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observador e o objeto.

A Galeria Marcelo Guarnieri, Jardins, São Paulo, SP,  apresenta, entre 07 de março e 11 de abril, “Vazio Entre”, terceira exposição individual do artista Carlos Fajardo na sede da galeria. A mostra reúne um conjunto de vinte e quatro desenhos recentes e inéditos e cinco esculturas trabalhadas em vidro, aço corten, aço polido e tecido que exploram a relação entre ausência e presença através das transparências dos materiais, dos intervalos entre superfícies e da brancura do papel. Carlos Fajardo dá continuidade à investigação que desenvolve há seis décadas sobre as relações espaciais entre o corpo, o objeto e a Arquitetura, realizada nesta ocasião através de um diálogo entre a arte e o pensamento quântico.

Em 1966, Carlos Fajardo produziu “Neutral”, obra que se tornaria fundamental para o desenvolvimento do seu pensamento artístico e filosófico. Composta por dois cubos transparentes, sendo um deles de acrílico e o outro formado apenas por um traço que atravessa cada uma das seis superfícies do primeiro, a peça foi entregue ao comprador como um guia de instruções para montagem. Em “Neutral” é possível observar a gênese de alguns interesses que se tornaram complexos ao longo de mais de cinquenta anos de atividades do artista: a elaboração da obra estabelecida pela relação entre o observador e o objeto, o desenho como um modo de pensamento e trabalhos como portadores de ideias que ultrapassam o fazer manual.

Sessenta anos depois, Carlos Fajardo mantém-se fiel às discussões suscitadas pela fenomenologia, mas assim como o tempo, que avançou, o repertório filosófico do artista se expandiu, aproximando-se das reflexões sobre a composição e o comportamento da matéria através dos fundamentos da física quântica. Ao recusar a concepção de uma matéria fixa e plenamente determinada, essa perspectiva evoca um nível microscópico no qual os fenômenos são descritos em termos de probabilidades, interações e correlações, e no qual a observação integra as condições de manifestação do que é observado. A partir da compreensão de que a realidade física é entendida como relacional e dependente das interações que a atualizam, a palavra “vazio” deixa de ser sinônimo de ausência e a palavra “entre” adquire nova densidade, ativando um modo de percepção menos centrado no intervalo entre objetos fixos e mais atento às relações que o constituem.

O que Carlos Fajardo propõe nesta exposição é uma experiência viva e relacional. Nas paredes laterais, dispõem-se trabalhos que exploram, por meio da variação cromática, a transição entre a segunda e a terceira dimensão. À esquerda, um quadrado em azul cerúleo preenche o campo da visão periférica de quem entra, evocando a ideia de transcendência em sua relação com a história da arte moderna e seu uso na representação de atmosferas, composições celestes e aquáticas. Depois, uma série de vinte e quatro desenhos em carvão e pastel seco oscila entre o vermelho, o amarelo, o azul e o preto, revelando, pela fricção do pigmento sobre a superfície do papel, a estrutura reticular da fibra. Os traços, articulados às bordas do A4 e marcados por gestos curtos e precisos, formam, coletivamente, uma sequência que se anima através do movimento do visitante ao percorrer o espaço.

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