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AGENDA CULTURAL

Pedro Escosteguy na Fundação Iberê Camargo.

A Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre, RS, inaugura, no dia 26 de setembro, “Pedro Escosteguy – poesia, vanguarda e opinião”, a maior exposição já dedicada à trajetória do artista.

Poeta, artista visual e ensaísta, Pedro Escosteguy foi um dos expoentes da Arte Experimental Brasileira, construindo uma produção marcada pelo diálogo entre palavra, imagem, objeto e participação.

Com curadoria de Gustavo Possamai, da Fundação Iberê, e Gustavo Nóbrega, da Galeria Superfície, a exposição reúne obras históricas, documentos, fotografias, publicações e registros audiovisuais produzidos entre as décadas de 1960 e 1970, revelando a diversidade e a força de uma trajetória fundamental para a compreensão da vanguarda artística brasileira.

Sobre a exposição e o artista.

Aos 47 anos, depois de mais de duas décadas dedicado à gastroenterologia, Pedro Geraldo Escosteguy (Santana do Livramento, 1916 – Porto Alegre, 1989) aprendeu a manusear ferramentas de marcenaria. Nunca havia desenhado, pintado ou esculpido. Dali nasceu sua primeira obra e, com ela, o núcleo de um conjunto de trabalhos que o próprio artista chamaria de construções semânticas. “Meio pomposo o título”, diria, “mas eram construções que tinham capacidade de dizer alguma coisa”.

Antes disso, porém, Escosteguy já construía uma trajetória singular como poeta. Na Porto Alegre dos anos 1950, integrou o Grupo Quixote e tornou-se um dos principais articuladores da expansão da poesia para além do livro: poemas ilustrados, poemas projetados e ações públicas sob o lema “O povo tem direito à poesia”. Palavra, imagem, objeto e participação deixariam de constituir campos independentes para integrar um mesmo projeto de experimentação estética e reflexão crítica.

A mudança para o Rio de Janeiro, o contato com Antonio Dias e a efervescência artística em torno de Hélio Oiticica o levaram, já maduro, a desenvolver, paralelamente à carreira médica, uma produção que conjugava poesia, objeto e participação, orientada pela ideia de arte pública.

Seus objetos recusavam a contemplação passiva. Tinham forte dimensão política e convocavam o espectador ao contato físico e à participação. Insistia em permanecer “totalmente desligado do mercantilismo do mercado de arte” e compreendia a passagem da poesia ao objeto como um processo contínuo: “o poema se enriquece quando se integra em suportes adequados”, escreveu, e “o objeto se levanta a partir desse núcleo conceitual”.

Embora reconhecido em algumas das exposições decisivas da arte brasileira dos anos 1960, como a VIII Bienal de São Paulo (1965), Opinião 65, a IX Bienal de São Paulo (1967) e Nova Objetividade Brasileira (1967), grande parte de sua produção permaneceu pouco conhecida ou acessível apenas por meio de registros fragmentários.

Escosteguy dedicou-se às artes visuais por pouco mais de uma década, entre o início dos anos 1960 e o fim dos anos 1970. Esta exposição reúne a maior parte de sua produção plástica hoje conhecida, proveniente de diferentes coleções do Brasil, ao lado de publicações, registros audiovisuais e documentos preservados no Delfos – Espaço de Documentação e Memória Cultural da PUCRS, que salvaguarda o arquivo doado pela viúva do artista, Marilia Escosteguy.

Reunidas pela primeira vez, estas obras revelam que a passagem da poesia ao objeto nunca foi uma ruptura, mas o desdobramento de um mesmo pensamento artístico. Escosteguy mudou de linguagem sem abandonar suas questões fundamentais – liberdade, comunicação e participação. Talvez seja dessa coerência rara, entre poesia, objeto e vida, que sua obra continue a retirar sua força.

Gustavo Nóbrega e Gustavo Possamai, curadores.

Até 28 de março de 2027.

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