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AGENDA CULTURAL

Narrativas da diáspora asiática no Brasil.

Para o projeto Independent 20th Century 2026, a Gomide&Co apresenta uma obra que explora narrativas da diáspora asiática no Brasil. A seleção reflete sobre a arte diaspórica através do conceito de trânsito, entendido tanto como tema quanto como estratégia na construção de trajetórias artísticas.

O projeto reúne pinturas e esculturas de artistas de ascendência asiática, destacando os diálogos culturais que moldaram a abstração informal, lírica e caligráfica do pós-guerra, bem como seus desdobramentos dentro das práticas modernas e contemporâneas. A incorporação de referências do Leste Asiático contribuiu para expandir e diversificar o panorama artístico latino-americano, que foi profundamente moldado pelas experiências de artistas imigrantes e seus descendentes.

Desde o final da década de 1990, no século XXI, os trânsitos migratórios do Japão, da China e de outros países do Leste Asiático promoveram encontros entre diferentes tradições visuais e modernismos locais. Essas trocas materializaram-se de diversas maneiras – em gestos caligráficos, economia formal, rigor construtivo e abordagens à cor e ao material.

O projeto reúne artistas cujas trajetórias se desenvolveram por meio dessas experiências de deslocamento e intercâmbio cultural. Shoko Suzuki é uma figura central na história da cerâmica artística no Brasil, tendo introduzido o forno noborigama e a queima em alta temperatura no país; Megumi Yuasa desenvolveu uma prática que une cerâmica, filosofia, e política, ao mesmo tempo que contrapõe contribuindo para a formação de artistas e para o desenvolvimento da cerâmica contemporânea no Brasil; Massao Okinaka propôs uma síntese entre o “sumi-e” e um realismo objetivo influenciado por vertentes ocidentais. Inclui-se também Tomie Ohtake, figura central da abstração brasileira, reconhecida por sua investigaçãode cor e forma; Manabu Mabe, cujo trabalho evoluiu da pintura figurativa de paisagem para a abstração informal; Naotoshi Kinoshita, que encontrou na paisagem brasileira um campo fértil para unir referências de sua formação artística japonesa com uma linguagem de síntese formal e intensidade expressiva; Alina Okinaka, cuja pintura, particularmente através da natureza-morta, investiga as relações entre forma, cor e composição por meio de elementos do cotidiano; e Sachiko Koshikoku, cujo trabalho abstrato uniu referências da cultura japonesa e elementos extraídos das tradições visuais mesoamericanas e andinas.

A seleção também inclui Akinori Nakatani, cuja produção cerâmica incorporou referências mesoamericanas e sistemas gráficos associados às culturas indígenas das Américas; e Chen Kong Fang, um pintor sino-brasileiro cujo trabalho estabeleceu conexões entre as tradições visuais orientais e a pintura ocidental.

Embora seja essencial reconhecer a singularidade de diferentes diásporas – cada uma moldada por trajetórias, tensões e imaginários específicos – também é possível identificar experiências compartilhadas. Embora as origens desses movimentos sejam frequentemente associadas a guerras, perseguições e outros eventos macropolíticos, suas consequências também se desdobram no cotidiano: no lar, na língua, nos afetos, na comida e na relação com um novo território.

O projeto, portanto, consiste em examinar como essas experiências de deslocamento e pertencimento se inscrevem em diferentes linguagens artísticas. Ao reunir trajetórias e gerações distintas, a seleção destaca as maneiras pelas quais artistas de ascendência asiática têm participado da formação e da transformação da Arte Moderna e Contemporânea no Brasil.

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