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AGENDA CULTURAL

ESMERALDO – SIMPLES COMO O TRIÂNGULO

20/jun

Com umas das trajetórias mais originais da arte brasileira, o artista plástico Sérvulo Esmeraldo, após a retrospectiva na Pinacoteca do Estado de São Paulo em 2011, apresenta um recorte de sua produção na mostra “Simples como o triângulo”, na Galeria Raquel Arnaud, Vila Madalena, São Paulo, SP. Com cerca de 70 trabalhos, entre esculturas, pinturas, relevos e objetos, a seleção traça um panorama que reúne obras históricas até atuais e inéditas.

 

Com exceção das gravuras realizadas no início de sua carreira, onde já se percebia o interesse do artista pela abstração geométrica, as demais fases encontram-se representadas nessa exposição. Destaque para a célebre série “Excitáveis”, realizada na década de 60, durante o período em que o artista viveu na França. Este trabalho, um experimento com a eletricidade estática que leva em conta a interação entre o corpo e o objeto, destacou-o no movimento de arte cinética internacional.

 

Escultor de excelência com alto rigor construtivo, Sérvulo apresenta também a série “Sólidos Geométricos”, que impressiona pela coerência e leveza, apesar da existência de um movimento potencial que quase se impõe à imobilidade do objeto. Fiel estudioso das leis da física, Esmeraldo apresenta ainda os seus “Teoremas”, que são mais do que simples evocações poéticas de demonstrações matemáticas. “São apropriações de diagramas de teoremas matemáticos da antiguidade e da modernidade que, despojados de suas referencias algébricas, tornam-se imagens sensíveis de ideias abstratas”, como aponta o crítico de arte Fernando Cocchiarale.

 

Sobre o artista

 

Escultor, gravador, ilustrador e pintor. Crato, CE, 1929. A partir de 1947, frequenta a Sociedade Cearense de Artes Plásticas – SCAP onde manteve contato com os artistas Antonio Bandeira e Aldemir Martins. Em 1951 segue para São Paulo, trabalha na montagem da 1ª Bienal Internacional e no Correio Paulistano, como ilustrador e gravador.

 

Sua primeira individual na capital paulista aconteceu em 1957, no MAM/SP. Após a mostra, viaja para a Europa com bolsa do governo francês, onde estuda técnicas da gravura em metal e litografia. Nos anos 60, ainda na França, integra o movimento de arte cinética, quando realiza a série dos “Excitáveis”. Retorna ao Brasil em 1978, trabalhando em projetos de arte pública, principalmente esculturas de grande porte que ornamentam a paisagem urbana de Fortaleza, cidade onde vive e trabalha desde 1980.

 

Sérvulo Esmeraldo participou de diversas exposições, entre elas: 6º Salão Paulista de Arte Moderna (1957), 5ª, 6ª, 7ª e 19ª edições da Bienal Internacional de São Paulo (1959, 1961, 1963, 1987), 14ª Trienal de Milão, 1967 – Itália, Exposição Internacional de Gravura 1970 – Cracóvia – Polônia, Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP, 1974, São Paulo – SP, Um Século de Escultura no Brasil, no Masp, 1982 – São Paulo – SP, Brasil + 500 Anos: Mostra do Redescobrimento, na Fundação Bienal, 2000 – São Paulo – SP, além da grande retrospectiva realizada pela Pinacoteca de São Paulo, em 2011. Sua obra está representada nos principais museus do País e em outras coleções públicas e privadas do Brasil e exterior.

 

De 21 de junho a 18 de agosto.

ARTE SUSTENTÁVEL

Zemog - Fieiras

A Galeria Marcia Barrozo do Amaral, Shopping Cassino Atlântico, Copacabana, Rio de janeiro, RJ, apresenta uma exposição só de trabalhos reciclados, em prol do Rio + 20.

 

Na coletiva que reúne artistas da galeria, participam Anna Letycia, Frans Krajcberg, Julio Villani, Manfredo Souzanetto e Zemog. Anna Letycia criou uma série de colagens com páginas arrancadas de seu antigo catálogo, Zemog expõe suas “Fieiras” produzidas com inúmeras chapinhas de refrigerante, Manfredo de Souzanetto reciclou os restos do linho utilizado para as pinturas para as obras sobre papel e Julio Villani usou documentos antigos, inclusive com carimbo da República Francesa, e fez interferências com tinta á óleo. Frans Krajcberg apresenta fotografias.

 

Até 13 de julho.

 

 

CORES, PALAVRAS E CRUZES

19/jun

A Galeria Nara Roesler, Jardim Europa, São Paulo, SP, apresenta, “Cores, Palavras e Cruzes”, exposição individual de pinturas e desenhos recentes de Karin Lambrecht. A artista realiza sua terceira mostra individual na galeria e apresenta cerca de 30 obras, entre desenhos e pinturas, produzidas entre 2009 e 2012. “O conjunto de telas que Karin Lambrecht ora apresenta resulta de intenso trabalho com cores, dissonantes, às vezes, como em um acorde musical, impregnando sua pintura de colorações que lhe são próprias”, explica Gloria Ferreira, curadora da exposição.

 

Karin Lambrecht, participou da icônica exposição “Como vai você, geração 80”, em 1984, trouxe novos rumos para a arte contemporânea nacional, repensando a tela e a forma de pintar. Suas obras habitam um espaço entre pintura e escultura, dialogando com a arte povera, corrente artística que se desenvolveu durante as décadas de 60 e 70, na Itália. Durante toda sua carreira, o tempo é entendido como condição vital da arte, questão que chega ao ápice em 2008, na instalação “9 de agosto de 1949, dia e noite, Camus em Porto Alegre”, referencia ao filósofo existencialista. Seu trabalho, que faz parte de coleções importantes como a da Pinacoteca do Estado de SP, Instituto Itaú Cultural e merecu sala especial na 25ª Bienal Internacional de São Paulo, em 2002.

 

As obras apresentadas revelam preocupações estéticas e éticas voltadas para um possível poder curativo das cores. A ideia de cura está no centro do objeto Cruz elementar, em papel e madeira, de forma meio triangular, com textos manuscritos ou marcados por carimbos e cruzes. A esse trabalho, unem-se desenhos nos quais Karin Lambrecht molda papeis, dobraduras e recortes de modo artesanal, utilizando ainda pigmentos e materiais como gaze e isopor.

 

Abstratas, com formas geométricas e pinceladas expressionistas e largas, as telas são de diversos tamanhos Nas quatro grandes, feitas ao longo de vários meses, os pincéis parecem querer voar pela necessidade de expansão e transmitem sensação de liberdade. Nas pequenas, de processo mais rápido, mais sob seu controle, somam-se tinta, pastéis secos e carvão, com mudanças de tonalidades de uma para outra. Há algumas, de dimensões intermediárias, cujo tratamento pictórico remete igualmente à cor como matéria espiritualizada com suas polaridades e interações, garantindo a alta voltagem de sua pintura.

 

As tintas, confeccionadas pela própria artista, trazem pigmentos de várias origens que interagem com o cádmio verde, misturado, que vem juntar-se ao ultra marinho rosa; o azul-paris mais o cobalto-turquesa, mais cádmio vermelho; ou ainda o lápis-lazúli e cores terrosas. A artista também mudou palavras que aparecem em algumas obras. Palavras que às vezes se dissolvem sob as várias camadas de tinta ou se transmutam, como em “teia” para “veia”, tendo, contudo, sempre o T, evocando ainda uma vez a cruz, a morte, a cura, a doença.

 

A série “11 Legendas para Bergman”, por sua vez, apropria-se de frases do depoimento intimista do cineasta, aos 88 anos, sobre sua vida, infância, casamentos, filmes e sobre Fårö, em “A Ilha de Bergman”. Sobre papel de seda, as legendas, compostas com letras recortadas, têm os Ts em papel de prata, o que, em alusão à cruz, remete ao mesmo pensamento melancólico: “Não houve um dia em minha vida em que não tivesse pensado na morte”, diz o diretor sueco, cuja história guarda traços da própria história familiar de Karin.

 

Até 21 de julho.

PAIXÃO POR ANGOLA E SUA GENTE

Dono de um dos mais completos acervos de imagens da cultura angolana, o renomado fotógrafo e publicitário Sérgio Guerra exibe um panorama minucioso de suas expedições a Angola, país africano no qual registrou os hereros, o mais antigo grupo étnico do continente. Com curadoria do artista plástico Emanoel Araujo, “Hereros – Angola”, encontra-se em cartaz no Museu Histórico Nacional, Centro, Rio de Janeiro, RJ. Visto por mais de 185 mil pessoas em São Paulo e Brasília – com passagens também por Lisboa e Luanda -, o painel apresenta 120 fotos em diversos formatos acompanhados por uma cenografia repleta de vestimentas, adereços e objetos de uso tradicional e ritualístico da etnia, traçando um amplo registro de seu modo de vida e tradições.

 

Fruto da paixão que o fotógrafo desenvolveu pela cultura do país africano, a exposição traz ainda depoimentos em vídeo colhidos entre homens, mulheres e jovens hereros sobre a sua cultura. O repertório de imagens e sons reunidos na mostra levam o espectador ao universo da etnia, composta por pastores de hábitos seminômades, que são exemplo da perpetuidade e resistência de uma economia e cultura ancestrais ameaçadas pelo acelerado processo de modernização e ocidentalização dos países do continente, assim como pela devastação da guerra civil que assolou o país por décadas. Através da iconografia, registros materiais e multimídia sobre o povo herero, sua tradição e seus rituais, a mostra contribui para o conhecimento da nossa ascendência africana e da formação social e etnológica de nossa gente. As lentes de Sérgio Guerra captaram com extrema sensibilidade o cotidiano e a cultura dos hereros.

 

Os hereros

 

“Nós, os hereros, nascemos todos na área chamada Calundo Candete. Saímos de lá, nos separamos e começamos a falar línguas diferentes. Hoje, cada grupo que fala uma língua diferente tomou um nome diferente, mas todos somos hereros. Escutamos nossos antepassados, os mais velhos que já se foram. Para nós, escutar é muito importante. É muito diferente de quem sabe escrever, porque a letra no papel não apaga, mas a palavra escutada depois é esquecida” (Soba Mutili Mbendula – Muhimba).

 

Na convivência com os hereros, o fotógrafo percebeu que os próprios angolanos sabiam muito pouco sobre essa etnia e sequer conseguiam distingui-los. “Descobri que, para além da minha atração por estes povos, poderia ser útil, de alguma maneira, se pudesse partilhar com um número maior de pessoas tudo aquilo que me foi dado a conhecer sobre eles”.

 

O autor

 

Fotógrafo, publicitário e produtor cultural, Sérgio Guerra nasceu em Recife, morou em São Paulo e no Rio de Janeiro, até se fixar na Bahia nos anos 80. A partir de 1998, passou a viver entre Salvador, Rio de janeiro e Luanda, onde desenvolve um programa de comunicação para o Governo de Angola. Em suas constantes viagens pelo Jaís, testemunha momentos decisivos da luta pela paz e reconstrução, constituindo um dos mais completos registros fotográficos das 18 províncias angolanas. Seu acervo fotográfico propiciou a publicação dos livros ‘Álbum de família’, 2000, ‘Duas ou três coisas que vi em Angola’, 2001, ‘Nação coragem’, 2003, ‘Parangolá’, 2004, ‘Lá e Cá’, 2006, ‘Salvador Negroamor’, 2007, ‘Hereros-Angola’, 2010 e e a montagem das exposições ‘As muitas faces de Angola’ – Brasília (Congresso Nacional), Salvador (Shopping Barra), São Paulo (Centro Cultural Maria Antônia), 2001; ‘Nação Coragem’ – São Paulo (FNAC Pinheiros, 2003), Zimbabwe (HIFA, Harare International Festival Arts, 2008); ‘Lá e Cá’ – realizada na Feira de São Joaquim, a maior feira livre da América Latina, tendo as bancas dos comerciantes como suporte da exposição, Salvador, 2006; ‘Salvador Negroamor’ – toda ela dedicada às pessoas que vivem na periferia da cidade, destacou-se como a maior exposição fotográfica a céu aberto que se tem registro até hoje, com aproximadamente 1500 painéis espalhados na cidade, Salvador, 2007; ‘Mwangole’ – Salvador (Galeria do Olhar, 2009); ‘Hereros-Angola’ – Luanda (Museu Nacional de História Natural), Lisboa (Perve Galeria), 2010, São Paulo (Museu Afro Brasil) e Brasília (Museu Nacional da República), 2011.

 

O curador

 

Emanoel Araújo é escultor, desenhista, gravador, cenógrafo, pintor, curador e museólogo, nascido em Santo Amaro da Purificação, Bahia. Em Salvador, formou-se em Belas Artes e foi diretor do Museu de Arte da Bahia. Lecionou artes gr.áficas, desenho, escultura e gravura na City College University of New York. Em Brasília, foi membro da Comissão dos Museus e do Conselho Federal de Política Cultural, instituídos pelo Ministério da Cultura. Em São Paulo, foi Secretário Municipal de Cultura, e Diretor da Pinacoteca do Estado, onde liderou uma gigantesca reestruturação nos anos 90, transformando o prédio em um dos principais museus do país e um dos mais conceituados internacionalmente. É considerado um extraordinário escultor e já realizou várias exposições individuais e coletivas por todo o Brasil, Europa, Estados Unidos e Japão. Recebeu diversos prêmios em todas as técnicas trabalhadas. Suas obras tridimensionais se destacam pelas grandes dimensões, pelos relevos e pela formas integrantes nas edificações urbanas. Seu estilo – mesmo sendo único – dialoga com movimentos artísticos de toda a história, mas sempre com ênfase nos detalhes que descrevem e valorizam as características africanas. Atualmente e diretor curador do Museu Afro Brasil, SP, do qual foi idealizador e doador de grande parte do acervo.

 

Até 08 de julho.

RAFAEL ALONSO EM CURITIBA

A SIM GALERIA, é um dos mais novos espaços dedicado à arte contemporânea em Curitiba, Paraná. Agora, dando curso na  programação, será a vez de mostrar os trabalhos do jovem Rafael Alonso com a exposição individual de pinturas denominada “Repetidor”. O texto de apresentação é assinado pelo crítico de arte Fernando Cocchiarale. O projeto e a coordenação é de Flávia Simões de Assis e Waldir Simões de Assis Filho.

 

 

Texto de Fernando Cocchiarale:

 

De um ponto de vista histórico a pintura poderia ser mapeada a partir dos diferentes métodos e técnicas de representação do espaço, desenvolvidos ao longo de dezenas de séculos, por diversas civilizações. Um afresco egípcio, mural romano ou tela da Renascença, seriam identificáveis a partir de sistemas de pintura comunitários distintos e claramente manifestos em suas configurações finais. Por conseguinte, nada de arbitrário havia em cada um desses sistemas, posto que expressavam o olhar comunitário, por meio de regras comuns (antes o olhar individual do artista se tornar o fundamento de seu próprio sistema).

 

Não se pode falar de pintura egípcia, sem que se mencione seu sistema. Nele não existiam estilos pessoais; tampouco sutilezas ou evidências de um sujeito-artista que quisesse deixar no mundo suas marcas pessoais. A lei da frontalidade estabelecia padrões de representação espacial tanto de figuras humanas, animais, plantas e objetos, estritamente respeitados por todos os pintores.

 

A pintura renascentista, em que surgiram os primeiros estilos individuais, também possuía um sistema baseado na perspectiva do sombreado. O respeito às características planares objetivas da tela pela arte moderna foi o último sistema de pintura minimamente fundamentado a surgir antes da emergência da produção contemporânea.

 

Tal ausência de sistemas de pintura, atualmente, não favoreceu a produção de um sentido comum (de fundo) que salvaguardasse o arbítrio das diferentes expressões individuais hoje em curso na produção artística. O pintor agora deve inventar seu próprio sistema e torna-lo visível ao olhar público. Esse é o desafio maior não só da pintura, como também da produção contemporânea.

 

Dentre os jovens pintores do país Rafael Alonso é um dos que melhor compreenderam a necessidade de produzir e fazer ver suas pinturas a partir de um sistema. Rafael tornou-se conhecido ao pintar sobre quadros de cantos arredondados faixas idênticas às produzidas com fita adesiva marrom para embalagem usada pelos vendedores de bebidas para proteger a tampa do isopor de pancadas.

 

Entre a pintura e o isopor Alonso estabeleceu relações tanto pictóricas (a pincelada que corre horizontal, num gesto manual, mas mecânico, o teor planar da tela e do isopor) quanto semânticas (a relação entre sua pintura – aparentemente abstrata – e situações pictóricas evocadas por objetos reais planos como telas. Nessa transmutação de telas reais com que convivemos diariamente e as pinturas do artista encontra-se o fundamento de seu sistema pictórico.

 

Não há dúvida que Rafael pinta o nosso mundo. Mas não o abstrai como os modernistas o fizeram (já que seus referentes reais se insinuam na configuração das pinturas), nem o representa, tal como os clássicos. Ele faz migrar pela pintura, de modo ilusionista, fragmentos da dimensão planar do cotidiano, para o quadro.

 

As pinturas que Alonso agora apresenta, trabalhadas no último ano e meio, são, conforme suas próprias palavras, “uma tentativa de produzir uma pintura que se relacione com os objetos do design que me cercam, mais especificamente computadores, monitores de TV, tablets. Objetos que hoje mais do que em qualquer outro momento servem como mediadores das imagens, de nosso contato com o mundo.”

 

São, portanto, imagens planas, de objetos planos (mediadores de imagens), feitas manualmente. Trata-se do mesmo sistema de ocupação espacial utilizado nas pinturas das fitas adesivas aplicadas sobre isopores de ambulantes.

 

Seus trabalhos recentes, no entanto, não mais evocam o Brasil precário, mas aquele globalizado pela tecnologia. Rafael Alonso investiga sua configuração mais frequente na vida diária – tabuletas, tablets − com múltiplas e coincidentes funções que povoam-na de luzes. Sua transposição às pinturas consiste na mais recente manifestação do sistema por ele inventado.

 

De 21 de junho a 30 de julho.

 

ERNESTO NETO

18/jun


Aliança - Ernesto Neto

Nova exposição individual de Ernesto Neto no Rio e São Paulo.  A mostra intitulada “Não Tenha Medo do Seu Corpo” acontecerá simultaneamente na Galeria Fortes Vilaça, Vila Madalena, e no Galpão Fortes Vilaça, Barra Funda,  com trabalhos inéditos feitos em crochê. A exposição terá um formato inovador, apresentando um perfil itinerante: a inusitada inauguração para convidados acontecerá no atelier do artista, no centro do Rio de Janeiro, onde as obras poderão ser apreciadas em seu local de criação original, viajando para São Paulo logo em seguida. Em agosto, haverá novo evento: uma conversa, aberta ao público, entre o artista e o curador Adriano Pedrosa.

 

Depoimento de Ernesto Neto sobre a exposição:

 

“No reino do objeto, do produto, da cultura, a obra propõe o ser vivo, a natureza como  protagonista da vida, da terra, do cosmo. A cultura é uma ferramenta não um objetivo, serve ao corpo que é o lugar da subjetividade, do prazer, da tristeza, da compreensão no mundo, a mente é parte do corpo, a cultura é parte da natureza, somos a natureza. Se nós criamos os objetos, natureza eles são, num computador tem mais natureza que numa caixa de fósforos, tudo que há na terra dela veio, somos só um veículo de nosso desejo e o desejo quer vida, seja num micróbio ou num organismo complexo, a natureza quer vida, o corpo pensa, e expressa o que somos, não há nada fora do corpo a paisagem é corpo a vida é corpo, não tenha medo do seu corpo!”.

 

 

Abertura

Atelier Ernesto Neto – Centro – Rio de Janeiro – RJ

30 de junho 2012  – das 20 às 22h

 

Local 1

Na Galeria Fortes Vilaça

Vila Madalena – São Paulo – SP

10 de julho a 18 de agosto

 

Local 2

No Galpão Fortes Vilaça

Barra Funda – São Paulo – SP

10 de julho a 18 de agosto

POLYANNA MORGANA NO IBEU

Convite exposição

A exposição individual “PolyTati Representações LTDA: life in concert, Vol. II”, de POLYANNA MORGANA, faz parte do edital de exposições 2012, do IBEU, Copacabana, Rio de janeiro, RJ. A mostra, que acontece na Galeria de Arte do IBEU, é uma instalação sonora site specific que reflete sobre o cotidiano da artista, que mora em Taguatinga e que faz diariamente o deslocamento para Brasília, DF. O título é uma referência ao ponto de partida para a realização do percurso: o escritório do pai de Polyanna, em Taguatinga, o PolyTati Representações Ltda. (que tem esse nome em homenagem as duas filhas – Polyanna e Tatiana). A instalação é composta por alto-falantes distribuídos em três painéis, que apresentam o som da paisagem sonora de três lugares diferentes do Distrito Federal: Taguatinga, a Estrada Parque e Brasília. Esses locais possuem sonoridades distintas. Em Taguatinga, há o som de comércio popular, buzinas, pessoas falando alto; a Estrada Parque apresenta um som de via expressa e Brasília revela uma paisagem sonora típica, onde se escutam passarinhos, carros ao longe e pessoas conversando à distância.

 

Duas pinturas colorfield traçarão os mapas de Brasília e de Taguatinga. As pinturas fazem uso da paleta de cores própria de cada uma das cidades, ou seja, em Brasília, como parte da herança arquitetônica moderna, a artista usa basicamente as cores branca, concreto, cinza e verde (da natureza). Já Taguatinga, que possui outra relação com o espaço urbano, Polyanna usa uma paleta de cores mais diversificada e vibrante, semelhante às cores das cidades do interior do Brasil.

 

“Quero criar um ambiente onde as pessoas possam caminhar pela Galeria Ibeu, e de alguma forma, construir uma experiência com a paisagem representada ali. Todos os meus trabalhos partem, basicamente, de um mesmo entrelaçamento: o meu corpo e a cidade no dia-a-dia”, diz Polyanna Morgana.

 

Para Fernanda Lopes, curadora convidada para a exposição: A jovem produção de Polyanna é marcada por trabalhos com performances ou por obras, como desenhos e objetos, que resultam de uma ação performática da artista. Em PolyTati Representações LTDA: life in concert, Vol. II o corpo do outro também passa a ser incorporado ao trabalho, quando o público começa a reconstruir suas próprias paisagens a partir dos indícios de som e imagem apresentados pela artista e a partir das informações que chegam diretamente da cidade, através das grandes janelas localizadas no espaço expositivo.

 

Até 29 de junho.

GRASSMANN EM RIBEIRÃO PRETO

17/jun

A Galeria Marcelo Guarnieri, Ribeirão Preto, São Paulo, SP,  apresenta a exposição “Marcello Grassmann | Déc. 40 – Produção recente”. O recorte apresentado evidencia questões que sempre acompanharam a produção do artista: seres fantásticos e um universo mítico, partindo do desenho dos anos 40 até suas últimas produções. Junto aos trabalhos de Grassmann é mostrado a produção de artistas que iniciaram ou tiveram sua pesquisa em meados de 1940.

 

A década de 1940 é representada por um momento de transição na produção da arte brasileira, período entre duas rupturas: de um lado o Modernismo e do outro o desenvolvimento da arte construtiva. Nesse intervalo, alguns artistas remanescentes da vanguarda modernista e outros que começaram a sua pesquisa a partir de meados dos anos 40 produziram um significativo corpo de trabalho e tiveram uma substancial importância no cenário nacional e o que veio a se desenvolver posteriormente, alguns ficaram delegados a segundo plano – sendo revisados anos depois – e outros sempre mantiveram seu reconhecimento na História.

 

A exposição evidencia a produção de Marcello Grassmann e, entre seus desenhos e gravuras, será mostrado um apanhado de trabalhos de artistas que produziram ou que iniciaram suas pesquisas nos anos 40 – Flávio de Carvalho, Maria Leontina, De Fiori, Bonadei, Volpi, Rebolo, Zanini, Guignard, Pancetti, Dacosta, Portinari, Tenreiro. Com isso, há uma revisão de um período pouco mostrado no circuito profissional de arte.

 

Marcello Grassmann nasceu em 1925, em São Simão, São Paulo. Iniciou-se nas artes em 1932 no Instituto Profissional Masculino, SP. Frequentou o curso de entalhe, o que lhe parecia mais próximo ao ensino da escultura, na mesma época frequentou o curso de pintura e a partir de 1943 iniciou seu trabalho em gravura. No final dos anos 40 passa a residir no Rio de Janeiro, onde realiza sua primeira exposição. Em 1950 expõe na Escola Nacional de Belas Artes, 1951 na 1ª Bienal Internacional de São Paulo, onde obtém prêmio aquisição, 1952 no Ministério da Educação e em 1954 ganha no Salão Nacional de Arte Moderna, o Prêmio de Viagem à Europa. Ao longo dos anos vem participando de diversas exposições e bienais nacionais e internacionais. Seu trabalho sempre manteve uma coerência,  Grassmann tem uma produção de mais de 70 anos. O artista vive e trabalha em São Paulo, SP.

 

De 22 de junho a 28 de julho.

JASPER JOHNS – PARES TRIOS ÁLBUNS

15/jun

O Instituto Tomie Ohtake, Pinheiros, São Paulo, SP e a Universal Limited Art Editions, apresentam “Pares Trios Álbuns”, exposição individual de técnicas gráficas de Jasper Johns, um verdadeiro panorama da obra do artista, com cerca de 70 peças concebidas a partir da década de 1960. Técnicas fundamentais na experiência pictórica do artista, que mantém, pela ULAE, uma impressora dentro de seu ateliê, a gravura teve início com as litografias produzidas a partir de 1960, quase imediatamente após sua histórica exposição individual de pintura, na Leo Castelli Gallery, em 1958, considerada seminal da pop art, e a coletiva “16 Americans”, no MoMA, em 1959.

 

A mostra, com curadoria de Bill Goldston, revela as experiências de Jasper Johns com litogravura, gravura em metal e serigrafia enfatizadas pelo universo gráfico presente em suas obras, objetos banais, como bandeiras, números, letras, targets, mapas, etc. Segundo Tony Towle, poeta e antigo administrador da ULAE, que assina o texto do catálogo da exposição, “…os aspectos de adição e transformação, contidos no procedimento da litografia, influenciaram a maneira de pensar de Johns”. Ao artista interessava um novo ponto de vista sobre as coisas vulgares, como dizia, pelo fato de “uma coisa não ser o que é, de ela se tornar qualquer coisa diferente”. Artista precursor da arte pop, ao lado de Robert Rauschenberg (também apresentado no Instituto em 2009), de quem foi inicialmente vizinho e amigo, Jasper Johns é protagonista e testemunha viva de um período da arte do século XX que, após o expressionismo abstrato, provocou as rupturas que até hoje pautam o pensamento contemporâneo.

 

Nas pinturas de Jasper Johns figuram símbolos populares e, ao mesmo tempo, constituem um aglomerado de pigmento ou cera movimentado pelo gesto do artista, resultando em trabalhos em que os desenhos parecem saltar para fora das telas. Em suas gravuras, “as variações de cor e os modos de impressão combinados a partir de cada conjunto de matrizes deixam claro que o que vemos ao final são figuras e, também, são camadas de material pictórico manipulável como parte de uma experiência artística”, explica Paulo Miyada, coordenador do Núcleo de Pesquisa e Curadoria do Instituto Tomie Ohtake.

 

“A melhor crítica de uma figura é outra figura”, dizia Johns. Há 50 anos, Tatyana Grosman, fundadora da ULAE, o convidou a produzir litografias, pois apostava que a técnica poderia acrescentar outra dimensão à sua obra, que evoca figura e procedimento. O conjunto de trabalhos reunido nesta exposição atesta o que a editora vislumbrava nos anos iniciais da carreira do artista. O artista vive e trabalha em Nova York.

 

De 19 de junho a 26 de agosto.

ARTISTAS BRASILEIROS NA ITÁLIA

14/jun

Tendo como pano de fundo a vasta parceria que ensejou o deslocamento de artistas brasileiros para aperfeiçoamento em algumas das mais importantes instituições de ensino artístico da Itália,  ao longo de três séculos, o Museu Nacional de Belas Artes, Centro, Rio de Janeiro, RJ, criou e inaugura a exposição “Artistas brasileiros na Itália”. Elaborada a partir da coleção singular de arte brasileira do Museu Nacional de Belas Artes, a mostra proporciona uma fruição e reflexão a respeito do fazer artístico do oitocentos, do século XX, chegando ao contemporâneo, a partir de experiências estéticas vivenciadas por um seleto grupo de artistas que assimilaram a cultura italiana na construção de seu legado artístico.

 

Por trás deste cenário –  são cinco salas expositivas com cerca de 97 obras, entre pinturas, esculturas, desenhos  e gravuras -, encontra-se em exibição trabalhos de 38 artistas,  cujo recorte de sua  produção, selecionada pelos curadores,  oferece uma análise sobre a atração que um centro de referência artística como Ia tália exerceu, nos séculos XIX e XX sobre os artistas brasileiros;  passando pelos meandros da convivência entre a então Academia Imperial de Belas Artes (cujo acervo foi herdado pelo MNBA) e instituições italianas como Academia San Lucca, em Roma, ou com os ateliês particulares, aqui pontuando os de Minardi e Cansoni.

 

Outra questão desenvolvida na exposição “Artistas brasileiros na Itália” abrange as premiações, enfocando o universo dos prêmios de viagem que os artistas recebiam para aprimorar estudos em Roma, um forte centro formador de arte no século XIX,  eixo que, contudo, migrou para Paris no início do século seguinte.

 

A mostra reúne nomes consagrados como Vitor Meireles, Agostinho da Mota, Zeferino da Costa, Rodolfo Bernardelli, Pancetti, Carlos Oswald, Bruno Giorgi, Maria Bonomi,  Iberê Camargo e Darel, dentre outros.

 

O evento comemora os fortes vínculos artísticos e culturais entre os dois países,  dentro do “Momento Itália-Brasil” e a Data Nacional da República da Itália, em 2 de junho. A curadoria é de Monica Xexéo, Daniel barreto, Pedro Xexéo e Laura Abreu.

 

De 18 de junho a 05 de agosto.

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