Reinterpretando elementos culturais pré-coloniais.

20/maio

A Nara Roesler São Paulo convida para o dia 26 de maio para a abertura da exposição “Antes da forma, o encanto”, de Mônica Ventura, a primeira individual da artista na galeria, com mais de trinta obras inéditas, produzidas este ano, entre instalações, esculturas, pinturas e um vídeo, que dão continuidade à sua pesquisa desenvolvida nos últimos dez anos, em que resgata e reinterpreta elementos culturais pré-coloniais como a arquitetura e as técnicas de trabalhos manuais dos povos afro-ameríndios. 

A curadora Catarina Duncan, no texto que acompanha a exposição, destaca que “a palavra fetiche chega ao vocabulário da arte marcada por uma violência histórica”. “Sua raiz remonta ao latim facticius, aquilo que é fabricado, artificial, feito pela mão humana. No português, o termo deriva para a palavra feitiço, utilizada no contexto colonial para nomear objetos venerados pelas populações da Costa do Ouro na África investidos de poder espiritual e tratados pelo olhar europeu como superstição, exotismo e desrazão”. Catarina Duncan aponta que a exposição “propõe um deslocamento do fetiche colonial para a obra ritual – não como relíquia etnográfica, mas como presença ativa”.

“A exposição pensa identidades como rede em movimento contínuo, tornando o espaço expositivo em um laboratório, abrigo e altar. Da alquimia e da espagíria à construção de altares; dos modos de erguer paredes de terra às geometrias devocionais; das oferendas votivas às arquiteturas simbólicas que atravessam o hinduísmo e o Candomblé. Essências, circulação, retornos: tudo gira como roda. Nesse circuito, acessamos princípios dinâmicos como passagens, trocas e recomeços”, afirma a curadora.

Até 1º de agosto. 

Encontro entre artista expositor e curadoria.

O artista Adriano Mangiavacchi, que acaba de completar 85 anos – mais da metade deles vividos no Brasil -, participará de um bate-papo com a curadora de sua exposição “Pintar é Preciso”, como parte da programação do CIGA (Circuito Integrado de Galerias de Arte), iniciativa da ArtRio. O encontro será no próximo sábado, 23, às 15h, na Galeria Patrícia Costa, no Shopping Cassino Atlântico, Rio de Janeiro, RJ.

Desde 2023, Adriano Mangiavacchi vem se dedicando à aquarela, linguagem que passou a orientar sua produção mais recente. A leveza e a fluidez desse meio serviram de ponto de partida para a série de pinturas realizadas ao longo do último ano, agora apresentadas ao público na Galeria Patrícia Costa. 

“O conjunto de aquarelas e a série pinturas, cuja execução foi inspirada nas aquarelas, são os elementos dinamizadores dessa nova exposição de Adriano Mangiavacchi. Apontam para um novo campo de investigação e de ambivalências, provocadas pela luminosidade das cores, criando condições adversas de percepção. As sutis variações cromáticas se mesclam umas dentro das outras, guardam uma relação entre si e apresentam, ao mesmo tempo, uma liberdade de gestos e desdobramentos de formas e planos de cores que se erguem através das tintas, seja na superfície da tela ou do papel, em zonas interligadas. O artista utiliza técnicas diferenciadas, mas sempre potencializando o cromatismo, seja pela saturação ou acumulação; pela urgência ou pelo imediatismo; ou pelo próprio jogo de luz e sombra”, define Vanda Klabin.

Até 06 de junho.

Siron em exposição na Paulo Darzé.

19/maio

Quatro décadas de uma parceria reafirmada pelo tempo e pela renovação constante é o eixo da exposição “A vida como ela é”, recém aberta na Paulo Darzé Galeria, em Salvador. Siron Franco, é um artista goiano e, mais uma vez, apresenta suas obras na Bahia, onde desde sua participação na II Bienal Nacional da Bahia e a conquista do Prêmio Aquisição, é figura presente no cenário cultural baiano. A atual exposição é a sexta da parceria de Siron e a Paulo Darzé.

Mais do que uma retrospectiva, a mostra se apresenta como um percurso compartilhado, que evidencia a continuidade de um diálogo entre artista e galeria. A produção de Siron Franco se ancora em uma relação direta com a experiência da vida, explorando zonas de encontro entre o vivido, o imaginado e o inventado. Nesse território, suas pinturas instauram tensões que convidam o olhar a permanecer em movimento, sem se esgotar em interpretações imediatas.

Reconhecido por uma linguagem intensa e singular, o artista constrói uma obra que tensiona o espectador, provocando reflexões sobre percepção e existência. Em “A Vida Como Ela É”, essa inquietação se manifesta de forma renovada, reafirmando a capacidade da arte de instigar, deslocar e ampliar modos de ver e habitar o mundo.

Conexão entre corpo, natureza e espiritualidade.

18/maio

 

A Gomide&Co, Bela Vista, São Paulo, SP, apresenta “Sandra Vásquez de la Horra: todo lo que vibra”, primeira exposição individual da artista no Brasil, reunindo um conjunto de desenhos produzidos nos últimos cinco anos. A abertura acontece no dia 28 de maio (quinta-feira), às 18h, e a exposição segue em cartaz na galeria até 18 de julho. A curadoria é assinada pela crítica de arte e curadora independente Fernanda Morse.

Sobre a artista.

Nascida em Viña del Mar, no Chile, em 1967, e radicada em Berlim há mais de 15 anos, Sandra Vásquez de la Horra desenvolve uma prática singular centrada no desenho, meio que, em seu trabalho, ultrapassa a bidimensionalidade para assumir um caráter ao mesmo tempo escultórico e instalativo. Desde o final da década de 1990, a artista finaliza suas obras com um mergulho em cera, procedimento que confere maior plasticidade e materialidade aos trabalhos, intensificando a presença da linha, da cor e criando efeitos de profundidade e translucidez. Com uma trajetória internacional consolidada, Sandra Vásquez de la Horra contou recentemente com importantes exposições institucionais: Soy Energía, sua primeira retrospectiva institucional na Europa, apresentada na Haus der Kunst (Munique), em 2025; e The Awake Volcanoes, exposição panorâmica de carreira realizada no Denver Art Museum, em 2024, com curadoria do brasileiro Raphael Fonseca. A artista foi laureada com o prestigioso Prêmio Käthe Kollwitz, concedido pela Akademie der Künste, em 2023, e participou da 59ª Bienal de Veneza em 2022. Sandra Vásquez de la Horra é representada pela galeria Sprovieri, a quem a Gomide&Co agradece por apoiar a realização da exposição,.

Até 18 de julho. 

Lu Ferreira inaugura exposição em Nova York.

12/maio

O artista visual pernambucano Lu Ferreira, natural da Muribeca, inaugurou, a exposição individual “Estranhas Luzes no Bosque” na Tara Downs, localizada no distrito da Broadway, em Nova York. A mostra reúne 27 obras e segue em cartaz até o dia 06 de junho, marcando mais um passo na trajetória internacional do artista, que se destaca na cena contemporânea pernambucana por uma produção que atravessa abstração, memória e espiritualidade.

Com curadoria da pesquisadora Elizabeth Bandeira, a exposição parte do livro homônimo de Stela Carr, referência afetiva da infância de Lu Ferreira, para construir um percurso visual atravessado por mistério, sincretismo religioso e experimentação estética. As obras dialogam com experiências vividas em territórios como Assaré, no Cariri cearense, e Olinda, onde o artista reside, revelando uma pesquisa marcada por um sincretismo barroco negro e por um intenso estudo das cores. O texto curatorial destaca a relação do artista com a religiosidade brasileira para além de uma perspectiva dogmática, apontando para uma construção sensorial e simbólica que atravessa sua trajetória desde a infância. Essa dimensão aparece nas obras como uma espécie de fluxo imagético que amplia as possibilidades de percepção e leitura.Ele relembra que, ainda na infância, guardava objetos que pareciam “falar” com ele e que, mais tarde, decidiu revisitá -los, incorporando-os à sua prática artística. A escolha por abandonar o pincel tradicional se tornou, então, uma forma de tensionar o próprio fazer, deslocando o foco do controle técnico para a experimentação e a consequência do gesto.

“Estranhas Luzes no Bosque” é a segunda exposição individual de Lu Ferreira em Nova York, sucedendo “Tropical Nada”, apresentada em junho de 2025. Assim como na ocasião anterior, o artista não estará presente fisicamente na abertura. Mesmo com documentação e convite formal da galeria, o visto para entrada nos Estados Unidos foi negado. A exposição “Estranhas Luzes no Bosque” pode ser visitada até 06 de junho, na galeria Tara Downs, em Manhattan.

Artistas de diferentes territórios da América Latina.

11/maio

A Fundação Getulio Vargas, por meio da FGV Arte, convida você para a exposição “Eu chorei rios: arte dos povos originários da América”, na Praia de Botafogo, Rio de Janeiro, RJ.

Com curadoria de Glicéria Tupinambá e Paulo Herkenhoff, a mostra inédita reúne artistas de diferentes territórios da América Latina. Com nomes como Ailton Krenak, Claudia Andujar, Daiara Tukano, Denilson Baniwa, Djanira, Gustavo Caboco, Jaider Esbell, Lastenia Canayo, Luiz Carlos Felizardo, Keyla Sobral, Lygia Pape, Mestre Valentim e Xadalu Tupã Jekupé, a exposição propõe uma leitura ampliada da arte latino-americana, a partir de modos de existência e repertórios estéticos diversos.

A Baró Paris exibe Lygia Clark.

“Este retângulo, despedaçado, nós o engolimos, o absorvemos. Demolir o plano como suporte para a expressão é tomar consciência da unidade como um todo vivo e orgânico.”

A Baró Paris apresenta Lygia Clark: “Anatomie d’une ligne”, a segunda exposição dedicada à artista brasileira pela Galeria Baró e a exposição inaugural de seu novo espaço permanente em Paris. Com curadoria de Rolando J. Carmona, a exposição concentra-se em momentos-chave da prática de Lygia Clark, examinando a relação entre abstração geométrica, corpo e psicanálise. A apresentação reúne estudos, fotografias, maquetes de papelão produzidas na década de 1950 e “Bicho Desfolhado” (579), destacando uma fase decisiva na transição da artista de estruturas geométricas para propostas participativas. Uma parte significativa das  obras e propostas apresentadas na exposição foi concebida durante o período em que Lygia Clark viveu em Paris. Entre 1950 e 1952, ela estudou na cidade com Isaac Dobrinsky, Fernand Léger e Arpad Szenes, e posteriormente retornou a Paris em autoexílio durante a Ditadura Militar Brasileira. De 1968 a 1976, Lygia Clark desenvolveu um intenso conjunto de obras que integraram o pensamento psicanalítico à sua prática artística.

Durante esse período, Lygia Clark foi convidada a ministrar um curso sobre comunicação gestual na Sorbonne, onde desenvolveu a série de proposições conhecida como “Corpo coletivo”. Obras como “Baba Antropofágica” e “La Red”, também apresentadas nesta exposição, surgiram dessas experiências. Em “La Red”, a grade moderna é desestabilizada e transformada em uma estrutura flexível ativada pela interação corporal coletiva.

Em sua sede parisiense, a Baró Galeria desenvolve uma programação que reúne obras históricas e artistas emergentes do Sul Global. A exposição inaugural, dedicada a Lygia Clark, insere o espaço parisiense em um diálogo internacional entre práticas históricas e pesquisa artística contemporânea.

Sobre a artista.

Lygia Clark nasceu em 1920 em Belo Horizonte, MG, Brasil, e tornou-se uma figura central do movimento Neoconcreto no final da década de 1950. Seu trabalho integra importantes coleções internacionais, incluindo o Museu de Arte Moderna de Nova York, a Tate em Londres, o Centro Pompidou em Paris e o Museu Reina Sofía em Madri. Entre suas exposições institucionais recentes, destaca-se uma grande retrospectiva na Nationalgalerie em Berlim, atualmente em cartaz na Kunsthaus Zürich.

A curadoria de Max Perlingeiro e Tadeu Chiarelli.

08/maio

A Pinakotheke, prestigiosa instituição de arte fundada no Rio de Janeiro por Max Perlingeiro em 1979, reconhecida pela excelência de suas exposições e publicações, abre para o público sua nova sede em Higienópolis, São Paulo, SP, no dia 18 de maio, com a exposição “Surrealismos: arte para além da razão”, uma vasta visão sobre as diversas facetas desta vertente da arte iniciada na primeira década do século 20.

A mostra inaugural do novo espaço tem curadoria de Max Perlingeiro e Tadeu Chiarelli, e reunirá aproximadamente 100 obras de 60 artistas – europeus, latino-americanos, norte-americanos e do Caribe. O novo espaço em Higienópolis é acompanhado também de uma reestruturação da Pinakotheke, e no novo organograma, Max Perlingeiro é o diretor-geral, e seus filhos assumem a diretoria-executiva de cada espaço – Max Morales Perlingeiro, em São Paulo; Mariana Perlingeiro Mattos, no Rio de Janeiro; e Victor Perlingeiro, em Fortaleza – e Camila Perlingeiro, que já é a responsável pelas edições dos livros de arte, passa a responder como diretora criativa. Ivan Perlingeiro, irmão de Max, será o diretor de operações. O novo endereço passou por obras de adequação e modernização, a cargo do escritório Luciano Dalla Marta Arquitetura.

Na entrada, o público será recebido por vídeos das artistas contemporâneas Letícia Parente, Lenora de Barros, Kátia Maciel e Lia Chaia. No primeiro andar estarão trechos dos filmes clássicos “Le Sang d’un poète” de Jean Cocteau e “Un chien andalou”, de Luis Buñuel e Salvador Dalí. No segundo andar, ficarão os núcleos do Surrealismo europeu, do norte-americano e caribenho. Na área central, a sala especial de Louise Bourgeois; e em destaque as obras de Magritte – “La magie noire”, e “La fin du monde”; a escultura “Mujer de pie”, de Picasso; a escultura “Femme debout”, de Giacometti; a pintura “O enigma de um dia”, de Giorgio de Chirico, pertencente ao MAC USP; “Configuration”, de Hans (Jean) Arp; e “St. Tropez”, de Picabia; a grande xilogravura “Metamorphose”, de M.C. Escher, com quatro metros de comprimento. Na última sala, outro trabalho de Escher – “Bond of Union”; dois óleos sobre tela de Ferdinand Desnos: “Le lapin blanc” e “Sem título”; obras de Salvador Dalí: a escultura em bronze “Vénus spatiale”, três trabalhos da série “La suite catalane”: “L’etoile de mer”, “Les fleches” e “Les pigeons”- e “The Persistence of Memory II”, em lã e colagem; e “Sem título”, de Victor Brauner.

Publicação ilustrada.

Ao longo da exposição, será lançado pela Pinakotheke Editora um livro bilíngue sobre o tema “Surrealismos: arte para além da razão”. Fartamente ilustrada, a publicação terá textos de Max Perlingeiro, Tadeu Chiarelli, Dawn Adès, João Frayze-Pereira e Thiago Gil Virava.

De 18 de maio até 15 de agosto. 

Investigação sobre memória e pertencimento.

07/maio

Belo Horizonte, Uberaba e Juiz de Fora se encontram no Rio de Janeiro em “O Caminho do Ouro”, exposição que será inaugurada no dia 21 de maio na a.thebaldigaleria, no CasaShopping, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, RJ. Mais do que a origem geográfica em comum, os artistas mineiros Hélio Siqueira, Paulo Miranda, Paulo Torres e Petrillo compartilham nesta coletiva investigações que partem de matéria e memória das terras de Minas Gerais, estabelecendo um percurso sensível entre tradição e contemporaneidade.

Reunindo trabalhos inéditos de produção recente, a mostra foi concebida por Edson Thebaldi, marchand à frente da galeria que celebra 40 anos de trajetória este ano. O conjunto de obras atravessa diferentes linguagens como técnica mista utilizando pigmentos naturais, colagem, carvão e pastel oleoso sobre lona e sobre papel, esculturas em cerâmica em alta temperatura submetidas a fornos com queima a lenha e têmpera acrílica com pigmentos minerais, terra e concreto retirado das calçadas das cidades.

Hélio Siqueira apresenta a série de objetos “Bilhas”, uma alusão às cerâmicas utilizadas na antiguidade como reservatórios de água. Potes, castiçais, moendas, pilões e solitários que povoavam a vida e enfeitavam as casas nas fazendas.

A paisagem é o ponto de partida para uma investigação sensível sobre memória e tempo nas obras produzidas por Paulo Miranda para a exposição. 

A busca por novos horizontes é o eixo que atravessa os trabalhos de Paulo Torres desenvolvidos para a coletiva. Em meio ao mar de concreto e asfalto que define a paisagem urbana contemporânea, o artista investiga aquilo que se oculta sob as camadas do tempo: cores veladas, marcas, desgastes e vestígios que a cidade acumula silenciosamente todos os dias.

Nesta nova série de obras expostas na a.thebaldigaleria, o artista visual Petrillo dá continuidade à sua investigação sobre a paisagem. Desta vez, investiga e se volta para as jazidas e a topografia mineira, que servem como pretexto dialético para a construção imagética das obras. 

Até 14 de junho.

Jardim do Éden de Joana Vasconcelos.

Pela primeira vez o Brasil recebe no Farol Santander, Centro, São Paulo, SP, uma das obras mais emblemáticas de Joana Vasconcelos: “Jardim do Éden”. Uma instalação imersiva que convida o público a caminhar por um labirinto que expõe a artificialidade da natureza através de uma inusitada experiência ótica.

Esse percurso transporta o espectador para um paraíso de sonhos e imaginação através dessa obra única que já passou por diversos continentes. “Jardim do Éden” é uma instalação que convida o espectador a caminhar. Através do fluxo luminoso e dos motores síncronos, as flores artificiais dispostas em forma de labirinto produzem um efeito cinético semelhante ao produzido pela fibra ótica. Ao mesmo tempo uma suave trilha sonora – que alude ao canto de dezenas de pequenos insetos – produzida pelo som mecânico das respetivas máquinas em funcionamento. 

O percurso neste paraíso onírico expõe a artificialidade da natureza através de uma inusitada experiência ótica, unicamente possível devido à exigência da sua apresentação num espaço interior privado de luz natural. Joana Vasconcelos concebe um surpreendente simulacro que reporta invariavelmente para o questionamento, a sabotagem e a apropriação de uma narrativa ancestral.

Até 21 de junho.