Dialogando com a obra de Hélio Oiticica.

29/set

Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica apresenta vídeo-performance de Stella Mariz na 3ª Chamada Programa Hélio Oiticica. A vídeo-performance “Núcleo I”, de Stella Mariz, integra o Programa HélioOiticica e investiga a relação entre corpo e espaço no ambiente virtual. Criada sob a persona @acaciavelata, a obra utiliza gestos espontâneos e repetitivos para evocar memórias arcaicas e movimentos universais, dialogando com a visão original de Hélio Oiticica para o “Grande Núcleo”.

O Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica (CMAHO) convida para a abertura da exposição coletiva do Programa Hélio Oiticica, com a vídeo-performance Núcleo I (2025) de Stella Mariz, selecionado para dialogar com a obra e o pensamento do artista Hélio Oiticica, no dia 04 de outubro de 2025, das 14h às 18h, no Rio de Janeiro, com curadoria de Cesar Oiticica.

Em “Núcleo I”, Stella Mariz apresenta sua persona Acacia Velata (@acaciavelata), um trabalho de vídeo-performances que desenvolve desde 2021. Coberta por um traje que neutraliza a sensualidade e evidencia apenas o movimento – mãos e pés expostos -, a artista explora o vídeo como um espaço pictórico tridimensional virtual. Filmada por Antônia Ribas, com edição da própria Stella Mariz, a performance acontece em silêncio e sem coreografia, permitindo que gestos espontâneos emerjam como registros corporais de memórias ancestrais. A artista opta por não utilizar inteligência artificial na criação do trabalho, incorporando deliberadamente o erro como parte essencial do processo. Para Stella Mariz, enquanto a IA tende a corrigir e suavizar imperfeições, é justamente na falha humana que reside um potencial criativo único – um espaço onde o inesperado se transforma em gesto expressivo.

As sequências curtas e repetitivas induzem um estado de percepção sensível: um convite a reconhecer movimentos primordiais inscritos no corpo, atravessando categorias de raça, gênero, sexualidade ou território. Inserida em um ambiente digital idealizado, a ação provoca uma experiência subjetiva e simbólica, despertando emoções arcaicas que conectam passado e futuro.

O trabalho estabelece um diálogo direto com a visão original de Hélio Oiticica para o “Grande Núcleo”, em que a interação corporal e a participação ativa do público eram centrais. Em vez de apenas assistir, o espectador é instigado a sentir e perceber, criando novas relações simbólicas no ambiente virtual – uma atualização das proposições de Oiticica no contexto contemporâneo.

Sobre a artista

Nascida no Porto, Portugal, e radicada no Rio de Janeiro, Stella Mariz transita entre escultura figurativa, desenho, fotografia, vídeo-instalação e foto-pinturas em alto-relevo. É também cirurgiã plástica e possui pós-graduação em História da Arte e em Arte e Filosofia (PUC-Rio). Participou de residências artísticas na Art Students League (Nova York) e no Atelier Charles Watson (RJ), além de cursos na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Premiada no Salão Nacional de Arte em Cuba, já realizou diversas exposições individuais e coletivas. Em maio de 2025, apresentou a individual “Denso e Sutil”, com curadoria de Shannon Botelho, no Centro Cultural Correios RJ, explorando os limites entre bidimensionalidade e tridimensionalidade. Ainda este ano, foi selecionada pela mostra de performance arte Verbo, da Galeria Vermelho.

De 05 a 26 de outubro.

 

Livro sobre o fotógrafo da Casa Imperial.

26/set

O Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Gloria, Rio de Janeiro, RJ, e a editora Capivara convidam para o lançamento do livro “O Espelho de Papel – A fotografia de Joaquim Insley Pacheco na coleção do IHGB” (Capivara, 2025), no dia 1º de outubro, na sede do IHGB. O lançamento terá uma conversa aberta com Pedro Corrêa do Lago, sócio-titular e diretor de Iconografia do IHGB, e diretor editorial da Capivara, Daniel Rebouças, pesquisador, historiador e professor baiano, e mediação de Lucia Guimarães, Primeira Secretária do IHGB, professora titular do departamento de História da UERJ.

 Fotógrafo oficial da Casa Imperial de 1857 até a República, Joaquim Insley Pacheco foi um dos mais notáveis retratistas de seu tempo, registrando não apenas os monarcas, a nobreza, como também intelectuais, políticos, militares e membros da burguesia. Alguns dos retratos mais conhecidos de D. Pedro II, da imperatriz Teresa Cristina – de quem foi muito próximo – e das princesas Leopoldina e de sua irmã Isabel, e ainda de Machado de Assis, Carlos Gomes, José de Alencar, entre outros grandes intelectuais, foram feitos por Joaquim Insley Pacheco. Ele nasceu em 1830 em uma aldeia próxima a Braga, Portugal, e órfão dos pais veio para o Brasil aos treze anos, passando pelo Ceará e Maranhão, e finalmente morando no Rio de Janeiro, capital do Império, de 1854 até o ano de sua morte, em 1912.

“Os retratos de Insley Pacheco documentam uma época em que a fotografia era exclusividade das elites, distante dos selfies de nossos tempos, que fizeram do direito ao retrato um modo de afirmar a pluralidade da sociedade”, observa Paulo Knauss,1º vice-presidente e diretor do Museu do IHGB.

Na mais abrangente publicação sobre seu trabalho, “O Espelho de Papel” reúne em 160 páginas 403 imagens – incluindo capas e revistas da época – do vasto acervo de milhares de fotografias antigas que estão sob a guarda do IHGB. A apresentação é de Pedro Corrêa do Lago e o texto é do pesquisador, historiador e professor baiano Daniel Rebouças, “profundo conhecedor da fotografia brasileira do século XIX e admirador da obra de Pacheco”, nas palavras de Pedro Corrêa do Lago. O volume foi produzido através da Lei de Incentivo à Cultura do governo federal, com patrocínio da Unipar.

Nobres que nomeiam ruas, bairros ou cidades também foram retratados, dando o rosto a lugares tão conhecidos, como Marquês de Sapucaí, Marquês de Olinda, Visconde de Caravelas, Visconde de Cairu, Baronesa de Teresópolis, Visconde de Mauá, Marquês de Valença, Marquês da Gávea, o jornalista Francisco Otaviano, o deputado e senador Rodrigues Silva, e o Regente Feijó.

 

Instalações pictóricas de Beatriz Milhazes.

25/set

Com curadoria de Lauro Cavalcanti, a exposição na Casa Roberto Marinho, Cosme Velho, marca a primeira apresentação institucional de Beatriz Milhazes no Rio de Janeiro em 12 anos. A mostra reúne pinturas de grande formato – incluindo obras recentemente exibidas na Bienal de Veneza – e esculturas. Pela primeira vez no Brasil, o público também poderá ver maquetes, estudos e reconstruções de painéis de projetos realizados em instituições e espaços públicos na Europa, Américas e Ásia – incluindo intervenções icônicas na Ópera Estatal de Viena, Tate Modern e Fondation Cartier – que evidenciam a dimensão arquitetônica de sua prática. Em exibição até 15 de março de 2026.

Pinturas Nômades

“Pinturas Nômades” reúne 17 projetos celebrando os 21 anos das instalações pictóricas de Beatriz Milhazes em arquitetura. Nas primeiras conversas com a artista veio-nos à mente o termo “mural nômade” com o qual Le Corbusier batizou as suas tapeçarias de grande escala que, no seu entender, resolveriam o aspecto de mobilidade que faltava aos painéis incorporados definitivamente às construções. O autor de “Modulor” encarava as tapeçarias como os “murais da era moderna” uma vez que, sendo componentes móveis, poderiam ser enroladas e utilizadas noutro local. Classificava-as como uma outra via entre arte e design, pintura e escultura, especialmente apta a dialogar com a arquitetura. Nas pinturas, o território no qual Beatriz tão bem transita é aquele em duas dimensões, a partir de uma tela em branco. Nas obras em arquiteturas específicas, as questões pictóricas se agregam àquelas das três dimensões, com as quais terá de, forçosamente, lidar. A lógica da organização do espaço e as questões específicas do campo arquitetural, que antes lhes pareciam tão distantes, passaram a compor o território estendido de seu trabalho. Na interação com a arquitetura, a escolha das cores possui opções mais estreitas em uma gama de tons industriais existentes nos catálogos de vinil ou, no caso das cerâmicas, a partir das tonalidades que se adéquem ao processo de queima nos fornos. A presença em arquiteturas ampliou seu público, não mais restrito aos frequentadores de galerias e museus, uma vez que os trabalhos foram executados, na sua maioria, em locais públicos das cidades. Seis deles têm caráter permanente: a instalação da Casa A em Inujima, no Japão, e nos Estados Unidos da América, as duas composições em cerâmica no Hospital Presbiteriano de Nova Iorque, o painel da Grace Farms, em Connecticut, e os dois murais das portarias de um condomínio em Miami. Ao reunir os 17 projetos e suas respectivas documentações, “Pinturas Nômades” confere merecida perenidade a todos e permite ao público o sabor de conhecê-los.

Lauro Cavalcanti

curador

Diferentes pesquisas plásticas.

19/set

Artur Fidalgo Galeria, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ,  exibe duas exposições individuais sob a curadoria de Vanda Klabin. Os artistas Lucas Rubly e Willy Reuter, representados pela galeria, inauguram mostras inéditas que evidenciam diferentes pesquisas plásticas.

Em sua primeira individual no espaço, “Lucas Rubly: A opacidade do mundo” reúne 17 pinturas inéditas em óleo e cera sobre tela, produzidas ao longo de 2025. Trabalhando em formatos reduzidos, Lucas Rubly explora o silêncio e a contemplação, construindo narrativas sutis a partir da contenção formal.

Já “Willy Reuter: O engano do olhar” nasce de um processo experimental combinando técnicas e suportes. Nessa exposição, o artista apresenta oito objetos em cerâmica, duas pinturas em técnica mista sobre linho e três desenhos sobre papel, convidando o público a percorrer um universo particular, de atmosfera onírica e sugestiva.

Até 10 de outubro.

Série Crua apresenta Marcelo Conceição.

O terceiro episódio da série Crua, que será lançado dia 23 de setembro, às 12h, traz o artista Marcelo Conceição, que apresenta sua casa-ateliê em Niterói. Nascido em uma família com 11 irmãos, o escultor autodidata passou mais de uma década vivendo nas ruas do Rio de Janeiro, depois de perder parentes no trágico desabamento do Morro do Bumba. Desde então, o artista, que se autodenomina garimpeiro urbano, passou a criar esculturas com materiais reciclados e orgânicos, como madeira de caixotes, bambu, rolha e barbante. No terceiro episódio da série Crua, podemos acompanhar a produção de uma de suas esculturas, com reaproveitamento de materiais coletados nas ruas e gravetos de bambu.

Série idealizada e dirigida por Ana Pimenta e João Marcos Latgé. O projeto é apresentado pelo Governo Federal, Ministério da Cultura, Governo do Estado do Rio de Janeiro, Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, através da Política Nacional Aldir Blanc.

Sobre o artista.

Os movimentos da geometria.

“As obras devem ser concebidas com fogo na alma, mas executadas com uma frieza clínica”

Joan Miró

Volumes tridimensionais, contraposição de planos, texturas, linhas simétricas que exploram cores primárias com precisão. Bastante frequentes no trabalho de Marco Figueiredo, essas características se fazem ainda mais presentes na nova série apresentada ao público em exposição no icônico Santa Teresa MGallery, Rio de Janeiro, RJ, a partir do dia 09 de outubro. “Marco Figueiredo: (In)Congruências do Imaginário” é a segunda individual do artista no Brasil exibindo cerca de 30 trabalhos em diferentes suportes, utilizando colagem, recortes em papel e pintura a óleo sobre tela, em grandes, médios e pequenos formatos (alguns polípticos, trípticos e dípticos). Explorando os movimentos da geometria, ele mantém coesão na forma como ocupa os planos, sem deixar de conduzir o espectador em uma imersão fluida através dos elementos que povoam o seu imaginário.

Sobre o artista.

Autodidata, Marco Figueiredo reside atualmente entre Miami e o Rio de Janeiro, dividindo quase todo seu tempo entre a produção artística e a pesquisa de novas técnicas e processos. Ao longo dos anos, frequentou cursos de aprimoramento: no New York Art Center Studies e no Ateliê Gonçalo Ivo, em Paris. Entre as exposições realizadas, destacam-se uma coletiva no Miami Art Center e as individuais na Miriam Fernandes Art Gallery, em Miami, e no Centro Cultural Correios do Rio, em 2019. Suas obras estão expostas em espaços públicos e integram coleções privadas em países como Estados Unidos, Japão, Holanda, França e Suíça.

Natureza e Ordem

por Gonçalo Ivo

O meticuloso trabalho de Marco Figueiredo me remete a tempos imemoriais. Passeio por abstrações de origem árabe e geometrias inesperadas, como se pisasse em folhas outonais no solo de Alhambra ou do Alcazar de Sevilha. Há obras que se irmanam com a tradição concreta e neoconcreta brasileira dos anos 1960 e 1970. Outras transcendem uma estrada vicinal da Op Art. Mas essas são apenas referências trazidas da história recente da arte. O que está diante de nossos olhos é a realização do desejo de um artista que quer e concretiza sua intuição e seu labor. Vê-se aqui uma de suas inúmeras séries, composta de pequenas flores a desabrochar do plano e a revelar cores que se escondem entre pétalas finamente recortadas pelas mãos deste obreiro da luz. Engastada em rigorosa geometria, nos faz pensar em azulejos, cristais e até mesmo no nascimento de estruturas sustentando um mundo que deve, por sobrevivência, sair do caos e mirar a ordem e a harmonia.

Até 08 de dezembro.

Exposição do artista português José Pedro Croft.

15/set

O Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro inaugura, no dia 24 de setembro, a grande exposição “José Pedro Croft: reflexos, enclaves, desvios”, com cerca de 170 obras. Com curadoria de Luiz Camillo Osorio, a mostra, que ocupará todo o primeiro andar e a rotunda do CCBB RJ, será composta, principalmente, por gravuras e desenhos, apresentando também esculturas e instalações, que ampliarão o entendimento sobre o conjunto da obra do artista e sobre os temas que vem trabalhando ao longo de sua trajetória, como o corpo, a escala e a arquitetura. Esta será uma oportunidade de o público ter contato com a obra do artista, que já realizou exposições individuais em importantes instituições, como no Pavilhão Português na 57ª Bienal de Veneza, Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra, Capela do Morumbi, São Paulo, Paço Imperial e MAM Rio, entre muitas outras.

“José Pedro Croft é um dos principais artistas portugueses da geração que se formou logo após a Revolução dos Cravos (1974). Ou seja, teve sua trajetória artística toda vinculada aos ideais de liberdade, cosmopolitismo e experimentação. Trata-se de uma poética visual que se afirma no enfrentamento da própria materialidade das linguagens plásticas: a linha, o plano, a cor, o espaço. Sempre levando em conta sua expansão junto à arquitetura e ao corpo (inerente aos gestos do artista e à percepção do espectador)”, conta o curador Luiz Camillo Osorio.

A exposição é composta a partir da potência plástica das gravuras e dos desenhos que se articulam com a vertigem espacial das esculturas, com seus vazios e espelhos. As gravuras, suporte com o qual o artista trabalha desde a década de 1990, ocuparão a maior parte da exposição, incluindo obras em grandes escalas. “A gravura é um trabalho de grande ciência física e artesanal, com muito rigor e entrega. Não é algo secundário. Para mim, é uma âncora do meu trabalho. Há coisas que fiz em gravura, que vão me dar soluções para o meu trabalho em escultura”, afirma José Pedro Croft. Diversas séries, de anos distintos, sendo muitas feitas sobre a mesma chapa de metal, aguçarão a percepção do público. “Ver não é reconhecer. As muitas variações no interior das séries gráficas conduzem o olhar para dentro do processo em que repetição e diferença se potencializam. A atenção para o detalhe é uma convocação política em uma época de dispersão interessada”, diz o curador.

A gravura é tão importante na obra do artista que muitos desenhos que serão apresentados na mostra foram feitos sobre as provas das gravuras. “Eu as uso como uma memória e desenho por cima com linhas de nanquim super finas, com 0,25 milímetros cada, criando volumes. Faço os desenhos à mão, trazendo esse mundo de imagens de pixels para a nossa realidade, que é física ainda. É uma maneira de resistir a velocidade de estarmos sempre ligados a um excesso de estímulos”, ressalta José Pedro Croft.

Em cartaz até 17 de novembro.

Três artistas na Galeria de arte do IBEU.

Até 05 de dezembro, a Galeria de Arte do IBEU, Jardim Botânico, Rio de Janeiro, RJ, recebe a exposição coletiva “Parque”. A mostra reúne pinturas, desenhos e esculturas de Bernardo Magina, Bruno Miguel e Pedro Varela e convida o público a mergulhar em paisagens fantásticas, onde realidade e imaginação se entrelaçam.

Pensada como uma travessia sensorial, a exposição leva os visitantes a experimentarem cores, formas e símbolos que evocam memórias familiares, mas que rapidamente se transformam em convites para viagens únicas e pessoais. Mais do que contemplar obras, “Parque” oferece uma experiência imersiva que questiona a paisagem como algo natural e a apresenta como uma construção cultural.

Ex-alunos e professores da Escola de Artes Visuais do Parque Lage, os três artistas fazem uma homenagem direta ao espaço que marcou suas trajetórias. O título da mostra remete ao palacete e seus jardins, território onde natureza e cultura se misturam a ponto de apagar fronteiras entre o real e o inventado. Assim como o Parque Lage, com seus cenários improváveis e atmosfera quase mágica, as obras de “Parque” estimulam o público a criar suas próprias narrativas, em que memórias, desejos e fantasias se fundem.

Como explica Bernardo Magina: “No Parque Lage tem uma gruta construída com direito a estalactites onde foram filmadas as célebres cenas da Cuca no Sítio do Pica-pau Amarelo, e os desavisados vão crer que ali estava a gruta desde sempre. Ou as jovens que vão ao parque para ensaios fotográficos, muitas vezes vestidas de princesas da Disney. Não é mentira, de fato não é um parque temático de Orlando, mas é um lugar mágico o suficiente para fantasiar. É a noção de paisagem se apresentando como uma construção cultural e não como algo dado. Cada um vai achar um lugar na sua mente para lugares físicos outrora experimentados. Abre-se espaço aí para novas histórias: ficções”.

Exposição inédita de Hugo França.

“Natureza, Escultura, Sustentabilidade” é o título da exposição de Hugo França que está em cartaz na Esplanada da Fundação Getúlio Vargas Arte, Praia de Botafogo, Rio de Janeiro, RJ, até 13 de outubro de 2025. A mostra, gratuita e aberta ao público, apresenta a obra do artista que utiliza materiais naturais, como madeira, para criar esculturas que refletem a relação entre a arte, o meio ambiente e a sustentabilidade.

A mostra, com duração de dois meses, reúne obras que marcam a trajetória singular do artista, e o público que passar pelo local terá a experiência de interagir ativamente com peças de grandes dimensões. Com uma abordagem ecológica e poética, as obras expressam a presença da natureza e dão ao espectador uma ideia do conceito e do processo de produção de cada uma delas.

“O fato de as pessoas interagirem com as obras é um grande diferencial, pois possibilita uma experiência sensorial muito maior. O público pode esperar um grande show das formas orgânicas que a natureza proporciona, que tem, entre outras coisas, um valor arqueológico e escultórico que reverencia a floresta”, conta Hugo França.

Reconhecido internacionalmente por suas esculturas mobiliárias monumentais, o artista utiliza resíduos florestais da Mata Atlântica, ressignificando troncos e raízes em obras que combinam arte, design e consciência ecológica. Sua prática é muito influenciada por saberes tradicionais, sobretudo os do povo Pataxó.

Hugo França desenvolve seu trabalho, em especial, a partir de dois tipos de resíduos florestais: o Pequi-Vinagreiro e a Braúna – duas árvores que são exemplares da Mata Atlântica e se destacam pela sua morfologia. Na criação de suas obras, o designer propõe um pacto amoroso entre o mundo humano e o natural, em que até mesmo a motosserra, um objeto frequentemente associado à destruição, ganha novo sentido como um instrumento de produção simbólica.

“As esculturas nascem da observação das formas orgânicas das árvores mortas (resíduo florestal) e, a partir daí, são esculpidas seguindo a orientação da estrutura original da árvore, que é incorporada à obra. A natureza é a primeira a esculpir a obra, eu sigo o que as formas orgânicas e a textura da árvore já tinham”, explica Hugo França.

O artista afirma que seu interesse por esse método de trabalho surgiu no início dos anos 1980, quando se mudou para Trancoso, no sul da Bahia, e se deparou com a intensa exploração predatória da floresta tropical, em particular da Mata Atlântica, um dos biomas mais importantes do planeta. O curador da galeria, Paulo Herkenhoff, enfatiza a linguagem simbólica das obras, que propõem uma resistência por meio da suavidade: “Os móveis uterinos de Hugo França são esculturas que acolhem. Você se senta e fica”, pontua o crítico.

Reabertura da Galeria de Moldagens 2.

12/set

 

As inúmeras variações contidas entre o oculto e o visível envolvem a temática da primeira individual do premiado fotógrafo Vicente de Mello no Museu Nacional de Belas Artes/Ibram, até 16 de jabeiro de 2026. O evento marca a reabertura da Galeria de Moldagens 2 ao público (somente este espaço, e em horário de visitação reduzido).

Na exposição Breu, o público vai ter contato com fotografias capturadas na icônica Galeria do Museu e que ficarão ao lado de moldagens recém-restauradas, propiciando um diálogo entre as obras. Estas imagens foram editadas ou passaram por tratamento digital, resultando no curioso aspecto final de “imagem em negativo”. O artista apresenta 8 fotografias e se inspira na ideia da velatura de monumentos e estatutárias, que são um “efeito ótico” recorrente na história da arte, como uma ação desestruturante das formas originais.

Partindo desta premissa, as imagens produzidas pelo artista convidam à imaginação: o envelopamento das moldagens confere “uma nova percepção e aparência ao objeto, envolvendo efeito fantasmático e sedutor, de certa aparência etérea e irreal”, como aponta o curador da mostra, Aldones Nino.

A simbologia das esculturas e a interferência efêmera provocada por Vicente de Mello oferecem ressignificações desses elementos, como ideia de desaparecimento e invisibilidade. Em outra leitura, os registros feitos pelo artista das esculturas veladas da Galeria de Moldagens 2 por tecidos protetores, antes da reabertura da Galeria de Moldagens,  ampliam o sentido do primoroso trabalho de restauração de obras icônicas da galeria à arte e também o da representação.

Com a exposição de Vicente de Mello, o MNBA passa a abrir parcialmente ao público, porém em horários reduzidos, lembrando que a Instituição estava fechada para obras de requalificação de seus espaços desde março de 2020.  A exibição faz parte da série de eventos intitulados “Um olhar pela fechadura”, visando preparar o terreno para a devolução total do Museu ao público, no final de 2026. A mostra “Breu” conta com patrocínio do banco Itaú através da Lei de Incentivo à Cultura.

Sobre o artista.

Vicente de Mello Vicente de Mello, nasceu em 1967, é uma voz central na fotografia brasileira contemporânea, contando com reconhecimento internacional. Desde 1992, ele constrói um universo visual lúdico que desmonta e reconfigura, transitando da topografia imaginada para a metafísica da luz. Apresentou em 2006 a mostra moiré.galáctica.bestiário/ Vicente de Mello – Photographies 1995-2006, no Oi Futuro, RJ e na MEP-Maison Européenne de la Photographie, Paris, França. Em sua vasta trajetória destacam-se as séries: Topografia Imaginária, Moiré, Vermelhos Telúricos, Galáctica, Lapidus, Silent City, Brasília utopia lírica, Monolux e Limite Oblíquo. As exposições individuais recentes foram: Encanto, curadoria Aldones Nino e Yago Toscano (Casa del Concejo/ Mirador del Adaja, Arévalo, Espanha, Monolux, curadoria de Eucanãa Ferraz (MAM RJ, SESC Niterói, e Toda Noite, panorama de 30 anos de sua obra, com curadoria de Marilia Panitz e Aldones Nino (Farol Santander, Porto Alegre, CCJF, RJ. Na Pinacoteca do Estado de São Paulo, em 2007, foi laureado com o prêmio APCA – Associação Paulista de Críticos de Arte – de Melhor Exposição de Fotografia do Ano. Com a instalação Ultramarino foi laureado com o Prêmio Centro Cultural Banco do Brasil Contemporâneo, em 2015. Sua obra ganhou livros como Áspera Imagem, editado pela Aeroplano e Parallaxis, da Editora Cosac Naify. Trabalhos de Vicente de Mello integram acervos de instituições como: Coleção Gilberto Chateaubriand – MAM/RJ; Coleção Joaquim Paiva, RJ; Fondation Cartier pour l´art contemporain, Paris; Itaú Cultural/SP; Maison Européenne de la Photographie, Paris; MASP/SP – Coleção Pirelli; MAR/RJ; MAM/Brasília, Pinacoteca do Estado de São Paulo, SESC 24 de Maio/SP; The Museum of Fine Arts, Houston, entre outros.