Modernismo no Centro Cultural Correios

16/nov

O Centro Cultural Correios, Centro, Rio de Janeiro, RJ, exibe a exposição “Mário de Andrade – Cartas do Modernismo”. A mostra, com curadoria de Denise Mattar, encerra as comemorações dos 90 anos da Semana de Arte Moderna, traçando um panorama da implantação e expansão do Modernismo no Brasil através de obras de arte, cartas, imagens, fotos e textos do escritor que, junto com Oswald de Andrade, foi um dos principais impulsionadores do movimento artístico. Em exibição, obras assinadas por Di Cavalcanti, Segall, Cícero Dias, Ismael Nery, Portinari, Zina Aita, Augusto Rodrigues, Portinari e Enrico Bianco, artistas do primeiro e segundo modernismo, expoentes da melhor arte moderna brasileira.

 

A correspondência de Mario de Andrade é reconhecida por seu expressivo volume e pela qualidade dos interlocutores envolvidos. Os mais importantes poetas, escritores, músicos, teóricos e artistas desse período trocavam cartas com ele. O estudo delas revela o ideário modernista do autor, que se constitui como tema central da exposição, mas apresenta também o lado humano das pessoas envolvidas, suas dores, amores, brigas, disputas, picuinhas e brincadeiras.

 

O foco central das cartas apresentadas na exposição são as artes plásticas. O tema é abordado nas correspondências trocadas com Anita Malfatti, Tarsila do Amaral, Candido Portinari, Di Cavalcanti, Enrico Bianco, Cícero Dias e Victor Brecheret e também nas missivas entre o escritor e Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade e Henriqueta Lisboa. Um especial destaque é dado ao período, muito pouco conhecido, em que Mário de Andrade viveu no Rio de Janeiro, e também à sua amizade com Portinari. Neste segmento são apresentadas cartas originais de Mário de Andrade a Portinari, mantidas no Projeto Portinari.

 

Devido à sua fragilidade a maioria das cartas será apresentada em fac-símile. Considerando também a dificuldade de compreensão da caligrafia antiga, parte delas foi transcrita e impressa para facilitar a leitura. Parte delas está disponível em áudio, na voz do ator João Paulo Lorénzon, o que além de estimular uma compreensão emocional do material, estende a abrangência da mostra aos deficientes visuais.

 

Há ainda uma instalação interativa, criada pelo cenógrafo Guilherme Isnard, que permite ao visitante recompor virtualmente as cartas juntando letras que estarão flutuando projetadas na sala. Outra atração é a possibilidade de levar uma carta de Mário Andrade para casa. Para isso basta deixar escrita uma carta para a produção da mostra, para os Correios ou mesmo para o escritor Mário de Andrade. A exposição é complementada por uma cronologia de Mário de Andrade e um vídeo que contextualiza aquele período para o público através de fotos de época.

 

Até 06 de janeiro de 2013.

TARSILA DO AMARAL NO RIO

13/fev

O CCBB, Centro, Rio de Janeiro, RJ, apresenta “Tarsila do Amaral — Percurso Afetivo”, um retrospecto da vida e da obra da pintora Tarsila do Amaral, composta de 85 trabalhos da artista. O nome de Tarsila do Amaral faz parte da história da arte brasileira como uma vanguardista com presença marcante no Modernismo Brasileiro. Complementam a exposição objetos pessoais, diários de viagens, uma palestra-concerto e encontros com os curadores Antonio Carlos Abdalla e Tarsilinha do Amaral, sobrinha-neta da artista. No entanto, sua tela mais famosa, o “Abaporu”, pertencente ao acervo do MALBA, de Buenos Aires, desta vez não estará presente, assim como “A Negra”, da coleção do MAC, de São Paulo. Em compensação, consta “Antropofagia”, tela de igual importância como as demais citadas. A proposta da curadoria – para quem a exposição é “uma mostra de colagens de obras da artista” -, agrupou três telas de Tarsila nominando-as de “Trilogia carioca”, são elas: “Morro da favela”, “Estrada de ferro Central do Brasil” e “Carnaval em Madureira”, obras da fase conhecida como “Pau Brasil”. Tarsila do Amaral ainda será reverenciada em março com o livro “Tarsila-Os melhores anos”, pela M10 Editora, com autoria da crítica de arte Maria Alice Milliet. Até 29 de abril.