A Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre, RS, em parceria com o Instituto Moreira Salles, exibe a exposição “Fotografia Agnès Varda Cinema”. A mostra reúne cerca de 200 fotografias feitas por Agnès Varda, principalmente entre as décadas de 1950 e 1960. O conjunto traz imagens registradas durante viagens, incluindo fotografias inéditas feitas na China, em 1957, registros em Cuba, no contexto pós-revolução, e nos Estados Unidos, onde a artista documentou os Panteras Negras.
A exposição apresenta ao público uma faceta menos conhecida da obra de Agnès Varda (1928-2019). Nome central da História do Cinema, com filmes que marcaram gerações, a artista também é autora de uma extensa produção fotográfica, tendo inclusive começado sua carreira como fotógrafa. Ao longo dos anos, consolidou-se como cineasta, mas a fotografia continuou presente em sua trajetória.
Concebida e realizada pelo Instituto Moreira Salles, pelo Institut Pour La Photographie e pelo Cine Tamaris, a exposição foi apresentada pela primeira vez em 2025, no IMS Paulista. A curadoria é assinada por Rosalie Varda, diretora do Ciné-Tamaris e filha da cineasta, e João Fernandes, diretor artístico do IMS, com assistência de Horrana de Kássia Santoz, curadora vinculada à diretoria artística do IMS.
Grande parte da exposição é dedicada às viagens da artista. De acordo com os curadores, Agnès Varda acompanhou grandes mudanças da segunda metade do século XX, com um olhar atento ao contexto político, mas também às sutilezas e aos detalhes, com interesse especial pelas mulheres e crianças. Nesse núcleo, um dos principais destaques é a série que Agnès Varda produziu na China, em 1957, quando viajou ao país como parte de uma delegação francesa. As fotografias foram tiradas após a Revolução Maoísta e antes da Revolução Cultural. Para a curadoria, as imagens feitas na China “são registros essenciais de um encontro entre política, cultura e subjetividade, atravessados por contingências históricas. Elas não capturaram uma grande narrativa de uma revolução, mas elaboraram uma modernidade em construção: fragmentos de vidas comuns, expressões de resistência cultural”.
Além da produção das décadas de 1950 e 1960, a exposição apresenta uma obra mais recente, a instalação Instants arrêtés (Instantes parados) (2012), na qual a artista investiga o movimento inverso de sua prática habitual, partindo do cinema para a fotografia. Segundo a curadora Rosalie Varda, a obra é “uma espécie de síntese, a prova de que, até os últimos anos de sua carreira, Agnès Varda permaneceu inquieta, sempre em busca de novas formas de olhar, de pensar e de compartilhar as imagens”.
Em cartaz até 28 de fevereiro de 2027.



