Guillermo Kuitca + Eduardo Berliner

13/jun

Dando sequência à temporada dedicada à pintura na Casa Daros, exposição reúne cerca de cem obras dos dois artistas de gerações e nacionalidades diferentes: o argentino nascido em 1961, e o brasileiro nascido em 1978. Os trabalhos, além de criarem um diálogo entre si, confrontam a mostra “Fabian Marcaccio – Paintant Stories”, também na instituição. A curadoria é de Hans-Michael Herzog. A exposição reúne cerca de cem obras, entre pinturas e desenhos, dos dois artistas. Guillermo Kuitca, nascido em Buenos Aires em 1961, é um nome reconhecido no circuito internacional da arte, e no Brasil participou de várias edições da Bienal de São Paulo: a 24a, em 1998; a 20a, em 1989; e a 18a, em 1985; e ainda da I Bienal do Mercosul, em Porto Alegre, em 1997. Eduardo Berliner, nascido no Rio em 1978, já ocupa um lugar de destaque na cena artística, tendo participado da 30o Bienal de São Paulo, em 2012, e da Bienal de Curitiba, em 2011, entre outras importantes exposições, como a dos finalistas do Prêmio PIPA, também em 2011, e do Prêmio CNI-SESI Marcantonio Vilaça, no MAM Rio, em 2010.

 

Hans-Michael Herzog observa que o trabalho de Guillermo Kuitca e Eduardo Berliner “tem muito em comum”, mas que buscou fazer uma seleção de obras que não colocasse esta analogia de forma tão evidente. Ambos trabalham um universo onírico – “às vezes de pesadelos” –, com elementos infantis, do mundo assombroso das crianças. Ele destaca ainda que o trabalho de ambos contém certo aspecto mórbido, “mais sublimado em Kuitca”.

 

De Guillermo Kuitca estarão pinturas sobre madeira e desenhos, que mostram ao público a iconografia do artista, abrange cubismo e casas, e ainda sua pesquisa recente, em fase ainda experimental. As obras vêm de seu ateliê, em Buenos Aires, e da Coleção Daros Latinamerica, sediada em Zurique, Suíça. O curador ressalta que os dois artistas são pintores no sentido preciso da palavra, que sabem “exatamente a cor, a forma, o que significa uma tela branca a ser trabalhada”. As obras de Eduardo Berliner são pinturas a óleo sobre tela e desenhos sobre papel com vários materiais, como nanquim, aquarela e grafite. Hans-Michael Herzog chama a atenção para o “domínio total da técnica, tanto na pintura quanto na obra gráfica” do artista.

 

Guillermo Kuitca afirma que “a pausa diante da pintura é um modo temporal”. “Estar diante de uma pintura, por mais curto que for o tempo, é uma expressão do tempo”, diz. “Eu gosto de pensar a pintura como um meio muito, mas muito, resistente ao tempo; às mudanças importantíssimas que aconteceram nos últimos séculos, pois, de algum modo, pictoricamente, nós, os pintores, quase que continuamos a trabalhar com meio e modos que atravessam épocas completamente diferentes umas das outras”.

 

 

Programa Meridianos

 

No dia de abertura da exposição, os artistas Guillermo Kuica e Eduardo Berliner realizaram um encontro aberto com o público e com a participação do curador Hans-Michael Herzog. O evento aconteceu no auditório da instituição com entrada gratuita.

 

 

Até 29 de junho.

Ernesto Neto: Parquinho

A OS Oca Lage (que administra a Casa França-Brasil e a Escola de Artes Visuais do Parque Lage), Jardim Botânico, Rio de janeiro, RJ, lançou o projeto “Parquinho Lage”, que vai trazer ao Parque Lage instalações de artistas que também se comunicam com o universo infantil. Os trabalhos ficarão um largo período no local, acompanhando as quatro estações do ano.  A obra inaugural foi “Caminhando no Caminho”, de Ernesto Neto, criada em 2010, e inédita no Brasil. Consiste em um meio-fio de cimento que circunda as árvores, para as crianças caminharem por cima, de modo a ser um espaço orgânico onde o visitante entra na escultura, tornando-se parte ativa da obra.

Uma curadoria de Luisa Duarte

A inauguração da exposição “Matriz e Desconstrução”, na Anita Schwartz Galeria de Arte, Gávea, Rio de Janeiro, RJ, conta com a curadoria da crítica de arte Luisa Duarte. A mostra ocupará todo o espaço expositivo da galeria, com trabalhos dos artistas Adriano Costa, Ana Holck, Angelo Venosa, Carla Guagliardi, Daisy Xavier, Érika Verzutti, Gustavo Speridião, Iran do Espírito Santo, José Bento, Luiz Zerbini, Matheus Rocha Pitta, Nuno Ramos, Wagner Morales e Waltercio Caldas.

 

A curadoria da mostra tece diálogos entre obras cuja matriz construtiva é nítida, ou seja, trabalhos cuja visualidade é seca e depurada, de natureza geométrica, e outros nos quais uma narrativa vem à tona, sinalizando uma conversa entre pólos que não são opostos, mas diversos e que fazem parte de uma mesma história da arte brasileira dos últimos cinqüenta anos. Com artistas de diferentes gerações e  obras que variam desde uma de Waltercio Caldas de 1967, espécie de desenho escultórico na parede que já sinaliza procedimentos fundamentais que virão reger o processo dos artistas, até outras datadas de 2013 e 2014. Sem ter como ponto de partida um conceito completamente fechado, a curadora foi alinhavando a ideia da mostra a partir de visitas aos ateliês dos artistas, no contato com os trabalhos e nos diálogos que manteve com os mesmos.

 

 

De 16 de maio a 05 de julho.

O futebol de Eduardo Coimbra

09/jun

O Paço Imperial, Centro, Rio de Janeiro, RJ, inaugura a exposição “Futebol no Campo Ampliado”, individual de Eduardo Coimbra. Às vésperas do início da Copa do Mundo no Brasil, a mostra, reúne oito maquetes de estádios de futebol fictícios, onde se realizam jogos inventados pelo artista. A Copa, diz Coimbra, foi determinante para a realização desta exposição agora, mas não para a criação de suas obras. A primeira desta série é de 2001, outras três são de 2010 e os outros quatro estádios presentes na mostra foram realizados este ano.

 

Nos estádios imaginários, o que se vê são competições que ressaltam propriedades intrínsecas ao futebol tradicional: o drible, o equilíbrio, o toque de bola, a precisão dos chutes etc. Coimbra pensa as novas propostas como desvios do futebol original, com desenhos diferentes de linhas demarcatórias do campo e novas regras para o jogo. As regras mudam, mas o objetivo continua sendo o mesmo: marcar um gol no adversário. Cada estádio foi projetado levando em conta as características formais e dinâmicas das pelejas. A arquitetura assume o papel principal dos jogos, uma vez que sua forma transfere para a audiência as situações espaciais vividas pelos jogadores no campo. Em “Futebol no Campo Ampliado”, as maquetes estão instaladas verticalmente nas paredes para a visão frontal do espectador, tornando explícitos o desenho do campo, as arquibancadas e o volume do objeto. Junto  cada maquete, um texto explica as regras do jogo, evidenciando a relação das arquiteturas com os jogos propostos.

 

O artista convidou também oito pessoas de áreas profissionais variadas, que têm em comum a paixão pelo futebol, para escreverem comentários sobre cada um dos estádios e jogos: Aldir Blanc, Adolfo Montejo Navas, Cássio Loredano, Hilário Franco Jr, Luis Fernando Veríssimo, Luiz Antonio Simas, Paulo Bruscky e o jornalista Sérgio Cabral.

– Achei que seria curioso ouvir o que diversas pessoas, para as quais o futebol desperta profundo interesse, pensariam dessas situações. Seriam pareceres sobre o futebol, não sobre arte. Incluir os textos na exposição constrói mais uma camada de leitura para aquelas proposições espaciais, diz Eduardo Coimbra.

 

 

 

Eduardo Coimbra aponta que, diferente dos estádios comuns, onde o lugar da torcida é a arquibancada ao redor do campo, assistindo à partida “do lado de fora”, nas maquetes apresentadas no Paço Imperial, não há neutralidade da audiência. Em Estádio III (2010), por exemplo, há dois tipos de arquibancada: um mais próximo do tradicional, acompanhando o contorno do campo (que, nesse caso, não tem o formato convencional de retângulo), e outro, localizado em dois pontos no meio do campo, permitindo ao espectador um ponto de vista “de dentro” da partida e, ao mesmo tempo, obrigando que o jogo incopore a presença desse elemento arquitetônico no meio da área.

 

Como em outros trabalhos do artista, essas maquetes não são etapas de projetos a serem realizados na escala real. São ideias espaciais que finalizam em si mesmas a proposta de pensar de uma maneira extrema a relação entre um objeto arquitetônico e sua função. Nelas a relação “palco x plateia” é atravessada por uma noção de espaço onde o movimento de jogo e a solidez da arquitetura são protagonistas de uma narrativa sem hierarquia, num cenário sem figura e sem fundo. Completam a exposição textos inéditos do professor e crítico de arte Agnaldo Farias e da crítica de arte Daniela Name.

 

 

Sobre o artista

 

Eduardo Coimbra nasceu no Rio de Janeiro em 1955, cidade onde vive e trabalha. Iniciou sua carreira no começo dos anos 1990. O foco da ação do artista tem se deslocado gradualmente para trabalhos em grande escala, culminando com a realização de instalações públicas, como  a realizada na Praça XV, no Rio, em 2008, e na Praça Charles Muller, em São Paulo, em 2012; e a do Espaço de Instalações Permanentes do Museu do Açude, no Rio, em 2008. Em paralelo a essa produção em grande escala, Coimbra mantém práticas artísticas mais intimista, como a da grande série de maquetes realizadas a partir de 1999 ou as fotografias/colagens em que ilhas aparecem flutuando no céu, num cenário quase onírico (série Asteroides). Seus desenhos, pinturas, maquetes e objetos têm referência recorrente na paisagem, nas questões de percepção espacial e nos desdobramentos que essa reflexão pressupõe.

 

Coimbra participou da 29ª Bienal de São Paulo (2010) e da 3ª Bienal do Mercosul, em Porto Alegre (2001). Exposições coletivas recentes incluem: Coleção Itaú de fotografia brasileira no Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, 2013; Palácio das Artes, Belo Horizonte, 2013; Bola na rede, Funarte, Brasília, 2013; Espelho refletido, Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica, Rio de Janeiro, 2012; Höhenrausch 2, Offenes Kulturhaus Oberösterreich, Linz, Áustria, 2011; Lugar algum, SESC Pinheiros, São Paulo, 2010; e After utopia, Centro per l’Arte Contemporanea Luigi Pecci, Prato, Itália, 2009.

 

 

Até 10 de agosto.

 

Bate papo na Athena Contemporânea

Amanhã, dia 10, ás 20h, Alexandre Mury, artista conhecido pelos seus irreverentes autorretratos,  que atualmente apresenta 12 trabalhos inéditos em sua primeira exibição individual na Galeria Athena Contemporânea, Shopping Cassino Atlântico, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ, recebe para bate papo com Elisa Byington, curadora da exposição. Nessa mostra – “Eu sou Pintura” – realziada a partir de releituras de ícones da pintura, escultura, cinema, literatura e outras referências da cultura universal, usando a fotografia como suporte, Alexandre Mury encanta com seus personagens de caráter performáticos, dirigindo e produzindo todo o processo. “A proposta é um deslocamento de significados no tempo e no espaço, inspirado nas variadas possibilidades de perceber as cores, de uma forma divertida e intrigante”, avalia o artista, que costuma dizer que se multiplica em vários “eus” em seus trabalhos.

 

A maior característica desta série é o foco na cor. “Por serem quase monocromáticos o efeito é praticamente uma camuflagem, onde não só aspectos plásticos são mimetizados mas toda uma provocação com ambiguidades de paradoxos que exigem um olhar atento para cada obra”, avalia Mury. Entre os destaques desta mostra estão os trabalhos inspirados nas obras Arranjo em cinza e preto, no. 1 (James Whistler), A escala em amarelo (Frantisek Kupka), O bebedor de absinto (fase azul de Pablo Picasso) e Pallas Athena (fase dourada de Gustav Klimt).

MUV, novo espaço

04/jun

A MUV Gallery, galeria virtual dedicada à arte contemporânea, projeto de Camila Tomé e Stéphanie Afonso, abre mais uma frente, além do virtual. O projeto, que já completou um ano, funcionou muito bem e a tal ponto que clientes, parceiros e artistas não se contentaram com o movimento inovador na internet e com o showroom no espaço da casa no Joá. Por conta disso as galeristas buscaram um espaço onde possam realizar exposições individuais e ampliar o conceito MUV Gallery, que tem como objetivo aproximar o público da arte contemporânea e apresentar novos artistas. Na inauguração, será realizada a exposição individual de Piti Tomé, que apresenta seis obras inéditas, titulada de modo bastante original: “entre uma e outra coisa todos os dias são meus”.

 

O novo espaço situa-se em Ipanema, Rio de Janeiro, RJ, no burburinho artsy, na galeria ao lado da Livraria da Travessa. A grande novidade será o monitor touch screen, onde o visitante poderá ver os trabalhos dos artistas, preços das obras, e currículo/Biografia dos artistas, ou seja, se aproximar da arte sem se intimidar com perguntas. “Sabemos que faz parte perguntar na galeria detalhes sobre as obras, e isso vai continuar acontecendo, mas tivemos essa ideia do monitor para que o astral seja o mais informal possível”, conta Stephanie Afonso. Até o fim do ano, a galeria que representa hoje 13 artistas, entre eles Bob N, Felipe Fernandes, Cláudia Porto e Eloá Carvalho, pretende abrir mais duas exposições individuais, um dos motivos que fez com que a galeria nascesse e agora será possível trabalhar os artistas por inteiro, com uma quantidade maior de obras e realizar um trabalho mais aprofundado em cada exposição. A mostra tem curadoria de Marcelo Campos.

 

 

Sobre a artista

 

Piti Tomé é artista visual e trabalha com fotografia, vídeo e instalação. Seu interesse pela fotografia começou os 16 anos quando ganhou sua primeira câmera. É formada em cinema, pós-graduada em direção de fotografia pelo CECC e pela ESCAC, respectivamente, ambas em Barcelona, e começou seu percurso pela arte contemporânea participando de diversos cursos livres na EAV – Parque Lage, com professores como Fernando Cochiarale, Guilherme Bueno e Denise Cathilina.  Participou de duas exposições coletivas na Muv Gallery, uma com curadoria de Daniela Labra, e fez residência artística em Berlim, quando foi selecionada para o 4o prêmio Belvedere de arte contemporânea e para o Salão de Artes de Fortaleza, em Abril de 2014. Sua pesquisa gira em torno de questões sobre a memória, a infância e o tempo. Seus trabalhos são uma constante tentativa de costurar o passado e uma luta contra o esquecimento. Na mostra que apresentará seis obras inéditas, Piti fala da infância, do desaparecimento e luta contra o esquecimento da memória. A artista trabalhou em cima de fotos que vem de diversos lugares e feiras de antiguidades, dando para este material um novo significado. São impressões sobre as folhas, com folhas desmembradas de livros médicos, dicionários estrangeiros, fazendo um jogo de palavras com as imagens, introduzindo objetos tridimensionais, sempre lembrando ausência e a memória, ou falta dela nas pessoas. “Esta série narra pequenas biografias a partir de questões em torno da formação de identidade. São narrativas sobre uma infância perdida, sobre o abandono, a solidão, o esquecimento e, em última instância, a morte. Me aproprio de imagens e objetos para construir a história desses personagens, reiterando ou dando novo sentido a esses materiais. Através dessas vidas inventadas, construo um universo contra o esquecimento e tento dar conta do meu próprio passado”, finaliza Piti Tomé.

 

 

Sobre o nome da galeria

 

O nome – MUV Gallery – é inspirado na sigla de Movimento Uniformemente Variado da física. MUV é todo movimento com aceleração constante. Nossa galeria nasce desse conceito e já surge em movimento, sempre acompanhando as possibilidades que a internet proporciona e as novas mudanças que a vida contemporânea apresenta.

 

 

De 05 de junho a 08 de agosto

Mauro Restiffe no Instituto Moreira Salles/Rio

O Instituto Moreira Salles, Gávea, Rio de Janeiro, RJ, inicia junho seu programa anual de exposições de fotografia contemporânea brasileira. Durante três meses de cada ano, o centro cultural do Rio de Janeiro abrigará uma exposição inédita desenvolvida em parceria com um artista ou fotógrafo, seja através de um trabalho comissionado ou de apoio a um trabalho em andamento.

 

A primeira exposição do novo programa é “São Paulo, fora de alcance”, do fotógrafo paulista Mauro Restiffe. A pedido da revista ZUM, Restiffe já havia fotografado o bairro da Luz em 2012. Para esta exposição, o fotógrafo foi convidado a estender seu trabalho sobre a cidade de São Paulo, realizando caminhadas por outros bairros, centrais e periféricos, como Brás, República, Pinheiros, Vila Congonhas e Itaquera. Esses deslocamentos aconteceram quase diariamente por três meses e deram origem a centenas de fotografias, feitas com a câmera Leica e o filme preto e branco de alta sensibilidade que fazem parte da poética do artista. Mauro Restiffe é conhecido pelas séries fotográficas que desenvolve em torno de questões urbanas de relevância histórica, política e arquitetônica. As 18 obras escolhidas para a exposição apresentam a cidade, o espaço urbano e seus habitantes. Muito longe de cartões-postais, as fotografias atualizam o repertório visual de São Paulo ao olhar para espaços públicos e construções importantes como o Itaquerão, a praça do Relógio, o Templo de Salomão, a praça Roosevelt, o vão livre do Masp e o Museu do Ipiranga. Ampliadas em formatos que variam de 60 centímetros a mais de dois metros de largura, as imagens ganham escala monumental.

 

Os usos variados que os habitantes fazem da cidade e os diversos estágios de construção e conservação do patrimônio arquitetônico se combinam para narrar visualmente a experiência fragmentada que caracteriza a vida urbana. Nas imagens da exposição, os deslocamentos diários ao trabalho ou os passeios de fim de semana se misturam a fatos extraordinários, como o incêndio no Memorial da América Latina, ocorrido em novembro do ano passado, ou um dos vários protestos realizados este ano. Ao usar o preto e branco para fotografar acontecimentos recentes, o fotógrafo dá às obras uma ambiguidade temporal. O preto e branco e a alta granulação produzem uma unidade entre as pessoas e o variado tecido urbano, ao mesmo tempo em que serve de metáfora para a organização caótica e precária das cidades.

 

As obras de Mauro Restiffe serão afixadas em painéis espalhados pelo espaço expositivo, ao invés de estarem penduradas nas paredes, como numa exposição fotográfica tradicional. A montagem, que faz alusão ao percurso das cidades, obriga o visitante a confrontar-se com as obras e contorná-las, construindo planos, perspectivas e bloqueios conforme se caminha pela galeria. O título da exposição também sugere a impossibilidade de representar uma cidade grande e complexa como São Paulo. A exposição tem curadoria de Thyago Nogueira, coordenador de fotografia contemporânea do IMS. O projeto expográfico é de Martin Corullon, do escritório Metro Associados, e a identidade visual de Daniel Trench. A exposição será acompanhada de um livro com cerca de 50 imagens do projeto.

 

O novo projeto de exposições em fotografia contemporânea vem se somar às atividades que o IMS vem desenvolvendo nesta seara nos últimos anos e que incluem a publicação da revista de fotografia ZUM e o oferecimento da Bolsa de Fotografia ZUM/IMS.

 

 

 

Sobre o artista

 

Mauro Restiffe nasceu em São José do Rio Pardo, em 1970. Formou-se em cinema pela Faap e estudou fotografia no International Center of Photography e na New York University. Suas obras foram expostas, entre outros lugares, no MAC-SP (2011) e na 27ª Bienal de São Paulo. Seu trabalho faz parte de coleções importantes, como as da Tate Modern, do MoMA de São Francisco, de Inhotim e da Pinacoteca do Estado de São Paulo. Foi indicado ao prêmio BES-Photo de 2011 e, em 2013, foi premiado pela Fundação Conrado Wessel. Expôs no Rio de Janeiro em 2006, na galeria Laura Marsiaj. Esta é sua primeira individual institucional na cidade.

 

 

De 07 de junho a 28 de setembro.

Felipe Barbosa na Sergio Gonçalves Galeria

Felipe Barbosa inaugura exposição individual na Sergio Gonçalves Galeria, Centro, Rio de Janeiro, RJ. A mostra, denominada “Quadrado Mágico”, cria um diálogo entre jogos matemáticos e a arte, subvertendo o sentido dos objetos ao ressignificá-los entre formas e signos geométricos, que inspiraram o artista nas 16 obras selecionadas. A curadoria é de Sergio Gonçalves.

 

Para Felipe Barbosa os quadrados mágicos possuem uma espécie de conexões ocultas com os números, nos quais busca fazer uma relação com os objetos escolhidos para trabalhar, cujo resultado surge através de diversas sobreposições que ganham formas geométricas. Assim como a série de painéis hexagonais com fichas e flâmulas dos anos 60, entre outros materiais, todos ganham status de arte nas obras do artista. “…acredito que os números e suas simetrias, entre as quais os quadrados mágicos, representam os estágios da criação, logo, procuro brincar com o abstrato e criar um novo mundo de possibilidades com a minha arte”, define o artista.

 

Para o inglês Keith Cricthlow, co-fundador da Academia de Temenos, “os quadrados mágicos são instâncias da harmonia dos números e servem como intérpretes da ordem cósmica que domina toda a existência. Eles aparecem para evidenciar algumas inteligências secretas, as quais, por um plano preconcebido, produzem a impressão de um desenho intencional”.

 

O quadrado mágico também já foi referência no futebol brasileiro e até mesmo o futebol se transforma em arte nas mãos do artista. Conhecido pela forma como desconstruía e depois recontextualizava bolas de futebol, agora Felipe Barbosa une camisas de times distintos, grandes rivais em campo, mas juntos através da arte. A obra “Camisa Brasileira” é a primeira dessa nova série do artista, que já desperta a cobiça dos colecionadores.

 

Outra novidade nesta exposição são os volantes de Badminton, espécie de peteca usada neste esporte pouco praticado no Brasil, mas muito popular entre os ingleses, em que Felipe os aglomera como já havia feito com lápis, canetas, palitos de fósforos e guarda-sóis. Nessa obra, Felipe Barbosa cria novas formas de expressão em que a série de unidades, tomadas como banais, feitas, refeitas e colocadas de forma a darem forma a outros objetos, – totalmente disfuncionais -, resultam em nova apropriação entre o fazer industrial e o readymade.

 

A mostra “Quadrado Mágico”,  é a primeira individual do artista na Sergio Gonçalves Galeria, que o representa desde dezembro de 2013. Com exposições recentes na Way Cultural, no Rio de Janeiro, no Museu de Arte do Rio (MAR), na Galeria Murillo Castro em Belo Horizonte e em Nova Iorque, agora Felipe Barbosa apresenta seus mais recentes trabalhos ao público carioca.

 

 

Sobre o artista

 

Felipe Barbosa nasceu em 1978, no Rio de Janeiro, e graduou-se em Pintura pela UFRJ, e é mestre em Linguagens Visuais pela mesma instituição. Em seus trabalhos, conjuga elementos do cotidiano e faz referências à História da Arte, alterando os significados dos objetos que elege transformar, criando em seu expectador uma sensação simultânea de proximidade e desconforto. O artista expõe regularmente desde 2000, em diversos países ao redor mundo, entre eles México, Estados Unidos, Espanha, Portugal, Croácia, Lituânia, França, Canadá, Holanda, Inglaterra, Argentina e Japão. Dentre suas mostras recentes, destacam-se Campo de las Naciones, na Galería Blanca Soto, em Madrid, na Espanha; The Record : Contemporary Art and Vinyl, no Miami Art Museum, nos Estados Unidos; Futbol Arte y Passion, no MARCO – Museo de Arte Contemporaneo de Monterey, no México; e Consuming Cultures – A Global View, 21C Hotel-Museum, em Kentucky, também nos Estados Unidos. A partir de dezembro de 2013, passou a ser representado pela Sergio Gonçalves Galeria.

 

 

De 07 de junho a 27 de julho.

Gonçalo Ivo expõe na Laura Marsiaj

30/maio

O pintor Gonçalo Ivo  tornou-se conhecido quando de sua participação, em 1984, da grande exposição organizada por Marcus Lontra no Parque Lage, “Onde está você geração 80?”. Agora, o artista apresenta sua nova produção na Galeria Laura Marsiaj, Ipanema, Rio de Janeiro, RJ. Esta exposição revelou importantes nomes que se tornaram figuras pontuais na pintura contemporânea brasileira como Luiz Zerbini e Beatriz Milhazes, entre outros. Oriundo dessa geração, Gonçalo Ivo aprofundou e ampliou sua pesquisa no campo da pintura, interrogando continuamente a experimentação no ato de pintar em um fazer rudimentar  incrementado pela tecnologia, buscando refletir sobre as relações que abarcam imagens, suportes, técnicas, estilos, materiais, gestos, formas, cores, figuras, etc., em síntese: uma extensa gama de possibilidades.

 

Residindo em Paris há 14 anos, Gonçalo Ivo nunca deixou de expor no Brasil mesmo cumprindo uma intensa agenda internacional. O artista exibirá no espaço da galeria quatro telas de grande formato e no ANEXO, cinco aquarelas. Trabalhos inéditos com a apresentação de Raphael Fonseca e Vera Pedrosa.

 

 

Um texto por dia – Texto de Rafael Pedrosa

 

Lembro de que durante a graduação um professor disse uma frase que nunca esqueci. Após a leitura de uma entrevista dada por Arthur Danto, iniciamos um debate sobre a importância da prática da escrita no campo da história da arte. Ao final da aula, como uma espécie de resumo das discussões, esse professor virou para a turma e disse: “É essencial que todo dia se escreva um texto. Não necessariamente um texto crítico ou fruto de uma pesquisa que diga respeito à arte, mas ao menos um e-mail pessoal com mais de três linhas deve ser feito por dia”.

 

Esse elogio ao fazer permanece na minha memória e muitas vezes foi debatido junto a amigos também escritores e/ou artistas. Algumas pessoas apontam para uma interpretação de certo estímulo a um trabalho incessante, isto é, onde está o espaço para o repouso nessa concepção do mundo? Para além de meu tendencioso caráter workaholic, ao lembrar o modo como essas duas frases foram proferidas, prefiro pensa-las a partir da necessidade de se ter um compromisso com o nosso ofício; dizendo de outro modo, creio que meu professor queria nos orientar quanto à necessidade de estarmos plenos em nossos compromissos, alinhados eticamente e existencialmente ao nosso fazer. Se havíamos escolhido (de modo objetivo ou não) a formação em história da arte, nessa área deveríamos estar com o corpo imerso – daí a importância de exercitarmos sempre a matéria expressiva que tradicionalmente compunha o nosso fazer, ou seja, a escrita.

 

Trabalho com arte contemporânea de modo enfocado há cerca de quatro anos e sou, assim como muitos colegas de profissão, rotulado pelo termo “jovem crítico” e/ou “jovem curador”. Não reclamo desta carga ainda leve que carrego, mas recentemente me dói um pouco viver em uma era em que se normalizam os excessos – das imagens, das mensagens, das ideias, das oportunidades e dos portfolios. Talvez nunca antes tivéssemos tantos jovens artistas efervescentes, mas, ao mesmo tempo, uma tecnologia digital que parece iludir que ser artista é realizar imagens e divulga-las aos quatro ventos pelo Facebook.

 

Qual não foi, portanto, minha surpresa e felicidade a aceitar um novo convite e refletir um pouco sobre a produção recente e a trajetória de Gonçalo Ivo. Se fui orientado para escrever diariamente, tenho a impressão que esse artista também o foi, porém no que diz respeito à sua capacidade de ser um produtor de imagens. Sendo sua primeira participação em exposição coletiva em 1978, podemos afirmar que seu percurso institucional já abarca mais de 35 anos. De lá para cá, foram diversas as participações em exposições desse momento histórico-artístico depois chamado por “geração 80”, além de projetos individuais que circularam as principais capitais do Brasil, além de museus e instituições pela Europa.

 

Se hoje advenho de uma geração de artistas em que as ideias se proliferam muito rapidamente e muitas vezes são movidas pelas fatídicas “curtidas” das redes sociais, Gonçalo me parece exemplar no que diz respeito à sua disciplina do fazer. Sim, estamos a falar de um profissional que poderia ser chamado pelo termo “pintor” – por mais que, claro, sua produção abarque também áreas afins como a gravura, o desenho e mesmo a escultura. De todo modo, mesmo que sua carreira ande junto ao fardo de se assumir enquanto pintor, não lidamos aqui com uma pessoa que nega ou rechaça técnicas que geralmente são interpretadas de modo imediato como sinônimo de certa ideia estilística de arte contemporânea; basta, por exemplo, ler suas reflexões recentes sobre a exposição do videoartista Bill Viola, no Grand Palais, em Paris.

 

Seu compromisso quanto ao fazer está para além da pintura – tem como alvo o campo fenomenológico das artes visuais. Mais do que um aficionado pela técnica, Gonçalo é comprometido com a potência da imagem e é a partir dela que se ergue uma pesquisa formal e poética que nunca estará terminada devido ao seu interesse, justamente, pelo processo diário. Mas de quais modos isso se faz perceptível nas suas obras? Por quais perspectivas podemos abordar a sua produção?

 

Poderíamos nos referir às suas pinturas fazendo um acréscimo de uma pequena palavra após o nome da técnica; “pintura abstrata”, alguns poderiam dizer. Porém, quando recorremos aos títulos dados pelo artista a algumas de suas produções recentes, como, por exemplo, “Aurora” (2014) e “Estrela do Norte” (2012), essa certeza é colocada em dúvida. Longe do lugar da representação figurativa de imagens que poderiam ser qualificadas como paisagem, a produção recente do artista diz respeito a uma resposta no campo da imagem para algo que o chama a atenção através do seu embate entre corpo e experiência ótica.

 

Ao olharmos de perto alguns de seus cadernos, é interessante perceber como que, mesmo que sua pintura recente lide com grandes campos de cor que dominam o espaço da tela e a fragmentam espacialmente, não estamos a contemplar imagens que são construídas de um modo espontâneo ou que se dão diretamente através de um contato imediato entre homem e tela em branco. É nesses cadernos de viagens que se percebe a importância que Gonçalo atribui para o estudo de suas composições futuras. Trata-se de pequenas arenas em que o artista se pergunta sobre as melhores articulações entre formas geométricas e opções cromáticas de modo que a tela posterior seja uma possibilidade de diálogo com algum elemento apreendido anteriormente e recodificado para uma linguagem que poderíamos chamar de abstrata. A abstração, porém, está apenas na incapacidade do espectador reconhecer elementos realistas. Melhor do que esse termo muito usado na história da arte, talvez fosse mais interessante ler as criações do artista pela perspectiva afetiva da memória capaz de possibilitar que uma igreja como a de Santa Maria de Taüll e suas nuances de cor sejam transfiguradas em listras que configuram de outro modo a potência das imagens religiosas.

 

Ao voltarmos o nosso olhar para “Aurora”, sua pesquisa formal se desvela. Busca-se trabalhar com tons ligeiramente diferentes de azul em contraponto a uma série de pequenas listras dotadas de cores diferentes. Joga-se, assim, com a ideia da justaposição entre as cores. Enquanto isso, qualquer certeza em torno de uma abordagem que lidasse com a ideia de simetria precisa ser revista já que ainda que as grandes áreas de cor se assemelhem a retângulos, quadrados e listras, elas apresentam, ao mesmo tempo, pequenos deslocamentos e transições planares que impossibilitam, novamente, um olhar mais catalográfico da análise da imagem. Não apenas no que diz respeito ao desenho dessas formas, mas a fatura e textura que cada polígono apresenta denota uma pesquisa da pintura que a coloca em princípios de uma busca também pelos diferentes efeitos tridimensionais proporcionados por suas pinceladas. Réguas, portanto, não são o bastante para se escrever sobre as telas de Gonçalo Ivo.

 

Essas características formais também se fazem presentes, mas de modo mais contaminado, na outra técnica que acompanha o artista desde o começo de sua carreira, ou seja, a aquarela. Em pequenos formatos, Gonçalo também propõe encontros geométricos, mas não necessariamente rígidos entre cores. Devido à espessura diversa que a técnica, por exemplo, do óleo sobre a tela possui, ao se praticar a aquarela sobre o papel, as cores se encontram e criam novas manchas em suas fronteiras fictícias. Os títulos aqui se fazem presentes dentro dos limites do papel e convidam o público, novamente, a pensar as relações entre imagem e texto em sua produção pictórica. “Acorde noturno – a luz do Parque do Retiro” remete, por exemplo, às recentes experiências do artista na Espanha, onde se encontra sempre atento tanto às tradições pictóricas locais, quanto às diversas luzes e paisagens proporcionadas pelo seu deslocamento por Madri. Talvez seja possível aproximar esses pequenos formatos de imagens dos cartões postais. Por mais que não vejamos uma paisagem explícita, são frutos de uma experiência da paisagem que não deve ser lembrada tal qual uma fotografia e sua mimese, mas sim ecoada através de sensações cromáticas.

 

Uma dessas aquarelas é intitulada “O véu da aurora – caminhando com Maria Leontina”. Ao fazer referência a essa pintora, penso também como poderíamos elencar diversos outros importantes nomes da arte moderna no Brasil e coloca-los em diálogo com Gonçalo Ivo: Alfredo Volpi, Iberê Camargo e José Pancetti. Parece-me interessante pensar, ao lado desses vínculos já estabelecidos por outros escritores, a possibilidade de ver sua produção caminhando com outras tradições de imagens.

 

Creio que faz sentido relacionar as suas cores à produção escultórica de Veio, um artista que Gonçalo possui em sua coleção. Nascido em Sergipe e com uma produção que articula as formas de madeiras, troncos e a cor, muito além do fardo de ser sempre lido pelo viés da “arte popular”, o modo como conjuga as cores e as texturas das madeiras que escolhe proporciona um diálogo muito interessante não apenas com a pintura de Gonçalo, mas também com os objetos tridimensionais em que ele explora as possibilidades da têmpera sobre madeira. Esses cruzamentos não precisam se manter geograficamente no Brasil, mas o quão potente não seria também caminhar junto com os objetos africanos também de sua coleção? Trazer a obra de Gonçalo Ivo para uma perspectiva mais global e menos eurocêntrica, mais da cultura visual e menos da história da arte, se trata de uma tarefa curatorial ainda por ser feita e capaz de proporcionar o encontro entre estandartes tribais da África, máscaras e sua larga experiência com a cor em diversas mídias e formatos.

 

Conhecer um pouco de seu fazer e de seu espaço de trabalho em uma tarde me fez relembrar daquelas palavras de meu professor. É preciso se manter imerso no nosso comprometimento para com isso que chamamos por arte. É preciso não ceder à fugacidade do veloz sistema da arte contemporânea que nos avassala em 2014. Tal qual a disciplina e insistência da pintura de Gonçalo Ivo, é necessário estar atento ao que nos rodeia e não necessariamente transformar todas as vivências em escrita, mas seguir a experimentar o mundo através da estesia para que sigamos a pensar uma pluralidade de narrativas para nossas existências e diferenças.

Se Gonçalo caminha com Maria Leontina, gostar-me-ia de caminhar um pouco com as suas formas rumo ao mundo desconhecido, mas fiel à minha meta textual diária.

 

 

 

De 03 de junho a 17 de julho.

Richard Serra no Instituto Moreira Salles/Rio

29/maio

O Instituto Moreira Salles, Gávea, Rio de Janeiro, RJ, apresenta a exposição “Richard Serra: desenhos na casa da Gávea”, composta por 96 obras selecionadas pelo próprio artista. A mostra foi especialmente concebida para o centro cultural do IMS no Rio de Janeiro, a antiga residência do embaixador Walther Moreira Salles (1912-2001), patrono e criador da instituição. Para instalar seus desenhos no local, o artista solicitou a remoção de algumas paredes falsas, construídas sobre as paredes de vidro do projeto original para que o espaço abrigasse exposições. Os desenhos foram escolhidos a partir da escala da casa, “um espaço doméstico”, segundo Serra. Os trabalhos estarão em diálogo direto com o projeto modernista criado pelo arquiteto Olavo Redig de Campos, em 1948. A construção é caracterizada pela transparência, que permite a interação dos interiores com os jardins de autoria de Roberto Burle Marx.

 

Embora Richard Serra seja mais conhecido por suas obras site-specific e por esculturas de grande escala feitas com placas de aço retorcido, o desenho tem sido igualmente importante para ele. No Brasil, o artista apresentará a série de importância histórica “Drawings after Circuit”, 1972, feita a partir da famosa escultura “Circuit”, formada por quatro placas apoiadas e saindo dos cantos de uma sala da Documenta de Kassel, em 1972. Serra explica que os desenhos “registram o que eu vi enquanto me movimentei 360 graus pela sala…Os desenhos são um diagrama da abertura e do fechamento das placas enquanto se caminha entre elas.” Além de “Drawings after Circuit”, a maioria dos cadernos de anotações expostos na antiga biblioteca da casa mostrará esboços feitos durante ou logo depois da instalação de esculturas. O artista nunca faz desenhos preparatórios para uma escultura e considera o ato de desenhar uma atividade totalmente independente do seu trabalho tridimensional.

 

Serão apresentados também desenhos feitos com diferentes materiais e técnicas, incluindo a recente série “Courtauld Transparencies”, apresentada pela primeira vez em 2013 na Courtauld Gallery, em Londres. Serra descreve o processo: “Ocorreu-me que, se eu cobrisse duas folhas de Mylar com crayon derretido e ensanduichasse uma folha limpa no meio, eu poderia capturar minhas marcas dos dois lados da folha limpa”.

 

Para Richard Serra, o desenho sempre foi, antes de tudo, um meio de experimentação privilegiado: “Tenho trabalhado com diversos materiais e em diversas superfícies, mas um princípio básico nunca se altera: o processo sempre é mais importante do que o resultado”.

 

A exposição será acompanhada pelo lançamento do livro “Escritos e entrevistas, 1967-2013”, de Richard Serra, editado pelo Instituto Moreira Salles. O conjunto de textos, em sua maioria inéditos em português, dá ao leitor um panorama das preocupações do artista e do desenvolvimento do seu trabalho nos últimos 40 anos.

 

No dia 17 de julho, o IMS promoverá o lançamento do catálogo da mostra “Richard Serra: desenhos na casa da Gávea”, com fotos de Cristiano Mascaro documentando o período de montagem e a exposição no IMS do Rio de Janeiro.

 

 

 

Sobre o artista

 

Richard Serra nasceu em São Francisco, USA, em 1938. Estudou na Universidade da Califórnia (Berkeley e Santa Bárbara) e na Yale University. Desde 1966, mora em Nova York. Sua primeira exposição individual foi em 1966 na Galeria La Salita, Roma, e, três anos depois, expôs na galeria Castelli Warehouse, Nova York. Sua primeira exposição individual em um museu aconteceu em 1970 no Museu de Pasadena, Califórnia. Desde então, tem participado de várias edições da Documenta em Kassel, Alemanha e da Bienal de Veneza. Seus trabalhos tem sido apresentados em individuais realizadas em museus internacionais como: Museu Stedelijk, Amsterdan, Holanda; Centre Georges Pompidou, Paris, França; Museu de Arte Moderna de Nova York, NY; além de outros museus dos Estados Unidos, na Europa e na América Latina. Em 2005, oito obras em grande escala foram instaladas permanentemente no Museu Guggenheim de Bilbao, Espanha. Entre 2011 e 2012, o Museu Metropolitan de Nova York, o Museu de Arte Moderna de São Francisco, Califórnia, e a Menil Collection, em Houston, Texas, realizaram uma grande retrospectiva de seus desenhos. Em 2013, Serra expôs seus desenhos na Courtauld Gallery, Londres, Inglaterra. Em abril deste ano, o artista instalou uma grande escultura permanente no deserto, na reserva natural de Brouq, no Qatar.

 

 

 

Até 28 de setembro.

 

Encontro: Richard Serra e Michael Kimmelman

No dia 27 de maio, aconteceu um evento aberto ao público, quando Richard Serra conversou com Michael Kimmelman, crítico de arte e arquitetura do The New York Times, sobre a relação entre a arte e a cidade. O evento foi realizado no Teatro Adolpho Bloch (antigo Teatro Manchete), no Rio de Janeiro, abrindo a programação de 2014 do Fórum de Arquitetura e Urbanismo Arq.Futuro.