A geometria de Beatriz Milhazes na Pinacoteca

12/maio

Grande nome da arte brasileira, Beatriz Milhazes é conhecida por seu trabalho que alia rigor geométrico a uma atmosfera sempre festiva, fruto de sua paleta exuberante. Arte têxtil, chita, bordado, tecelagem tipicamente brasileira e grafismos indígenas são referências das quais ela se alimenta, transformando tudo isso em uma linguagem própria.

“Gravuras do acervo da Pinacoteca de São Paulo” reúne pela primeira vez um conjunto de 27 gravuras produzidas entre 1996 e 2019, resultado da colaboração de Beatriz Milhazes com Jean-Paul Rusell, fundador da Durham Press – estúdio de edição de gravuras, livros de artista e obras únicas sediado na Pensilvânia, Estados Unidos. A Pinacoteca é o único museu do mundo que possui esse conjunto de trabalhos.

A exposição “Beatriz Milhazes: gravuras do acervo da Pinacoteca de São Paulo” estará em cartaz desde 16 maio de 2026 até 14 de março de 2027.

Retrospectiva de Vik Muniz no CCBB Rio.

“Vik Muniz – A Olho Nu” ficará em cartaz no CCBB Rio de Janeiro de 20 de maio até 07 de setembro. O patrocínio é do Banco do Brasil, com realização do Centro Cultural Banco do Brasil. Apoio do BB Asset e produção da N+1 Arte Cultura.

Será mostrada pela primeira vez no Brasil a escultura “Ferrari Berlinetta”, da série “Veículos Mnemônicos”, vinda da Itália, onde foi produzida em Turim. Com mais de quatro metros de comprimento, e 650 quilos, a obra reproduz, no tamanho de um automóvel real, um carrinho de brinquedo que Vik Muniz tinha na infância.

Suspensa na Rotunda, estará uma das cinco obras feitas por Vik Muniz este ano, especialmente para esta exposição. Trata-se de “Tropeognathusmesembrinus”, um gigante pterossauro, feito de polímero infundido com cinzas do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, devastado por um incêndio em 2018, fato que mobilizou Vik Muniz para o levantamento de recursos para sua reconstrução. Da série “Museu de Cinzas”, a escultura, totalmente inédita, vai “pairar” no ar, com seus 8,20 metros de envergadura, calculada de uma ponta à outra das asas, e 2,55 metros de comprimento, e poderá ser vista também por cima a partir do segundo andar. Cobrindo o chão da Rotunda, estará um tapete redondo com dez metros de diâmetro, estampado com a imagem da famosa obra do artista “Medusa Marinara”.

“Vik Muniz é um ilusionista – um mágico na construção de imagens que não existem, mas que se tornam reais. Suas obras possuem camadas que tensionam diferentes questões de cunho poético – aspectos formais e processuais – e político, abordagens e relações que estabelece com o sistema da arte”, afirma Daniel Rangel.

Damián Ortega em museu de São Paulo.

11/maio

 

A mostra no MASP, apresenta mais de três décadas de trabalho do artista Damián Ortega (Cidade do México, 1967), um dos principais expoentes de sua geração. Transitando entre fotografia, vídeo, escultura e instalação, Damián Ortega convida o público a reexaminar materiais e objetos cotidianos para investigar narrativas sociais, econômicas e políticas. Em sua icônica prática escultórica, ele desmonta objetos, como carros, reorganizando suas partes e exibindo-as em novas configurações. O mesmo pensamento de rearranjo aparece em obras em que dispõe ferramentas, pedras ou tijolos em montagens suspensas. A reorganização desses objetos na forma de diagramas espaciais é frequentemente carregada de humor e comentários políticos e sociais. A exposição destaca obras importantes de sua trajetória e um conjunto de trabalhos que investigam aspectos da arquitetura brasileira. A mostra é organizada em parceria com o Museo de Arte Latino-Americana de Buenos Aires (MALBA) e marca a primeira individual de Damián Ortega em um museu de São Paulo.

O artista conta que concebe a escultura como uma relação entre força, resistência, equilíbrio e gravidade, aproximando-se da engenharia de modo lúdico. “Ortega desenvolve uma linguagem escultórica irreverente a partir de objetos cotidianos. Em sua obra, a ideia de energia é ampla, referindo-se tanto a noções de trabalho quanto a processos físicos de transformação da matéria. Ele equaciona abordagens da sociedade e investigações sobre tempo e espaço, movendo-se entre escalas micro e macro, entre o átomo e o cosmos”, afirma Yudi Rafael.

Com curadoria de Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP; Rodrigo Moura, curador independente, MALBA; e Yudi Rafael, curador assistente, MASP, com assistência de Isabela Ferreira Loures, assistente curatorial, MASP.

Até 13 de setembro.

Artistas de diferentes territórios da América Latina.

A Fundação Getulio Vargas, por meio da FGV Arte, convida você para a exposição “Eu chorei rios: arte dos povos originários da América”, na Praia de Botafogo, Rio de Janeiro, RJ.

Com curadoria de Glicéria Tupinambá e Paulo Herkenhoff, a mostra inédita reúne artistas de diferentes territórios da América Latina. Com nomes como Ailton Krenak, Claudia Andujar, Daiara Tukano, Denilson Baniwa, Djanira, Gustavo Caboco, Jaider Esbell, Lastenia Canayo, Luiz Carlos Felizardo, Keyla Sobral, Lygia Pape, Mestre Valentim e Xadalu Tupã Jekupé, a exposição propõe uma leitura ampliada da arte latino-americana, a partir de modos de existência e repertórios estéticos diversos.

A Baró Paris exibe Lygia Clark.

“Este retângulo, despedaçado, nós o engolimos, o absorvemos. Demolir o plano como suporte para a expressão é tomar consciência da unidade como um todo vivo e orgânico.”

A Baró Paris apresenta Lygia Clark: “Anatomie d’une ligne”, a segunda exposição dedicada à artista brasileira pela Galeria Baró e a exposição inaugural de seu novo espaço permanente em Paris. Com curadoria de Rolando J. Carmona, a exposição concentra-se em momentos-chave da prática de Lygia Clark, examinando a relação entre abstração geométrica, corpo e psicanálise. A apresentação reúne estudos, fotografias, maquetes de papelão produzidas na década de 1950 e “Bicho Desfolhado” (579), destacando uma fase decisiva na transição da artista de estruturas geométricas para propostas participativas. Uma parte significativa das  obras e propostas apresentadas na exposição foi concebida durante o período em que Lygia Clark viveu em Paris. Entre 1950 e 1952, ela estudou na cidade com Isaac Dobrinsky, Fernand Léger e Arpad Szenes, e posteriormente retornou a Paris em autoexílio durante a Ditadura Militar Brasileira. De 1968 a 1976, Lygia Clark desenvolveu um intenso conjunto de obras que integraram o pensamento psicanalítico à sua prática artística.

Durante esse período, Lygia Clark foi convidada a ministrar um curso sobre comunicação gestual na Sorbonne, onde desenvolveu a série de proposições conhecida como “Corpo coletivo”. Obras como “Baba Antropofágica” e “La Red”, também apresentadas nesta exposição, surgiram dessas experiências. Em “La Red”, a grade moderna é desestabilizada e transformada em uma estrutura flexível ativada pela interação corporal coletiva.

Em sua sede parisiense, a Baró Galeria desenvolve uma programação que reúne obras históricas e artistas emergentes do Sul Global. A exposição inaugural, dedicada a Lygia Clark, insere o espaço parisiense em um diálogo internacional entre práticas históricas e pesquisa artística contemporânea.

Sobre a artista.

Lygia Clark nasceu em 1920 em Belo Horizonte, MG, Brasil, e tornou-se uma figura central do movimento Neoconcreto no final da década de 1950. Seu trabalho integra importantes coleções internacionais, incluindo o Museu de Arte Moderna de Nova York, a Tate em Londres, o Centro Pompidou em Paris e o Museu Reina Sofía em Madri. Entre suas exposições institucionais recentes, destaca-se uma grande retrospectiva na Nationalgalerie em Berlim, atualmente em cartaz na Kunsthaus Zürich.

Investigação sobre memória e pertencimento.

07/maio

Belo Horizonte, Uberaba e Juiz de Fora se encontram no Rio de Janeiro em “O Caminho do Ouro”, exposição que será inaugurada no dia 21 de maio na a.thebaldigaleria, no CasaShopping, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, RJ. Mais do que a origem geográfica em comum, os artistas mineiros Hélio Siqueira, Paulo Miranda, Paulo Torres e Petrillo compartilham nesta coletiva investigações que partem de matéria e memória das terras de Minas Gerais, estabelecendo um percurso sensível entre tradição e contemporaneidade.

Reunindo trabalhos inéditos de produção recente, a mostra foi concebida por Edson Thebaldi, marchand à frente da galeria que celebra 40 anos de trajetória este ano. O conjunto de obras atravessa diferentes linguagens como técnica mista utilizando pigmentos naturais, colagem, carvão e pastel oleoso sobre lona e sobre papel, esculturas em cerâmica em alta temperatura submetidas a fornos com queima a lenha e têmpera acrílica com pigmentos minerais, terra e concreto retirado das calçadas das cidades.

Hélio Siqueira apresenta a série de objetos “Bilhas”, uma alusão às cerâmicas utilizadas na antiguidade como reservatórios de água. Potes, castiçais, moendas, pilões e solitários que povoavam a vida e enfeitavam as casas nas fazendas.

A paisagem é o ponto de partida para uma investigação sensível sobre memória e tempo nas obras produzidas por Paulo Miranda para a exposição. 

A busca por novos horizontes é o eixo que atravessa os trabalhos de Paulo Torres desenvolvidos para a coletiva. Em meio ao mar de concreto e asfalto que define a paisagem urbana contemporânea, o artista investiga aquilo que se oculta sob as camadas do tempo: cores veladas, marcas, desgastes e vestígios que a cidade acumula silenciosamente todos os dias.

Nesta nova série de obras expostas na a.thebaldigaleria, o artista visual Petrillo dá continuidade à sua investigação sobre a paisagem. Desta vez, investiga e se volta para as jazidas e a topografia mineira, que servem como pretexto dialético para a construção imagética das obras. 

Até 14 de junho.

Jardim do Éden de Joana Vasconcelos.

Pela primeira vez o Brasil recebe no Farol Santander, Centro, São Paulo, SP, uma das obras mais emblemáticas de Joana Vasconcelos: “Jardim do Éden”. Uma instalação imersiva que convida o público a caminhar por um labirinto que expõe a artificialidade da natureza através de uma inusitada experiência ótica.

Esse percurso transporta o espectador para um paraíso de sonhos e imaginação através dessa obra única que já passou por diversos continentes. “Jardim do Éden” é uma instalação que convida o espectador a caminhar. Através do fluxo luminoso e dos motores síncronos, as flores artificiais dispostas em forma de labirinto produzem um efeito cinético semelhante ao produzido pela fibra ótica. Ao mesmo tempo uma suave trilha sonora – que alude ao canto de dezenas de pequenos insetos – produzida pelo som mecânico das respetivas máquinas em funcionamento. 

O percurso neste paraíso onírico expõe a artificialidade da natureza através de uma inusitada experiência ótica, unicamente possível devido à exigência da sua apresentação num espaço interior privado de luz natural. Joana Vasconcelos concebe um surpreendente simulacro que reporta invariavelmente para o questionamento, a sabotagem e a apropriação de uma narrativa ancestral.

Até 21 de junho.

Pesquisa com a cerâmica e o aço inox.

Para marcar os 25 anos de trajetória da artista Ana Holck, será inaugurada no dia 21 de maio a exposição “Imprevistos”, na galeria Maneco Müller: Multiplo, Leblon, Rio de Janeiro, RJ, com a mais recente produção da artista carioca. Serão apresentadas cerca de 16 obras inéditas, produzidas este ano, em um desdobramento da pesquisa da artista com a cerâmica e o aço inox. Os novos trabalhos trazem elementos inéditos, como novas formas e a introdução de cores no barro, algo nunca antes utilizado pela artista. Ana Holck é uma das mais destacadas artistas de sua geração e ao longo de mais de duas décadas de atuação construiu uma carreira consolidada no meio da arte.

“Sua prática se desdobra por meio de uma investigação contínua de estruturas espaciais, tensões materiais e a dimensão experiencial da escultura. Trabalhando principalmente com materiais como metal e porcelana, Holck constrói ambientes que desafiam a estabilidade da forma, ao mesmo tempo que ativam a percepção e a presença corporal do espectador”, afirma a crítica e curadora de arte Daniela Labra, que assina o texto da exposição e há mais de uma década acompanha o trabalho da artista.

Sobre a artista.

Ana Holck (Rio de Janeiro, 1977) é formada em Arquitetura e Urbanismo pela FAU/UFRJ (2000), com Mestrado em História pela PUC-Rio (2003) e Doutorado em Linguagens Visuais pela EBA-UFRJ (2011). Inicia sua trajetória nos anos 2000, com instalações de grande formato, entre as quais, Elevados, no Paço Imperial (2005), Bastidor, no CCBB RJ (2010) e Splash, no SESC Pinheiros (2010). Entre suas mais recentes mostras individuais estão Ensaios Lineares, na Pinakotheke Cultural, Rio de Janeiro, e Deslocamentos Orbitais, na Zipper Galeria, São Paulo, ambas em 2024, e Entroncados, Enroscados e Estirados, no Paço Imperial, Rio de Janeiro, em 2023. Entre as coletivas estão: O Espetáculo da Coerência (2026), na Maneco Muller Multiplo, Rio de Janeiro; Elas (2025), no MAC Niterói, Rio de Janeiro; Entre Elas (2025), na Amelie Maison D’Art, Paris; O Mistério das Coisas Por Baixo das Pedras e dos Seres (2024), no Museu Histórico da Cidade, Rio de Janeiro; Qual o tema (2024), na mul.ti.plo Espaço Arte, Rio de Janeiro, entre outras. Possui obras nos acervos do Itaú Cultural, Pinacoteca do Estado de São Paulo, MAM Rio, MAM São Paulo, MAC Niterói, entre outros.

Até 17 de julho.

Linguagem a partir de diferentes suportes.

06/maio

A exposição “Entre raízes e paredes”, nova individual da artista Denise Calasans, inaugura no dia 06 de maio, no Centro Cultural Correios, Centro, Rio de Janeiro, RJ, com curadoria de Marisa Flórido.

Carioca, com trajetória que atravessa o design, as artes visuais e a pesquisa em memória social, Denise Calasans desenvolve um trabalho que articula natureza, afeto e linguagem a partir de diferentes suportes, como pintura, instalação, vídeo e trabalhos têxteis. Sua produção investiga as relações entre o espaço doméstico e o território vegetal como campos de memória, gesto e construção simbólica. A exposição reúne um conjunto inédito de obras organizadas nos núcleos jardim e casa, propondo um percurso que atravessa materiais, temporalidades e formas de inscrição, onde o feminino se apresenta como força de transmissão e transformação.

“Jardim e casa – que operam como regimes sensíveis complementares: um voltado à dissolução das demarcações, à fluidez e à expansão do gesto; outro, à inscrição, à memória e à ambivalência do cotidiano. Entre ambos, a artista constrói um campo de ressonâncias, contaminações e porosidade das bordas: entre natureza e cultura, privado e o público, o inumano e o cultivado, o cuidado e a violência, a memória e o apagamento”, escreve Marisa Flórido. 

Até 20 de junho.

Comigo ninguém pode.

Comigo ninguém pode é o nome, em português, da Dieffenbachia, uma das plantas mais comuns nas casas brasileiras, escolhida como símbolo de proteção espiritual. A ambiguidade e o sincretismo do termo original, que também se tornou um ditado popular, podem ser interpretados como “Ninguém pode me domar”, “Ninguém pode me derrotar” ou até mesmo “Não me desafie!”, em alusão à toxicidade da planta. Na evocação espacial de “Comigo ninguém pode”, a mostra coloca em diálogo duas artistas contemporâneas engajadas na reescrita performativa das histórias coloniais: Rosana Paulino (São Paulo, 1967) e Adriana Varejão (Rio de Janeiro, 1964). Juntos, seus trabalhos abrem a possibilidade de perceber o transcendente no visível.

Comigo ninguém pode reflete sobre a manifestação da fé e da espiritualidade na cultura brasileira, destacando sua estreita relação com a natureza e com dimensões além do humano. O projeto propõe um visceral jogo de perguntas e respostas sobre como espiritualidade e natureza são capazes de gerar um imaginário público que, ao reescrever a história, reconstrói os muros da memória e ressignifica as ruínas e feridas coloniais por meio de seres fantásticos e mágicos. Por meio de obras novas e históricas, a exposição apresenta uma realidade que desafia o racionalismo universal e os percursos predeterminados moldados pelo capital racial global.

Situada entre o tempo em espiral e as ondas tumultuosas propostas por Varejão, a mostra inclui a instalação difusa Aracnes (1996-2026), de Paulino, um muro de concreto inacabado no qual habita uma frágil rede de fios intercalados por fotografias impressas de corpos subjugados. Esta é envolvida por Still Life amid Ruin (Natureza-morta em meio à ruína) (2026), de Varejão, uma escultura pintada que expõe noventa metros lineares de transmutação voluptuosa: por meio de uma tática barroca que a artista desenvolve desde os anos 1980, o concreto torna-se carne, ouro; a madeira torna-se cerâmica, que se transforma em solo e planta. Essas metamorfoses constituem Comigo ninguém pode (2026), desenho de Paulino que dá título à mostra.

A longa tradição da cerâmica brasileira não apenas dá forma às tecelãs de Paulino, entrelaçadas com ninfas e casulos, mas também sustenta os motivos de flores-flechas e o gesso seco sobre tela deixado por Varejão ao longo do tempo, criando fissuras que atravessam a história, os azulejos e os anjos. Suspensos no alto, parecem flutuar e despencar do céu de concreto, tumultuado e moderno. Figuras ambíguas, são testemunhas das experiências de terror suturadas pelo passado colonial em Varejão, com Paisagem canibal (2003), e em Paulino, com Atlântico vermelho (2026). Ambas também observam uma mulher transformar-se em búfala e perturbam a grade do cânone ocidental ao dialogar com Une petite mort (2005), de Varejão. Juntamente com as muitas outras composições possíveis presentes nesta exposição, a cena recorrente de mulheres negras reduzidas a estereótipos ativa uma experiência regenerativa, enquanto representação das veias, sementes e raízes da sociedade brasileira.

Diane Lima, curadora.

De 09 de maio até  22 de novembro.