Cristina Ataíde & Felipe Góes

31/maio

As salas da Galeria Virgílio, Pinheiros, São Paulo, SP, exibirão uma dupla de exposições paralelas com um ponto em comum: ambas são compostas por paisagens. A diferença entre elas está nas plataformas utilizadas e na fonte de inspiração das peças. Enquanto “Ocaso”, a individual do jovem artista brasileiro Felipe Góes, exibe telas com paisagens imaginárias, “Até o abraço”, da artista portuguesa Cristina Ataíde reúne esculturas e desenhos criados a partir dos cenários que ela observou em sua viagem pela Serra do Mar, no litoral do Brasil.

 

“Ocaso”, por Felipe Góes

 

A exposição tem curadoria de Douglas de Freitas da mais recente produção  de trabalhos de Felipe Góes, talento que ganha um destaque cada vez maior no cenário artístico nacional. Todas as obras são realizadas a partir de uma intenção inicial que se dissolve ao longo do processo da pintura: áreas alagadas podem se tornar planícies e nuvens se transformam em manchas indefinidas de cor, por exemplo. É desse processo que vem o nome “ocaso”, uma alusão ao momento em que algo termina ou chega ao seu limite. Tinta acrílica e guache, figuração e abstração, clareza de significado e ambiguidade são as técnicas e palavras-chave que definem os quadros de Felipe. O objetivo do artista é desconstruir os processos tradicionais das pinturas de paisagens, que remetem a lugares existentes, e ativar outras maneiras do público se relacionar com as imagens, traçando relações entre a obra e o repertório de lembranças e experiências de cada um.

 

“Até ao abraço”, por Cristina Ataíde

 

Em outra sala da galeria estarão reunidas as obras de Cristina Ataíde. Como grande parte de sua produção, as pequenas esculturas e desenhos foram produzidas durante uma viagem. “Os trabalhos refletem o afeto e a proximidade que experimento ao atravessar o Oceano e me sentir enleada com as pessoas e paisagens que toco e percorro, que tento compreender, viver e incorporar. Estas peças vão conviver e abraçar o espaço e fazer reviver as emoções que senti”, explica. Em 2012, depois de percorrer a Serra do Mar, totalmente imersa na Mata Atlântica, ela criou obras que revelam montanhas, rios e cidades. O nome da exposição “Até o abraço”, é um trecho de uma frase escrita pelo poeta alemão Novalis.

 

Sobre Cristina Ataíde

 

Nasceu em Viseu, Portugal. Vive e trabalha em Lisboa. A sua obra é feita muitas vezes em viagens, sempre transitando entre a escultura e o desenho, passando pela fotografia e vídeo. Licenciada em Escultura pela ESBAL em Lisboa, frequentou o Curso de Design de Equipamento da mesma escola. Foi diretora de produção de Escultura e Design da Madein, Alenquer, de 1987 a 1996, onde trabalhou com vários artistas como Anish Kapoor, Michelangelo Pistolleto, Keit Sonnier e Sergio Camargo. Também foi professora convidada da Universidade Lusofona em Lisboa de 1997 a 2012 e bolsista da Fundação Calouste Gulbenkian, F.L.A.D, Fundação Oriente e SEC. Fez algumas residências artísticas e diversas exposições internacionais.

 

 

De 08 de junho a 23 de julho.

Obras de Oswaldo Goeldi

30/maio

A galeria Bergamin & Gomide, Jardins, São Paulo, SP, apresenta a exposição “O Universo de Oswaldo Goeldi”. A obra de Oswaldo Goeldi impressiona pela amplitude e profundidade das questões que apresenta. Homens que vagam pelas superfícies negras da cena urbana, pescadores que trabalham em condições extremas, o mar como cenário frequente, personagens desconhecidos que no fundo não conseguem ocultar um sentimento de mistério e solidão.

 

Serão expostos 35 trabalhos do artista que virou referência mundial no campo da gravura. Ao invés de apresentar a sua obra de forma cronológica, temática ou formalista, o grupo de obras na exposição obedece uma sequência de associações que acontecem de forma fluída e subjetiva. Entre as obras selecionadas (xilogravuras, desenhos e aquarelas) estão aquelas com as temáticas mais marcantes de seu trabalho: a solidão, a vida cotidiana dos pescadores e dos homens urbanos.

 

Nas palavras do próprio artista “os fenômenos da natureza me empolgam – trovoadas, ventanias, nuvens pesadas, céu e mar, sol e chuva torrencial e noites cheias de mistério, pássaros e bichos. Os dramas da alma humana me consomem. Sinto-me bem com os simples e às vezes me confundo com eles.”

 

 

Sobre o artista

 

Gravador, desenhista, ilustrador e professor, Goeldi nasceu no Rio de Janeiro, em 1895, onde faleceu em 1961. Expôs na 25ª Bienal de Veneza em 1950 e ganhou o Prêmio de Gravura da 1ª Bienal Internacional de São Paulo, em 1951. Sua obra já participou de mais de uma centena de exposições póstumas no Brasil, Argentina, França, Portugal, Suíça e Espanha. Hoje, Goeldi é venerado no meio artístico e suas obras são matérias de referência no campo da gravura no mundo todo. Foi no ano de 1923, que iniciou experimentos com xilogravura com o intuito de “impor uma disciplina às divagações a que o desenho o levava”. Em depoimento ao crítico e poeta Ferreira Gullar conta ter sentido “a necessidade de dar controle a estas divagações”. Goeldi é considerado pelos experts como o Pai da Gravura Nacional.

 

 

De 02 de junho a 02 de julho.

20 grafiteiros

A Verve Galeria, Jardim paulista, São Paulo, SP, abre suas portas para uma grande exposição coletiva de Arte Urbana, “PULSO”, que reúne 20 artistas de street art que encontram no meio urbano o canal para expressar seus questionamentos sociais e políticos, inquietações e sentimentos. A curadoria é de Ian Duarte Lucas.

 

Na “PULSO”, estão as narrativas urbanas de Alto Contraste, Boletabike, Derlon, Feikehara, Grazie Gra, Gustavo Amaral, Higraff, Hudson Melo, Jorge Galvão, Luis Bueno, Mateus Dutra, Milo Tchais, Nick Alive, Ninguém Dormi, Paulo Ito, Prozak, Santhiago  Selon, Thais Ueda, Tikka Meszaros e o veterano Miguel Cordeiro, precursor do graffiti nordestino nos anos 70.

 

O conceito da exposição é inspirado nas palavras da poetisa afro-americana Maya Angelou, “On the Pulse of Morning” em que ela tematiza a inclusão social e responsabilidade. Na coletiva os artistas apresentarão suas interpretações do atual momento político pelo qual passa o pais, com registros inerentes a situação presente e sugestões de caminhos convergentes para o futuro.

 

“No momento atual, assim como em todos os momentos de instabilidade e polarização de ideias, faz-se necessária a sensibilidade do artista. O artista tem a oportunidade de lançar um novo olhar sobre a realidade que vivenciamos, revelando assim possibilidades de diálogo antes adormecidas”, comenta o curador.

 

A partir desta abordagem, a ideia é sensibilizar o público e induzi-lo a rever o seu próprio olhar e questionar seus posicionamentos. A coordenação é de Allann Seabra.

 

 

 

De 07 de junho a 31 de julho.

 

James Benning&Easy Rider

O Ateliê397, Rua Wisard, 397 – Vila Madalena, São Paulo, SP, com o apoio da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, via ProAC, realizou uma sessão do Cineclube397, com a mostra de James Benning. Na mesma ocasião, aconteceu o lançamento do livro “METADADOS (METADATA), publicado pelo Ateliê Aberto que conta a história de mais de 18 anos do espaço que funcionou até o ano passado, em Campinas. O Cineclube397, projeto voltado à ampliação da experiência do cinema, segue sua programação anual exibindo o filme Easy Rider (2012), o terceiro do ciclo de exibições dedicadas ao cineasta norte-americano James Benning. O programa foi elaborado pela crítica e curadora audiovisual Sofía Machain.

 

Na mesma ocasião, foi realizado o lançamento, com distribuição gratuita, do livro “METADADOS”, organizado e editado por Henrique Lukas, Maíra Endo, Samantha Moreira e a crítica Ruli Moretti. O livro conta com 60 participações, dentre artistas e pesquisadores que relatam, por meio de interferências e textos inéditos, a história do espaço independente Ateliê Aberto, de Campinas, SP, grande referência de atuação independente na arte contemporânea brasileira.

 

Criado em 1997, em Campinas, o Espaço Ateliê Aberto iniciou suas atividades focado nas artes visuais e no design gráfico, mas expandiu seu escopo de interesses para fomentar e difundir a cultura contemporânea em geral, por meio de plataformas multidisciplinares. O Espaço Ateliê Aberto se consolidou pela continuidade e consistência de suas atividades e com seu compromisso com projetos inovadores e experimentais, tornando-se referência na cena cultural de Campinas. Realizou mais de 90 eventos em seu espaço, como exposições, workshops, intervenções, conversas abertas, cursos e performances visuais e musicais. Também participou de mais de 50 projetos externos, envolvendo mais de 350 artistas em todos os seus projetos.

 

 

Sobre o artista

 

James Benning é um cineasta norte-americano, nascido em Wisconsin, 1942. Ao longo da sua carreira fez mais de vinte e cinco longas-metragens, tendo utilizado diversos métodos, temas e estruturas, em uma constante investigação dos modos narrativos do cinema e suas relações com as histórias pessoais, a memória coletiva, a indústria e, sobretudo, a paisagem. Por produzir à margem do mercado e pelo fato de sua obra, até muito recentemente, não ter sido disponibilizada em DVD, sua produção não logrou atingir a visibilidade que certamente mereceria hoje em dia.

 

Sinopse

Easy Rider (2012)

 

Benning trabalha sobre o filme Easy Rider – de 1969, dirigido por Dennis Hopper -, visitando os espaços onde o filme, marco da contracultura americana, foi filmado. No filme, o diretor apresenta esta paisagem nos dias de hoje, acompanhada de uma trilha sonora incorporada a diálogos da película anterior com canções selecionadas por ele, mesclando um mundo documental e fictício.

Na Marcelo Guarnieri/SP

25/maio

A Galeria Marcelo Guarnieri, Alameda Lorena, Jardins, São Paulo, SP, será ocupada pela produção atual da artista plástica Ana Paula Oliveira. Sua primeira individual na galeria nomeada de “Círculo de giz e um pouco sobre sólidos”, dá prosseguimento às criações com vidro, chumbo e taxidermia, do mesmo modo em que também avança em suas pesquisas espaciais. A trajetória da artista é pontuada pela criação de instalações que nascem a partir da tensão entre atração e repulsa e entre estabilidade e desequilíbrio. O resultado visual causa uma mescla de estranhamento e interesse, que sempre desperta o olhar e a aproximação.

 

Os materiais e procedimentos operados por Ana Paula Oliveria partem desde a tradição escultórica – mármore e fundição – até materiais considerados ordinários e não nobres – borracha, plástico, graxa. Eles funcionam na produção da artista como mediadores entre o artesanal e o industrial, entre a tradição e seu desmantelamento. É possível observar essas oposições no trabalho “Vetores”, no qual a artista faz uma cópia da estátua grega “Discóbolo”, – executada pela primeira vez em torno de 455 a.C -, no entanto, a escultura atual é feita em alumínio com espadas de São Jorge saindo de algumas das articulações do corpo do imponente atleta. A utilização de materiais vivos é uma operação quase sempre orquestrada pela artista. Em trabalhos anteriores, era possível encontrar pássaros, borboletas, galinhas, peixes e jabuticabeiras, que conviviam durante o período expositivo com o público – galinhas se empoleiravam nas esculturas, borboletas nasciam de partes de peças de mármore e passarinhos faziam de comedouro materiais colocados no ambiente.

 

Todos os trabalhos da exposição emulam um movimento, seja ele percebido pelo público ou algo invisível, as plantas crescem e se desenvolvem durante a exposição, os pássaros taxidermizados “Manon” na série “Vistaña”, simulam um voo pelas placas de vidro. O mesmo acontece em “Círculo de giz e um pouco sobre sólidos”, na qual chapas-lâminas de vidro assimétricas cortadas a laser criam uma incomum perspectiva de espaço. Cada vidro é puxado por uma ave moldada a partir do corpo de um animal real e fundida em chumbo. Essas chapas-lâminas são sustentadas por sólidos geométricos que criam o peso necessário para o trabalho.

 

Na obra “Para Avistar”, Ana Paula Oliveira utilizou um banco que pertencia a seu pai fundindo-o com uma peça modelada em ferro que atravessa a parede e forma uma instalação que anula a possibilidade do ato de sentar. Por fim, um outro tipo de ocupação espacial é o que acontece com a “Vai que Vai”, no vídeo, uma sequência de imagens em câmera lenta exibem o momento da quebra de placas de vidro e a queda dos peixes de chumbo e de borracha. As imagens simulam o movimento das águas e a subida dos peixes durante a piracema, no entanto, o ato nunca se completa.

 

 

A palavra da artista

 

“Um espaço nunca é vazio. Ele pode ser constituído por linhas e até ser palco para o movimento dos objetos”.

 

 

De 04 até 15 de julho.

Arte sacra

18/maio

O Museu de Arte Sacra de São Paulo – MAS-SP, Luz, São Paulo, SP, instituição da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, em celebração às comemorações de Corpus Christi, abre a exposição “Trajetória de Jesus de Nazaré”, composta por trabalhos executados pelo santeiro Wandecok Cavalcanti e curadoria de Jorge Brandão.

 

Com núcleos dedicados a passagens bíblicas relevantes – da Anunciação do Anjo a Maria sobre sua gravidez até a Ascensão de Cristo – o artista exibe 38 obras em argila com fortes referencias tanto a arte popular como barroca.

 

As peças foram confeccionadas com terracota e cinco tipos e tonalidades de argila (marfim, preta, creme, shiro e tabaco), recurso utilizado para mostrar e enfatizar detalhes, como cor de cabelo e de rosto, tudo em tom natural, sem nenhum pigmento ou pintura. O que as diferencia é que cada uma tem um ponto de queima. “O barro, por hora, torna-se nobre aplicado ao requinte de detalhes fundamentais para o artista Wandecok Cavalcanti, que neste momento muito maduro, o fez extravasar e aflorar sua devoção nesse conjunto de obras desenvolvido especialmente para narrar a “Trajetória de Jesus de Nazaré” no Museu de Arte Sacra de São Paulo”, define o curador da mostra.

 

Com essa exposição, o museu pretende se abrir a novos formatos de contato com o público bem como espaço de incentivo ao trabalho de novos artistas: “O Museu de Arte Sacra que habitualmente exibe obras centenárias de seu próprio acervo e de coleções particulares, que já proporcionou ao público a possibilidade de admirar obras da fase sacra de artistas modernos como Anita Malfatti e Brecheret, também dá espaço para artistas ainda vivos que produzem arte sacra. Por essa razão, julgamos importante propiciar a exposição de obras de Wandecok Cavalcanti, que nos apresenta sua visão da “Trajetória de Jesus de Nazaré”, esclarece José Carlos Marçal de Barros, diretor executivo do MAS/SP.

 

 

De 22 de maio a 31 de julho.

“Rússia”, por Mauro Restiffe

A Galeria Fortes Vilaça, Vila Madalena, São Paulo, SP, apresenta “Rússia”, a terceira exposição individual de Mauro Restiffe na Fortes Vilaça. O artista apresenta fotografias em preto e branco que retratam dois momentos distintos das cidades de Moscou e São Petersburgo pós-União Soviética. Os trabalhos representam o resgate de um de seus mais importantes projetos investigativos, realizado em duas etapas: a primeira durante os anos de 1990; e a segunda em 2015, uma retomada a convite do Garage Museum of Contemporary Art, em Moscou. Restiffe associa sua contínua pesquisa em arquitetura e espaços urbanos a uma experiência pessoal e afetiva nos principais centros russos. O processo de criação que envolveu essa série fotográfica evoca um interesse antigo em desbravar uma cultura tão distinta, com uma abordagem intimista da relação tempo/espaço dentro de seu próprio trabalho. O olhar do artista conduz o espectador a ponderar sobre o processo histórico recente das cidades ao retratar cenas cotidianas em cenários ora grandiosos, ora modestos. A combinação entre as fotografias realizadas há vinte anos e as atuais são formalizadas através de dípticos, trípticos e polípticos, com algumas figuras individuais icônicas, que espelham a realidade e a sua representação, o público e o privado, o afetivo e o mundano. Um exemplo é o tríptico Winter Trap (1996/2015), onde uma mesma cena é mostrada em duas imagens distintas, patinadores na pintura de Bruegel estão lado a lado dos patinadores na vida real. A investigação de Restiffe sobrepõe a linguagem documental às referências da História da Arte e da fotografia. A arquitetura, em especial o brutalismo, e o diálogo poético travado entre as pessoas, objetos e o ambiente em que se encontram são temas recorrentes nestas obras. A utilização do filme analógico preto e branco e a granulação causada pela “puxada de asa” são recursos que emprestam mais uma vez à obra de Mauro uma sintonia precisa entre as características físicas das imagens e os temas escolhidos pelo artista.

 

Sobre o artista

 

Mauro Restiffe nasceu em 1970 em São José do Rio Pardo. Vive e trabalha em São Paulo. Dentre suas recentes exposições individuais estão: Post-Soviet Russia 1995/2015, Garage Museum (Moscou, 2016); São Paulo, Fora de Alcance, Instituto Moreira Salles (Rio de Janeiro, 2014); Obra, MAC-USP (São Paulo, 2013). Destaque ainda para suas participações em: Trienal de Aichi (Nagoya, Japão, 2016); Bienal de Cuenca (Equador,

2014); Bienal de São Paulo (2006); Panorama de Arte Brasileira (São Paulo, 2013 e 2005). Sua obra está presente em importantes coleções, como: Bronx Museum of the Arts (Nova York), Colección Cisneros (Caracas), Inhotim (Brumadinho), Instituto Moreira Salles (Rio de Janeiro), MAC-USP (São Paulo), MAM (São Paulo), Pinacoteca do Estado (São Paulo), SFMOMA (San Francisco), Tate Modern (Londres), TBA21 (Viena), entre  outras.

 

Até 18 de junho.

Krajcberg na CIGA 2016

17/maio

O escultor e fotógrafo Frans Krajcberg, de 95 anos, se notabilizou por seus retratos da natureza que, muitas vezes, são utilizados como matéria-prima para seus desenhos e relevos moldados em papel.

 

A Galeria Marcia Barrozo do Amaral, Shopping Cassino Atlântico, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ, apresenta no próximo dia 20 de maio, o livro-arte do artista, com fotos assinadas, durante o CIGA 2016, Circuito Integrado das Galerias de Arte, organizado pela Art Rio.

 

Este livro-objeto – “Outra Natureza” – oferece aos colecionadores, pela primeira vez, uma fotografia original de Krajcberg, com sua assinatura gravada a fogo. São 12 imagens diferentes com tiragem de 6 cada uma, num total de 72 unidades.  “Outra Natureza” contém um estojo, a foto emoldurada e um álbum artesanal com as imagens e os textos escolhidos para este projeto.

 

O livro-arte encontra-se a disposição na galeria Marcia Barrozo do Amaral, no Rio de Janeiro. Contatos pelo telefone (21) 2267-3747.

 

Duas mostras na Lume

13/maio

A Galeria Lume, Jardim Europa, São Paulo, SP, exibe, simultaneamente, as individuais “Sentidos da Pele” de Gal Oppido e “A Bahia e seus sentidos” de Akira Cravo com curadoria dos próprios artistas. Em “Sentidos da Pele”, Gal Oppido apresenta 32 trabalhos onde os ensaios exploram o corpo humano como uma fonte geradora de significados quando sob interferências externas, sejam elas alegóricas, cirúrgicas, ou comportamentais. Nos registros da série “Bahia e seus sentidos” de Akira Cravo, as 14 fotografias exibem a “poesia” da Bahia, que ultrapassa e desafia qualquer paradigma, retratando um povo belo e plural.

 

Gal Oppido em sua individual, constrói suas obras com a pele – maior órgão humano que traduz em sua topografia o que um corpo deseja – em elemento base dando ênfase à capacidade do homem de “transformar a matéria e como essa ação transfigura seu corpo”. Buscando explorar diferentes padrões e suas identidades, o artista procura, através de seu olhar, as particularidades que deles emana como espaço, luz e cromatismo e a partir dessas premissas, que representam o par gerador dos trabalhos, Gal determina seus suportes – fotografia, desenho, performances ou imagens cinéticas. Um dos destaques de “Sentidos da Pele” são as peças escultóricas de vidro formando duas obras vitreopercussivas que provocam sons quando do contato entre performer e pingentes de cristal. Para o artista, “a manifestação autoral que se vale da imagem como suporte e das inquietudes de seu emissor, necessita da cumplicidade entre forma e conteúdo, sem perímetros que constranja seu objeto estético, conduzindo a técnica e seus instrumentos a favor da integridade de seu discurso“.

 

Em sua primeira individual na galeria, Akira Cravo expõe 14 fotografias da série inédita “A Bahia e seus Sentidos” construindo uma visão poética fidedigna do povo da Bahia, suas crenças no sagrado e profano, festas de largo, religiosidade, sincretismo do candomblé com o catolicismo e, especialmente, na luminosidade, que segundo o artista, existe apenas na Bahia. A proposta conceitual de Akira Cravo é possibilitar um contato mais próximo com o universo da magia que revela uma Bahia antiga, um povo belo por natureza que transmite poesia no olhar, a vaidade natural, a beleza do cenário natural e com especial ênfase, o povo. “A Bahia cheia de mistérios, mitos e sentidos”, declara. A sensibilidade do artista ao retratar seus personagens advém se sua busca pela beleza do simples. Ao externar sua visão no registro obtido, Akira Cravo cria uma marca que perdura através do tempo. Sua preocupação com os parâmetros de enquadramento são sua assinatura. “Trago o torso, o corpo e o rosto. Junto e separado em imagens pulsantes, coloridas, cheias de vida, de força e de fé”, define o artista.

 

Com as individuais, existe a possibilidade de retratar uma mesma sensação de formas únicas, transformando a arte em infinitas possibilidades de resultados únicos. Nos trabalhos apresentados tem-se tanto fotografias que “são inspiradas na poesia, que supera qualquer paradigma”, de Akira Cravo como criações onde “o fazer estético exclui sua inclusão a priori a uma ordem estabelecida” de Gal Oppido. Nessa combinação a Galeria Lume mantém sua proposta de proporcionar ao público conceitos, técnicas e estilos diversificados, porém complementares, no sentido de contribuir para a formação cultural dos espectadores. Coordenação: Felipe Hegg, Paulo Kassab Jr. e Victoria Zuffo

 

 

De 17 de maio a 18 de junho.

Gilberto Freire, forma e cor

11/maio

Uma paixão quase oculta do mestre Gilberto Freyre, sua relação com as artes visuais, pode ser vista na exposição “Gilberto Freyre: vida, forma e cor” que depois de ser exibida no Recife, chega a Caixa Cultrural São Paulo, Centro, São Paulo, SP. Proposta pela Fundação Gilberto Freyre, não tem o objetivo de atribuir ao autor o título de artista, e sim mostrar a associação entre arte e ciência em sua reflexão, uma dimensão pioneira de sua obra, que o escritor, morto em 1987, demonstra já no prefácio da primeira edição do livro Casa Grande e Senzala, em 1933. Para Freyre a sensibilidade era tão importante quanto a razão na análise da vida social brasileira.

 

“Mais do que dizer se Freyre era ou não artista – questão secundária inclusive para ele próprio, que se definia como escritor – o que queremos mostrar é como esse pioneirismo de Freyre de misturar arte e ciência – já identificado em seus textos, que são considerados excessivamente literários por alguns cientistas sociais –foi uma característica duradoura e que se espraiou por toda a sua produção, atingindo o ápice na sua parceria com alguns artistas que ilustraram seu livros”, esclarece Clarissa Diniz, que assina a curadoria da mostra, com Fernanda Arêas Peixoto, Jamille Barbosa e Leonardo Borges.

 

A exposição está dividida em quatro módulos: “Mundo de imagens” exibe documentos que ilustram sua relação ordinária, familiar e corriqueira com a imagem, como caricaturas, cadernos de desenhos para os netos, cartas ilustradas e cartões de natal que Freyre fazia com os filhos para o natal da família. Na sequência, “Escritor de formas e cores” procura explorar os sentidos da frase “eu pinto escrevendo e acho que um pouco escrevo pintando”, ao exibir telas e desenhos, além de excertos de textos que tratam de alguns dos principais temas de Freyre, como a cidade e arquitetura, a chamada cultura popular e as relações étnicas-raciais.

 

Em “Contaminações criativas”, por sua vez, é possível observar como a relação de Freyre com os artistas que ilustraram seus livros foi mais do que “serviços prestados”, constituindo antes diálogos profícuos entre formas sensíveis e modos de pensar questões às quais ele e seus parceiros-artistas estiveram dedicados. Neste espaço da mostra, o painel de Cicero Dias para a abertura de Casa Grande e Senzala é tomado como um estudo de caso, sendo exibidas as cartas trocadas entre ambos e o desenho de Freyre que orienta Cícero Dias na feitura da obra. Por fim, em “Ecos” são reunidas reflexões de Gilberto Freyre sobre a arte brasileira, assim como registros dos encontros de seu pensamento com as artes visuais brasileiras de modo mais amplo. Neste núcleo estão contemplados também outros artistas, como Telles Júnior e os irmãos Rego Monteiro que foram objetos da reflexão de Freyre no campo da arte, e não apenas parceiros na elaboração dos livros, como indicado no núcleo anterior.

 

“É importante destacar que não temos a pretensão de esgotar o assunto. Pensador versátil e multifacetado como foi Gilberto Freyre, com um conhecimento vasto e amplo, é lógico que a sua relação com as artes visuais não se encerra nessa mostra. Queremos apenas descortinar esse novo horizonte de análise do pensamento freyreano que, esperamos, repercuta tanto entre os estudiosos de sua obra quanto entre os que tomam contato com ela pela primeira vez”, diz Fernanda Arêas Peixoto, curadora da mostra.

 

 

 

Fundação Gilberto Freyre

 

Gilberto Freyre e sua família resolveram instituir, na Vivenda Santo Antonio de Apipucos, uma Fundação que não apenas reunisse o seu patrimônio cultural, seus bens e acervos, mas que também pudesse estimular a continuidade dos seus estudos e de suas ideias. A Casa de Gilberto Freyre, transformada em Fundação no dia 11 de março de 1987, cumpre, assim, o seu objetivo: contribuir para o desenvolvimento político-social, científico-tecnológico e cultural da sociedade brasileira tendo como referencial a obra freyriana. Visa manter reunido, preservado e à disposição do público o acervo pessoal e intelectual de Gilberto Freyre.

 

 

 

Debates

 

Dia 04 de junho, às 15h. – “Gilberto Freyre, conhecimento entre ciência, arte e arquitetura”, com Fernanda Arêas Peixoto (professora de Antropologia da USP) e José T. Correia de Lira (professor da Faculdade de Arquitetura da USP)

 

Dia 25 de junho, às 15h. – “Gilberto Freyre e as artes visuais”, com Clarissa Diniz (crítica de arte e curadora do Museu de Arte do Rio –MAR) e com o artista Jonathas de Andrade.

 

A mostra acontece de 21 de maio a 10 de julho de 2016 e conta com o patrocínio da Caixa Econômica Federal.