A pesquisa antropológica de Douglas Lopes.

10/set

sta é a primeira mostra de Douglas Lopes fora do Complexo da Maré, onde ele nasceu, trabalha e mora até hoje. Sua pesquisa antropológica, através da fotografia, foi escolhida por Sergio Burgi, do Instituto Moreira Salles, para participar de um prêmio internacional em Bolonha, Itália, foi o único indicado do Rio de Janeiro. Ele foi diretor de fotografia da série da Globoplay “Marielle, o documentário”. A Fábrica Bhering, Santo Cristo, é um prédio industrial histórico, na zona portuária do Rio de Janeiro, que funciona como  polo de arte, cultura e economia criativa.

Douglas Lopes inaugura a mostra “Entre a Favela, o Inferno e o Céu”, na Fábrica Bhering, o artista apresenta fotografias que exploram as relações entre paisagem, memória e os imaginários construídos sobre as favelas cariocas. Artista visual e fotógrafo, Douglas Lopes (1991) inaugura exposição individual na quarta, 16 de setembro, das 11h às 18h, no quinto andar da Fábrica Bhering. Com curadoria de Vinicius Mesquita, “Entre a favela, o inferno e o céu” apresenta séries de fotografias emblemáticas de sua produção e uma instalação inédita.

A mostra é parte de um projeto mais amplo de Douglas Lopes, contemplado com uma bolsa de dois anos no Programa de Inovação Social, Tecnológica e Ambiental (Pista), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ). Conduzido por agentes culturais de diferentes favelas e complexos, o programa tem como objetivo estimular iniciativas concebidas e desenvolvidas a partir desses territórios. Além da exposição, o projeto contempla a publicação de um livro e a reestruturação da plataforma digital do fotógrafo, que será relançada no evento, e passa a se chamar Estúdio Maré.

Até 18 de fevereiro de 2027.

Dois autores que entendiam estrutura e percepção.

09/set

A Galatea participa da Independent 20th Century Art Fair, que acontece de 24 a 27 de setembro em Nova York, USA. Para a feira, a galeria apresenta um estande em parceria com o Instituto Ubi Bava, com obras do pintor e arquiteto brasileiro Ubi Bava (1915-1988), autor de uma prática que transita entre a abstração geométrica, o cinetismo e as pesquisas óticas que marcaram a arte brasileira das décadas de 1950 a 1980.

Realizada pela primeira vez na atual sede da Sotheby’s, no icônico Breuer Building, na Madison Avenue, a feira oferece um contexto particularmente significativo para a apresentação de Ubi Bava. Exibir Ubi Bava em um edifício projetado por Marcel Breuer, um dos nomes centrais da arquitetura modernista do século XX, significa colocar em diálogo dois autores que entendiam estrutura e percepção como campos inseparáveis.

A apresentação na Independent, com foco especial entre os anos 1950 e 1970, também permite lançar um novo olhar sobre uma produção desenvolvida ao longo de mais de três décadas, revisitando a obra e o legado de Ubi Bava e ampliando sua circulação internacional, já presente em coleções norte-americanas como as do Museum of Fine Arts, Houston (MFAH), e da Cisneros Fontanals Art Foundation (CIFO), em Miami.

Esse movimento dá continuidade a um trabalho de pesquisa, preservação e difusão desenvolvido desde 2012 pelo Instituto Ubi Bava. Em 2024, esse percurso ganhou novo fôlego com a publicação de “Ubi Bava – uma homenagem”, primeira monografia dedicada ao artista, e segue atualmente com o desenvolvimento de um projeto de exposição individual institucional itinerante, previsto para 2027 e 2028.

Investigando relações entre interior e exterior.

No sábado, 19 de setembro, a partir das 19h, Agrade Camíz inaugura sua nova exposição individual, “Nome Próprio”, n’A Gentil Carioca, Centro, Rio de Janeiro, RJ. Com texto crítico do curador, escritor e crítico cultural ganês-americano Larry Ossei-Mensah, a mostra reúne um conjunto de pinturas recentes que dão continuidade à pesquisa da artista sobre memória, experiência urbana e as formas como lugares e vivências se transformam em linguagem.

Nascida e criada no Rio de Janeiro, Agrade Camíz parte de experiências relacionadas aos espaços em que cresceu, especialmente o Jacaré e os subúrbios da cidade. Em “Nome Próprio”, essas experiências não aparecem como relatos ou imagens a serem reconhecidas, mas como algo que permanece incorporado à maneira como a artista constrói suas pinturas. Portões, janelas, muros, fachadas e outras formas presentes em sua memória tornam-se pontos de partida para investigar relações entre interior e exterior, proximidade e distância, proteção e exposição.

O título da exposição parte justamente dessa relação entre nomear e reconhecer: um nome pode identificar uma pessoa, mas não é capaz de abarcar toda a sua complexidade. Da mesma maneira, as pinturas de Agrade Camíz oferecem referências e pontos de reconhecimento sem se fecharem em um significado único.

A abertura celebra também os 23 anos d’A Gentil Carioca, com uma festa que reúne Quimera (Escola de Mistérios), Baixa Santo Sound System e Glau. Na mesma ocasião, será inaugurada a Parede Gentil nº 46, “O levante das mariposas”, de Marcela Cantuária, em memória das guerrilheiras Sônia e Helenira, além de um bolo especial de Novíssimo Edgar e Adelia Santanna.

Em sua nova exposição, Agrade Camíz marca um novo momento de sua pesquisa, em que referências que atravessaram sua trajetória já não precisam ser explicitamente retratadas. A arquitetura se torna estrutura, a memória se transforma em cor e o corpo passa a operar como medida da experiência.

A exposição “Nome Próprio” fica em cartaz até 31 de outubro.

Formas geométricas com materiais industrializados.

A Nara Roesler, Ipanema, Rio de Janeiro, RJ, convida no dia 10 de setembro, das 18h às 21h, para a abertura da exposição “Jose Dávila – Natural forms” (Formas naturais). O artista mexicano Jose Dávila (1974, Guadalajara, México), que tem obras em coleções de prestigiosos museus, faz sua primeira exposição no Rio de Janeiro, com oito esculturas feitas especialmente para o espaço de Nara Roesler Rio de Janeiro, além de uma pintura inédita no Brasil.

Jose Dávila criou protótipos de suas esculturas e reproduziu em seu ateliê em Guadalajara, no México, em escala real, o espaço da Nara Roesler Rio de Janeiro, para estudar de que maneira os trabalhos conversariam entre si. Ele acompanhará pessoalmente a montagem da exposição, e diz que expor no Rio de Janeiro “é de um peso cultural extremamente importante”. “Expor no Brasil é sempre significativo, pois a arte, a arquitetura e o paisagismo do país me influenciaram muito e estão inerentemente presentes em minha obra”, afirma.

Para o artista, uma pedra encontrada na paisagem possui uma configuração escultórica. “São esculturas antes da escultura”, afirma. Sem opor o mundo natural ao mundo industrializado, o artista busca a capacidade de reconhecer as formas primárias e, a partir de gestos mínimos e cores sutis, encontrar sua poesia. Além das esculturas, estará na exposição a pintura “The fact of constantly returning to the same point or situation” (2025), em serigrafia e tinta vinílica sobre linho cru, com 180 x 210 x 06 cm.

As esculturas foram concebidas especialmente para a exposição, e para desenvolvê-las, Jose Dávila estudou tudo milimetricamente, criando protótipos, de modo a ter a ideia mais aproximada possível do espaço que utilizará. Ele reproduziu em seu ateliê, em Guadalajara, o espaço da galeria em escala real, e passou a trabalhar dentro dele. As dimensões e proporções das obras respondem diretamente à arquitetura.

Para “Natural Forms” (Formas naturais), Jose Dávila aprofundou a afinidade entre sua pesquisa e o Rio de Janeiro através do Neoconcretismo. Ao recordar o Manifesto Neoconcreto, redigido pelo poeta e crítico de arte Ferreira Gullar e assinado por Amílcar de Castro, Franz Weissmann, Lygia Clark e Lygia Pape, entre outros artistas, o artista observa que o movimento carioca marcou uma separação em relação ao Concretismo de São Paulo, deslocando a geometria de um campo estritamente racional para uma experiência mais intuitiva, orgânica e sensível. “Tento fazer as mesmas perguntas que os artistas que assinaram o Manifesto Neoconcreto: como levar uma intuição orgânica, sutil e suave à forma geométrica com materiais industrializados?”.

Até 08 de novembro.

O novo artista representado.

04/set

A Galatea anuncia a co-representação de Anísio O. Couto. A parceria acontece após a exposição individual realizada na galeria entre 2025 e 2026 e dá continuidade ao diálogo construído em torno de sua produção, em colaboração com a Tropigalpão, galeria que o representa no Rio de Janeiro.

Nascido na Bahia e radicado no Rio de Janeiro, Anísio O. Couto desenvolve uma pintura que transforma cenas, objetos e animais do cotidiano em um universo singular, situado entre a figuração e a abstração. Suas obras reinventam referências familiares por meio de uma paleta vibrante e de uma linguagem que aproxima imaginação, memória e uma brasilidade continuamente revisitada pela arte contemporânea.

Borboletas, peixes, tucanos, bules e xícaras de chá povoam as pinturas de Anísio O. Couto, em diálogo com a tradição da natureza-morta. Em suas telas, porém, essas imagens se afastam das paletas opacas historicamente associadas ao gênero e dão lugar a cores solares – amarelos, laranjas, vermelhos e rosas – que reinventam objetos e frutas tropicais.

Entre as suas principais exposições estão: Anísio O. Couto (Individual, Galatea, São Paulo, 2025-2026), la chambre humaine, (Coletiva, Galerie Chantal Crousel, Paris, 2026); Ensaio aberto (Duo, TropiGalpão, Rio de Janeiro, 2025); Em busca do tempo roubado (Coletiva, Flexa, Rio de Janeiro, 2024) e Rio: a medida da terra (Coletiva, Flexa, Rio de Janeiro, 2024).

O manifesto do Salão de 1954.

A Pinakotheke, Botafogo, Rio de Janeiro, RJ,  convida para a abertura da exposição “Revolta em Preto e Branco”, no dia 11 de setembro,  que revisita o histórico Salão Preto e Branco, de 1954, realizado pelo Ministério da Educação, no Palácio Capanema, no Rio de Janeiro. Com curadoria de Shannon Botelho, estudioso do assunto, “Revolta em Preto e Branco” reúne 61 obras de 50 artistas, oito delas que efetivamente participaram da exposição de 1954, e “que hoje podem ser vistas novamente juntas”, destaca Max Perlingeiro, diretor da Pinakotheke: “Natureza-morta”, de Iberê Camargo; “Peixe”, de Tomás Santa Rosa; “Composição”, de Aldo Bonadei; “Triângulo preto”, de Danilo Di Prete; “Luares sobre a cidade negra”, de Antonio Bandeira; “Sem título”, de Ione Saldanha; “Svolvær”, de Frank Schaeffer; e “Acampamento de oleiro”, de Glauco Rodrigues. 

 Na segunda sala, o público verá trabalhos de artistas também signatários do manifesto que originou o Salão de 1954, e outros, com pesquisas estéticas semelhantes. Entre esses grandes nomes, há obras de Portinari a Lygia Clark, Hélio Oiticica, Lygia Pape e Fayga Ostrower. Uma terceira sala traz a questão para o presente, com trabalhos de artistas que continuam a tratar da relação entre arte, política e meios de produção, entre eles, Amilcar de Castro, Antonio Dias, Andréa Hygino, Carlos Zílio, Elizabeth Jobim, Germana Monte-Mór, Iole de Freitas, Bruno Dunley e a dupla Faixa Protesta, formada por Gustavo Speridião e Leandro Barboza.

Estarão ainda na exposição documentos, fotografias e reproduções de artigos de jornais publicados em 1954, e será lançado pela Pinakotheke Editora o livro “Revolta em Preto e Branco”, com 128 páginas, e textos de Shannon Botelho e Luiza Interlenghi, que foi assistente de Glória Ferreira na primeira revisita crítica ao Salão de 1954, realizada em 1985, pelo Instituto Nacional de Artes Plásticas da Funarte, como Sala Especial do 8º Salão Nacional de Artes Plásticas. Junto com os ensaios, o livro traz documentos de imprensa do período, guardados no Centro de Documentação e Pesquisa da Funarte, e a crônica que Eneida de Moraes publicou no “Diário de Notícias” em 18 de maio de 1954, com o pedido: “vá ver o Salão, sua presença dirá aos nossos pintores que eles não estão sós”.

Shannon Botelho dedica “Revolta em Preto e Branco” à Glória Ferreira: “Esta exposição é também uma expressão de reconhecimento e apreço por Glória Ferreira (1947-2022), cuja pesquisa dedicada ao Salão Preto e Branco foi fundamental para preservar, ampliar e inscrever sua memória na história da arte brasileira. Foi por meio de uma de suas publicações que tive meu primeiro contato com o Salão e, anos mais tarde, tive a honra de tê-la como coorientadora de minha pesquisa de mestrado, quando pudemos estabelecer muitas trocas em torno de seu trabalho e, posteriormente, da pesquisa e da remontagem do Salão. Glória dedicou-se com rigor, generosidade e persistência a reunir documentos, testemunhos e vestígios, fazendo da pesquisa também uma forma de cuidado com a memória e de construção de um legado para a História da Arte no Brasil. É, portanto, com profundo respeito, admiração e gratidão que esta exposição reconhece sua contribuição e mantém presente, entre nós, a memória de seu trabalho”.

Contexto Histórico do Salão de 1954: O Protesto dos Artistas.

Em seu texto no livro, Shannon Botelho descreve o cenário político e artístico que motivou o Salão de 1954, que ficou posteriormente conhecido como Salão Preto e Branco. “A década de 1950 marcou um momento de inflexão para as artes visuais no Brasil. A consolidação de museus dedicados à arte moderna – MAM-RJ e MAM-SP – a criação da Bienal de São Paulo, a ampliação da crítica especializada e a redefinição das políticas culturais contribuíram para transformar profundamente o sistema artístico”.

À época da realização do III Salão Nacional de Arte Moderna, em 1954, o Brasil vivia “a retomada de um projeto nacional-desenvolvimentista que atribuía ao Estado um papel central na condução do crescimento econômico”, implementada por Getúlio Vargas, então eleito presidente da república.”A ampliação da infraestrutura, os investimentos na indústria de base e a criação de instrumentos voltados ao financiamento e à expansão da economia nacional expressavam uma estratégia que buscava reduzir a dependência externa e acelerar o processo de industrialização brasileira”, observa o curador. O governo passou a “adotar mecanismos cada vez mais rigorosos de controle das importações. Nesse contexto, a Carteira de Exportação e Importação do Banco do Brasil (Cexim) assumiu papel decisivo na definição dos produtos considerados estratégicos para o desenvolvimento nacional”.

Na hierarquia dos produtos e máquinas considerados essenciais, ficaram de fora “os materiais destinados à produção artística – tintas, pigmentos, pincéis, telas, papéis especiais e vernizes, em grande parte importados”.

“À medida que a crise se aprofundava, tornava-se evidente que o problema deixava de ser a dificuldade enfrentada por determinados artistas e assumia uma dimensão coletiva, mobilizando pintores, gravadores, escultores, críticos e entidades representativas em torno de uma reivindicação comum: a revisão dos critérios de importação aplicados aos materiais artísticos. Da insatisfação da classe, frente às dificuldades em produzir seus trabalhos, nascia o projeto de executar um salão inteiramente em branco e preto como forma de protesto. Liderados por Iberê Camargo, Milton Dacosta e Djanira, os artistas publicaram o manifesto político do III Salão Nacional de Arte Moderna. Os organizadores do III Salão Nacional de Arte Moderna, em 1954, foram Iberê Camargo, Bruno Giorgi, Oswaldo Goeldi e Tomás Santa Rosa. O Júri de Seleção e Premiação foi formado por Milton Dacosta e Djanira.

Djanira teve grande importância naquele Salão ao defender a inclusão do “Quadro-objeto”, de Lygia Clark. Em entrevista dada na abertura da exposição, Djanira disse: “O Salão Nacional de Arte Moderna é uma mostra de artistas de vanguarda, onde tem lugar a exposição de resultados de pesquisas plásticas as mais variadas. (…) Dei minha aprovação a que fossem mostradas as molduras, intituladas pela autora “Quadro-objeto”. Como protesto contra a falta de telas, considero um trabalho original. E como pesquisa, manifesto meus respeitos”.

Expositores da Sala 1.

Iberê Camargo, Tomás Santa Rosa Júnior, Aldo Bonadei, Danilo Di Prete, Antonio Bandeira, Ione Saldanha, Frank Schaeffer, Glauco Rodrigues, Milton Dacosta, Djanira Da Motta E Silva, Oswaldo Goeldi, Bruno Giorgi.

Expositores da Sala 2.

Emiliano Di Cavalcanti, Candido Portinari, Tomás Santa Rosa Júnior, Samson Flexor, Sergio Camargo, Eugênio De Proença Sigaud, Maria Leontina, Carybé, Anita Malfatti, Tarsila Do Amaral, Alfredo Volpi, Lygia Clark, Lygia Pape, Hélio Oiticica, Ivan Serpa, Lothar Charoux, Waldemar Cordeiro, Aluísio Carvão, Frans Krajcberg, Arthur Luiz Piza, Aldemir Martins, Joaquim Tenreiro, Anna Letycia Quadros, Fayga Ostrower, Roberto Burle Marx, Franz Weissmann, Ubi Bava, Octávio Ferreira De Araújo, Sonia Ebling.

Expositores da  Sala 3. 

Faixa Protesto-Gustavo Speridião, E Leandro Barboza, Carlos Zilio, Amilcar De Castro, Antonio Dias, Bruno Dunley, Elizabeth Jobim, Andréa Hygino, Germana Monte-Mór, Maria-Carmen Perlingeiro, Iole De Freitas. 

Até 21 de novembro. 

Uma robusta seleção de 33 artistas.

02/set

A Galatea participa da 16ª edição da ArtRio, que acontece entre 16 e 20 de setembro, na Marina da Glória, no Rio de Janeiro. A galeria apresenta uma seleção de 33 artistas que atravessa diferentes gerações e contextos da arte moderna e contemporânea, reunindo nomes fundamentais da produção brasileira, artistas que exerceram influência na cena nacional ou que por ela foram influenciados, além de jovens talentos emergentes.

A robusta lista de artistas para o estande da Galatea na ArtRio 2026 reúne Anísio O. Couto, Arthur Palhano, Bogdan Koshevoy, Carlos Cruz-Díez, Carolina Cordeiro, Dani Cavalier, Edival Ramosa, Ernesto Neto, Francisco Galeno, Frans Krajcberg, Gabriel Branco, Gabriela Melzer, Gabriella Marinho, Grauben do Monte Lima, Guilherme Gallé, Hércules Barsotti, Ione Saldanha, Jac Leirner, Jaider Esbell, Joji Ikeda, Jorge Guinle, Leo Battistelli, Maíra Dietrich, Mari Ra Chacon, Mucki Botkay, Park Chae Biole, Park Chae Dalle, Roberto Burle Marx, Rodrigo Andrade, Silia Moan, Tito Terapia, Tomie Ohtake e Ygor Landarin.

O conjunto propõe um diálogo entre diferentes momentos e vertentes da arte moderna e contemporânea, aproximando experiências ligadas à abstração geométrica e construtiva, à pintura figurativa, às práticas têxteis e a pesquisas que exploram a materialidade por meio da cerâmica, da madeira e de outros suportes.

Memória familiar e imaginação.

A Fortes D’Aloia & Gabriel apresenta espírito jardim humana, primeira exposição individual de Tadáskía desde seu ingresso na galeria. Com abertura em 14 de setembro de 2026, na Carpintaria, Jardim Botânico, Rio de Janeiro, RJ, a mostra reúne trabalhos que articulam memória familiar e imaginação. Ancoradas em uma cosmologia própria, as obras combinam formas abstratas e elementos orgânicos, que assumem figuras híbridas, situadas entre personagens e ambientes.
Em pinturas sobre tela e sobre suportes escultóricos em papel couro, folheado de madeira e MDF, a artista desenvolve um léxico de formas e presenças associado a uma espécie de anima, entendida como força constitutiva de sua criação. Bichos, legumes, cabelos, cascas e outras referências atravessam esse repertório, ao lado de galhos, palhas de taboa, bromélias, frutas, ovos, líquidos e outros materiais que se prolongam no espaço expositivo. Em suas “aparições”, como a artista denomina as fotografias realizadas em 35mm, assim como nas superfícies, ranhuras, relevos e passagens de cor, diferentes elementos se articulam entre imagem, matéria e forma. Aquilo que se apresenta de modo sugerido na pintura e no desenho ganha corpo e volume nos trabalhos escultóricos, estabelecendo relações entre diferentes meios e procedimentos.
espírito jardim humana assinala também uma inflexão sutil na produção recente de Tadáskía, marcada pelo aparecimento de áreas de branco e do suporte exposto. O branco reaparece nos desenhos e no interior das cascas, relevos pintados a óleo, e também em trechos onde a tinta foi raspada. Essas áreas de vazio assumem uma função compositiva, introduzindo intervalos de luz e abertura que alteram o ritmo e a atmosfera das obras. Ao redor desse núcleo, as esculturas articulam elementos encontrados e objetos transformados, aproximando materiais de diferentes origens e temporalidades. Grafismos e campos de cor organizam superfícies e camadas que ampliam as relações entre pintura, desenho e escultura.
Até 28 de outubro.

Exposição individual de Leo Stuckert.

“Em um mundo onde o presente se dissolve com rapidez nunca vista, essas imagens insistem em permanecer, estabelecendo assim um diálogo que atravessa o tempo”.

Leo Stuckert. 

O Portão Vermelho Galeria de Arte, localizado na Fábrica Bhering, Santo Cristo, Rio de Janeiro, RJ, apresenta até o dia 26 de setembro a exposição “Aqui, Agora e o Ontem”, de Leo Stuckert. Com curadoria de Raimundo Rodriguez e texto crítico de Heloisa Madragoa, a mostra reúne 41 pinturas, sendo 28 inéditas, que nos convida a um passeio entre realidade e fantasia, presente e passado, conectando imaginação, memórias e afetos. Em uma combinação única entre objetos lúdicos, personagens enigmáticos e paisagens, a exposição apresenta um universo particular e propõe ao público uma viagem emocional. Durante o mês de setembro, a individual contará com a presença do artista para rodas de conversa e visita guiada.

“Ao longo de dois meses, Leo Stuckert desenvolveu uma série de pinturas em diferentes formatos e suportes especialmente para esta exposição que acontece na Galeria Portão Vermelho, Fábrica Bhering. Um espaço que, para além da arte, celebra o encontro e a convivência entre artistas e pessoas interessadas em arte. As obras convidam o público a percorrer um tempo não linear, onde memória, imaginação e presente se encontram em constante transformação”, afirma Heloisa Madragoa.

Sobre o artista.

Leo Stuckert é artista visual graduado em Design pela ESDI/UERJ (1991). Desde 2017, frequenta os cursos livres da Escola de Artes Visuais no Parque Lage – EAV, RJ. Em junho de 2025 fez sua primeira exposição solo “Luz e Sombra no Meu Jardim”, na Galeria de arte Maria Lourdes de Almeida – Cândido Mendes, Ipanema, RJ, com curadoria de Denise Araripe e texto crítico de André Sheik. Em 2024, participou da remontagem da Exposição “Pessoas e Espaços” em parceria com o artista Pedro Mandarino e curadoria de Osvaldo Carvalho na Casa Amarela, Circuito Oriente, Santa Teresa, RJ. A exposição foi montada pela primeira vez em 2023 no Espaço Cultural Correios Niterói. Ainda em 2023, participou da exposição coletiva “Bodas de Linho” com curadoria de Bruno Miguel e Luiz Ernesto no Rio de Janeiro. Em 2022, participou da Exposição “Um dia a gente viveu junto” e do 27 º Salão de Artes Plásticas de Praia Grande – Palácio das Artes – SP. Em 2021, participou do 1º Salão de Artes Visuais Galeria Ibeu Online. E, em 2018, esteve na segunda edição da Bienal das Artes do Sesc-DF, curadoria de Jacob Klintowitz, Brasília, DF.

As redes de Daisy Xavier.

31/ago

Maneco Müller: Multiplo Galeria, Leblon,  Rio de Janeiro, RJ, promove conversa entre Daisy Xavier e o crítico de arte Fred Coelho. Com quatro décadas de trajetória na arte visual, artista carioca fala de sua pesquisa poética ligada à sua atuação como psicoterapeuta. O encontro acontece no dia 03 de setembro, a partir das 18h30, com entrada franca.

A Maneco Müller: Multiplo Galeria, que promove o encontro em torno da exposição “Anfi”, atual cartaz da galeria, com entrada gratuita, uma oportunidade para o público conhecer com mais profundidade a obra da artista carioca com 40 anos de trajetória e cujo processo criativo acontece em diálogo com sua formação em psicologia e atuação como psicoterapeuta. 

O bate-papo parte dos trabalhos reunidos em “Anfi”, primeira exposição individual de Daisy Xavier na galeria, e aborda questões recorrentes em sua pesquisa, como a permeabilidade das fronteiras entre “o dentro e o fora”, identidade e alteridade. Na produção da artista, essas relações são frequentemente representadas pela figura da rede, que ganha destaque nas pinturas e desenhos que compõem a mostra. Neles, linhas se sobrepõem, cruzam e se conectam, formando tramas que desafiam a lógica, numa dinâmica visual que funciona como metáfora dos fluxos instáveis do inconsciente.

Autor do texto crítico da mostra, Fred Coelho participa do encontro para aprofundar as questões presentes na pesquisa de Daisy Xavier e nos trabalhos reunidos em “Anfi”. Em sua análise, ele destaca a força das tramas criadas pela artista e a maneira como elas estabelecem relações com aquilo que não está imediatamente visível: “Dos traços firmes e urgentes que Daisy provoca nesses trabalhos, temos uma série de diálogos em direção ao que não está ali”.

A exposição fica em cartaz até 04 de setembro.