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AGENDA CULTURAL

Vicente do Rego Monteiro na Danielian Galeria.

 “Na exposição “Vicentes – Monteiro: Entre Recife e Paris (1899–1970)”, que vai até 11 de outubro na Danielian Galeria com a curadoria de Paulo Bruscky, temos um resumo muito bem articulado da vida e obra de Vicente do Rego Monteiro, e já o título diz muito. Vicentes. Assim mesmo, no plural. E é Bruscky, igualmente um multiartista, quem elenca o que esse pernambucano-parisiense foi além de “genial artista plástico”: “cenógrafo, fotógrafo, piloto de automóveis, fabricante de aguardente, dançarino, professor, funcionário público e cineasta”, sem esquecer de um “brilhante poeta/tipógrafo/tradutor tão desconhecido do público brasileiro”. Desconhecido como poeta e ainda pouco valorizado como grande pintor ao lado de Tarsila e Di Cavalcanti, entre outros que foram seus contemporâneos nas lutas modernistas antes e depois de 22. Tarsila e Vicente chegaram a conviver na Paris dos anos 20. Com Di havia certa distância e também rivalidade, provocada, é claro, pelo pintor carioca e suas aleivosias. Sobre o casal Tarsila e Oswald é bom recordar, com Jorge Schwartz, um texto de Aracy Amaral publicado em O Estado de S. Paulo de 13 de junho de 1970, sobre uma revelação que tanto magoou Vicente: “Nesse único encontro relatei-lhe – passado tanto tempo, julgava, esquecendo-me da suscetibilidade própria dos artistas, que lhe pareceria uma curiosidade – a destruição de seu quadro Fim de combate, adquirido por Tarsila em Paris, na década de 20. Segundo depoimento da pintora, esse quadro foi alvo de superstições de Oswald, na época do fim do casamento de ambos. Oswald de Andrade – talvez por temores de ameaças de crise – tinha nesse tempo um feiticeiro, Antenor, que vivia com ele na casa de Tarsila, na Rua Barão de Piracicaba, a fim de prever fatos desagradáveis. Certo dia, Oswald, muito crédulo, ao ouvir de uma amiga da casa o comentário de que a tela “devia dar azar” por seu assunto meio escabroso (um homem segurando a cabeça de outro, degolado, em cores intensas), sem nada dizer a Tarsila levou o quadro ao quintal, pondo-lhe fogo. Rego Monteiro, a quem narrei o fato como curiosidade, ficaria profundamente chocado com o feito de Oswald, tendo mesmo relatado a outros esse ato, que não deixava de ser atentado contra uma obra sua.” Há cerca de quatro décadas, ouvi de Walmir Ayala essa história, ao me dizer da tristeza do pintor e de sua vontade de reconstituir obras perdidas, o que de fato parece ter em parte realizado. E para não cansar eventuais leitores, destaco aqui apenas a imagem esguia do poeta Edson Regis, nesta mostra um óleo sobre tela que evidencia a importância dos retratos na obra de Vicente do Rego Monteiro. Como todas as pinturas, desenhos, objetos e impressos apresentados nesta seleção tão enxuta e exemplar, esse retrato, de grande impacto, guarda as características básicas do modus operandis deste que é um dos artistas mais importantes da arte brasileira. Em texto do mesmo modo enxuto e exemplar, Gênese de Andrade aprofunda essas características baseando-se, com muita acuidade crítica, na “representação de figuras humanas em obras de diferentes estilos, técnicas e suportes”, texto publicado com dois outros – de Bruscky e de Jorge Schwartz – no esplêndido catálogo que acompanha a exposição”.

Por André Seffrin.

De 08 de agosto a 11 de outubro, na Danielian Galeria, Gávea, Rio de Janeiro.

 

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