Brennand no Rio

09/nov

A Galeria Evandro Carneiro Arte, Gávea, Rio de Janeiro, RJ, exibe de 10 de novembro a 15 de dezembro a exposição “Francisco Brennand”, que reúne 44 peças representativas da grandeza e da diversidade complementar de sua obra, todas elas procedentes do acervo Brennand, com a curadoria de Evandro Carneiro, Maria Helena e Maria da Conceição Brennand.

 

A mostra inclui 13 desenhos e pinturas – dentre as quais algumas telas da série As névoas de Caspar (Caspar David Friedrich) -, cinco lindas cerâmicas vitrificadas, 15 ovos cerâmicos e, ainda, 11 esculturas seriadas. Algumas obras são inéditas ao público, pois serão exibidas pela primeira vez no Rio de Janeiro. Todas as peças estarão à venda.

 

 

Sobre o artista

 

Natural de Recife, Brennand é ceramista, escultor, desenhista, pintor, tapeceiro, ilustrador e gravador. É autor de importantes espaços culturais de Recife: a Oficina Cerâmica Francisco Brennand, o Parque das Esculturas Francisco Brennand e a Academia de Arte Brennand. Francisco Brennand nasceu em 1927, no Recife, em uma família tradicional, ligada à aristocracia rural, e por outro lado, descendente de empreendedores ingleses que trouxeram o nome com o qual o artista ficou conhecido. Ricardo Brennand, seu pai, herdou o Engenho São João da Várzea, que inicialmente produziu açúcar e mais tarde se tornou uma importante olaria. Em 1917 Ricardo fundou a primeira fábrica de cerâmicas da família. Cinquenta e cinco anos depois, sobre as ruínas da Cerâmica São João, Francisco recriou o espaço de territorialidade familiar, construindo ali a sua moradia, mas também a famosa Oficina Brennand, o Parque de esculturas e, mais recentemente a sua Academia. Neste complexo, repleto de significados afetivos, simbólicos e fabris, Francisco Brennand vem desenvolvendo a sua arte, há mais de 60 anos. Uma arte totalizante e complementar nas facetas de pintura, escultura, cerâmica, desenho, gravuras, mas também paisagismo e museologia. Em entrevista concedida a Walnice Nogueira Galvão para a revista Artes e Letras (março de 2000), ele diz: “E posso lhe dizer mais: hoje sou um ceramista porque sou um pintor. E não sei mesmo como alguém pode ser um ceramista se não for pintor ou escultor.” (p.147). Conforme o belo e importante texto de Alexei Bueno no livro O Universo de Francisco Brennand (2011), “Graças a Francisco Brennand, de fato, essa mais primeva entre as matérias, o barro, saiu, entre nós, da categoria do puramente utilitário ou do artesanal para alcançar o patamar da grande arte.” (p.22). Seu trabalho magistral reúne o seu talento nato àquelas aptidões complementares e ainda se somam a sua erudição e o seu humanismo, conferindo sentidos mitológicos, históricos e literários à totalidade de sua obra. Suas esculturas, cerâmicas e pinturas encarnam tradições nas referências que delas emanam, mas recriam significados em sua originalidade. Grécia antiga (O nascimento de Vênus, Lilith, Gnose, Halia…), cabala judaica (Árvore da vida), romantismo alemão (Caspar David Friedrich!), cultura nordestina (Gilberto Freyre, Ariano Suassuna e “a onça castanha” das “terras cor de vinho”…), pintura moderna (Balthus, Klimt, Schiele, Picasso, Miró, Cezánne…) são algumas das referências recriadas em ressurgências artísticas e intelectuais com a marca de Brennand. O artista não possui somente uma assinatura, mas uma marca mesmo: Francisco Brennand é também fábrica de arte e cultura do homo faber. Em telas costuma assinar por extenso, mas também assina F.B. de maneira estilizada e outras vezes carimba a sua marca com um símbolo de Oxossi, referenciando também a tradição afro-brasileira. São signos complementares, como as modalidades artísticas que (re)inventa: “(…) Até a minha assinatura caligráfica foi motivo de especulação e eu que pretendo reduzi-la a um mero F. e um B. desenhados como ornatos, para que não destroem do próprio grafismo das pinturas e, pelo contrário, se identifiquem com ele e até se percam dentro dele.” (trecho de seu diário O nome do livro, 5 de janeiro de 1960, apud. BUENO, 2011, p. 116). Em outra parte de seu diário, o artista ilumina o que dissemos acima: “Jamais esteve nas minhas divagações a possibilidade de criar uma forma nova. Uma forma nova só pode parecer nova à medida de sua paixão. Os olhos que a descobrem nova são igualmente apaixonados. Na verdade – em qualquer arte – a ideia de conceber uma forma inteiramente nova já é em si uma monstruosidade. Seria, em todos os sentidos, invisível aos olhos humanos, uma vez que desconhecida. Nós só ´vemos aquilo que conhecemos´. Trabalhei nesse projeto visionário durante vinte anos, sempre à procura de um mundo genésico, onde, com o decorrer do tempo, isso sim, consegui expressar uma mitologia pessoal. Acrescente-se a esse tempo mais cem anos e não seria ainda suficiente para terminar projeto tão atroz. O seu desgaste natural e os olhos arrebatados das novas gerações saberão como mantê-lo vivo, novo e cada vez mais antigo como o futuro.” (O nome do livro, 11 de setembro de 1992, apud. BUENO, 2011, p. 55).

Pinturas de Cirton Genaro

Exposição de pinturas de Cirton Genaro na GANSARAL, Campo Belo, São Paulo, SP. A apresentação é do crítico de arte Jacob Klintowitz.

Cirton Genaro.

 

A escritura do mundo e a construção do mito.

Jacob Klintowitz

 

Alguns raros artistas desafiam a lógica do mundo social e se tornam, apesar deles mesmos, paradoxais. Cirton Genaro é um destes. Como é possível elaborar uma pintura com a pincelada, a composição e o cuidado renascentista e ter como assunto os cenários da tragédia humana contemporânea?

 

E, no entanto, estas cenas fronteiriças do abismo se revestem da dignidade da reflexão e do seu caráter paradigmático e simbólico. Em nenhum momento estamos diante do episódico. E, na minuciosa descrição do caos, o artista nos impregna de poesia oriunda do caráter simbólico de suas imagens. E a extrema qualidade pictórica de sua saga visual é, por si só, um símbolo, pois com a conquista humana da linguagem confronta a entropia.

 

Certamente para Cirton Genaro, mestre pintor, não existem assuntos menores e menos nobres. E com esta atitude ele é exemplar das conquistas libertárias da arte: a nobreza não pertence ao assunto ou ao suporte, mas ao tema pictórico. E ao não ceder à tentação do consumo e a sua superficialidade perecível, ele se torna adepto da mais antiga tradição cultural conhecida, a da arte como narração do destino humano.

 

É por esta filiação histórica que Cirton Genaro na sua pintura nos dá a sensação de que estamos diante de alguma coisa muito atual e, ao mesmo tempo, de que nos defrontamos com uma expressão do permanente. Ele está narrando o mundo. A sua arte é uma escritura. E esta escritura é filha de Cronos, pois é uma crônica, o registro do nosso percurso no tempo. Os arqueólogos do futuro poderão encontrar nessas pinturas sinais da nossa civilização. Em Cirton Genaro o cotidiano se torna mito.

 

Com estes atributos a pintura de Cirton Genaro se apresenta como um elemento construtor da nossa visualidade. A qualidade é resultado – além da óbvia dedicação ao estudo – da crença de que a arte é fundamental na história das civilizações e que a função do artista se inicia com a responsabilidade do seu trabalho. Não se trata de carreira, mas de destino.

 

Seria possível identificar em cada uma de suas invenções pictóricas elementos visuais que nos remetam diretamente para os arquétipos da formação do psiquismo, como o arco-íris, semicírculo que têm simbolizado a aliança entre os homens e os Deuses; o barraco em favela tornado Piet Mondrian, arte xamânica ; o canto da cidade contaminada, a margem, transformada pela riqueza cromática em à margem da vida. E, assim, se quisermos, sucessivamente, ao longo dessa iconografia. Entretanto, tenho a convicção de que basta para nós neste momento sabermos que estamos diante do que de melhor um artista pode fazer, transformar o seu testemunho em forma.

Senise na Silvia Cintra + Box4

08/nov

A Galeria Silvia Cintra + Box 4, Gávea, Rio de Janeiro, J, inaugura no dia 08 de novembro a nova exposição individual de Daniel Senise. “Biógrafo” reúne pinturas e fotografias que possuem um elemento de ligação entre si, um retângulo no centro da tela. Esse retângulo reaparece, de alguma forma, em todas as obras da exposição com tratamentos e materiais diferenciados.

 

Um retângulo dentro do retângulo da própria tela, é a ideia central da série “Biógrafo”, que também dá título à exposição. Essa série começou a ser feita em 2013 e será composta por 85 obras. Na exposição serão apresentados três “biógrafos” inéditos. As outras pinturas da mostra retratam interiores de grandes museus e os quadriláteros representam as pinturas expostas nesses espaços. Serão três telas que reproduzem o Museu de Nantes e a Capela Rothko, em Houston, EUA.

 

A técnica das pinturas é a mesma que o artista tem utilizado desde o início dos anos 2000. Com um tecido bem fino, Senise “imprime” o chão de espaços abandonados e recolhe resíduos e vestígios que mostram o acúmulo de memória, e o que sobrou daquele espaço e do tempo. Com poeira, cola e outros restos, o artista vai criando diferentes tonalidades de tecido e depois com uma espécie de marchetaria vai recriando esses espaços na tela.

 

Além das pinturas, a exposição terá uma série de fotografias. São imagens feitas em 2014, nas obras em andamento no antigo Hospital Matarazzo em São Paulo, sobre as quais Senise sobrepõe placas de madeira recolhidas no próprio espaço e que estão representadas nas imagens.

 

 

Até 15 de dezembro.

Ana Sario exibe “Polaroid” 

06/nov

A Galeria Marcelo Guarnieri, Jardins, São Paulo, SP, apresenta, a partir do dia 09 de novembro, “Polaroid”, exposição individual da artista Ana Sario. A mostra reúne um grande conjunto de pinturas inéditas realizadas em 2018 que se apropriam do formato da fotografia Polaroid.

 

Ana Sario busca traduzir, por meio de suas pinturas, os estados de espírito ou sensações que imagens ou situações de contemplação causam em nós: os muitos tons de azul que se encontram e se modificam lentamente no céu do fim do dia, a vista do jardim interrompida por uma cortina persiana cor-de-rosa, um campo vasto florido que alcança até o infinito o nosso campo de visão, ou até mesmo a luz intensa da manhã que atravessa, pelas frestas, um arbusto de hibiscos. O assunto da janela, aparece no trabalho de Sario sob abordagens diversas, trazendo à reflexão os aspectos do olhar: quando em paisagens longínquas que nunca acessaremos em sua totalidade, ou em naturezas-mortas compostas por vasos de plantas ou bibelôs tão ao alcance das mãos; quando em telas que, compostas por fitas isolantes, tijolinhos de barro ou pela ação que simula o próprio tecido que serve de suporte, parecem vedar algo que está por detrás, mas que na realidade já é ali a pintura em si.

 

Em “Polaroid”, Ana Sario explora esse assunto aproximando-se mais explicitamente das discussões em torno da imagem fotográfica. Ao fazer clara referência em suas pinturas ao formato da fotografia instantânea que dá título à exposição e ao se utilizar de imagens coletadas na internet ou produzidas pela câmera do celular, a artista propõe uma reflexão sobre a nova dinâmica da contemplação à qual estamos submetidos na era digital. Há uma justaposição de temporalidades nesse conjunto de pinturas: o tempo acelerado dos olhos que ansiosos percorrem as telas dos dispositivos eletrônicos ou das mãos inquietas e da “chuva de likes” agora fazem parecer vagaroso o tempo da imagem que se revela na superfície do papel fotossensível ou até mesmo o tempo dos pincéis e das tintas na execução de uma tela de 10,5 x 10,5 cm.

 

A discussão sobre o tempo parece também atrelada à discussão sobre o espaço, como observou José Bento Ferreira, autor do texto da exposição: “Ao proporcionar uma encarnação para a imagem sem corpo, a pintura salva-a da irreferência à qual está eternamente condenada no não-lugar das infovias, submetida à avaliação visual instantânea dos cliques, incompatível com uma fruição verdadeira. Por outro lado, a série de pinturas produzidas a partir de imagens encontradas nas derivas virtuais reconfigura o espaço ao redor, torna-o “heterotópico” conforme a formulação do filósofo Michel Foucault, isto é, um lugar que está fora de todos os lugares, um “contraespaço”.”

 

 

Sobre a artista

 

Ana Sario, 1984 – São Paulo, Brasil. Vive e trabalha em São Paulo. Participou das exposições coletivas: “Os Primeiros 10 Anos” e “Energias da Arte”, ambas realizadas no Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, Brasil; “Além da Forma” no Instituto Figueiredo Ferraz, Ribeirão Preto, Brasil; “Em espera” no Museu Murillo La Greca, Recife, Brasil e MACC – Museu de Arte Contemporânea de Campinas, Campinas, Brasil; MARP – Museu de Arte de Ribeirão Preto, Ribeirão Preto, Brasil. De agosto a dezembro apresenta outros trabalhos da série “Polaroid” em exposição individual no Instituto Figueiredo Ferraz, Ribeirão Preto. Ana Sario integra a publicação “Pintura Brasileira Século XXI”, da Editora Cobogó.

 

 

Visitação de 09 de novembro de 2018 a 12 de janeiro de 2019.

Cosme Martins exibe pinturas no MNBA

01/nov

Um dos cartões postais do Maranhão é o belo conjunto de azulejos dos prédios centenários da capital do estado, São Luis.  E é este imaginário que inspira, em parte, a exposição do artista Cosme Martins no Museu Nacional de Belas Artes/Ibram/MinC, Cinelândia, Rio de Janeiro, RJ. A mostra “Alma Azulejada – Cosme Martins 40 anos” reúne 12 quadros em acrílica sobre tela da fase figurativa e também da sua atual fase abstrata.  Os trabalhos apresentam uma explosão de pigmentos multicoloridos que fazem brotar de suas telas a alma azulejada do pintor, alternando as cores inquietas da poesia com jardins abstratos. O poeta Carlos Dimuro, curador da exposição, assim define a obra do artista: “azulejar nossos olhos com beleza e imaginação é o labor incansável deste maranhense do mundo”.

 

 

Sobre o artista

 

Maranhense de São Bento, nascido em 1959, Cosme iniciou sua carreira, pintando temas figurativos locais. Na década de 80, mudou-se para o Rio de Janeiro com o objetivo de expandir o reconhecimento de sua arte. Obteve orientação de grandes artistas como Rubens Gerchman, Luiz Áquila, Aluísio Carvão, Kate Van Scherpenberg e José Maria Dias da Cruz. Estas vivencias com alguns dos grandes nomes da arte brasileira favoreceram a obtenção de prêmios e participações em salões e importantes museus de arte como Museu Nacional de Belas Artes no Rio de Janeiro e Museu de Arte Moderna de São Paulo.

 

No desenvolvimento de sua obra, Cosme Martins adquiriu reconhecimento, e interferências de críticos notáveis.  Walmir Ayala, por exemplo, afirmou que sua maneira de pintar era a “nova escrita”. Outro crítico importante, Roberto Pontual, abriu-lhe as primeiras portas para o mercado de arte e hospedou-o em Paris, cidade que o recebeu como vencedor do Prêmio de Viagem através da participação na exposição “A Mão Afro Brasileira em Pintura”. Nessa viagem, Cosme Martins pôde conhecer nomes como Cícero Dias, Manabu Mabe e ainda reencontrar Rubens Gerchman, que lhe deu aulas e foi o primeiro a lhe dizer, anos antes, que sua arte poderia alcançar projeção nacional.

 

Na fase conhecida como “Favelas”, observa-se nos trabalhos de Cosme Martins a transição entre o figurativo e o abstrato: elementos como barracos e pessoas foram se tornando cada vez menos óbvios, até a pintura alcançar a total ausência da figura como podemos perceber nos seus trabalhos atuais. Suas telas apresentam texturas, em terracota, que são construídas com uma técnica que o artista não revela, porém capaz de manter a firmeza e evitar os craquelês. Outro elemento nos trabalhos de Cosme Martins, a variedade de cores é movida pela sensibilidade do artista que confessa não conseguir chegar a um limite até que sua agonia seja substituída pela sensação de prazer ao terminar suas telas.

 

 

Até 02 de dezembro.

Cor e silêncio em Dacosta

“Dacosta – A cor do silêncio”, é o título da exibição retrospectiva de pinturas de Milton Dacosta, sob curadoria de Denise Mattar, atual cartaz da Galeria Almeida e Dale, Jardim Paulista, São Paulo, SP. A exposição reúne 54 trabalhos das mais variadas fases de seu percurso, desde 1930 à década de 1980.

 

A obra de Milton Dacosta (1915 – 1988), pintor fluminense que conseguiu conciliar as tradições a um potente e fértil processo criativo. O pintor volta a ter seu trabalho celebrado por uma individual em São Paulo depois de um hiato de 12 anos.

 

Ao longo de sua trajetória, Milton Dacosta não se deixou limitar por nenhuma escola, assumindo influências diversas. “Sem dar importância a elogios ou críticas o artista sempre seguiu o caminho que lhe interessava, da figuração impressionista à metafísica, do cubismo à simetria da luz e da forma concreta à sensualidade da curva”, afirma a curadora.

 

Em vida, o artista foi aclamado pelo público e também pela crítica. Seu trabalho foi reconhecido pelos mais importantes nomes da área, de Sérgio Milliet a Mário Pedrosa, de Samson Flexor a Waldemar Cordeiro. Em 1955, o júri da IIIª Bienal Internacional de São Paulo conferiu a ele o prêmio de melhor pintor nacional.  Então com 40 anos de idade, recebia o reconhecimento máximo de seu trabalho em meio ao acirrado embate entre figuração e abstração que havia na época. Milton Dacosta era uma das raras unanimidades daquele contexto. Para Denise Mattar, a aceitação de sua obra era resultado de um percurso particular de um pintor excepcional, que sabia estabelecer diálogos com as obras de artistas que o interessavam e manter-se, ainda assim original.

 

Seguindo uma trajetória cronológica, a exposição “A cor do silêncio” tem início com os primeiros trabalhos do jovem pintor. “Paisagem Urbana”, de 1937, e a icônica “Autorretrato”, de 1938, são deste período. Com forte influência dos movimentos parisienses e do naturalismo com acentos impressionistas, as telas já enunciavam uma das principais características de sua obra: enquanto predominava o realismo expressionista de cunho nacionalista de artistas como Di Cavalcanti e Portinari, ele mantinha-se fiel às suas predileções.

 

Nos anos 1940, Milton Dacosta volta-se à pesquisa estrutural da imagem, trilhando uma fase de descobertas. Neste período, interessa-se pelas figuras longilíneas e pela metafísica de De Chirico, cuja influência é nítida em trabalhos como “Ciclistas”, de 1941, e “Carrossel”, de 1945. Ao contrário do artista italiano, entretanto, as telas do brasileiro são de clima solar, não associado a angústias, mas ao lúdico, tema constante. Após uma temporada de viagens e estudos nos Estados Unidos e na Europa, o pintor retorna ao Brasil no final dos anos 1940 e, num primeiro momento, retoma as figuras alongadas que já realizava anteriormente. Em seguida, inicia uma fase geométrica, cheia de oposições. “O claro é contraposto ao escuro, a frente é também perfil, a luz se define pela sombra. O artista distorce cabeças, decupa rostos e corpos em triângulos e círculos e, a partir deles, elabora contrastes marcados por linhas estruturais ortogonais ou curvilíneas, numa construção quase musical”.

 

Em 1952, já casado com a também pintora Maria Leontina, o artista  passa a realizar as (de)composições geométrico-figurativas. É desse período a série com a qual recebeu o prêmio na IIIª Bienal Internacional de São Paulo, em 1955. Em “Sobre a Horizontal”, obra de 1954, retrata uma natureza-morta apenas entrevista, construída com traços ortogonais, decomposta em figuras geométricas utilizando-se da têmpera, em tonalidades azuis, ocres suaves e brancos luminosos, sobre intenso fundo negro.

 

Pouco a pouco, Dacosta abandona as alusões figurativas, alcançando um construtivismo lírico e singular, cada vez mais conciso. Trabalhos como “Em Branco”, de 1956, “Em Roxo”, de 1957, e “Em Verde”, de 1958, pertencem a este momento e mostram a precisão compositiva e o apurado cromatismo do pintor. A crítica considera essa fase como o ápice de sua carreira. O artista, entretanto, não compartilhava dessa opinião. “Ele nunca foi seduzido pelo movimento concretista e nem mesmo pelos neoconcretos, era fiel apenas a ele mesmo e à sua busca interior”, define a curadora Denise Mattar.

 

O artista toma então um caminho de regresso à figuração, processo de retomada que se estendeu pelos anos 1960. As linhas retas começam a se flexibilizar e as curvas se insinuam ao espectador, a exemplo de “Mulher com o rosto apoiado sobre a mão”, “Figuras”, da década de 1950, e do conjunto de quatro obras intituladas “Figura com Chapéu”, realizada entre os anos de1958 e 1961. No final da década de 1960, e até seus últimos anos de vida, o artista realiza as sensuais “Vênus”, sempre marcadas por linhas sinuosas, criadas pelo desenho livre e sem amarras. “Figura e Pássaro”, de 1964, “Vênus e Pássaro”, entre 1969 e 1970, “Figura”, de 1964, são exemplos dessa fase, que se tornou um sucesso no iniciante mercado de arte da época.

 

 

Até 24 de novembro.

Tomie Ohtake em NY

30/out

A Galeria Nara Roesler | Nova York, apresenta um novo desdobramento da aclamada exposição “Tomie Ohtake: Nas Pontas dos Dedos”, com curadoria de Paulo Miyada, curador chefe do Instituto Tomie Ohtake. Especialmente organizada por Miyada para a filial de New York e incluindo pinturas, estudos, gravuras e fotografias, esta exposição concisa apresenta exemplares do rico corpo de obra criado por Tomie Ohtake nas décadas de 1960 e 70, além de raros registros do processo feitos pela própria artista. A exposição é um desdobramento das exposições “Tomie Ohtake: na ponta dos dedos” apresentadas na Galeria Nara Roesler | São Paulo (agosto a setembro de 2017) e na Galeria Nara Roesler | Rio de Janeiro (fevereiro a março de 2018) e proporciona um enfoque único sobre o desenvolvimento das composições da artista, de colagens de recortes de revistas a óleos sobre tela.

 

 

Sobre a artista

 

Tomie Ohtake é uma figura fundamental na história da abstração brasileira. Sua dedicada investigação dos aspectos formais, temporais e espirituais da cor, da forma e do gesto resultaram num corpo de obra extraordinário, produzido ao longo de seis décadas. Nascida em 1913, ela teve uma criação tradicional em Kyoto e viajou ao Brasil em 1936 para visitar um de seus irmãos, que fizera parte de uma grande onda de imigração japonesa ao país. Impossibilitada de voltar ao Japão devido à Segunda Guerra Mundial, Tomie Ohtake destacou que dois fatores foram fundamentais em sua decisão de se estabelecer permanentemente no Brasil: ela encantou-se de imediato com a luminosidade tropical única do país, e percebeu que no Brasil teria a oportunidade de ser uma artista com liberdades criativas que lhe seriam negadas, como mulher, no Japão. Após casar-se e criar seus dois filhos, dedicou-se a seu trabalho e estabeleceu uma ligação estreita com o grupo Seibi, uma rede informal de artistas nipo-brasileiros unidos por seu interesse pela abstração. Mas Tomie Ohtake também era ligada a grupos mais amplos de críticos e artistas, como Willys de Castro, Mário Pedrosa, Paulo Herkenhoff e Mira Schendel, entre outros. Essa multiplicidade de filiações e ligações a desobrigava de alinhar-se com qualquer abordagem artística específica, colocando-a numa trajetória artística singular. Foram Mira Schendel e, principalmente, Paulo Herkenhoff que incentivaram a artista a empregar mais explicitamente elementos das tradições japonesas, como o zen-budismo e a caligrafia. Em 1975, Tomie Ohtake afirmou: “Meu trabalho é ocidental, mas tem grande influência japonesa, um reflexo da minha criação. Esta influência está na busca da síntese: poucos elementos devem dizer muito. Na poesia haiku, por exemplo, fala-se do mundo em dezessete sílabas”.

 

 

A palavra do curador Paulo Miyada

 

 

Tomie Ohtake: Nas pontas dos dedos I. Cortes de cores Na passagem entre as décadas de 1950 e 1960, a primeira incursão de Tomie Ohtake na pintura abstrata tornou-se conhecida pelo caráter “cego” de um informalismo feito com intensidade e sem premeditação, muitas vezes com pinceladas lançadas, literalmente, de olhos fechados. A seguir, logo no princípio dos anos 1960, sua pintura condensou-se em formas mais claras, apresentadas em composições com nítida distinção de figura e fundo. As figuras, no caso, assemelham-se a formas geométricas simples, porém de contornos tremeluzentes, como se rasgadas com a ponta dos dedos. O que pouca gente sabe é que isso não é mera similitude: nessa época, a artista de fato começou a fazer estudos usando papéis coloridos retirados de revistas e rasgados à mão. Era uma forma de lidar com a instantaneidade do gesto e impregnar todo o processo de pintura com um teso equilíbrio entre acaso e controle. As composições encontradas por Tomie Ohtake nas diminutas colagens serviram de roteiro para pinturas.

 

De 01 de novembro a 22 de dezembro.

Iberê em Brasília

26/out

A Galeria Espaço Cultural Marcantonio Vilaça (SCES), Brasília, DF, exibe a exposição “No Drama”, obra de Iberê Camargo, um dos maiores artistas brasileiros do século 20. Na mostra, um lado menos conhecido, com trabalhos inspirados em literatura, teatro, dança, música e cinema.

 

“No Drama” também apresenta uma série de desenhos, estudos de figurinos e cenários para um projeto de encenação do balé “Rudá”, de Heitor Villa-Lobos, produzido em 1959. Além disso, há uma sessão interativa feita a partir de oito painéis presenteados pelo artista ao amigo Luiz Aranha. Como parte das atividades paralelas, haverá exibição do documentário Magma (2014), de Marta Biavaschi e dois curtas-metragens.

 

Em exibição 53 obras pertencentes à Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre. São desenhos, pinturas e guaches inspirados na música, na dança, na literatura, no teatro e no cinema. Iberê necessitava da paisagem – seja ela humana, natural ou urbana – para pintar. Em “No drama”,o mundo das artes, assunto familiar ao artista e, ao mesmo tempo, mágico, que ele carregava para o ateliê. “Iberê passou por vários momentos, mas ele não muda. O próprio artista estava sempre fazendo uma performance na pintura, ele mesmo quase entra em cena também com aquela coisa de pintar, o recuo”, explica Eduardo Haesbaert, um dos curadores da exposição, ao lado de Gustavo Possamai.

 

 

Até 01 de dezembro.

Portinari em Portugal

Na celebração do seu 11.º aniversário, o Museu do Neo-Realismo, Vila Franca de Xira, Portugal, apresenta até 03 de março de 2019, a exposição “Candido Portinari em Portugal”. Uma oportunidade para o público português entrar em contato com as pinturas, desenhos, e a presença de Portinari – materializada em suas obras – , um dos maiores nomes da pintura brasileira, oportunizando desse modo, uma proximidade com o ideário neorrealista português. A exposição “Candido Portinari em Portugal” tem o Alto Patrocínio do Presidente da República e foi inaugurada no dia 20 de outubro, contando com as presenças do Presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, Alberto Mesquita, da Diretora do Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, Mônica Xexéo e do filho de Candido Portinari, Prof. João Candido Portinari.

 

O principal destaque desta exposição é, sem dúvida, a mítica obra “Café”, generosamente cedida pelo Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, e que regressa a Portugal 78 anos depois de ser exposta pela primeira vez em 1940, no Pavilhão do Brasil na “Exposição do Mundo Português”. Mas este projeto expositivo, com curadoria da diretora científica do museu, Raquel Henriques da Silva, e de Luísa Duarte Santos, apresenta outras obras relevantes do artista que, com a volta de “Café”, permitirá celebrar o artista estrangeiro que mais obras tem em Portugal. “Candido Portinari em Portugal” apresenta pinturas e desenhos cedidos pelo Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado (Lisboa), Museu Nacional Soares dos Reis (Porto), Museu Calouste Gulbenkian (Lisboa), Casa da Achada – Centro Mário Dionísio (Lisboa), Museu Ferreira de Castro (Sintra) e Fundação Millennium BCP (Lisboa),  além de importantes fundos documentais do próprio Museu do Neo-Realismo (Vila Franca de Xira), numa exposição de grande qualidade e de dimensão internacional, o que vem sublinhar também as características únicas do Museu do Neo-Realismo no panorama cultural português.

 

 

Ao longo dos 11 anos de existência do Museu do Neo-Realismo nas atuais instalações, projetadas pelo Arq.º Alcino Soutinho, têm sido exponencialmente multiplicadas as redes de contatos e as colaborações com curadores e universidades, que têm trazido novos olhares sobre o movimento neorrealista e as suas diversas expressões artísticas. Vocacionado para o estudo e divulgação deste movimento literário, o Museu do Neo-Realismo, cuja gestão está a cargo da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, tem promovido uma prática continuada de investigação em torno do seu patrimônio, apostando, simultaneamente, em conteúdos programáticos de rigor crítico e amplitude interpretativa.

 

Desde outubro de 2007, o Museu produziu uma média de 10 exposições biobibliográficas, documentais e de artes plásticas por ano, a maioria das quais documentadas pela edição de catálogos. O Museu do Neo-Realismo tende hoje a ultrapassar as fronteiras da sua vocação temática original para se situar, cada vez mais, no território das ideias e da cultura do século XX, relacionando assim outras correntes literárias, artísticas e de pensamento.

No ano passado, duas das mais importantes obras de Portinari, resgatadas de um incêndio ocorrido em 1949, foram expostas no Museu do Chiado. As obras intitulavam-se “Chorinho” e “Cavalo-marinho”, e foram inseridas na exposição “A Mão-de-olhos-azuis de Cândido Portinari”, com curadoria de Maria de Aires Silveira, que ficou patente de outubro a dezembro naquele museu. Estes dois painéis pertenciam a um conjunto de oito, de temática musical, pertencentes à Rádio Tupi, no Rio de Janeiro, e foram os únicos sobreviventes de um incêndio ocorrido na emissora, em 1949.

Arte participativa

25/out

No próximo dia 30 de outubro, o Museu Nacional de Belas Artes (MnBA), Centro, Rio de Janeiro, RJ, inaugura a exposição participativa “Arte Aproxima”, com obras dos artistas Ernesto Neto, Efrain Almeida, Priscila Fiszman, Emilia Estrada, Aline Gonet e da psicóloga Robertha Blatt, idealizadora do projeto, que tem o objetivo de familiarizar o público jovem com o mundo da arte, despertando trocas sensíveis e novas experiências. Com curadoria de Lisette Lagnado, será criado um circuito inédito integrado entre as obras contemporâneas e pinturas emblemáticas da história da arte pertencentes ao Museu, como “A Primeira Missa” (1948), de Cândido Portinari (1903-1962), e obras do século XIX, de artistas como Victor Meirelles (1832-1903) e Pedro Peres (1841-1923). A exposição é incentivada pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura Carioca.

 

“A arte é curativa e transformadora, permite entrar em contato consigo mesmo, trazendo insights. Os artistas vivenciam isso durante a produção das obras, mas essa oportunidade pode existir para todos. O projeto tem como objetivo democratizar e disponibilizar essa experiência para as pessoas”, diz Robertha Blatt, que é psicóloga, educadora há 20 anos e tem 15 anos de experiência em terapia de família. A exposição é aberta a crianças de todas as idades e será complementada com a participação do público. Os artistas e educadores estarão presentes na mostra e os trabalhos criados pelo público ao longo da exposição, através das atividades propostas e dos materiais disponíveis, ficarão expostos, integrando-se às obras existentes, como um grande tricô coletivo que será produzido pelo público e, ainda, uma estrutura a ser construída com tijolos contendo desenhos feitos pelas crianças. Ao longo da exposição, haverá, ainda, conversas com os artistas, a curadora e a idealizadora do projeto.

 

 

Circuito da exposição

 

A mostra começa no segundo andar do Museu Nacional de Belas Artes, onde estão as pinturas “Primeira Missa no Brasil” (1861), de Victor Meirelles (1832-1903) e “Elevação da Cruz” (1879), de Pedro Peres (1841-1923). A artista Emilia Estrada desenvolveu especialmente para a ocasião uma versão do jogo de telefone sem fio, com a finalidade de criar narrativas sobre a história do Brasil.

 

O percurso segue na Sala de Chá, convertida em ambiente imersivo. O lugar foi renomeado de “campo sagrado” por Robertha Blatt, que convida as pessoas a percorrerem um caminho espiral sugerido por amplas camadas de tecidos de voal colorido. Nessa instalação, as crianças recebem uma segunda pele que lhes permite abraçar sensorialmente o espaço externo. Vestidas de ‘guri-guru’, poderão explorar livremente a experimentação desta veste e são convidados a seguirem assim até a sala onde está exposta ‘A Primeira Missa’, de Cândido Portinari (1903-1962), pintura histórica que completa agora 70 anos, consagrada pelo crítico de arte Mário Pedrosa (1900-1981) como ‘uma de suas obras mais bem concebidas. Segundo a educadora Aline Gonet, “o trabalho manual é uma porta de interação com o mundo. “Rosa dos Ventos” é uma proposição que desenvolve a intimidade emocional a partir de técnicas manuais. As pontas de nossos dedos têm uma grande densidade de terminações nervosas, o que permite ao cérebro identificar o que os dedos estão explorando”. “A cada dia, uma trança de tricô amarelo (a cor sagrada na tradição cristã e chinesa, como nos lembra Pedrosa) irá crescer no espaço expositivo, evidenciando a presença de encontros e brincadeiras anteriores”, conta a curadora.

 

Na sala de exposição, a fruição e compreensão do quadro de Cândido Portinari, momento histórico que representa um “enxerto de civilização cristã”, ganha relevo graças a um conjunto de três esculturas de Efarin Almeida, evocando as informações ausentes na grandiosa pintura realizada setenta anos atrás: a fauna, a flora e a presença de povos indígenas quando os portugueses chegaram ao Brasil. Os estandartes com desenhos sobre tela de Emilia Estrada criam uma perspectiva crítica desse maravilhoso Novo Mundo com sua obra “Fake News / Cacofonia”.

 

“Língua de fogo” é a obra-oficina de Priscila Fiszman, em parceria com a bombeira do MnBA, que irá abraçar o tema da segurança e prevenções, explicando o funcionamento de um extintor. Desenhando sobre tijolos, o público irá colaborar na construção coletiva de um templo. “O incêndio do Museu Nacional do Rio, na Quinta da Boa Vista, acarretou a perda de um patrimônio incalculável, mas, também, um trauma ainda incalculável no inconsciente coletivo”, ressalta a curadora. Seguindo na exploração de possibilidades de interação sensorial, de Ernesto Neto introduz a ideia de “esculturacura”, pontuando um recolhimento interior necessário para enfrentar a atual conjuntura sociopolítica, agravada com a disseminação de relações mediadas pela tecnologia. A obra “EstrelaTerra vibra nois. Todos somos nós” consiste em crochê com voal de algodão, bambu, areia, quartzo transparente, folhas secas e folhas de louro e permite que público entre na obra e tenha experiências sensoriais.

 

 

Sobre o projeto

 

Desenvolvido ao longo de um ano, em colaboração com crianças, famílias, pedagogos, artistas, ativistas e psicólogos, o projeto surge da experiência clínica de Robertha Blatt, que vem elaborando novas abordagens para o jovem público acessar emoções difíceis de serem expressas. Por meio de estímulos lúdicos, conversas e dinâmicas, acredita-se na ecologia transformadora da experiência estética como catalizadora de linguagem. O projeto traz em seu bojo a utopia de reconectar as pessoas com a pulsão criativa da vida. A produção executiva é feita pela Next Produções.

 

 

Sobre a curadora

 

Lisette Lagnado é Doutora em Filosofia pela Universidade de São Paulo, crítica de arte e curadora independente. Foi curadora-chefe da 27a Bienal de São Paulo (2006) e da exposição “Desvíos de la deriva”, no Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofia, Madri (2010). Dirigiu a Escola de Artes Visuais do Parque Lage (RJ), onde foi também curadora dos programas públicos (2014-2017). Em 2017, foi curadora da exposição “O Nome do Medo”, de Rivane Neuenschwander em colaboração com Guto Carvalhoneto (Museu de Arte do Rio, MAR). Em 2018, curou a exposição “Cabelo – Luz com trevas” (BNDES, RJ), duas mostras monográficas sobre León Ferrari (Galeria Nara Roesler, SP e NY), e a coletiva “Com o ar pesado demais pra respirar” (Galeria Athena, RJ).

 

 

Sobre a idealizadora

 

Robertha Blatt atua nas fronteiras entre arte, psicologia e educação. Há 15 anos, pesquisa a articulação de práticas terapêuticas e expressões artísticas, trafegando pelos papéis de educadora infantil, terapeuta de família, psicóloga, mãe e artista. Especializada em terapia de família e casal. Seu consultório-ateliê disponibiliza recursos multissensoriais que viabilizam outras manifestações expressivas além do discurso verbal. Explora imersões em museus pelo mundo, observando a interação entre as pessoas e as proposições destes espaços. Interessa- se pelo estudo de terapia somática e bodynamic. Realiza palestras e encontros com os temas voltados para educação e psicologia. Investiga a relação dinâmica entre a expressão das emoções, a criação artística e a construção de si.

 

 

Nilcemar Nogueira – Secretária Municipal de Cultura

 

À frente da Secretaria Municipal de Cultura, temos direcionado esforços para a implementação de uma política de estado baseada na democratização cultural da cidade. Com o compromisso de dar fim ao pesadelo da “cidade partida”, nossa gestão acredita que os conceitos de centro e periferia não contemplam uma política cultural de fato integradora. Por isso, foi traçado um novo mapa simbólico, em que toda a cidade é o centro e cada região é um manancial de produção pulsante de cultura. Para avançar nesse processo de ressignificação e equacionar as potencialidades, elegemos cinco eixos estratégicos: gestão de escuta ampliada e participativa, cultura pela diversidade e cidadania, programa integrado de fomento à cultura, valorização da rede de equipamentos culturais, e memória e patrimônio cultural. Assim pudemos colocar em prática uma série de ações efetivas, com foco no lema “Cultura+Diversidade”. A cultura plural, rica e forte do Rio de Janeiro é, ao lado na natureza opulenta, o grande capital da cidade. Ela tem poder regenerador, capaz de corrigir rumos e mudar vidas. Fortalecer, apoiar e difundir nossa cultura não é apenas dever de cada um de nós: é questão de sobrevivência e de resistência.

 

 

Encontros públicos:

 

01 de novembro de 2018 (quinta-feira), das 14h30 às 17h

 

Junto com artistas propositores, Lisette Lagnado e Robertha Blatt discutem concepção, processo criativo e expõem métodos de trabalho. Ernesto Neto ensinará meditação para as crianças dentro de sua escultura.

 

 

10 de novembro de 2018 (sábado), das 14h às 17h

Roda de conversa com Ernesto Neto e convidados.

 

 

Até 30 de novembro.