Dois desenhos da série “Animais Preto e Branco” (1965-67) de Wanda Pimentel passaram a integrar o acervo do MoMA – Museu de Arte Moderna de Nova York. A aquisição foi realizada por meio da galeria Fortes D’Aloia & Gabriel, responsável pelo espólio da artista; Esta aquisição marca a segunda vez que o museu adquire obras de Wanda Pimentel, após a incorporação de uma pintura da série “Envolvimento” à coleção do MoMA em 2024.
“Esta aquisição reforça a presença de Wanda Pimentel na coleção do MoMA e representa um importante reconhecimento da singularidade de sua prática. Ver este conjunto de desenhos da década de 1960 entrar para a coleção do museu destaca a força experimental de um trabalho que foi fundamental para o desenvolvimento de uma linguagem pop profundamente brasileira e latino-americana. Também representa um passo significativo no reconhecimento internacional de Wanda Pimentel como uma das grandes vozes femininas da arte do século XX.” – Alexandre Gabriel, sócio e diretor da Fortes D’Aloia & Gabriel.
Sobre a artista.
Wanda Pimentel nasceu no Rio de Janeiro em 1943, onde viveu até sua morte em 2019. A prática de Wanda Pimentel se distingue por uma qualidade precisa e de contornos nítidos, abrangendo linhas geométricas e superfícies lisas em obras que frequentemente desafiam a categorização como abstratas ou figurativas. No final da década de 1960 e início da década de 1970, suas pinturas retratavam espaços domésticos e objetos do cotidiano em cores vibrantes, em consonância estilística com a Nova Figuração brasileira. Nas décadas seguintes, a artista incorporou a paisagem carioca circundante à sua composição formal, retratando montanhas e vistas através de uma moldura semelhante a uma janela; construiu esculturas de tampas de bueiro, direcionando seu olhar para baixo, para ambientes ocultos, e pintou sequências de animais geometricamente representados, ampliando seu escopo para incluir figuras não humanas.
O início da trajetória de Wanda Pimentel coincide com o começo de um longo período de opressão e violência estatal no Brasil após 1964, quando a Ditadura Militar foi instaurada e se consolidou até 1985. O paralelo destaca como sua obra reage e, ao mesmo tempo, subverte a atmosfera sufocante sentida durante os chamados “anos de chumbo”, marcados por comunidades cada vez mais isoladas, valores sociais conservadores, fortes barreiras políticas e uma relação turbulenta com a identidade nacional. Nesse sentido, a obra de Wanda Pimentel funciona tanto como um código visual forjado sob condições opressivas quanto como um mapa para ressignificar o isolamento.
Internacionalmente, a obra de Wanda Pimentel foi apresentada em algumas das exposições mais importantes dedicadas à revisitação da arte latino-americana do pós-guerra, incluindo Radical Women: Latin American Art, 1960-1985 no Hammer Museum e no Brooklyn Museum, bem como International Pop, organizada pelo Walker Art Center e itinerante para o Philadelphia Museum of Art e o Dallas Museum of Art. Mais recentemente, seu trabalho foi apresentado em exposições como Vital Signs: Artists and the Body no MoMA – The Museum of Modern Art e Pop Brasil: vanguardia y nueva figuración, 1960s-70s no MALBA – Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires, Argentina. No Brasil, importantes apresentações de sua obra incluem Envolvimentos no MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, além de exposições recentes organizadas pela Fortes D’Aloia & Gabriel em São Paulo e Rio de Janeiro, reafirmando o lugar central de Wanda Pimentel na história da arte contemporânea brasileira.

