O vídeo comissionado de Rose Afefé.

23/abr

A Gentil Carioca noticia que a artista Rose Afefé participa da 61ª edição da Bienal de Veneza como parte de The Message Is in the Pattern, terceira edição do Post-National Digital Pavilion – programa digital desenvolvido pelo Institute of International Visual Arts (iniva) em colaboração com o British Council.

Desenvolvido em diálogo com a comissão do Pavilhão Britânico de Lubaina Himid, o projeto reúne artistas convidados a desenvolver novas obras digitais que exploram práticas sociais e artísticas, engajamento comunitário e processos de tradução cultural.

Nesta edição, Rose Afefé participa com mais duas artistas Anya Paintsil (Reino Unido) e Rajyashri Goody (Índia). Com curadoria de Beatriz Lobo, Rose apresenta um novo trabalho em vídeo comissionado no âmbito do programa.

Para quem não sabe, ela é a mulher que construiu uma cidade sozinha. Luiz Zerbini, 2024.

Rose Afefé nasceu em Varzedo, no interior da Bahia, em 1988. A partir do resgate de memórias da infância, a artista trabalha em várias mídias, incluindo instalação, pintura e fotografia. Iniciou em 2018 a construção da obra Terra Afefé, uma microcidade em escala humana construída com terra, utilizando a técnica do adobe (tijolo de barro cru) e pintada com cal. Situada na zona rural de Ibicoara, Bahia, na região da Chapada Diamantina, Terra Afefé se apresenta como um lugar de encontro e convivência, que relaciona arte e vida e fomenta perspectivas locais a fim de potencializar os saberes do território. A observação e a interação com a natureza são empregadas para conduzir produções de vida mais pulsantes e espontâneas. A poética desse território desdobra-se, por fim, na produção e fabulação imagética que cerca o fazer artístico de Rose Afefé.

Diferentes afetos e percepções.

22/abr

A Flexa, Leblon, Rio de Janeiro, RJ, anuncia sua décima exposição, “Morar na cor”, que integra o programa de 2026 da galeria. A mostra tem curadoria assinada por Luisa Duarte e Daniela Avellar, e é acompanhada de texto crítico de Renato Menezes, curador da Pinacoteca de São Paulo. A coletiva propõe pensar a cor, na arte, para além de sua dimensão estritamente formal.

Partindo da compreensão de que os cromatismos são atravessados pela experiência, pela subjetividade e pelo cotidiano, a exposição coletiva entende toda paleta de cor enquanto um campo ativo, capaz de produzir diferentes afetos e percepções. A cor aparece, nas obras reunidas, como força estruturante dos trabalhos e da experiência proposta ao público, cuja expografia se inspira no trabalho do arquiteto mexicano Luis Barragán, e é assinada por Julio Shalders.

Ao tensionar a tradição ocidental que historicamente relegou a cor a um lugar de excesso ou até mesmo de superficialidade, “Morar na cor” propõe um deslocamento. Saindo do ornamento para ocupar o lugar do pensamento, a cor é capaz tanto de preencher o espaço expositivo como se presentificar nas distintas obras agrupadas, fazendo com que o espectador reflita sobre os sentidos simbólicos contidos na experiência cromática. O título da exposição se inspira no ensaio homônimo publicado por Lygia Pape em 1988. Nele, a artista reflete sobre a relação da cor com as moradias vernaculares cariocas.

Fazem parte da mostra Abraham Palatnik, Adriana Varejão, Alfredo Volpi, Aluísio Carvão, Amadeo Luciano Lorenzato, Amelia Toledo, Ana Claudia Almeida, André Ricardo, Antonio Ballester Moreno, Antonio Bandeira, AVAF, Beatriz Milhazes, Carlos Vergara, Cícero Dias, Dudi Maia Rosa, Frank Stella, Ione Saldanha, Jorge Guinle, Judith Lauand, Lucia Koch, Luiz Braga, Luiz Zerbini, Lygia Pape, Marcone Moreira, Maria Leontina, Mariana Palma, Miguel Rio Branco, Milton Dacosta, Montez Magno, Paulo Pasta, Rafael Kamada, Rodrigo Cass, Rubem Valentim, Sol LeWitt, Tomie Ohtake, entre outros.

Exposição internacional de Dani Cavalier.

A Galatea tem o prazer de apresentar “Dani Cavalier: Tramadas”, primeira exposição internacional de Dani Cavalier, que abre no dia 23 de abril na LLANO, na Cidade do México. Realizada no contexto de um intercâmbio entre a LLANO e a Galatea, galeria que representa a artista, a mostra reúne trabalhos que integram a pesquisa de Dani Cavalier em torno das chamadas “pinturas sólidas”; Nelas, os limites entre pintura, escultura e instalação são tensionados por meio da justaposição de blocos de cor em tecidos reaproveitados.

Ao mesmo tempo em que partem de elementos estruturais da pintura convencional, como tela, chassi, cor e composição, as pinturas sólidas os subvertem. No lugar de tinta e pincel, a artista utiliza retalhos coloridos de Lycra, vindos da coleta de resíduos da produção do período em que esteve à frente de uma marca de moda praia.

Na mostra na LLANO, destacam-se séries que ampliam as possibilidades formais e conceituais de sua prática. Em “As Tensas”, Dani Cavalier trabalha com pedaços maiores de Lycra. As linhas não são recortadas, mas construídas pela força elástica do material ao ser grampeado ao chassi – gesto tradicional do preparo da tela que, aqui, antecede e já constitui a própria pintura. As transições entre cores evocam tanto a fisicalidade investigada pelo neoconcretismo, em diálogo com Lygia Clark, quanto a proximidade com as dobras e inflexões do corpo.

Já a série “Marquinha” parte da observação de que mesmo em materiais industriais, variações sutis de tonalidade podem ocorrer entre as produções dos lotes de lycra. A partir dessa constatação, a artista desenvolve composições que exploram variações de branco sobre branco e preto sobre preto, incorporando no título a referência às marcas deixadas pelo sol na pele.

Um campo de investigação sensível.

A artista Isabella Lemos de Moraes inaugura, no dia 09 de maio, a exposição “Quando a Mente Transborda”, sua primeira mostra individual, no Espaço BB, no Shopping Cassino Atlântico, Rio de Janeiro, RJ. Marcia Marschhausen, que assina a curadoria, selecionou cerca de 15 obras recentes, produzidas entre 2025 e 2026, que revelam diferentes momentos de seu processo criativo.

As obras apresentadas em “Quando a Mente Transborda” tensionam os limites entre controle e espontaneidade, configurando um campo de investigação sensível no qual matéria e emoção se entrelaçam. Cada tela registra um instante, um momento em que o gesto ultrapassa o limite da palavra e encontra, na pintura, sua forma de existência.

A produção abstracionista de Isabella dialoga com tradições da pintura moderna e contemporânea, evocando referências como Jackson Pollock, Gerhard Richter e Mark Rothko, especialmente no que se refere à relação entre abstração, matéria e expressão.

Até 19 de maio. 

A arte como eixo estruturante da linha.

17/abr

Leo Batistelli e Gaitee.

Coleção “Entre Linhas” na exposição “Leo Battistelli: água viva”.

A marca paulistana Gaitee lançou neste ano a coleção “Entre Linhas”, que toma a arte como eixo estruturante da linha. A coleção de inverno nasce do gesto criativo que transforma sentimentos em linguagem e expressão, traduzindo-se em peças que posicionam a arte como território de criação.

Foi nesse contexto que a marca realizou o shooting da coleção na unidade da Galatea na Rua Padre João Manuel, em São Paulo. As imagens foram produzidas durante a exposição “Leo Battistelli: água viva”, individual do artista argentino radicado no Rio de Janeiro. A mostra reuniu, no final de 2025, esculturas e painéis em cerâmica, porcelana, vidro, metais e minerais, explorando a relação entre matéria, luz e espiritualidade.

Obras como “Pôr do Sol” (2025), um painel de sete metros em cerâmica e cobre, “Iemanjá” (2004) e as séries de “Líquens”, em diferentes ligas e escalas, atravessam a maior parte das imagens produzidas, imprimindo às fotografias a materialidade e o imaginário presentes na exposição.

O vocabulário singular de Adriano Mangiavacchi.

Sob a curadoria de Vanda Klabin, o artista Adriano Mangiavacchi comemora 85 anos com exibição individual na Galeria Patrícia Costa, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ, .

“Pintar é preciso e viver também”, enfatiza o artista italiano Adriano Mangiavacchi. Prestes a completar 85 anos – mais da metade deles vividos no Brasil -, ele parece personificar essa livre atualização do célebre verso de Fernando Pessoa. Desde 2023, Adriano Mangiavacchi vem se dedicando à aquarela, linguagem que passou a orientar sua produção mais recente. A leveza e a fluidez desse meio serviram de ponto de partida para a série de pinturas realizadas ao longo do último ano, agora apresentadas ao público no dia 12 de maio. Suas raízes, no entanto, permanecem vivas em sua trajetória e obra. Sem abdicar de suas referências, o artista constrói um vocabulário singular. Em seu texto curatorial, Vanda Klabin destaca afinidades entre Adriano Mangiavacchi e o seu conterrâneo Emilio Vedova, expoente da action painting, cujos impulsos gestuais encontram eco em sua pintura.

Sobre o artista

Adriano Mangiavacchi nasceu em Roma, onde iniciou sua formação artística na Escola Artifici, e depois na Academia de Brera, em Milão. Na década de 1970, imigrou para o Brasil e decidiu fixar residência no Rio de Janeiro para trabalhar como engenheiro industrial na fábrica de automóveis italianos Fiat e Alfa Romeo. Conhece Luiz Aquila, quando passa a frequentar o seu curso de pintura, em Petrópolis. Em 1980 assume de fato   a vocação pela arte, ingressando no grupo de Paulo Garcez, com quem aprende a disciplina de trabalho, a procura da linguagem, a postura crítica. Em 1986, véspera de eleições, documentou os restos de propagandas que cobriam os muros da cidade. A dramaticidade e espontaneidade dessas intervenções acabaram por influenciar uma fase marcante de sua carreira, em um momento de grande potencial pictórico. “A cidade é uma fonte de inspiração extraordinária”, afirma.

Até 06 de junho.

Como funcionam os vulcões.

16/abr

Fortes D’Aloia & Gabriel, Jardim Botânico, Rio de Janeiro, RJ, exibe até 18 de abril “Como funcionam os vulcões”, exposição coletiva que inaugurou o programa de 2026 da Carpintaria. A mostra reúne obras de Amélia Toledo, Arthur Chaves, Barrão, Cerith Wyn Evans, Ernesto Neto, Ivens Machado, Janaina Wagner, Leda Catunda, Maria Manoella e Mauro Restiffe, Rivane Neuenschwander e Cao Guimarães, Rodrigo Cass, Rodrigo Matheus, Tiago Carneiro da Cunha, Valeska Soares e Yuli Yamagata.

“Como funcionam os vulcões” toma a imagem do vulcão como metáfora para uma formação cultural complexa. Longe de um fenômeno visível ou imediato, a exposição evoca processos que se desenvolvem ao longo do tempo, acumulando pressões, desejos, conflitos e fantasias até alcançar um ponto de liberação. Nesse sentido, o Carnaval é proposto não apenas como espetáculo, mas como a manifestação de um longo processo de gestação moldado por forças sociais, materiais e simbólicas.

Percorrendo escultura, instalação, desenho, vídeo, pintura e técnicas mistas, a exposição enfatiza como o sentido se produz por meio da duração e da persistência material. As obras reunidas lidam com dinâmicas de acúmulo, transformação e emergência. Reunindo artistas de diferentes gerações e posições, a mostra apresenta práticas atentas a estados de latência e erupção, suspensão e excesso. Materiais são reunidos, sobrepostos, esticados, comprimidos ou colocados em movimento, registrando tensões entre controle e imprevisibilidade, estrutura e instabilidade. O encontro com as obras se dá entre o maravilhamento e a tensão, entre o que é encenado e o que permanece em estado latente.

As formas sugerem processos prolongados de fazer e desfazer, enquanto as disposições espaciais evidenciam limiares – entre interior e exterior, contenção e transbordamento, antecipação e liberação. Em vez de ilustrar um fenômeno social ou natural, essas obras operam em condições análogas de pressão e transformação.

Exposições simultâneas.

15/abr

Marcio Gobbi Escritório de Arte, Bela Vista, São Paulo, SP, apresenta simultaneamente as exposições “Mestres da Pintura Espontânea” e “Kaleidos”, ambas sob curadoria de Fedra de Faria Rugiero e Marcio Gobbi. Realizadas no mesmo espaço, as mostras colocam em diálogo obras de artistas da pintura espontânea brasileira e a produção de três artistas contemporâneos. A ocasião marca também o relançamento do livro “Mestres da Pintura Espontânea”, de Roberto Rugiero, dedicado à obra de expoentes dessa arte brasileira. A abertura acontece no dia 22 de abril.

A exposição “Mestres da Pintura Espontânea” apresenta cerca de quarenta obras de artistas reunidos no livro homônimo. A seleção reúne nomes de diferentes regiões do país e evidencia a diversidade de linguagens presentes na chamada pintura espontânea brasileira. Acrílica, óleo e pastel sobre tela, além de grafite e lápis de cor sobre papel, compõem o conjunto de técnicas presentes na mostra. O projeto dialoga diretamente com a pesquisa conduzida por Roberto Rugiero, cuja publicação se tornou referência para o estudo e a divulgação dessa vertente artística, ao reunir e contextualizar a produção de artistas de diferentes regiões do Brasil. É uma oportunidade ímpar de apreciar, lado a lado, os expoentes dessa pintura livre e verdadeira, inerente à manifestação da arte feita por pessoas simples e autodidatas, com seus símbolos próprios e contextos pessoais.

A mostra “Kaleidos” – palavra de origem grega associada à ideia de “formas belas” – reúne trabalhos de Alexandre Segrégio, Ana Tamanini e Céu D’Ellia. Embora desenvolvam pesquisas visuais bastante distintas, os três artistas são aproximados pela curadoria a partir da relação entre luz e forma. Alexandre Segrégio apresenta pinturas que exploram a paisagem natural com rigor hiper-realista, frequentemente centradas em representações de florestas. Ana Tamanini, artista que iniciou sua trajetória ainda na adolescência e teve como professores Wesley Duke Lee e Otto Stupakoff, desenvolve uma investigação pictórica baseada em estudos da geometria sagrada e dos chamados quadrados mágicos presentes em tapetes orientais. Já Céu D’Ellia, conhecido internacionalmente por sua atuação no cinema de animação, revela parte de sua pesquisa estética que (segundo a crítica de arte Denise Mattar) “…borram as fronteiras entre as linguagens verbal e visual, dilatando os limites artificialmente construídos pela crítica”. Ao aproximar artistas de formações e linguagens distintas, “Kaleidos” propõe olhar os diferentes modos de traduzir luz em forma. A exposição reúne cerca de quinze obras e destaca a diversidade de abordagens presentes na produção contemporânea.

Apresentadas simultaneamente, “Mestres da Pintura Espontânea” e “Kaleidos” estabelecem um encontro entre diferentes tempos e perspectivas da produção artística. Enquanto a primeira destaca a força expressiva da pintura espontânea brasileira reunida na pesquisa de Roberto Rugiero, a segunda aproxima três artistas contemporâneos cujas investigações visuais simultaneamente colidem, somam e se opõem. No conjunto, as duas mostras convidam o público a percorrer um panorama que atravessa tradições, linguagens e sensibilidades.

Até 22 de maio.

Novo gênero da pintura.

14/abr

O artista Maxwell Alexandre apresenta até 30 de maio sua primeira individual na Almeida & Dale, Vila Madalena, São Paulo, SP, “pintor preto, figuração branca.”. A mostra marca a “figuração branca” como novo gênero da pintura elaborado pelo artista. Maxwell Alexandre toma o corpo branco como principal assunto em suas pinturas recentes e o desloca da aparente neutralidade, evidenciando a relação histórica da branquitude no campo da arte. “Se existe figuração preta, há de haver uma figuração branca”, anuncia Maxwell Alexandre. 

Em “pintor preto, figuração branca.”, Maxwell Alexandre rompe tanto com a neutralidade do corpo branco na tradição pictórica quanto com o cubo branco, entendido pelo artista como espaço de distinção social e de retenção de valores do sistema das artes. Em uma expografia que transforma radicalmente o espaço da galeria, a mostra reúne desdobramentos das séries “Clube” (2020-2026) e “Cubo Branco” (2025-2026).

Marco A. Castillo e a realidade vivida em Cuba.

Na Casa Domschke, Santo Amaro, São Paulo, SP, residência projetada por Vilanova Artigas (1915-1985), em 1974, Marco A. Castillo discute a utopia socialista sonhada pelos modernistas brasileiros e a realidade vivida em Cuba. Com curadoria de Livia Debbane, as esculturas de Marco A. Castillo em mogno e vime aludem a grandes nomes do design cubano, como Clara Porset, Gonzalo Córdoba e María Victoria Caignet.

Artista cubano radicado em Mérida, no México, Marco A. Castillo (1971, Camaguey) é um dos fundadores do coletivo Los Carpinteros (1992-2017) – celebrado internacionalmente e presente nas mais importantes coleções institucionais do mundo – trabalha principalmente na interseção entre sua vida na infância e adolescência em Cuba, a política, suas raízes familiares e a estética na qual cresceu. 

A exposição reúne 30 trabalhos recentes e inéditos de Marco A. Castillo, que abrangem esculturas – em mogno e vime; em papel cartão revestido de papel de encadernação ou couro sintético; e em argila epóxi – a instalação “Dictadura I”(2024)”; um conjunto de dez desenhos em nanquim sobre papel, e dois vídeos: “Generación” (2019), 6’45″, e “Casa Negra” (2022), 12’24’’. Desses trabalhos, 17 foram criados especialmente para a Casa Domschke.

Livia Debbane aponta que “… em seu revisionismo histórico-estético, Castillo se apropria de símbolos e modos de produção da época”. A curadora salienta que “…  este período fecundo – em que nasceram indústrias e a primeira escola superior de design no país – foi precocemente interrompido, quando coincidem o estreitamento das relações entre Cuba e a União Soviética na Guerra Fria (de onde se importaram, por exemplo, elementos de arquitetura pré-fabricada), o falecimento de (Celia) Sanchez e, finalmente, a dissolução da URSS”.

Até 28 de abril.