Olá, visitante

AGENDA CULTURAL

Três do Sul

13/maio

Percevejo, mostra de Jailton Moreira

 

O Museu do Trabalho, Centro Histórico, Porto Alegre, RS, apresenta “Percevejo”, exposição individual de Jailton Moreira que reúne uma série de trabalhos recentes e outros realizados na última década. O conjunto de vinte e três obras inclui fotos, vídeos e desenhos. As montagens com fotografias utilizam-se de imagens obtidas pelo artista em viagens pelo mundo que, ao rever este material de arquivo, escolheu-as considerando mais as possibilidades críticas da maneira de expor cada uma delas do que as qualidades formais ou mesmo textuais das mesmas. O grupo de fotografias testa as relações da imagem com o quadro, a moldura e suas potências estruturais. Já os três desenhos exibidos apontam para uma dimensão mental do ato gráfico onde as linhas e as formas são apenas índices para a reconstituição de pensamentos. Os vídeos, por sua vez, indicam direções diversas abrangendo o aspecto conceitual da edição, os limites do discurso artístico e as dimensões temporais da imagem em movimento.

 

 

De 17 de maio a 29 de junho.

Conversa com o artista: dia 31 de maio, sábado, às 16 horas.

 

………………………………………………………………………………………………………………………………………

 

Anotações de Eduardo Haesbaert

 

A mostra “Anotações de uma obra depois das cinco”, na Galeria de Arte da Fundação Ecarta, Redenção, Porto Alegre, RS, é composta por uma série de fotografias dos vestígios de uma reforma no atelier do artista: formas, linhas e texturas, que, a partir da visão de Eduardo Haesbaert, adquirem uma surpreendente dimensão pictórica. E, para dialogar com a arquitetura do próprio espaço expositivo, ele faz, também, um desenho nas paredes da galeria.

 

 

De 22 de maio a 13 de julho.

 

………………………………………………………………………………………………………………………………………

 

Teresa Poester, o traço das paisagens

 

Em mais de 35 anos de produção, seja no desenho, na pintura, no vídeo, na fotografia ou na gravura, a representação da paisagem – ou pelo menos uma sugestão dela – se faz constante, persistente, no trabalho de Teresa Poester. Em meio a figurações de jardins, pedras, janelas ou mesmo entre abstrações, entre gestos largos ou miúdos, entre linhas e manchas, entre a cor e o preto-e-branco, de repente irrompe uma paisagem. Daí o recorte desta exposição individual de Teresa Poester denominada “Território da Folha – paisagens de Teresa Poester” em cartaz no Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul, MAC-RS, Galeria Sotero Cosme/Casa de Cultura Mario Quintana, Centro Histórico, Porto Alegre, RS.

 

 

Até 15 de junho.

José Damasceno na Fortes Vilaça

A Galeria Fortes Vilaça, Vila Madalena, São Paulo, SP, apresenta a exposição “Sobre o Objeto de 8º Grau”, individual de José Damasceno. O artista apresenta sua mais recente instalação, homônima ao título da mostra, além de um conjunto de serigrafias e uma pintura na parede do espaço expositivo. Sobre o “Objeto de 8º Grau” é um conjunto de pequenas esculturas de obsidiana distribuídas sobre duas mantas retangulares de feltro no chão, como recentes descobertas de um sítio arqueológico. Damasceno, que frequentemente emprega em suas esculturas diversos tipos de rochas, dessa vez elegeu a obsidiana que lhe despertou interesse durante suas viagens a Guadalajara. Trata-se de uma espécie de vidro vulcânico, criada a partir da rápida solidificação do magma; amplamente difundida na Mesoamérica pré-colombiana, era usada como espelho e também como ferramenta bélica, e frequentemente associada ao ocultismo e a rituais astecas.

 

Contrastando com a opacidade do feltro, a superfície negra e reflexiva de cada peça de obsidiana reflete em si a imagem de cada uma das outras peças da exposição, criando um jogo de espelhos que, por sua vez, evoca o pequeno texto “La imagen de séptimo grado”, do escritor argentino Macedonio Fernández. Nele, o autor descreve a viagem de uma imagem através de diferentes reflexos (a memória e a representação pictórica entre eles) e defende que em cada qual a imagem deixa sua própria inscrição.

 

De maneira semelhante se colocam os “Estudos Paragráficos II”, um conjunto de doze serigrafias dispostas linearmente na parede contígua à instalação. Nesses trabalhos, a palavra paragráfico revela uma mediação entre a inscrição gráfica e suas possibilidades de materialização, salientando a tensão entre as dimensões bi e tridimensional, o virtual e o real. A obra de Damasceno coloca-se na zona limítrofe onde o imaginário multiplica-se nos diversos reflexos da linguagem, e a experiência do real se dilui nesses reflexos. A proposta de Damasceno não é, portanto, apresentar um objeto de oitavo grau, mas um convite a procurá-lo.

 

 

Sobre o artista

 

José Damasceno nasceu no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha. Entre suas exposições individuais, destacam-se Coordenadas y Apariciones, Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, Madrid, Espanha (2008); Espace Topographie de l’Art, 37 Festival d’ Automne à Paris, France, 2008; Viagem à Lua, 52. Biennale di Venezia, Pavilhão Brasileiro, Venice, Italy, 2007; Observation Plan, Museum of Contemporary Art, Chicago, USA, 2004. Em exposições coletivas, destacam-se: Cruzamentos: Contemporary Art in Brazil, Wexner Center for the Arts, Ohio, USA, 2014; Biennale of Sydney, Australia, 2006; XXV Bienal de São Paulo, Brasil, 2002. Sua obra está presente em diversas coleções públicas, entre as quais: Cisneros Fontanals Art Foundation – CIFO, Miami, USA; Colección Jumex, DF, Mexico; Daros-Latinamerica AG, Zurich, Switzerland; Inhotim Centro de Arte Contemporânea, Brumadinho, Brasil; MACBA – Museu d´Art Contemporania de Barcelona, Barcelona, Spain; Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Brasil; Museu de Arte Moderna de São Paulo, Brasil; MoMA, New York, USA.

 

 

De 17 de maio a 14 de junho.

Arquivo vivo

O IAC – Instituto de Arte Contemporânea, Vila Mariana, São Paulo, SP, apresenta a exposição “O arquivo Vivo de Sérvulo Esmeraldo”, primeira mostra que a instituição realiza após receber em comodato parte do arquivo documental e acervo deste artista cearense com uma das trajetórias mais originais da arte brasileira. Com curadoria do crítico Ricardo Resende, a exposição conta com cerca de 150 itens, entre estudos, gravuras, desenhos, relevos, matrizes, maquetes etc. A seleção reúne um panorama da produção deste artista que flertou com quase todas as formas de representação artística ao longo de mais de quatro décadas e que se encontra em plena atividade.

 

O arquivo agora no IAC ficou guardado intacto por cerca de 40 anos no ateliê do artista e amigo argentino Júlio Le Parc, em Paris, cidade onde Sérvulo viveu e trabalhou por mais de vinte anos, depois de sair do Brasil em 1957. Nessa fase em solo europeu Esmeraldo esteve junto de artistas como Vicente do Rego Monteiro, Lygia Clark, Sérgio Camargo, Franz Krajcberg, Arthur Luiz Piza, Flávio Shiró e Rossini Perez. O convívio com seus pares foi de enorme importância para definir sua formação intelectual e artística.

 

Destaque na exposição para as diversas matrizes de gravuras em chapa de metal que formam a base de estudos do artista no campo da arte geométrica e também abstracionista. Para o curador, “os recortes dessas placas de metal despertam interesse especial, pois é possível lhes conferir uma autonomia escultórica depois de terem transportado as imagens para o papel”. Alguns projetos de livro objeto realizados no início da década de 70 e que formam os estudos para os célebres livros objetos do artista também estão na mostra. Segundo o curador, esse conjunto de estudos inéditos agora apresentados ao público, “mostra-nos o seu caminho, que parte da observação de uma folha, de uma planta, de uma semente ou de um pé de milho, para chegar a formas geométricas puras”.

 

 

 

Sobre o artista

 

Cearense do Crato, Sérvulo Esmeraldo nasceu em 1929. O escultor, gravador, ilustrador e pintor, a partir de 1947, frequenta a Sociedade Cearense de Artes Plásticas – SCAP e mantém contato com Antonio Bandeira e Aldemir Martins. Em 1951 vem para São Paulo, trabalha na montagem da 1ª Bienal Internacional e no Correio Paulistano, como ilustrador e gravador.

 

Sua primeira individual na capital paulista acontece em 1957, no MAM/SP. Após a mostra, viaja para a Europa com bolsa do governo francês, onde estuda técnicas da gravura em metal e litografia. Nos anos 60, ainda na França, integra o movimento da arte cinética, quando realiza a série dos “Excitáveis”. Retorna ao Brasil em 1978, trabalhando em projetos de arte pública, principalmente esculturas de grande porte que ornamentam a paisagem urbana de Fortaleza, cidade onde vive e trabalha desde 1980.

 

Sérvulo Esmeraldo participou de diversas exposições, entre elas: 6º Salão Paulista de Arte Moderna (1957), 5ª, 6ª, 7ª e 19ª edições da Bienal Internacional de São Paulo (1959, 1961, 1963, 1987), 14ª Trienal de Milão, 1967 – Itália, Exposição Internacional de Gravura 1970 – Cracóvia – Polônia, Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP, 1974, São Paulo – SP, Um Século de Escultura no Brasil, no Masp, 1982 – São Paulo – SP, Brasil + 500 Anos: Mostra do Redescobrimento, na Fundação Bienal, 2000 – São Paulo – SP, além da grande retrospectiva realizada pela Pinacoteca de São Paulo, em 2011. Sua obra está representada nos principais museus do País e em outras coleções públicas e privadas do Brasil e exterior.

 

 

De 17 de maio até 23 de agosto.

Arte no caos

Trabalhos com pinceladas carregadas de tintas metálicas em fundo preto e prata sobre tela desenvolvem agitados movimentos nas obras de Alex Flemming. Esta é a técnica de pintura que o artista plástico Alex Flemming utiliza na série “Caos“, exibida em exposição pela primeira vez na Galeria Paralelo, Pinheiros, São Paulo, SP. O artista que mora e trabalha em Berlim, Alemanha, desde 1991, surge nesta exposição individual com apresentação assinada por Tereza de Arruda.

 

De acordo com o artista, a utilização das tintas metálicas na composição faz com que as telas reflitam a luz de maneira diferente de manhã, à tarde e à noite, transmutando-as conforme a mudança das horas. As obras de Alex Flemming busca refletir o caos de onde o ser humano veio e se encontra e segue os caminhos para onde ele vai um dia. O artista fixa a transitoriedade da vida. Uma exposição para se pensar.

 

 

Até 12 de julho.

Ivan Serpa, obra selecionada

12/maio

“Ivan Serpa, Transfigurações” é o nome dado a exposição de caráter panorâmico realizada pelo Gustavo Rebello Arte, Copacabana Palace, Rio de Janeiro, RJ. A mostra, uma seleta altamente criteriosa,  apresenta série de trabalhos inéditos de Ivan Serpa distribuídos em técnicas diversas como gouaches e pinturas.

 

 

Texto de Hélio Márcio Dias Ferreira

 

Numa sala especial da Pinacoteca do Vaticano está “A Transfiguração”, de Rafael Sanzio, o tema trata da metamorfose fantástica de Cristo, ladeado por Moisés e Elias, cena ocorrida diante dos olhos estupefatos de Pedro, Tiago e João, que assistiram ao Messias radiante. Por muitas vezes, o fato bíblico serviu de inspiração na História da Arte. Entre nós, no início dos anos 60, um Serpa místico não se apropriou da mesma temática de mutação cristã, mas de um ser em transformação que nos parece humano e que não nega sua origem bicho, seu caráter híbrido, seu aspecto fauve. Algumas são as razões que se apresentaram como influência. Na Espanha, por exemplo, o artista carioca se encantara com a pintura rupestre de Altamira, a força animal construída nessa imagética impregnou seus olhos de uma energia primeira e genuína. Já no Brasil, ainda com lembranças abstratas, apontado para um caráter pictórico mais lírico, flertou com formas consideradas erroneamente como informais, mas que o próprio artista acreditava advindas de uma construção. Em seguida, ainda imbuído de espírito expressionista, mergulhou na transfiguração de Bichos, de Mulheres, ou de Mulheres e Bichos. Um vem do outro, ou os dois são um só? O erotismo, muitas vezes, foi linguagem entre as figuras, mas o principal era sua energia vital e sua transmutação. Serpa não temia seu próprio minotauro e penetrava no âmago desse labirinto. Cores explodiram no confronto dos seres mutantes. Mas o mundo também se transformava e Ivan, diante das figuras macérrimas das crianças de Biafra e de todo um contexto de guerras, trouxe um universo de cabeças, de máscaras fantasmagóricas, de corpos esqueléticos que se apresentaram num cenário de tétricas figuras. Como um Guayasamín brasileiro, o artista, mais conhecido por suas composições geométricas abstratas do Concretismo, dessa vez se afirmou definitivamente como um expressionista na fase conhecida como Negra, mas denominada Crepuscular pelo próprio pintor. Pouco a pouco, abandonou o colorido de antes e ora apresentou imensas cabeças de um pathos contundente, ora exibiu corpos esquálidos, como numa denúncia a um mundo desigual e desumano, transfigurado.

 

Desse momento, até os próximos 10 anos que lhe restaram, antes de sua morte prematura em abril de 1973 (quando partiu para sua própria “transfiguração”, acompanhado de Picasso e Tarsila), Serpa ainda voltou à geometria, experimentou a Anti-letra, ou mesclou formas geométricas à figuras expressionistas, entre outras linguagens. Mas acabou por partir quando, no momento mais místico da sua carreira preparava a série da Geomancia.

 

                                              
 A partir de 14 de maio.

Diálogos Móveis

A galerista Marcia Barrozo do Amaral, Shopping Cassino Atlântico, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ, abre as portas da galeria para a apresentação da instalação “Diálogos Móveis” do artista plástico Luiz Phillippe, que além de ter obras no acervo do colecionador Gilberto Chateaubriand, no MAM-Rio, já realizou exposições individuais em Roma, na Galeria Candido Portinari – Embaixada do Brasil, e na The Economist Art Gallery, de Londres, onde pode comemorar a venda de um de seus trabalhos para o ex-beatle George Harrison. Nesta instalação, que é uma continuidade da conhecida série das cadeiras de pernas cruzadas do artista, o espectador se vê substituído pelas cadeiras, nas quais ele normalmente se sentaria. É impedido por elas próprias, que cruzam as pernas, sentadas sobre si mesmas e dialogam em situações e atitudes até então reservadas a eles. Como se dessem uma pausa para repensar a sua longa existência. “Quem? As cadeiras ou os homens?”, questiona Luiz.

 

A partir de 16 de maio, participando do projeto CIGA / ArtRio – Circuito Integrado de Galerias de Arte.

Até 23 de maio.

Tinho na Galeria Movimento

A partir do dia 16 de maio o público carioca poderá apreciar dez telas que envolvem o cotidiano urbano e todo o caos proporcionado pela metrópole no trabalho de um dos precursores e um dos nomes mais conceituados da arte urbana no Brasil: Walter Tada Nomura, o TINHO. Na mostra “Reflexão”, que acontecerá na Galeria Movimento, Shopping Cassino Atlântico, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ, representante das obras do artista que reside e trabalha em São Paulo.

 

As questões sociais, econômicas e urbanas foram sempre seu objeto de pesquisa. Suas pinturas despertam o pensar. Procuram estabelecer uma comunicação com o espectador de forma a levantar e discutir questões contemporâneas do cotidiano. Dessa necessidade surgiram os personagens, tão emblemáticos em sua arte. Crianças interiores, tristes e sombrias, que trazem no olhar as marcas da sociedade em que vivem. Sua solidão reflete todos os problemas a que estão expostas diariamente e falam mais do que mil palavras. Bastante freqüente também, em sua obra, é a temática dos automóveis batidos. Pesadelos geraram imagens que falam de uma viagem interrompida. Uma forma de censura que impede de chegar ao objetivo final.

 

Tinho mantém paralelamente o contato com o universo da arte urbana e com o meio acadêmico, colaborando com teses de graduação, mestrado e doutorado sobre as relações entre a arte e a cidade. É convidado a participar de discussões e palestras regularmente, como aconteceu na VII Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo, em 2007. Acumula em seu currículo participações em mostras coletivas de instituições como Centro Cultural São Paulo, Paço das Artes, MIS, Caixa Cultural, Santander Cultural, Memorial da América Latina e Pavilhão das Culturas Brasileiras, assim como nas bienais de Havana, 2009 e Vento Sul, Curitiba, 2009. Realizou exposições individuais em diversas galerias privadas ao redor do mundo e, a convite do Itamaraty, expôs em Londres e em Moscou.

 

Em 2006 foi convidado a produzir um painel gigante como preparativo para a Copa FIFA 2006, em Berlin, e também participou de exposições em Grenoble e Hossegor, na Franca, Gold Coast, Melbourne e Torquay, na Australia, Beijing e Shangai, na China, Barcelona, na Espanha, Rotterdam, Holanda, Moscou, Russia, Zurich, Suíça, Berlin e Munique, na Alemanha, Varsóvia, Polonia, Milão, Itália, Buenos Aires, Argentina e Santiago, no Chile.

 

Embora tenha a pintura como principal linguagem, Tinho também fotografa, cria objetos tridimensionais, monta instalações, faz colagens, performances, site-specifics. e transforma em arte aquilo que encontra pelos lugares por onde circula.  Em seu trabalho, a vida urbana, os problemas sociais e políticos são questões que se relacionam de forma estética e conceitual. Suas telas muito contribuíram para o reconhecimento do Brasil como um dos principais produtores de arte urbana. Ao se apropriar do que foi refugado, do que pertence a todos e a ninguém, Tinho cria esse delicado jogo entre encenação e realidade. Faz nada mais que arte, recriando continuamente o mundo. “Eu procuro com o meu trabalho estabelecer uma comunicação com o espectador, de forma a levantar e discutir questões contemporâneas que fazem parte do nosso cotidiano. Como um ser metropolitano, minhas questões giram em torno dessa vida urbana, dos problemas sociais a que estamos expostos diariamente e as questões políticas e econômicas que acabam por refletir em todo o nosso viver. Em meu trabalho, essas questões se relacionam de forma estética e conceitual”, finaliza Tinho.

 

 

Sobre o artista

 

Tinho iniciou o desenvolvimento de seu trabalho em atelier estudando na FAAP, se formando em Artes no ano de 1997. Lecionou na rede pública estadual e iniciou sua pesquisa formal procurando entender os relacionamentos humanos dentro da metrópole, assim como a relação dos habitantes com o meio onde vivem. Desde então explora o espaço urbano em busca de um contato íntimo com sua geografia, arquitetura e superfície. Através de um posicionamento social e político, acumula informações das ruas, recolhendo seus restos e selecionando seus conteúdos. Essa pesquisa carrega um aspecto documental e histórico da cidade, principalmente de São Paulo, em meio a vivência particular do artista.

 

 

De 16 de maio a 7 de junho.

Fachada de Laercio Redondo

09/maio

A Galeria Silvia Cintra + Box 4, Gávea, Rio de Janeiro, RJ, exibe a exposição “Fachada”, do artista Laercio Redondo que toma como ponto de partida um marco da arquitetura moderna Brasileira: o Palácio Gustavo Capanema, onde funcionou, no Rio de Janeiro, o o Ministério da Educação e Cultura. Construído entre 1936 e 1945, foi projetado por uma equipe de arquitetos, entre os quais Lucio Costa, Oscar Niemeyer, Eduardo Reidy, Carlos Leão, Ernani Vasconcellos e Jorge Machado Moreira com a consultoria do arquiteto franco-suíço Le Corbusier. O edifício também teve a colaboração de artistas plásticos, que criaram obras para as áreas internas e externas. Paradoxalmente, no entanto, estes arquitetos e artistas de esquerda conceberam o edifício em plena ditadura Vargas (1930-1945), ou Estado Novo, em cujo início havia uma forte inclinação fascista. Assim, o edifício incorpora uma contradição: a arquitetura representava um sistema baseado em valores democráticos e ao mesmo tempo também correspondia à visão de nação moderna do regime.

 

A mostra apresenta quatro trabalhos principais: uma frase fundida em bronze, um filme, um conjunto de serigrafias em painéis de plywood e a imagem ampliada de um cartão postal dos anos 50. O filme da fachada do edifício é a chave para a leitura da instalação. Numa única tomada, a câmera viaja em linha vertical que vai do térreo ao terraço do edifício e o ultrapassa, revelando a cidade, o mar e o horizonte. Se o filme nos mostra o edifício hoje, no reverso da tela de projeção, Redondo imprimiu reproduções de imagens históricas icônicas do Palácio Capanema na época de sua construção. Ao lado destas representações, molduras monocromáticas negras atuam como marcadores espaciais onde o espectador pode pensar o que o palácio foi, o que ele poderia ter sido, e o que ele ainda pode ser.

 

Ao lado do arquiteto Birger Lipinski, Redondo criou dispositivos para parede que lembram o conjunto de janelas da fachada do edifício, onde são expostas as serigrafias que retratam uma seleção de fotografias atuais do edifício tiradas pelo próprio artista. Redondo justapõe vários detalhes visuais do lugar, inclusive os bustos de Vargas e Capanema, painéis de Cândido Portinari, a bandeira Brasileira, dentre outras imagens e espaços que dialogam com a complexa história e iconografia do edifício. O efeito de collage gerado por estes fragmentos, por conta da sua colocação e disposição, evoca o legado contraditório de como ideologias distintas vieram a se manifestar neste mesmo espaço físico.

 

O Palácio Capanema foi originalmente sede do Ministério da Educação e Saúde, cujo programa político tinha por premissa o desenvolvimento de uma nação moderna e “saudável”. Por isso, um cartão postal da época foi impresso e ampliado, mostrando um atleta na frente do edifício, o que nos remete ao passado e também reflete o presente: quando vivemos às vésperas de eventos esportivos como a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, com grande impacto sobre o atual desenvolvimento socioeconômico da cidade.

 

Finalmente, na parede de fundo da galeria encontra-se a frase fundida em bronze “Na verdade, a cidade do Rio não existe ainda”, tirada de um esboço feito por Le Corbusier durante sua viagem ao Rio em 1936. A frase acena o quanto o Modernismo era percebido como uma solução radical para o desenvolvimento sem, no entanto, levar em consideração as realidades locais. Ainda assim, como no caso da imagem do atleta heroico do outro lado da galeria, também se pode ler as palavras de Le Corbusier em relação ao momento atual e à propulsão da cidade para o futuro.

 

Ao sobrepor diferentes temporalidades e vários elementos, todos reunidos neste marco da arquitetura, a obra de Redondo reativa uma visão sobre a história da política. Ao fazê-lo, ele cria um espaço onde o espectador pode avaliar a complexidade da memória histórica e suas ambiguidades a partir de diferentes perspectivas. Fachada sugere o contexto histórico múltiplo da construção do Palácio Capanema e os possíveis significados dessa fachada nos dias de hoje.

 

 

De 15 de maio a 21 de junho.

Maio: Arte brasileira em Nova Iorque

Com exposições individuais inauguradas em galerias do Chelsea, três dos maiores artistas contemporâneos brasileiros – Adriana Varejão, Tunga  e Vik Muniz – são celebrados no maior centro de arte do mundo, a cidade de Nova Iorque. O início ocorreu com a retrospectiva de Lygia Clark no MoMA, seguido Frieze (feira de arte), com stands das badaladas galerias A Gentil Carioca, Casa Triângulo, Fortes Vilaça, Jaqueline Martins, Mendes Wood e Vermelho.

 

Além do MoMA, outras instituições, como o Godwin-Ternbach Museum of Queens College exibe 40 fotos – em grande escala – de Abdias Nascimento. O Bronx Museum inaugurou a exposição coletiva “Beyond the Supersquare”, nela participando, dentre outros, André Komatsu e Mauro Restiffe. O Institute of Fine Arts da New York University será o anfitrião de Regina Silveira para um diálogo entre as pessoas interessadas. Caio Reisewitz inaugura no dia 16 uma grande individual no International Center of Photography (ICP), que abrigará ainda a coletiva “Urbes Mutantes: Latin American Photography 1941-2013”.
Mas também encontram-se em cartaz, em centros culturais da cidade a seguinte programação: no The Jewish Museum, “Other primary structures” com obras de Hélio Oiticica, Lygia Clark, Lygia Pape, Sérgio Camargo e Willys de Castro. Já Rivane Neuenschwander apresenta-se com “Thanks for writing” no 601 ArtSpace. E no International Print Center NY, a “Contemporary Brazilian printmaking”, com 22 nomes, dentre os quais Sheila Goloborotko e Mônica Barki.

 

Mais brasileiros: Carlito Carvalhosa, em mostra individual na Sonnabend, na Broadway 1602, a coletiva “Ultrapassado part I” reunindo obras assinadas por Lygia Pape, Lenora de Barros, Lydia Okumura e Paloma Bosque. A Tierney Gardarin exibirá “Geraldo de Barros: The purity of form”,  e a Hauser & Wirth do Upper East Side com uma panorâmica de Anna Maria Maiolino e o coletivo assume vivid astro focus (avaf), criado por Eli Sudbrack, inaugura a mostra de pinturas “Adderall Valium Ativan Focalin (Cantilevering me)” na Suzanne Geiss. E a marchande Luciana Brito fez uma seleção de trabalhos de seus artistas para mostrar na Espasso.

A dramaticidade de Iberê

A retrospectiva de Iberê Camargo, “Um trágico nos trópicos”, atualmente em cartaz no CCBB, Centro, São Paulo, SP, é a primeira exposição nacional em comemoração ao centenário do celebrado artista. O total de quase 150 obras da mostra foram produzidas entre a década de 1940 e sua morte em 1994. A curadoria é de Luiz Camillo Osório. A dramaticidade da pintura de Iberê encontra-se bastante evidenciada no conjunto de obras selecionadas pela curadoria. As tonalidades sombrias, o diálogo com a morte, encontram guarida numa uma obra de denúncia e muita solidão onde a tonalidade roxa predomina em suas trágicas figuras. Os carretéis ganham especial destaque pois são os signos que trouxeram a memória do artista pedaços de sua infância na cidade de Restinga Seca, no Rio Grande do Sul, sua terra de nascimento. O pintor sobrepunha camadas e mais camadas de tinta sobre a tela conseguindo através de sua gestualidade e no emprego de tons cinzas, marrons, e negros, um vigor absoluto mesmo quando se encontrava em plena maturidade já na casa dos 80 anos. Ainda na exposição uma seleta de gravuras e esboços, registros de seu isolamento criativo.

 

 

Até 07 de julho.

Sua mensagem foi enviada com sucesso!