O livro de São Sebastião

05/dez

Anita Schwartz Galeria de Arte, Gávea, Rio de Janeiro, RJ, apresenta a partir de 14 de dezembro próximo a exposição “O livro de São Sebastião”, com trabalhos inéditos e feitos especialmente para o espaço da galeria pelo artista pernambucano Bruno Vilela, que desde 2001 é atuante na cena nacional e internacional. Serão apresentadas 15 pinturas, das quais sete óleos sobre tela e oito trabalhos sobre papel, nos quais Bruno Vilela utiliza diversas técnicas, desde a sobreposição da tinta óleo ao pastel seco e carvão, ao uso da folha de prata. As obras dão sequência à pesquisa do artista sobre arquétipos e mitologias, em que desta vez se aprofunda no universo judaico-cristão e no hermetismo.
“Pintar é uma maneira de reproduzir as imagens do inconsciente em uma tela. Na impossibilidade de se fotografar sonhos e pesadelos, é possível entrar em estado de sonho através da pintura”, conta Bruno Vilela, que aborda o universo onírico, e investiga memórias ancestrais e pessoais. “Esta exposição é como um livro. Seus textos foram perdidos. Mas suas ilustrações sobreviveram”, diz ele.

 

Artista que passa até onze horas no ateliê, Bruno Vilela foi tema de um episódio da série “Se Cria Assim”, do cineasta Cláudio Assis, dirigido por Beto Brant. Com 26 minutos de duração. O filme exibido este ano no canal Arte 1 será projetado no contêiner localizado no terraço da galeria. Além de dois livros de artista – “Animattack” (2014) e “Vôo Cego” (2010) – Bruno Vilela estreou ano passado na ficção, com o romance “A sala verde”, escrito após 70 dias cumprindo residência artística no Palácio do Marquês de Pombal, em Lisboa, a convite da instituição Carpe Diem Arte e Pesquisa. A publicação de 166 páginas, que inclui pinturas e montagens feitas pelo artista, estará à venda na galeria, durante o período de exposição, por R$ 35,00.

 

A cada série de trabalho Bruno Vilela usa um caderno onde anota ideias, o que lê, filmes que assiste, com o registro daquele período e produção. Ele colocará à disposição do público para leitura e manuseio o caderno que acompanha este trabalho “O livro de São Sebastião”.

 
Obras
A exposição segue uma narrativa misteriosa em muitas medidas, após estudo do espaço da galeria, para dispor seus trabalhos de acordo com esta narrativa, dividida em cinco capítulos. As obras ocupam o grande piso térreo, a escada, e o segundo andar. No diagrama feito pelo artista, ele comenta cada trabalho. A seguir, um resumo desses comentários:
(Cap. 1)
O Divã (2016, óleo e carvão s/ papel, 115cm x 150cm) – Uma visão da sala de Freud e seu divã. Para mim os sonhos e pesadelos são uma espécie de teatro, ou cinema fantásticos. Hiperfantásticos. O realismo mágico na pele. Com a prática é possível ter cada vez mais consciência durante os sonhos e aumentar o poder de memória de suas “cenas”.

 

Fio de prata (2016, óleo s/ tela, 90cm x 200cm) – Já houve o descolamento do corpo com o espírito. A alma entra na escuridão e fundo se avista a floresta do subconsciente. Um salto no vazio. A lua aparece no lugar da cabeça. É a luz para iluminar a escuridão da noite.

 

Moisés (2016, óleo e pastel seco sobre papel, 60cm x 80cm) – Uma luz sai de uma fenda na montanha. É o Monte Sinai. Referência ao momento em que Moisés vê a Sarça ardente e conversa com Deus. Tem alguma coisa lá longe na paisagem. O que tem dentro daquela fenda? Daquela caverna?

 

A Virgem dos Rochedos (2016, óleo sobre tela, 189,5cm x 120cm) – Lembrança da pintura de Da Vinci vista na National Gallery, em Londres. Não se vê os seres encantados, só suas auréolas.
(Cap. 2)
Maria (2016, óleo e carvão sobre papel, 65cm x 80cm) – Maria. Os ossos sagrados que nunca desaparecem. O útero é a caverna escura e a auréola o símbolo da santidade que brilha na sombra.

 

Fabíola (2016, óleo s/tela, 180cm x 140cm) – O amor de São Sebastião está na exposição frente a frente com o urso, na mesma altura dos olhos encarando o animal. Ela não tem os dois dedos, indicador e médio, fundamentais para um arqueiro. Os franceses arrancavam os dois dedos dos arqueiros ingleses. Por isso, levantar esses dois dedos na Inglaterra, é uma ofensa. Já os ingleses arrancavam o dedo médio dos arqueiros franceses. Daí surgiu o gesto de levantar o dedo!
São Sebastião (2016, óleo s/tela, 140cm x 190cm) – O urso. A resiliência. Foi flechado e não morreu. Foi um dos personagens centrais do romance “Fabíola” (“A Igreja das Catacumbas”), escrito em 1854 pelo Cardeal Nicholas Wiseman. Na minha desconstrução do mito o urso acha que foi flechado, mas não foi. Ele criou seu próprio sofrimento. A explicação está na arqueira, Fabíola, que não tem os dedos indicador e médio.
O Anjo (2016, carvão sobre papel, 92cm x 114cm) – Existem muitas referências a discos voadores na Bíblia. E uma vasta pesquisa em diversos livros como no clássico: “Eram os Deuses Astronautas?”, de Erich von Däniken.

 

 

(Cap. 03)
Paradise Lost (2016, óleo e pastel seco sobre papel, 80cm x 110cm) – “Paraíso Perdido”, escrito por John Milton, originalmente publicado em 1667 em dez cantos. O poema descreve a história cristã da “queda do homem”, através da tentação de Adão e Eva por Lúcifer e a sua expulsão do Jardim do Éden. Uso a imagem das placas Pioneer, que foram colocadas a bordo das naves espaciais Pioneer 10 (1972) e Pioneer 11 (1973), com uma mensagem pictórica que possa ser interceptada por vida extraterrestre ou até mesmo humanos do futuro. As placas mostram as figuras nuas de um homem e uma mulher. Na minha mitologia pessoal fazem o papel de Adão e Eva. Atrás vemos a árvore da Ciência do Bem e do Mal (“Gênesis” 3:22).

 

Red Right Hand (2016, óleo sobre tela, 150cm x 120cm) – A mulher com a espada é a versão feminina do Arcanjo Gabriel. “Red Right Hand” é uma música de Nick Cave baseada num texto de John Milton, “Paradise Lost” (1667). A mão vingativa de Deus. O Arcanjo em forma de mulher. A unha da mão vermelha é branca, e a unha da mão branca é vermelha. Yin & Yang circulando no corpo. A bengala é de preto velho. Para Milton, antes de serem expulsos, Adão e Eva receberam uma revelação do Arcanjo Gabriel sobre o horror que o homem cometeria ao longo da história da humanidade.

 

O Pontífice (2016, óleo e folha de prata sobre tela, 90 cm x 130 cm) – A Ponte do Diabo ou Ponte Mizarela, localizada na fronteira de Portugal com a Espanha, na Serra do Gerês. Segundo o mito um fugitivo da justiça se vê aos pés de um penhasco, onde abaixo passava um rio cheio de pedras. Apelou para o Diabo que construiu a ponte, em troca lhe ofereceu a alma. Depois de escapar, a ponte é derrubada pelo demônio e seus perseguidores não podem lhe pegar mais. Depois do ocorrido, aflito pelo que fez, o ladrão pede a ajuda de um padre. Esse o faz invocar novamente o criador da ponte. E lhe pede que a construa novamente. Ele faz sua vontade e levanta a ponte. Então surge o padre lhe joga água benta, fazendo o anjo do mal desaparecer. A ponte foi construída pelo Diabo, mas mantida pelo emissário de Deus. O padre, O Pontífice. Que como Mercúrio, Hermes, Exu e Pã, faz a ligação entre o mundo dos mortais e o Divino. A ponte simboliza essa passagem. A aureola é feita de folha de prata, forma o símbolo do infinito, ou a fita de Möebius, junto com o vão da ponte.
O Dilúvio (2016, óleo sobre tela, 110cm x 140cm) – O Fechamento. A balsa de salvamento é arremessada ao mar e o barco naufraga. No fundo vem vindo a tempestade, que já molha a tela, a visão do observador, com o escorrido da tinta. Representa O Homem, Adão e Eva, a humanidade. Expulsos do paraíso perdido.

 

(Cap. 04)
A escada de Jacó (2016, carvão s/ papel, 80cm x 60cm) – Esta obra fica na escada da galeria e faz a ponte entre o térreo e o segundo andar. O espectador vê e sente a passagem na própria escada que está prestes a subir para encontrar as duas últimas obras.
(Cap. 05)
A Terra (2016, carvão mineral e folha de ouro s/papel, 140cm x 115cm) – Do pó ao pó. A lembrança do mundo clássico grego no jarro de cerâmica. A terra presente no jarro é eterna, como os ossos, nunca desaparece. De dentro sai flutuando, com o mesmo diâmetro da boca do jarro, a serpente. Ouroborus. Aquela que se arrasta pela terra.

 

O Céu (2016, carvão mineral e folha de ouro s/papel, 140cm x 115cm) – No livro sagrado do hermetismo, o “Caibalion”, o primeiro e mais importante dos sete preceitos herméticos é:” O todo é mente. O Universo é mental”. A Deusa tem o rosto solar. O Sol é representado pelo ouro em diversas civilizações. A pedra filosofal dos hermetistas, que se disfarçavam de alquimistas (químicos de suas épocas), transformava metais pesados em ouro. Mas isso era uma metáfora pra transformar sentimentos e mentes primitivas e vulgares em luz através do conhecimento. O ouro, o sol, a luz, são o conhecimento divino. Na arte hermética e alquímica o sol é representado pela figura humana de um homem ao lado de uma mulher com a lua no rosto. Aqui eu subverto essa imagem clássica do misticismo e fecho essa história, não linear, fruto de um sonho, simbólica e espiritual, com as últimas palavras de William Turner no leito de morte: “Deus é o Sol”.

 
Sobre o artista
Bruno Vilela nasceu em Recife, 1977, onde vive e trabalha. O artista participa de mostras individuais e coletivas no Brasil e no exterior deste 2001. Seu trabalho integra coleções como a do Centro Cultural São Paulo, Banco Mundial, em Washington, Centro Dragão do Mar, e Centro Cultural do Banco do Nordeste, em Fortaleza, Museu de Arte Moderna Aluísio Magalhães (MAMAM), Fundação Joaquim Nabuco e Museu do Estado de Pernambuco, em Recife. Das exposições individuais realizadas, destacam-se “A Sala Verde”, Palácio Pombal, Carpe Diem Arte e Pesquisa, Lisboa/Portugal, “ELA”, Dragão do Mar, Fortaleza, em 2015; “Dia de festa é véspera de dia de luto”, Paço das Artes, São Paulo, em 2013; “O Céu do Céu”, Museu do Estado de Pernambuco, Recife, em 2009; “Bibbdi Bobbdi Boo”, Galeria Massangana, FUNDAJ, Recife, em 2008; “Réquiem sobre papel”, Museu Murilo La Greca, Recife, em 2006. Dentre as coletivas selecionadas, estão “Orixás” Casa França Brasil, Rio de Janeiro, 2016; “Art from Pernambuco”, Embaixada do Brasil, Londres, 2015; “New Brasil Bolivia Now”, Memorial da América Latina, São Paulo, 2013; “Metrô de superfície”, Paço das artes, São Paulo, 2012; “World Bank Art Program”, Washington, e “Jogos de guerra”, Caixa Cultural Rio de Janeiro, 2011; “Investigações Pictóricas”, MAC Niterói, 2009, 58º Salão de Arte Contemporânea do Paraná, MAC, Curitiba, e Prêmio Internacional de Pintura de Macau, IMM, Macau, China, 2001.

 
De 14 de dezembro a 04 de março de 2017.

 

Na ArtRio Carioca

A Galeria Marcia Barrozo do Amaral, com mais de 30 anos representando grandes nomes do cenário da arte, apresenta obras selecionadas exclusivamente para a primeira edição da Art Rio Carioca, que acontece entre os dias 08 e 11 de dezembro, no Shopping Village Mall, na Barra da Tijuca. Entre os artistas presentes no stand da galeria de Marcia Barrozo do Amaral estão os artistas Frans Krajcberg e Ascânio MMM. Outros nomes como Galvão, que atualmente apresenta uma exposição individual na galeria, Anna Letycia, que firmou-se como centro de referência nacional para o ensino das técnicas e do desenvolvimento da gravura, Luiz Philippe, Wilson Piran e Manfredo de Souzanetto também terão seus trabalhos apresentados. A feira de arte promove mais uma oportunidade para colecionadores e interessados em arte de ter acesso a uma seleção de trabalhos das mais importantes galerias.

 

Artivismo

​O papel político da arte é o mote da exposição “Artivismo – A arte política de André de Castro”, primeira exibição individual de André De Castro na Europa. A exposição será inaugurada no dia 13 de dezembro, no Espaço Espelho D’Água, em Lisboa, e reunirá os projetos “Movimentos”​ (2013-2014)​ e “Liberdade Já”​ (2015)​, que repercutiram as serigrafias criadas pelo artista para retratar temas políticos como as manifestações ​recentes ​nos EUA, Brasil, Turquia e Grécia, e os jovens presos políticos de Angola.

 
As serigrafias de André de Castro participam como importantes agentes de acontecimentos políticos internacionais. As imagens, produzidas em paralelo com o desenrolar dos eventos, passam a fazer parte dos debates de cada momento e seguem​, posteriormente, ​como registro do fato histórico.

 
“Ao expor ‘Movimentos’ e ‘Liberdade Já’ juntos, a mostra permite um recorte da arte como ator social, questionando intenção, recepção, apropriação e estética nas ruas e na internet”, afirma o artista que seguirá com a exposição por outras cidades europeias​.

 
“Movimentos”, primeiro projeto político de André De Castro, criado em 2013, foi selecionado para a 11ª Bienal Brasileira de Design Gráfico e visto por mais de 40 mil visitantes, passando por Miami durante a Arte Basel 2013​, Opus Gallery, em Nova Iorque​ em 2014​ e em 2015 pelo Centro Cultural Banco do Brasil de Belo Horizonte e Brasília e pela Caixa Cultural do Rio de Janeiro.

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Resultado de entrevistas​ realizadas através das mídias sociais com os manifestantes​, as serigrafias do projeto retratam as identidades políticas ​dos manifestantes de diferentes países. O painel, conjunto com trinta retratos e suas referencias, estabelece um dialogo visual ​que ​convida o público a comparar as ​referências e perceber divergências e possíveis pontos em comum entre as composições.

 

O projeto “Liberdade Já”, criado em 2015, é composto por mono-prints em serigrafia​ ​dos jovens presos políticos de Angola,​ soltos em 2016​. Os retratos, embora criado​s concretamente, com luz, água, com tinta e papel, viveram e se replicaram no mundo digital apropriado​ por familiares, manifestantes e pela Anistia Internacional. Mais que isso, as imagens viajaram através das red​es e​ retornaram ao mundo concreto, em outros países, reproduzidas em camisetas e impressos tornando-se peças fundamentes para mobilização e mudança. As​ serigrafias foram expostas em mostras coletivas em Lisboa e Nova Iorque, em 2016, e tiveram a renda revertida integralmente para as famílias dos presos polític​os.​

Zilio no MAM-Rio

O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro inaugura no próximo dia 03 de dezembro de 2016 a exposição “Atensão”, remontagem da histórica mostra realizada em 1976 com oito obras de Carlos Zilio (Rio de Janeiro, 1944), um dos mais importantes artistas da cena contemporânea brasileira. Com coordenação geral de Vanda Klabin e coordenação de montagem Jaime Vilaseca, a exposição irá ocupar exatamente o mesmo local da montagem original, no terceiro andar do Museu. À época, “Atensão”, a primeira individual de Carlos Zilio em uma instituição, integrou o programa Área Experimental do MAM, que existiu entre 1975 e 1978, e realizou um total de 38 exposições. Artista com reconhecimento no circuito nacional e internacional, Carlos Zilio teve sua pintura “Cerco e Morte” (1974) adquirida há dois anos pelo MoMA de Nova York. A obra integrou a exposição realizada pelo museu norte-americano “Transmissions: Art in Eastern Europe and Latin America, 1960-1980”, de setembro de 2015 a janeiro de 2016.

 

A instalação “Atensão” é formada por materiais de construção, como madeira, tijolos e pedras, articulados em equilíbrio precário e com o som incessante de um metrônomo, e remete o espectador a uma relação com a tensão. “Deste modo, o aspecto austero e geométrico do conjunto, gera uma situação na qual a questão estética está diretamente vinculada a experiência e a vida”, observa Vanda Klabin. Carlos Zilio afirma que remontar a exposição “possibilita recriar uma fase da minha produção e, simultaneamente, situar a inserção e pertinência deste trabalho hoje”.

 

O conjunto de oito obras, pertencente à Coleção MAM Rio de Janeiro, está sendo reconstituído para a exposição por Jaime Vilaseca, que participou da montagem original e de outras três que incluíram esses trabalhos: “Arte e política”, no Museu de Arte Moderna do Rio, que depois itinerou para o MAM São Paulo e MAM Bahia, em 1996 e 1997, com curadoria de Vanda Klabin. Na ocasião, Vilaseca também coordenou o restauro desses trabalhos. Vanda Klabin chama atenção para o fato de que a mostra individual de Carlos Zilio “tem caráter retrospecto, exibida agora após 40 anos, e foca uma produção estética investida de um alto teor político, uma arte engajada e com intensos posicionamentos críticos”.

 

O texto escrito pelo artista para o folder da mostra em 1976 estará na parede da entrada do espaço. Nele, Carlos Zilio destaca que “a leitura da exposição deve partir do princípio de que o seu objetivo está presente nos mínimos detalhes. As partes existem em função do todo; isoladamente, ficam sem sentido”. “A matéria é importante. Tábuas, tijolos, cabos de aço, pedras. Materiais de construção, prestes a desabar. (…) A direção do projeto é dar margem à formação de uma ampla articulação de conceitos que envolve o campo psicológico e o social; os significados objetivos e subjetivos interligados: um som (o seu ritmo), a pedra por um fio (a quase ruptura)”, destacou à época o artista. No final, ele avisa que “a linguagem está imersa na minha fantasmática, mas é preciso situar o projeto historicamente. O meu e o nosso tempo. O meu e o nosso universo. Tempo de tensões, pressões e (des)equilíbrios”.
 

 

Contexto Político-Cultural da época

 
No próximo dia 08 de dezembro, às 16h, haverá uma conversa aberta ao público sobre o contexto político da época, com o artista, os curadores do MAM, Fernando Cocchiarale e Fernanda Lopes, e ainda o crítico Ronaldo Brito, que em 1976 integrou a Comissão Cultural do Museu, responsável pela Área Experimental.

 

 
Área experimental do MAM

 
Para Vanda Klabin, “a Área Experimental do MAM representou um espaço de afirmação para a arte contemporânea brasileira”. “Em um momento do país marcado pelo obscurantismo político e social, a Área Experimental teve um valor simbólico particular por ter sido um espaço independente”, afirma. O programa realizado pelo MAM entre 1975 e 1978 foi objeto de pesquisa de Fernanda Lopes, que resultou na publicação “Área Experimental – Lugar, espaço e dimensão do experimental na arte brasileira dos anos 1970” (Bolsa Funarte de Produção em Artes Visuais 2012, em parceria com a editora Figo). Com 208 páginas, o livro faz uma análise histórica, crítica e inédita sobre a criação e funcionamento da Área Experimental, e teve como base documentos do Centro de Documentação e Pesquisa do MAM Rio e de acervos particulares, além de mais de 20 entrevistas feitas com artistas que expuseram dentro da Área Experimental do MAM, além de críticos de arte que acompanharam aquele programa de exposições.

Os artistas que expuseram na Área Experimental do MAM foram: Emil Forman, Sérgio de Campos Mello, Margareth Maciel, Bia Wouk, Ivens Machado, Cildo Meireles, Gastão de Magalhães, Anna Bella Geiger, Tunga, Paulo Herkenhoff, Umberto Costa Barros, Rogério Luz, Wilson Alves, Letícia Parente, Carlos Zilio, Mauro Kleiman (duas mostras), Lygia Pape, Yolanda Freire (duas mostras), Fernando Cocchiarale, Regina Vater, Waltercio Caldas, Sonia Andrade (duas mostras), Amélia Toledo, João Ricardo Moderno, Ricardo de Souza, Luiz Alphonsus, Reinaldo Cotia Braga, Jayme Bastian Pinto Junior, Dinah Guimaraens, Reinaldo Leitão, Lauro Cavalcanti, Dimitri Ribeiro, Orlando Mollica, e Essila Burello Paraíso, além de Beatriz e Paulo Emílio Lemos, Murilo Antunes e Biiça, Luis Alberto Sartori, Jorge Helt e Maurício Andrés, que apresentaram a mostra coletiva “Audiovisuais mineiros”.
 

 

Sobre o artista

 
Carlos Zilio (Rio de Janeiro, 1944) vive e trabalha no Rio de Janeiro. Estudou pintura com Iberê Camargo. Participou de algumas das principais exposições brasileiras da década de 1960 – “Opinião 66” e “Nova Objetividade Brasileira”, por exemplo, ambas no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro –, e de mostras com repercussão internacional, como as edições de 1967, 1989 e 2010 da Bienal de São Paulo (9ª, 20ª e a 29ª), a 10ª Bienal de Paris (1977), a Bienal do Mercosul e a exposição “Tropicália”, apresentada em Chicago, Londres, Nova York e Rio de Janeiro, em 2005. Na década de 1970 morou na França. Desde seu retorno ao Brasil, em 1980, participou de diversas mostras coletivas e individuais, entre as quais “Arte e Política 1966-1976”, nos Museus de Arte Moderna do Rio de Janeiro, de São Paulo e da Bahia (1996 e 1997), “Carlos Zilio”, no Centro de Arte Hélio Oiticica (Rio de Janeiro, 2000), que abrangeu sua produção dos anos 1990, e “Pinturas sobre papel”, no Paço Imperial (Rio de Janeiro, 2005) e na Estação Pinacoteca (São Paulo, 2006). As mais recentes exposições coletivas que integrou foram: “Brazil Imagine”, no Astrup Fearnley Museet, Oslo, MAC Lyon, na França, Qatar Museum, em Doha, e DHC/Art, Montreal, no Canadá, em 2014; e “Possibilities of the object – Experiments in modern and Contemporary Brazilian art”, na The Fruit Market Gallery, em Edinburgh. Dentre suas mais recentes exposições individuais estão as realizadas no Museu de Arte Contemporânea do Paraná (Curitiba, 2010), no Centro Universitário Maria Antonia (São Paulo, 2010), e no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (2011). Carlos Zilio foi professor na Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em 2008, a editora Cosac Naify publicou o livro “Carlos Zilio”, organizado por Paulo Venâncio Filho, sobre a sua produção. Possui trabalhos em acervos de prestigiosas instituições como MAC/USP, MAC/Paraná, MAC Niterói, MAM Rio de Janeiro, MAM São Paulo, Pinacoteca do Estado de São Paulo e MoMA de Nova York..

 

 

De 03 de dezembro a 05 de março de 2017.

Roberto Alban Galeria exibe esculturas

01/dez

A simplicidade das formas e o intuitivo processo de produção baseado no reaproveitamento da madeira são marcas fortes do trabalho de Josilton Tonm mas também a essência de sua exposição individual próximo cartaz da Roberto Alban Galeria, Ondina, Salvador, BA. A mostra recebeu o título de “A Gangorra Rasteira e o Caracol de Clarysse”, reúne cerca de 30 peças e instiga o público a pensar sobre a beleza e a leveza escondidas atrás de formas e texturas que incorporam o espaço.

 

O conceito é tudo. E são conceitos diversos e sobrepostos, às vezes ambíguos, que se desprendem de cada peça produzida por Josilton Tonm, cujo trabalho foi iniciado em meio ao vigor criativo que marcou a produção dos artistas baianos na década de 1970, e que apresenta características próprias, baseadas na inventividade e no perfeccionismo no trato da madeira e de outros materiais que acabam também incorporados a sua obra escultórica.

 

“Ele é, sobretudo, um criador de conceitos, de experiências visuais e sensoriais dos mais complexos tipos e com uso dos mais inesperados materiais. Visitar a obra deste artista é deparar-se com uma capacidade infindável de criar, recriar e transcender. A vastidão de seu trabalho deve pouco às suas mais de três décadas de criação e muito às peculiaridades qualitativas daquilo que cria e como cria”, escreve o artista Eduardo Boaventura.

 

As obras de Josilton Tonm, selecionadas para essa exposição, marcam a sua produção de esculturas em madeira ou, como ele prefere dizer, “relevos para parede onde proliferam formas geométricas”. Destaque para os dois conjuntos que intitulam a mostra. “A Gangorra Rasteira”, é literalmente uma gangorra que pende do teto, trazendo um conceito de balanço e tridimensionalidade, com sua função lúdica e “com a interação com o público, que poderá contorná-la”. O segundo conjunto, denominado “Caracol de Clarysse”, agrega sete obras que trazem outra modo de narrativa criada pelo artista.

 

Em toda a sua trajetória, Josilton Tonm procura não limitar a compreensão de sua obra a um determinado conceito ou escola. “Estou sempre experimentando; é essa a essência do meu trabalho”, diz o artista, que iniciou a produção em sua cidade natal, Alagoinhas, já trabalhando madeiras de diversas qualidades, tons, texturas e estados de conservação. Nos anos 1980, passou a incorporar outros materiais (como a pedra), mas sem nunca descuidar de um acabamento primoroso, realizando obras de extremo refinamento e beleza.

 
A obra de Josilton Tonm emerge num universo que é o seu próprio encantamento com os materiais da natureza. Cortar, furar, polir são os seus “verbos” de trabalho, sempre atendendo às demandas que o acaso lhe disponibiliza. Assim é que uma velha porta abandonada pode dar origem a uma escultura tridimensional. Treliças de madeira, brinquedos quebrados, caixotes achados na rua têm o mesmo destino. “Outro dia jogaram fora dois elefantes de madeira. Peguei na hora e construí esse trabalho”, diz, entre divertido e orgulhoso, apontando para uma escultura em seu atelier.

 

 

Sobre o artista

 

Autodidata, Josilton Tonm já participou de inúmeras exposições coletivas e de três edições da Bienal do Recôncavo, promovida pelo Centro Cultural Dannemann, em São Felix, BA. Na última, em 2012, sua obra recebeu o Prêmio Aquisição, passando a integrar o acervo da instituição. Participou ainda da Exposição Proposta MAM, Salvador/1980; do Encontro de Artistas Plásticos do Nordeste, Salvador/1981; do IX Salão Nacional de Artes Plásticas, Recife/1986. Realizou diversas mostras individuais em Salvador e outras cidades.

 

 
De 06 de dezembro a 07 de janeiro de 2017.

Brincando com o Tempo

Novo projeto do artista plástico e cenógrafo Sergio Marimba, o “Mobiliário do Tempo”, ganha forma e chega ao público. Marimba garimpa há anos em antiquários e feiras vários objetos antigos e os transforma em novos usos e significados de forma inusitada. Cada objeto tem uma história, uma luminária cirúrgica, por exemplo, foi revitalizada, teve a iluminação trocada por led e se tornou uma luminária de teto. Ao todo, mais de 50 peças que estarão expostas a partir de 03 de dezembro no atelier do artista, Ladeira Souza Doca, 4, Rio Comprido, Rio de Janeiro, RJ.
Sergio Marimba dá vida ao projeto de criar estes mobiliários, objetos decorativos, luminárias e assemblages, colocando estes itens ao alcance de quem preza por um objeto assinado com a linha da arte, cenografia e design arrojado. O antigo basculante de madeira de demolição, por exemplo, se transforma em uma mesa de centro, tendo no lugar dos vidros, cachepôs para uso de flores e objetos.
Outra criação inusitada foi a de uma luminária cirúrgica que, revitalizada, resultando em uma luminária de teto.

 

Esta não é a primeira vez que o artista brinca com a ideia de tempo. Em sua exposição “Lembranças perdidas”, Marimba expôs 11 esculturas à ação do tempo. A intenção era que as fotos antigas de pessoas desconhecidas impressas em grandes chapas de aço oxidadas sofressem um rápido desgaste natural para mostrar o efeito do tempo. Já no seu projeto mais recente Marimba realiza um processo inverso, dando vida nova a objetos que estavam fora de uso.

 
Sobre o artista
Sergio Marimba é artista plástico e cenógrafo. Autodidata, iniciou sua carreira em 1982 no carnaval, desenvolvendo estruturas e esculturas em metal para alegorias e fantasias nas principais escolas de samba do Rio de Janeiro. Nas artes plásticas tem como matéria-prima essencial o ferro oxidado e materiais com histórias.
Frequentou cursos na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, participou de mostras individuais e coletivas.

Em shows, filmes, eventos e especialmente no teatro, trabalhou na criação de cenografia com renomados diretores. Foi premiado com o Mambembe (1998) e o Rio Dança (1988). Em 1998, participou do Oerol Festival, na Holanda, como cenógrafo convidado da companhia de teatro Dogtroep. Em 2011, apresentou a exposição individual Lembranças Perdidas na Caixa Cultural do Rio de Janeiro e de Brasília. No mesmo ano, recebeu a indicação de melhor cenário na 5ª edição do Prêmio APTR e o convite para representar o Brasil na Mostra Nacional da Quadrienal de Praga pela peça Mistério Bufo. Atualmente participou como cenógrafo dos DVDs de Morais Moreira, Alcione, Monobloco, Marcelo D2 E Pedro Luiz.

Cartaz do MAC/Niterói

25/nov

O Museu de Arte Contemporânea de Niterói, MAC, Niterói, RJ, recebe a exposição em seu Salão Principal a exposição “Vontade de Mundo”, que sob a curadoria de Luiz Guilherme Vergara, apresenta uma seleção de cerca de 30 de obras da Coleção MAC Niterói – João Sattamini. A coleção mostra um sentido de unidade, por meio de incontáveis mundos possíveis em cada obra de arte. O objetivo é provocar cada visitante a tecer relações entre as obras entendidas como um mundo em si aberto ao tempo de infinitas leituras e temas. Uma coleção deste ponto de vista pode ser entendida também como um conjunto de relações entre diferentes mundos e sujeitos. As obras foram reunidas não por uma ordem histórica ou de valores estéticos, mas como poemas visuais abertos ao tempo de cada um, à liberdade e incerteza de hoje.

 
A organização desta exposição procura espelhar o mundo contemporâneo pela visão de multiplicidades de temas, meios e processos de criação e expressão. Igualmente não haveria mais uma hierarquia ou narrativa dominante descrita ou ilustrada pelos trabalhos dos artistas. Os grandes nomes de artistas dessa coleção são integrados por sinergias e afinidades que expressam relações e intuições palpáveis de um sistema valores velados em cada obra”, explica Luiz Guilherme Vergara.
Selecionando pinturas, objetos e esculturas,

 

 

Até 02 de abril de 2017.

 

Arte Monumental

24/nov

Uma megaexposição de arte contemporânea a céu aberto marcou a reabertura de espaço público carioca aos visitantes, Trata-se de um dos mais belos cartões postais do Rio de Janeiro, a Marina da Glória, Rio de Janeiro, RJ, que será transformado, durante um mês, em um grande museu aberto com obras tridimensionais modernas e contemporâneas. Funcionará como uma espécie de presente de fim de ano, a “Marina Monumental – Arte na Marina da Glória” marcando o retorno do conhecido espaço público após o período de realização dos Jogos Olímpicos. A exposição reúne trabalhos em grandes dimensões de dezenove artistas ligados profissionalmente a algumas das principais galerias nacionais.

 
“No Marina Monumental”, o visitante poderá apreciar grandes obras em um espaço amplo e público, mas com a adicional de serem ‘emolduradas’ por uma das paisagens naturais mais incríveis do mundo. Os trabalhos terão como pano de fundo a Baía de Guanabara, o Pão de Açúcar e o Cristo Redentor, além dos Jardins do Parque do Flamengo, com sua natureza única e vigorosa”, descreve o francês Marc Pottier, curador da mostra, que vive e trabalha entre o Rio e Paris.

 
Outra atração é a variedade de expressões artísticas da mostra, que contará com instalações, esculturas, grafites, experiências interativas, performances e obras de som – todas estabelecendo uma suave interação com a arquitetura e o local. A exposição terá obras de Antonio Bokel, Almandrade, Amilcar de Castro, André Azevedo, Artur Lescher, Caligaprixo, Dirceu Maués, Frida Baranek, Flávio Cerqueira, Franz Weissmann, Galeno, Giovani Caramello, Henrique Oliveira, Ivani Pedrosa, Luiz Philippe Carneiro de Mendonça, Manfredo de Souzanetto, Paulo Vivacqua, Ursula Tautz e Zemog.

 
“É importante observar que, apesar de contar com ambientes propícios e praticamente prontos para atividades ao ar livre com a magnitude da Marina Monumental, a Cidade do Rio aproveita muito pouco essa vocação. É esse espaço que a Marina vai preencher ao incorporar a exposição à sua agenda regular de eventos”, afirma Katia Avillez, produtora executiva da megaexposição.

 

 

Até 18 de dezembro.

Jorge Salomão no Oi Futuro

22/nov

A exposição “Jorge Salomão – No meio de tudo isso”, tem curadoria de Alberto Saraiva. Jorge Salomão é um dos convidados do Projeto Poesia Visual 2 está em cartaz na Galeria 1 (primeiro andar) e Vitrine do Oi Futuro, Ipanema, Rio de Janeiro, RJ. Poeta, letrista, diretor de teatro, irmão de Waly, Jorge Salomão nasceu na Bahia e mora no Rio de Janeiro desde 1969, onde sempre marcou presença na cena cultural. É autor de canções gravadas por nomes como Marina Lima, Adriana Calcanhotto, Cássia Eller, Barão Vermelho, Zizi Possi e Zé Ricardo, entre outros. Figura cultuadíssima no Rio de Janeiro, completou 70 anos em o3 de novembro e está lançando novo livro de poesias, “Alguns poemas e + alguns”.

 

 

Até 08 de janeiro de 2017.

Duas exposições em Salvador

17/nov

O Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira, Salvador, BA, abre nesta sexta-feira, dia 18 de novembro, às 18 horas, a programação do “Zumbido no Muncab”. Os primeiros eventos são as exposições “Imagens da Ancestralidade em Tramas da Pele”, de autoria da artista Aislane Nobre, e “Salão de Doações”, que reúne obras doadas ao museu por artistas baianos, incluindo nomes como Emanoel Araújo, Juarez Paraiso, Cesar Romero, Justino Marinho, J. Cunha, Graça Ramos e Mário Vasconcelos.

 

A oficina “Tramas da Pele”, a partir do dia 22 de novembro, dá continuidade à programação do “Zumbido no Muncab”. A oficina, conduzida por artista Aislane Nobre, investiga e busca refletir sobre a cor da pele e suas relações  com as limitações das cores comercializadas no mercado artístico nacional. O show de Paulinho da Viola vem a seguir, no dia 25. Será um espetáculo exclusivo idealizado pelo artista, com participação de 17 músicos, para angariar recursos visando a finalização do processo de construção do Muncab.

 

 A programação ainda contará com uma Mesa de Conversa, no dia 30 de novembro, tendo como temática “Os desafios da educação e as ações afirmativas”, e o lançamento, no dia 07 de dezembro, do projeto “Nós, Transatlânticos”, idealizado pelo diretor teatral e professor Paulo Dourado, com a curadoria de José Carlos Capinam (presidente da AMAFRO – Associação de Amigos da Cultura Afro-Brasileira), Jaime Sodré (professor e PhD em História da Cultura Negra) e João Jorge Rodrigues (presidente do Olodum). A proposta do projeto é criar um site sobre o legado africano no Brasil e na Bahia, porto dos primeiros navios negreiros desembarcados no país e foco de uma cultura que se constituiu e se fortaleceu ao longo da história.