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AGENDA CULTURAL

Em Curitiba

07/ago


Desenho, é a exposição que a SIM galeria, Curitiba, PR, apresenta de 12 de agosto até 23 de setembro, sob curadoria de Felipe Scovino. Participam os artistas André Komatsu, Cadu, José Damasceno, Juan Parada, Marcius Galan e Nicolás Robbio.

 
Texto da curadoria

 

Desenho,

 

A primeira particularidade dessa exposição é o seu título. A vírgula depois da palavra “desenho” indica, entre outras possibilidades, falha, descontinuidade ou a própria impossibilidade de se designar o que é essa prática artística diante de uma infinitude de possibilidades. Na contemporaneidade, o desenho se articula como um traço no papel, mas, acima de tudo, como uma gama de desvios e circunstâncias que o aproxima da tridimensionalidade e mesmo, eventualmente, do cinema. Essa exposição conta com obras de seis artistas (André Komatsu, Cadu, José Damasceno, Juan Parada, Marcius Galan e Nicolás Robbio) que pensam o desenho como um agenciamento poético que se relaciona de forma cada vez mais potente e crítica com as idiossincrasias de um mundo não só em constante mudança mas fundamentalmente com a visão de um mundo em colapso. Percebam que essas obras constroem uma atmosfera na qual a precariedade e o acidente estão acentuados e são partes constituintes de suas poéticas.

 

A exposição investiga o desenho, portanto, não como projeto, estudo ou algo “menor”, mas como um passo importante para entendermos o caminho desses artistas e, ao mesmo tempo, refletir sobre um campo ampliado dessa prática artística. Nas obras desses artistas, ele adquire muitas vezes uma circunstância tridimensional; passa a ter volume e textura e, em alguns casos, se mistura com a paisagem do cotidiano, como é o caso de Geometria acidental (2008), de Robbio. Essa obra é um vídeo no qual o artista destaca, por meio de inserções gráficas, formações geométricas que acontecem ao acaso mediante o caminhar de transeuntes por uma praça. Vetores detectam o vai-e-vem dessas pessoas, gerando relações geométricas específicas (trapézios, etc.) que aparecem e desaparecem na tela, obedecendo à mesma velocidade.

 

O diálogo entre essas obras cria uma conjunção estética pelo fato de aproximar temas como invenção de território, memória, geografia e política. São obras que têm a economia de métodos e de elementos como prática constante. Esses desenhos também percorrem um território que se coloca como presente e inconclusivo, transparente e ambíguo, enfim, um mundo de referências imbricadas que a descrição conceitual jamais esgotará. A mostra também discute o desenho pela sua “negatividade”, isto é, por uma estrutura que pode ser revelada como algo indeterminado ou uma aparição ambígua no espaço, já que, em muitos casos, o que se torna visível para os olhos são rastros ou mecanismos que evidenciam uma perda. É o caso da paisagem recortada, fora de ordem, difusa em sua própria estrutura, explícita na série Cada um, cada qual (2017), de Komatsu. Ou ainda na funcionalidade perdida e descreditada das Pinturas burocráticas (2013), de Marcius Galan. O desenho passa a ser uma presença permeada de furos ou fraturas, pois ele mais esconde do que revela. Contudo, é essa força “negativa”, oblíqua, estranha, desviante que interessa à curadoria. Expor uma função reversa do desenho: não mais a revelação de uma estratégia, plano ou ideia, mas a imposição de sua própria estrutura, como algo desafiador e problematizador. Eis a fina ironia da Escultura borracha, de Damasceno: a borracha perde sua função operacional de apagar o que se traçou, pois é mármore e impõe ao desenho a sua própria duração e a impossibilidade de se voltar atrás.

 

O desenho também é uma miragem, e podemos perceber essa acepção no conjunto horizontalizado de lápis, constituindo uma massa homogênea (Horizonte duplo, 2015, de Marcius Galan) que, a distância, estimula nossa imaginação a pensar numa janela ou brise-soleil. Entramos no terreno do acidente e do desenho como ocupação virtual de espaço, campo de experimentação e ampliação da obra bidimensional.

 

Interessa à exposição aproximar o desenho de circunstâncias ou dados imateriais, como é o caso da série Windline (2014).

 

Em parceria com o artista e designer Marcos Kotlhar, Cadu concebeu uma estrutura que sistematiza leituras do comportamento do vento em forma de desenhos. No aparato, dados colhidos por um anemômetro são interpretados por um software de leitura, que utilizando a velocidade como vetor de deslocamento e a direção dos pontos cardiais como coordenadas, produz comandos que movem uma caneta presa a um suporte numa área de desenho (…). O que se vê é o registro da volatilidade do comportamento do vento em uma mesma região.

 

O desenho consegue condensar e vibrar, ao mesmo tempo, a densidade, o peso e o volume do vento. Por acaso, ciência e arte se fundem em meio a um regime de sensibilidade muito especial promovido por essa série de trabalhos. O desenho na obra de todos esses artistas funde-se entre ser projeto, ideia e realização no espaço. De forma geral, não há como distinguir pintura, escultura e instalação do desenho.
Felipe Scovino

 

Com Silvia Cintra+Box4

“Entre Rio e Pedra”, nova mostra de pinturas de Maria Klabin que abre dia 10 de agosto na galeria Silvia Cintra + Box 4, marca a volta da artista aos grandes formatos de tela. Ao todo serão seis pinturas a óleo baseadas em paisagens da Ilha Grande, no litoral do Rio de Janeiro.

 
Essa série é fruto direto da relação entre Maria e sua realidade ambiente, a ilha onde passou a infância volta através de imagens de sua memória que vão se justapondo a imagens captadas em fotografias feitas pela artista com o intuito de ajuda-la no processo de recriar este universo. O resultado são cenas que transitam entre a realidade e o sonho.

 
A praia, o mar, a natureza que sempre apareceram em suas pinturas, desta vez servem como fundo para o surgimento também de personagens. Pessoas na floresta, um homem dormindo, um catador de conchas, compõem esse cenário inconsciente. Mas, embora lidem com a subjetividade e a fluidez inerente à matéria da memória, essas pinturas mantém uma objetividade pictórica.

 

 

Sobre a artista

 
Natural do Rio de Janeiro, a artista graduou-se, em 1999, em Pintura e História da Arte na Brandeis University, Estados Unidos, onde ganhou o “Susan May Green Award for Painting”. Três anos mais tarde, em 2002, concluiu mestrado na Central Saint Martin, em Londres. Em 2003 passou a ser representada pela galeria Silvia Cintra+Box4 e desde então tem mostrado seu trabalho em importantes exposições e feiras no Brasil e no exterior.

 

 

Até 09 de setembro.

A exposição “Nós”

04/ago

Entre os dias 04 de agosto e 09 de setembro, a Galeria de Arte Solar, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ, promoverá a exposição “Nós”, produzida por alunos do Solar Meninos de Luz, com curadoria de Aloysio Pavan, Ana Paula Albé, André Sheik e Patrícia Wagner e coordenação de Osvaldo Carvalho.

 

A partir de oficinas ministradas por quatro artistas participantes da mostra “Diante do Desconhecido: o Outro”, exposição anterior da Galeria de Arte Solar, 16 alunos se empenharam em desenhar o outro com cuidado e sensibilidade. Nós espelha as mesmas pessoas em desenhos e fotografias através da experiência do olhar, de ver e ser visto.

A análise do ver e ser visto, experiência que assusta e encanta, proporcionou a construção de um novo olhar para os artistas. Diante de facilidades e dificuldades, solturas e bloqueios, os alunos trabalharam seus semelhantes com a visão de expectadores, a partir de diferentes simetrias, proporções e perspectivas.

 

A exposição dos alunos é uma prática desenvolvida com o intuito de aproximar as crianças da atual produção artística do país. Cada uma delas possui autonomia e papel central na criação e reprodução de suas ideias.

 

Artistas

 

Anna Beatriz Pereira de Macedo Barbosa, Ariane Nunes Martin, Beatriz de Souza, Caio Marques da Silva, Gabriel Pai, João Augusto de Medeiros Silva, Kaylane Rodrigues de Nazareth, Laís Alves Carvalho Cardoso, Lucas Emiliano Santos, Marcela Cristina dos Santos de Souza, Nicole Monteiro de Oliveira, Pauo Gabriel Freire de Mesquita, Rayssa de Carvalho Pinto, Rickson Pablo Santos Ferreira, Ryan Tavares Moitinho, Thais Custódio Marques.

 

Rodada de conversas

O CRAB SEBRAE, Praça Tiradentes, Rio de Janeiro, RJ, apresenta, de 15 a 22 de agosto, a “Semana da Festa Brasileira”, uma série de conversas abertas e gratuitas em torno da exposição “Festa Brasileira: Fantasia Feita à Mão”, que tem curadoria de Raul Lody e Leonel Kaz e expografia de Jair de Souza.

 

Entre os participantes estão os artistas Regina Casé e Antônio Nóbrega, o cineasta Belisário França, os colecionadores João Maurício de Araújo Pinho e Irapoan Cavalcanti de Lyra, o filósofo Fernando Muniz e a pesquisadora Flora Moana Van de Beuque. Serão cinco encontros, em que se discutirão vários aspectos do extenso universo da exposição. “Festa Brasileira” reúne, em espaços interativos, máscaras, vestimentas, objetos, adereços, e instrumentos musicais produzidos por artesãos de todo o país para as grandes festas brasileiras, como a Congada, em Minas Gerais, as Cavalhadas, no Centro-Oeste, as Folias de Reis fluminenses, os Reisados, em Alagoas, o Maracatu Rural, em Pernambuco, o Bumba Meu Boi, no Maranhão, o Boi de Mamão, em Santa Catarina, o Carnaval, em várias regiões, e festejos rituais indígenas da região amazônica, entre muitas outras manifestações.

 

A exposição fica em cartaz até o próximo dia 28 de outubro, e nos dias das conversas ficará aberta ao público até 19hs.

Flavio Cury na swissnex Brazil

03/ago

O artista plástico brasileiro Flavio Cury, da Universidade de Artes de Zurique (ZHdK), apresenta a instalação “Desexistir”, composta por duas projeções de vídeo e montagens de seu acervo pessoal de imagens. A inauguração de sua exposição, – a instalação “DESEXISTIR” -, acontecerá dia 04 de agosto, às 18 horas, no Lobby da swissnex Brazil, Rua Cândido Mendes, 157, Glória, Rio de Janeiro, RJ.

 

A instalação é uma resposta do artista a uma viagem para a Grécia e o Líbano no começo de 2017. O tema proposto para a viagem foi “Arte e Crise”. Como as “artes” podem reagir a uma crise humanitária sem instrumentalizá-la?

 

A resposta do Flavio Cury para a viagem e para o programa é uma reflexão sobre o conceito das fronteiras como limites fictícios inventados pelo homem. Em seu trabalho, ele investigou a existência absurda de fronteiras no alto mar.

 

A obra deixa espaço para várias interpretações. A cor do mar é vermelha ,o que suscita referências simbólicas. Pode, por exemplo, ser interpretada como uma insinuação à violência urbana no Brasil e às fronteiras como bordas invisíveis que separam a sociedade.

 

O trabalho é poético e as projeções são acompanhadas por um som, criado a partir da síntese granular do prelúdio da Suíte para violoncelo solo nº 1 em Sol Maior, de Johann Sebastian Bach. “Desexistir” não necessariamente tem que ser interpretado de uma forma política. Também é uma reflexão sobre atemporalidade, existência e jornada pessoal.

 
Até fevereiro de 2018.

ArtRio & Parceria

O Rio de Janeiro vai receber pela primeira vez uma edição do EARQ – Encontro de Arquitetura e Design. O evento, que acontece nos dias 15 e 16 de setembro e vai receber mais de 3.000 profissionais do setor, fechou parceria com a ArtRio e terá ações na Marina da Glória e no Museu do Amanhã. Entre as presenças confirmadas estão Arthur Casas, Thiago Bernardes, Ruy Othake, Miguel Pinto Guimarães, Sergio Conde Caldas, Carlos Motta e Zanini de Zanine.

 

Realizado desde 2010, o EARQ reúne profissionais de arquitetura, design de interiores e de ambientes, paisagistas, decoradores, engenheiros, fornecedores do segmento e estudantes dessas áreas.

 

 
Sobre a ArtRio

 

Em 2017, a ArtRio estreia em novo endereço: a Marina da Glória. O evento, que acontece de 13 a 17 de setembro, vai reunir importantes galerias brasileiras e internacionais. Chegando a sua 7ª edição, a feira tem entre suas metas ser um dos principais eventos mundiais de negócios no segmento da arte.

 

A ArtRio pode ser considerada uma grande plataforma de arte contemplando, além da feira internacional, ações diferenciadas e diversificadas com foco em difundir o conceito de arte no país, solidificar o mercado, estimular e possibilitar o crescimento de um novo público oferecendo acesso à cultura.

 

 

Serviço ArtRio 2017

Data: 14 a 17 de setembro (quinta-feira a domingo)

Preview – 13 de setembro (quarta-feira)

Horários: Dias 14 e 15 – quinta e sexta-feira – 14h às 21h

Dia 16 – sábado – 14h às 21h

Dia 17 – domingo – 14h às 19h

Ingressos: R$ 40 / R$ 20

Bilheterias no local nos dias de evento

Local: Marina da Glória – Av. Infante Dom Henrique, S/N – Glória

Estacionamento no local

Metrô – Estação Glória / Passarela em frente à Rua do Russel

Mariannita Luzzati – Migrantes

31/jul

A Galeria Marcelo Guarnieri, unidade Ipanema, Rio de Janeiro, RJ, inaugura no dia 03 de agosto a exposição “Mariannita Luzzati – Migrantes”, com sete obras inéditas da artista, sendo dois filmes, duas pinturas e quatro desenhos, que refletem sobre a paisagem e os fluxos migratórios. As obras, produzidas em 2016 e 2017, se relacionam entre si. O trabalho atual de Mariannita Luzzati tem sido realizado a partir da pesquisa sobre o movimento constante de migração de plantas que se infiltram em novas paisagens e estabelece uma relação com o fluxo de pessoas que migram por necessidade ou por vontade própria, causando mudanças sociais e culturais nesses cenários.

 

O ponto de partida da exposição é o filme “Migrantes” (2016), que dá nome à exposição e revela através da paisagem o processo de colonização do Brasil por Portugal durante a expansão marítima. O filme, que mistura paisagens reais e imaginárias (desenhos feitos pela artista), reflete sobre o processo de mudanças e interferências que este fluxo gerou. Ao lado dele, estará um outro filme, que trata sobre o tema da migração e deslocamento da paisagem. “São filmes que fiz de paisagens reais que entram em fusão com paisagens imaginárias que construí (pinturas e desenhos)”, explica a artista.

 

Na exposição os filmes estarão em diálogo com duas pinturas em grande dimensão (óleo sobre tela) e cinco desenhos (lápis sobre papel). Todos esses trabalhos se relacionam com a sua pesquisa anterior, que pensa em uma “restauração” da paisagem, para retorná-las ao seu estado “natural”. A vontade de restauração de que trata Mariannita Luzzati diz respeito a um mundo sem excessos, sejam eles de informação, de imagens ou de cores. A ação de esvaziar pode ser observada não só nas paisagens silenciosas que nos apresenta, mas também na paleta de cores rebaixadas que utiliza e até mesmo no aspecto difuso da pintura que dá conta de “nublar” os elementos da cena. Por meio da tinta diluída, sobrepõem-se centenas de camadas muito leves que dão corpo a rochedos muito pesados, rodeados pela imensidão do imprevisível oceano. Há uma troca entre cor e forma, onde uma se constrói enquanto a outra se desmancha.  

 

Os desenhos se comportam de maneira parecida. São feitos com lápis de cor, material rudimentar que carrega consigo o registro da infância, um registro de leveza e ingenuidade. Tal delicadeza, no entanto, precisa negociar com a dureza da ferramenta: o lápis, ao pintar o papel, evidencia as imperfeições de sua superfície e torna grosso o que seria liso. É do mesmo tipo de troca de que se trata, cor e forma: enquanto uma se constrói, a outra se desmancha.  

 

 

Sobre a artista

 

Mariannita Luzzati, nasceu em 1963. Vive e trabalha em São Paulo e Londres. Dentre as exposições individuais e coletivas que participou, destacam-se nas seguintes instituições: Pinacoteca do Estado de São Paulo, Centro Cultural São Paulo, Museu de Arte Moderna de São Paulo, Museu de Arte Contemporânea de São Paulo, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Museu de Arte Moderna da Bahia, Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, Museu de Arte Contemporânea de Curitiba, Museu Vale do Rio Doce de Vitória, Museu Nacional de Buenos Aires, Museum Of London, Haus Der Kulturen Der Welt em Berlim, Maison Saint Gilles em Bruxelas. Suas obras constam em importantes coleções nacionais e internacionais, dentre as quais a Fundação Itaú Cultural de São Paulo; Fundação Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro; Fundação Cultural de Curitiba; Fundação Padre Anchieta – TV Cultura, São Paulo; Museu de Arte de Brasília; Machida City Museum of Graphic Arts, Tóquio, Japão; Pinacoteca do Estado de São Paulo, SP; Centro Cultural Dragão do Mar, Fortaleza, CE; Instituto Figueiredo Ferraz, Ribeirão Preto, SP; Fundação Musei Civici de Lecco e MIDA – Scontrone, Itália; British Museum, Londres, Inglaterra; Essex Collection, Colcherter, Inglaterra; Credit Suisse First Boston; Halifax plc; Herbert Smith; Rexam plc de Londres; Teodore Goddard, Jersey e Pearson plc, Nova York.

 

 

Sobre a galeria

 

Marcelo Guarnieri iniciou as atividades como galerista nos anos 1980, em Ribeirão Preto, SP, e se tornou uma importante referência para as artes visuais na cidade, exibindo artistas como Amilcar de Castro, Carmela Gross, Iberê Camargo, Lívio Abramo, Marcello Grassmann, Piza, Tomie Ohtake, Volpi e diversos outros. Atualmente, com três espaços expositivos – São Paulo, Rio de Janeiro e Ribeirão Preto -, a galeria permanece focada em um diálogo contínuo entre a arte moderna e contemporânea, exibindo e representando artistas de diferentes gerações e contextos – nacionais e internacionais, estabelecidos e emergentes – que trabalham com diversos meios e pesquisas.

 

 

Até 06 de setembro.

Artista francesa residente

A Artur Fidalgo galeria, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ, apresenta a exposição “Qu’a t’on bien pu faire de tous ces sacrifices?”, da artista francesa Zoé Dubus. Com curadoria do artista José Damasceno, a mostra traz o olhar do viajante em busca de novas paisagens e realidades.

 

Zoé Dubus estudou na Escola de Artes Visuais La Cambre, em Bruxelas, e no Programa Aprofundamento da Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Desde 2013, mora no Vidigal, no Rio de Janeiro, e conta que o lugar a influenciou muito.

 

Em suas palavras: “…a arquitetura da rua aonde fui morar, a igreja evangélica que gritava sempre, a família que morava perto da minha janela, todo esse universo que eu nunca tinha visto. Isso tudo me proporcionou criar obras que dialogam com a violência, a injustiça, o medo, a irreverência, as cores, os sons e o humor”.

 

 

De 03 de agosto a 19 de setembro.

Artesania Fotográfica

O Espaço Cultural BNDES, Centro, Rio de Janeiro, RJ, inaugura dia 1º de agosto a exposição “Artesania Fotográfica – a construção e a desconstrução da imagem”, sob curadoria da pesquisadora Marcia Mello, com obras de sete fotógrafos contemporâneos brasileiros que usam processos alternativos de impressão de imagem, como as praticadas a partir de 1839 e até o início do século XX por amadores e profissionais: daguerreotipia, ambrotipia, fotogravura, cianotipia, albumina e calotipo.

 

Para essa exposição, concebida especialmente para o Espaço Cultural BNDES, a curadora elegeu trabalhos com temáticas recorrentes ao universo fotográfico: retratos, paisagens, objetos, vegetais. No entanto, os resultados obtidos por Ailton Silva, Cris Bierrenbach, Francisco Moreira da Costa, Mauro Fainguelernt, Ricardo Hantzschel, Roger Sassaki e Tiago Moraes surpreendem com abordagens transgressoras, que fragmentam o espaço e trazem uma visualidade contemporânea aos temas clássicos. A produção de fotografias com técnicas históricas contrasta violentamente com a profusão de imagens geradas hoje por aparelhos celulares e a facilidade de sua difusão pelas redes sociais e outras mídias.

 

A indústria fotográfica, que se iniciou em 1880, padronizou formatos, técnicas, equipamentos e a maneira de fazer fotografia. A estrutura dos materiais ficou limitada a alguns modelos e as técnicas artesanais caíram em desuso. Pesquisando livros antigos, decifrando fórmulas em manuais técnicos, os fotógrafos dessa mostra adaptam os materiais e as etapas do trabalho para obtenção da imagem única, incomum e intrigante. A exposição inclui equipamentos, instrumental, produtos químicos para trazer ao público um pouco do mundo do laboratório e do estúdio dos fotógrafos. Também estão em exibição alguns exemplares fotográficos históricos para um cotejamento entre a produção atual e a dos séculos anteriores. A fotógrafa Regina Alvarez (Rio de Janeiro, 1948-2007), pioneira na retomada do uso de técnicas alternativas de produção e impressão de fotografia no Brasil nos anos 1970, é homenageada com apresentação de documentos, anotações pessoais e trabalhos de sua autoria.  

 

 

Técnicas

 

Daguerreotipia – imagem única, não reproduzível e totalmente inorgânica, produzida em suporte metálico, sem emulsões, apenas através da reação química entre prata, iodo, bromo e mercúrio.

 

Ambrotipia – imagem fotográfica positiva sobre placas de vidro. Método antigo, surgiu no início da década de 1850, como alternativa ao daguerreótipo.

 

Cianotipia – processo de cópia fotográfica de desenhos, plantas, mapas etc. sobre papel tratado com sais de ferro.

 

Albumina – substância extraída da clara de ovo e usada para fixar os sais de prata ao papel. Foi a forma mais popular de impressão fotográfica até o início do século XX.

 

Calotipo – papel fino sensibilizado em sais de iodeto, brometo e prata que é exposto ainda úmido na câmera e rapidamente revelado, gerando uma imagem negativa.

 

 

Artistas participantes

 

Ailton Silva (Candeias, Bahia, 1980)

As imagens de plantas e paisagens da Argentina usam a impressão sobre papel albuminado (com clara de ovo), muito usado no século XIX, e hoje feitos artesanalmente por ele. Ailton Silva é impressor especializado em processos analógicos históricos e contemporâneos e responsável pelo laboratório do Instituto Moreira Salles, de preservação e restauração de acervos de negativos originais. Vive e trabalha no Rio de Janeiro.

 

Cris Bierrenbach (São Paulo, 1964)

Adaptou técnicas históricas para obter imagens de conteúdo e estética atuais. Ela usa goma bicromatada para a impressão de retratos sobre tecido e a daguerreotipia para objetos reminiscentes do terremoto no Haiti de 2010. Fotógrafa e artista plástica, Cris Bierrenbach iniciou carreira como repórter fotográfica na Folha de São Paulo, em 1989. Desenvolve um trabalho artístico que inclui vídeo, performance, instalação e pesquisa sobre técnicas de impressão fotográfica do século XIX, com ênfase na produção de daguerreótipos. A artista vive e trabalha em São Paulo.

 

Francisco Moreira da Costa (Rio de Janeiro, 1960)

Pesquisa a daguerreotipia desde 1996, sendo o único brasileiro a utilizar a técnica original e está entre os 50 daguerreotipistas contemporâneos em atividade no mundo inteiro.  Os objetos retratados – candeeiros, cestos, jarro de flores, raízes, frutas – trazem o passado abandonado, que percorre toda a produção de Francisco,  que propõe recuperar objetos e paisagem esquecidos pelo tempo. Vive e trabalha no Rio de Janeiro.

 

Mauro Fainguelernt (Rio de Janeiro, 1962)

Seu fazer fotográfico remonta ao princípio da fotografia: a geração de uma imagem em uma câmera escura construída por ele mesmo – Pinhole -, sem lentes ou qualquer outro recurso tecnológico. A série Anamórfica é constituída por imagens feitas com essas câmeras, a partir de experiências com diferentes planos cônicos de projeção. As obras se deslocam entre o plano e o espaço, fotografia e objeto tridimensional, onde a imagem e o objeto se misturam formando uma obra híbrida. Vive e trabalha no Rio de Janeiro.

 

Ricardo Hantzschel (São Paulo, 1964)

Retoma um dos primeiros processos fotográficos desenvolvido por Fox Talbot na Inglaterra, o calótipo, raro nas coleções brasileiras e na prática contemporânea. Viajante, pesquisador, mestre de oficina, íntimo do mar, escolheu registrar territórios de salinas, em Cabo Frio, Araruama e outros canteiros geométricos de brancura total. Em razão de o trabalho ser manual, vê-se a pincelada dos produtos químicos no perímetro da imagem. Vive e trabalha em São Paulo.

 

Roger Hama Sassaki (São Paulo, 1977)

Pratica a ambrotipia, usa o vidro e o papel como suporte para chegar a imagens negativas, com equipamentos antigos e respeitando os formatos diminutos da época, em retratos e paisagens urbanas, nessa exposição. Sassaki atua na área de documentação fotográfica de comunidades brasileiras e também do cenário musical paulistano. Explorador visual, trabalha em estúdio e circula pela cidade com uma caixa de revelação acoplada à bicicleta,   registrando-a em calótipos e ambrótipos. Para  divulgar suas pesquisas de processos históricos em fotografia, criou o site  Imagineiroimagineiro.com.br. Vive e trabalha em São Paulo.

 

Tiago Moraes (São Paulo, 1966)

Usa a cianotipia e a platinotipia para fazer grandes panorâmicas de paisagens urbanas, fragmentadas e complementares, de forte impacto visual. Fotografa com negativo de grande formato, edita dezenas de fotogramas justapostos, usando papel sensibilizado com sais de ferro ou platina. A obra de Tiago Moraes recupera elementos basilares da linguagem e da prática da fotografia, como o formato panorâmico. Ele constrói seus panoramas a partir de uma única sessão de fotografia, onde todo o espaço de percepção visual possível é registrado, com deslocamentos de câmera no sentido horizontal e vertical. Vive e trabalha no Rio de Janeiro.

 

 

Sobre a curadora

 

Marcia Mello é bacharel em Letras pela UFRJ, pesquisadora, curadora e conservadora de fotografia. Entre 2006 e 2016 foi diretora-curadora da Galeria Tempo, RJ. É autora dos livros “Só Existe um Rio” (Andrea Jakobsson Estúdio, 2008) e “Refúgio do Olhar, a fotografia de Kurt Klagsbrunn no Brasil dos anos 1940” (Casa da Palavra, 2013), ambos em parceria com Mauricio Lissovsky. Entre suas atividades mais recentes, estão a co-curadoria de  “Kurt Klagsbrunn, um fotógrafo humanista no Rio (1940-1960)”, “Rossini Perez, entre o morro da Saúde e a África” e “Ângulos da Notícia, 90 anos de fotojornalismo em O Globo”, no MAR, todas em 2015. Assinou a curadoria de “Tempos de Chumbo, Tempo de Bossa – os anos 60 pelas lentes de Evandro Teixeira”, Centro Cultural da Justiça Federal, RJ, 2014, e “Deveria ser cego o homem invisível?”, individual de Renan Cepeda na Galeria Espaço SESC Copacabana, 2015. Como pesquisadora, participou das exposições e livros: “Alair Gomes – A new Sentimental Journey” (Cosac Naify, 2009) e “Caixa Preta – fotografias de Celso Brandão” (Estúdio Madalena, 2016), ambas com curadoria de Miguel Rio Branco e exibidas na Maison Européenne de la Photographie em Paris.

 

 

Até 22 de setembro.

Ney Amaral, livro e exposição

28/jul

Ao mesmo tempo que realiza exposição individual de fotografias com abertura no dia 02 de agosto, Ney Amaral revela uma volta ao mundo em 160 páginas no livro “Flying Carpet”, na Galeria Bolsa de Arte de Porto Alegre, Bairro Rio Branco/Floresta, em Porto Alegre, RS. Talento que também acompanha o profissional em sua organização na seleção de imagens a cada vez que edita seus trabalhos. A exposição é uma aventura para descobrir o mundo sem precisar arrumar as malas!

 

Trata-se de mais de 20 anos de viagens agora em exibição e compactadas em um livro. Com prefácio do escritor José Antônio de Souza Tavares e produção do artista, professor e fotógrafo Leopoldo Plentz, “Flying Carpet” traz diversos lugares da terra, capturados pelo olhar de Ney Amaral que possui outras edições fotográficas como “Desassossego da cor”, “Mongólia”, “Black White and COLOR”, “Window”, “Bricks”,“Namastê”, além de duas obras literárias:  “Cartas a uma mulher carente” e  “Desesperadamente vivo”.

 

Encontramos em “Flying Carpet”, imagens desde  Jaguarão, município do interior do Rio Grande do Sul, até Kashgar, na China e percorrendo diversos países como os Estados Unidos, Portugal, Suécia, Noruega, Japão, Turquia, Uzbequistão, Mongólia, Índia, Jordânia, Rússia, Israel, Uruguai, e outros lugares como o deserto de Gobi, a Amazônia e no Oceano Atlântico. Fotógrafo por paixão, radiologista por profissão. A facilidade em tirar fotos foi descoberta instintivamente, em uma de suas tantas viagens.

 

 

A palavra do cineasta Carlos Gerbase

 

OS VIAJANTES

 

Há muitos tipos de viajantes. Os discretos, que dizem que vão comprar uma garrafa de vinho na esquina, dão a volta ao mundo e não trazem o vinho. Os exibidos, que tiram a primeira selfie no táxi rumo ao aeroporto. Os líderes, que comandam uma grande caravana. Os que vão a reboque (como eu), que aproveitam cada minuto, mas não têm muita noção do que vai acontecer na hora seguinte, porque o líder ainda não contou. Os psicodélicos, que viajam sem sair de casa. E os que, como Ney Amaral, trazem o mundo no bolso quando voltam para casa.

 

“Flying carpet” é um retrato do mundo inteiro feito por um viajante que representa uma espécie inteira. O ser humano é muito frágil. Somos facilmente batidos numa luta justa por dezenas de outras espécies. Estranhamente, contudo, estamos espalhados por todo o planeta, graças à nossa extraordinária capacidade de adaptação. As fotos de Ney Amaral mostram os resultados dessa adaptabilidade. Alguém caminha no deserto, outro alguém cruza num barco uma imensidão líquida. Alguém vê o horizonte aberto numa estrada deserta, outro alguém vê dois arranha-céus que criam um novo e estranho horizonte.

 

Em lugares diferentes, surgem pessoas diferentes, com peles diferentes, roupas diferentes, sorrisos diferentes e sonhos diferentes. Ney Amaral trouxe para casa, e agora para nós, um mundo de diversidade, beleza e espanto. “Flying carpet” não deve ser colocado na estante. É melhor que fique em cima da mesa, à disposição de um olhar curioso, quem sabe até fortuito. A beleza das imagens saberá capturar esse cidadão descuidado e mostrar-lhe que o mundo está à sua espera. Nem que seja a reboque, através das fotos de Ney Amaral. E depois, quem sabe, numa viagem real, em que cada imagem é um endereço seguro para redescobrir o planeta que insistimos em destruir, mas que ainda nos abraça, nos consola e nos oferece toda sorte de encantos.

 

 

O autor falando

 

Alguém pediu uma breve biografia para colocar no site e logo me ocorreu dizer que sou médico, afinal, é o que fiz durante a maior parte da vida. Em seguida, porém, percebi que a medicina cedera espaço para várias outras atividades. Por força da complexidade da minha especialidade médica tornei-me empresário e para dar sustentação a esse trabalho passei por um treinamento que incluiu o mestrado em administração. Mas havia outras coisas também, menos complexas, mas igualmente desafiadoras. Quebrei a mandíbula numa navegada, mas voltei a navegar. Em 2010 velejei de Cape Town, na África do Sul, à Bahia como cozinheiro de bordo de um veleiro, sem nunca repetir um único cardápio durante os vinte e oito dias da travessia. Essa não foi fácil, confesso. Mas, logo em seguida, abandonei a cozinha para me dedicar a um projeto que eu desenvolvera justamente durante a travessia. A elaboração do meu primeiro livro, Cartas a uma Mulher Carente, lançado em março de 2010. A partir daí, tornei-me um catador de lixo. Verdade! Catador de lixo mesmo, porque livros são como os quadros do Vic Muniz feitos no lixão de Gramacho. O artista, assim como o escritor, revira as profundezas do lixo em busca do material que será transformado em arte. Dentro desse saco de gatos há otimistas, pessimistas, trágicos, hilários, cínicos, enfim, há todo o tipo de escritores e de livros, mas a fonte do material de onde saem os livros é quase sempre o mesmo: o lixo. Nem por isso os livros deixam de ser poéticos, comoventes, ou mesmo engraçados. A graça, a comoção e a poesia são boa parte do lixo que jogamos pela janela sem o menor cuidado, sobretudo quando atrapalham nossa relação com um mundo cada vez mais asséptico e organizado pelo projeto antropológico comportado dos homens bons. E é por isso que os escritores catam, separam, compactam e finalmente filtram esse lixo através das páginas dos livros. É para que o insustentável brilho das almas bem comportadas não ofusquem, de vez, o pouco que ainda nos resta de humanidade. Então comecei a fazer livros de fotografia. Já tenho cinco deles prontos. Mas o que realmente importa na minha biografia é que encontrei a Beatriz que me levou até o Olavo, Pedro e Felipe. Mas essa é outra história…

 

 

Até 12 de agosto.

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