“Lagoogleglyph” consiste em um formato gráfico pixelado, fazendo referência a uma cabeça de coelho, inscrito no telhado do Es Baluard Museo de Arte Moderno y Contemporáneo de Palma de Mallorca, Espanha. Foi feita especificamente por Eduardo Kac para o olho de um satélite usado pelo Google. Nesta série, o artista contrata o mesmo satélite usado pelo Google e produz uma fotografia idêntica ao tipo usado pelo Google Earth. “Lagoogleglyph” é visível para qualquer pessoa no planeta via mecanismo de busca geográfica do Google. Este é o segundo “Lagoogleglyph” produzido por Eduardo Kac. A primeira, agora na coleção permanente do MAR-Museu de Arte do Rio, foi apresentado pelo Oi Futuro em 2009. O artista é representado pela Marsiaj Tempo Galeria, Ipanema, Rio de Janeiro, RJ.
Arquivo da categoria: Exterior
Suzana Queiroga em Portugal
19/jun
A inauguração da exposição “ÁguaAr”, mostra individual da artista brasileira Suzana Queiroga, no Centro para os Assuntos da Arte e Arquitectura (CAAA), em Guimarães, Portugal, abrange diversas áreas como desenho, vídeo, instalação e documentação. A curadoria é de Paulo Aureliano da Mata e Tales Frey. O texto crítico recebeu assinatura de Jacqueline Siano e conta com o apoio de DGArtes/Direcção-Geral das Artes (Portugal), uma realização da eRevista Performatus.
De Suzana Queiroga
Das fronteiras geográficas que incorporam a presença da água e do ar, Suzana Queiroga depara-se com ambos elementos a partir da observação de diferentes cartografias, presenciadas através dos voos/performances em seu balão de ar quente Velofluxo ou através de outras formas de pesquisar o fluxo, o tempo e a continuidade presentes na paisagem como algo em constante movimento. De cima, vemos camadas complexas sobrepostas que se interconectam. Vemos os sistemas de águas como rios, seus afluentes, os oceanos e mares, as correntes e as marés, os sistemas e mapas de ventos, os mapas de voo, as correntes do ar, as nuvens e ainda os códigos gráficos das cidades e das paisagens em geral. Igualmente, podemos contemplar a relação das cartografias com o próprio corpo, com o sistema sanguíneo e com os demais sistemas de circulação, bem como com os nossos corpos em determinadas localidades, habitando e fluindo em diferentes paisagens. A partir de ÁguaAr de Suzana Queiroga, a paisagem renuncia unicamente a sua colocação como um conceito geográfico para tornar-se uma alegoria complexa e inexaurível da existência humana, relacionando a memória e a materialização da mesma em variáveis suportes artísticos que remetem a ambientes vistos e imaginados.
Apresentação de Suzana Queiroga
A artista plástica carioca Suzana Queiroga despontou nos anos 80, época em que a exposição “Como vai você, Geração 80?”, apresentada no Rio de Janeiro, em 1984, apresentou a produção de cerca de 100 jovens artistas que modificou significativamente os rumos da arte no Brasil. Queiroga é um dos nomes deste núcleo de artistas juntamente com Daniel Senise, Leda Catunda, Beatriz Milhazes, Delson Uchoa, Nuno Ramos, Cristina Canale, entre tantos outros, que alcançaram representatividade e notoriedade nacional e internacional. Pinturas, desenhos, esculturas, instalações, vídeos, infláveis e intervenções urbanas são as várias expressões as quais Suzana Queiroga se dedica. Artista inquieta e pesquisadora, seu trabalho se destaca pela inteligência com que articula operações improváveis e radicais e no que se desprende das tradições para se lançar em um campo amplo de possibilidades que permite infinitas configurações. Sua obra, como numa verdadeira rede, articula diferentes meios que se entrecruzam formando um todo poético e contemporâneo. No universo complexo de pluralidades da arte contemporânea, Suzana Queiroga nos propõe vislumbrar o próprio pensamento. A artista se interessa por vários campos do conhecimento no que se dedica a pesquisas filosóficas e cientificas e aciona diversos elementos e domínios da cultura ao mesmo tempo. Sua obra posiciona-se diante do mundo não para produzir simples contemplação, mas para possibilitar ao espectador a imersão em um campo sensorial profundo e num espaço mental no qual a obra se relaciona com o ser, o tempo e os reverbera. Sua obra se vincula ao pensamento seminal de Hélio Oiticica e Ligia Clark, artistas brasileiros fundamentais para a expansão dos espaços plásticos em direção a realidade, por acrescentarem as vivencias sensoriais à experiência artística.
Sobre a artista
Suzana Queiroga reside e trabalha no Rio de Janeiro, Brasil. Mestre em Linguagens Visuais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, leciona Pintura e Desenho na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, Rio de Janeiro, Brasil. A artista já recebeu cerca de 11 premiações nacionais entre elas, o 5º Prêmio Marcantônio Vilaça /Funarte para aquisição de acervos, em 2012; Prêmio Nacional de Arte Contemporânea/ Funarte, em 2005; a Bolsa RIO ARTE, em 1999; e os X e IX Salões Nacional de Artes Plásticas, entre outros. Participou de inúmeras coletivas nacionais e internacionais entre elas: “Matérias do Mundo”, projeto “Arte e Indústria”, com curadoria de Marcus de Lontra Costa, Museu de Arte Contemporânea de São Paulo, MAC /USP, São Paulo, Brasil; exposição “Diálogos da Diversidade”, na galeria Matias Brotas Arte Contemporânea, Vitória, Brasil; participação com vídeos no XXX Fuorifestival, Pesaro, Itália; “Bola na Rede”, curadoria de Fernando Cocchiarale, Funarte/Brasília, Brasília, Brasil; “Nova Escultura Brasileira”, Caixa Cultural, Rio de Janeiro, Brasil; “Mapas Invisíveis”, Caixa Cultural, Rio de Janeiro, Brasil; “Innensichten-Aussensichten” na Alpha Nova-Kulturwerkstatt & Galerie Futura, Berlim, Alemanha; “Plasticidades”, Palais de Glace, Buenos Aires, Argentina; “Como está você, Geração 80?”, CCBB/RJ, Rio de Janeiro, Brasil; “Ares & Pensares” Esculturas Infláveis, Sesc Belenzinho, São Paulo, Brasil; entre outras. Participou de inúmeras exposições individuais entre elas: “Livro do AR”, projeto “O Grande Campo”, Oi Futuro, curadoria de Alberto Saraiva, Rio de Janeiro, Brasil, 2014; “Prelúdio”, Galeria Siniscalco, Nápolis, Itália, 2014; “Olhos d’Água”, MAC/Niterói, projeto contemplado pelo 5º Prêmio Marcantônio Vilaça/Funarte, com curadoria de Luiz Guilherme Vergara, Niterói, Brasil, em 2013; “Sobre Ilhas e Nuvens”, Artur Fidalgo Galeria, Rio de Janeiro, Brasil, 2013; “Semeadura de Nuvens”, Artur Fidalgo Galeria, Rio de Janeiro, Brasil, 2013; “O Grande Azul”, Casa França-Brasil, Rio de Janeiro Brasil, com curadoria de Fernando Cocchiarale, 2012; “Open Studio-Suzana Queiroga”, Akademie der Bildenden Künste Wien, Viena, Áustria, 2012; “Flutuo por Ti”, Anita Schwartz Galeria, Rio de Janeiro, Brasil, 2011; “Velofluxo”, Museu da Chácara do Céu, Rio de Janeiro, Brasil, 2009; “Velofluxo”, CCBB/Brasília (Brasil), com curadoria de Fernando Cocchiarale, 2008; “Pintura em Campo Ativado”, curadoria de Viviane Matesco, SESC Teresópolis, Brasil, 2005; “Velatura”, Instalação Inflável, Galeria 90, Rio de Janeiro, Brasil, 2005; “In Between”, Cavalariças do Parque Lage, Rio de Janeiro, 2004; “Tropeços em Paradoxos”, LGC Arte Hoje, Rio de Janeiro, Brasil, 2003; entre outras. E da Bienais 2015, XVIII Bienal de Cerveira, Vila Nova de Cerveira, Portugal; 2014, 4ª Bienal del Fin del Mundo, com curadoria de Massimo Scaringela, Mar del Plata, Argentina. Além de residências artísticas como 2014, artista residente da 4ª Bienal del Fin del Mundo, Espacio Unzué, Mar del Plata, Argentina; 2013, artista residente no Instituto Hilda Hilst, Campinas, Brasil; 2012, artista residente na Akademie der Bildenden Künste Wien, Viena, Áustria. E nas publicações 2013, foi publicado Olhos D’Água/Suzana Queiroga, de Luiz Guilherme Vergara, Rafael Raddi e Paulo Aureliano da Mata, pela Coletiva Projetos Culturais; 2008, foi publicado Velofluxo/Suzana Queiroga, de Fernando Cocchiaralle, pela Editora Metrópolis Produções Culturais; 2008, foi publicado Suzana Queiroga, de Paulo Sérgio Duarte, com entrevistas a Glória Ferreira, pela Editora Contracapa; 2005, foi publicado o livro Suzana Queiroga, de Viviane Matesco, pela Artviva Editora.
De 20 de junho a 09 de agosto.
A Galeria Lume em L.A.
27/abr
- Claudio Edinger
- Maxi Cohen
- Maxi Cohen
A Galeria Lume, em continuidade a sua intensa agenda de feiras internacionais, participa da Paris Photo L.A. 2015, na Paramount Pictures Studios, em Los Angeles, Estados Unidos. A proposta de seu stand é destacar o trabalho da artista norte-americana Maxi Cohen, expondo imagens da série “Ladies Room Around the World” e a videoinstalação “Specimens from the Amazon”. A galeria também exibe dois trabalhos da série “Downtown Los Angeles”, do fotógrafo brasileiro Claudio Edinger.
“Ladies Room Around the World”, de Maxi Cohen, é ambientada em banheiros femininos de diversas cidades do mundo, entre 1978 a 2011. Pessoas de diferentes línguas e estilos foram registradas, geralmente em frente ao espelho do banheiro, evidenciando momentos vulneráveis e de confissões íntimas à fotógrafa, as quais tratam desde o sexo ao adultério, do poder ao abuso, da moda à fama, e do horror ao deleite. “Specimens from the Amazon” é uma série multimídia de videoinstalações que retratam fragmentos de vida no coração da Amazônia. Cada peça é formada por um pequeno monitor de vídeo, ricamente emoldurado, e uma lupa pendurada por uma corrente dourada. A ideia é que cada espectador, ao se aproximar da minúscula tela, com uma lente de aumento em mãos, se sinta como um antropólogo, investigando e se tornando parte da Amazônia.
Em “Downtown Los Angeles”, Claudio Edinger apresenta não apenas um registro documental de determinadas áreas da cidade americana, mas também estabelece novos significados ao se utilizar de grafismos e desfoque – recurso recorrente em sua obra -, inserindo as personagens centrais de cada fotografia em histórias que não necessariamente representam a realidade.
Com sua segunda participação na Paris Photo L.A., a Galeria Lume se destaca e firma sua posição no cenário internacional, conquistando novos mercados para os artistas por ela representados e levando obras de arte de qualidade para admiradores e colecionadores do mundo todo.
De 01 a 03 de maio.
Sergio Rodrigues em Milão
27/mar
A LinBrasil levará a Milão, Itália, nos meses de abril e maio a mostra “Tributo a Sergio Rodrigues”, uma homenagem ao grande mestre do mobiliário moderno brasileiro. Serão 15 móveis projetados pelo arquiteto e designer carioca, entre eles os mais icônicos, tais como sua primeira criação, o banco “Mocho”, de 1954, releitura de um exemplar do design vernacular brasileiro; a “Poltrona Mole” (Sheriff), de 1961, sua peça mais conhecida internacionalmente; a “Cadeira Kilin”, de 1973, exemplo da simplicidade construtiva que o caracterizou; e a “Poltrona Diz”, de 2002, um projeto da sua plena maturidade, apenas em madeira, que permite um extremo conforto ao usuário.
A exposição vai inaugurar em 14 de abril na Università degli Studi di Milano, à Via Festa del Perdono, 7.
A participação na semana de design de Milão obedece à estratégia da LinBrasil, editora licenciada de móveis projetados por Sergio Rodrigues, de fazer um tributo ao trabalho do mestre. O objetivo é promover o reconhecimento internacional não só de seu legado tangível de projetos realizados ao longo de 60 anos de atividades contínuas no design de móveis e na arquitetura, mas também de seu legado intangível como fonte de inspiração para a nova geração do design contemporâneo brasileiro que se orgulha de suas raízes culturais e não tenta mimetizar a linguagem internacional.
Em vez de optar por um local próprio, Gisèle Pereira Schwartsburd, CEO da LinBrasil, desta vez decidiu se juntar ao evento Brazil S.A., que promove coletivamente empresas e criadores brasileiros e que este ano não se limitará ao período do Salão do Móvel.
Estabelecida em Curitiba, a LinBrasil se dedica exclusivamente à obra de Sergio Rodrigues (1927-2014), realizando parcerias com indústrias selecionadas para a produção. Muita atenção é dada à qualidade de fabricação, que segue os moldes e modelos originais e passou a incorporar o emprego de máquinas CNC de última geração aliado ao acabamento manual. Atenta à questão da utilização sustentável e apropriada da madeira, Gisèle optou pela utilização de tauari, madeira que tem o seu uso na indústria moveleira incentivado pelo Ibama, nas peças destinadas ao mercado brasileiro e sul-americano. Nos móveis destinados ao Hemisfério Norte, a escolha recaiu sobre a faia, pois, por ser de lá originária, essa espécie se comporta de forma mais estável frente às variações climáticas dos países do Norte. A empresa exporta para vários locais, especialmente Estados Unidos, Europa e Ásia.
A LinBrasil foi criada pela empreendedora Gisèle Pereira Schwartsburd, paulista radicada em Curitiba. Vinda de uma família de moveleiros e até então dedicada à dança, ela teve a ideia de criar a empresa em 1999, ao visitar uma exposição num shopping no Rio de Janeiro. “Há muito tempo eu não via ao vivo as poltronas de Sergio Rodrigues. Me reencantei com a sua brasilidade, a cultura brasileira inserida em um móvel de desenho moderno, a madeira maciça, os encaixes, as linhas curvas e sensuais. No entanto não havia nenhum lugar em que eu pudesse comprar suas criações. O mercado estava dominado naquele momento pelo design globalizado, e a genialidade do mestre estava inacessível”, relata Gisèle.
Peças que serão exibidas:
Banco Mocho, 1954; Cadeira Lucio, 1956; Poltrona Oscar, 1956; Poltrona Beto, 1958; Cadeira Cantu, 1958; Cadeira Cantú Alta, 1959; Poltrona Mole (Sheriff), 1961; Poltrona Moleca, 1963; Poltrona Beg, 1967; Poltrona Kilin, 1973; Poltrona Daav, 1983; Poltrona Katita, 1997; Banco Sonia, 1997; Banco de bar Nine, 2000 e Poltrona Diz, 2002.
De 14 de abril a 24 de maio.
Arquitetura latina no MoMA
- Marcel Gautherot
- Marcel Gautherot
Em 1955 o Museu de Arte Moderna de Nova Iorque (MoMA) promoveu a exposição “Latin American Architecture since 1945”, um levantamento sem precedentes da arquitetura moderna da América Latina. No 60° aniversário desse importante marco, o MoMA revisita a região para oferecer um complexo panorama das posições, debates e criatividade arquitetônica do México e Cuba ao Cone Sul entre 1955 e o início da década de 1980.
Esse período de auto-questionamento, exploração e complexas mudanças políticas também viu o surgimento da imagem da América Latina como uma paisagem em desenvolvimento em que todos os aspectos da vida cultural eram coloridos, de uma forma ou de outra, por essa nova atitude que emergiu como o “Terceiro Mundo”. Essa exposição de 1955 apresentava o resultado de uma única série fotográfica; agora, a “Latin America in Construction: Architecture 1955–1980” reúne uma grande variedade de materiais originais que nunca antes haviam sido compilados e, em sua maioria, são raramente expostos mesmo em seus países de origem.
A exposição conta com desenhos arquitetônicos, modelos, fotografias de época e registros audiovisuais, além de maquetes e fotografias recentes. Embora a exposição foque no período de 1955 a 1980 na maioria dos países da América Latina, ela é introduzida por um vasto prelúdio sobre as três décadas precedentes de desenvolvimento arquitetônico na região, apresentando a construção de diversas universidades importantes em cidades como Cidade do México e Caracas, além de expor o desenvolvimento de Brasília. Os arquitetos da época abordaram esses desafios com inovações formais, urbanísticas e programáticas, muitas das quais ainda relevantes para os desafios de nosso tempo; um tempo em que a América Latina continua mostrando respostas arquitetônicas e urbanísticas vibrantes e desafiadoras às questões de modernização e desenvolvimento, embora em contextos econômicos e políticos bastante diferentes daqueles considerados na grande retrospectiva apresentada na exposição.
A exposição vem acompanhada de duas grandes publicações: um catálogo e uma antologia de textos seminais traduzidos do português e do espanhol. Organizado por Barry Bergdoll, Curador, e Patricio del Real, assistente de curadoria, Department of Architecture and Design, The Museum of Modern Art; Jorge Francisco Liernur, Universidad Torcuato di Tella, Buenos Aires, Argentina; e Carlos Eduardo Comas, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, Brasil; com o apoio de um comitê consultivo da América Latina. Colaboradores no Brasil: Igor Fracalossi, Rafael Saldanha Duarte e Carlos Castro. O apôio principal é do The International Council of The Museum of Modern Art com financiamento adicional do The Reed Foundation e MoMA Annual Exhibition Fund.
De 29 de março a 12 de julho.
Vergara em Paris
19/mar
Em co-produção com MdM Gallery, Paris, França, em parceria com YIA Art Fair fora das paredes, o pintor Carlos Vergara exibe na igreja de Paris Saint-Gervais, 4º arrondissement, trabalhos inéditos da série mortalha já apresentada no Museu de Arte Contemporânea de Niterói e no Museu Nacional do Conjunto Cultural da República, Brasília. Conforme explica o artista, “…tudo começa em 1970, com uma vontade irresistível de olhar para fora da oficina e produzir um trabalho que seria o resultado do acaso e da colisão com o desconhecido.”
Desde então, percorrendo diversos lugares, Vergara vem realizando obras (site-specific) na Capadócia, Turquestão, Pompéia e em cidades do interior do Brasil. Não se limitando a visão documentária, o artista tenta capturar o invisível no visível de cada lugar. Juntamente com fotografias, vídeos e esculturas, produz monotipias – estampas exclusivas tecidos estampados – a partir de contato com os restos de terra (lençóis, redes, palha …).
O convite para expor na Capela de St. Lawrence, no lado esquerdo da nave em Saint-Gervais, imediatamente lembrou Vergara sua série de obras em 2008 na missão jesuíta de mesmo nome. Localizado na histórica região de Sete Povos, no Rio Grande do Sul. A missão de São Lourenço se desenvolveu a partir do final de 17 a início do século 18 um modelo singular de convivência entre os sacerdotes e indios com base na ausência da propriedade privada e da catequese transmitida através da música. Trabalhando na construção dos edifícios previstos pelos missionários, foram dadas carta branca aos nativos para reinterpretar a doutrina católica através dos ornamentos arquitetônicos.
“Eu achei interessante trazer essa atmosfera do sul do Brasil dentro da capela parisiense de St. Lawrence,” disse ao artista que retornou recentemente a São Lourenço para criar uma nova série original para Exposição da igreja de St. Gervais. Uma dessas novas obras é uma instalação que representa uma cruz missioneira, a cruz de origem espanhola retrabalhada com o fio de lã. Símbolo da experiência entre jesuítas e índios guaranis, a cruz missioneira de Vergara foi por outro caminho, de volta ao Velho Mundo.
Sudário, os antigos lenços nome usado por viajantes para enxugar o suor, é uma metáfora para o processo criativo de Carlos Vergara nos lugares por onde passou. O título da exposição ganha uma segunda direção neste espaço religioso.
Sobre o artista
Nascido em 1941, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, Carlos Vergara é uma das figuras mais importantes da arte brasileira desde sua participação na exposição “Opinião 65” dedicados à Nova Figuração brasileira e no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro em 1965. Seu trabalho com múltiplas facetas – pinturas, instalações, monotipias e fotografias – compreendem a figuração e a abstração. Suas obras fazem parte das maiores coleções brasileiras: MAM Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, MAC Museu de Arte Contemporânea, Niterói, Pinacoteca do Estado de São Paulo, Gilberto Chateaubriand Coleção e Fundação Calouste Gulbenkian.
Até 05 de abril.
Gonçalo Ivo na Espanha
11/mar
O pintor Gonçalo Ivo, radicado há 15 anos em Paris, realiza exposição individual na Galeria Materna y Herencia, Calle Ruiz de Alarcon 27, em Madrid, Espanha. Para esta ocasião, o artista selecionou 20 obras distribuídas entre pinturas em diversas dimensões e um conjunto de objetos pintados. Durante o evento, será lançado um livro de autoria de Martin Lopez-Vega sobre o trabalho recente de Gonçalo Ivo, com o selo da editora Papeles Mínimos, de Madrid.
A palavra de Martin Lopez-Vega
“…há uma geografia em sua pintura, fragmentos de musica, sons da selva e das ruas de Paris, marcas da pintura de Zurbaran e Ribera como também todas as cores do mar grego. A obra de Gonçalo Ivo, apesar de abstrata, contém um ritmo interno sutil e dela emana uma partitura pictórica que sugere lugares, lembranças, fatos ligados ao inconsciente.”
Sobre o artista
Foi aluno do pintor Aluísio Carvão no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro nos anos 70. Recentemente expos na prestigiosa Galerie Boulakia em Paris onde obteve grande repercussão na mídia, inclusive uma extensa matéria no jornal Libération. Baseado em Paris, Gonçalo Ivo desenvolve uma carreira com sólidos resultados na Europa.
Até 31 de março.
Bienal de Veneza
09/mar
- Sônia Gomes
Marcada para maio, a Bienal de Veneza acaba de anunciar a lista de artistas de sua mostra principal. Sônia Gomes, artista conhecida por sua obra delicada e a técnica do bordado, é a única brasileira no elenco da mostra organizada pelo nigeriano Okwui Enwezor.
Na lista de 136 artistas da mostra estão nomes polêmicos, como a performer cubana Tania Bruguera, mantida em prisão domiciliar em Havana desde a virada do ano pela tentativa de fazer uma performance na praça da Revolução, e o coletivo Gulf Labor, que denuncia abusos aos operários em obras como a filial do Guggenheim em Abu Dhabi.
Além de Sônia Gomes, outros quatro brasileiros estarão em Veneza: André Komatsu, Antonio Manuel e Berna Reale, no pavilhão brasileiro, e Tamar Guimarães, brasileira radicada em Copenhague, que terá uma obra no pavilhão belga.
Fonte: Silas Martí
Mobiliário brasileiro em NY
12/fev
- Lina Bo Bardi
- Roberto Burle Marx
Depois de Joaquim Tenreiro e Sérgio Rodrigues, a R & Company, galeria de Nova York especializada em mobiliário moderno brasileiro, vai destacar a produção de Lina Bo Bardi e Roberto Burle Marx numa exposição marcada para o final de março.
Não é nenhuma surpresa que reservaram a data para coincidir com a abertura da megamostra “Latin America in Construction”, também marcada para o fim de março, no MoMA, em Nova York. Ou seja, enquanto um dos maiores museus da cidade revê a produção arquitetônica de Bo Bardi e Burle Marx, será possível –para poucos– levar uma dessas peças para casa.
Em meio às comemorações do centenário de Bo Bardi, celebrado no fim do ano passado, a exaltação de seu mobiliário, tema de uma mostra na Casa de Vidro, em São Paulo, no ano passado, era a vertente que faltava entre os movimentos de mercado.
Burle Marx, alvo de uma retrospectiva com suas pinturas agora em cartaz na Pinacoteca do Estado, também merece a lembrança no exterior, em especial por sua atuação em projetos icônicos na fase heroica da implantação do modernismo no Brasil.
Fonte: Silas Marti (Folha de São Paulo).
Fábio Carvalho em Lisboa.
28/jan
O artista brasileiro Fábio Carvalho embarca para Lisboa, Portugal, para cumprir residência artística. O projeto consiste ao mesmo tempo de uma Residência Artística e uma Ocupação, pois os trabalhos decorrentes da residência serão expostos, no próprio estúdio, à medida que forem criados. Durante os 35 dias da residência, o artista receberá convidados em seu estúdio para acompanhar a produção, trocar ideias, debater sobre suas questões em arte, ou qualquer outro assunto que possa surgir.
Num primeiro momento, o artista pretende dar desdobramento a sua série de trabalhos mais recente, chamada “Delicado Desejo”. Nesta série, onde vemos armas de fogo compostas por um patchwork de rendas diversas, o artista faz uma reflexão da mistura de fascínio e repulsa que muitos têm pelas armas de fogo, em especial no continente americano.
A série “Delicado Desejo” é ainda uma crítica aos estereótipos de masculinidade, uma vez que as armas de fogo são também uma demonstração ostensiva da virilidade humana. Só que aqui as armas são feitas de rendas delicadas, florais, que originalmente são produzidas para serem usadas como apliques e ornamentação de roupas femininas.
Além de desenvolver os desdobramentos da série, Fábio Carvalho pretende registrar como os portugueses reagem a estas imagens, e buscar paralelos e oposições entre estas reações com as do público brasileiro. Para registrar o processo da residência e ocupação artística, e permitir a quem está fora de Lisboa acompanhar o desenvolvimento do projeto, e até mesmo participar através de mensagens e bate-papos online, será criado um álbum no Facebook e um blog, onde fotos e anotações do dia a dia serão publicadas regularmente.
A ocupação
O artista está preparando um novo projeto de intervenção urbana, chamado “Cowboys and Angels”, que será distribuído por postos estratégicos na área da antiga Freguesia dos Anjos, onde fica o estúdio que será ocupado pelo artista. Anjos é uma antiga freguesia portuguesa em Lisboa, instituída em 1564. A região de Anjos possui vários espaços culturais, muitos de caráter independente, com exposições, concertos, dança, poesia, etc. Cabe lembrar que em junho de 2014 Fábio Carvalho fez uma intervenção urbana na cidade, durante as tradicionais Festas dos Santos Populares de Lisboa, que correspondem às festas juninas brasileiras, acrescentando bandeirinhas de papel de seda com seus “Monarcas” – soldados em uniforme camuflado, com asas de borboleta saindo de suas costas – às decorações já existentes pelas ruas.
Além da Residência e Ocupação Artística, Fábio Carvalho ainda participa de fevereiro a abril da exposição coletiva “Prometheus Fecit”, em dois espaços na cidade de Óbidos: no Museu Municipal de Óbidos e na Galeria novaOgiva Arte Contemporânea. As duas obras que Fábio Carvalho apresentará (“Em Pele de Cordeiro” e “Gêmeos”) são resultado da residência artística realizada em junho de 2014 na Cerâmica PP&A São Bernardo, em Alcobaça. Portugal. A exposição, que já passou pelo Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto, Portugal, um dos mais importantes daquele país, agora será ampliada para se criar um diálogo com a obra da importante pintora portuguesa do século XVII Josefa d’Óbidos, especialista na pintura de flores e naturezas mortas, bem como de cenas religiosas cercadas por densas molduras florais, que se dedicou ainda à estampa, gravura, modelagem do barro, desenho de figurinos, padrões para tecidos, acessórios vários e a arranjos florais.
O projeto, que tem curadoria de Maria de Fátima Lambert (Portugal), conta com um total de 15 artistas brasileiros e portugueses, entre estes Albuquerque Mendes, Carolina Paz, Estela Sokol, Fábio Carvalho, Gabriela Machado, Isaque Pinheiro e Sofia Castro.























