A linguagem visual singular de Wanda Pimentel

20/ago

A Fortes D’Aloia & Gabriel tem o prazer de anunciar Wanda Pimentel – Percurso em Preto e Branco na Carpintaria, Jardim Botânico, Rio de Janeiro, RJ. A mostra reúne, pela primeira vez, a série “Animais Preto e Branco”, um conjunto de desenhos realizados nos primeiros anos de sua trajetória. Criadas entre 1965 e 1967, essas obras mostram um período formativo de experimentação, marcando o surgimento da linguagem visual singular de Wanda Pimentel.

Com traços agitados e vigorosos, numa paleta restrita, Wanda Pimentel desenhou animais, alguns identificáveis, outros inventados, cujas formas pulsam, serpenteiam e vibram em meio a emaranhados gráficos de rabiscos e marcações. Besouros, cangurus, tatus, tartarugas, morcegos, girafas, corujas e macacos aparecem retratados com uma mão investigativa, como se a artista explorasse as texturas de pelos, penas, escamas e peles, apenas para distorcer suas formas e padrões nos espaços alucinatórios de seu bestiário estilizado.

Essa faceta inicial da obra de Wanda Pimentel revela uma abordagem caligráfica mais livre, na qual a superfície do papel é quase inteiramente ocupada, vibrando com atividade visual – em contraste agudo com sua produção posterior, de orientação geométrica, baseada numa espacialidade rigorosa definida pelo vazio articulado às representações precisas de objetos e partes do corpo. Como propõe a historiadora da arte Vera Beatriz Siqueira em seu ensaio para a exposição: “Em Wanda, os animais parecem afirmar a base gráfica e a posição central conferida à linha, que define questões de sua obra, ao mesmo tempo que anunciam a questão temática e plástica do “envolvimento”, das relações entre criaturas, objetos e seus ambientes – centrais em seu trabalho.”

A obra Sem título (da série Envolvimento) (1969) da artista foi recentemente incorporada à coleção permanente do MoMA, e integrou a exposição “Vital Signs: Artists and the Body” organizada por Lanka Tattersall em 2024, na mesma instituição. A obra de Wanda Pimentel está atualmente em exibição na mostra “Pop Brasil: Vanguarda e Nova Figuração, 1960-70”, na Pinacoteca em São Paulo.

Em cartaz até 25 de outubro.

Vergara e as nuances avermelhadas.

19/ago

Depois de um hiato de uma década, Carlos Vergara volta a expor em galeria na mostra individual que apresentará na Galeria Patrícia Costa, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ, com curadoria de Vanda Klabin.

Há exatos 25 anos, Carlos Vergara cultua o hábito de ir, religiosamente, ao ateliê que mantém em um casarão em Santa Teresa. Fruto dessa produção ativa e constante será mostrado em trabalhos inéditos na individual “Além da Pintura”, a partir do dia 28 de agosto. Essa mostra guarda uma particularidade em especial: é a celebração de uma amizade, pois sela o encontro entre o artista, a galerista Patrícia Costa e a curadora Vanda Klabin. Pioneiros da arte no Rio de Janeiro, os três mantêm relação de longa data, desde 1980, e estarão reunidos em uma exposição pela primeira vez. Literalmente, além da pintura.

Conhecido por desenvolver seus próprios pigmentos com elementos naturais, desta vez Vergara apresentará sua mais recente alquimia: uma tintura de nuances avermelhadas extraída do pau-brasil, árvore que possui enraizada em seu ateliê. A matéria-prima também virou serragem para ele desenhar com uma seringa, criando sutis relevos traçados em algumas telas. Essa técnica de pigmentação foi apresentada em novo terroir, quando participou de uma residência artística no Château Cos d’Estournel (vinícola de Bordeaux), no primeiro semestre desse ano, como parte da Temporada Brasil-França 2025.

Os trilhos dos bondes de Santa Teresa, um dos ícones da cidade carioca onde está radicado desde a adolescência (Vergara nasceu em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, em 1941), se fazem presentes em monotipias que também poderão ser vistas pelo público em “Além da Pintura”, que terá um recorte com cerca de 16 trabalhos com diferentes suportes, até 27 de setembro, na Galeria Patrícia Costa.

A palavra da curadoria.

“O artista presentifica um entrelaçamento de outros processos manuais, uma escolha estética, ao decalcar elementos naturais, como o pigmento com suas texturas e propriedades, carregado de história. Estar impregnado de gestos dos materiais que vêm da terra traz uma nova forma de expressão para a sua prática pictórica. Seus trabalhos são sempre atravessados pela pintura, um processo que se confunde com uma depuração ou fusão com outros elementos, com um embeber, um provocar depósitos, vestígios, detritos ou fragmentos. Uma adesão aos puros pigmentos naturais e seus valores cromáticos, que se deixam impregnar ou diluir, de maneira aberta ao imprevisível, como o próprio artista declarou, “utiliza o acaso e a precisão”. A diluição do pigmento traz perturbações delicadas na superfície da obra, como se estivessem à procura de uma outra instância para a sua existência, um novo modo de ser, uma nova significação, como se relutasse em alcançar sua forma final. São pulsações diferenciadas, irradiações impregnadas de valores cromáticos que flutuam e adotam comportamentos divergentes e o artista comentou que “as formas não mudam, o que muda são as formas de olhar”. Sua pintura permanece extremamente vigorosa, plena e fluida, seu universo discursivo sempre diversificado, pulsante, propaga a sua imensa energia plástica, continuamente desdobrada em inovações. Essa exposição amplia o entendimento sobre a trajetória do artista e da constituição de uma linguagem plástica brasileira, com incessante fidelidade ao ato da pintura”.

Memórias e identidade.

18/ago

A abertura da exposição coletiva “Correspondências: memórias e identidade”, acontece no dia 20 de agosto no Centro Cultural Correios, Centro, Rio de Janeiro, RJ.

Com curadoria de Fabiola Notari, a mostra propõe uma reflexão sobre a materialidade da escrita e a memória afetiva das trocas epistolares. Reunindo livros de artista, instalações, pinturas, colagens, objetos, desenhos e bordados, as obras investigam como cartas, bilhetes e mensagens manuscritas podem se tornar espaços de memória, identidade e afeto.

Artistas participantes.

Aline Cavalcante, Ana Cris Rosa, Célia Alves, Christina Parisi, Clarissa M Zelada, Claudia Souza, Cris Marcucci, Daniela Karam Vieira, Irene Guerreiro, Leonor Décourt, Lidia Sumi, Lídice Salgot, Lucia Mine, Lucimar Bello, Maíra Carvalho, Margarida Holler, Renata Danicek, Rosa Grizzo, Sandra Lopes, Teresa Ogando, Tuca Chicalé e Vitória Kachar.

A exposição segue em cartaz até 27 de setembro.

Obras inéditas de Daniel Senise

14/ago

A Galeria Nara Roesler, Ipanema, Rio de Janeiro, RJ, convida para o dia 21 de agosto, ocasião de abertura da exposição “Daniel Senise – Vivo confortavelmente no museu”, com obras inéditas e recentes do destacado artista. Os trabalhos atuais ganham novos processos e materiais, a partir da coleção do artista de capturas em tecido, feitas desde o início dos anos 2000, de chãos e paredes de locais arruinados, históricos ou de seus próprios ateliês. Recortando e colando com precisão pequenos pedaços desses panos, Daniel Senise reconstitui a imagem do lugar em que as capturas foram feitas, ou recria outros espaços, como salas, perspectivas e fachadas de museus e instituições de arte.

No seu novo e espaçoso ateliê na Vila Buarque, em São Paulo, o artista começou a incorporar novos procedimentos, intervindo com outros materiais – tinta líquida, pó de ferro, betume, carvão – nos tecidos já impregnados com captura de paredes, provocando assim “imagens involuntárias”. Essas imagens são posteriormente inseridas em suas composições de espaços museológicos, e “aproximam as possibilidades de leituras dessas marcas a uma composição pictórica”. O artista comenta que “na exposição, a presença desse espaço virtual varia de tela para tela”. “Em alguns momentos ele não está presente, e essa latência faz com que o conjunto de trabalhos crie um aspecto de instalação, pois se estendem ao espaço real da galeria”.  O texto crítico é de Luiz Armando Bagolin.

Daniel Senise é um dos mais reconhecidos artistas brasileiros, presente em prestigiosas coleções, como Stedelijk Museum Amsterdam; Cisneros Fontanals Art Foundation, Miami, Estados Unidos; Ludwig Museum, Colônia, Alemanha; Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro; Museu de Arte Contemporânea de Niterói (MAC-Niterói); e Museu de Arte de São Paulo (MASP). Um dos expoentes da chamada Geração 80, Daniel Senise é ativo no circuito de arte há quarenta anos, tanto no Brasil como no exterior, tendo participado das 18ª, 20ª, 24ª e 29ª edições da Bienal Internacional de São Paulo (1985, 1989, 1998 e 2010); 44ª Biennale di Venezia, Itália (1990); 2ª Bienal de La Habana, Cuba (1986); 11ª Bienal de Cuenca, Equador (2011), entre outras importantes exposições coletivas.

O percurso da exposição começa com uma obra da série de trabalhos de museus que Daniel Senise vem fazendo: “Sem título (Raoul Dufy)”, 2025, com 1,25 metro por 2,30 metros, representando a sala curva do painel em homenagem à eletricidade de Raoul Dufy(1877-1953), no Museu de Arte da Cidade de Paris. Em frente está a obra “Sem título (MAM Rio)”, 2025, com dois metros de altura por 2,38 metros de comprimento. No mesmo piso estão duas telas “Sem título 3” (2025), com 1,23 metro por 78cm, e “Sem título 4” (2024), com 1,15 metro x 95 centímetros, em que as imagens provocadas são apresentadas sem uma contextualização de espaço. No segundo andar ocupa um lugar de destaque a obra “Sem título (Bourse de Commerce – Pinault Collection)”, 2024, com um metro de altura por 2,80 metros de comprimento onde uma captura de parede que o artista fez ocupa o lugar da pintura decorativa que representa cenas do comércio mundial, que está na parte inferior da cúpula do prédio em Paris.

O título “Vivo confortavelmente no museu” é uma frase dita por um personagem do livro “A invenção de Morel”, de Bioy Casares (1914-1999) – um condenado à prisão perpétua, que chega a uma ilha, e chama de museu a construção abandonada em que mora. Está sendo editado por Charles Cosac um robusto livro sobre a obra de Daniel Senise, com textos de Luiz Armando Bagolin e Paulo Miyada, com previsão de lançamento até o final do ano.

Em cartaz até 11 de outubro.

As cores de Marcia Fontenelle.

12/ago

Ao optar por uma paleta de cores vibrante com algumas nuances mais suaves, a artista Marcia Fontenelle pretende, segundo ela mesma, proporcionar uma festa, com um alegre bem-estar. “Cor, vida e alegria de viver estão presentes na minha arte. Inspirador pensar até onde as cores podem nos levar. Cada cor uma expressão viva do meu amor à arte”, diz. Sua exposição “Livro de Contos – Pinturas” será inaugurada no dia 23 de agosto, às 14h, no novo espaço expositivo do CasaShopping, curada por Heloisa Amaral Peixoto. A maioria das telas reunidas nesta exibição individual é de produção recente, num total de 25 obras. Brasilidade e Carnaval são alguns temas recorrentes nesta série.

A palavra da da curadora.

“Para a artista, o ato de pintar é uma experiência que se aproximaria bastante do ato de contar histórias, criando espaços narrativos onde a figuração e a abstração se tocam…Marcia imprime um carácter sintético na estrutura de suas composições e tal qual um “livro de contos” apresenta, de forma alternada, por vezes escolhendo as pinceladas mais fluidas e estilizadas e por outras criando ambientes onde os planos ressaltam o seu vocabulário de signos geométricos. Assim, demostra o seu forte interesse no ritmo, na dinâmica e vibração que ocorre com a linhas sugeridas e justaposição de suas cores”.

Sobre a artista.

Marcia Fontenelle nasceu em Valença, no Estado do Rio de Janeiro. É formada em Biologia pela UFRJ e em Belas Artes (com especialização em filmes de animação) no International Fine Arts College em Miami e pós-graduada em animação pela PUC do Rio de Janeiro. Também estudou na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Recebeu o reconhecimento por Mérito Artístico na sétima edição do Luxembourg Art Prize. Fez várias exposições nacionais e internacionais. Seu trabalho artístico nasce do amor à pintura, do amor à natureza e da busca pelo belo, pelo bom e pelo verdadeiro. Com uma vivência de cinco anos na Holanda e oito anos nos Estados Unidos, Marcia Fontenelle é uma participante ativa de exposições de artes pelo Brasil.

Até 28 de agosto.

Documentário premiado sobre Darel.

A exposição “Darel – 100 anos de um artista contemporâneo”, em cartaz no Centro Cultural Correios Rio de Janeiro, RJ, promove, no sábado, 16 de agosto, às 16h, a sessão única do documentário “Mais do que eu possa me reconhecer”, de Allan Ribeiro, sobre o artista pernambucano, no mesmo centro cultural. A exibição será seguida de debate com o diretor do filme. O documentário ganhou o prêmio principal da Mostra Tiradentes de 2015, e ainda melhor direção, melhor roteiro e prêmio de público em festivais de cinema pelo Brasil afora.

O programa é uma ação paralela à exposição do artista pernambucano (1924-2017), que está em cartaz no segundo andar do CCCorreios, com 95 trabalhos que cobrem 70 anos de produção, sob curadoria de Denise Mattar.

O filme mostra a vida solitária de Darel, em sua casa de 800 metros quadrados, no bairro carioca de São Conrado. As experimentações com videoarte, uma forma de se conectar e se expressar, se tornaram sua melhor companhia nos últimos anos de vida. Darel permite ser filmado na sua intimidade e na relação com a arte.

Em cartaz até 30 de agosto, a mostra “Darel – 100 anos de um artista contemporâneo” celebra o centenário de nascimento de Darel, que fez carreira no Rio de Janeiro. A curadora Denise Mattar optou por um panorama da obra de Darel, percorrendo 70 anos de produção, que marcou sua importância na história da arte do século XX pela excelência das suas pinturas sensuais e das litografias à cor, técnica da qual foi pioneiro no Brasil. Darel recebeu prêmios e menções honrosas, como o de “Viagem ao Estrangeiro”, do Salão Nacional de Arte Moderna do Rio de Janeiro, e o de “Melhor Desenhista Nacional”, na Bienal Internacional de São Paulo de 1963. Na edição seguinte da Bienal, ele teve uma sala especial.

 Sobre o diretor.

Allan Ribeiro, roteirista e diretor. Formado em Cinema pela UFF em 2006. Realizou dois longas, “Mais do que eu possa me reconhecer” (2015) e “Esse amor que nos consome” (2012), que receberam vários prêmios em festivais como Brasília, Tiradentes e APCA 2013. Em curtas-metragens, realizou 12 produções, com destaque para “O brilho dos meus olhos” (2006), “Ensaio de Cinema” (2009), “A Dama do Peixoto” (2011), “O Clube” (2014) e “O Quebra-cabeça de Sara” (2017). Em 2016, lançou pelo Canal Brasil a série “Noturnas”, com 46 episódios. Dirigiu e escreveu a peça “Procura-se Empregada” (2016) a convite do Micro-teatro RJ.

Encerramento de duas exposições.

08/ago

Neste sábado, 09 de agosto, a partir das 15h, as artistas Mariana Rocha e Siwaju conduzirão visitas guiadas por suas exposições “Desde sempre o mar” e “SPECTRUM”, em cartaz, respectivamente, nos prédios 17 e 11 da galeria. Trata-se de evento de encerramento das exposições “Desde sempre o mar” e “SPECTRUM”.

Inspirada pela vastidão marítima e pelos mistérios da vida microscópica, Mariana Rocha mergulha em um universo onde as fronteiras entre ciência, mito e arte se dissolvem. Desde sempre o mar reúne pinturas inéditas que transitam entre figuração e abstração, evocando formas orgânicas como raízes, cílios, braços e membranas – elementos que se desdobram como símbolos da origem e da continuidade da vida. Segundo o curador Renato Menezes, que assina o texto de apresentação da mostra, “Mariana Rocha trapaceia a escala e, assim, a própria pintura parece se tornar, para a artista, um meio de reequacionar os mínimos essenciais da vida. Partícula e todo, célula e organismo, gota e oceano renegociam suas ordens de grandeza bem diante de nossos olhos.”

“Já Siwaju traz esculturas que articulam matéria e Cosmos, energias visíveis e invisíveis, objeto e entorno, corpo escultórico e espaço, organizando-se em uma temporalidade espiralada, em constante fluxo de expansão e retrospecção, ativando saberes afrodiásporicos. “Desdobram-se pelo espaço “famílias de obras” interligadas, cada uma com gramáticas e gestos próprios, mas todas atravessadas pelo desejo de criar zonas de interferência onde passado e futuro, beleza e libertação coexistem em tensão criativa.”, aponta a curadora Nathalia Grilo, autora do texto de apresentação da exposição.

O encontro marca o encerramento das mostras.

Nova representação.

06/ago

Ana Cláudia Almeida é a nova artista representada pela galeria Fortes D´Aloia & Gabriel. Ana Cláudia Almeida nasceu no Rio de Janeiro, Brasil, 1993 – O universo material de Ana Cláudia Almeida, encontra-se estabelecido sobre a manipulação de tintas, plásticos, bastões a óleo, tecidos e imagens. A feição esvoaçante de suas obras sobre pano, o caráter acumulativo e movediço da escultura e a fragmentação caleidoscópica das pinturas de grande escala transpõem e traduzem a memória intangível em matéria. Essa dimensão se faz sentir tanto na superfície dos trabalhos, conforme Ana Cláudia Almeida permite que vestígios de gestos anteriores permaneçam na forma final, quanto de maneira conceitual e simbólica. Feita de sobreposições intensas de espaços plenos e vazios, a abstração que ressoa sua obra espelha formal e tematicamente camadas de lembranças, práticas e rituais. Transitando entre a pintura, a escultura  e  o  vídeo,  a  produção de  Ana  Cláudia  Almeida  confronta  os  modos  como  ela  é  moldada – ou distorcida – por estruturas sociais, explorando as fricções entre o ambiente urbano e sistemas como religião, gênero e sexualidade.

Entre suas exposições recentes destacam-se Ana Cláudia Almeida & Tadáskía, exposição diálogo entre as duas artistas que aconteceu simultaneamente nas galerias Fortes D’Aloia & Gabriel e Quadra, em São Paulo, Brasil (2024); desdobramento da exposição Tadáskía and Ana Cláudia Almeida: A Joyner/Giuffrida Visiting Artists Program, no Nevada Museum of Art, Nevada, Estados Unidos (2024). Dentre as individuais, destacam-se Guandu Paraguaçu Piraquara, Fortes D’Aloia & Gabriel – Carpintaria, Rio de Janeiro, Brasil (2023); Buracos, Crateras e Abraços, Quadra, Rio de Janeiro, Brasil (2021); Wasapindorama, Fundação de Arte de Niterói, Niterói, Brasil (2018).

A artista também fez parte das exposições coletivas Ensaio sobre a Paisagem, Instituto Inhotim, Brumadinho, Brasil (2024); Olhe bem as montanhas, Quadra, São Paulo, Brasil (2024); Essas Pessoas na Sala de Jantar, Casa Museu Eva Kablin, Rio de Janeiro, Brasil (2023); Crônicas Cariocas, Museu de Arte do Rio, Rio de Janeiro, Brasil (2021) e Casa Carioca, Museu de Arte do Rio, Rio de Janeiro, Brasil (2021). Suas obras integram as coleções do Museu de Arte do Rio, Instituto Inhotim e Sesc Rio de Janeiro.

Fotografias no Instituto Cervantes.

Uma constelação transnacional de olhares contemporâneos entre Espanha e Brasil, propondo um deslocamento simbólico e crítico pelo território brasileiro, “Câmbio de Paradigma – Um Giro no Brasil”, com curadoria partilhada de Marta Soul e Ângela Berlinde, será aberta ao público no dia 14 de agosto, no Instituto Cervantes, Botafogo, Rio de Janeiro, RJ. A mostra estabelece um diálogo inclusivo entre os dois países, compreendendo o “giro” como abertura a outras epistemologias, afetos e imaginários historicamente marginalizados. Como parte da programação oficial do festival FOTORIO 2025, a exposição reúne 12 artistas contemporâneos, sendo seis brasileiros e seis espanhóis, cujos trabalhos se articulam em torno de cinco eixos curatoriais: estruturas de poder; justiça social e racial; gênero e autorrepresentação; tecnologia e progresso; ecologia e justiça climática.

Trata-se de uma exposição que questiona quem olha, quem é olhado e a partir de onde se constroem as imagens. “Câmbio de Paradigma” é um espaço de ressonância, escuta e transformação coletiva. Por meio de dispositivos híbridos, instalações, colagens, vídeo e performance, os artistas participantes reconfiguram a fotografia como uma ferramenta crítica e sensível diante das estruturas hegemônicas da imagem.

Sobre os artistas e suas obras.

Do lado espanhol, Megane Mercury explora identidades migrantes e gentrificação urbana na série La Españoleta, enquanto Cristina Galán revela as contradições do eu hiperfiltrado nas redes sociais em Paul. Esteban Pastorino investiga a memória da técnica fotográfica a partir do uso de câmaras analógicas, e Agnes Essonti Luque propõe uma profunda reflexão sobre identidade afrodescendente em La máscara del duelo. Toya Legido alerta para a extinção de espécies no território ibérico em Lepidópteros en extinción, e Yun Ping constrói um diário visual de transformação e pertença em The body as a suit.

Do Brasil, Shinji Nagabe subverte a masculinidade normativa em Cavalo de Troia, propondo uma soberania queer em tensão com o imaginário da conquista. Denilson Baniwa, artista indígena, desmonta visualmente os relatos coloniais em Ficções Coloniais. Caio Aguiar (Bonikta) encarna o território amazônico como um corpo político e encantado em Memórias Enkantadas, enquanto a dupla Masina Pinheiro & Gal Cipreste apresenta Hunting Exercise: Blow, obra que ativa memórias queer e performativas a partir do corpo. A exposição celebra ainda a participação especial da artista local Betina Polaroid, que propõe um gesto de celebração e resistência queer com a instalação Espelhos & Películas e a performance Fluidez, ativada no dia 14 de agosto.

Centenário de Gilberto Chateaubriand.

05/ago

O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio) inaugura no dia 09 de agosto a exposição “Gilberto Chateaubriand: uma coleção sensorial”, que abre as comemorações pelo centenário de nascimento de um dos maiores colecionadores da história da arte brasileira. A mostra estará em cartaz até 09 de outubro. De grande escala, a mostra reúne aproximadamente 350 obras de um dos mais representativos conjuntos da produção artística nacional. Desde 1993, cerca de 6.400 das 8.300 peças que compõem a Coleção Gilberto Chateaubriand estão sob a guarda do MAM Rio, consolidando uma parceria fundamental para a preservação e difusão da arte brasileira.

Com curadoria de Pablo Lafuente e Raquel Barreto, o público será convidado a uma imersão nas camadas de significado, afeto e história que atravessam a coleção, ao longo de mais de cinco décadas cuidadosamente constituída por Gilberto Francisco Renato Allard Chateaubriand Bandeira de Mello (1925-2022), diplomata e presença marcante nas artes visuais do país. Segundo o próprio Gilberto Chateaubriand, o colecionismo surgiu por acaso, em 1953, durante uma viagem a Salvador, quando foi apresentado ao pintor José Pancetti (1902-1958) pelo colecionador Odorico Tavares. Ao visitar o ateliê, adquiriu não só a tela Paisagem de Itapuã, mas a paixão por colecionar.

De acordo com Pablo Lafuente, diretor artístico do museu, “a coleção de Gilberto consegue oferecer um panorama complexo da história da arte brasileira do século 20, atenta aos movimentos e artistas que a compuseram, tornando-se uma das mais importantes do país ao mesmo tempo que revela as relações fascinantes que Gilberto tinha com obras e com artistas”.

“Gilberto Chateaubriand se dedicou com intensidade à formação de uma das coleções particulares mais significativas que temos no Brasil. A coleção é única em sua habilidade de unir tradição e experimentação, incluindo desde os modernistas icônicos a jovens artistas de diversas regiões do país e suas propostas experimentais”, observa Raquel Barreto, curadora-chefe do MAM Rio.

Um olhar sensorial para a arte brasileira

Um século de arte no Brasil

Com obras de Adriana Varejão, Alair Gomes, Anita Malfatti, Anna Bella Geiger, Antonio Bandeira, Artur Barrio, Beatriz Milhazes, Candido Portinari, Carlos Vergara, Cícero Dias, Cildo Meireles, Djanira, Edival Ramosa, Gervane de Paula, Glauco Rodrigues, Iberê Camargo, Ione Saldanha, Ivan Serpa, José Pancetti, Lasar Segall, Luiz Zerbini, Lygia Clark, Maria Martins, Rubens Gerchman, Tarsila do Amaral, Tomie Ohtake e Vicente do Rego Monteiro, entre muitos outros, a exposição cobre cerca de 100 anos de arte no Brasil e permite ao visitante percorrer, de forma não linear, uma ampla e plural história da cultura visual do país.

A exposição “Gilberto Chateaubriand: uma coleção sensorial” é organizada em colaboração com o Instituto Cultural Gilberto Chateaubriand e tem patrocínio da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, da Petrobras, da Light, do Instituto Cultural Vale e da Vivo através da Lei Federal de Incentivo à Cultura e da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Rio de Janeiro