Do arcaísmo ao fim da forma na Pinacoteca

21/ago

A Pinacoteca do Estado, Luz, São Paulo, SP, museu da Secretaria da Cultura do Estado de São

Paulo, exibe até 27 de setembro a exposição “Marino Marini: do arcaísmo ao fim da forma”.

Com curadoria de Alberto Salvadori, diretor do Museo Marino Marini em Florença, a exposição

é a primeira retrospectiva no Brasil do artista italiano reconhecido mundialmente por suas

esculturas em bronze, e um dos nomes fundamentais da arte moderna italiana.

 

A mostra proporciona ao público uma visão ampla e generosa da produção artística de Marini,

expondo 68 peças, entre esculturas, pinturas e desenhos, de distintos períodos de sua carreira

e reúne obras das duas importantes instituições dedicadas à obra do artista na Itália, o Museo

Marino Marini de Florença e da Fondazione Marino Marini de Pistoia – cidade natal de Marini.

 

A exposição “Marino Marini: do arcaísmo ao fim da forma”, tem patrocínio da Pirelli e apoio do

Istituto Italiano di Cultura di San Paolo. Esta iniciativa faz parte do “Ano da Itália na América

Latina” promovido pelo Ministério das Relações Exteriores e da Cooperação Internacional da

Itália e já foi apresentada na Fundação Iberê Camargo em Porto Alegre.

 

 

Sobre o artista

 

Nascido em Pistoia (1901 – 1980), na região da Toscana, Marini cresceu cercado pelas

influências da vizinha Florença, nutrindo uma forte ligação com a arte etrusca e com a arte

egípcia pertencente aos museus da região, desenvolvendo em sua obra quatro temáticas em

particular: o retrato, a Pomona – a encarnação do eterno feminino –, os cavalos e os cavaleiros

e o circo. Por este último era extremamente fascinado, sentindo-se intrigado pela natureza do

ofício do malabarista, do palhaço e dos acrobatas. “A relevância de Marino Marini foi de um

artista que não se comportou como um filólogo, não aceitou os dados históricos consumidos

pelo estudo e pela interpretação antropomorfa do sujeito, mas revelou, no seu trabalho, uma

dimensão de atualidade da matéria numa relação direta entre homem e sujeito”, destaca

Alberto Salvadori.

O finissage de “Travessia”

19/ago

Guilherme Maranhão promove encontro dia 23 de agosto de 2015, domingo, das 11 às 14h, para fotógrafos, marcando o encerramento de sua exposição “Travessia”, em cartaz na Casa da Imagem / Museu da Cidade de São Paulo, Centro, São Paulo, SP. Ao reunir profissionais da fotografia, curadores e laboratoristas, o evento conta com duas mesas redondas em torno dos processos de trabalho e etapas na apresentação de ensaios fotográficos ao público. A primeira mesa recebe a participação de Ronaldo Entler, Henrique Siqueira e Fausto Chermont, e apresenta diversos pontos de vista em relação aos caminhos – editais, concursos, salões, residências – que visam tornar públicos os trabalhos fotográficos, como por meio de exposições, “zines”, livros etc. Já na segunda mesa redonda – com Roger Sassaki, Rosangela Andrade, Gibo Pinheiro, Elizabeth Lee e Edison Angeloni -, serão abordadas alternativas para a fotografia analógica, especificamente em São Paulo, levantando soluções e ideias para quem ainda não consegue superar esta técnica.

 

 

Convidados

 

Ronaldo Entler – Graduado em Jornalismo pela PUC-SP, mestre em multimeios pelo IA-Unicamp, doutor em artes pela ECA-USP, pós-doutor em multimeios pelo IA-Unicamp. Atuou na imprensa como repórter fotográfico entre 1997 e 2002, participando também de exposições coletivas e individuais. Foi diretor artístico da área de fotografia da Fundação Cultural Cassiano Ricardo de São José dos Campos, entre 1991 e 1995. Entre 2005 e 2010, atuou como professor visitante no Programa de Pós-Graduação em Multimeios do IA-Unicamp. Atualmente, é professor e coordenador de Pós-Graduação da Faculdade de Comunicação e Marketing da FAAP, e professor da Faculdade de Artes Plásticas da FAAP.

 

Henrique Siqueira – Possui graduação em Ciências Sociais e Políticas pela Escola De Sociologia e Política de São Paulo(1989) e mestrado em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo(2006). Atualmente é Diretor da Museu da Cidade de São Paulo – Casa da Imagem. Tem experiência na área de Artes, com ênfase em Fundamentos e Crítica das Artes.

 

Fausto Chermont – Fotógrafo e curador. Membro fundador do Mês Internacional da Fotografia de São Paulo. Membro da comissão criadora da Lei Mendonça, do Conselho Municipal e Estadual de Cultura. Presidente do Júri do Premio Nordeste de Fotografia. Vice-Presidente da Cooperativa dos Artistas Visuais do Brasil. Curador Assistente de fotografia e Criador do Depto de Novas Tecnologias do Mis – Museu da Imagem e do Som de SP e Presidente do Conselho. Atua como fotógrafo profissional e autoral há mais de trinta anos. É consultor de pré-impressão gráfica e produtor gráfico. É autor do livro de fotografias São Paulo Século XXI, sobre o centro de SP. Atualmente desenvolve projetos de produção e realização de documentários de fotografia.

 

Roger Sassaki – Bacharel em Fotografia pelo Centro de Comunicação e Artes do Senac-SP. Já realizou exposição sobre o sertão mineiro às margens do rio São Francisco, participou de outras mostras individuais e coletivas e é fotógrafo oficial de espetáculos e shows. Ministra cursos e oficinas de fotografia, com enfoque em técnicas artesanais analógicas.

 

Rosangela Andrade – Laboratorista profissional desde 1989. Trabalhou com o fotografo Zé de Boni na Álbum Laboratório. Em 1992 abriu seu próprio laboratório, o Imágicas Laboratório Fotográfico Analógico. Em 24 anos de atividade ampliou para exposições e livros de grandes nomes da fotografia brasileira como Cristiano Mascaro, Thomas Farkas, Boris Kossoy, Maureen Bisilliat, Ed Viggiani, German Lorca, Vânia Toledo, Pedro Martinelli, entre outros. Rosangela é uma grande entusiasta do processo analógico e foi quem idealizou e fundou o Clube do Analógico em março de 2014.

 

Gibo Pinheiro – Nasceu na cidade de São Paulo, em 1962, e cursou História na PUC–SP. Na década de 80, abriu uma marcenaria e entrou em contato com o mundo da fotografia ao executar a montagem de um laboratório fotográfico profissional. No início dos anos 90, Gibo começou a trabalhar na área de produção como laboratorista e especializou-se no processo C-41 de revelação e ampliações manuais de negativos coloridos. Após vencer um prêmio de fotografia, montou o Gibo Lab e tornou-se referência no processo analógico colorido, realizando diversas exposições e editoriais para revistas de moda e arte com profissionais renomados do Brasil e exterior. Atualmente, se u laboratório é um dos últimos da América Latina a trabalhar com ampliações manuais coloridas pelo processo analógico, além de fazer impressões fine art (arquivos digitais) e ministrar cursos na área.

Edison Angeloni – Com formação em jornalismo, é fotógrafo, professor e realiza cursos e workshops sobre fotografia em instituições como Centros Culturais, ONG’s e Universidades. Trabalhou nos laboratórios e estúdios da Faculdade de Fotografia Senac, desenvolve trabalho fotográfico pessoal com pesquisa em câmera de orifício (pinhole) e processos históricos do séc. XIX.

 

Elizabetth Lee – Com formação de Bacharel em fotografia pelo Centro Universitário Senac, participou de exposições coletivas e festivais de curta-metragem. Tem como pesquisa as técnicas alternativas e históricas de revelação fotográfica.

 

Guilherme Maranhão – Nascido em 1975, no Rio de Janeiro. Reside e atua em São Paulo. É bacharel em Fotografia pela Faculdade do Senac. Cria imagens sobre ciclos de vida, imperfeitos por natureza, cheios de ruídos, interferências e sujeitos ao acaso. Sua pesquisa imagética busca alterações no processo de formação das imagens técnicas e subversões das ferramentas produzidas pela indústria. Participou de diversas mostras coletivas e individuais. Possui fotografias em importantes coleções como MAM-SP (Museu de Arte Moderna de São Paulo) e Coleção Itaú. Vencedor do Prêmio Porto Seguro de Fotografia 2007, na categoria Pesquisas Contemporâneas, e do Prêmio Marc Ferrez Funarte 2014, com o trabalho Travessia.

José Resende na Galeria Milan

18/ago

A individual de José Resende na Galeria Millan, Vila Madalena, São Paulo, SP, pode ser

compreendida como um desdobramento da exposição realizada na Pinacoteca do Estado de

São Paulo, entre abril e junho de 2015.  Até caberia dizer que a exposição vem a ser um

transbordamento através do espaço e do tempo.

 

Na Millan, a mostra também é composta apenas por esculturas recentes e inéditas. Mas

engana-se quem, apenas, antevê uma nova etapa do trabalho de José Resende – composta por

projetos e soluções inovadoras. Pois o caminho percorrido nos 50 anos de produção do artista

é de um “eterno retorno”; um continuum refletido e surpreendente. O humor, a tensão, as

oposições de sentido, o movimento latente e a sua inscrição no espaço público sempre

estiveram e estão presentes em sua obra.

 

É inegável que a escultura de José Resende explora as relações entre a cidade e o corpo. Seja

pela escolha de materiais– chapas e tubos metálicos, pedras, vidro, tecidos -,  ou seja pelo

embate direto da obra – entre verticais, horizontais, diagonais e curvas – com o entorno.

Guiado por um rigoroso pensamento plástico e uma imaginação lúdica, o artista, através de

suas esculturas, provoca uma outra visibilidade sobre a paisagem urbana, a corporeidade e a

mobilidade do mundo.

 

Aliás, a ideia de imprecisão do movimento é algo que une as obras de Resende expostas na

Galeria Millan. A escultura Dobras (2015) é constituída pelo encaixe de duas chapas de aço:

uma circular, dobrada ao meio, com duas fendas em “v” e outra em formato de meia lua. A

densidade e a resistência das chapas inspiram uma permanência; uma estabilidade aparente.

Que logo cai por terra quando percebe-se que há uma multiplicidade de possibilidades

escultóricas dentro da mesma escultura – basta mudar o encaixe da chapa em v. É na ideia de

um obra aberta que reside seu movimento, sua tensão constante.

 

Vale ainda por fim, ressaltar que se na Pinacoteca, a obra Dobras (2015) estava disposta como

um par de esculturas idênticas, já na Galeria Millan, a peça se desmembra e aparece como um

conjunto de esculturas, em diversas dimensões.

 

A obra inédita Corpo de Prova II, 2015 alcança outro tipo de movimento. O título já faz uma

alusão ao que está em jogo na escultura. O cálculo e a precisão da engenharia são suficientes

para controlar a imprevisibilidade da imaginação e do caráter sugestivo da forma plástica? De

um lado, dois tubos de aço inox escovado de 4 metros, do outro, dois tubos de aço inox polido

também de 4 metros inclinados e, ambos, conjuntos estão ligados por um cabo de aço. Corpo

de Prova II remete a procedimentos anteriores – como nos vagões de trem suspensos por

cabos de aço e ainda em algumas esculturas da década de 1970 – mas apresenta novas

soluções: um balanço pressuposto e potente.

 

No átrio da galeria, a obra inédita Up Side Down, 2015 – constituída por tubos de latão

conectados por cabos de aço – impacta pela sua monumentalidade, pelo humor e pelo desafio

da gravidade. Mesmo a despeito da leveza e da qualidade aérea da obra que, aliás, parece

criar um volume virtual que avança em direção do corpo do observador, Up Side Down, com os

seus 6 metros de altura, tem como desafio se manter em pé. A escultura também excede em

termos de escala o ambiente onde está instalada; há uma tensão entre obra e arquitetura, as

dimensões dos espaços – como as colunas, a espessura das paredes, as passagens, os

revestimentos de parede, o piso, o teto – são revistas.

 

 

De 22 de agosto a 26 de setembro.

Em memória de artistas plásticos brasileiros

Grandes representantes da arte visual brasileira da segunda metade do século XX já partiram

deixando saudades, mas perpetuam-se na história através de suas criações. A exposição “Era

só saudade dos que partiram”, no Museu Afro Brasil, Parque do Ibirapuera, Portão 10, São

Paulo, SP, instituição da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, homenageia alguns dos

artistas que fazem parte da trajetória artística do artista plástico Emanoel Araújo, fundador e

Diretor Curador da instituição.

 

A mostra é composta por aproximadamente 40 obras, entre pinturas, gravuras, esculturas e

fotografias, que revelam a diversidade de personalidades marcantes que partiram nos últimos

anos, como Antônio Henrique Amaral, Antonio Maluf, Arcangelo Ianelli, Edival Ramosa, Gilvan

Samico, Hércules Barsotti, Ivens Machado, Odetto Guersoni, Marcelo Grassmann, Maria Lidia

Magliani, Mestre Didi, Sonia Castro, Tomie Ohtake e Otávio Araújo, recém-falecido, aos 89

anos, no último dia 25 de junho de 2015.

 

Emanoel Araújo comenta: “Esta exposição é uma homenagem à memória dos artistas plásticos

brasileiros, falecidos em diferentes momentos, deixando lembranças das suas humanidades e

de suas criações.”

 

Alguns destes artistas fazem parte do Acervo do Museu Afro Brasil, como: Maria Lidia Magliani

(1946 – 2012), artista irreverente e marcante com suas pinceladas e cores; Mestre Didi (1917 –

2013) um “sacerdote-artista”, que foi um dos fundadores de uma linguagem afro-brasileira

com sua obra escultórica; Arcangelo Ianelli (1922 – 2009) que com cores fortes e uma

particular geometria, o acompanhou por toda sua vida em suas pinturas e esculturas; Edival

Ramosa (1940 – 2015), autor de pinturas, objetos, esculturas e jóias que se manteve fiel as

suas escolhas formais e cromáticas por toda sua carreira, unindo materiais naturais e

industriais e Otávio Araújo (1926 – 2015), que produziu gravuras, desenhos e pinturas

sensuais, aglutinadoras de uma poesia de mistérios e imagens e evocadoras de uma magia

atemporal.

 

 

De 18 de agosto a 18 de outubro.

Palestra

12/ago

Palestrante: O colecionador de artes Raul Forbes
Data: 13 de agosto – Quinta-feira
Horário 19horas
Local: Auditório da Livraria Martins Fontes Paulista
Endereço: Av. Paulista, 509 (ao lado metrô Brigadeiro)

Raul Forbes abordará as características próprias do colecionismo de arte e falará sobre suas predileções pessoais, sobre a forma em que surgiu sua coleção de arte, como manter e preservar uma coleção, sobre a importância do colecionismo de arte etc.

Julião Sarmento no Galpão Fortes Vilaça

Denomina-se “Easy, Fractals & Star Map”, a nova exposição do artista português Julião

Sarmento, em sua primeira no Galpão Fortes Vilaça, Barra Funda, São Paulo, SP. A mostra é

composta por pinturas e esculturas recentes e estabelece uma relação ficcional entre Edgar

Degas e Marcel Duchamp – “gigantes da história da arte”, nas palavras do artista. Ao criar um

diálogo entre os dois mestres, Julião reafirma temas frequentes de sua própria obra: o hiato

entre ficção e realidade, mecanismos de representação e erotismo.

 

O arquétipo feminino – elemento central na prática de Julião Sarmento – reaparece em “Fifth

Easy Piece”, tomando como inspiração a icônica obra de Degas, “La Petite Danseuse de

Quatorze Ans” (c. 1881). Na reinterpretação do artista, a dançarina adolescente é

transformada em uma mulher madura, moldada através de um moderno processo de

impressão 3D. Em “Alma”, os moldes de gesso são arranjados em uma armação de ferro,

expondo o avesso da escultura e aludindo dessa vez a Duchamp – algo ainda mais explícito na

obra “O Grande Vidro”, feita especialmente para a mostra.

 

A referência aos dois mestres espalha-se ainda nas pinturas da exposição, seja por citações

gráficas, seja por alusões obscuras. Nesse conjunto de obras, Sarmento emprega diferentes

pigmentos, solventes e técnicas, criando formas triangulares que se multiplicam como fractais.

A quase completa ausência de cor, outro traço marcante do artista, reafirma o forte diálogo

que sua pintura mantém com o desenho. Os títulos referem-se a nomes de estrelas e, uma vez

espalhadas na parede, parecem formar constelações. Em “Piscis Austrinus”, um díptico de

cinco metros de largura, manchas orgânicas se contrapõe às formas geométricas e criam uma

elegante composição. Os volumes prateados de “Sirrah”, por sua vez, evocam a superfície

lunar.

 

Ao cruzar diferentes tempos históricos e planos físicos, “Easy, Fractals & Star Map” instaura

uma narrativa fictícia, possível apenas no campo da arte. As associações livres propostas por

Sarmento apontam para o desconhecido, como um convite para mapear os astros.

 

 

Sobre o artista

 

Julião Sarmento nasceu em Lisboa, em 1948, e atualmente vive e trabalha em Estoril, também

em Portugal. Considerado um dos mais renomados artistas portugueses, ele esteve em duas

edições da Documenta de Kassel (1987 e 1982) e em duas Bienais de Veneza (2001 e 1997),

além de muitas outras mostras. Entre suas exposições individuais recentes, destacam-se: Una

forma extrema de privacidad, Museo de Arte Carrillo Gil (Cidade do México, 2013); Noites

Brancas, Museu Serralves (Porto, 2012); Artist Room, Tate Modern (Londres, 2010); Grace

under Pressure, Estação Pinacoteca (São Paulo, 2009). Sua obra está presente em diversas

coleções públicas, entre as quais: Guggenheim (Nova York), Tate Modern (Londres), SFMOMA

(San Francisco), Moderna Museet (Estocolmo), Centre Pompidou (Paris), CaixaForum

(Barcelona).

 

 

De 15 de agosto a 26 de setembro.

Mostra inédita de Andy Summers

A Leica Gallery São Paulo, Higienópolis, São Paulo, SP, promove sua inauguração com a mostra “Del Mondo”, exibição individual do músico e fotógrafo inglês Andy Summers, e curadoria de Karin Rehn-Kaufmann. A exposição, composta por 42 imagens em preto e branco, feitas entre 1978 e 2014, apresenta registros da vida do artista em viagens que fez ao redor do planeta, evidenciando um estilo de fotografia de rua emotivo e atento.

 

Desde 1978, Andy Summers exercita, com a fotografia, um olhar afiado. Quando os membros da banda The Police decidiram cada um seguir seu próprio caminho, em meados da década de 1980, o guitarrista se aproximou do jazz e da música clássica e, simultaneamente, passou a dedicar ainda mais tempo à câmera fotográfica. Sua produção artística é influenciada tanto por viagens, da Tanzânia a Shangai, quanto por seu profundo interesse pela música, experimentando diferentes tipos de filmes fotográficos, lentes, ângulos e composições. Saindo noite após noite, vagando pelas ruas com sua câmera, Andy Summers registrava cenas noturnas em lugares como Los Angeles, Tóquio, Londres, Bali, Nepal, Macau ou por onde quer que passasse. “É você e o mundo ao redor. Reagindo a isso. Olhando para isso. Se eu saio pela rua, estou olhando, estou procurando. Vendo o que aparece. Poderia ser uma forma, um movimento.”, comenta o fotógrafo.

 

Neste contexto, “Del Mondo” apresenta fotografias de vendedores, pedestres, motoristas, quartos de hotel, garçons e até do próprio artista. Cenas espontâneas, que o fotógrafo encontrava em suas andanças pelo mundo.

 

Esta mostra inédita no Brasil marca a inauguração da Leica Gallery São Paulo, a primeira na América do Sul, e traz ao país Karin Rehn-Kaufmann, responsável pela curadoria de todas as unidades da Leica Gallery no mundo. A partir de agosto, o público encontra um lugar dedicado à fotografia, localizado em uma região privilegiada de Higienópolis, entre universidades e escolas de arte e design. Construída em um edifício da década de 1930 – em processo de tombamento como Patrimônio Histórico -, a galeria reúne o estilo Art Deco da fachada com um espaço interior bastante moderno, complementado por dois containers, anexos ao edifício em uma área externa. A proposta da Leica Gallery São Paulo é apoiar artistas, promover workshops e encontros, no intuito de gerar uma relação íntima entre fotografia, espectador e espaço expositivo.

 

 

Até 05 de outubro.

Baró Galeria realiza retrospectiva de Almandrade

11/ago

A mostra é constituída de diversos suportes utilizados por Almandrade. São trabalhos elaborados dentro de princípios e critérios que vêm direcionando a produção do artista, por mais de quatro décadas.

 

Entre a geometria e o conceito, entre a forma e a palavra, entre o rigor espacial e a poesia. Assim caminha a obra do artista plástico Antonio Luis Morais Andrade, o Almandrade, expoente baiano da arte conceitual e, hoje, um dos grandes nomes das artes visuais brasileiras, com uma produção respeitada nos principais circuitos de arte do país e reconhecida internacionalmente. A partir do dia 22 de agosto, parte dessa produção poderá ser vista na Galeria Baró, Barra Funda, São Paulo, SP, integrando a mostra “Do Poema Visual a Poética do Plano e do Espaço”, sob curadoria de Marc Pottier.

 

Almandrade compromete-se com a pesquisa de linguagens artísticas que envolve artes plásticas, poesia e conceitos. No percurso do artista destaca-se a passagem pelo concretismo, poesia visual, poema / processo e a arte conceitual, nos anos 70, o que contribuiu fortemente com a incessante busca de uma linguagem singular, limpa, de vocabulário gráfico sintético. De certa forma, um trabalho que sempre se diferenciou da arte produzida na Bahia.

 

Na Bahia, Almandrade foi solitário no seu engajamento à arte concreta e conceitual. Ainda assim, conquistou o respeito crítico. Suas obras, alvo de pelo menos 30 exposições individuais, já frequentaram pelo menos quatro edições da Bienal de São Paulo e hoje integram importantes coleções particulares e de museus como Museu de Arte Moderna da Bahia, Museu de Arte do Rio Grande do Sul, Museu Nacional de Belas Artes (RJ), Pinacoteca Municipal de São Paulo, Museu Afro (SP) e Museu Nacional (DF).

 

 

Até 17 de outubro.

Smithsonian em SP

10/ago

O Museu Afro Brasil, Parque do Ibirapuera, Portão 10, São Paulo, SP, instituição da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, e a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil anunciam a abertura da exposição “Gullah, Bahia, África”.

 

A mostra apresentará ao público a vida e a pesquisa pioneira desenvolvida pelo primeiro linguista afro-americano, Lorenzo Dow Turner. Expoente acadêmico da comunidade negra americana nos anos 1930, Turner identificou a fala da comunidade gullah, do sul dos EUA, e rastreou seus registros na África e no Brasil, ligando, dessa forma, comunidades da diáspora africana através da linguagem. Originalmente criada e exibida em 2010 pelo Anacostia Community Museum, integrante da Smithsonian Institution, de Washington DC (EUA), a exposição tem curadoria da brasileira Alcione Meira Amos.

 

Fazem parte da mostra fotografias que registram o trabalho de campo do professor Turner; um painel comparando palavras usadas no gullah, inglês e português do candomblé, com as suas origens nas línguas da África; um raro registro da fala gullah e cinco vídeos, incluindo “Raízes da África: ligações entre as palavras”, mostrando falantes de línguas africanas, um americano, um gullah e um brasileiro, que repetem as mesmas palavras em cada uma das línguas, demonstrando suas raízes africanas.

 

 

Sobre a exposição

 

“Gullah, Bahia, África” conta três histórias em uma: a trajetória acadêmica de Lorenzo Dow Turner; sua jornada para desvendar um código linguístico e suas descobertas, que atravessaram continentes. Já nos anos 1930, a pesquisa pioneira de Turner demonstrou que, apesar da escravidão, os africanos trazidos aos EUA transmitiam sua identidade cultural a seus descendentes por meio de palavras, músicas e histórias.  Estudioso de várias línguas africanas, como twi, ewe, iorubá, bambara e wolof, além do árabe, Turner utilizou seu conhecimento para se dedicar à pesquisa da fala da comunidade gullah/geechee, da Carolina do Sul e da Geórgia, no sul dos EUA, até então desprezada como um “inglês mal falado”.  Os estudos de Turner confirmaram que, pelo contrário, o povo Gullah falava uma língua crioula, com elementos linguísticos próprios e da cultura de seus ancestrais africanos.

 

As explorações linguísticas pela diáspora africana levaram Turner até a Bahia, onde ele novamente validou sua descoberta a respeito das continuidades africanas.  Uma das seções da exposição é dedicada à pesquisa do Professor Turner sobre cultura afro-brasileira na Bahia, juntamente com algumas das mesmas línguas que influenciaram o gullah. Na Bahia, a sobrevivência da cultura africana pode ser percebida por Lorenzo Dow Turner particularmente no candomblé, quando integrantes dos terreiros reconheciam palavras em gravações que ele havia feito em outras partes do mundo.  Os muitos escritos de Turner incluem o livro “Africanismos do Dialeto Gullah” (Africanisms in the Gullah Dialect), publicado em 1949, que permanece como uma das principais referências para a pesquisa das línguas crioulas.

 

Encontro com a curadora da exposição Alcione Meira Amos: ”A Coleção Fotográfica de Lorenzo Dow Turner: Gullah Bahia África e os Retornados Afro-Brasileiros”(com visita à exposição)

 

Local: Museu Afro Brasil (Av. Pedro Álvares Cabral, s/n, Parque Ibirapuera, Portão 10, São Paulo, tel.: 11 3320-8900): 20/08, às 15h.

 

 

Sobre o Museu Afro Brasil

 

Inaugurado em 2004, a partir da coleção particular do diretor curador Emanoel Araujo, o Museu Afro Brasil construiu, ao longo de seus mais de 10 anos, uma trajetória de contribuições decisivas para a valorização do universo cultural brasileiro ao revelar a inventividade e ousadia de artistas brasileiros e internacionais, desde o século XVIII até a contemporaneidade.

 

O Museu Afro Brasil é uma instituição pública, subordinada à Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo e administrado pela Associação Museu Afro Brasil- Organização Social de Cultura. Ele conserva, em 11 mil m2 um acervo com mais de 6 mil obras, entre pinturas, esculturas, gravuras, fotografias, documentos e peças etnológicas, de autores brasileiros e estrangeiros, produzidos entre o século XVIII e os dias de hoje. O acervo abarca diversos aspectos dos universos culturais africanos e afro-brasileiros, abordando temas como a religião, o trabalho, a arte, a escravidão, entre outros temas ao registrar a trajetória histórica e as influências africanas na construção da sociedade brasileira.

 

O Museu exibe parte do seu Acervo na Exposição de Longa Duração, realiza Exposições Temporárias e dispõe de um Auditório e de uma Biblioteca especializada que complementam sua Programação Cultural ao longo do ano.

 

 

Sobre o Anacostia CommunityMuseum

 

Museu integrante da Smithsonian Institution, o Anacostia está localizado em Washington DC (EUA) e abriu suas portas em 1967, como o primeiro museu comunitário do país financiado com recursos federais.  O nome atual foi adotado em 2006, quando o museu ampliou seu foco, originalmente com uma ênfase afro-americana, para examinar o impacto de questões sociais contemporâneas em comunidades urbanas.

 

 

Até 18 de outubro.

Schoeler Editions na SP-Arte/Foto 2025

07/ago

A Schoeler Editions participa da SP-Arte/Foto 2015, Shopping JK Iguatemi | 3º piso, Vila Olímpia, levando para seu stand portfólios e prints avulsos de consagrados fotógrafos brasileiros e estrangeiros, como Bob Wolfenson, Marcelo Greco, Peter Scheier, entre outros. Durante a feira, a Schoeler Editions também apresenta uma edição comemorativa do portfólio de Cristiano Mascaro, que terá um único exemplar para venda, e homenageia o fotógrafo e editor Jay Colton, em memória ao quinto ano de seu falecimento, com a exposição de uma versão especial do trabalho “Haiku of Flowers”.

 

Após se estabelecer no mercado com portfólios e projetos editoriais de luxo, em edições limitadas e confeccionados com materiais de primeira qualidade, a Schoeler Editions apresenta novidades na SP-Arte/Foto 2015, como os novos prints da coleção de Marcelo Greco, agora em tamanho 1,0 x 1,5 m, que serão exibidos pela primeira vez nessas dimensões. Além desses novos prints, o portfólio de Cristiano Mascaro ganha duas unidades, uma para exibição e outra para venda, em uma versão exclusiva – com revestimento em linho preto, acabamento sofisticado e todas as 18 fotografias assinadas individualmente pelo autor -, comemorando a venda de 30 portfólios do fotógrafo. Ainda durante a feira, a Schoeler Editions exibe uma versão especial do portfólio de Jay Colton, Haiku of Flowers: em caixa revestida com seda preta, o trabalho conta com 24 imagens do fotógrafo americano e 17 Haikus, caligrafados por Sanae Yamazaki, a lendária primeira mulher diretora de arte da Times Magazine.

 

Convidada a fazer parte do catálogo da Library of Congress (Estados Unidos) com três de seus títulos – “Diário da Viagem” de Peter Scheier, “Internal Affair” de Marcelo Greco e “Falling Beauty” de Christian Maldonado -, a Schoeler Editions da continuidade a seu cronograma de eventos e lançamentos, seguindo a proposta de elaborar projetos editoriais exclusivos. Todas estas edições poderão ser adquiridas durante a feira e, posteriormente, pelo site da editora.

 

 

De 20 a 23 de agosto.