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AGENDA CULTURAL

Iberê Camargo desde o princípio.

 

Com curadoria de Carmela Gross, a Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre, RS, inaugura a maior exposição em número de obras de Iberê Camargo. “Iberê Camargo: quem sabe, o tempo…” apresenta mais de mil estudos e desenhos do artista, incluindo os primeiros produzidos aos 13 anos de idade. 

No dia 18 de abril (sábado), a Fundação Iberê abre uma grande exposição dedicada aos estudos e desenhos de Iberê Camargo (1914-1994). Com curadoria de Carmela Gross, “Iberê Camargo – quem sabe, o tempo…” reúne 1.091 obras de diferentes momentos da trajetória do artista. Entre elas, estão nove desenhos produzidos entre 1927 e 1928 pelo adolescente Iberê Camargo, então com apenas 13 e 14 anos de idade.  

O convite à Carmela Gross foi feito durante sua exposição na Fundação Iberê Camargo, “Boca do Inferno” (2024), e aceito prontamente. A partir do conto de Iberê Camargo “O relógio”, escrito em 1959 e publicado apenas em 1988, a artista definiu que o tema seria Iberê Camargo antes da pintura; o tempo do desenho. 

“Quando fui convidada, busquei na memória as muitas e muitas pinturas que visitei em exposições, e tantas outras que revi em reproduções de livros. Mas não era sobre a pintura de Iberê que eu queria falar. Queria falar de um tempo que antecede à pintura, o tempo do desenho. E o desenho é outra coisa… a atenção ao pequeno, ao efêmero, as anotações distraídas sobre um papel qualquer, ensaios, repetições, rabiscos, rasuras, linhas incertas, restos, excessos, sombras… um ir e vir de perguntas sem respostas… enfim, coisa mental, no registro de Leonardo da Vinci”, conta a artista.  

Ao lado da assistente Carolina Caliento, durante um ano, Carmela Gross mergulhou nos mais de 3.800 desenhos que pertencem ao acervo da instituição. O conjunto, preservado pela Fundação Iberê Camargo, guarda não apenas obras, mas também a memória do processo do artista.  

Responsável pelo acervo da Fundação Iberê Camargo, Gustavo Possamai lembra que a existência desse material se deve, em grande parte, a duas outras figuras femininas fundamentais na vida de Iberê Camargo: Maria Coussirat Camargo, sua esposa, e a mãe de Maria, que a orientou a conservar tudo o que o artista produzia. “Quando o Iberê começou realmente a se dedicar à pintura, a mamãe me disse: “Maria, tudo o que o Iberê fizer, tudo, nem que seja um papelzinho assim, pequeno… tu guardas”. Foi o que eu fiz.” 

“(O acervo) é como uma arca de Noé, que nos convoca a viajar pelo universo Iberê. Impossível selecionar. Eu queria tudo, mostrar tudo! (…) Eu e minha assistente, Carolina, passamos semanas a fio na tarefa, ao mesmo tempo cansativa e prazerosa, de escolher cada exemplar – agrupamentos diversos… conjuntos, separações, novos ajuntamentos, acertos e dúvidas; um sem-fim de listas e tabelas numeradas, refeitas a cada dia, ponderando cada escolha pelo gosto ou pelo entusiasmo da descoberta… assim, chegamos a 1.091”, destaca a artista.  Definidas as obras, Carmela Gross e Carolina Caliento passaram a detalhar o complexo projeto de montagem que ocupará o quarto andar da Fundação Iberê Camargo. Como um roteiro cinematográfico, os desenhos e estudos serão apresentados em 93 pranchas de 1,20 por 0,80 m, compondo, no interior de cada plano, ao acaso, um mosaico de peças irregulares. “Juntos e ordenados em sequência, eles formaram virtualmente amplas janelas – janelas abertas nas paredes sólidas do edifício do museu, simbolicamente abertas de par em par para o mundo lá fora”, completa.  

Sobre a curadora.

Carmela Gross (São Paulo, 1946) é artista visual, pesquisadora e professora brasileira. Sua produção reúne desenhos, gravuras, instalações e intervenções urbanas. Participou de importantes exposições no Brasil e no exterior, e é reconhecida por obras que investigam o espaço público, a linguagem e a experiência urbana contemporânea. 

Até 28 de março de 2027.

 

 

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