Ao longo de seis décadas, Gilberto Salvador constrói uma obra marcada pelo confronto entre rigor geométrico e impulso orgânico. Essa tensão, presente desde seus primeiros trabalhos, orienta “Geometria Visceral”, individual que a Galeria Mayer Mizrahi, Jardim Paulista, São Paulo, SP, inaugura no dia 15 de junho, sob curadoria de Denise Mattar.
Reunindo pinturas, relevos e composições produzidas entre 2021 e 2025, a mostra apresenta um recorte significativo do conjunto exibido recentemente no Paço Imperial do Rio de Janeiro. Em trabalhos que atravessam pintura, escultura e construção espacial, Gilberto Salvador articula planos recortados, transparências, cor e matéria em composições que investigam equilíbrio, deslocamento e instabilidade.
Ao longo de sua trajetória, o artista desenvolveu uma linguagem singular dentro da arte brasileira. “Na obra de Gilberto Salvador, o orgânico encontra o inorgânico em um campo contínuo de energia”, observa Denise Mattar. A definição atravessa o núcleo apresentado na galeria, onde estruturas geométricas parecem deslocar-se, curvar-se ou expandir-se diante da ação da cor e da matéria.
“O que eu tento efetivamente é fazer uma obra que tenha força própria e que não se prenda a uma utilidade racional, mas sim a uma utilidade emocional”, afirma Gilberto Salvador. Em outro momento, o artista resume uma dimensão central de sua pesquisa: “A arte é como o amor: ou você vive ou não vive”.
Mais do que apresentar um panorama recente da produção de Gilberto Salvador, a exposição “Geometria Visceral” evidencia a permanência e a atualidade de sua pesquisa em momento marcado pela velocidade das imagens e pela dissolução contínua da experiência visual, sua obra reafirma a potência da pintura e da matéria como campos de percepção, tensão e presença.
Até 11 de julho.

