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AGENDA CULTURAL

Peças inéditas de Galvão

15/ago

A Galeria Marcia Barrozo do Amaral, Sopping Cassino Atlântico, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ, abre sua sétima exposição em 2013 na qual exibirá 20 trabalhos inéditos de Galvão, executados em madeira de cedro e MDF, pintados em tinta acrílica ou na cor natural. Nesta mostra as obras chegam com mais cores, com mais aprofundamento.
Nesta exposição encontramos variações cromáticas da madeira. Como pinturas, essas obras possuem volume e textura, o que rapidamente faz com que se desloquem do plano para o espaço, ganhando uma condição objetual, pois problematizam a estrutura formal da pintura, quebram a moldura, e dialogam com a tridimensionalidade. São situações que fazem sua obra dialogar com Sergio Camargo, de quem foi assistente, ao mesmo tempo em que criam seu próprio caminho e história.

 

Com o eterno objetivo de melhorar, aperfeiçoar e transcender seu trabalho, Galvão mantém uma coerência em sua trajetória de mais de 40 anos, produzindo relevos em madeira, ora natural, ora pintada. Essas interferências na madeira causam luz, sombras, formatos e sensações no público. Ele sempre procura criar a estrutura e estruturar um tema em seu bucólico ateliê, em Nova Friburgo. O artista é um purista que introduz a poética da cor em uma linguagem ordenada, onde a razão-emoção permanece imbatível.

 

Nesta exposição encontramos variações cromáticas da madeira. Como pinturas, essas obras possuem volume e textura, o que rapidamente faz com que se desloquem do plano para o espaço, ganhando uma condição objetual, pois problematizam a estrutura formal da pintura, quebram a moldura, e dialogam com a tridimensionalidade. São situações que fazem sua obra dialogar com Sergio Camargo, de quem foi assistente, ao mesmo tempo em que criam seu próprio caminho e história.

 

Para Felipe Scovino, o desequilíbrio e a progressão dos seus blocos revelam um caráter de instabilidade e impermanência que faz com que sua obra adquira uma espécie de elasticidade orgânica. “São obras maleáveis para o olhar do espectador. Maleável para a sua fruição, o seu jugo e o seu prazer. O esforço para completar a ordem mobiliza o sujeito perante o desafio de uma obra íntegra, porém esquiva. Sua obra instala o transitivo ou o visível em constante alteração, pois seu compromisso é com a natureza infinita das coisas”, finaliza Felipe.

 

Sobre o artista

 

Galvão nasceu no Rio de Janeiro, 1941, começou seus primeiros estudos em pintura em 1951. Estudou na Escola Nacional de Belas Artes da Universidade do Brasil, morou em Paris onde cursou na Sorbonne sociologia da arte com Jean Cassou e frequentou os ateliês de Sergio de Camargo, Vistor Vasarely e Yvaral. Entre suas exposições individuais estão a da Galeria Art to Desing, na Itália (2008), na Dan Galeria, em São Paulo (2008), Galerie Brasilia, Paris, 2007, Galeria Murilo Castro, BH, 2007, Galeria Syrus, Paris, 2004/05, e no MUbe, São Paulo, SP, 2004. O artista também participou de três Bienais em São Paulo, 1967, 1973, 1975. Desde 2004 participa anualmente do Realité  Nouvele, principal salão de arte de Paris.  Esta é a sétima vez que expõe na Galeria Marcia Barrozo do Amaral. Depois de alguns anos atuando como assistente do conceituado e inspirador Sergio Camargo, Galvão trilhou seu próprio caminho que fez com que suas obras estejam hoje nas principais coleções públicas e privadas no Brasil e exterior como no Centre Cultural I´Arsenal, França; Museu Satoru Sato, Japão; MOBIL MADI, Hungria; MAM-Rio; Museu de Arte Contemporânea de Niterói; Museu de Arte Moderna de São Paulo. Museu de Arte da Pampulha, BH; Museu do Artista Brasileiro, Brasília; MuBE, SP e Museu MADI, Ceará.

 

De 20 de agosto a 20 de setembro.

Suzuki no Espaço Citi

14/ago

O Espaço Cultural Citi, Paulista, São Paulo, SP, inaugurou exposição “Yukio Suzuki – O Exato Momento da Inefável Aparência das Coisas”, mostra póstuma de pinturas e desenhos. A curadoria é do crítico Jacob Klintowitz. Trata-se de uma exposição de rara oportunidade, pois o artista sempre foi muito discreto no seu convívio público. E é uma mostra de imensa delicadeza pois este é o perfil de sua obra.

Yukio Suzuki por Jacob Klintowitz
Yukio Suzuki.

 

O exato momento da inefável aparência das coisas.

Um homem contempla a imagem de um homem projetada num espaço sem registro e parâmetros. Espaço no qual está ausente a gravidade. Um espaço na Terra que parece não pertencer à Terra. Nem a gravidade da atração dos corpos, nem a gravidade de comportamento do homem que sabe o que seja a realidade. Em Yukio Suzuki a verdade é um complexo sistema de aparências, reflexos da aparência e percepção de sombras.

 

Yukio Suzuki, 1926-2004, foi um artista único, inventor de visualidades sutis. Foi pioneiro da ideia de apropriação, que nele foi grandiosa: certo dia ele se apropriou da praia de Copacabana. Na foto lá está Yukio, sereno, e uma pedra com a sua assinatura pousada na areia mais conhecida do país. E, ao mesmo tempo, foi o mais silencioso dos artistas. Ele tinha a convicção de que a obra falava por si mesmo. Era assim que se movia.

 

Suzuki não sabia de realidade nenhuma que não fosse a de imagens existentes em dois planos, o físico e o pressentido. Ou, talvez, em três, o físico, o psíquico e o de uma sensação intuída, habitante em lugar desconhecido. E é esta intuição, além da categorização, distante da nomeação, o que se impõe no seu percurso. Yukio Suzuki é o artista que registra o sistema do que não está sistematizado, do existente apenas porque sentido por um ser humano.

 

A comprovação da existência desta intuição, o que lhe dá súbita corporeidade, é ter sido captada por este artista que se entrega à ela, que aceita o luminoso mundo, já distante das sombras, que se impõe a ele como um modelo absoluto e ao qual ele se submete e dedica a vida. Sentir é o objetivo do artista e com uma delicadeza infinita apesar de humana, ele assinala este sentimento do mistério. É uma arte do inefável e ele, de uma modéstia infinita apesar de humana, está a serviço do inefável e é o seu sacerdote.

 

Poucas vezes encontramos um artista tão disponível e que se deseja instrumento de seu sentimento do mistério. Talvez, em algum momento, este artista sorriu diante de seu continente descoberto, do imerso que emerge, mas este sorriso não aflorou e permaneceu, também ele, como um movimento interior, como o reconhecimento de que ele encontrara a sua verdadeira pátria, o lugar dos reflexos da aparência, o desfiladeiro das sombras, o horizonte do arco-íris, o continente do inefável, que parece o ter escolhido como porta-voz.
Até 11 de outubro.

Arte Cinética

13/ago

Através da criteriosa seleção dos artistas representados e suas obras, e contando com grandes nomes da arte brasileira além da aposta em jovens artistas com trajetória emergente, Anita Schwartz Galeria de Arte, Gávea, Rio de Janeiro RJ, investe na divulgação e propagação da cultura brasileira. Dando curso à programação 2013, agora o artista escalado é Abraham Palatnik, pioneiro da arte cinética no Brasil. Abraham Palatnik apresenta nesta exposição individual 31 trabalhos — dos quais quatro são “Objetos cinéticos” e apenas um “Aparelho cinecromático”.

 

 

O artista por Felipe Scovino

 

Pintura em movimento

 

Em recente entrevista ao autor, Palatnik afirmou que era essencialmente um pintor. Coloca-se, portanto, uma das questões mais pertinentes em sua obra: propor ao espectador que ele está diante de uma pintura sem anular a ideia da escultura, principalmente nos casos dos Aparelhos cinecromáticos (produzidos a partir de 1951) e dos Objetos cinéticos (produzidos a partir de 1964). Sua obra gravita em um limite, em uma linha tênue entre esses dois suportes.

 

Limites, passagens e invenções são circunstâncias muito próprias e constantes na obra do artista. Quando volta ao Brasil, em 1948, depois de morar na Palestina por 15 anos, um dos seus tios cede um cômodo em um apartamento em Botafogo, que se transforma no seu ateliê. Provavelmente por conta dos estudos envolvendo mecânica e física, assim como as aulas de arte (todos desenvolvidos na Palestina) e da qualidade típica de inventor, Palatnik começa a produzir uma das obras mais importantes da arte cinética: o Aparelho cinecromático. A primeira obra dessa série é fruto de uma tecnologia que variava entre a intuição e os anos de aprendizado de física, feita com materiais baratos e efêmeros, com lâmpadas articuladas por motores e comandadas por uma espécie de CPU – que executava os tempos e as sequências de cada foco luminoso da obra – construídas pelo próprio artista. Essa obra expõe claramente os caminhos que ele adotaria: mesmo partindo de uma forma tridimensional, nunca deixou de pensar como um pintor. O movimento, a dinâmica e o deslocamento tanto do objeto quanto do espectador são características centrais de sua obra, que, mais do que nos entreter, nos “hipnotiza” com os desenhos construídos no espaço e, com o ritmo – quase como uma dança –, em particular nos Objetos cinéticos, embalado pelo ruído da passagem de tempo emitido pelos seus mecanismos internos. O modo como elabora arte, tecnologia e cinetismo é muito particular, pois se faz presente pela organicidade dos materiais e pela delicadeza, muito vezes beirando o improvável, como é o caso dos relevos em jacarandá, nos quais os veios da madeira, dispostos em filetes e colocados lado a lado, produzem um efeito de expansão e movimento que faz com que uma onda vibratória siga para além do espaço restrito da tela ou da madeira. Por fim, sua vontade construtiva se manifesta no desejo bauhasiano de articular arte, sociedade e indústria, que pode ser observado nas poltronas, mesas, móveis, jogos e pequenos animais feitos em acrílico e tinta entre as décadas de 1950 e 1990. É interessante perceber que mesmo produzindo os móveis, o artista não deixou de exercer a pintura, já que feita em vidro adornava esses móveis e foi um passo importante para a série seguinte do artista, quando nos anos 1960 começou a utilizar o jacarandá e o cartão como meios de produção pictóricos. Esse caráter inventivo e experimental também está presente na série de pinturas com barbante e tinta acrílica realizada a partir de meados dos anos 1980. A pintura ganha um leve volume que auxilia na formação de um efeito ótico que equilibra a “tecnologia precária” do barbante com uma pesquisa rigorosa e sensível sobre o cinetismo e as possibilidades de expansão da forma e da cor através de um duplo movimento (das linhas e do espectador). Em vários momentos, percebemos um equilíbrio perfeito entre cores que são altamente dissonantes. Em uma das obras da série Permutáveis, estão integradas e associadas um núcleo em rosa, outro em verde, e diferentes módulos permeados por tons de cinza. A harmonia e a construção do ritmo se dão na forma como são suavizadas essas gritantes dissonâncias cromáticas.

 

O segundo momento de um paradigma em sua carreira, que, sem dúvida alguma, tem uma relação intrínseca com o Cinecromático, no sentido de iniciar sua pesquisa com o cinetismo, é o convite que recebe, ainda como pintor figurativo, de Almir Mavignier para visitar o Hospital Psiquiátrico Pedro II sob a coordenação de drª Nise da Silveira. Trava contato com a produção dos pacientes e fica impressionado com a qualidade das pinturas, especialmente com as obras de Raphael Domingues e Emygdio de Barros, que produziam imagens tão densas sem jamais terem passado por uma escola de artes: “Pensava que eu era um artista formado. Resolvi começar de novo. A disciplina escolar, de ateliê, não servia para mais nada”.[3] Foi o momento de abandonar a figuração, mas não a pintura.
Outra circunstância de passagem é quando Palatnik transita dos Objetos cinéticos – que se movem por circuitos próprios e independentes da ação do espectador – para uma participação virtual, na qual o corpo do sujeito é elemento fundamental para se perceber as distintas qualidades cromáticas, cinéticas e, por conseguinte, físicas que a obra promove. Diante de seus relevos e de suas pinturas, para conhecer todas as suas imagens ou possibilidades ilusórias – as variações de enquadramento e foco –, o espectador precisa experimentar um mínimo de movimento. A obra parece expandir-se e contrair-se, pois são criadas imagens virtuais que redimensionam o espaço a nossa volta. Guardadas as suas devidas especificidades, os Aparelhos cinecromáticos são gerados em um momento no qual a pintura amplia o seu limite e conceito. Se a pintura atravessava novos procedimentos para a sua apreensão e comunicação ao estabelecer diálogos intensos com a performance nos anos 1950 e 60, como foram os casos do dripping de Pollock e as antropometrias (1960) de Yves Klein, a ampliação do termo “pintura” em Palatnik se deu a partir de uma matriz construtiva e tecnológica, mas nem por isso menos intensa e importante que a vivenciada por esses artistas. Por outro lado, não podemos esquecer a relação formal dos Cinecromáticos e dos Objetos cinéticos com o campo escultórico, e como os Cinéticos parecem ser a estrutura interna, o “esqueleto”, dos Cinecromáticos. Ao fazer essa alusão, penso que Palatnik se distingue da tradição da op art e do cinetismo europeu, pela forma como constrói as suas obras: sempre pelo prisma da artesania. Sua “tecnologia” é composta de barbantes, lâmpadas, parafusos, e em alguns casos objetos mecânicos construídos por ele mesmo. Essa artesania própria o faz estar próximo da série Contínuo-Luz (c. 1963-66) de Julio Le Parc e do Penetrável (1967) de Soto, e não apenas pelo uso de materiais menos nobres associados à pesquisa cinética mas também pela economia de formas com que essa poética é regida.
Esta exposição apresenta também obras do artista pouco vistas pelo público. Desde um Relevo dourado passando por telas produzidas nos anos 1990 nas quais são aplicadas em sentido vertical finas camadas de cola sobre o plano, formando módulos de cor que transmitem um volume à pintura, um efeito semelhante ao que ocorre com a série Cordas. Em relação a esta série, há uma obra em especial que difere do conjunto mais conhecido ao ter a sua estrutura mais próxima de uma natureza com influência “africana”. Em um conjunto de três pinturas dos anos 1960, percebemos a mesma influência, e com um acento ainda mais totêmico em sua estrutura. É curioso perceber como a pesquisa com o cinetismo e o seu interesse pessoal por arte popular produziram uma série que diversifica os meios da pintura de matriz construtivista.
É importante ressaltar que a obra do artista obteve um lugar importante na passagem da modernidade para a contemporaneidade no país, no âmbito de suas pesquisas envolvendo pintura, tecnologia, escultura e design. Embora estivesse no seio da discussão sobre a chegada e, anos mais tarde, a maturidade da abstração geométrica (inclusive participando do Grupo Frente), Palatnik sempre quis se manter à margem de qualquer manifesto ou participação mais “política”. Ele, Almir Mavignier, Mary Vieira, Rubem Ludolf, entre outros, foram artistas que trilharam um caminho importante para a arte brasileira, em particular suas aproximações com a op art, o cinetismo e o design, mas que ainda merecem um estudo mais qualificado sobre as contribuições que ainda continuam realizando, no caso dos dois primeiros. Na virada dos anos 40 para os anos 50, em um rápido panorama, Mário Pedrosa defende a sua tese “Da natureza afetiva da forma na obra de arte”; Mary Vieira está realizando os seus Polivolumes e Palatnik, construindo o seu primeiro Aparelho cinecromático, sendo que a Bienal de São Paulo ainda nem existia. É fundamental destacar o pioneirismo desses artistas e, ao mesmo tempo, as bases para a modernidade nos anos 1950 (leia-se a maturidade da abstração geométrica, que foi e continua sendo um pensamento estético importante para a compreensão sobre as artes visuais brasileiras, e a institucionalização da arte por meio da inauguração dos museus de arte moderna e da própria Bienal), mas essencialmente o grau de invenção desses artistas que não foram apenas importantes para a produção nacional, mas ocuparam um lugar de destaque no cenário internacional, e juntamente com outros artistas sul-americanos, em particular os argentinos e venezuelanos, construíram uma produção de arte cinética tão qualitativa quanto qualquer produção europeia ou americana realizada no mesmo período.

 

 

 

Até 14 de setembro.

Insólitos e Concretos na Arte Aplicada

No mercado há mais de três décadas, a galeria Arte Aplicada, Jardins, São Paulo, SP, tem como principal foco a diversidade. A galeria marcou o início da carreira de artistas hoje renomados, como Guto Lacaz e Palatnik, entre muitos, e também do argentino León Ferrari no Brasil, e mantém ainda olhos abertos para o futuro, apostando sempre em novos nomes. O próximo cartaz da Arte Aplicada é o pintor Herton Roitman, com 20 obras das séries inéditas “Insólitos e Concretos“, curadoria de Sabina de Libman, com assamblage, colagens e pinturas. Na mesma ocasião, realiza o lançamento do livroIntensa Magia“, da jornalista, escritora e dramaturga portuguesa, radicada no Brasil, Maria Adelaide Amaral.

 

Seguindo uma constante em seu trabalho, Herton Roitman utiliza-se de objetos e materiais não inerentes à pintura na criação da série “Insólitos”. Com obras tridimensionais – feitas a partir de fragmentos pinçados na realidade urbana da cidade – Roitman transmite sua influência teatral, cenográfica. Já em “Concretos”, o artista exibe seu lado criterioso e perfeccionista, ao utilizar-se, organizadamente, de formas geométricas e de cores intensas, remetendo seu trabalho a um conceito, de certa forma, utópico. Sintonizado com o tempo e com o mundo que o cerca, Roitman define-se como um observador, imerso em um grande centro urbano caótico, porém inspirador: “Me encantam as grandes cidades….Tenho minhas defesas, como a musica que é minha grande paixão. Meu trabalho é minha interferência no meio deste caos”.
Livro
Por sua vez, Maria Adelaide Amaral retrata, em “Intensa Magia”, um lançamento da Giostri Editora, apresenta uma comédia dramática focada na relação familiar. O tema é discorrido a partir do aniversário do patriarca da família, Alberto, indivíduo descontente com a vida e amargo, que decide expor, de maneira inesperada, as insatisfações familiares acumuladas ao longo dos anos. As declarações ocorrem na mesma data em que Zezé, sua filha mais nova, faz o anúncio de seu noivado.
Sobre o artista

 

Herton Roitman nasceu em Porto Alegre, RS. Pintor e gravador, reside e trabalha em São Paulo, SP, desde 1968. Formou-se como ator pela Universidade Federal de Minas Gerais. Estudou desenho, tecnologia da cor e História da Arte em cursos de extensão universitária pela mesma Universidade. Foi coordenador cultural de artes cênicas da Fundação Itaú Clube de 1978 a 1987. De 1979 a 1984 foi professor de educação artística nos colégios Palmares e Galileu Galilei. Desde 1986 dedica-se exclusivamente às artes visuais realizando exposições individuais e coletivas em salões e galerias profissionais no Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre.

 

 

Sobre a escritora

Maria Adelaide Amaral  é jornalista, escritora e dramaturga, sua primeira peça foi “A Resistência”, 1975, mas o primeiro texto montado foi “Bodas de Papel”, em 1978, em São Paulo. Publicado em 1986, “Luísa, Quase uma História de Amor”, deu-lhe o prêmio Jabuti de melhor romance daquele ano. O convite para a TV veio em 1990, quando Cassiano Gabus Mendes a chamou para escrever com ele a novela “Meu bem, meu Mal”. Autora de vários romances, adaptações e traduções de textos teatrais, sua biografia “A emoção libertária”, escrita por Tuna Dwek, foi publicada pela Imprensa Oficial.

 

 

De 17 a 31 de  Agosto.

 

RAQUEL ARNAUD EXIBE SILVIA MECOZZI

12/ago

Após um período sem expor na cidade, a última individual foi em 2005, na Pinacoteca do Estado, Silvia Mecozzi exibe na galeria Raquel Arnaud, Vila Madalena, a exposição “Branco de Si“. A exposição reúne uma instalação com placas em mármore que revestem o piso, uma escultura de cerca de 3 metros presa ao chão e outra com 70 cm fixa na parede, ambas produzidas no mesmo material. Em 2011 a artista realizou a série de fotografias “deserto das p_almas”, na qual retratava palmas das mãos de pessoas do seu círculo afetivo. Na série atual, a artista tratou de ampliar estes registros e esculpir no mármore as linhas das mãos fotografadas, criando relevos na pedra.

 

A plasticidade característica do mármore permitiu à artista gravar linhas e criar planícies e depressões, como numa mão. Em formato circular, a instalação deve ser sentida pelo público, que pode andar sobre as placas. Segundo Yuri Quevedo, que assina o texto sobre o trabalho de Silvia Mecozzi, o branco e o cinza do mármore e os sulcos que o trabalho fez nele, tornam-se matéria etérea e sensual, e intrigam pela luz. “Esses elementos guardam em si seu próprio segredo, e a relação entre eles parece ocultar uma história de relações que se expressa no relevo de um deserto […Espaço do afeto e não da história. Fronteira daquilo que cada corpo sabe de si mesmo]”, conclui.

 

 

Sobre a artista

 

Filha e neta de pintores, Silvia Mecozzi estudou com Carlos Fajardo e Sergio Fingermann e foi assistente de Luiz Paulo Baravelli. Em sua primeira individual, organizada na Pinacoteca do Estado de São Paulo em 1994, recebeu o Prêmio Revelação de Pintura da Associação Paulista de Críticos de Arte. Desde 2000, destacam-se as individuais “Mera Esfera Espera Espinho”, apresentada no Museu de Arte Moderna da Bahia, Salvador; Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli, Porto Alegre, RS, e no Espaço Cultural dos Correios, Rio de Janeiro, RJ, em 2003, e na Galeria Raquel Arnaud, em 2004. Em 2005, apresentou “Ouriças” na Estação Pinacoteca, São Paulo, SP, e em 2007, realizou individual na Galeria Sycomore Art, Paris. Em 2009, apresentou a obra “Libérer l’horizon, réinventer l’espace”, na Cité Internationale des Arts, Paris, e a videoinstalação “Olódòdó”, no Museu de Arte Moderna da Bahia, Salvador. Participou também de importantes exposições coletivas desde a década de 1990: “O Traje como Objeto de Arte”, no Palácio das Artes, Belo Horizonte, MG, e na Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Portugal, ambas em 1990; 5ª Bienal de Santos e 23º Salão de Arte Contemporânea de Santo André, em 1995, obtendo neste o Prêmio Aquisição; “Temporada de Projetos”, no Paço das Artes, São Paulo, SP, 1997 e “Viagens e Identidades”, United Artists V, na Casa das Rosas, São Paulo, 1999. Entre 2000 e 2008, além de exposições coletivas, como “Ópera Aberta”, na Casa das Rosas, 2002, e “Natureza-morta/Still Life”, na Galeria de Arte do Sesi e no Museu de Arte Contemporânea de Niterói, RJ, 2004, integrou “Arte Contemporânea: uma história em aberto”, 2004, “Transparências”, 2007, e “Entre o plano e o espaço”, 2008, organizadas pela Galeria Raquel Arnaud, que representa a artista desde 2002.

Paralelamente, no piso térreo da galeria, é exibida a coletiva “Em Movimento” com obras dos artistas cinéticos Carlos Cruz-Diez, Dario Pérez-Flores, Elias Crespin, Luis Tomasello e Jesús Soto.

 

 

De 15 de agosto a 14 de setembro.

 

 

CRISTINA IGLESIAS NA CASA FRANÇA-BRASIL

08/ago

Realizada e patrocinada pela Secretaria de Estado de Cultura, Casa França-Brasil e Citroën, “Lugar de reflexão”, a primeira individual da artista no Rio de Janeiro, apresenta nove obras que integraram a grande retrospectiva “Metonímia”, que aconteceu entre fevereiro e maio deste ano no Museu Rainha Sofia, em Madri, Espanha. A magia enigmática da monumental obra de Cristina Iglesias irá dialogar com o ambiente neoclássico da Casa França-Brasil, Centro, Rio de Janeiro, RJ.

 

Labirintos, poesia, sombras, força e delicadeza se apropriarão da Casa, com trabalhos emblemáticos na carreira da artista.  “Santa Fé”, que receberá os visitantes no vão central, é uma delas. Formada por um conjunto de gelosias (biombos entalhados), cujo traçado reproduz textos literários e no qual se percebe alguma influência dos entalhes característicos da arquitetura mourisca, “Santa Fé” impressiona à primeira vista. “O gradeado da gelosia filtra a luz do ambiente e atua como uma espécie de persiana que media a relação entre o espaço interior e o exterior “, diz Giuliana Bruno, especialista em arte, num dos textos do catálogo da retrospectiva espanhola.

 

Água, madeira, alabastro, formas vegetais e minerais transformam-se nos elementos escultóricos que traduzem a poética criada por Cristina Iglesias. A famosa “Casa vegetal III” é um bom exemplo. Ficará estrategicamente no pátio da Casa França-Brasil e formará uma espécie de percurso com “Santa Fé”, atraindo o olhar, instigando e aprofundando a magia. Cristina Iglesias trabalha no limite entre o escultórico e o arquitetônico: os materiais e as estruturas que utiliza procuram transformar o espaço em um lugar. Existe uma concatenação de labirintos e artifícios em seu trabalho: a flora metálica dos baixos-relevos de sua “Casa vegetal” ou de seus “Poços” dá a impressão de ser constituída por raízes, ramos, líquens ou folhas, quando na realidade é feita de uma vegetação fictícia. “Nenhum dos motivos que utilizo existe dessa forma na natureza, confessa a artista. “São pura ficção, que construo mesclando elementos que de fato existem na natureza, porém em composições impossíveis”.

 

Em obras como “Vers la terre” e “Poço III”, que estarão situadas, respectivamente, no fundo do vão central e no espaço entre as salas 1 e 2, a água torna-se também um elemento escultórico. A fascinação de Cristina Iglesias pela água rememora também a tradição muçulmana e as construções mouriscas, com seus jardins e fontes. Pelo fenômeno da erosão, a água traz fluidez e transparência, além de servir para consolidar a visão da artista, para quem a escultura, mais do que uma forma única e absoluta, é uma arte de metamorfoses e transições. As obras “Muro” e “Sem título 1”ocuparão a Sala 1, enquanto a “Casa de alabastro” estará na Sala 2. O Cofre será ocupado também pela artista principal, com a obra “Sem título 2”.

 

Para Evangelina Seiler, diretora da Casa França-Brasil, a mostra de Cristina Iglesias é seguramente uma das mais importantes de sua gestão. “É uma grande conquista para a Casa França-Brasil trazer ao Rio de Janeiro esta importante mostra, com curadoria da reverenciada Lynne Cooke. O público poderá verificar a força do trabalho de Cristina Iglesias, que é hoje um dos grandes nomes da arte contemporânea internacional”, afirma ela.

 

Sobre a artista

 

Uma das artistas contemporâneas espanholas de maior projeção internacional do momento, Cristina Iglesias iniciou sua carreira na década de 1980, mas foi a partir de 1993, ao participar da Bienal de Veneza ao lado do pintor Antoni Tàpies, então um dos maiores artistas vivos de seu país, que começou a ser reconhecida internacionalmente. “Naquele momento, sua reputação se consolidou tanto na Espanha quanto no exterior”afirma a curadora Lynne Cooke, em seu texto no catálogo da mostra espanhola. Nascida em novembro de 1956 em San Sebastián, no País Basco, Cristina Iglesias estudou Química em sua cidade natal. Entre 1980 e 1982, cursou Escultura e Cerâmica na Chelsea School of Art, em Londres. Em 1995 foi nomeada professora de escultura na Akademie der Bildenden Künste, em Munique, na Alemanha. Em 1989 conquistou, na Espanha, o Prêmio Nacional de Artes Plásticas e, em 2011, foi detentora do Prêmio de Artes Plásticas da terceira edição dos Prêmios Observatório D’Achtall. Realizou exposições individuais em vários museus em todo o mundo: Stedelijk Van Abbemuseum Eindhoven, 1995; Solomon R. Guggenheim Museum, Nova Iorque, 1997; Renaissance Society, Chicago; Palácio de Velázquez; Museu Nacional de Artes Rainha Sofia, Madri; Museu Guggenheim Bilbao, 1998; Carré D’Art Musée d’Art Contemporain, Nîmes, França, 2000; Museu Serralves, Porto, Portugal, 2002; Whitechapel Art Gallery, Londres e Museum of Modern Art Dublin, ambos em 2003; Ludwig Museum, Colônia, Alemanha 2006; Pinacoteca do Estado de São Paulo, 2008; Fondazione Arnaldo Pomodoro, Milão, 2009; e Marian Goodman Gallery de Nova Iorque e de Paris, ambas em 2011.

 

 

Sobre a curadora

 

Lynne Cooke foi curadora-chefe e vice-diretora do Museu Nacional Centro de Arte Rainha Sofia, Madri, de 2008 a 2010. Por mais de uma década as exposições, ensaios e outros projetos de Lynne Cooke têm sido uma força vital no mundo da arte contemporânea. Desde 1991 é curadora da Dia Art Foundation, em Nova Iorque. Foi co-curadora da Bienal de Veneza em 1986, da Carnegie International em 1991 e diretora artística da Bienal de Sidney, Austrália, 1996. É professora do Centro de Estudos Curatoriais do Bard College, além de ter sido professora convidada dos departamentos de pós-graduação de arte das universidades de Yale, Columbia e outras. Conquistou em 2000 o prêmio Curador Independente, oferecido pela Fundação Internacional Agnes Gund. Entre os numerosos trabalhos que publicou estão ensaios recentes sobre as obras de Francis Alÿs, Rodney Graham, Zoe Leonard, Agnes Martin, Diana Thater, Blinky Palermo, Jorge Pardo e Richard Serra.

 

 

De 14 de agosto a 20 de outubro.

(Em 14 de agosto, às 18h30: mesa-redonda com Cristina Iglesias e a curadora Lynne Cooke).

Órbitas de Florian Raiss e Paulo von Poser

07/ago

A Galeria Lume, Itaim Bibi, São Paulo, SP, exibe a instalação conjunta “Órbitas”, resultado da parceria inédita entre Florian Raiss e Paulo von Poser. O projeto conta com esferas de cerâmica, pintadas “a quatro mãos”, com expografia pensada para dar efeito de flutuação no espaço da galeria. A obra foi concebida e desenvolvida especialmente para a edição deste ano da semana de design. Foram dispostas dezessete esferas de cerâmica esmaltadas e em suspensão no espaço físico da galeria, em referencia aos vários sentidos que a palavra órbita representa, especialmente na Astrologia.
 
O principal objetivo desta série inédita de Florian Raiss e Paulo von Poser, é estimular a potência do movimento do olhar dos espectadores, sua imaginação e suas diversas possibilidades. Todo o espaço da instalação é desenhado de forma a posicionar os globos numa superfície infinita, sem prumo, sem limites, o que tende a fortalecer o diálogo que há entre os traços dos artistas que dividem a autoria de cada peça.
 
Em princípio, os desenhos dos dois artistas podem parecer opostos e como definiu Paulo Kassab Jr., curador da exposição, “…após uma observação mais profunda, nota-se uma intensa complementaridade assinalada pela pesquisa do ser humano em suas subversões e pelas representações que retratam seus anseios.” Este encontro entre os dois artistas cria uma atmosfera imprevisível, onde a sobreposição gera uma dimensão ambígua e onírica. Pela própria forma da esfera, seus dois lados nunca estão dentro do mesmo campo de visão. Ou seja, apenas uma parte é revelada, enquanto a outra se projeta na mente do observador, o qual recria o cenário de acordo com sua realidade.
 
A propósito das inúmeras possibilidades de bem visualizar a instalação, Paulo Kassab Jr. reitera: “Assim voltamos aos assuntos estudados pelos dois artistas (Raiss e von Poser) durante mais de 30 anos: o homem como autor e revelador da sua própria condição e do seu entorno. A imaginação não como um estado, mas como a própria existência humana, como definiu William Blake”. A ação proposta pela Galeria Lume promove o design e suas relações com a arte. Trata-se de um evento aberto ao público, o qual é convidado a interagir em meio a esse universo de objetos “fora de órbita”. A coordenação é de Felipe Hegg.

 

Sobre os artistas
 

Florian Raiss atua no circuito de arte de São Paulo e Rio de Janeiro desde 1981. Estudou pintura na Academia de Belas Artes de Roma entre 1973 e 1975. Estudou desenho, entre 1975 e 1977, com Gilberto Aceves Navarro, na Academia de São Carlos da Universidade do México, na Cidade do México. Entre as exposições que participou, destacam-se: coletiva “Viva Brasil Viva”, no Kulturhuset, em Estocolmo, em 1989; Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP, São Paulo, 1991; “Barro em América”, Museu Sofia Imber, em Caracas, Venezuela, 1992; e MAM/RJ, Rio de Janeiro, 1994/1995.
 

Paulo von Poser nasceu em São Paulo e formou-se arquiteto pela FAU/USP em 1982. Iniciou sua relação com o desenho em 1978, ao ingressar na faculdade. A partir daí, se descobriu como artista plástico, fazendo em 1982 sua primeira exposição. Projetos gráficos, instalações, manifestações de arte pública, vídeos, cenários ilustrações, estampas, fotografias, cerâmicas, painéis de azulejos, aulas e exposições tem sido diferentes meios para o emprego de sua arte pop e gráfica. Paulo Von Poser expôs obras em diversas cidades brasileiras e em países como Alemanha, Peru, Bolívia e França. Lançou em 2010 seu primeiro livro, “A Cidade e a Rosa”.
 

 

De 13 de agosto a 27 de setembro.

NOVÍSSIMOS!!!


A Galeria de Arte Ibeu, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ, apresenta a exposição “Novíssimos 2013”, em sua 43ª edição, onde as inquietações comuns a artistas de diversas gerações e localidades estão reunidas em um mesmo espaço expositivo. O objetivo de ” NOVÍSSIMOS” é reconhecer e estimular a produção desses novos artistas, e com isso apresentar um recorte do que vem sendo produzido no campo da arte contemporânea brasileira.

 

Para a crítica de arte Fernanda Lopes, que assina o texto desta exposição: “Deslocar. Tirar alguém ou alguma coisa (seja um objeto ou ideia) do lugar competente, de seu papel ou função esperados. Esse parece ser o mote dos trabalhos dos 16 artistas selecionados para a 43a edição do Salão de Artes Visuais Novíssimos da Galeria IBEU. Em um contexto geral onde as dúvidas parecem não ter mais espaço, a produção selecionada para esta exposição parece ter como um ponto em comum a tentativa de indicar folgas, revelar falhas, abrir brechas em uma zona de conforto, restituindo ao público, à instituição e ao artista o incômodo e difícil benefício da dúvida.”

 

Em 51 anos de existência, participaram deste Salão artistas como Anna Bella Geiger, Ivens Machado, Ascânio MMM, Ana Holck, Mariana Manhães, Bruno Miguel, Pedro Varela, Gisele Camargo, entre outros. Até 2012, 566 artistas já haviam participado desta coletiva anual.
A edição “Novíssimos 2013” conta com a participação de 16 artistas que apresentam trabalhos em desenho, pintura, instalação, objeto, vídeo e fotografia. Os artistas selecionados são: André Terayama (São Paulo), Carolina Martinez (Rio de Janeiro), Daniel Frota (Rio de Janeiro), Eduarda Estrella (Rio de Janeiro), Fernanda Furtado (Rio de Janeiro), Frederico Filippi (São Paulo), Íris Helena (Paraíba), Luisa Marques (Rio de Janeiro), Luiza Crosman (Rio de Janeiro), Maíra Dietrich (São Paulo), Marcela Antunes (Rio de Janeiro), Marcelle Manacés (Rio de Janeiro), Mario Grisolli (Rio de Janeiro), Mayra Martins Redin (Rio de Janeiro), René Gaertner (Rio de Janeiro) e Rodrigo Moreira (Rio de Janeiro). O artista em destaque no Salão de Artes Visuais Novíssimos 2013 será contemplado com uma exposição individual na Galeria de Arte Ibeu em 2014.

 

 

Até 30 de agosto.

Eduardo Masini/Vergara em BH

O artista Eduardo Masini inaugura sua exposição individual  intitulada “O Devir” no Museu Inimá de Paula, Centro, Belo Horizonte, MG. As obras e fotografias foram criadas a partir de um convite  do artista Carlos Vergara ao fotógrafo. Serão expostas 70 fotografias, além de um vídeo instalação e uma instalação de Carlos Vergara. Eduardo Masini convidou Carlos Vergara para apresentar “Empilhamento” de 1969, obra emblemática, com cunho político, que tornou-se um marco na carreira do artista.

 

Tudo começou quando em 2010 Carlos Vergara conseguiu uma autorização para visitar o antigo presídio Frei Caneca, no Rio de Janeiro, que estava desativado. Vergara convidou Eduardo Masini para acompanha-lo. Nessa visita, Eduardo fez uma série de fotografias, que deram origem à mostra atual.

 

O diferencial é que as obras foram  impressas em forma de lambe lambe, nome dado aos tipos de cartazes que são colados na rua e aplicados um em cima do outro, geralmente para divulgar shows. Os lambe lambe com as fotos do presídio são sobrepostos a outros lambe lambe com retratos de pessoas normais que aparentemente não pertencem ao presídio. Depois eles foram amassados e a camada superior rasgada de forma que apenas partes das imagens inferiores sejam reveladas. O intuito do artista é remeter à degradação e à poluição visual vista nas celas. As paredes estavam quebradas, mas no que restava via-se fotos pornográficas e páginas da bíblia. “Procurei fazer obras representativas que passavam a energia do lugar” , descreve o artista. Eduardo Masini ainda expõe uma instalação e um vídeo arte. Neste trabalho, cenas plácidas filmadas no presídio ganham movimento gradualmente, culminando na implosão do lugar e nas barras de ferro que restaram.
A mostra marca uma parceria entre duas gerações.

 

De 15 de agosto a 08 de setembro

Princípios simbólicos na Laura Marsiaj

06/ago

 

Em sua primeira individual na galeria Laura Marsiaj, Ipanema, Rio de Janeiro, RJ, Monica Piloni  mostra um par de esculturas, denominadas “Ímpar”. O trabalho de Monica Piloni está apoiado em princípios simbólicos que fazem referência a uma espécie de tríade entre o positivo, o negativo e o neutro, a doutrina das três forças que são a raiz de todos os sistemas e faz parte de um código suscetível de várias interpretações. No caso das esculturas, uma hiper-realista e a outra em bronze polido, estão suspensas por um trio de muletas criando uma tensão porém, em equilíbrio pleno na sua levitação. Suas formas foram extraídas da figura humana e reagrupadas numa colagem que triplica os pares e opostos como os seios e a perna esquerda, da mesma maneira que triplica os únicos pontos centrais como o umbigo e a vagina. Sua construção partiu do tetraktys, o símbolo primário da filosofia pitagórica, no qual um triângulo equilátero com um ponto central e quatro pontos em cada lado, representava o universo e a soma de todas as dimensões geométricas possíveis.

 

 

No Anexo

 

Na sala anexa serão exibidos dois vídeos de Monica Piloni, um deles com o título de “16B”  e outro também com o título de “Ímpar” que criará a atmosfera para esta série em que a artista está absorvida desde 2008. No vídeo “Ímpar”, o recurso de espelhamento tão ordinário e demasiadamente explorado foi conveniente para representar no plano o que já era construído tridimensionalmente.  Os momentos obscuros são iluminados por supostos ritos e intercalados com penetrações em planos fechados. Em “16B”, o número do apartamento onde foi seu antigo atelier, a própria artista interage com os seus objetos inanimados.

 

 

Até 29 de agosto.

 

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