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AGENDA CULTURAL

Convite para olhar a vida coletiva.

A primeira exposição institucional do camaronês Pascale Marthine Tayou no Brasil apresenta instalações, esculturas e pinturas do artista com mais de 25 anos de carreira. As obras reorganizam materiais e ativam trocas, refletindo sobre a existência dos objetos cotidianos e convidando o público a olhar para a vida coletiva em diálogo com importantes conferências internacionais.

O título “Knockout!” sugere confronto, mas também humor e excesso, elementos que atravessam a narrativa da exposição, estruturada a partir de sete conferências internacionais: Berlim, Yalta, São Francisco, Roma, Rio de Janeiro, Bandung e Avignon. Na exposição que ocupa as sete salas da Pina Luz, São Paulo, SP, Pascale Marthine Tayou entrelaça esses episódios com experiências estéticas, explorando cores, texturas, materiais e tensões, onde o poético e o político se encontram em atrito constante.

A exposição tem curadoria de Jochen Volz e Ana Paula Lopes.

Sobre o artista.

Nascido em Yaoundé, Camarões, Pascale Marthine Tayou construiu uma prática artística marcada pela reorganização de materiais e pela transformação poética de elementos do cotidiano, como cadeiras de plástico, bandeiras, fios elétricos, lápis e utensílios domésticos. Sua trajetória é consolidada por participações em algumas das mais relevantes exposições internacionais de arte contemporânea, incluindo a Bienal de São Paulo, Bienal de Veneza, a Documenta e a Serpentine Gallery, em Londres.

Sobre a exposição.

Na primeira sala, dedicada à Conferência de Berlim (1884-1885), uma escultura em forma de lápis com quatro metros de altura ocupa o centro do espaço. O objeto articula, de um lado, a energia criativa do desenho e, de outro, seu potencial bélico inscrito na própria forma, revelando como todo gesto de criação convive com a tensão entre invenção e confronto. A segunda galeria aborda a Conferência de Yalta (1945), que reorganizou o mundo após a Segunda Guerra Mundial. Nela está a obra “L’enfer du décor” (2025), composta por quatro grandes colagens sobre tela que reúnem 89 bandeiras nacionais. Na terceira sala, associada à Conferência de São Francisco (1945), que resultou na criação da ONU, Pascale Marthine Tayou apresenta a instalação “Court-circuit” (2026). Na sequência, uma grande instalação de galhos secos e sacolas plásticas coloridas denuncia a poluição ambiental causada pelo excesso de plástico. “Plastic Tree” (2014-2015) dialoga com a Rio-92, conferência voltada às questões climáticas e ecológicas. Na sexta galeria, “Falling House” (2014), uma casa suspensa de cabeça para baixo desafia noções de estabilidade e os sistemas impostos historicamente, se relaciona à Conferência de Bandung (1955). A exposição se encerra com a Conferência de Avignon, um evento criado pelo próprio artista como exercício de crítica e fabulação política. Nesta sala estão algumas de suas obras mais icônicas, como “Colorful Stones” (2015-2026) e “Pascale’s Eggs” (2019).

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