrapartida, aponta para a tragédia de considerar o território apenas como fonte de extração. Para Cauê Alves, curador-chefe do museu, “A artista nos faz refletir sobre as contradições de tratarmos o mundo não como um organismo vivo, mas como um grande depósito de mercadorias que podem ser esgotadas até o limite e sem consequências para todos”.

Ao longo de quatro décadas, o Clube de Colecionadores consolidou-se como um pilar fundamental no fomento à arte contemporânea e na expansão do acervo do MAM. Mais do que incentivar o colecionismo, o programa impulsiona a criação artística ao reunir investigações conceituais e técnicas de grande relevância, um legado que se renova e pode ser conferido de perto no estande do museu durante a feira Rotas. 

Luiz Carlos Paulino e o céu de concreto.

 

A Central Galeria, Higienópolis, São Paulo, SP, apresenta “Céu de Concreto”, primeira exposição individual de Luiz Carlos Paulino (Bizil) na galeria, em cartaz até 19 de setembro. A mostra reúne três núcleos de obras que incorporam diferentes perspectivas da vida dos egressos da Casa de Detenção, integrando-as ao debate do programa anual da galeria – voltado aos tempos políticos e ao campo aberto da liberdade, da experimentação e da imaginação.

Luiz Carlos Paulino é sobrevivente do massacre do Carandiru (1992), uma das maiores barbáries da história do país. Em sua produção, transforma essa experiência em obra, dando forma à violência da ação policial que deixou 111 mortos, segundo dados oficiais. Entre representações do horror e dimensões imateriais e espirituais, suas obras denunciam a negação de direitos básicos, as violências do Estado e também afirmam sua sobrevivência como um milagre.

A exposição evidencia a pluralidade técnica da pintura de Luiz Carlos Paulino e a singularidade de uma obra que se afirma a partir de seu testemunho e liberdade: “A técnica de Luiz Paulino se destaca no conjunto das telas: o colorido preciso, o jogo entre primeiro e segundo plano, a perspectiva que faz as edificações parecerem cavernas, o jogo dos corpos que opõe subjugação e violência, a prepotência frente à humilhação. Trata-se, portanto, não apenas de um registro, mas de um projeto artístico que não abdica do lugar da denúncia e do testemunho – de lembrar de não esquecer”, escreve Lilia K. Moritz Schwarcz, que assina o texto crítico da mostra.

Multiplicidade de vozes e identidades.

26/ago

A Nara Roesler, Jardim Europa, São Paulo, SP, convida no dia 29 de agosto, das 11h às 15h, para a aberturada da exposição “Speaking in Tongues” (Falando em línguas), com curadoria de Magalí Arriola, que apresenta obras – esculturas, pinturas, desenhos, fotografia, objetos – dos artistas Antonio Dias, Dan Graham, Carlos Bunga, Tania Pérez Córdova, Jonathan Torres, Ann Lislegaard, Petrit Halilaj, Gino De Dominicis, Adriano Amaral, Julia Gallo e a dupla Guadalupe Rosales e rafa esparza.

A curadora explica que “Speaking in Tongues” (Falando em línguas) se opõe à “lógica contemporânea que busca nos categorizar como indivíduos – apagando todas as formas de opacidade – criando categorias e associações”. Contra essa tendência, a mostra reúne uma multiplicidade de vozes e identidades, e “reativa a especulação, o sonho e outras formas de subjetividade como estratégias para resistir à urgência de cristalizar o futuro”.

“Aquilo que se apresentava como futuro deixa de ser o lugar das grandes narrativas, previsões, promessas ou adivinhações e passa a ser, em vez disso, um campo conjectural no qual tecnologia e messianismo, medo e nostalgia, espera e utopia, conspiração e linearidade, trama e profecia se entrelaçam”, afirma Magalí Arriola. 

A mostra integra o ciclo comemorativo dos 50 anos de trajetória de Nara Roesler, e celebra o Roesler Hotel, projeto iniciado em 2004 e que, ao longo de 29 edições, acolheu artistas, curadores e ideias de diferentes partes do mundo, como um espaço de experimentação. Nesta edição especial, foi convidada a escritora e curadora Magalí Arriola, ex-diretora do Museo Tamayo, na Cidade do México, e curadora do Pavilhão do México na 58ª Bienal de Veneza (2019), e curadora chefe da Bienal Internacional de Arte e Cidade de Bogotá (Bog27) em 2027, entre muitas outras funções.

Até o dia 24 de outubro.