Arte erótica na TATO

11/mar

A Galeria TATO, Pinheiros, São Paulo, SP, comunica e apresenta a abertura de seu novo projeto “DARK ROOM”, com o artista Sidney Amaral e curadoria de Claudinei Roberto.

 

“DARK ROOM” é uma pequena sala expositiva dedicada inteiramente à arte erótica, buscando criar um espaço de livre imersão na produção contemporânea sem censuras.

 

Às 13h do dia 12 de março acontece um bate-papo sobre a exposição “Objeto inquieto: Esculturas de Sidney Amaral” com o artista e o curador Claudinei Roberto.

 

 

 

De 12 de março a 07 de maio.

Luisa Editore na Oscar Cruz

A Galeria Oscar Cruz, Vila Nova Conceição, São Paulo, SP, apresenta a segunda exposição individual da artista chilena radicada em São Paulo, Luisa Editore. A mostra traz obras inéditas, incluindo pinturas e colagens, que reafirmam o interesse da artista pelos processos da fatura da pintura e das suas etapas de produção. Luis Editores tem desenvolvido nos últimos anos, uma linguagem baseada na aplicação de fita adesiva para demarcar a pintura, e o seu uso posterior em outros suportes, como cartões. Criando assim, uma espécie de sistema, onde todo material é aproveitado e aplicado.

 

Em “AllaBreve, instalação que dá nome à exposição, onze cartões são alinhados por uma paleta de tons de vermelho encontrados em cada cartão. Nesta operação, ela descreve o trajeto inverso da pintura, como se respondesse a questão: realinhar algo que foi desconstruído e buscar um fio de nexo nas obras.

 

O título da exposição funciona quase que por antítese, referindo-se mais ao campo da música e da matemática, do que ao seu significado literal (“à maneira de” – “com rapidez”) – que sugere um ritmo bastante rápido. Visto que na pintura a óleo, a fatura é lenta, longa, permanente, profunda.

 

Na série de aproximadamente doze pinturas de médio e pequenos formatos, em sua maioria, passa a pensar o espaço por justaposição de grades, com deslocamentos modulados pelas espessuras das fitas adesivas. Nestas telas notamos a clareza da matemática, dada pela repetição do eixo ortogonal, que preenche o campo da pintura. Enquanto em outras telas destaca os cortes e rupturas dos planos das grades, para obter prováveis espaços de aberturas, cantos e frestas de luz. Referências à Arquitetura e ao automatismo dos processos da própria pintura estão lançados.

 

Há de se destacar, que no percurso da exposição duas pinturas contém grandes percentuais de campos negros, chegando a 80% uma delas. Essas obras foram as primeiras que foram criadas para a exposição e demarcam um provável hiato. Nota-se a partir daí, um interesse peculiar no espaço da tela e da pintura. Além da representação de possíveis plantas de arquitetura ou cidades em vista aérea, o olhar estaria mais aproximado do espaço desejado, em direção a um caminho onde a própria linguagem torna-se mais clara. Como se na escuridão,encontrasse o mínimo de clarão para ancorar o exercício da pintura.

 

 

 

Até 29 de abril.

Gabriel Wickbold registra mulheres

09/mar

O fotógrafo Gabriel Wickbold reuniu mais de 50 mulheres em um ensaio contra o machismo. Intitulado “Antes nua do que sua”, o projeto teve a participação de algumas mulheres famosas, como Didi Wagner, Fernanda Paes Leme e Carol Bittencourt. Esta foi sua forma de homenagear o Dia Internacional da Mulher

 

Os cliques, todos em preto e branco, foram feitos na casa de Gabriel, em São Paulo, com luz natural e sem usar Photoshop. Dessa forma, o fotografo pode encontrar um momento tranquilo para desvendar o universo de cada mulher. A série fotográfica foi divulgada pelo Instagram , ao lado de frases sobre o empoderamento feminino, como “Não se nasce mulher: torna-se”, da escritora francesa Simone de Beauvoir.

 

O fotógrafo explica mais sobre o ensaio: “As fotos falam muito sobre a independência da mulher em relação a sua próprio corpo. As situações abordam a ideia de que homem nenhum pode ter direito sobre o corpo da mulher”.

 

 

O Que: Série @antesnuadoquesua

Quem: Gabriel Wickbold

Quando: 8  a 28 de março de 2016

Como:  Instagram – @antesnuadoquesua

 

Na Marcelo Guarnieri

A exposição coletiva apresentada na Galeria Marcelo Guarnieri, Jardins, São Paulo, SP, explora os aspectos encontrados na produção de artistas que tratam do gênero “Natureza-morta”. A mostra não se dedica a traçar um compêndio de artistas que trabalham ou trabalharam com o tema, mas em realizar um recorte específico dentro da produção de Ana Sario, Eleonore Koch, Flávia Ribeiro, Gabriela Machado, Iberê Camargo e Masao Yamamoto. Através da interseção de práticas diversas – pintura, desenho, escultura e fotografia – são exibidos alguns caminhos e interpretações a partir da tradição pictórica.

 

 

Sobre os artistas e a exposição

 
A exposição se inicia com Iberê Camargo (1914 – Restinga Seca, RS, Brasil / 1994 – Porto Alegre, RS, Brasil) e seu interesse por objetos prosaicos – carretéis e dados – que aparecem nas obras do artista como o elemento central, tudo gira em torno dessa busca em esgotar a imagem, de trazer para o plano a memória de infância e dar aos objetos um privilégio de existência.

 

No mesmo sentido, Eleonore Koch (1926 – Berlim, Alemanha) toma como assunto prosaicas estruturas contemplativas – vasos, flores, mesas, cadeiras – com as quais, a artista sacraliza tais narrativas, como bem aponta  Theon Spanudis em correspondência com a artista: “(…) Eleonore sacraliza os objetos de uso diário. Contra a nossa mania profana de usar tudo como objeto de imediato consumo, ela reganha para o simples objeto sua dimensão sacral. Os amplos espaços sensíveis (que não são os espaços vazios e mortos dos matemáticos e cientistas), fazem parte integral de sua intenção de ressacralizar o objeto perdido no fluxo constante do consumo mecânico. Uma secreta poesia emana dos seus coloridos, objetos, configurações estranhas e seus espaços amplos e humanos.”

 

Flávia Ribeiro (1954 – São Paulo, Brasil) apresenta esculturas da série “Campos de acontecimentos e aproximações”, onde objetos de madeira e de bronze banhados a ouro são dispostos em cima de mesas de gesso. Uma composição onde a ordenação se dá pelos conjuntos de materiais com pesos, formas e funções díspares, todo o conjunto se aproxima de um desenho concebido no espaço, quase como um campo lunar.

 

Ana Sario (1984 – São Paulo, Brasil) exibe uma série de pequenas pinturas a óleo produzidas nos últimos meses, a escala diminuta do trabalho aproxima o espectador da imagem. A artista retrata com pincelada espessa um universo prosaico e interiorano – pato, árvore, varal, casa – há um embate entre a sutileza da cena retratada e a matéria densa da tinta. As pinturas se apresentam como frames de uma cena panorâmica.

 

Gabriela Machado (1960 – Joinville, SC, Brasil) tem realizado nos últimos anos esculturas em porcelana que, paralelo a produção pictórica, tem exibido seu interesse pela natureza em outras formas de execução. Os mesmos elementos encontrados nas pinturas aparecem nas esculturas – cor, gesto, camada – e principalmente a curiosidade da artista pelas possibilidades do material.

 

Masao Yamamoto (1957 – Gamagori, Japão) tanto na série “A Box of Ku” quanto “Nakazora” coloca em primeiro plano o ordinário, que se revela em sua produção sempre como algo de extrema importância. A partir de um olhar não ocidental o artista capta o que escapa aos olhos, o que sempre esteve lá e nunca foi percebido – penas, pedras, pratos são retratados com sutileza e poesia.

 

 

Até 30 de março.

Natureza franciscana

26/fev

O MAM – Museu de Arte Moderna de São Paulo, Parque do Ibirapuera, Av. Pedro Álvares
Cabral, s/nº – Portão 3, São Paulo, SP, apresenta a exposição “Natureza franciscana”, uma noção contemporânea da relação colaborativa entre o ser humano e a natureza. Com curadoria de Felipe Chaimovich, a mostra é organizada a partir das estrofes do “Cântico das Criaturas”, canção escrita por Francisco de Assis, provavelmente entre 1220 e 1226, reconhecida como texto precursor das questões referentes à ecologia.

 

Para contemplar a linha de arte e ecologia, o curador selecionou artistas que utilizam elementos da natureza em suas produções, reunindo 18 obras da coleção do museu somadas a 19 empréstimos, totalizando 37 trabalhos que são exibidos em diferentes suportes como fotografia, desenho, gravura, vídeo,  livro de artista, instalação, obra sonora, objeto, escultura e bordado. “As obras originam-se de relações com os elementos descritos no Cântico: sol, estrelas, ar, água, fogo, terra, doenças e atribulações e, por fim, a morte”, explica Chaimovich, um estudioso da obra de Francisco de Assis há 15 anos.

 

 

Sobre a exposição

 

Dividida conforme os elementos citados na canção” Cântico das Criaturas”, de Francisco de Assis, a mostra começa com o sol representado pela fotografia em cores “Lâmpada”, de 2002, da artista Lucia Koch, ao lado das fotografias em preto e branco “The celebration of light”, de 1991, de Marcelo Zocchio, e dos 12 livros da série “I got up”, 1968/1979, do japonês On Kawara.

 

O elemento água é tematizado pelas fotografias “A line in the arctic #1” e “A line in the arctic #8”, 2012, do paulistano Marcelo Moscheta, e pelas obras relacionados ao projeto Coletas, da artista multimídia Brígida Baltar, que incluem imagens da série “A coleta da neblina”, entre 1998 e 2005, cinco desenhos em nanquim sobre papel de 2004, a escultura em vidro” A coleta do Orvalho” de 2001 e o vídeo “Coletas” de 1998/2005.

 

Em contraponto, o fogo é simbolizado pelo vídeo “Homenagem a W. Turner”, de 2002, de Thiago Rocha Pitta, e pelos vestígios de fumaça sobre acrílico e sobre papel feitos pela escultora e desenhista Shirley Paes Leme. O elemento ar fica a cargo da escultura “Venus Bleue”, do artista francês Yves Klein. As estrelas são apresentadas por meio de sete fotografias do alemão Wolfgang Tillmans. Representando a terra, são expostas 30 caixas de papelão cheias de folhas e galhos de árvore embalados em plástico, papelão e fotografias em cores, instalação feita em 1975, por Sérgio Porto, além do relevo em papel artesanal, de 1981, de Frans Krajcberg.

 

As doenças e atribulações são tematizadas pela instalação “Dis-placement”, 1996-7, de Paulo Lima Bueno: numa sala com mobiliário, frascos de remédio, rosas, lona, giz e tinta, o artista demonstra os caminhos percorridos por ele para alcançar e tomar todos os remédios para combater os efeitos da Aids, antes do surgimento dos coquetéis anti-HIV. A artista “Nazareth Pacheco” exibe série de fotografias em preto e branco, de 1993, que mostram a malformação congênita do lábio leporino, dentes, raio-x e objeto de gesso.
Por fim, a morte é representada pelo último tecido bordado por José Leonilson antes de falecer, em 1993. Permeando a exposição, a instalação sonora “Tudo aqui”, de 2015, da artista Chiara Banfi, alcança todo o espaço expositivo e abrange todos os elementos representados.

 

 

A palavra do curador

 

Francisco de Assis pode ser considerado fundador da ecologia. Para ele, o ser humano tem uma relação de colaboração com os elementos naturais: a natureza não é subordinada aos interesses humanos. Embora o ser humano se posicione como uma parte singular da natureza, os demais elementos devem ser tratados por nós como membros de uma só família universal.

 

Francisco de Assis escreveu uma letra de música com suas ideias: o “Cântico das Criaturas”. Desde jovem ele cantava trovas de amor em francês. Nos últimos anos de sua vida, escreveu o “Cântico” na língua de sua terra natal, na Itália; nele, os diversos elementos naturais e as fases da vida são acolhidos como irmãos e irmãs.

 

Depois da morte de Francisco de Assis, em 1226, os Franciscanos incentivaram um novo olhar para o universo, enxergando nele traços de uma mesma geometria que uniria o pensamento humano aos elementos naturais. Os Franciscanos incentivaram a descoberta da perspectiva a partir dos estudos da geometria da luz e, assim, o nascimento da arte fundada no desenho em perspectiva.

 

Reunimos aqui artistas que colaboram com elementos da natureza e da vida em seus trabalhos. As obras estão agrupadas conforme as partes do “Cântico” de Francisco de Assis: sol, estrelas, ar, água, fogo, terra, doenças e atribulações, morte. A relação entre arte e ecologia torna-se evidente ao compreendermos a posição fundadora de Francisco de Assis em nossa cultura.

 

Artistas convidados: Lucia Koch, Marcelo Zocchio, On Kawara, Marcelo Moscheta, Brígida Baltar, Thiago Rocha Pitta, Shirley Paes Leme, Yves Klein, Wolfgang Tillmans, Sérgio Porto, Frans Krajcberg, Paulo Lima Buenoz, Nazareth Pacheco, José Leonilson e Chiara Banfi.

 

 

De 27 de fevereiro a 05 de junho.

Paisagem nas Américas

23/fev

A exposição “Paisagem nas Américas: Pinturas da Terra do Fogo ao Ártico” entra em exibição na Pinacoteca do Estado de São Paulo, Luz, São Paulo, SP, neste final de mês. A mostra esteve recentemente em cartaz na Art Gallery of Ontario, em Toronto, Canadá, e no Crystal Bridges Museum of American Art, de Bentonville, nos EUA. Essa exposição nasceu de uma parceria inédita firmada em 2010 entre a Pinacoteca de São Paulo, a Art Gallery of Ontario e a Terra Foundation for American Art (Chicago, EUA) e trará ao Brasil obras de grandes artistas do continente americano, como os brasileiros Tarsila do Amaral e Pedro Américo, os americanos Frederic Church e Georgia O’Keeffe, os mexicanos José Maria Velasco e Gerardo Murillo, Dr. Atl, além dos canadenses Lawren Harris e David Milne, do venezuelano Armando Reverón, e dos uruguaios Pedro Figari e Torres-Garcia, entre outros.

 

 

De 27 de fevereiro a 29 de maio.

Processos criativos

O Wesley Duke Lee Art Institute, São Paulo, SP, abre na Ricardo Camargo Galeria, Jardim Paulistano, a exposição coletiva Proces/sos Cri/ativos –  Ex/periência  com 15 jovens artistas convidados a vivenciar uma experiência única: produzir a partir de uma imersão no universo de Wesley Duke Lee. Com obras em suportes diversos como pintura, colagem, fotografia, gravura, serigrafia e projeção em slide, e curadoria de Patricia Lee, concretiza-se mais um dos sonhos do artista de poder transmitir às novas gerações seu conhecimento e influências.

 

Por um período de dois meses, com encontros semanais, os artistas frequentaram a instituição – uma casa/museu – e tiveram acesso aos livros, textos diversos, fotografias, filmes, desenhos, livros, objetos e obras, podendo assim captar o artista em sua  essência. Como comentava Wesley Duke Lee, sua casa era ele mesmo virado de dentro para fora. Muitos artistas utilizaram referências do Grupo Rex, do qual Wesley Duke Lee foi um dos fundadores, que oferecia um contraponto combativo e bem-humorado ao mercado de artes, na década de 1960. Essas referências estão agora disponíveis na biblioteca do WDLAI.

 

A possibilidade de imersão no universo de Wesley Duke Lee é um dos objetivos do Instituto e um dos sonhos do artista, coordenado por sua sobrinha, Patrícia Lee: fazer circular seu conteúdo cultural e informativo na sociedade. Grande parte dos materiais já está à disposição de estudantes, pesquisadores e público. “Queremos, com iniciativas como esta, provocar o pensamento artístico e criativo, reinventar a didática à maneira de Wesley Duke Lee e estimular o autoconhecimento”, diz Patrícia Lee, diretora cultural do Instituto.

 

“PROCES/SOS CRI/ATIVOS” é o resultado do resgate da memória de Wesley Duke Lee através das mentes jovens do nosso tempo.  Artistas participantes: Adriana Moreno, Bruna Meyer, Claudia Di, Coletivo Quatro Patas, Felipe Ferraro, Gustavo Prata, Ile Sartuzi, Julia Kavazzini, Julia Milaré, Karina Ferro, Leandro Muniz, Margarita Jaime, Pedro Ermel, Wal Braz, Yuli Yamagata.

 

 

 

De 29 de fevereiro a 05 de março.

Na Emma Thomas

19/fev


A exposição “Fantasmas” de Thereza Salazar foi organizada pelo Escritório de Arte Rosa Barbosa e está sendo realizada na Galeria Emma Thomas, Jardins, São Paulo, SP. A mostra conta com 8 esculturas, feitas em vidro e madeira, e 5 gravuras, com tiragem de 5. Junto a isso, no dia 12 de março às 15h30, na galeria Emma Thomas, será realizada uma conversa com a artista. A curadoria é de Renato Pera.

 

 

Sobre a artista

 

Thereza Salazar tem como foco de interesse a pesquisa de imagens gráficas encontradas em literaturas variadas e publicações antigas, usando essas imagens como referências a partir das quais trabalha com colagens, recortes e sobreposições, reagrupando assim, elementos conforme um pensamento e objetivo novos. A artista trabalha dentro de um campo mais expandido da gravura e do desenho utilizando desde meios de produção mais artesanais até as ferramentas tecnológicas atualmente disponíveis. Para cada projeto escolhe a linguagem mais adequada segundo as necessidades da imaginação. Desse modo, a pesquisa poética de Thereza Salazar se dá então dentro de um ambiente gráfico, que vai se desdobrando na experimentação de novos meios e linguagens, incorporando novos elementos e buscando uma diferente intermediação entre as imagens e o mundo.

 

 

Sobre a Exposição

 

A exposição Fantasmas de Thereza Salazar foi organizada pelo Escritório de Arte Rosa Barbosa e será realizada na Galeria Emma Thomas, no período de 18 de fevereiro a 16 de março de 2016. A mostra conta com 8 esculturas, feitas em vidro e madeira, e 5 gravuras, as quais têm tiragem de 5. Junto a isso, no dia 12 de março às 15h30, na galeria Emma Thomas, será realizada uma conversa com a artista.

 

 

A palavra do curador

 

Fantasmas parte do estranhamento e do fascínio frente aos objetos criados pelo homem, da desconfiança em relação ao seu funcionamento e da interdependência que existe entre esses aparatos tecnológicos e nossas vidas na contemporaneidade. Parte também da noção de ruína, dos estilhaços depositados no tempo, recuperados pelo olhar da artista. As imagens aqui propostas são alegorias que mesclam objetos da ciência, animais naturais e imaginários. Querem falar de uma desnaturação dos corpos, uma espécie de desvitalização da vida, num mundo tomado por concepções superficiais e mecânicas. Querem também tornar visíveis as “sobrevivências” de fantasias e mitos imemoriais, representadas por monstros, seres híbridos, animais fantásticos e aberrações. Nesta exposição, Thereza Salazar apresenta obras inéditas, nas quais explora o ambiente gráfico utilizando diferentes materiais, processos e suportes. A apropriação e a colagem – desmontagem e remontagem – de elementos díspares, afastados de seu contexto original permitem criar novas relações e significados.

 

 

Até 16 de março.

 

Mestres santeiros paulistas

16/fev

Apresentando a coleção de Ladi Biezus, a exposição propõe uma análise aprofundada nas características escultóricas das peças, no intuito de desvendar quem eram os mestres santeiros por trás dessa rica produção artística, no estado de São Paulo. O Museu de Arte Sacra de São Paulo – MAS-SP, Luz, São Paulo, SP, equipamento da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, abre a exposição “Mestres Santeiros Paulistas do Século XVII na Coleção Santa Gertrudes”, com curadoria de Maria Inês Lopes Coutinho. Composta por 54 imagens, a coleção de Ladi Biezus é exposta no MAS-SP, lançando um olhar panorâmico para entender, utilizando as características escultóricas, quantos e quais poderiam ser os artistas que produziram tais esculturas chamadas de “paulistas”, ao longo do século XVII.

 

Iniciada em 1970 com a aquisição de uma Santa Gertrudes – daí o nome da coleção -, as obras foram sendo incluídas neste acervo sob o critério fundamental de serem imagens “paulistas”. Mais de 45 anos depois, Ladi Biezus inicia uma pesquisa no intuito de separar as peças de acordo com traços em comum, os quais poderiam identificar e agrupar as esculturas conforme suas origens: Frei Agostinho de Jesus e seu círculo espiritual; Mestre de Sorocaba ou Mestre de Porto Feliz, ou ainda nomeado como Mestre de Itu; Mestre de Angra; Mestre do Cabelinho Xadrez; Mestre de Iguape ou Mestre de Pirapora do Bom Jesus, e no fim do século XVII, Mestre Bolo de Noiva. Ainda há um grupo com características diversas, não comuns, que até o presente não puderam ser identificadas em sua autoria. “O importante na exposição desta coleção é a classificação proposta pelo colecionador”, segundo Maria Inês Lopes Coutinho.

 

De acordo com Ladi Biezus: “Pelo menos a metade das imagens desse Agrupamento, tanto teriam sido executadas pelo próprio Frei Agostinho em diferentes épocas de sua vida, como poderiam ter sido executadas por discípulos trabalhando sob sua direção. Este fato reforça a ideia de não serem tão numerosos os artistas relevantes da época”.

 

Para o Museu de Arte Sacra de São Paulo -– MAS-SP, é com satisfação que esta interessante coleção é apresentada ao público. Nas palavras de José Carlos Marçal de Barros, Diretor Executivo do MAS-SP, e de José Oswaldo de Paula Santos, Presidente do Conselho de Administração: “No silêncio de sua casa, Dr. Ladi Biezus reuniu, observou, percebeu detalhes e interagiu com sua coleção, como só um colecionador sabe e pode fazer, abrindo-a agora para uma discussão profícua acerca de seus significados”.

 

 

 

De 20 de fevereiro a 29 de maio.

Dois no Museu Afro Brasil

29/jan

O Museu Afro Brasil, instituição da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, abriu duas exposições: “Giracorpogira II” do artista Jaques Faing, que apresenta 38 obras, resultado de pesquisa realizada desde 2003 sobre o Carnaval do Rio de Janeiro e de São Paulo e “Devoção” do fotógrafo Rodrigo Koraicho, que traz imagens captadas nas cidades de Katmandu (Nepal) e Varanasi (Índia) em 2013.

 

 

 

“Giracorpogira II”

 

As imagens obtidas pelo artista visual carioca, Jaques Faing, que vive e trabalha em São Paulo, sugerem inúmeras camadas de significados, fruto de seu trabalho tanto como poeta quanto como performer. Elas conduzem o espectador a prolongar seu olhar sobre o movimento dos corpos nelas insinuados, possibilitando uma nova experiência estética. Em suas obras, Faing busca apreender o invisível, explorando seu próprio movimento, circulando ousadamente dentro das passarelas, o movimento da câmera fotográfica e o das figuras para ousar captar algo mais do que uma imagem. O resultado são cores pulverizadas pela harmonia entre a baixa velocidade da câmera, a alta velocidade da dinâmica das personagens e o deslocamento contínuo do olhar do artista.  São baianas desmaterializadas girando delicadamente acima do chão, como abstrações que revelam sutilezas cromática, cinética e poética. Estes corpos flutuam com suavidade e leveza para além da realidade do carnaval, transportando o espectador para um campo sensível, silencioso e transcendente.

 

 

Sobre o artista

 

Jaques Faing nasceu no Rio de Janeiro, formou-se em engenharia e atualmente vive e trabalha em São Paulo. Realizou várias mostras coletivas e individuais, expondo em instituições como a Pinacoteca e o Museu de Arte Moderna de São Paulo, entre outras. Em seu trabalho, Faing se inspira no movimento, tanto pela maneira de gerar e captar imagens, considerando o ato fotográfico uma performance, como pela utilização de suportes cinéticos para as imagens que produz. Pesquisa a transposição da fotografia para suportes tridimensionais que ele mesmo projeta e constrói, transformando a imagem em objetos e esculturas. Faing possui obras nos acervos do Museu de Arte Moderna (MAM) e no Museu de Arte Contemporânea da USP (MAC), ambos em São Paulo, no Museu Nacional de Belas Artes (MNBA) e no Museu de Arte do Rio (MAR), na cidade do Rio de Janeiro.

 

 

 

“Devoção”

 

Rodrigo Koraicho apresenta ao público 40 imagens realizadas entre outubro e novembro de 2013 nas cidades de Katmandu, no Nepal e Varanasi, na Índia. Integra ainda a exposição uma série de registros do cotidiano de trabalho do fotógrafo e de seu assistente durante a viagem. Segundo o curador, Claudinei Roberto da Silva, “o jovem fotógrafo Rodrigo Koraicho (1985) é animado pelo espírito de alteridade característico a certa parcela de artistas que, como ele, vem empreendendo, desde muito tempo, viagens motivadas pelos propósitos mais variados, sendo, portanto, possível inseri-lo na interessante tradição dos artistas viajantes.” Ainda segundo o curador, o fotógrafo não somente realizou na Índia e no Nepal fotografias de inegável qualidade, mas, além disso, prospectou filosofias, sistemas de ideias, modos de veneração à vida e, sobretudo, uma compreensão da realidade que quase sempre é, na sua beleza, estranha e não raro incompreensível às mentalidades dominadas pelo exacerbado materialismo da sociedade ocidental. As 40 fotografias que Koraicho apresenta no Museu Afro Brasil transportam o público a um mundo onde homens e mulheres comungam com a ideia de que a santidade, entendida como busca pelo Divino, pelo transcendental, é possível de ser alcançada através do labor devoto. O que emerge dessas imagens é a força espiritual e a excepcional sabedoria estampada em mãos, olhos, pele vincada, enfim, no corpo dessa gente que vem definindo e pavimentando através de tempos imemoriais os caminhos da Devoção.

 

 

Sobre o artista

 

Com uma trajetória na fotografia iniciada as 16 anos de idade, Rodrigo Koraicho é formado em Comunicação Social pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo e mestrando em Estética e História da Arte pela Universidade de São Paulo. Sua experiência profissional inicial se deu no mercado publicitário onde trabalhou para a Agência Africa de Publicidade e Propaganda e junto a fotógrafos do ramo. Abriu estúdio próprio em 2010 e hoje divide suas atividades entre a fotografia comissionada e projetos autorais, nos quais procura conhecer e registrar diferentes povos, culturas e estilos de vida.

 

 

 

Até 03 de abril.