Natureza, consumo e sobrevivência.

25/maio

A Gentil Carioca inaugura Mão Amiga, parte da nova exposição individual de José Bento. Fruto da parceria entre A Gentil Carioca e a Galeria Sardenberg, a mostra ocupa simultaneamente os espaços das duas galerias em São Paulo.

A exposição parte de um antigo encaixe da marcenaria tradicional brasileira chamado “mão amiga” – técnica usada para unir grandes peças de madeira sem pregos ou cola. A partir dessa imagem, José Bento desenvolve uma reflexão sobre interdependência e convivência: sobre os modos como sustentamos, ou deixamos de sustentar, o mundo ao redor.

Na mostra, esculturas inéditas aproximam utensílio, paisagem e arquitetura em trabalhos que atravessam temas como escassez, permanência e transformação. Colheres monumentais, pratos escavados em troncos antigos e recipientes preenchidos por feijão compõem um conjunto que tensiona as relações entre natureza, consumo e sobrevivência.

Ao longo da exposição, elementos contrastantes coexistem no espaço. Floresta e construção civil, delicadeza e peso, abrigo e devastação articulam formas de coexistência em um cenário marcado por tensão constante.

O texto de apresentação é assinado por Ricardo Sardenberg.

A ética do fazer manual de Tiago Cavaliere.

22/maio

A Galeria Silvia Cintra + Box4, Gávea, Rio de Janeiro, RJ, inaugurou a primeira exposição individual do artista Tiago Cavaliere, intitulada “Todos os modos do mundo”. A mostra apresenta um conjunto de aproximadamente 40 objetos escultóricos e 5 vídeos produzidos entre 2022 e o presente, que sintetizam a pesquisa do artista sobre a potência do que é ignorado e a ética do fazer manual. 

A exposição propõe um diálogo entre o rigor processual e o que o artista define como uma memória muscular atávica, relacionada à maneira como as coisas se comportam no mundo. Por meio de materiais corriqueiros, como gesso, madeira e arames, e de um humor físico, Tiago Cavaliere busca elevar pequenas situações do cotidiano, frequentemente ignoradas, a outro nível na hierarquia perceptiva.

Nestas composições, a escala íntima e a valorização de gestos mínimos sobrepõem-se a qualquer desejo de monumentalidade. Tiago Cavaliere volta o olhar para as sutilezas espaciais, encontrando vigor no que hesita, no que parece inacabado ou no que tropeça com certa graça. Há um humor físico e um leve desconforto que reorganizam a nossa relação com o visível, permitindo que materiais originalmente alheios ao universo das artes ganhem um novo lugar na hierarquia dos sentidos, expostos em sua total transparência e fragilidade. Ao explorar o limite entre o silêncio e a intensidade, Tiago Cavaliere transforma pequenas situações do cotidiano, muitas vezes invisibilizadas pelo olhar apressado, em ferramentas críticas para refletir sobre a transparência dos processos e a beleza do que é instável.

A exposição conta com texto curatorial de Pollyana Quintella.

Até 12 de junho. 

Objetos e desenhos de Edival Ramosa.

A Galatea, São Paulo, SP, apresenta a exposição “Edival Ramosa: Alfabeto solare”, individual do artista Edival Ramosa (1940, São Gonçalo, RJ – 2015, Niterói, RJ) que reúne pinturas, esculturas, objetos e desenhos produzidos ao longo de quase cinco décadas. A abertura acontece dia 28 de maio na unidade da galeria na Oscar Freire.

Resultado de uma pesquisa desenvolvida por André Pitol, que assina a curadoria e o texto crítico da exposição, “Edival Ramosa: Alfabeto solare” resgata trabalhos que permaneceram por longo período em coleções no Brasil e no exterior. Parte do conjunto apresentado integrou a 36ª Bienal de São Paulo, marco recente do processo de retomada crítica da obra do artista.

A obra de Edival Ramosa foi profundamente marcada pela sua vivência no continente africano e também europeu durante os anos 1960 e 1970. A influência de correntes da arte europeia e norte-americana no pós-guerra se vê nas suas investigações em torno de um estilo construtivista, com jogos ópticos e referências à visualidade urbana no uso de materiais como madeira esmaltada, aço inoxidável e acrílico.

Elementos como esferas, casulos, luas, cometas, sois e outros “objetos-forma”, como o artista descreve muitas de suas peças, ocuparam lugar central em sua produção, variando entre gradações cromáticas e formas geométricas. A partir da década de 1970, integrou à sua prática referências da estética indígena e afro-brasileira, empregando materiais como palha, peles, plumagens, miçangas e bambus

Até 25 de julho.

Estruturas tridimensionais de Maria Nepomuceno.

A Gentil Carioca São Paulo anuncia a exposição ∞ ∞ (infinita infinito), individual de Maria Nepomuceno, que abre ao público no dia 23 de maio, sábado, às 14h.

Em obras inéditas, concebidas especialmente para a exposição, Maria Nepomuceno cria estruturas tridimensionais em espiral que operam entre pintura, escultura e instalação. Trabalhando com cordas, contas, cerâmicas e tecidos, são construídas formas que cedem e pendem sob a ação da gravidade, articulando passagens graduais de cor e relações entre transparência, brilho e opacidade.

Os trabalhos foram desenvolvidos simultaneamente e em constante relação uns com os outros, ocupando o espaço expositivo como um único organismo em expansão. A ideia de infinitude – algo que não começa nem termina, como define a própria artista – atravessa a mostra como princípio construtivo, visível tanto nas formas espirais quanto na continuidade cromática que conecta as peças entre si e à arquitetura do espaço. O texto de apresentação é assinado por Laura Lima. 

Rodrigo Cass e a Geometria Sensível.

21/maio

A Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa inaugurou a exposição “Geometria Sensível”, de autoria de Rodrigo Cass na Escola das Artes, no Porto, a primeira exposição individual do artista em Portugal, com organização da Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa em colaboração com a Brotéria, e também na Brotéria, em Lisboa, no dia 26 de maio. 

No cerne da exposição está a noção de “geometria sensível”, que se manifesta nas formas, nas cores e nos gestos que atravessam as obras. Mais do que uma abordagem estritamente formal, essa geometria revela-se como um campo de tensão entre racionalidade e intuição, onde estruturas geométricas se articulam com experiências sensoriais e afetivas. Assim, o trabalho de Rodrigo Cass expande-se para uma dimensão em que gestos ativam planos e objetos, instaurando relações dinâmicas entre matéria e percepção, ao mesmo tempo em que evoca uma dimensão mística atravessada pelos quatro elementos – terra, água, ar e fogo – como forças primordiais que informam, transformam e vitalizam.

Sobre o artista.

Rodrigo Cass nasceu em São Paulo, SP, 1983. O artista dialoga com a tradição construtiva da arte brasileira por meio de um vocabulário formal que alude aos experimentos concretos e neoconcretos das décadas de 1960 e 1970. O interesse do artista por intersecções e fraturas do plano pictórico é notável, fazendo com que suas superfícies adquiram dimensões volumétricas no espaço em telas, relevos e vídeos. Concreto, fibra de vidro e linho, coloridos com têmpera, são alguns de seus materiais mais utilizados. Projetadas sobre objetos esculturais, as obras em vídeo de Rodrigo Cass fundem a fisicalidade da performance com a lógica pictórica, em que a cor e a textura aparecem como elemento construtor do espaço. Em sintonia com o carácter tecnicamente híbrido e conceitualmente polivalente da prática de Rodrigo Cass, o gesto do corpo comunica-se com a pincelada sobre a superfície da pintura, criando um campo de ressonâncias entre possibilidades formais e uma espacialidade virtual.

Reinterpretando elementos culturais pré-coloniais.

20/maio

A Nara Roesler São Paulo convida para o dia 26 de maio para a abertura da exposição “Antes da forma, o encanto”, de Mônica Ventura, a primeira individual da artista na galeria, com mais de trinta obras inéditas, produzidas este ano, entre instalações, esculturas, pinturas e um vídeo, que dão continuidade à sua pesquisa desenvolvida nos últimos dez anos, em que resgata e reinterpreta elementos culturais pré-coloniais como a arquitetura e as técnicas de trabalhos manuais dos povos afro-ameríndios. 

A curadora Catarina Duncan, no texto que acompanha a exposição, destaca que “a palavra fetiche chega ao vocabulário da arte marcada por uma violência histórica”. “Sua raiz remonta ao latim facticius, aquilo que é fabricado, artificial, feito pela mão humana. No português, o termo deriva para a palavra feitiço, utilizada no contexto colonial para nomear objetos venerados pelas populações da Costa do Ouro na África investidos de poder espiritual e tratados pelo olhar europeu como superstição, exotismo e desrazão”. Catarina Duncan aponta que a exposição “propõe um deslocamento do fetiche colonial para a obra ritual – não como relíquia etnográfica, mas como presença ativa”.

“A exposição pensa identidades como rede em movimento contínuo, tornando o espaço expositivo em um laboratório, abrigo e altar. Da alquimia e da espagíria à construção de altares; dos modos de erguer paredes de terra às geometrias devocionais; das oferendas votivas às arquiteturas simbólicas que atravessam o hinduísmo e o Candomblé. Essências, circulação, retornos: tudo gira como roda. Nesse circuito, acessamos princípios dinâmicos como passagens, trocas e recomeços”, afirma a curadora.

Até 1º de agosto. 

Encontro entre artista expositor e curadoria.

O artista Adriano Mangiavacchi, que acaba de completar 85 anos – mais da metade deles vividos no Brasil -, participará de um bate-papo com a curadora de sua exposição “Pintar é Preciso”, como parte da programação do CIGA (Circuito Integrado de Galerias de Arte), iniciativa da ArtRio. O encontro será no próximo sábado, 23, às 15h, na Galeria Patrícia Costa, no Shopping Cassino Atlântico, Rio de Janeiro, RJ.

Desde 2023, Adriano Mangiavacchi vem se dedicando à aquarela, linguagem que passou a orientar sua produção mais recente. A leveza e a fluidez desse meio serviram de ponto de partida para a série de pinturas realizadas ao longo do último ano, agora apresentadas ao público na Galeria Patrícia Costa. 

“O conjunto de aquarelas e a série pinturas, cuja execução foi inspirada nas aquarelas, são os elementos dinamizadores dessa nova exposição de Adriano Mangiavacchi. Apontam para um novo campo de investigação e de ambivalências, provocadas pela luminosidade das cores, criando condições adversas de percepção. As sutis variações cromáticas se mesclam umas dentro das outras, guardam uma relação entre si e apresentam, ao mesmo tempo, uma liberdade de gestos e desdobramentos de formas e planos de cores que se erguem através das tintas, seja na superfície da tela ou do papel, em zonas interligadas. O artista utiliza técnicas diferenciadas, mas sempre potencializando o cromatismo, seja pela saturação ou acumulação; pela urgência ou pelo imediatismo; ou pelo próprio jogo de luz e sombra”, define Vanda Klabin.

Até 06 de junho.

Siron em exposição na Paulo Darzé.

19/maio

Quatro décadas de uma parceria reafirmada pelo tempo e pela renovação constante é o eixo da exposição “A vida como ela é”, recém aberta na Paulo Darzé Galeria, em Salvador. Siron Franco, é um artista goiano e, mais uma vez, apresenta suas obras na Bahia, onde desde sua participação na II Bienal Nacional da Bahia e a conquista do Prêmio Aquisição, é figura presente no cenário cultural baiano. A atual exposição é a sexta da parceria de Siron e a Paulo Darzé.

Mais do que uma retrospectiva, a mostra se apresenta como um percurso compartilhado, que evidencia a continuidade de um diálogo entre artista e galeria. A produção de Siron Franco se ancora em uma relação direta com a experiência da vida, explorando zonas de encontro entre o vivido, o imaginado e o inventado. Nesse território, suas pinturas instauram tensões que convidam o olhar a permanecer em movimento, sem se esgotar em interpretações imediatas.

Reconhecido por uma linguagem intensa e singular, o artista constrói uma obra que tensiona o espectador, provocando reflexões sobre percepção e existência. Em “A Vida Como Ela É”, essa inquietação se manifesta de forma renovada, reafirmando a capacidade da arte de instigar, deslocar e ampliar modos de ver e habitar o mundo.

Conexão entre corpo, natureza e espiritualidade.

18/maio

 

A Gomide&Co, Bela Vista, São Paulo, SP, apresenta “Sandra Vásquez de la Horra: todo lo que vibra”, primeira exposição individual da artista no Brasil, reunindo um conjunto de desenhos produzidos nos últimos cinco anos. A abertura acontece no dia 28 de maio (quinta-feira), às 18h, e a exposição segue em cartaz na galeria até 18 de julho. A curadoria é assinada pela crítica de arte e curadora independente Fernanda Morse.

Sobre a artista.

Nascida em Viña del Mar, no Chile, em 1967, e radicada em Berlim há mais de 15 anos, Sandra Vásquez de la Horra desenvolve uma prática singular centrada no desenho, meio que, em seu trabalho, ultrapassa a bidimensionalidade para assumir um caráter ao mesmo tempo escultórico e instalativo. Desde o final da década de 1990, a artista finaliza suas obras com um mergulho em cera, procedimento que confere maior plasticidade e materialidade aos trabalhos, intensificando a presença da linha, da cor e criando efeitos de profundidade e translucidez. Com uma trajetória internacional consolidada, Sandra Vásquez de la Horra contou recentemente com importantes exposições institucionais: Soy Energía, sua primeira retrospectiva institucional na Europa, apresentada na Haus der Kunst (Munique), em 2025; e The Awake Volcanoes, exposição panorâmica de carreira realizada no Denver Art Museum, em 2024, com curadoria do brasileiro Raphael Fonseca. A artista foi laureada com o prestigioso Prêmio Käthe Kollwitz, concedido pela Akademie der Künste, em 2023, e participou da 59ª Bienal de Veneza em 2022. Sandra Vásquez de la Horra é representada pela galeria Sprovieri, a quem a Gomide&Co agradece por apoiar a realização da exposição,.

Até 18 de julho. 

Lu Ferreira inaugura exposição em Nova York.

12/maio

O artista visual pernambucano Lu Ferreira, natural da Muribeca, inaugurou, a exposição individual “Estranhas Luzes no Bosque” na Tara Downs, localizada no distrito da Broadway, em Nova York. A mostra reúne 27 obras e segue em cartaz até o dia 06 de junho, marcando mais um passo na trajetória internacional do artista, que se destaca na cena contemporânea pernambucana por uma produção que atravessa abstração, memória e espiritualidade.

Com curadoria da pesquisadora Elizabeth Bandeira, a exposição parte do livro homônimo de Stela Carr, referência afetiva da infância de Lu Ferreira, para construir um percurso visual atravessado por mistério, sincretismo religioso e experimentação estética. As obras dialogam com experiências vividas em territórios como Assaré, no Cariri cearense, e Olinda, onde o artista reside, revelando uma pesquisa marcada por um sincretismo barroco negro e por um intenso estudo das cores. O texto curatorial destaca a relação do artista com a religiosidade brasileira para além de uma perspectiva dogmática, apontando para uma construção sensorial e simbólica que atravessa sua trajetória desde a infância. Essa dimensão aparece nas obras como uma espécie de fluxo imagético que amplia as possibilidades de percepção e leitura.Ele relembra que, ainda na infância, guardava objetos que pareciam “falar” com ele e que, mais tarde, decidiu revisitá -los, incorporando-os à sua prática artística. A escolha por abandonar o pincel tradicional se tornou, então, uma forma de tensionar o próprio fazer, deslocando o foco do controle técnico para a experimentação e a consequência do gesto.

“Estranhas Luzes no Bosque” é a segunda exposição individual de Lu Ferreira em Nova York, sucedendo “Tropical Nada”, apresentada em junho de 2025. Assim como na ocasião anterior, o artista não estará presente fisicamente na abertura. Mesmo com documentação e convite formal da galeria, o visto para entrada nos Estados Unidos foi negado. A exposição “Estranhas Luzes no Bosque” pode ser visitada até 06 de junho, na galeria Tara Downs, em Manhattan.