Faça aqui | Ana Luiza Dias Batista

06/ago

O Ateliê397, Vila Madalena, São Paulo, SP, com apoio da Secretaria de Cultura do Estado de

São Paulo – via ProAC apresenta a exposição “Faça aqui”, em que a artista Ana Luiza Dias

Batista mostra seis trabalhos novos. “Faça aqui” é a nova exposição de Ana Luiza Dias Batista

no Ateliê397, na qual a artista apresenta trabalhos inéditos. O nome da exposição é retirado

de placas que ficam em frente a pequenos estabelecimentos comerciais, anunciando seus

serviços. Um dos referentes importantes para a construção de parte dos trabalhos em exibição

são os chaveiros, esses pequenos comércios, portinhas ou quiosques que, por ocuparem um

espaço reduzido, acabam por criar curiosas estratégias para expandir sua visibilidade no

espaço público.

 

Em um de seus trabalhos a artista se utiliza de chaves descartadas, construindo um chão de

chaveiro (cimento com chaves incrustradas) na calçada em frente ao espaço expositivo e no

corredor externo do Ateliê397. Dentre as chaves presas no chão, está a que abre a porta do

Ateliê. Outros trabalhos integram a mostra: uma instalação sonora, na entrada do galpão; uma

obra feita com um miolo de fechadura colocado diretamente na parede que gira

incessantemente; um trabalho feito com buchas e parafusos – também na parede – formando

um jogo “Resta um”; um cofre cortado de modo a lembrar um cubo-mágico, além de uma

instalação com placas de chaveiros em forma de chaves gigantes.

 

A exposição dá continuidade à investigação da artista, que frequentemente trabalha com

objetos já conhecidos, modificando seus tamanhos, seu funcionamento, seu trajeto, suas

proporções. Tais alterações acrescentam-lhes camadas, criam pequenos enigmas,

interrupções, estabelecem novos significados. Com uma obra na qual a relação estabelecida

entre os objetos de arte e os espectadores tem papel importante, a artista propõe uma

experiência onde a suspensão do entendimento imediato e cotidiano é estendida,

intensificando os efeitos do contato com a arte.

 

 

Sobre a artista

 

Ana Luiza Dias Batista nasceu em São Paulo em 1978. Em 2000 formou-se em artes plásticas na

ECA-USP. Em 2001 fez individuais no Centro Cultural São Paulo e na galeria Adriana Penteado,

São Paulo. No ano seguinte realizou, com Eurico Lopes e Rodrigo Matheus, o Plano Copan,

projeto independente no edifício paulista. Participou das coletivas 20 anos – 20 artistas, 2002,

CCSP, To be political it has to look nice, 2003, Apexart, Nova York, MAM [na] Oca, São Paulo,

2006 e do simpósio São Paulo S.A., Situação n. 2, 2002. Expôs individualmente no Centro Maria

Antônia, São Paulo, 2004. Recebeu a Bolsa Pampulha e, em 2007, apresentou individual no

Museu da Pampulha, Belo Horizonte. No ano seguinte concluiu mestrado em artes visuais na

ECA/USP e, ainda em São Paulo, realizou, com Laura Andreato e João Loureiro, Vistosa, projeto

independente contemplado no Prêmio Conexão Artes Visuais da Funarte. Em 2009,

apresentou a individual Programa na Estação Pinacoteca, São Paulo, e recebeu prêmio da

Secretaria de Cultura de São Paulo. Fez individuais nas galerias Mendes Wood, São Paulo (2010

e 2011), Ybakatu, Curitiba (2010) e Marília Razuk, São Paulo (2015). Em 2013 participou, entre

outras, das exposições Beyond the Library, Frankfurt Buchmesse / Hall 4.1, Frankfurt, e Itochu

Aoyama Art Square, Tokyo, Conversation Pieces, NBK, Berlin, Imagine Brazil / Artist’s Books,

Astrup Fearnley Museet, Oslo, e Économie Domestique, La Maudite, Paris. Em 2014, concluiu

seu doutorado na ECA-USP.

 

 

De 10 de agosto a 04 de setembro.

Christian Boltanski na Baró : Heartbeats

05/ago

A Baró Galeria, Jardins, São Paulo, SP, exibe “ Heartbeats”, primeira exposição do artista

francês Christian Boltanski em uma galeria na América Latina. A mostra, é composta por uma

instalação imersiva que ocupa o térreo do espaço da galeria. A instalação é uma adaptação da

obra “work in progress” Les Archives du Coeur (Os Arquivos do Coração) que, desde 2005, vem

percorrendo diversas instituições de arte coletando batimentos cardíacos de audiências ao

redor do mundo. O trabalho – uma espécie de registro existencial universal, segundo o próprio

artista – vai ganhando forma a medida que esses registros públicos vão sendo adicionados ao

arquivo permanente do artista, instalado na remota ilha japonesa Teshima.

 

Em “Heartbeats”, o processo se inverte: em vez de coletar as batidas dos visitantes, Boltanski

compartilha suas próprias. Por meio de amplificadores, os sons ressoam pelo ambiente

convidando o público para um mergulho no coração do artista. O órgão, comumente associado

ao símbolo da vida, se apresenta aqui como elo comum ao mesmo tempo que compõe a

singularidade de todos os seres. Arquivos e diretórios fazem parte do fascínio do artista desde

os anos 1960. Para Boltanski, eles representam grandes paradoxos: se por um lado são uma

forma potente e preciosa de reconquistar as perdas, por outro são passíveis de limitações e

inverdades. A partir deles, seus trabalhos lançam reflexões acerca da morte, da passagem do

tempo e da luta pela conservação das “pequenas memórias emocionais”. Para ele, essas

últimas confrontam aquelas registradas em livros de história por serem as grandes

colecionadoras das particularidades das experiências humanas.

 

 

Sobre o artista

 

Christian Boltanski nasceu em 1944, em Paris e atualmente vive e trabalha em Malakoff, na

França. Escultor, fotógrafo, pintor e cineasta, é considerado hoje um dos mais consagrados

artistas contemporâneos. O francês foi vencedor de diversos prêmios incluindo o Kaiser Ring,

Goslar, em 2001, o Praemium Imperiale Award pela Japan Art Association, em 2007, e mais

recentemente o Generalitat Valenciana’s International Julio González Prize, este ano.

Participou das principais mostras de arte do mundo como a Documenta (1972, 1977 e 1987) e

a Bienal de Veneza (1980, 1993, 1995 e 2011) e teve grandes retrospectivas e individuais nas

mais renomadas instituições de arte incluindo o Centre Georges Pompidou, em Paris, os

museus de arte contemporânea de Chicago e de Los Angeles, o Park Avenue Armory, em Nova

Iorque e Serpentine e Whitechapel Gallery, em Londres. Boltanski também tem trabalhado

com projetos de teatro incluindo Théâtre du Châtelet, em Paris, e o Ruhr Triennale, na

Alemanha.

 

 

Sobre a galeria

 

A Baró Galeria abriu suas portas em 2010 e desde então se estabeleceu como referência em

arte internacional no circuito brasileiro. Dirigida por Maria Baró (espanhola de nascimento), a

galeria busca aprofundar o diálogo entre artistas, curadores, colecionadores e instituições

culturais através, principalmente, de trabalhos site-specific. Em sua nova fase, a galeria volta

sua atenção para grandes artistas que despontaram entre os anos 1970 e 1980, como o filipino

David Medalla, o mexicano e ex-integrante do grupo Fluxus, Felipe Ehrenberg, o brasileiro

Almandrade, o chinês Song Dong e agora o francês Christian Boltanski.

 

 

Até 12 de setembro.

Damián Ortega na Fortes Vilaça

A Galeria Fortes Vilaça, Vila Madalena, São Paulo, SP, apresenta “Paisagem”, a nova exposição de Damián Ortega. O artista mexicano emprega o isopor em dois novos trabalhos de grande escala. As instalações são um desenvolvimento do seu recente trabalho junto de escultores do carnaval carioca, no MAM do Rio de Janeiro. De um lado, o material de caráter efêmero se solidifica numa alusão à arquitetura modernista de São Paulo. De outro, ele se transforma numa paisagem abstrata onde sobras e desperdício desempenham papel central e revelam a ênfase dada ao processo.

 

Na obra “Abertura”, instalada no alto do saguão da galeria, Ortega recria em isopor e gesso uma secção do teto do terraço do Edifício Bretagne. Esse prédio, construído em 1959 e projetado por João Artacho Jurado, é considerado um marco da arquitetura paulistana. Os característicos círculos vazados do seu teto, que no prédio modernista permitem a passagem de luz e chuva, ecoam o desejo do artista de criar canais que conectem interior e exterior, como se sua obra fosse um exercício de abrir janelas.

 

Essa relação é explorada também em “Paisagem”, a instalação que dá nome à mostra. Ortega furou um cubo de isopor de 2,5 m a partir de seu centro, deixando que todo o pó do material se espalhasse pelo térreo da galeria. A “casca” do cubo permanece no espaço e age como a memória de sua forma, agora fragmentada em inúmeras partículas. Há aí uma certa ironia em fazer uma paisagem nevada para São Paulo, mas também o interessante jogo de trazer o interior do cubo para fora, que por sua vez está dentro de outro cubo, que é a galeria. Ortega enfatiza a experiência e o processo, evocando o interminável ciclo de transformação da matéria.

 

 

Sobre o artista

 

Damián Ortega nasceu na Cidade do México em 1967, e atualmente vive e trabalha entre sua cidade natal e Berlim. Entre suas exposições individuais, destacam-se: Casino, Hangar Bicocca (Milão, 2015); O Fim da Matéria, MAM (Rio de Janeiro, 2015); Cosmogonia Doméstica, Museo Jumex (Cidade do México, 2014); Apestraction, The Freud Museum (Londres, 2013); Do it yourself, Institute of Contemporary Art (Boston, 2009);  Champ de Vision, Centre Pompidou (Paris, 2008); The Uncertainty Principle, Tate Modern (Londres, 2005); Cosmic Thing, Institute of Contemporary Art (Filadélfia, 2002). Destacam-se ainda suas participações nas Bienais de Sharjah (2015), de Veneza (2013 e 2003), de Havana (2012), de São Paulo (2006), de Berlim (2006), de Sydney (2006) e de Gwangju (2002). Sua obra está presente em diversas coleções públicas ao redor do mundo, como MOMA (Nova York), MOCA (Los Angeles), CIFO (Miami), Centre Pompidou (Paris), Fundación Jumex (México) e Inhotim (Brumadinho), entre outras.

 

 

De 04 a 29 de agosto.

Lume na SP-Arte/Foto

A Galeria Lume participa da edição 2015 da SP-ARTE/FOTO, levando para seu stand um recorte de seu portfólio, com obras dos fotógrafos brasileiros Claudio Edinger, Gal Oppido e Penna Prearo, e do inglês Martin Parr. Entre as fotografias em exposição, o público encontra trabalhos diversificados como as séries “Rio de Janeiro”, de Claudio Edinger, “As Duas”, de Gal Oppido, a inédita “Celestinas”, de Penna Prearo, e “Amalfi”, uma prévia da individual de Martin Parr, que acontece ainda este ano.

 

Para 2015, a programação da galeria já incluiu as individuais de Alberto Ferreira e Kilian Glasner, a 1ª Coletiva Experimenta, além das feiras SP-Arte, Arte Lima e Paris Photo LA. Ainda estão previstas exposições de Florian Raiss, Claudio Alvarez e Martin Parr para este ano, bem como novas edições dos projetos paralelos Jazz na Lume e Sarau na Lume.

Os percursos nada óbvios de Alair Gomes

03/ago

POR VITOR ANGELO

 
Uma pequena pérola brilha em preto e branco, de forma intensa, no centro da cidade de São

Paulo. Desde sábado, a exposição “Alair Gomes – Percursos”, que fica até o dia 4 de outubro

na Caixa Cultural, na praça da Sé, joga luz não só para questões contemporâneas como o

voyeurismo e o desejo, a releitura do homoerotismo da Grécia clássica como o próprio status

da fotografia.

 

Alair Gomes, que teve seu trabalho reconhecido depois de sua morte, em 1992, utiliza as

contradições em seu jogo dialético de descobrir a essência da fotografia, o denominador

comum de uma imagem e isto só é possível de termos entendimento pela excelente curadoria

e montagem da exposição feita por Eder Chiodetto.

 

Logo na entrada da exposição temos as fotos até então inéditas feitas por Alair na Praça da

República, em São Paulo. É a antítese do que estamos acostumados a conhecer do que seria as

fotos de Gomes. Não estamos na região das praias, nem dos corpos seminus, apreciados à

distância por uma teleobjetiva, como nos seu conhecidíssimo trabalho conhecido como a série

fotográfica Sonatines, Four Feet. Aqui, ele se aproxima de seus objetos como identificação,

não como algo que deseja. Ele encara as pessoas com sua câmera, que sabem que estão sendo

encaradas e muitas vezes olham direto na lente, como reflexo. Elas estão razoavelmente

vestidas, mas aí entra outro um componente que o fotografo aprendeu com Antiguidade

Clássica e seu trabalho de fotografar as estátuas greco-romanas, conseguir extrair erotismo do

que vê.

 

Ele entende que o erotismo é um componente presente no êxtase e ora trabalha no campo da

sexualidade ora da religiosidade as confrontando no que existe de seus opostos e em suas

semelhanças como se fosse a síntese de uma Santa Teresa D’Ávila e um Marquês de Sade. Um

dos pulos do gato da exposição é colocar as Sonatines, de caráter mais terreno e físico com

seus Beach Triptychs que dialoga, à sua maneira (espiritual em carne), com os trípticos

religiosos da arte renascentista.

 

Existe também a questão da narrativa, ou movimento, como algo que se dá no tempo, e aquilo

que é estático, está hibernado de calor carioca e se dá no espaço. O que era um problema para

a pintura, a questão do movimento narrativo, para Alair é solução, está ali o que ele considera

o específico da fotografia, que a diferencia de outras artes visuais e podemos perceber isto de

forma clara nas Sonatines que contam uma história entre uma foto e outra. Mas isto não

invalida os closes estáticos e explícitos de pênis e ânus que encontramos em Symphony of

Erotic Icons, ali ele apreende aquilo que se dá no tempo (o sexo), como algo no espaço (o

desejo voyeur).

 

Os jogos em contradição que Alair cria em sua intensa experiência fotográfica também diz

muito de nós, da nossa vontade inerente de desejar, da solidão do olhar que deseja, da

distância (muitas vezes abissal, muitas vezes não) imaginada entre o que te erotiza e o prazer e

mais do que tudo: que aquilo que alimenta nosso desejo está muito mais em nós ( a tal

erotização) do que no que é desejado.

Na Marcelo Guarnieri/Jardim Paulista

Residente em Londres e São Paulo, a artista brasileira Mariannita Luzzati apresenta, na Galeria

Marcelo Guarnieri, Jardim Paulista, São Paulo, SP, individual de sua recente produção. Com

pinturas e desenhos figurativos, Mariannita Luzzati mostra paisagens naturais do Brasil, com

destaque a apuração das cores, a preocupação com as formas e com os volumes.

 

“As paisagens de Luzzati, embora tomando por base lugares específicos, são suficientemente

abstratas para remeter a inúmeras referências e memórias. Como espectadores, temos a

sensação de “já termos estado ali”, de conhecermos os lugares e, sendo assim, dada a sua falta

de especificidade, eles falam às nossas experiências individuais, nossas lembranças pessoais e,

portanto, nossa constituição psicológica.” Afirma Gabriel Pérez-Barreiro in: Mariannita Luzzati

e a Pintura de Paisagem em Geral.

 

Após a fase de exercício na pintura abstrata e do uso intenso das cores, a artista Mariannita

Luzzati apresenta série inédita de telas e pequenos desenhos. Quatro anos fotografando e

pesquisando as paisagens naturais do Brasil, fizeram com que a artista, nascida e criada em

São Paulo, se reaproximasse dos cenários que compõem a imaginação e a memória do país,

como os balneários litorâneos e as montanhas de lugares como Minas Gerais, Rio de Janeiro e

Espírito Santo. Naquilo que Luzzati intitula de “alerta do olhar”, a visão externa e distanciada

das coisas, – dividir seu tempo entre Londres e SP desde 1994 – fez com que o seu trabalho de

pesquisa na pintura se aproximasse, cada vez mais, do exercício do figurativo, do interesse

pelas formas e pelos volumes, em consonância com a apuração das cores.

 

Intitulando-se como pintora, a artista pertencente à geração dos anos 90, Mariannita Luzzati

busca a aproximação com a dimensão das formas das geologias brasileiras – especialmente a

volumetria das montanhas de estados como o Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo –

na tentativa de retirá-las do estado de deturpação, seja pelo olhar ou pelo Tempo, para

restaurar estas paisagens na pintura e no desenho.

 

Em um processo que integra fotografia, pintura e desenho, com suas técnicas e linguagens

próprias, o trabalho começou a quatro anos fotografando estes espaços; das lentes das

câmeras, as paisagens ganham contornos figurativos, e reaparecem, num outro sentido, em

telas horizontais, verticais e quadradas de dimensões que fogem dos padrões de tamanhos

habituais. Neste momento, o interesse é a captação da dimensão espacial, o apuro do uso de

cores, transitando numa cartela primária e sóbria com brancos, cinzas, esverdeados e pretos.

Não convencionais para uma paisagem e espírito brasileiros, a justificativa na escolha destes

tons, encontra-se na percepção da artista da intensidade da luz no Brasil, em oposição, por

exemplo, à luz de Londres, que revela, no primeiro caso, uma sutileza de tonalidade das cores.

Destaca-se, então, a necessidade pela pintura, que cria universos que adquirem personalidade

e transformam a natureza num espaço monumental.

 

Como exercício da geografia e do espacial nas artes, a etapa seguinte é transformar o olhar das

paisagens, depois da pintura feita, em desenhos de pequenos tamanhos. “Para mim, o

desenho é uma depuração da pintura”, afirma a artista, que, após um hiato de muitos anos

sem desenhar, volta a aproximar o traço do desenho feito com lápis duro como se fosse a

ponta seca da gravura em metal, sem perder o brilho da maior preocupação do seu trabalho: o

rigor e a beleza das formas.

 

 

De 15 de agosto a 15 de setembro.

Lançamento da ST.024

29/jul

 

Chega ao circuito cultural a edição número 1 da ST.024, portfólio de imagens em formato de

revista que será lançada dia 04 de agosto na Zipper Galeria, Jardins, São Paulo, SP, com ensaios

de João Castilho, Luiz Braga, Julio Bittencourt, Alexandre Battibugli e Drago, além de uma

agenda dos eventos de fotografia. A proposta do publisher Renê de Paula é oferecer uma

experiência tátil com a fotografia, um contato lento e sensível com a imagem impressa – tão

incomum nos dias de hoje, especialmente em razão da quantidade infinita de imagens

disponíveis no ambiente virtual.

 

Disponibilizada unicamente em versão impressa, a ST.024 não possui textos, apenas

fotografias, e reúne todos os recursos técnicos disponíveis em sua criação, para que a

reprodução das imagens fique o mais próximo possível do que se encontra no arquivo original,

produzido pelo fotógrafo. A publicação ainda possui um encarte, em formato de pôster, com

duas imagens selecionadas entre os principais editoriais de cada edição. “Os leitores vão

encontrar na St.024 um ambiente plural, pautado sempre pela qualidade e pela busca de

proporcionar experiências transformadoras para aqueles que, de alguma forma, se comunicam

através de imagens.”, comenta Renê de Paula. Em um primeiro momento, a ST.024 terá

periodicidade bimestral e poderá ser encontrada nas principais bancas e livrarias de São Paulo,

e muito em breve em todo o Brasil. A edição número “zero” foi lançada em novembro de

2014, e teve Andy Summers como fotógrafo convidado, autor da capa e do editorial principal.

Registro

27/jul

O Sesc Santo André, Vila Guiomar, Santo André, São Paulo, SP, como parte da programação de atividades paralelas à mostra “A Experiência da Arte”, promoveu a palestra Ideias Sobre Experiência nas Artes, com o curador Paulo Miyada. Na ocasião, o convidado conversa com o público sobre arte, estética e as inúmeras possibilidades de vivenciar experiências de visitas em exposições, desde as tradicionais até as formas experimentais e artísticas. A exposição A Experiência da Arte conta com a curadoria de Evandro Salles e nove obras, independentes entre si, dos artistas Cildo Meireles, Eduardo Coimbra, Eleonora Fabião, Ernesto Neto, Waltercio Caldas, Wlademir Dias-Pino e Vik Muniz. Entre esculturas, fotografias, instalações, obras sonoras, performances e poemas visuais, a mostra propõe uma imersão plena no universo poético da arte, ao apresentar peças com diferentes abordagens e estratégias de relação com o público: algumas de total interatividade, outras reflexivas ou inteiramente contemplativas.

 

 

Sobre Paulo Miyada

 

É curador do Instituto Tomie Ohtake, onde coordena o Núcleo de Pesquisa e Curadoria desde 2011 e ministra cursos pela Escola Entrópica. Em 2013, concluiu mestrado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. Atualmente é também curador adjunto do Panorama da Arte Brasileira de 2015.

 

 

Sobre o Sesc Santo André

 

Inaugurada em 09 de março de 2002, a unidade possui 31.684,87 metros quadrados de área, nos quais lazer, esporte e cultura estão presentes em permanente atividade. O projeto arquitetônico, de autoria de Tito Lívio Frascino e Vasco de Mello, oferece ao público espaços amplos, confortáveis, agradáveis, que abrigam os mais atuais conceitos em arquitetura e equipamentos. As instalações compreendem teatro, espaço de eventos, biblioteca, CDteca, área de convivência, lanchonetes, parque aquático, quadras, salas de múltiplo uso, salas de ginástica, odontologia, internet livre, estacionamento, vestiários e gramado.

 

Com capacidade para receber 4.500 pessoas por dia, o SESC Santo André atua como um polo regional, atendendo às várias comunidades simultaneamente, beneficiando diretamente a categoria comerciária que nelas reside e trabalha. O SESC tem claramente esse objetivo e essa vocação. É mais uma unidade desenvolvendo seu trabalho de natureza educacional, elegendo a educação informal, como cursos, oficinas, palestras, seminários e atividades físicas competentes, prazerosas e interativas, sempre em busca do novo e do atual, democratizando a cultura, no aprimoramento da cidadania.

Na Galeria Eduardo Fernandes

A artista Claudia Melli abre mostra inédita na Galeria Eduardo Fernandes, Vila Madalena, São Paulo, SP. Claudia Melli, que acaba de encerrar uma temporada de três meses no MAM-Rio, onde apresentou um recorte de sua carreira, expõe em São Paulo um trabalho totalmente novo em sua trajetória. Na mostra “E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música”  Claudia Melli exibe uma instalação de 26 metros composta por 37 peças de tamanhos variados, unidas de maneira linear, ocupando toda a extensão da galeria.

 

A artista utiliza nas peças a mesma técnica dos últimos trabalhos, nanquim sobre vidro, e explora limites entre o desenho e a pintura, que remetem à fotografias. Claudia Melli usa lâminas de vidro onde encontrou seu suporte ideal. Ela o banha em nanquim diluído em água e desenha na parte de trás com  nanquim. “O vidro tem sido o suporte que melhor responde à minha intenção de aproximar o desenho da fotografia. Para isso trago para o trabalho questões que são do universo da fotografia, como enquadramento, veracidade da imagem e principalmente a luz. A luz é potencializada pela transparência e reflexividade do vidro, características próprias desse material que está longe de ser um suporte passivo. Sua transparência deixa vazar o que está atrás, o tempo todo nos vemos e vemos o entorno refletidos quando observamos o trabalho,

 

Nesta instalação a artista conversa com o público sobre o humano. Ela conta que a linguagem do corpo ultrapassa as barreiras da  língua, as barreiras culturais, é a fala mais potente e honesta que se pode ter. Usou como referência os movimentos de Pina Baush, coreógrafa e bailarina alemã, ícone e criadora da “dança-teatro” contemporânea, focada no elemento humano e na sensibilização e reflexão do público. “Quando comecei a pensar essas imagens tinha em mente como as individualidades se relacionam, se fragmentam, se conectam,  desconectam, e seguem sendo únicas”, diz a artista. É notório, na história da arte, que fotógrafos tenham se inspirado na obra de grandes pintores e na forma como eles captavam a luz. Goya, Caravaggio e todo o impressionismo francês fazem parte dessas referências. A exposição “E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos pelos que não podiam escutar a música” percorre justamente o caminho inverso: o código fotográfico é o caminho para a artista chegar a seus desenhos.

 

 

Sobre a artista

 

Claudia Melli nasceu em São Paulo, onde morou até os 14 anos. Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1980, onde construiu sua formação artística. Começou a se interessar por pintura no final dos anos 90 e passou a frequentar aulas no Parque Lage, de pintura, desenho, gravura, teoria, arte digital, entre outros. Claudia Melli vem traçando sua carreira utilizando o desenho, a luz, o enquadramento e o pensamento da fotografia. Já participou de exposições individuais no Rio de Janeiro, São Paulo e em Basel (Suiça), e recebeu em 2012 o II Prêmio Itamaraty de Arte Contemporânea. Seus trabalhos estão em coleções como o Instituto Figueiredo Ferraz; Coleção Gilberto Chateaubriand – MAM RJ; Coleção Banco Espírito Santo ; Artur Lescher; Heitor Martins e José Olympio Pereira.

 

 

Até 17 de outubro.

Lançamento

Será lançado no dia 6 de agosto, a partir das 19h00, na Cinemateca Brasileira, Largo Senador Raul Cardoso, 207, Vila Clementino, São Paulo, SP, o livro sobre a obra do artista plástico Inos Corradin, “O Ilusionista na estrada”. O volume procura ser fiel ao trabalho de Inos. O título, “O Ilusionista…”, se refere ao mágico e comovente personagem constante em sua pintura e é também uma referência à Commedia dell’ arte, fonte histórica de sua arte. E também é uma alusão a própria vida deste pintor de 85 anos, herói aos 14 anos da resistência italiana na Segunda Guerra Mundial, e tão poeticamente entusiasmado hoje quanto foi na sua adolescência.
A seguir um pequeno recorte do ensaio do crítico de arte Jacob Klintowitz sobre Inos

 

 

  Em Inos Corradin todo mar é lua e toda lua é sonho.

 

Todas as coisas querem ser preservadas até a eternidade. Aliás, se a eternidade existe, tudo é eternidade, inclusive o que deseja se tornar eternidade. É tão persistente a sobrevivência de certas técnicas, como a pintura, e de algumas formas artísticas, que penso que elas fazem parte deste duplo, o desejo de ser eterno e o oceano de eternidade.

 

Em apoio à complexidade do seu personagem principal, a alma manifesta do trabalho de Inos Corradin, aquele que o acompanha desde sempre, o Ilusionista, o mágico, este artista da transformação e das aparências, existem relatos ancestrais, narrativas míticas de sua onipresença, pois o Ilusionista é um ser especial e sagrado. A primeira carta do Tarô é o Ilusionista. É ele que oficia o diálogo entre o céu e a terra. O Ilusionista canaliza o fluxo luminoso entre o Homem e o Divino.

 

Talvez Inos Corradin pertença ao grupo restrito de profetas, aqueles que denunciam os poderosos e as práticas convencionais e amortecedoras e preveem as desgraças futuras.

Ou, talvez, seja só um pintor poeta, e esteja entre aqueles cuja obra pretende traçar um mapa do labirinto incompreensível e indecifrável onde estamos: a nossa vida neste universo constituído de formas que englobam formas e de presenças que não vemos e só deduzimos. Este universo que ora nos parece sem sentido, ora nos parece fruto de um plano perfeito.

 

…Inos Corradin fica entregue aos seus solilóquios, à lembrança de sua pregressa vida aventurosa, à leitura de ficção e história, e ao desenrolar espontâneo dos seus pensamentos. Inos filosofa. É neste momento que ele desenha e planeja a sua pintura do dia que virá. À noite, o raciocínio, o discernimento, a capacidade de estabelecer os limites, o contorno dos objetos, das paisagens, dos personagens. A cada noite a sua meditação. De dia, a emoção de colorir o mundo, de dar vida ao pensamento, de permitir que a emoção aflore, que o amor domine tudo e o que pensou, o que desenhou, se torne pintura e sensação do mundo. A cada alvorecer, o sentimento do universo.