A linguagem rigorosa e investigativa de Mavignier.

25/maio

A Galeria Dan Contemporânea, Itaim Bibi, São Paulo, Sp, exibe até 15 de agosto panorama da obra de Almir Mavignier. 

A exposição “Almir Mavignier – A Espiral e o Ateliê”, a partir da leitura crítica de Luiz Armando Bagolin, apresenta um percurso em que arte, percepção e existência se encontram. A mostra parte da experiência decisiva do ateliê de pintura criado em 1946 no Centro Psiquiátrico Nacional de Engenho de Dentro, a partir do encontro entre Almir Mavignier e Nise da Silveira. Ali, a pintura surgia como espaço de acolhimento, expressão e reorganização interior para artistas como Emygdio de Barros, Raphael Domingues, Carlos Pertuis, Fernando Diniz e Isaac Liberato.

Esse núcleo inicial revela uma dimensão essencial da exposição: a arte como necessidade vital. No ateliê, Mavignier atuava sem interferir na forma dos trabalhos, respeitando a força própria de cada imagem. As obras produzidas naquele contexto não nasciam de um programa estético prévio, mas de uma urgência interna, de uma ordem construída pelo próprio gesto de ver, sentir e pintar. Ao lado dessas obras, a exposição acompanha a trajetória de Mavignier rumo à construção de uma linguagem rigorosa e investigativa. Sua passagem pela Europa, especialmente pela Escola de Ulm, aprofundou sua pesquisa sobre cor, retícula, repetição, sistema e percepção. Nas pinturas de pontos, nas permutações, nos cartazes e nas séries posteriores, o artista transforma a imagem em um campo de experimentação visual, onde pequenas variações produzem movimento, vibração e surpresa.

A mostra aproxima, assim, dois caminhos distintos: de um lado, a imagem que nasce de uma experiência subjetiva intensa; de outro, a imagem construída por meio de sistemas racionais, cálculo, método e variação. O que une esses dois universos não é uma semelhança formal simples, mas uma pergunta comum: como uma imagem ganha força própria, para além da vontade direta de seu autor? Entre o ateliê e a espiral, entre a intuição e o sistema, entre o gesto e a regra, a exposição revela a arte como forma de conhecimento e como modo de existência. Como afirmou Mavignier, “a arte é uma solução para existir” – e é justamente essa dimensão vital que atravessa toda a mostra.

Texto elaborado a partir do ensaio crítico de Luiz Armando Bagolin

Até 15 de agosto.

A obra singular de Niobe Xandó.

A Galeria Frente, Cerqueira César, São Paulo, exibe até o dia 22 de agosto mostra retrospectiva de Niobe Xandó, na qual podem ser vistas cerca de setenta obras divididas em diveras técnicas como pinturas, desenhos, gravuras e objetos. 

Niobe Xandó

O inusitado

A relevância da obra de Niobe Xandó (1915 – 2010) sugere a realização de uma exposição abrangente pautada pelo inusitado de suas criações e pelo contraste entre suas diversas fases.

Nascida em Campos Novos no interior paulista, vivendo em São Paulo e no exterior, em ambiente culto e intelectualmente estimulante, Niobe desenvolveu, a partir dos anos 1940, uma carreira discreta e independente. Sempre fiel a seus desígnios íntimos, ela não aderiu a movimentos ou grupos, embora tenha usufruído da proximidade de colegas, críticos e teóricos da arte e de disciplinas afins.

Passar ao largo dos “ismos”, tão presentes em meados do século 20, possibilitou à artista dedicar-se a uma pintura singular, fruto da introspecção, do aprimoramento de técnicas e da livre inspiração. Esse isolamento voluntário surpreendeu a muitos. Entretanto, com o passar do tempo, sua obra, notadamente depois da retrospectiva na Pinacoteca do Estado de São Paulo em 2007, vem sendo cada vez mais reconhecida.

Isso porque poucos são os artistas que, à margem de escolas ou tendências, criam uma linguagem própria. E esse é o caso de Niobe Xandó, em especial no que se refere ao seu desenho caligráfico, às formas de inspiração arcaica com acentos ameríndios e africanos que desembocam no letrismo e no mecanicismo. Precursora na incorporação de elementos provenientes das culturas indígena e negra na arte contemporânea, mesmo em outras fases, seu trabalho nunca é banal. A começar pelas flores exóticas do início de sua pintura até o geometrismo lírico da década de 1980, sua obra nunca deixa de surpreender pelo inusitado dos temas e soluções plásticas que adota.

A mostra apresenta cerca de 70 obras entre pinturas, desenhos, serigrafias, objetos de diferentes fases e alguns documentos de época.

Curadora: Maria Alice Milliet

Até 22 de agosto.

Natureza, consumo e sobrevivência.

A Gentil Carioca inaugura Mão Amiga, parte da nova exposição individual de José Bento. Fruto da parceria entre A Gentil Carioca e a Galeria Sardenberg, a mostra ocupa simultaneamente os espaços das duas galerias em São Paulo.

A exposição parte de um antigo encaixe da marcenaria tradicional brasileira chamado “mão amiga” – técnica usada para unir grandes peças de madeira sem pregos ou cola. A partir dessa imagem, José Bento desenvolve uma reflexão sobre interdependência e convivência: sobre os modos como sustentamos, ou deixamos de sustentar, o mundo ao redor.

Na mostra, esculturas inéditas aproximam utensílio, paisagem e arquitetura em trabalhos que atravessam temas como escassez, permanência e transformação. Colheres monumentais, pratos escavados em troncos antigos e recipientes preenchidos por feijão compõem um conjunto que tensiona as relações entre natureza, consumo e sobrevivência.

Ao longo da exposição, elementos contrastantes coexistem no espaço. Floresta e construção civil, delicadeza e peso, abrigo e devastação articulam formas de coexistência em um cenário marcado por tensão constante.

O texto de apresentação é assinado por Ricardo Sardenberg.

Objetos e desenhos de Edival Ramosa.

22/maio

A Galatea, São Paulo, SP, apresenta a exposição “Edival Ramosa: Alfabeto solare”, individual do artista Edival Ramosa (1940, São Gonçalo, RJ – 2015, Niterói, RJ) que reúne pinturas, esculturas, objetos e desenhos produzidos ao longo de quase cinco décadas. A abertura acontece dia 28 de maio na unidade da galeria na Oscar Freire.

Resultado de uma pesquisa desenvolvida por André Pitol, que assina a curadoria e o texto crítico da exposição, “Edival Ramosa: Alfabeto solare” resgata trabalhos que permaneceram por longo período em coleções no Brasil e no exterior. Parte do conjunto apresentado integrou a 36ª Bienal de São Paulo, marco recente do processo de retomada crítica da obra do artista.

A obra de Edival Ramosa foi profundamente marcada pela sua vivência no continente africano e também europeu durante os anos 1960 e 1970. A influência de correntes da arte europeia e norte-americana no pós-guerra se vê nas suas investigações em torno de um estilo construtivista, com jogos ópticos e referências à visualidade urbana no uso de materiais como madeira esmaltada, aço inoxidável e acrílico.

Elementos como esferas, casulos, luas, cometas, sois e outros “objetos-forma”, como o artista descreve muitas de suas peças, ocuparam lugar central em sua produção, variando entre gradações cromáticas e formas geométricas. A partir da década de 1970, integrou à sua prática referências da estética indígena e afro-brasileira, empregando materiais como palha, peles, plumagens, miçangas e bambus

Até 25 de julho.

Estruturas tridimensionais de Maria Nepomuceno.

A Gentil Carioca São Paulo anuncia a exposição ∞ ∞ (infinita infinito), individual de Maria Nepomuceno, que abre ao público no dia 23 de maio, sábado, às 14h.

Em obras inéditas, concebidas especialmente para a exposição, Maria Nepomuceno cria estruturas tridimensionais em espiral que operam entre pintura, escultura e instalação. Trabalhando com cordas, contas, cerâmicas e tecidos, são construídas formas que cedem e pendem sob a ação da gravidade, articulando passagens graduais de cor e relações entre transparência, brilho e opacidade.

Os trabalhos foram desenvolvidos simultaneamente e em constante relação uns com os outros, ocupando o espaço expositivo como um único organismo em expansão. A ideia de infinitude – algo que não começa nem termina, como define a própria artista – atravessa a mostra como princípio construtivo, visível tanto nas formas espirais quanto na continuidade cromática que conecta as peças entre si e à arquitetura do espaço. O texto de apresentação é assinado por Laura Lima. 

Damián Ortega em São Paulo.

21/maio

A mostra no MASP, São Paulo, SP, apresenta mais de três décadas de trabalho do artista Damián Ortega (Cidade do México, 1967), um dos principais expoentes de sua geração. Transitando entre fotografia, vídeo, escultura e instalação, Damián Ortega convida o público a reexaminar materiais e objetos cotidianos para investigar narrativas sociais, econômicas e políticas. Em sua icônica prática escultórica, ele desmonta objetos, como carros, reorganizando suas partes e exibindo-as em novas configurações. O mesmo pensamento de rearranjo aparece em obras em que dispõe ferramentas, pedras ou tijolos em montagens suspensas. A reorganização desses objetos na forma de diagramas espaciais é frequentemente carregada de humor e comentários políticos e sociais. A exposição destaca obras importantes de sua trajetória e um conjunto de trabalhos que investigam aspectos da arquitetura brasileira. A mostra marca a primeira individual de Damián Ortega em um museu de São Paulo.

Curadoria: Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP; Rodrigo Moura, curador independente, MALBA; e Yudi Rafael, curador assistente, MASP, com assistência de Isabela Ferreira Loures, assistente curatorial, MASP

Até 13 de setembro. 

Reinterpretando elementos culturais pré-coloniais.

20/maio

A Nara Roesler São Paulo convida para o dia 26 de maio para a abertura da exposição “Antes da forma, o encanto”, de Mônica Ventura, a primeira individual da artista na galeria, com mais de trinta obras inéditas, produzidas este ano, entre instalações, esculturas, pinturas e um vídeo, que dão continuidade à sua pesquisa desenvolvida nos últimos dez anos, em que resgata e reinterpreta elementos culturais pré-coloniais como a arquitetura e as técnicas de trabalhos manuais dos povos afro-ameríndios. 

A curadora Catarina Duncan, no texto que acompanha a exposição, destaca que “a palavra fetiche chega ao vocabulário da arte marcada por uma violência histórica”. “Sua raiz remonta ao latim facticius, aquilo que é fabricado, artificial, feito pela mão humana. No português, o termo deriva para a palavra feitiço, utilizada no contexto colonial para nomear objetos venerados pelas populações da Costa do Ouro na África investidos de poder espiritual e tratados pelo olhar europeu como superstição, exotismo e desrazão”. Catarina Duncan aponta que a exposição “propõe um deslocamento do fetiche colonial para a obra ritual – não como relíquia etnográfica, mas como presença ativa”.

“A exposição pensa identidades como rede em movimento contínuo, tornando o espaço expositivo em um laboratório, abrigo e altar. Da alquimia e da espagíria à construção de altares; dos modos de erguer paredes de terra às geometrias devocionais; das oferendas votivas às arquiteturas simbólicas que atravessam o hinduísmo e o Candomblé. Essências, circulação, retornos: tudo gira como roda. Nesse circuito, acessamos princípios dinâmicos como passagens, trocas e recomeços”, afirma a curadora.

Até 1º de agosto. 

Reverência ao legado de Emanoel Araujo.

A exposição “Um Xirê Para Emanoel”, do artista Alberto Pitta, com curadoria de Vera Nunes, no Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, Parque do Ibirapuera, São Paulo, SP, será inaugurada no dia 22 de maio, às 18h30. A mostra reúne obras de Alberto Pitta em diálogo com trabalhos de Emanoel Araujo e Mãe Detinha de Xangô, propondo um percurso atravessado por ancestralidade, memória e permanência da arte negra brasileira.

Integrando a programação do Festival Akwaba, realizado pela Fundação Palmares, a mostra, com apoio da galeria Nara Roesler,  transforma o espaço expositivo em uma grande roda de encontro e reverência ao legado de Emanoel Araujo. Mais do que uma homenagem, a exposição propõe uma experiência construída a partir da circulação de memórias, da ancestralidade afro-brasileira e da celebração da permanência da arte negra como força de criação, continuidade e transformação.

A ideia da mostra surgiu durante encontros entre o artista, equipes do Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, Fundação Palmares e Galeria Nara Roesler, realizados no contexto de preparação do festival. Ao longo das conversas, nasceu o desejo de criar uma primeira exposição dedicada ao conjunto da produção de Alberto Pitta em diálogo com obras de Emanoel Araujo.

Sobre o artista.

Alberto Pitta é artista visual, designer e cenógrafo baiano, reconhecido por sua produção ligada à cultura afro-brasileira e às tradições do Carnaval de Salvador. Sua trajetória é marcada pelo uso de signos africanos, tecidos, estampas e referências aos orixás, articulando arte, ancestralidade e identidade negra em diferentes linguagens visuais. É fundador do tradicional Cortejo Afro, grupo criado em 1998 e conhecido pela valorização da estética e da cultura negra no carnaval baiano. Ao longo da carreira, participou de exposições, projetos culturais e ações voltadas à preservação e difusão das matrizes africanas na arte contemporânea brasileira.

Conexão entre corpo, natureza e espiritualidade.

18/maio

 

A Gomide&Co, Bela Vista, São Paulo, SP, apresenta “Sandra Vásquez de la Horra: todo lo que vibra”, primeira exposição individual da artista no Brasil, reunindo um conjunto de desenhos produzidos nos últimos cinco anos. A abertura acontece no dia 28 de maio (quinta-feira), às 18h, e a exposição segue em cartaz na galeria até 18 de julho. A curadoria é assinada pela crítica de arte e curadora independente Fernanda Morse.

Sobre a artista.

Nascida em Viña del Mar, no Chile, em 1967, e radicada em Berlim há mais de 15 anos, Sandra Vásquez de la Horra desenvolve uma prática singular centrada no desenho, meio que, em seu trabalho, ultrapassa a bidimensionalidade para assumir um caráter ao mesmo tempo escultórico e instalativo. Desde o final da década de 1990, a artista finaliza suas obras com um mergulho em cera, procedimento que confere maior plasticidade e materialidade aos trabalhos, intensificando a presença da linha, da cor e criando efeitos de profundidade e translucidez. Com uma trajetória internacional consolidada, Sandra Vásquez de la Horra contou recentemente com importantes exposições institucionais: Soy Energía, sua primeira retrospectiva institucional na Europa, apresentada na Haus der Kunst (Munique), em 2025; e The Awake Volcanoes, exposição panorâmica de carreira realizada no Denver Art Museum, em 2024, com curadoria do brasileiro Raphael Fonseca. A artista foi laureada com o prestigioso Prêmio Käthe Kollwitz, concedido pela Akademie der Künste, em 2023, e participou da 59ª Bienal de Veneza em 2022. Sandra Vásquez de la Horra é representada pela galeria Sprovieri, a quem a Gomide&Co agradece por apoiar a realização da exposição,.

Até 18 de julho. 

A geometria de Beatriz Milhazes na Pinacoteca

12/maio

Grande nome da arte brasileira, Beatriz Milhazes é conhecida por seu trabalho que alia rigor geométrico a uma atmosfera sempre festiva, fruto de sua paleta exuberante. Arte têxtil, chita, bordado, tecelagem tipicamente brasileira e grafismos indígenas são referências das quais ela se alimenta, transformando tudo isso em uma linguagem própria.

“Gravuras do acervo da Pinacoteca de São Paulo” reúne pela primeira vez um conjunto de 27 gravuras produzidas entre 1996 e 2019, resultado da colaboração de Beatriz Milhazes com Jean-Paul Rusell, fundador da Durham Press – estúdio de edição de gravuras, livros de artista e obras únicas sediado na Pensilvânia, Estados Unidos. A Pinacoteca é o único museu do mundo que possui esse conjunto de trabalhos.

A exposição “Beatriz Milhazes: gravuras do acervo da Pinacoteca de São Paulo” estará em cartaz desde 16 maio de 2026 até 14 de março de 2027.