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AGENDA CULTURAL

Vieira da Silva no MAM-Rio

18/dez

Uma das mais importantes artistas plásticas do século XX, Maria Helena Vieira da Silva, ganha sua primeira mostra de peso no Rio de Janeiro. O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, MAM-Rio, exibe a exposição “Vieira da Silva – Agora”. No âmbito dos eventos do pleno ano Portugal no Brasil/Brasil em Portugal, em que os países reafirmam sua proximidade, a Fundação Arpad Szenes – Vieira da Silva e a Espírito Santo Cultura apresentam 51 obras inéditas ou pouco vistas no Brasil da artista portuguesa. A mostra tem curadoria de Marina Bairrão Ruivo, da Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva (FASVS), e de Luiz Camillo Osorio, do MAM-Rio, e integra as comemorações do Ano de Portugal no Brasil.

 

Os desenhos e pinturas da mostra foram produzidos entre 1934 e 1986, e traçam um arco praticamente completo do trabalho de Vieira da Silva – um conjunto de obras vindas de colecionadores particulares e institucionais do Brasil e de Portugal. “Reunir trabalhos que cobrem cinco décadas de produção nos permitiu apresentar ao público carioca o desenvolvimento de sua trajetória e a constante renovação de sua linguagem pictórica”, afirma o curador Luiz Camillo Osorio. “O embate entre figuração e abstração acompanhou a construção de sua poética, colocando dentro de um universo muito pessoal, às vezes lírico, às vezes trágico, aspectos relevantes da pintura do pós-guerra – momento de maturidade de sua linguagem”, conclui.

 

A curadora Marina Bairrão Ruivo, lembra que “…sua pintura é um testemunho da inteligente associação de um passado – em que Lisboa permanece como um referente cultural – a um presente de renovação e modernidade, simbolizado por Paris”.

 

Além das 51 obras, a exposição “Vieira da Silva, Agora” apresenta uma fotobiografia da artista; e o Museu de Arte Moderna preparou a mostra “Diálogos com Vieira da Silva”, reunindo 28 obras de artistas brasileiros que efetivamente dialogaram com a criadora franco-portuguesa. Volpi, Guignard, Antônio Bandeira, Lygia Clark, Carlos Scliar, Guignard, Arpad Szenes, Fernando Lemos, Ione Saldanha, Pancetti, Maria Leontina, Maria Martins, Sergio Camargo e Willys de Castro, entre outros, são alguns dos 21 artistas que integram esta mostra complementar e essencial à compreensão desta troca artística.

 

Sobre a artista

 

Nascida em 1908 em Lisboa, Portugal, a artista faleceu em 1992, em Paris. Despertou cedo para a pintura. Aos onze anos ingressou na Academia de Belas-Artes, em Lisboa. Motivada também pela escultura, estudou Anatomia na Faculdade de Medicina de Lisboa. Em 1928 foi residir em Paris, onde estudou com Fernand Léger e trabalhou com Henri de Waroquier e Charles Dufresne. Em Paris conheceu o também pintor Arpad Szenes, húngaro, com quem se casou em 1930. Realizou numerosas viagens à América Latina para participar de exposições, como em 1946 no Instituto de Arquitetos do Brasil. Devido ao fato de seu marido ser judeu e de ela ter perdido a nacionalidade portuguesa, eram oficialmente apátridas. O casal decidiu residir no Brasil durante a Segunda Guerra Mundial e no período pós-guerra, onde entraram em contato com importantes artistas locais, como Carlos Scliar e Djanira e exerceram grande influência na arte brasileira, especialmente entre os modernistas.

 

Vieira da Silva criou uma série de ilustrações para crianças que constituem uma surpresa no conjunto da sua obra. “Kô et Kô, les deux esquimaux”, é o título de uma história para crianças inventada por ela em 1933. Não se sentindo capaz de escrever, a pintora entregou essa tarefa ao seu amigo Pierre Guéguen e assumiu o papel de ilustradora, executando uma série de guaches. Mais tarde a artista viveu e trabalhou em Paris. A partir de 1948 o Estado Francês começa a adquirir as suas pinturas. Em 1956 ela e o marido obtém a nacionalidade francesa. Em 1960 o Governo Francês atribui-lhe uma primeira condecoração, em 1966 é a primeira mulher a receber o Grand Prix National des Arts e em 1979 torna-se cavaleira da Legião de Honra francesa. Participou da Europália, em 1992, e veio a morrer nesse ano. Para honrar a memória do casal de pintores, foi fundada em Portugal a Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva, sediada em Lisboa, e a Escola Vieira da Silva, em Carnaxide.

 

Até 17 de fevereiro de 2013.

Colagens inéditas

17/dez

A Galeria Raquel Arnaud, Vila Madalena, São Paulo, SP, revela pela primeira vez ao público uma faceta do arquiteto Aurélio Martinez Flores, nascido no México, que chegou ao Brasil nos anos 60. A mostra reune cerca de 30 obras.

 

Nos anos 80, o arquiteto Aurelio Martinez Flores enriqueceu seu espírito de artista ao conceber colagens, a exemplo do renomado colega Richard Méier que também começa a desenvolver trabalhos na mesma técnica, durante suas viagens entre NY e Los Angeles, para o projeto da sede do Getty Institute. Para compor suas colagens – cuja produção é intensificada a partir de 2007 –, Aurelio Martinez Flores recorre a elementos que encontra em torno de si, e outros que vai buscar especialmente, como os bichinhos de brinquedo que compra em Paris.

 

Sobre o artista

 

Aurélio Martinez Flores traz ao país a sua arquitetura formada a partir das influências de Mies van der Rohe, com quem trabalhou, e do convívio com as obras de Luis Barragán. Seu estilo minimalista e preciso se expressa desde seus primeiros projetos aqui no Brasil.

 

Sua carreira no Brasil começa na loja Forma, em 1960. Com sua visão de que o desenho do mobiliário é a extensão do projeto arquitetônico, em seus dez anos de empresa, chegou a desenvolver cerca de 50 projetos de interiores por mês. Em 1970, com o amigo Luis Carta, abre a Interdesign, loja referência em São Paulo, onde, durante 40 anos, desenhou, importou e comercializou peças de design e projetos de arquitetura de interiores.

 

Até 15 de janeiro de 2013.

Marcelo Moscheta | “Norte”

Também no Paço Imperial, encontra-se em exibição “Norte”, individual do paulista Marcelo Moscheta, no térreo do prédio, sob curadoria de Daniela Name. São dez instalações, feitas a partir de sua viagem de três semanas ao Ártico, em 2011. Desde 2000, o artista cria instalações, desenhos e fotografias, identificando e recolhendo elementos da natureza de lugares remotos, para construir pensamentos sobre paisagem e memória.

 

Moscheta destaca a instalação “Atlântida”, pela associação com o continente perdido. O trabalho é inspirado na cidade-fantasma de Pyramiden, antigo polo soviético de mineração, onde só moram duas pessoas, que sobrevivem das expedições turísticas.

 

“Maré Vers.1.3” se compõe de uma máquina, criada por Moscheta, em que um motorredutor aciona o movimento vertical de três projetores, reproduzindo o vaivém das marés, enquanto a projeção na parede tenta, em vão, conciliar as três imagens em uma única linha do horizonte. É a vitória da natureza sobre as tentativas de apreensão e controle feitas tanto pela ciência quanto pela arte.

 

Em “A line in the Arctic #4”, dá-se outro duelo entre paisagem e natureza. Moscheta tentou traçar, com fita adesiva amarela, no chão coberto de gelo, as linhas do meridiano e do paralelo que passam por ali, nas direções norte, leste, sul e oeste.

 

As “Fotocromáticas” do Ártico têm origem na constatação de que há muito mais tons de branco na neve do que se pode supor. Outra relação imediata é o esforço que o olho faz para verter uma foto em preto e branco, imaginando uma paleta que possa colorir a paisagem.

 

“Miragem” fragmenta em 35 partes uma única imagem, em que o Moscheta retrata uma montanha gelada. A escala da natureza e a perda da noção de profundidade fazem com que a paisagem do Ártico pregue peças e iluda o viajante. As demais instalações são intituladas “Ilha Elephant”, “Notes from the cold”, “NY Alesund”, Driftwood” e “À deriva”.

 

Marcelo Moscheta é Mestre pela Universidade Estadual de Campinas. Participou de coletivas e individuais no Brasil e na Europa e tem obras incluídas nas coleções de museus brasileiros e belgas, além de coleções particulares nos EUA, na Itália, Rússia e em países latino-americanos. Suas últimas residências artísticas, antes do Ártico, foram o deserto de Atacama (Chile), a fronteira entre o Brasil e o Uruguai, as regiões de Galiza (Espanha) e Bretagne (França) e a floresta amazônica.

 

Até 17 de fevereiro de 2013.

Exposição-Homenagem

A conhecida arquiteta, artista e galerista cariosa Anna Maria Niemeyer, falecida em junho deste ano, ganha exposição-homenagem, no Paço Imperial, Centro, Rio de Janeiro, RJ, sob curadoria de Lauro Cavalcanti, diretor do Paço.

 

A exposição “Anna Maria Niemeyer, um caminho” ocupa dois andares inteiros do prédio, onde estarão cerca de 300 ítens, entre obras de quase 60 artistas, documentos e projeções. A seleção do curador procurou ser abrangente, elegendo alguns artistas para salas individuais, como Jorge Guinle, lançado por AMN em junho de 1980, Victor Arruda, Beatriz Milhazes, Eliane Duarte, Efrain Almeida, Jorge Duarte e o pai da homenageada, Oscar Niemeyer. Esses artistas foram os que mais expuseram na galeria da Gávea e|ou os que tiveram contato mais estreito com Anna Maria.

 

Os trabalhos reunidos nessa exposição pertenceram, em sua maioria, à coleção pessoal da galerista, outros tiveram sua compra intermediada por ela e alguns foram cedidos pelos próprios artistas. Esta é a única oportunidade de apreciar o caminho visual de AMN em um mesmo local, já que sua coleção tomará destinos diversos.

 

Em 35 anos, sua galeria exibiu 240 artistas em 365 mostras. Por limites de tempo e espaço, nem todos foram contemplados com obras em exposição, mas estarão presentes em projeções. Há também uma sala destinada a ítens documentais da história da galerista.

 

Obras de Oscar Niemeyer (falecido em 06 de dezembro) abrem o segundo andar, que termina com a instalação de Fatima Villarin. Esse trabalho teria sido exibido, caso o funcionamento da galeria não tivesse sido interrompido.

 

Sobre Anna Maria Niemeyer

 

Como conselheira de programação do Paço, Anna Maria Niemeyer concebeu e realizou a mostra  “A caminho de Niterói”, da coleção João Sattamini, com curadoria de Victor Arruda. A exposição foi essencial na mudança de patamar do centro cultural no início dos anos noventa, e para alavancar o processo de construção do MAC-Niterói, através da demonstração da importância daquele conjunto de arte, até então desconhecido do público.

 

Entre outros projetos realizados, está o de consolidar Oscar Niemeyer também como artista plástico: Anna Maria editou séries de serigrafias, desenvolveu e mostrou suas peças de mobiliário, algumas assinadas por pai e filha, e também realizou os projetos e exibição de esculturas e de desenhos não arquitetônicos de ON. Junto com a filha mais velha, Ana Lucia Niemeyer, a galerista criou a Fundação Oscar Niemeyer para preservar obra e pensamentos do arquiteto.

 

Autores de obras da exposição: Ana Elisa Niemeyer, Anna Maria Maiolino, Anna Maria Niemeyer, Beatriz Milhazes, Bet Katona, Caetano de Almeida, Camille Kachani, Carlos Scliar, Carlos Zilio, Chico Cunha, Cristina Canale, Cristina Salgado, Delson Uchôa, Deneir, Edmilson Nunes, Efrain Almeida, Eliane Duarte, Evany Fanzeres, Farnese de Andrade, Fatima Villarin, Firmino Saldanha, Francisco Galeno, Gastão Manoel Henrique, Iclea Goldberg, Iole de Freitas, Ione Saldanha, Ivens Machado, Jadir Freire, Jeannette Priolli, João Carlos Goldberg, João Magalhães, Jorge Duarte, Jorge Guinle, José Patrício, Katie Van Scherpenberg, Luciano Figueiredo, Luiz Alphonsus, Luiz Ernesto, Luiz Pizarro, Luiz Zerbini, Manfredo de Souzanetto, Marcos Cardoso, Marcos Coelho Benjamin, Mario Azevedo, Mario Cravo, Mauricio Bentes, Monica Barki, Mônica Sartori, Nelson Leirner, Niura Bellavinha, Oscar Niemeyer, Paulo Pasta, Quirino Campofiorito, Ricardo Ventura, Rodrigo Andrade, Rosa Oliveira, Sante Scaldaferri, Toyota e Victor Arruda.

 

O curador contou com a consultoria de Helio Portocarrero e Leonor Azevedo, assessora de longa data da galerista, para este evento.

 

Até 17 de fevereiro de 2013.

Morandi no Brasil

13/dez

 

A Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre, RS, realiza, com o apoio do Museo Morandi, Itália, sua última exposição temporária do ano. Trata-se de exposição restrospectiva  dedicada à obra do pintor e gravador Giorgio Morandi. Com curadoria de Alessia Masi e Lorenza Selleri, “Giorgio Morandi no Brasil” traz para o espaço expositivo da Fundação cerca de 40 pinturas e 15 gravuras organizadas cronologicamente.

 

O conjunto permite a aproximação do público com o processo criativo e produtivo do artista italiano, calcado em questões como a forma, a significação dos objetos, o ritmo das pinturas e a influência da luz na representação pictórica – esta ultima a grande guia da obra de Giorgio Morandi. Quatro obras nunca antes apresentadas em solo brasileiro também compõem a seleção, além da projeção do documentário “La polvere di Morandi”, do cineasta Mario Chemello, sobre a vida do artista.

 

Sobre o artista

 

Giorgio Morandi nasce em 20 de julho de 1890, em Bolonha, cidade onde passa toda sua vida. Nas primeiras pinturas, datadas a partir dos anos 1910, demonstra uma precoce atenção aos impressionistas franceses e, em especial, por Cézanne; logo em seguida, se interessa por Derain, Henri Rousseau, Picasso e Braque. Concentra-se na grande tradição italiana estudando Giotto, Masaccio, Paolo Uccello e Piero della Francesca. Em meados dos anos 10, pinta obras que atestam uma experimentação futurista e, a partir de 1918, atravessa de modo muito pessoal uma breve fase metafísica. Em 1918 entra em contato com a revista e com o grupo “Valores Plásticos”, com quem expõem em Berlim, em 1921. A partir dos anos 20, inicia um percurso pessoal que perseguirá com particular coerência, mas também com resultados sempre novos, dedicando sua pintura a apenas três temas: naturezas mortas, paisagens e flores. Em 1930 obtém a cátedra de gravura na Academia de Belas Artes de Bolonha, cargo que ocupará até 1956. Inicialmente apoiado e admirado por escritores, em 1934 é apontado por Roberto Longhi como “um dos melhores pintores vivos da Itália”, durante aula inaugural na Universidade de Bolonha. Em 1939 recebe o segundo prêmio de pintura durante a III Quadrienal romana.  Em 1943, no auge da guerra, deixa Bolonha e se refugia em Grizzana, onde permanece até 25 de julho de 1944. Nesse período pinta numerosas paisagens. Em 1948, depois de ter exposto ao lado de Carrà e de De Chirico na Bienal de Veneza, recebe da Prefeitura de Veneza o prêmio de pintura.  Em 1953 conquista o I Prêmio de Gravura na II Bienal de Arte de São Paulo, onde expõe 25 águas-fortes. Em 1957, a Bienal de São Paulo lhe confere o Grande Prêmio de Pintura, tendo concorrido com Marc Chagall. Na última década, chega a uma pintura cada vez mais rarefeita. Morre em Bolonha, em 18 de junho de 1964.

 

Até 24 de fevereiro de 2013.

Renato Valle na Dumaresq

Com mais de trinta anos de carreira, foi nos últimos dez anos que Renato Valle desenvolveu projetos em pintura, fotografia, gravura, desenho, objetos e esculturas. Agora, o artista exibe “Escritos sobre pinturas ruins”, primeiro trabalho de Renato Valle realizado, de forma sistemática, fora de uma residência em instituição nessa última década.  Em cartaz na Dumaresq Galeria de Arte, Boa Viagem, Recife, PE, essa produção diversificada foi realizada em residências artísticas com apoio de diversas instituições.

 

Anteriormente a essa pesquisa o desenho foi o foco principal dos trabalhos que Renato Valle realizou. Além disso, produziu algumas dezenas de pinturas em atelier, porém o grande envolvimento com propostas específicas como as séries “Grades de Caminhões”, “Cristos Anônimos” e “DIÁLOGOS”, fez com que muitas dessas telas fossem feitas de maneira esporádica, sem sistematização, surgindo quase sempre como necessidade de exercitar a cor ou por alguma encomenda. O grau de envolvimento de Renato Valle com uma obra ou uma série sempre foi fator decisivo para a qualidade do seu trabalho e a pressão de galeristas e arquitetos para fazer algo que estava distante dos processos desenvolvidos nas suas pesquisas, torna claro que a sua retomada da pintura deveria vir através de um projeto específico.

 

Foi a partir de um dano que ocorreu na última tela encomendada por uma galeria que o artista decidiu fazer uma revisão biográfica do seu trabalho intervindo com escritos sobre telas de vários períodos. Observar o que o leva a não se reconhecer (total ou parcialmente) em determinadas obras, refletir sobre essas questões, escrever sobre essas pinturas sempre considerando tamanho e tipo de letra, cor, teor dos textos e composição, como elementos da própria pintura, preenchendo ou a tela inteira ou determinados espaços de acordo com a problemática específica de cada trabalho, foi o caminho que o artista encontrou para a retomada da sua obra pictórica.

 

Para tanto, contou com o apoio fundamental do FUNCULTURA, da produtora cultural Viviane da Fonte Neves e, mesmo fora das instituições, o artista trabalhou por quase um ano no atelier do amigo e colega Gil Vicente, que cedeu o espaço e acompanhou o processo desde a sua concepção. As quinze telas que serviram de suporte para esta série tinham sido realizadas entre 1981 e 2010 – algumas recolhidas do seu acervo e outras da galeria que as comercializa.

 

Até 31 de janeiro de 2012.

Gerchman em Duque de Caxias

12/dez

 

A exposição “Rubens Gerchman – O garimpeiro do asfalto”, sob a curadoria de Marco Antonio Teobaldo, será exibida no SESC Duque de Caxias, Rio de Janeiro, RJ. De acordo com o curador, a mostra apresenta algumas séries do artista (“Beijo”, “Automóvel”, “Bicicleta”, “Multidão” e “Futebol”), um vídeo instalação e um dispositivo interativo chamado “Graffiti Digital”, em que o visitante poderá manipular digitalmente algumas imagens de obras do artista, fazer algumas intervenções e projetá-las na parede da galeria.

 

Do lado de fora, na fachada da sede do SESC, surgem sete murais criados por seis artistas e um coletivo artístico, inspirados na vida e na obra de Rubens Gerchman. O resultado foi possível graças a uma visita de sensibilização no Instituto Rubens Gerchman, dirigido por Clara Gerchman que afirma ser um dos propósitos principais do instituto promover o acesso às obras de seu pai, a um maior número de pessoas.

 

O nome da exposição surgiu a partir de uma entrevista do artista encontrada durante o período de pesquisa de produção, no qual ele mesmo se autoproclama “garimpeiro do asfalto”.  É numa atmosfera urbana e popular que o visitante encontrará alguns dos caminhos percorridos por Rubens Gerchman, como se estivesse entrando no ateliê do artista. Os artistas Carlos Bobi, Eduardo Denne, Fuso Coletivo, Geléia da Rocinha, Kajaman, Ozi e Wilson Domingues participam como convidados.

 

Até 01 de fevereiro de 2013.

Doris Salcedo no Brasil

A Pinacoteca do Estado de São Paulo, apresenta, na Estação Pinacoteca, Luz, Largo Gal. Osório, São Paulo, SP, a exposição Plegaria Muda (2008-10) da artista colombiana de Doris Salcedo. Exibida pela primeira vez no Brasil, “Plegaria Muda”, é um ambicioso projeto da artista, formado por 120 mesas de madeira (que correspondem a diferentes tamanhos de caixões funerários) e que se relaciona fortemente com episódios de violência política, debruçando-se sobre algumas tragédias públicas e chamando a atenção para os traumas pessoais das vítimas.

 

Na última década, Doris Salcedo desenvolveu instalações de grande escala e intervenções arquitetônicas para museus, galerias e espaço urbano. Para Doris Salcedo, a violência é um fenômeno universal; um padrão humano, ameaçando o tecido social. Segundo Isabel Carlos, curadora da mostra, Doris Salcedo sempre considerou as suas esculturas como criaturas e, em “Plegaria Muda”, essa ideia é levada ao limite porque a obra pode não apenas afetar seus espectadores, como ser afetada por eles. “Plegária Muda” é, em si mesma, vulnerável, frágil, finita e torna cada visitante também vulnerável ao se deparar com uma obra que fala de morte, do desaparecimento, de valas comuns.. Estamos, assim, frente a uma dupla vulnerabilidade: a do espectador e a da obra. Doris Salcedo reivindica para si o papel de pensadora, mas uma pensadora que deva ser capaz de produzir obras que não se reduzam a explicações psicológicas ou sociológicas e, acima de tudo, que não sejam ilustrações dos testemunhos das vítimas, mas, antes, que as redima do silêncio e da invisibilidade através de outros suportes, de outras percepções.

 

A palavra da artista

 

“Em “Plegaria Muda” procuro articular diferentes experiências e imagens que fazem parte da natureza violenta do conflito colombiano. Também pretendo conjugar uma série de eventos violentos que determinam a imparável espiral de violência mimética e fratricida que caracteriza os conflitos internos e as guerras civis em todo o mundo. “Plegaria Muda” procura confrontar-nos com o pesar contido e não elaborado, com a morte violenta quando reduzida à sua total insignificância e que faz parte de uma realidade silenciada como estratégia de guerra. Considero que a Colômbia é o país da morte insepulta, da vala comum e dos mortos anônimos. É, por isso, importante distinguir cada túmulo de forma individual, para assim articular uma estratégia estética que permita reconhecer o valor de cada vida perdida e a singularidade irredutível de cada túmulo. Cada peça, apesar de não estar marcada com um nome, encontra-se selada e tem um caráter individual, indicando um ritual funerário que aconteceu. A repetição implacável e obsessiva do túmulo enfatiza a dolorosa repetição destas mortes desnecessárias, além de enfatizar o seu caráter traumático, considerado irrelevante pela maioria da população. Ao individualizar a experiência traumática através da repetição, espero que esta obra consiga, de alguma forma, evocar e restituir a cada morte a sua verdadeira dimensão, permitindo assim o retorno à esfera do humano destas vidas dessacralizadas. Espero que, apesar de tudo, e mesmo em condições difíceis, a vida prevaleça…”

 

Até 03 de fevereiro de 2013.

10 anos de Zanini na MEMO

08/dez

 

A MEMO, Rua do Lavradio, Lapa, Rio de Janeiro, RJ, abre retrospectiva da primeira década de trabalho de Zanini de Zanine, apresentando sua produção como designer. Na mesma ocasião, lança um múltiplo em parceria com o artista plástico Walton Hoffmann, além de gravuras em serigrafia. A exposição, organizada por Marcelo Vasconcellos e Alberto Vicente – sócios, coincidentemente há dez anos do MEMO, loja de mobiliário brasileiro e agora também galeria de arte -, tem a curadoria do jornalista Sergio Zobaran, curador ainda da Mostra “Black” em SP, e do artista plástico Walton Hoffmann, que assina a sua montagem.

 

Mesas, cadeiras, poltronas, bancos, pufes, luminárias, cabideiros e vasos, criados a partir de materiais inusitados – como placas de moedas de 10 centavos, reaproveitando as chapas descartadas pela Casa da Moeda, ou “pranchas” de coloridos skates – compõem a coleção com linguagem urbana e inspiração cotidiana a ser apresentada aos cariocas e outros visitantes. Peças lúdicas, criadas por esse skatista e surfista, como o cavalinho de balanço em metacrilato e as lamparinas de bujões de gás, darão cor à exposição. Os trabalhos de Zanini têm plasticidade, organicidade e até humor rasgado, como no banco Cê senta (60), feito com placas de sinalização de trânsito.

 

Zanini se divide entre sua marcenaria em Jacarepaguá, que ele chama de atelier – onde tem como assistente, entre outros, um antigo e importante colaborador de seu pai, Reduzino – e o Studio Zanini localizado em um grande galpão em Santo Cristo. Recentemente, participou da ArtRio com alguns de seus móveis e antes de sua mostra na MEMO, irá expor seu trabalho na prestigiada feira ArtBasel em Miami, EUA . Em 2013 a mostra parte para São Paulo e outros estados brasileiros.

 

Sobre o artista

 

Zanini, 34 anos, filho de José Zanine Caldas (daí o nome Zanini de Zanine), seguiu os caminhos do pai na criação e execução de móveis. Formado em Desenho Industrial na PUC/RJ em 2002 e ex-estagiário de Sergio Rodrigues. De 2003 a 2012 participou das principais bienais de design da Alemanha, França, Itália, Inglaterra, Estados Unidos e acumulou mais de 15 prêmios no Brasil e no exterior. Hoje, ele integra o primeiro time dos mais importantes artistas brasileiros que criam e trabalham para o mercado internacional. Como o pai, Zanini tem uma linha de mobiliário em madeira em edições com número de peças limitado, como as que acaba de criar para a celebrada indústria italiana Capellini. Além disso, Zanini desenvolve diversas outras linhas de criação voltadas para a execução através da indústria em diversos materiais, da madeira com resíduo florestal ao plástico, sobras de insumos e grades antigas.

 

Zanine/Hoffmann

 

Para a exposição de Zanini de Zanine no MEMO, o artista plástico Walton Hoffmann e Zanini planejaram um múltiplo onde o trabalho dos dois pudesse fluir e manter suas características. Zanini selecionou a poltrona “Trez”, que foi utilizada por Hoffmann em duas diferentes formas. Seu desenho e ela própria, miniaturizada, no interior de uma caixa de acrilico, em formato de casa, constituida de quebras cabeças e espelhos. Os jogos e as impossibilidades são temas de investigação do trabalho de Hoffmann. O acrílico nos deixa ver as entranhas desse trabalho mas não nos revela automaticamente seus inúmeros sentidos.

 

Para a exposição comemorativa de 10 anos de trabalho de Zanini, foram feitos 10 exemplares, todos em cores distintas, tornando cada peça dessa série uma obra única. E o MEMO produziu, junto com os artistas, uma série de  10 serigrafias a partir dos desenhos de seus trabalhos, numeradas e assinadas pelo designer. Elas têm relação com seus móveis e foram impressas nas cores  correspondentes em que eles foram produzidos.

 

Sobre a Memo Brasil

 

A MEMO publicou recentemente o livro “Móvel Brasileiro Moderno” (Aeroplano Editora em parceria com a Fundação Getúlio Vargas – FGV Projetos), uma obra completa sobre o mobiliário brasileiro modernista com ênfase no trabalho de José Zanine Caldas, Sérgio Rodrigues, Oscar Niemeyer, Joaquim Tenreiro, Ricardo Fasanello, Geraldo de Barros, Lina Bo Bardi, entre outros nomes importantes do século 20. A mostra de Zanini dá continuidade à transformação da ME|MO em espaço plural, ampliando assim sua vocação mantendo o primeiro e o segundo andares exclusivos para exposições de arte. Tudo isso em um prédio do século 19 fincado no coração da Lapa, no centro do Rio de Janeiro. A região, é hoje o trecho do cenário carioca com maior vocação para as artes, dos ateliês de artistas a galerias e lojas.

 

Até 11 de fevereiro de 2013.

Sob curadoria de Vik Muniz

O conhecido artista Vik Muniz apresenta como curador, em São Paulo, cerca de 80 trabalhos que compõem a mostra “Buzz”, através da galeria Nara Roesler no espaço criado e denominado de Hotel Roesler. No Hotel o assunto central da mostra é a arte ótica e o curador Vik Muniz selecionou em Chicago, e trouxe para o Brasil, dentre outros, um trabalho de Marcel Duchamp pertencente a década de 1940. Além de Duchamp e outros nomes da optical art, como Albers, Vik Muniz reuniu trabalhos de artistas que são verdadeiros ícones do movimento como Carlos Cruz-Diez, Abraham Palatnik e Almir Mavignier. Esta não é a primeira evz que Vik atua como curador pois já realizou trabalhos para o MoMA e o Metropolitan, ambos em Nova York e também para o Musée d’Orsay, em Paris.

 

Na seleção de obras realizadas por Vik Muniz encontram-se em exibição trabalhos de Ivan Serpa, Aluísio Carvão, Israel Pedrosa, Angelo Venosa, Gabriele Evertz, Gilbert Hsiao, Jim Eisermann, Julio Le Parc, Karin Davie, Lygia Pape, Marcos Chaves, Mark Dagley, Markus Linnebrin, Ross Bleckner, Suzane Song, Taba Auerbach. Realizada por uma galeria particular, a mostra parece ser institucional, pois uma boa parte dos trabalhos, cedidos por colecionadores e instituições, não está à venda.

 

A galeria exibe ainda e em separado, uma exposição de fotografias do artista inglês Isaac Julien.

 

Até 23 de fevereiro de 2013.

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